Sexta-feira, 1 de Junho de 2012
Buzzer Beater

Velhos e novos

 

Antes de mais peço perdão aos leitores que acompanham esta crónica a ausência, por excesso de carga académica em dias de fins de curso. Para quem tem acompanhado os playoffs até agora, nas finais de conferência, a história tem um ângulo bastante interessante: dos conjuntos que se enfrentam de cada lado, novas dinastias e velhas resistentes do passado mantêm confronto.

A terminologia é dúbia admito - de entre Oklahoma e Miami, só os primeiros se podem dizer que são um talento novo, tendo em conta que Wade já tem 30 anos, e James e Bosh têm 27 e 28, respectivamente. E ainda para mais que nas reservas os veteranos são aos molhes, com Haslem, Joel Anthony, Mike Miller ou Shane Battier sendo já veteranos mais que testados. Os miúdos mais promissores são Chalmers e Cole, os bases da equipa. Mas o núcleo é novo sim - e não, já não vão a tempo de ganhar mais do que sete títulos, como prometeram há quase dois anos - e promete ser uma das forças a considerar durante a década já iniciada, tendo em conta que em três super-estrelas, um já foi campeão da NBA e outro MVP em três ocasiões.

Oklahoma parecem muito bem artilhados para a década - embora com o final dos pequenos contratos de Ibaka e Harden se preveja que um deles vá à procura de riquezas noutras paragens, já que com dois grandes contratos garantidos às estrelas Durant e Westbrook, só mais um novo contrato chorudo parece possível nas contas dos Thunder, ainda que ambos os mereçam.

E depois temos os velhos. Mais ou menos, digo novamente. Do lado de Boston, é uma velha guarda liderada por um jovem base que ainda esta semana fez o jogo da sua carreira, e que ainda assim perdeu. Rondo apontou 47 pontos (com muitos lançamentos exteriores que normalmente lhe são atribuídos como calcanhar de aquiles), 10 assistências e 8 ressaltos, e tem envolvido um algo-que-rejuvenescido Kevin Garnett, um sempre consistente Paul Pierce, e um muito apagado Ray Allen, devido a joelhos eventualmente. Mas daqui não parece haver muita pedalada para Miami. E há a questão de os árbitros não lhes estarem de feição...

E ainda há os Spurs. Oh, os Spurs! São uma equipa frustrante devo admitir: todo o santo ano parecem fora da corrida à partida para o título, e acabam por estar sempre nos lugares cimeiros dos playoffs. Na edição do ano passado parecia que o reinado tinha finalmente chegado ao fim, com a derrota na primeira ronda com o 8º classificado Memphis, mas este ano estão novamente a rebentar. É que quando não é Duncan a dominar, domina Ginobli (o ano passado), e quando este não o faz, domina Parker (este ano). Só não se mantêm invictos nos playoffs (feito que terminou ontem à noite face à derrota em Oklahoma) porque estão perante uma equipa muito consistente e bem montada para vencer, porque varreram as últimas duas rondas sem falhar. E não tenham dúvidas, a fórmula que este ano resultou em ter um banco fortíssimo, que descansa sem precalços Duncan (que agora tem jogado mais, fresquinho da época) e Ginobli (que esteve muito tempo lesionado este ano), está a colocar os Spurs na melhor posição para ganhar o título neste momento, embora Oklahoma vá continuar a ser dura de roer. E parece que o campeão vai sair da final do Oeste...

Mas a com todo o atleticismo da NBA de hoje, que já quase só reside nos jovens, os velhos lobos parecem aguentar-se à bronca, até dar umas aulinhas à criançada. E tem imensa piada ver isto tudo.



publicado por Óscar Morgado às 22:20
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Quarta-feira, 7 de Setembro de 2011
Buzzer - Beater

No país do basquetebol


            Após ausência por motivos profissionais, eis que o buzzer-beater volta à acção. E nesta semana em que ainda nada se sabe de NBA para a próxima época e o fim da WNBA aproxima-se, há algo de muito mais importante a acontecer.

            Eurobasket 2011. A Lituânia tem sido palco do europeu estes últimos dias. Agora que a segunda fase vai começar, os confrontos tornam-se mais interessantes e as grandes equipas seguem em frente. Portugal, infelizmente, não conseguiu uma única vitória na fase de grupos, ficando abaixo das expectativas. É certo que estávamos no grupo mais difícil, com a super-poderosa Espanha, que, na minha opinião sem grande discussão, tem o melhor trio de grandes de todo o mundo (incluindo a NBA), a fortíssima Turquia de Turkoglu, Ilyasova, Asik, e daqui a uns anos de Kanter, e a sempre coesa equipa da Lituânia, que fora das individualidades sempre alcança os seus resultados.


