Domingo, 8 de Abril de 2012
Área de Ensaio

As decisões do Campeonato Nacional

 

 

    Começou este fim-de-semana a fase final do Campeonato Nacional, que determinará quem será o Campeão Nacional, e quem descerá de divisão.

Esta é a primeira vez que se adopta este modelo competitivo, em que quatro equipas jogam pelo título (Agronomia, Direito, CDUL e Académica) e quatro jogam para não descer (Belenenses, Benfica, CDUP e Técnico). Da primeira fase, cada equipa traz 4,3,2 ou 1 pontos consoante a posição em que se classificou.

    Assim, no "campeonato do título", o CDUL recebeu a Académica e mostrou que pretende conquistar o título 21 anos depois. O CDUL aproveitou esta paragem para reforçar a equipa, com as entradas de dois internacionais portugueses, Tiago Girão e David dos Reis e foi sem grandes dificuldades que derrotou a Académica por 37-0. A Académica, apesar da boa primeira fase que realizou, não está ao nível dos outros três candidatos (já tinha ficado provado na Final da Taça de Portugal), apesar de possuir um pack avançado pesado e forte, sente sempre dificuldades em soltar as linhas atrasadas, ficando o seu jogo parado e com pouca dinâmica. Já o CDUL, apresenta nos defesas a sua principal arma, tem homens como Gonçalo Foro, Frederico Oliveira, Francisco Appleton ou Penha e Costa e sabe como pontenciar as suas qualidades, colocando em campo um jogo aberto e fluído.

Entre estas duas equipas, estamos perante um real candidato ao título (será o CDUL capaz de se superiorizar a Agronomia?) e uma equipa que já realizou uma época excepcional, mas sem capacidade de voos maiores.

    Ainda na luta pelo campeonato, a Agronomia recebeu e venceu na Tapada o GD Direito por 13-6. As equipas apresentaram-se desfalcadas (Agronomia sem Cardoso Pinto ou Jacques Le Roux, Direito sem João Correia), mas a Agronomia voltou a demonstrar que está acima do nível competitivo dos "advogados". O GD Direito, já na fase regular tinha desiludido, fazendo apenas o mínimo para conseguir o segundo lugar, e de uma equipa recheada de internacionais é de esperar mais. A equipa continua "orfã" da qualidade de Pedro Leal (bem tentou inscreve-lo novamente) e sem médios criativos (José Pinto continua com impedimentos) afunila constantemente o jogo nos avançados, esquecendo que tem homens como Adérito Esteves nas pontas. Já a equipa da Tapada, parece ser o mais sério candidato ao título, apresentando jogadores de qualidade nas várias posições (sem Cardoso Pinto jogou Francisco Mira e cumpriu), com destaque para José Lima, que neste jogo realizou uma excelente partida.

    No final deste jornada, Agronomia lidera com 8 pontos (4 da primeira fase+4 da vitória), o CDUL é segundo com 7 pontos (2 da primeira fase+5 da vitória), o GD Direito está em 3º lugar com 4 pontos (3 da primeira fase+1 ponto bónus defensivo) e a Académica está em último lugar com 1 ponto que trouxe da primeira fase.

    No "campeonato da descida", o Belenenses deslocou-se a Leça da Palmeira para defrontar o CDUP e com era de esperar venceu por 28-6. O Belenenses é claramente uma equipa superior a qualquer uma das que estão nesta fase, e estranho será se não vencer todas as partidas.

Já o CDUP certamente fugirá à descida, às custas do Técnico, mas a equipa do Porto necessitará de evoluir para no próximo ano puder estar num nível superior.

    O Benfica recebeu e venceu na Sobreda o Técnico, por 27-10. O Técnico já demonstrou na primeira fase que é a equipa menos preparada deste campeonato, e que dificilmente fugirá à descida, já o Benfica, apesar das "turbulências" que afetam a equipa parece ser capaz de conseguir o segundo lugar desta fase, apesar de estar ainda longe dos anos aúreos do clube lisboeta.

    Na fase de descida, O Belenenses é 1º com 9 pontos (4 da primeira fase+5 da vitória), o Benfica é 2º com 6 pontos (2 da primeira fase+4 da vitória), o CDUP é 3º com 3 pontos (3 da primeira fase) e o Técnico é 4º com 1 ponto.

