Segunda-feira, 21 de Maio de 2012
Porque a vida também é feita a correr...

Coração, arte defensiva, capacidade física e … Sonho Europeu de Abramovich concretizado

 

         O Chelsea sagrou-se campeão europeu, pela primeira vez na sua história, ao derrotar o Bayer Munique, na casa deste, nos penaltys após um empate a uma bola que findou o tempo regulamentar e o prolongamento.

         Nove anos depois de milhões e milhões de investimentos, Abramovich vê finalmente o seu sonho europeu realizado, na época onde nada o faria prever.

         A nível interno, o Chelsea de 2011/2012 é claramente uma equipa diferente das pretéritas 8 épocas sob o reinado do multimilionário russo.

         Ao longo da sua estadia em Chelsea, Abramovich conseguiu 9 presenças consecutivas nos oitavos-de-final da Champions e 8 pódios consecutivos na Premier League abrilhantados com três ceptros nacionais.

         Para recuperar o título perdido na época transacta face ao novo (em função da história do Chelsea)  rival Manchester United, Abramovich não hesitou em pagar 15 milhões de euros por André Villas-Boas, fazendo a transferência mais cara da história de treinadores.

         Após uma época de grandes epopeias na cidade invicta Villas-Boas tinha em Stanford Bridge um enorme desafio para a sua curta mas ambiciosa carreira… Apesar da confiança, do estilo inovador e da natural competência que o catapultaram para a elite europeia em tenra idade, Villas-Boas não soube entender a conjuntura humana e futebolística da equipa blue.

         Com o ego elevado, depois duma época apoteótica em solo nacional, Villas Boas olhava para o Chelsea como uma forma de dar continuidade às suas ideias de futebol alegre onde o rigor da posse de entrecruza permanentemente com a fortíssima capacidade de sair em transicção.

         Numa equipa com um ADN claramente definido, que passado 4 temporadas ainda vivia à imagem do grande criador identitário do Chelsea de Abramovich (Mourinho) Villas-Boas via o seu espaço de manobra cada vez mais reduzido.

         Num plantel onde a maturidade e estatuto de Cech, Terry, Cole, Lampard, Essien, Malouda e Drogba se intersectava com a astúcia e capacidade inovadora de David Luiz, Oriol Romeu, Ramires, Raúl Meireles, Sturridge e até Torres (pelo sistema de jogo do Liverpool claramente distinto).

         Dois pólos amplamente antagónicos, onde a homogeneização indispensável para o sucesso da equipa seria um desafio em que a imaturidade de André Villas Boas (ainda) não sabia responder.

         Foi neste contexto de mescla de continuidade e mudança que se construiu o fracasso do mais jovem promissor treinador do Planeta.

         O Chelsea de 2011/2012 era uma equipa ao contrário das épocas anteriores, desacreditada do seu valor, pela constante quebra de auto-estima do núcleo duro do plantel. Para além disso, este Chelsea inovador de Villas-Boas tinha em Mata e Meireles as suas principais contratações o que patenteava um claro abrandamento de investimento financeiro comparativamente com as épocas passadas.

         O Chelsea parecia uma equipa onde as suas unidades de peso iam envelhecendo e a tão precisa renovação estava órfã de qualidade para a substituir. Os resultados foram pois por isso, durante a estadia de André, um autêntico fracasso a uma prestação interna que já não se via desde 1995/1996.

         Com pouco tempo para injetar confiança e muito menos para a solidificar o Chelsea de 2011/2012 necessitava, pois de uma ampla mudança técnica que findasse os problemas futebolísticos e de balneário da equipa ao mesmo tempo que recuperava um pouco do seu ADN legado de José Mourinho.

         Sem hesitar Abramovich voltou a puxar dos cordões à bolsa e pagou uma astronómica cláusula de rescisão a Villas-Boas, tornando-o o desempregado mais rico da europa e apostando em Di Matteo “como o milagreiro salvador” para escassos três meses.

         Com um conhecimento profundo do clube londrino, depois de ter sido jogador durante 6 anos, com uma cultura de futebol italiano altamente desenvolvida Di Matteo montou uma equipa física, mental e estrategicamente talhada para os jogos a eliminar. Com o campeonato perdido, a Taça e a Champions eram as únicas possibilidades de sucesso dos blues.

