Quarta-feira, 16 de Maio de 2012
Lado B

Um campeonato para esquecer…ou para recordar


 

A Liga Portuguesa de futebol 2011/2012 terminou. Esta é, portanto, a altura certa para fazer o balanço deste campeonato que findou. Quando fazemos o balanço de algo é suposto haver aspetos positivos e aspetos negativos, mas neste campeonato, apenas consigo encontrar aspetos negativos que, desde já, passo a enumerar:

 

1 – O boicote dos árbitros aos jogos do Sporting: Logo na 2ª jornada do campeonato português, João Ferreira recusou-se a apitar os jogos do Sporting por alegadas declarações de dirigentes do clube de Alvalade que visavam este árbitro. Como forma de solidariedade, os restantes árbitros da 1ª categoria seguiram a mesma linha de pensamento de João Ferreira e recusaram-se a arbitrar o jogo entre Beira-Mar e Sporting, tendo que ser um árbitro da 2ª categoria (Idalécio Martins) a apitar este jogo. Na minha opinião, esta situação foi lamentável e um dos momentos negativos mais marcantes do campeonato, no sentido em que dirigentes e funcionários do Benfica criticaram fortemente a arbitragem portuguesa durante o campeonato e os árbitros não tomaram a mesma posição que tiveram relativamente ao Sporting, isto é, não fizeram boicote aos jogos do Benfica. Parece-me que aqui houve claramente uma diferença de tratamento, que não se compreende.

 

2 – A teimosia em querer alargar o campeonato de 16 para 18 clubes: Esta foi uma questão a que dediquei especial atenção num dos artigos da minha crónica, para dizer que o possível alargamento dos campeonatos profissionais de futebol ensombrou a verdade desportiva deste campeonato, na medida em que a certa altura da prova alguns clubes possivelmente pensaram que não teriam de fazer muito para ganharem os seus jogos, uma vez que em princípio ninguém desceria de divisão. Quem pensou isso enganou-se, pois a Federação Portuguesa de Futebol chumbou e bem o alargamento da I Liga. Se os clubes não têm dinheiro para pagar as suas obrigações salariais nem sequer para se pré-inscreverem nas competições europeias, como é que iam ter dinheiro para pagar mais duas deslocações, com o acréscimo de mais duas equipas ao campeonato português?

 

3 – A não divulgação dos árbitros nas últimas jornadas do campeonato: Este foi mais um fenómeno que abalou o decorrer normal do campeonato português. Nas épocas anteriores, sempre se soube com cerca de três dias de antecedência quem eram os árbitros que iam apitar os jogos de cada equipa. Porque é que na reta final do campeonato se decide “alterar as regras do jogo” e não divulgar o nome dos juízes para cada partida? Eu sei que houve pressões, nomeadamente de ordem pessoal, para com os árbitros. E nas épocas anteriores, não houve pressões? 

 

4 – 8 contra 11: No meu ponto de vista, a situação do União de Leiria foi o momento mais negativo deste campeonato. Afinal, o futebol já não precisa de ser 11 para cada lado, como estamos habituados a ver. Uma equipa já pode começar o jogo com menos jogadores do que o seu adversário.

 

5 – 10 contra 11: Como se já não bastasse o União de Leiria ter iniciado o jogo frente ao Feirense com 8 jogadores, agora foi a vez do Sporting Clube de Portugal iniciar a sua partida frente ao Braga com 10 jogadores. Como é que é possível um clube com a grandeza do Sporting começar uma partida de futebol sem os seus 11 jogadores titulares? Neste caso, era a tala que João Pereira tinha no braço que não estava de acordo com os regulamentos, mas esta era uma situação que devia ter sido vista antes do jogo começar.

 

Concluindo e por todas estas razões, esta I Liga Portuguesa de futebol que agora terminou é um campeonato para esquecer… ou para recordar, para que não se voltem a repetir tantos casos negativos no decorrer das próximas épocas.     