 

By Pedro Santos



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Domingo, 1 de Abril de 2012
Área de Ensaio

Portugal Sevens - A pensar no Futuro

 

 

     Ao longo da última década, Portugal assumiu-se como uma das potências europeias de variante de sevens. O facto de termos defesas rápidos e bons no jogo à mão, forneceu a matéria-prima essencial. A desconfiança com que as principais selecções encararam esta variante permitiu diversos títulos europeus.

    Contudo, e apesar dos convites para integrar etapas do Circuito Mundial de Sevens, a nível mundial, Portugal nunca conseguiu traduzir o sucesso regional. A equipa nacional era reconhecida como uma equipa de segunda linha, com um jogo dinâmico e rápido, mas sem capacidade para discutir resultados com as melhores selecções.

    Mas esta situação parece estar a mudar. Mesmo sem um campeonato de sevens minimamente razoável (o que se joga no final da época não é minimamente organizado nem apresenta um carácter competitivo significativo), a selecção nacional de sevens, apelidade de Linces (e não Lobos como sistematicamente é referido) parece estar neste momento a passar a sua fase de maior fulgor a nível mundial.

Depois de na semana passada Portugal ter garantido a presença em todas as etapas do Circuito Mundial do próximo ano, esta semana Portugal foi integrado num grupo da etapa de Tóquio.

    O objectivo passava sobretudo por conseguir ganhar experiência (alguns jogadores estavam a disputar os primeiros torneios) e provar que no próximo ano Portugal pode disputar as etapas com bons resultados, tendo a sua qualificação sido obra do trabalho e mérito dos jogadores nacionais.

O grupo era difícil, Samoa e África do Sul (mesmo sem Cecyl Afrika) eram adversários que muito raramente vencemos e com quem estamos habituados a perder sem grande capacidade de discussão. Já a Escócia (e apesar do histórico ser favorável aos escoceses) era um adversário acessível, e a quem podíamos e devíamos vencer.

    O primeiro dia mostrou uma selecção nacional de alto nível. As derrotas com Samoa (21-20) e África do Sul (12-7) deixaram a sensação de que podíamos facilmente ter vencido, apesar de serem derrotas que não envergonham, antes pelo contrário. A vitória sobre a Escócia (15-7) foi um prémio justo e que permitiu a Portugal disputar a Taça Bowl (a terceira em importância).

No segundo dia de competição, Portugal iniciou a sua participação contra o Japão nos quartos de final da Taça Bowl, e uma vitória por 21-5 permitiu a Portugal avançar para as meias finais. A vitória sobre o Japão foi a terceira em duas semanas, sendo esta equipa a principal "vitima" dos homens de Frederico Sousa.

    As meias-finais colocaram os Estados Unidos no caminho de Portugal, e nem os dois ensaios de Pedro Leal foram suficientes. A derrota por 20-10 impediu Portugal de discutir a final frente à França.

    No final, Portugal terminou o torneio no 11º lugar (em 16 equipas) e na classificação geral do Circuito Mundial, subiu ao 15º lugar (em 27 equipas).

A Taça Cup foi ganha pela Austrália, a Plate pelas Fiji, a Bowl foi ganha pela França e a Taça Shield foi ganha pela Escócia.

    No geral a participação portuguesa foi positiva, conseguimos discutir sempre os resultados, mesmo com as grandes equipas, mostrámos mais uma vez ter excelentes jogadores, Pedro Leal é um playmaker fantástico, ao nível dos melhores do circuito, Carl Murray é bom atacar, mas é sobretudo importante na defesa, Adérito e Foro são dificílimos de parar e conseguem sempre furar a defesa contrária, Sebastião Cunha e Frederico Oliveira dão experiencia e talento e até jovens como Martim Bettencourt ou Francisco Vieira de Almeida têm talento, força e são o futuro desta equipa. Por tudo isto apenas podemos considerar que no próximo ano (com as medidas e estratégias correctas) Portugal pode ser um "caso sério" e continuar a surpreender.