         E foi com Di Matteo ao leme que o Chelsea recuperou a confiança e em três meses se construiu como a melhor equipa do futebol europeu.

         Sem tempo nem vontade de construir algo novo, Di Matteo preocupou-se sobretudo em recuperar a cultura táctica do Chelsea, o posicionamento defensivo exímio e o ataque demolidor que na última década abrilhantaram os mais belos palcos da Europa do futebol.

         Foi deste modo que jogadores como Terry, Lampard e Drogba recuperaram a sua confiança e resiliência dando ao grupo um sentido unitário altamente eficaz. Do mesmo modo David Luiz, Raúl Meireles, Ramires, Mata e Torres entenderam o seu lugar na equipa e construíram um upgrade inovador extremamente útil à equipa, num contexto onde os antagonismos com o núcleo duro estavam já findados.

         O Chelsea recuperava assim um balneário, abolia as divisões entre dois estilos de futebol e começava a reconstruir a cultura do seu jogo.

         Ultrapassando os transalpinos Nápoles e superiorizando ao surpreendente Benfica o Chelsea estava nas meias da Champions e tinha frente ao todo-poderoso Barcelona o grande desafio da sua história.

         Com uma consistência defensiva, mentalidade ganhadora e transicção ataque amplamente melhoradas, o Barcelona era a equipa ideal para o Chelsea se apurar para a final, sendo por isso na minha óptica o grande favorito para a vaga da final de Munique.

         Do ponto de vista psicológico era uma equipa talhada para jogos a eliminar, com um extraordinário à vontade resultante da desresponsabilização de apuramento criada pelos media. O favoritismo estava todo do lado do Barça, o nervosismo era algo inexistente em Stanford Bridge.

         Do ponto de vista meramente futebolístico, o encurtamento de espaços defensivos, a extraordinária aglomeração de jogadores no seu meio-campo, a concentração elevada ao expoente máximo e uma das melhores transicções atacantes do futebol actual eram tudo ingredientes que previam a quebra do tiki-taka e o aproveitamento do débil rendimento defensivo blaugrana.

         Mas nem tudo foram rosas para a equipa blue, nesta recta final da odisseia europeia mais fantástica dos últimos anos.

         Ao minuto 12 da segunda mão frente ao Barça, o Chelsea perdeu Cahill por lesão e aos 37 minutos viu a dupla de centrais completamente desfeita com a expulsão de John Terry, resultante da agressão bárbara a Alexis Sanchéz. Depois de estar a perder por 1-0, Iniesta aumentou o score para 2-0 colocando a equipa blaugrana na pole position para a final.

         Contudo o Chelsea num ápice operacionalizou a reviravolta. Com uma jogada fantástica de sincronização entre Lampard e Ramires, o chapéu incrível do queniano azul calava Camp Nou e o Chelsea reerguia-se na eliminatória.

         A resiliência blue foi mais uma vez testada pelo penalty cometido sobre Messi. O astro argentino voltou a falhar em momentos capitais e o coração do Chelsea mostrava ter mais vidas.

         Com uma capacidade física invulgar para jogadores de futebol, uma concentração defensiva extraordinária e uma tranquilidade permanente a criatividade defensiva do Chelsea (Bosingwa a central e Ramires a lateral direito) ofuscava o célebre tiki-taka blaugrana, montando uma teia defensiva que atirou para os livros da história do futebol o estilo de jogo do adversário.

         O mal-amado Torres entrou a 10 minutos do fim, defendeu, correu e marcou o 2-2 final. Calou Camp Nou e catapultou a arte defensiva do futebol para a Allianz Arena de Munique.

         Com 4 jogadores castigados, todos eles importantíssimos (Terry, Ivanovic, Raúl Meireles e Ramires), com Cahill com pouco tempo para recuperar de lesão, jogando na casa do poderosíssimo Bayer Munique, só com a Champions por conquistar, o Chelsea tinha neste final da sua saga um teste onde mais uma vez era colocado como outsider.