 



publicado por Bruno Carvalho às 17:35
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Quarta-feira, 2 de Maio de 2012
Lado B

Ao que o futebol português chegou…

 

 

Foi com grande tristeza que no passado domingo assisti a um dos espetáculos mais deprimentes do futebol português nos últimos anos.

Foi a primeira vez que vi uma equipa de futebol profissional a entrar em campo com 8 jogadores de início e sem nenhum jogador suplente. Refiro-me, claro, ao União de Leiria.

Oblak, Pedro Almeida, Alhafith, Shaffer, John Ogu, Filipe Oliveira, Nicklas Barkroth e Djaniny vão ficar para a história do futebol português, quer queiramos quer não, como os jogadores que entraram em campo numa equipa com apenas oito jogadores disponíveis. Para mim, estes jogadores foram uns autênticos heróis, na medida em que conseguiram evitar o golo da equipa adversária, o Feirense, durante 44 minutos de jogo.

Mas não é só por isso que são uns heróis. É também porque, pelo menos para já, conseguiram evitar uma grande confusão na tabela classificativa da Liga Portuguesa de futebol, fazendo com que o União de Leiria não fosse desclassificado deste campeonato e que os pontos conquistados pelas outras equipas contra o Leiria não lhes fossem retirados. Porém, a verdade desportiva deste campeonato fica afetada porque tenho muitas dúvidas que o Feirense vencesse facilmente este jogo se o Leiria jogasse com 11 jogadores de início e 7 suplentes.

Contudo, o mais importante de tudo isto é a existência de salários em atraso no futebol português. Na minha opinião, o principal problema do futebol português não é o alargamento ou não dos campeonatos profissionais, mas a questão dos ordenados em atraso. Como é possível que uma equipa profissional de futebol deva 3 ou 4 meses de salários aos seus jogadores, sem ser punida, por exemplo, com a subtração de pontos? Ao que o futebol português chegou. De facto, os clubes podem dever meses e meses de salários aos seus profissionais sem serem verdadeiramente punidos por isso, a não ser, como aconteceu com o Leiria, ficar sem a maior parte dos seus jogadores.

Esta situação acontece com o União de Leiria, porque este é o clube que está mais isolado no nosso campeonato, no sentido em que não tem o apoio do seu município sendo obrigado a “andar com a casa às costas” e a transferir-se para a Marinha Grande. Mas todos nós sabemos que há mais clubes a viverem esta situação, como o Vitória de Guimarães. Será a situação do União de Leiria a abertura de um precedente para que os jogadores dos outros clubes, que têm ordenados em atraso, façam o mesmo e rescindam coletivamente os seus contratos? Não sei, teremos de aguardar para ver o que irá acontecer nos próximos tempos.

No meu ponto de vista, o futebol português não merece situações destas por várias razões: temos três bolas de ouro (Eusébio, Luís Figo e Cristiano Ronaldo), um treinador que já foi considerado o melhor do mundo (José Mourinho), duas equipas que foram à final da Liga Europa na época passada (FC Porto e Braga), uma equipa que foi à meia-final da Liga Europa desta época (Sporting), duas equipas que já venceram a Liga dos Campeões (FC Porto e Benfica), etc. Por estas e mais razões, o futebol português não merece que haja clubes que envergonhem o nome do nosso país com situações destas. Para além de que é preciso não esquecer que a Liga Portuguesa é considerada a quinta melhor liga da Europa, atrás de Espanha, Inglaterra, Itália e Alemanha e à frente da França. Mas se o problema dos salários em atraso persistir em Portugal, a imagem e a reputação do nosso futebol ficará com toda a certeza manchada.

Concluindo, o União de Leiria escreveu um momento negro na história do futebol português, mas ainda assim, evitou uma confusão na tabela classificativa.

 



publicado por Bruno Carvalho às 10:48
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