 

 

By Pedro Santos



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Domingo, 25 de Março de 2012
Área de Ensaio

O sucesso dos Sevens

 

 

    Portugal disputou este fim-de-semana, em Hong Kong, um dos mais importantes torneios de sevens da sua história. Para este desafio, Frederico Sousa chamou os melhores jogadores disponíveis, fragilizando a equipa de XV, que se deslocou à Ucrânia na passada semana. Contudo, a exigência deste torneio assim o justificava.

    O Cathay Pacific / HSBC Hong Kong tinha especial importância, porque serviria para definir quem seriam as 3 equipas que no próximo ano passarão a ser equipas "core", ou seja irão integrar a elite dos sevens mundiais e consequentemente irão disputar todos os torneios (no próximo ano serão 10). Os torneios de sevens, são constituídos pelas equipas "core" que marcam presença em todos os torneios e por equipas convidadas que apenas jogam alguns torneios.      Até aqui, Portugal apenas jogava como convidado, e a passagem a ser uma equipa "core" era muito importante.

    Assim, a organização dividiu este torneio em dois grupos de equipas, um com as melhores equipas mundiais e que já têm presença no circuito do próximo ano, e outro com equipas que apenas jogavam para o objectivo de ficar nas 3 melhores e poder ganhar o estatuto de equipas "core".

    Portugal iniciou a sua campanha num grupo acessível, Guiana, Japão e Rússia, não levantaram grandes problemas a uma equipa portuguesa bem preparada (as últimas semana foram apenas dedicadas aos sevens) e com alguns dos seus melhores jogadores. Homens como Pedro Leal (um dos melhores do mundo em sevens), Adérito Esteves e Gonçalo Foro acrescentam qualidade e tornam a nossa equipa muito mais perigosa.

    Sem grandes problemas, Portugal ganhou o grupo. De seguida o adversário foi o Zimbabué, que é um adversário mais forte do que à primeira vista se pode pensar. De todas as vezes que Portugal venceu o Zimbabué, a margem foi mínima, e ontem não foi diferente. O resultado de 21-17 mostrou a dificuldade que a equipa africana representa, mas o resultado permitiu a Portugal avançar para as meias finais. O adversário foi o Canadá e por 2 pontos apenas, Portugal não logrou chegar à final. Na disputa do 3º lugar, Portugal voltou a vencer o Japão e conseguiu o 3º lugar.

     Desta forma no próximo ano teremos a equipa nacional a disputar o circuito mundial a par de equipas como as Fiji ou a Nova Zelândia, o que deverá ser motivo de orgulho para todos.

    Mas as dificuldades também serão maiores, por um lado os apoios do IRB crescerão, mas o nível de exigência também. Se queremos uma equipa para competir com os melhores é necessário criar uma selecção de sevens que se dedique apenas a esta variante. As constantes trocas entre sevens e XV apenas prejudicam os jogadores, que têm sistematicamente de se adaptar a novas realidades e modelos de jogo.

     O grande problema é que não temos capital humano para formar uma equipa de XV e uma equipa de sevens igualmente fortes, com jogadores distintos. Ainda para mais a selecção de XV começará a disputar a qualificação para o RWC 2015.

Portanto, caberá à Federação e à equipa técnica decidir qual será a aposta, sabendo que dificilmente poderemos estar em duas frentes com resultados positivos.

 

    Começou este fim-de-semana a qualificação para o RWC 2015. A qualificação começou na América Central, com o México a receber e a vencer a Jamaica. Ao longo dos próximos 2 anos, mais de 100 equipas lutarão pelos lugares disponíveis na grande prova.

    O facto de a qualificação começar na América Central apenas realça a aposta que a IRB está a fazer nesta parte do mundo, que é neste momento uma das menos desenvolvidas em termos de rugby. Se tentarmos analisar ao várias regiões do mundo, todas têm uma/duas equipas de bom nível, menos a América Central. Embora existam condições em equipas como o México, a Jamaica, a Guiana ou a Bermuda, ainda existe muito caminho a percorrer para algumas destas equipas atingir um nível qualitativo superior.



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Domingo, 18 de Março de 2012
Área de Ensaio

E o vencedor é...Gales!

 

    A selecção portuguesa de rugby deslocou-se este sábado a Odessa, Ucrânia. O propósito foi defrontar a selecção da casa na última jornada do Torneio Europeu das Nações.