         Fazendo valer todo o seu valor patenteado nas eliminatórias anteriores, mantendo o mesmo estilo de jogo, o Chelsea jogou nesta final com as mesmas armas e alcançou os mesmos resultados- Glória surpreendente.

         Soube neutralizar os desconcentrantes Robben e Ribery, banalizou Goméz e ofuscou Schweinsteiger a um construtor de jogo intranquilo.

         No meio-campo Lampard foi a bússola da equipa, pautando os batimentos cardíacos da equipa e dando-lhe a resiliência necessária para a concretização de tudo este feito heroico.

         No ataque Drogba foi um gladiador: nos duelos, no golo, na alma, na crença duma equipa que mais do que nunca sentiu que a glória europeia estava cada vez mais próxima.

         Mas mais uma vez o destino quis atraiçoar os blues, mas o Chelsea voltou a operacionalizar uma capacidade de superação fantástica e recuperou… Do golo de Muller, ao penalty falhado de Robben, à desvantagem nos penaltys…

         O Chelsea superou tudo, venceu todos os desafios, ultrapassou todos os obstáculos, com ou sem o seu melhor onze e sagrou-se pela primeira vez na História- campeão europeu.

         Chelsea um justo prélio para uma equipa que finalmente abandonou a tónica dos milhões, fez da sua coragem, coração, resiliência, alma- a sua grande tónica para a vitória. Admitiu as suas limitações, construiu-se a partir delas, deu-nos a arte futebolística numa plataforma defensiva, construiu um estilo de jogo de contenção e transicção inovador e finalmente desfilou na passadeira hegemónica do futebol europeu inscrevendo as sete letras do seu nome no Historial de vencedores da mais importante prova de clubes do Mundo.

         Chelsea- uma equipa, um sonho, uma realidade. A constatação da relatividade do futebol na sua expoente máxima. O melhor entre os melhores (competições europeias), mesmo sendo pior entre piores (nível interno).

         A consagração duma equipa que prova que o futebol não é matemática pura e resultados certos, mas sim uma equação com incógnitas desconhecidas que nos dão resultados surpreendentes…

 

Parabéns Chelsea…

        



publicado por João Perfeito às 02:26
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Segunda-feira, 20 de Fevereiro de 2012
Livre Directo

Chelsea em queda

 

 

Quando o Chelsea era treinado por José Mourinho, as restantes equipas inglesas e as estrangeiras (na Liga dos Campeões) temiam defrontá-lo. Com o treinador português esta equipa tornou-se num grande de Inglaterra, graças também aos milhões que Roman Abramovich trouxe para o clube uns anos antes.

 

Contudo, desde a saída de Mourinho o estatuo da equipa tem vindo a descer significativamente. Os restantes treinadores que têm passado pelo banco dos “blues” não têm conseguido fazer esquecer o legado do “special one”. É verdade que alguns tiveram perto de ser recordados, como Avram Grant que chegou à final da Liga dos Campeões e Carlo Ancelotti que até ganhou uma Liga Inglesa, mas apesar disso nunca foram muito unânimes nas bancadas de Stamford Bridge.

 

Com a chegada de André Villas-Boas ao clube no Verão passado todos pensaram que seria possível levar o Chelsea ao topo, pois estávamos perante um jovem treinador que tinha conseguido ganhar uma competição europeia para uma equipa portuguesa novamente.

 

No entanto, apesar de até ter tido um bom inicio de campeonato, as coisas foram-se desmoronando aos poucos. O Chelsea encontra-se, neste momento, no 5º lugar e está fora da luta pela Premier League, que ao que tudo indica será disputada pelas equipas de Manchester.

 

A verdade é que apesar de algumas contratações de grande nível, como são o caso dos espanhóis Juan Mata e Oriol Romeu, o Chelsea não consegue jogar com uma qualidade suficiente que lhe permita estar a lutar pelo campeonato neste momento. Apesar de ainda em prova na Liga dos Campeões, a equipa de Londres não se afigura como uma grande candidata a ganhá-la.

