Segunda-feira, 19 de Março de 2012
Steve Field

Rio Ave: Fidelidade aos princípios

No passado sábado, como habitual, desloquei-me ao estádio da Marinha Grande para ver o Leiria. O adversário foi o Rio Ave, uma das belas equipas do nosso campeonato. Provavelente, é a melhor equipa das que têm objectivos inferiores, a par da Académica.

Além disso, em cada jogo estão bem vincados os princípios de jogo da equipa, quer joguem com uma equipa "do seu campeonato", quer joguem contra uma equipa com objectivos superiores. Vemos que o Rio Ave, muito bem orientado por Carlos Brito, dos grandes treinadores do nosso futebol, em cada jogo está sempre muito bem organizado, com as linhas muito juntas no momento defensivo (tem um meio-campo muito compacto, sem o tradicional "10", com o triângulo em 1x2 para ganhar consistência defensiva), aproveitando as recuperações de bola para lançar rápido o ataque, quase sempre apoiado, com bastante profundida pelos extremos (sempre bem abertos) e pelos laterais.

Assim, vemos que o Rio Ave não se importa de não ter a bola. No entanto, sempre que possível tenta ter posse, mas sempre com a intenção de demorar o menor tempo possível a chegar à baliza contrária. O futebol da equipa tem temporização rápida, talvez devido às caracterísitcas dos jogadores, sobretudo dos extremos. Em termos individuais, destaco o trio do meio campo (Bruno China, Vitor Gomes e Tarantini), sempre bastante coeso mas, porém, com pouca criatividade. O lateral direito, Sony, dá bastante profundida à equipa no momento da transição, ao passo que Tiago Pinto é mais posicional (para mim seria um bom suplente do Coentrão no Europeu). Os extremos são, provavelmente, a arma mais perigosa da equipa. Yazalde e, sobretudo, Atsu, jogam a velocidades alucinantes. Atsu, jogador emprestado pelo Porto, é um jovem muito promissor, com lugar no plantel portista. Um jogador a seguir a par e passo.

O que mais admiro nesta equipa, como já referi, é manter os seus princípios de jogo em qualquer encontro. Além disso, esse modelo de jogo persiste quer a equipa vá vencendo quer não. Hoje ocupa o 10º lugar, mas quanto estava na cauda da tabela jogava igual. Assim, perdeu em Leiria mas convenceu e uma coisa é certa: no próximo encontro veremos o mesmo Rio Ave, sempre bastante personalizado. Um exemplo a seguir pela maioria das equipas.



publicado por Steve Grácio às 22:49
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Quarta-feira, 1 de Junho de 2011
Em Frente

     Antes de iniciar a crónica, um pedido de desculpas é necessário, uma vez que nas últimas duas semanas foi-me impossível participar no Minuto Zero, por problemas “técnicos”. Mas pronto, a ver se finalmente ultrapassámos este problema.

 

Chirola

 

     No passado dia 28 de Maio a família Sportinguista viu partir Manuel Brito, antiga glória do Andebol do clube. Trinta anos no Sporting (20 como jogador, 10 como atleta), fez parte dos “sete mágnificos” que conquistaram um penta-campeonato entre 1968 e 1973, tendo ao todo conquistado 13 campeonatos ao serviço do clube.

     Um dia depois, caso fosse ainda vivo, Hector Casimiro Yazalde faria 65 anos. Conhecido pelos adeptos por “Chirola”, dedico estas próximas linhas a uma das lendas leoninas.

     Nasceu em Buenos Aires no já distante ano de 1946 e até chegar ao Sporting passou pelo Piranã (pequeno clube do seu bairro) e pelo Independente. Com apenas 20 anos já se sagrava campeão argentino, melhor marcador e era convocado para a selecção. E, portanto, foi com naturalidade que começaram a surgir convites de diferentes clubes, entre outros o Lyon, o Valência, o Santos, o Palmeiras e o Sporting, que quis o destino fosse o clube que tanto os adeptos faria um dia alegrar.