    Portugal pretendia apenas acabar em beleza e somar mais uma vitória, para começar desde já a preparar o próximo torneio (onde começará a qualificação para o Mundial). A Ucrânia tentava nesta partida a sua primeira vitória no torneio, sabendo desde já que será despromovida na próxima época, dando lugar à Bélgica.

    Na verdade, Portugal deslocou-se a Odessa muito desfalcado por duas razões, primeiro Errol Brain não pôde contar com os jogadores que jogam no estrangeiro que não foram libertados pelos seus clubes, segundo muitos dos internacionais foram incluídos na selecção de sevens que disputa na próxima semana o torneio de Hong Kong, que definirá as 3 equipas que na próxima época passarão a fazer parte das equipas "core", as que têm presença garantida em todos os torneios. Desta forma muitos dos convocados foram chamados pela primeira vez e poucos eram os jogadores com experiência internacional.

    Sobre este jogo não me posso alongar, na verdade o jogo não foi transmitido por nenhum meio de comunicação ucraniano, e consequentemente em Portugal não houve forma de ver o jogo.

    Segundo informações da FPR, Portugal perdeu 35-33. A vitória ucraniana foi atingida aos 84 minutos (!) através de um pontapé de penalidade. De destacar a exibição de Yannick Ricardo, com 16 pontos. Os 3 ensaios portugueses foram marcados por António Aguilar (2) e Gonçalo Uva.

    No global, a participação portuguesa no Torneio Europeu das Nações 2012 saldou-se em 4 derrotas (Roménia, Geórgia, Rússia e Ucrânia) e uma vitória (Espanha). Se das 4 derrotas, uma é perfeitamente aceitável (digam o que disserem não estamos ao nível da Geórgia), as outras são recuperáveis e podem facilmente ser transformadas em vitórias. Se queremos estar em Inglaterra em 2015 é bom que se continue a trabalhar e olhar para este torneio como algo a não repetir.

 

    Chegou ao fim o Torneio das 6 Nações. Foi um óptimo torneio, cheio de emoção e espectáculo e com grandes jogadas, ensaios e placagens. O Pais de Gales mostrou que as boas indicações dadas no RWC não eram fruto do acaso e não deixou os seus créditos por mãos alheias. Venceu e venceu bem, ainda por cima com um Grand Slam. Mais importante do que analisar os jogos, importa analisar a campanha das 6 equipas.

    Em último lugar ficou a Escócia. Com 5 derrotas, não logrou sequer pontuar. No último jogo a Escócia foi derrotada pela Itália por 13-6. Na verdade, ninguém apostava na Escócia. Fizeram um Mundial decente, mas continuam longe das melhores selecções europeias. O processo de renovação tem sido duro e parece que demorará mais algum tempo até os Escoceses voltarem ao nível que habituaram. De positivo, o destaque vai para Richie Gray, a nova Escócia passará sempre pelo "gigante" segunda linha.

    A Itália está habituada a ocupar os últimos lugares desta classificação e este ano não foi excepção. No inicio até parecia haver alguma expectativa em relação aos italianos, mas estas não se confirmaram. A Itália fez bons jogos, conseguiu a espaços ser superior às melhores selecções, mas no final as derrotas foram inevitáveis. As derrotas foram sobretudo fruto de erros, que apenas se ultrapassam continuando a jogar a este nível. O tão aclamado "pack avançado" italiano acabou por desiludir, ainda mais depois da lesão de Castogiovanni. De positivo, vitória sobre a Escócia que deu os únicos 2 pontos na competição.

    Em 4º lugar ficou a França (segunda pior classificação de sempre). Eram à partida apontados como os principais favoritos, fruto do 2º lugar no RWC 2011. Contudo não se confirmou, a França foi uma desilusão. Parece que nunca entraram realmente nos jogos, em certos momentos os jogadores pareciam ainda com a cabeça na Nova Zelândia. Pior que tudo foi a perda da identidade, os franceses tentavam sempre o jogo ao pé,  ao contrário daquilo que os caracteriza, o jogo à mão em progressão e sempre com o ensaio em mente. Parece que a troca de treinador não foi feliz, e o futuro de Saint-Andre parece negro neste momento. Positivo, Fofana é um finalizador de luxo, e surpreendeu muitos com os seus ensaios.