 

A juntar ao baixo rendimento da equipa, Villas-Boas enfrenta todas as semanas as mesmas questões em relação à falta de produção de Fernando Torres (jogador que já não se sabe como motivar) e de outros jogadores da equipa. O jovem treinador português tem muito trabalho pela frente para colocar esta equipa de encontro com o êxito. Caso falhe a qualificação para a Liga dos Campeões, Villas-Boas poderá ter um grave problema entre mãos.

 

 

Por Cláudio Guerreiro



publicado por Cláudio Guerreiro às 15:34
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Segunda-feira, 6 de Fevereiro de 2012
Porque a vida também é feita a correr...

O fracasso do futebol de elite (na era do investimento)

 

         André Villas-Boas e Domingos Paciência, finalistas da última edição da Liga Europa, terminaram a época passada afirmando-se como certezas, enquanto treinadores de top, não só a nível nacional mas também a nível internacional.

         A mudança de paradigma de treinador nacional, cimentada por José Mourinho veio dar novas oportunidades aos treinadores portugueses. Contudo a velocidade dessa mudança foi rápida demais, não respeitando todos os processos de transição que uma mutação como esta acarreta.

         De feitos heróicos, treinadores endeusados e promessas rotuladas de sucesso vemos a presente época como um enorme fracasso, que mesmo para todos aqueles que desconfiavam do valor dos referidos técnicos (o que não é o meu caso), mal podiam prever um cenário tão pessimista.

         Apesar da mentalidade renovada que deram ao futebol Nacional, da eficácia que as suas ideias produziram nas equipas que orientaram nem tudo foram rosas. O principal problema da sua juventude não é capacidades técnicas ou tácticas mas simplesmente de gestão de carreira.

         Comecemos por André Villas-Boas… O ex-adjunto de Mourinho, por muito que o tente negar, por muito que tente fugir, apenas constrói a sua carreira devido ao seu mestre. Por muito que o discípulo se tente emancipar do mestre parece que o caminho os entrecruza dando ao discípulo uma posição invariavelmente ingrata. Se ir para o Futebol Clube do Porto é uma decisão normal de cada treinador português; aceitar o convite do Chelsea não é mais do que não querer modificar o seu próprio destino determinado. Os novos olheiros do futebol internacional olham em Villas-Boas um novo Mourinho e por isso tanto Chelsea como Inter manifestaram interesse na sua contratação, visto que esperam que ele alcance o mesmo que o melhor Treinador do Mundo.

         Apesar de toda a epopeia transacta do Futebol Clube do Porto a época passada foi escassa em duros testes para a equipa invicta. Fora do panorama Nacional o Sevilla e o Villareal foram as melhores equipas que o Futebol Clube do Porto defrontou e em ambas os dragões não conseguiram fugir sem perder, tendo mesmo no jogo com o Sevilha suspirado pelo apito final. Não está em causa o sucesso do Porto, mas simplesmente a equipa não foi testada perante tubarões do futebol europeu e a capacidade do seu Treinador jamais pode ser endeusada por eliminar Sevilha (que até o Braga eliminou de forma mais veemente) e Villareal (que este ano está a fazer uma época miserável).

         O que sobra em talento e capacidade falta em planeamento e gestão em Villas-Boas. A missão Chelsea destinava-se como um fracasso autêntico, só não via quem não queria ver. Com uma equipa ainda à margem de Mourinho, Villas-Boas quis dar uma lufada de ar fresco, introduzindo as suas ideias e dando um cunho pessoal à equipa. Mata, Sturridge, Oriol Romeu e Raúl Meireles são exemplos dessa mutação. Contudo, Malouda, Kalou, Drogba, Torres, Anelka, Lampard, Ashley Cole, Essien continuaram todos nos blues. Não é fácil prever a colisão de dois pólos amplamente antagónicos no seio duma mesma equipa.

          Por muito dinheiro que Abromovich esteja disposto a gastar em nada vai melhorar o rendimento da equipa londrina, enquanto não matar todos os fantasmas de Mourinho. Os problemas de balneário e a dificuldade em seguir um modelo de jogo são as consequências óbvias. A grande pergunta que faço é: E então agora André? Queres fugir mas não te podes esconder… Quer fugir de Mourinho, mas o fracasso do Chelsea vai-lhe perseguir a carreira e no vs estipulado pela comunicação social sai irremediavelmente a perder…

Villas-Boas preferiu o caminho mais fácil, o caminho dos milhões, da elite, em vez de abraçar um projecto que estava a ser construído por si que tinha muito mais probabilidades de ter sucesso internacional que o Chelsea.