           

 



publicado por Óscar Morgado às 14:34
editado por Minuto Zero em 11/11/2011 às 11:04
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Terça-feira, 2 de Agosto de 2011
Buzzer - Beater

Um por todos

      Estamos a 9 de Dezembro de 2004. O local é o Toyota Center, em Houston, no Estado norte-americano do Texas. Jogam os Houston Rockets contra os San Antonio Spurs, que estão a ganhar à equipa da casa 76-68. Após um lance livre convertido dos Spurs, faltam 44.2 segundos para terminar o quarto período da partida.

      Tracy McGrady, estrela da equipa na altura, recebe a bola na reposição da linha de fundo. Já toda a gente se convenceu que o jogo terminou, excepção feita a este homem. McGrady leva a bola para o ataque, sendo defendido por aquele que é nesse ano, discutivelmente, o melhor defesa do perímetro do mundo, Bruce Bowen.

      McGrady segue pela esquerda a todo o gás. Bowen, já na linha de 3 pontos, fica num bloqueio de um jogador de Houston, que deixa T-Mac livre. O base-extremo dribla para a zona central e atira um triplo. O defesa dos Spurs ainda levanta o braço mas sem sucesso. T-Mac marca com 35 segundos para terminar, e o resultado fica 76-71, ainda a favor dos Spurs.

      Na reposição, Bob Sura faz a falta intencional sobre o jogador de San Antonio, que vai para a linha de lance-livre. Converte os dois lançamentos, e o resultado passa a 78-71, na mesma para a equipa que joga fora. McGrady leva novamente a bola. Bowen fica mais uma vez num bloqueio, desta vez de Yao Ming, e McGrady, do lado direito do campo, lança de 3 pontos mais uma vez. Desta vez é Tim Duncan que levanta o braço. T-Mac joga com o seu corpo e coloca-se debaixo do defesa, sacando a falta. A bola vai no ar com 24 segundos para jogar, e entra. Jogada de 3 pontos e falta. T-Mac à linha de lance-livre – converte. Resultado: uns inimagináveis 78-75 contra os Rockets.

Segue a partida. Barry, dos Spurs, coloca a bola em Tony Parker, que dribla até ao meio campo ofensivo e, vendo-se com dois defesas a tentar fazer falta, solta a bola para Brown, que a solta para Tim Duncan assim que se vê na mesma situação do base francês. Duncan sofre falta, e com 16.2 segundos para jogar, converte os dois lances-livres, e San Antonio respira de alívio. 80-75 para os Spurs.

     

Andre Barret, dos Rockets, repõe a bola com imensa dificuldade, até que chega a quem? Tracy McGrady. T-Mac, mais uma vez com Bowen à sua frente, sem ficar em bloqueio nenhum, força o lançamento de 3 pontos a faltarem 11 segundos…e, espantosamente, entra. O público está ao rubro e começa a acreditar que tudo é possível. 80-78 a favor dos Spurs.

      San Antonio pede desconto de tempo. Gregg Popovich está estupefacto mas desenha uma estratégia ainda assim. Barry repõe novamente, e apenas Brown, após usar dois bloqueios, está livre. Recebe a bola, e após colocar um drible no chão, escorrega e perde o seu controlo. Faltam 8 segundos. Não há mais descontos de tempo que Houston possa usar. McGrady pega na bola perdida perto da linha de fundo do meio campo defensivo e avança desesperado para o cesto contrário.

     

    Faltam 5 segundos e a estrela dos Rockets chega ao meio campo. Com 4 defesas da equipa contrária em cima dele, dirige-se ao lado direito do campo. T-Mac pode usar mais um segundo e lançar, de forma segura, de 2 pontos, empatar o jogo e tentar vencê-lo no prolongamento…mas não. Não é isso que o instinto lhe comanda, e então dispara de 3, com o Toyota Center aos berros. 3 segundos, é para a vitória…!

      E, com 1 segundo de sobra, entrou.

    Parker ainda tentou lançar de muito longe, disparando pelo campo após a reposição, mas já era tarde de mais. Os Rockets ganhariam o jogo, 81-80. Tracy McGrady passava a ser conhecido como O Homem que Marcou 13 Pontos em 30 Segundos. Este é um dos meus momentos favoritos no basquetebol, sem dúvida alguma.

      Preciso de dizer mais alguma coisa (http://www.youtube.com/watch?v=nfurCV1FDpM)?



publicado por Óscar Morgado às 15:44
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