    A Irlanda é uma equipa que tanto está habituada a ficar em último como em primeiro, e nunca se pode saber o que esperar dos irlandeses. O 3º acaba por ser um prémio justo. Sem Brian O'Driscoll, a expectativa era perceber até que ponto podiam os Irlandeses surpreender. Deram luta, é certo, fizeram excelentes jogos (Gales e Escócia), mas não conseguiram mostrar mais que isso. Neste momento a Irlanda não consegue estar ao nível de Gales ou Inglaterra, mas o futuro pode revelar surpresas. O melhor foi Jonathan Sexton, que conseguiu "sentar" Ronan O'Gara.

    O segundo lugar ficou para a Inglaterra, que foi uma agradável surpresa. A mudança de treinador trouxe Stuart Lancaster para o "leme" da Equipa da Rosa, homem habituado a treinar avançados. Mas a mudança foi mais radical, a Inglaterra apresentou-se recheada de jovens com o valor internacional por confirmar. Por confirmar estava também como seria a reacção da equipa no primeiro torneio sem Wilkinson. A campanha começou tímida, mas com o tempo a equipa foi-se consolidando e chegou ao fim em bom plano, com uma vitória por 30-9 contra a Irlanda. O problema foi mesmo a derrota com Gales, mas como seria se aquele ensaio no último segundo tivesse sido validado? Não haverá inglês que não pense isto.

    A vitória viajou até Gales. Foi justa. Foram os melhores, nunca vacilaram e mostraram sempre um rugby de alto nível, atractivo e de ataque. Gales tem uma equipa jovem onde se destacam homens como Sam Warburton (o try-saver que fez a Tuilagi é das coisas mais maravilhosas que vi neste torneio) e Leigh Halfpenny. A juventude dos defesas fica completa com a maturidade dos avançados, como Adam Jones ou Alun-Wyn-Jones.

O Grand Slam é apenas mais uma honra para uma equipa que promete voos ainda maiores.

Infelizmente acabou o espectáculo no Hemisfério Norte, viremos agora a nossa atenção mais para Sul, onde a festa começará em breve.

 

By Pedro Santos



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Domingo, 11 de Março de 2012
Área de Ensaio

A Primeira Vitória dos Lobos

 

 

 

    Regressou esta semana o rugby internacional de alto nível, e numa altura em que o Torneio das 6 Nações se aproxima do fim, muita coisa está ainda em disputa, e apesar das apostas recaírem sobre Gales, nada está ainda decidido.

 

    Mas vamos por partes. No Sábado, Portugal recebeu a Espanha em Coimbra, em jogo a contar para o Torneio Europeu das Nações. Depois de 3 derrotas, Portugal ameaçava entrar numa espiral negativa que poderia trazer efeitos psicológicos graves. Por seu lado a Espanha vinha de uma moralizadora serie de óptimos resultados, tendo como ponto alto a vitória sobre a Geórgia. Na verdade ambas as equipas tinham muito a perder, sobretudo a Espanha que ainda ambicionava vencer o Torneio deste ano.

    Na equipa portuguesa destacavam-se as ausências de Bardy e Gardener, sendo a linha defensiva composta quase em exclusivo por homens do CDUL. Já a Espanha perante tão importante partida, trouxe as principais armas de França e Inglaterra, de facto o rugby espanhol tem evoluído bastante e hoje em dia individualmente podemos considerar que são uma equipa superior a Portugal.

    A primeira parte foi disputada em ritmo lento, com Portugal a acumular erros (desaproveitados pelos espanhóis) e sem grande capacidade de construir, salvando-se os pontapés de Pedro Leal.

    A segunda parte trouxe maior organização ofensiva e como tal não foi de estranhar os dois ensaios, primeiro por David dos Reis e depois por Mike Tadjer Barbosa, ambos magistralmente assistidos por Pedro Leal.

    No final o resultado fixou-se em 23-17 a favor de Portugal.