          Domingos Paciência ainda era uma incógnita, uma vez que nas duas épocas ao serviço da equipa bracarense nunca conseguiu na plenitude concretizar os seus objectivos. Uma vez que na primeira época ficou arrecadado da Europa em Julho, podendo descansar os seus jogadores durante todo o ano, lutando assim pelo título com o Benfica. Já na segunda época os papéis inverteram-se. Uma carreira europeia fantástica, mas um campeonato absolutamente medíocre (rapidamente esquecido pela comunicação social).

         Contudo, Domingos era a peça chave de António Salvador. O treinador ideal para a equipa ideal. A construção duma identidade de jogadores simultaneamente virtuosos e carregadores de piano permitiu ao Braga redimensionar as suas expectativas e crescer tanto como equipa como Clube.

Com um balneário unido, uma cidade agora em prol do clube e uma onda bracarense cada vez mais em ascensão Domingos tinha tudo para continuar a semear o upgrade desta equipa, mas mais uma vez preferiu o caminho mais fácil.

         Preferiu ir ganhar mais dinheiro… Acreditar numa equipa que investiu 25 milhões, mas mais uma vez quis dar um passo maior que a perna. Não porque como no caso de Villas-Boas, esteja a copiar a carreira de alguém, mas sim porque o Sporting é um clube em falência não técnica mas desportiva. Comemora em 2014, o 60º aniversário da conquista do último bicampeonato. Com uma estrutura arcaica a grande base de apoio da equipa leonina é a elite. Se até aos anos 50 anos, fruto da pouca importância do futebol no contexto social de Portugal permitiu ao Sporting dominar o futebol português, a massificação e proliferação do interesse permitiu ao grande rival da segunda circular, Benfica difundir a sua massa. O Sporting não foi renovando ideias, não se foi adaptando ao contexto social do futebol e foi perdendo adeptos e sócios, tendo no momento presente apenas cerca de 40% dos sócios do seu eterno rival. Com uma péssima estrutura directiva e sem uma ideia de mutação o Clube está destinado ao fracasso. Se o Homem precisa de causas para se mover, falta definir a causa sportinguista que permita ao clube reentrar no panorama Nacional. Uma causa política, não desportiva. O discurso é pomposo na forma e vazio de conteudo, o que destina um fracasso previsível.

Domingos não conseguiu entender os problemas estruturais do Sporting e perceber que é impossível fazer algo duma equipa que não tem bases para crescer… Não soube gerir os maus, mas sobretudo bons momentos e vê-se ultrapassado pelo seu Braga com condições económicas e de massa associativa claramente inferior. Domingos não soube homogeneizar um plantel para um objectivo comum, começando a época com uma clara divisão ente o passado e o presente da equipa. Atribuindo a titularidade a jogadores como Postiga e Djálo que depois saíram do clube e perdendo nas primeiras três jornadas estupidamente 7 pontos, quando todas as experimentações deveriam ter acabado na pré-época. Aqui como Villas-boas, não soube enquadrar-se no plantel que tinha e se hoje se queixa da heterogeneidade de nacionalidades e nas condições que os jogadores vivem (com a namorada, sem sustento familiar), ele é o grande culpado, ao ser ele o selector dessas escolhas.

         No tempo de aceleração de movimento de capitais, do imediatismo, do sucesso fácil e rápido a estrutura mais uma vez vem nos mostrar que está primeiro e sempre estará com investimento, sheikes ou o que quiserem falar.

         Porque afinal o futebol é do povo e não das elites…



publicado por João Perfeito às 00:00
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Quarta-feira, 4 de Janeiro de 2012
Steve Field

 Special Too

Já aqui o expressei, sou fã de Villas Boas. No entanto, a época do Chelsea tem sido para esquecer: 4º lugar na liga a 11 pontos do 1º; eliminação na Taça da Liga. Na Liga dos Campeões cumpriu os mínimos - com muita dificuldade é certo - o apuramento para a próxima fase. Será que, afinal, o "Special Too" já não é bom? Ou será o seu plantel muito inferior aos seus rivais?