     Assinou pelo clube a 25 de Janeiro de 1971, com o rótulo de craque, tendo apenas feito a sua estreia oficial na época de 1971/1972, a 12 de Setembro do mesmo ano, contra o Boavista,  marcando dois golos. Todavia, a sua primeira época em Alvalade nada fazia prever o festival de golos que o argentino ainda ia dar aos adeptos, tendo apenas conseguido facturar em nove ocasiões diferentes, nos 20 jogos que disputou no campeonato e 4 vezes, nos 4 jogos que disputou na Taça das Taças.

     A época de 1972/1973 ainda não foi a sua mais emblemática época no clube. Mesmo assim, Yazalde disputou 29 jogos no campeonato, onde marcou por 19 vezes. Na Taça de Portugal, que o Sporting conquistou, o goleador fez questão de demonstrar a sua veia goleadora, tendo em 5 jogos, facturado por 7 vezes. Ainda a recordar, que haveria de marcar igualmente um golo nos dois disputados na Taça das Taças. Seguia-se então a fantástica época de 1973/1974…

     Comandada por Mario Lino, a equipa do Sporting conquistou quase tudo o que havia para conquistar. Fez a dobradinha e a Taça das Taças teve perto de ser uma realidade ou não fosse a meia-final de má memória, contra o Magdeburgo, onde tudo o que podia acontecer, nos aconteceu, como por exemplo não termos contado com o astro argentino no segundo jogo da eliminatória por lesão.

    

    

     Nesse ano dançou-se tango em Alvalade. Yazalde encantou os relvados nacionais, fez vibrar os adeptos leoninos, facturando por 46 vezes no campeonato, onde disputou 29 jogos (na Taça das Taças ainda marcou por quatro vezes nos 6 jogos em que alinhou). A época sensacional de Chriola foi coroada com a conquista da Bota de Ouro, sendo que o número de golos que então marcou, ainda hoje constitui um recorde inigualável por essa Europa fora. Mesmo a recuperar de lesão, o argentinr foi ainda convocado para disputar o Mundial desse ano, na Alemanha, onde em três jogos ainda marcou por duas vezes.

     Recebeu então uma proposta do Real Madrid, que rejeitou, para realizar mais uma época em Portugal, que haveria de ser a última. O Sporting não foi campeão, mas mesmo assim Yazalde marcou por 30 vezes, nos 26 jogos disputados no campeonato (foi Bola de Prata europeia), para a Taça de Portugal marcou por cinco vezes, nos cinco jogos que disputou e na Taça dos Campeões, tendo participado em dois jogos, ainda marcou uma vez. O seu último golo, com a camisola verde-e-branca, foi a 27 de Maio de 1975, em jogo a contar para os quartos-de-final da Taça de Portugal contra a União de Tomar. Bisou no jogo.

     A sua carreira continuou então no Marselha, onde fez ainda 23 golos e conquistou a Taça de França (as lesões já eram uma constante e portanto não conseguiu muito mais). Aos 31 anos voltou a Buenos Aires, com passagens pelo Newell’s Old Boys (53 golos) e no C.A. Hurracán, onde só disputou um jogo. Aos 35 anos colocaria um ponto final na sua carreira, ficando no coração de todos os Sportinguistas como um dos maiores goleadores da história do clube, ficando, por exemplo, na memória o golo em mergulho que conseguiu contra o Benfica. O tango só voltaria a ser dançado em Alvalade pelo “el matador” Beto Acosta.

     Yazalde deixou-nos cedo, aos 51 anos de idade, mas jamais será esquecido.

 

“O Sporting e os Sportinguistas estarão sempre no meu coração.”

Hector “Chirola” Yazalde

 

Saudações Leoninas,

Jorge Sousa

 



publicado por Jorge Sousa às 12:58
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