De positivo destaca-se a continuidade do poderio das formações ordenadas, o maul dinâmico que parece uma aposta desta equipa técnica (e durante tantos anos tivemos tantas dificuldades em defender maul’s), a exibição de homens como David dos Reis, Pedro Leal (é defesa, perde-se como formação), Francisco Pinto Magalhães e Lourenço Kadosh.

De negativo, os alinhamentos continuam a ser descoordenados, em certos momentos parece que a equipa está “ao sabor da maré” sem uma estratégia coordenada de ataque, e a exibição de Yannick Ricardo, que não tendo jogado mal, e sendo um jogador de qualidade, não parece ao nível da titularidade nesta selecção, principalmente para quem vê regularmente Duarte Cardoso Pinto jogar na Agronomia.

    Enfim, é uma vitória positiva, fruto do trabalho colectivo e que deve servir de base para Torneio Europeu das Nações do próximo ano, quando se começará a definir os lugares no RWC.

 

    O Torneio das 6 Nações arrancou no sábado com o País de Gales a receber a Itália. Os transalpinos procuravam a primeira vitória neste certame, onde apesar das boas exibições não têm logrado vencer, tendo neste momento zero pontos. Já Gales, apenas pretendia a vitória, pois são a única equipa que ainda pode chegar ao Grand Slam (torneio apenas com vitórias).

    A primeira parte foi algo amorfa, sem ensaios e com a defesa italiana a evidenciar-se, embora cometendo algumas penalidades que Halfpenny tratou de converter.

No segundo tempo, a Itália não aguentou o ritmo e os ensaios de Jamie Roberts e Alex Cuthbert dilataram o resultado que acabou em uns expressivos 24-3. Destaque (mais uma vez) para Leigh Halfpenny com 10 pontos e uma bela exibição, e a possibilidade de se tornar no melhor jogador do torneio.

    De seguida a Irlanda recebeu e bateu a Escócia num excelente jogou de rugby. Emotividade, boas jogadas e sobretudo um jogo agradável de ver.

A partida iniciou com a Escócia a meter um ritmo fortíssimo e nos primeiros dez minutos apenas a equipa escocesa teve bola, tendo a Irlanda defendido muito bem. Contudo a Escócia apenas conseguiu 6 pontos, e a partir daí a Irlanda tomou conta do jogo. A Escócia tanto acusou a pressão e a ansiedade, os jogadores queriam fazer tudo e tão rápido que acabavam por cometer erros, salvando-se o excelente ensaio de Richie Gray.

    O último jogo desta jornada opôs a França e a Inglaterra, num dos duelos mais interessantes do rugby europeu. A França tentava a vitória para decidir tudo no último jogo em Gales, já a Inglaterra tentava continuar os bons resultados mostrando que uma equipa jovem pode mostrar serviço.

Contudo os ingleses dominaram a posse da bola e do território, e apesar de alguns erros estiveram melhor que a França que não mereceu a vitória. O ensaio francês de Wesley Fofana (uma agradável surpresa neste certame) não foi suficiente para igualar os de Tom Croft, Ben Foden e do poderoso Manu Tuilagi.

    Na próxima jornada Gales recebe a França e vencendo o jogo vence também o torneio, apenas com vitórias. A França está arredada do título. A Inglaterra necessita de vencer a Irlanda em casa e esperar que a França vença Gales para poder vencer o Torneio. Itália e Escócia encontram-se para decidir que será último e levará para casa a Colher de Pau.

 

By Pedro Santos



publicado por Pedro Santos às 20:30
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Domingo, 4 de Março de 2012
Área de Ensaio

Avançados: Humildade e Sacrifício

 

 

    Qualquer equipa de rugby que pretenda alcançar o sucesso, necessita obrigatoriamente de dispôr de avançados de qualidade. Uma equipa pode ter médios inteligentes e que sabem ler o jogo de forma exemplar, centros placadores, mas ao mesmo tempo capazes de atacar e até pontas velozes e desiquilibradores no 1x1, mas se os avançados não acompanharem este nível qualitativo, qualquer equipa está destinada ao insucesso. E sim, esta é uma crónica a enaltecer as qualidades técnico-tácticas dos avançados numa equipa de rugby.