Bem, não me parece nenhuma das hipóteses. De facto, o City é a melhor equipa da prova e uma das melhores da Europa mas o Chelsea tem equipa para lutar "taco-a-taco" com os Blues de Manchester, 11 pontos é um exagero. Mas, no entanto, isso não reflete a qualidade de Villas Boas.

Os equilíbrios defensivos têm sido o calcanhar de Aquiles da equipa. A equipa não defende mal como dizem, apenas se descompensa em momentos chaves do jogo. Não, não perde a concentração como por aí dizem. Afinal, o que é a concentração no futebol? A concentração refere-se ao posicionamento táctico da equipa. Podemos, então, dizer que a equipa perde a noção táctica do jogo em certos momentos, ao invés de dizer que os jogadores se desconcentram e perdem bolas, como o senso comum tende a dizer.

David Luiz e Terry não formam uma dupla temível como o jogador Inglês formava com Ricardo Carvalho. Aliás, é evidente a falta de coordenação entre os dois. Oriol Romeu, um dos melhores pivot defensivos do mundo, tem tido dificuldades em equilibrar a equipa nos momentos de transição, e este talvez seja o grande problema. A equipa cria muitas e boas oportunidades de golo - grande dinâmica ofensiva, com grande profundidade nas alas, sobretudo por parte dos extremos - mas quando perde em bola tem dificuldades em recuperá-la. A zona de pressão tem falhado. Ramires tem sido fundamental em atenuar estas fragilidades, mas tanto Lampard (onde anda o melhor jogador do mundo de há uns anos?) como Romeu não a recuperam, por exemplo, como Moutinho e Guarin o faziam de modo tão eficaz.

Assim, este Chelsea melhor trabalhado (sem grandes necessidades de reforços, estas desculpas é atirar areia para os olhos) poderá competir com os seus rivais. Reafirmo a qualidade deste treinador. Não é melhor que o mestre Mourinho, mas é um caso sério. Ou já se esqueceram da época anterior?



publicado por Steve Grácio às 01:41
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Terça-feira, 10 de Maio de 2011
Steve Field

 

Uma sensação Bracarense

Ver este Braga jogar é ver inteligência pura. Ver este Braga jogar é ver a essência pura de um futebol Italiano que, quanto a mim, é do melhor que há. Pegando no jogo que decidiu a passagem à final contra o Benfica, o Braga foi a equipa que melhor entendeu o jogo durante os 90 minutos e, por consequência, garantiu justamente o passaporte para Dublin.

Com o seu habitual 4x2x3x1, Domingos, como excelente estratega que é, dos melhores a nível nacional, lança uma surpresa ao fazer alinhar Mossoró para impedir o início de construção encarnado pelo pivot defensivo. Com Mossoró em campo, Javi nunca conseguiu ter o tempo e espaço que necessita para iniciar a construção. Sabendo Domingos que Javi não é um trinco muito forte na construção, necessitando de algum espaço para pensar, colocar um jogador como Mossoró naquele espaço táctico foi fundamental para anular o Benfica.

No momento defensivo, o momento mais em foco na equipa Bracarense, todos os jogadores recuavam, com a excepção de Meyong que permanecia “encostado” aos centrais, para de seguida iniciar o ataque rápido, sobretudo a partir da largura que os médios ala/extremos davam à equipa. Ao partir para o ataque rápido, a equipa do Braga nunca fica descompensada, mantendo sempre 5/6 jogadores atrás da linha da bola.

Ora, se a equipa adora jogar em ataques rápidos, sempre com uma forte organização defensiva, como é óbvio estão “como peixe na água” em vantagem do marcador, ao contrário do Benfica que entende melhor o jogo quando necessita de o inverter, pela dificuldade que tem em gerir os momentos do encontro. Com contrastes evidentes, ganharia a equipa que melhor entendesse o jogo, ganharia o treinador que montasse a melhor estratégia. Domingos deu “um banho táctico” ao “mestre da táctica”, como muitos lhe chamam e não o entendo, sem querer lhe tirar algum mérito pelo que já alcançou.