 

    Os avançados são oito, dois pilares, um talonador, dois saltadores, 2 "asas" e um número 8. Os avançados são geralmente escolhidos devido à sua constituição física (os pilares são mais pesados, os saltadores altos, etc), mas um bom avançado não se faz apenas de físico, embora isso seja essencial, a questão mental é também fulcral. Os avançados têm de ser jogadores humildes e com grande capacidade de sacrificio, eles fazem o "trabalho sujo" dentro de campo, são os avançados que ganham as bolas para os defesas poderem brilhar com ela, seja no jogo à mão, ou ao pé. É raro ver se um pilar ou um saltador correr 50 metros com a bola e marcar um ensaio, mas quando vemos um defesa fazê-lo, é porque houve um trabalho da avançado, quer tenha sido a garantir a sua posse ou a ganhá-la ao adversário. Sem querer tirar qualquer mérito aos defesas, eles apenas podem jogar se a sua equipa tiver a posse da bola, e para ganhar a bola são necessários aqueles 8 homens que geralmente passam despercebidos.

 

    Os avançados são também sujeitos a um desgaste físico enorme durante o jogo, é certo que não fazem sprints de 40 ou 50 metros, nem fazem jogadas à mão em progressão, mas o desgate de formar numa formação ordenada é terrível, e aqui destaca-se o 5 da frente, que utiliza toda a força para empurrar o pack avançado, num espaço onde coexistem cabeças de ambas a equipas e onde escasseia o ar respirável. Multiplicando isto por 15/20 formações num jogo percebe-se o desgaste dos jogadores.

    Mas também os alinhamentos são momentos cruciais, os levantadores fazem o seu papel ao suportarem todo o peso dos saltadores, colocando-os no ar. A posse de bola num alinhamento ou numa formação pode ser uma excelente plataforma de ataque para os defesas.

Além disto, os avançados placam, defendem e "limpam corpos" nos rucks e usam a força e energia para ganhar metros no impacto, entre muitas outras acções.

 

    Os avançados passam quase sempre despercebidos, raramente brilham, raramente fazem manchetes de jornais. Contudo no rugby profissional são dos jogadores mais bem pagos. Em Inglaterra, França ou Austrália, os avançados em geral e os pilares em particular ocupam quase sempre o topo das folhas salariais, numa prova clara do seu valor e importância.

    Desta forma presto o meu tributo, a esses homens que põem sempre o colectivo acima do particular, e que não se importam de sofrer 80 minutos numa luta por uma bola, para que os seus defesas possam colocá-la onde mais interessa.

 

By Pedro Santos



publicado por Pedro Santos às 00:41
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Domingo, 19 de Fevereiro de 2012
Área de Ensaio

Taça(s) de Portugal

 

 

    Este fim-de-semana foi dedicado à disputa da Taça de Portugal. Não deixa de ser uma data estranha à realização da final da prova, que normalmente marca o final da época desportiva. Este ano, com alguma estupefacção a Federação Portuguesa de Rugby marcou a final (e as restantes eliminatórias) durante a realização de diversas provas internacionais, entre elas o Campeonato Europeu das Nações. Obviamente que algumas equipas saíram prejudicadas por este facto, especialmente as que mais jogadores cedem à selecção nacional, o que impossibilitou a presença de certos jogadores nas eliminatórias que conduziram a esta final. De entre as equipas prejudicadas, destaca-se o Grupo Desportivo de Direito, clube onde militam a maioria dos jogadores nacionais.

    Outro facto que causa algum espanto é os moldes em que se disputou a Taça de Portugal, na verdade não houve uma final, mas sim quatro. Muito sucintamente a prova realizou-se da seguinte forma, um pouco à imagem dos torneios de sevens, as equipas foram numa primeira fase divididas em grupos, consoante a classificação dos grupos, as equipas jogaram para decidir quem jogaria “para que final”. Desta forma houve uma final principal, uma Bowl, Plate, e Shield.

    Se desta forma é possível uma equipa disputar mais jogos, parece não fazer sentido existirem quatro finais. Para além da final principal, qual é o interesse das outras finais? Interessa realmente uma equipa vencer uma taça secundária? Qual é o propósito de uma equipa perder todos os jogos, mas mesmo assim atingir uma final? São algumas questões que a FPR deve analisar e perceber se não é mais vantajoso voltar aos moldes clássicos da Taça de Portugal.