Porém, apesar de toda a justiça no desfecho, não consigo não ficar desiludido com a derrota do Benfica. Fez melhor campanha que na edição anterior? Fez. É mais humilhante perder com o Braga do que com o Liverpool decepcionante da época transacta? Não, de todo. Então o que me faz ficar desapontado com o Benfica e com Jorge Jesus?

Como já referi, a dificuldade em gerir os momentos do jogo, sobretudo em vantagem do marcador. Uma equipa grande tem de o saber. Porto e Braga são exemplos do sucesso que se consegue alcançar com tal sabedoria. Milan é um exemplo no campo oposto pois, tal como o Benfica, tem sérias dificuldades nesse capítulo, como se viu na Champions.

Em segundo lugar, o mau planeamento do plantel. Uma equipa, sobretudo uma equipa grande, não pode depender de ninguém. A dependência de Salvio e do melhor Saviola é excessiva. Em terceiro lugar, tal como Luís Filipe Vieira afirmou, o plantel encarnado é insuficiente para as ambições do clube. Comparando com o rival Porto que tem 16/17 jogadores de elevado nível, o Benfica tem apenas 12/13, muito escasso para tantas frentes.

Por último, e a mais grave na minha óptica, a fraca gestão do plantel encarnado por parte do treinador. Jesus, como treinador “da velha guarda”, (não quer dizer que seja pior por isso, tem é noções diferentes) entende que deve gerir o esforço da equipa descansando todos os atletas, o que é totalmente errado. Vejamos dois exemplos: O Porto, presente em todas as frentes e com o campeonato ganho há bastante tempo, nunca tomou tais atitudes no campeonato, utilizando sempre o melhor onze. Com o decorrer do jogo sim, rodava o plantel da melhor maneira possível. Com isto, além de gerir o esforço dos mais utilizados, integrava os menos utilizados (veja-se no que deu Guarin e James com esta gestão e no que vai da Rodriguez), coisa que o Benfica nunca conseguiu fazer, mesmo com os seus menos utilizados com mais minutos de jogo. Curioso, não? Mourinho contra o Valência, em vésperas de encontro com o Barcelona para a Champions, lança Ronaldo na partida com 6-1 na partida. Jorge Jesus nunca o faria, poupava o jogador. Mourinho fez porque sabe que o jogador descansa mais em campo, por mais incrível que possa parecer. O relaxamento táctico com que Ronaldo entrou na partida, já com o encontro mais que decidido, só beneficiou o atleta.

Ora, com o campeonato já decidido, penso que esta teria sido a melhor opção de Jorge Jesus. Opção semelhante a Villas Boas e a Mourinho. Descansar os jogadores fazendo-os jogar, mas jogando sem quaisquer tipos de pressões, pois o campeonato só servia para cumprir calendário. O Benfica só teria ganho com uma melhor gestão do treinador. Mais que o descansar em termos físicos, o descansar mental é fundamental.

No entanto, não questiono Jesus. Penso que deve continuar no clube, mas com outro tipo de gestão. O Benfica necessita disso. Questiono apenas o rumo que deu ao Benfica desta época. Não me “preocupa” a ausência de títulos, (houve um super Porto…) a competência de um técnico não se mede apenas pelos títulos, preocupa-me sim a distância que o clube teve de os ter e os métodos que utilizou. Contudo, não quero retirar o mérito Bracarense. O Braga vai merecidamente a Dublin, fruto de toda a sua competência táctica.

Na final, curiosidade em ver a reacção da equipa ao anúncio oficial da saída do seu treinador, o grande responsável por todo o sucesso. Perspectiva-se um excelente jogo, com as duas melhores equipas portuguesas do momento. Porém, dificilmente o Porto não sairá vencedor. Penso que caso marque primeiro, fruto do que já referi, sairá vencedor. O Braga para vencer, na minha opinião, terá de marcar primeiro e gerir o encontro como bem sabe. Que a primeira final europeia entre equipas portuguesas fique marcada pelo espectáculo, mais que pela proeza alcançada.

 



publicado por Steve Grácio às 21:57
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