 

    A final principal disputou-se entre Académica e Agronomia, duas equipas que garantiram um lugar na final-four na disputa do título. A Académica está a fazer uma época de grande nível, conseguindo resultados que conduziram a equipa a um lugar nos 4 primeiros.  Já Agronomia, crónica candidata a vencer tudo na última década, fez até aqui os mínimos para garantir um lugar na disputa do título, mas para ultrapassar o GDD e ser campeão nacional terá obrigatoriamente de subir de nível.

    A Académica queria aproveitar a final para conquistar a sétima Taça da sua história, e igualar o GDD no número de vitórias. Já a Agronomia pretendia vencer a sua nona prova e igualar o Benfica como equipa mais bem sucedida nesta competição. Mais, a Agronomia poderia vencer a sua quarta taça consecutiva, um feito nunca antes realizado em Portugal.

    O jogo disputou-se no campo de Honra do Estádio Nacional, e desde cedo se percebeu a tendência do jogo. Agronomia entrou a toda a velocidade e logo no inicio do jogo marcou três ensaios perante a passividade da Académica. Quando a “Briosa” acordou já o marcador ia em 22-0. A partir daí o jogo a Académica correu sempre atrás do marcador, com a equipa da Agronomia a limitar-se a controlar o jogo, perante uma trabalhadora equipa de Coimbra. A má entrada no jogo ditou a derrota da Académica, que pela segunda parte que realizou, e pela entrega da equipa merecia um resultado mais equilibrado. De destacar a boa exibição (mais uma) de Sérgio Franco, o melhor marcador de ensaios da Divisão de Honra, que não chegou para a Académica somar mais um feito.

 

    Nas restantes finais, o CDUL venceu o Benfica por 52-12 e venceu a Taça Plate, a Taça Bowl viajou até Arcos de Valdevez, resultante da vitória por 48-5 frente ao CRE e a última das Taças (Shield) fica para Santarém que venceu o Montemor por 26-19.

Em termos de rugby feminino, realizou-se também a final da Taça, que opôs o Benfica à Escola Agrária de Coimbra, duas equipas que durante a fase regular do campeonato foram as mais fortes, e que prometiam um bom espectáculo. No final a vitória sorriu às “benfiquistas” por 27-0.

 

By Pedro Santos

 



publicado por Pedro Santos às 20:20
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Domingo, 5 de Fevereiro de 2012
Área de Ensaio

Competições Internacionais

 

 

     Portugal perdeu na Roménia. Sabia-se que era dificil repetir o jogo de Fevereiro de 2011, quando conseguimos uma vitória histórica no Estádio Universitário.O resultado desta vez saldou-se numa derrota por 15-7.

    O jogo disputou-se sob condições climatérica extremamente desfavoráveis, o relvado coberto de neve foi a primeira dificuldade que Portugal enfrentou. Ao contrário de outros jogos que foram cancelados devido ao mau tempo, a FIRA decidiu avançar com este de forma inexplicável. Ainda se veiculou a hipótese de disputar o jogo num relvado sintético, mas os romenos fugiram ao máximo dessa ideia, pois isso iria favorecer o jogo português. No meio da neve que preenchia o relvado, os romenos estiveram sempre mais à vontade.

    Portugal apresentou-se com várias incertezas e algumas dúvidas, desde logo a forma como iria reagir a primeira linha frente aos poderesos avançados romenos, ainda para mais faltando o capitão João Correia, e estreando-se o talonador luso-francês Mike Barbosa. Outra questão era a forma como iria reagir o médio de abertura luso-francês Yannick Ricardo, que fazia também a sua estreia.

    Na primeira parte, o jogo foi bastante equilibrado, com a avançada portuguesa a conseguir equilibrar a contenda. Os romenos bem tentaram forçar o jogo nos avançados, sabendo que era dificil ter vantagem nos defesas. A Roménia chegou ao ensaio de forma muito consentido pela defesa portuguesa, pontapé alto e o jogador romeno a captar bem alto perante a passividade portuguesa.

    A reacção foi boa, e numa jogada onde ficou patente a má condição do terreno, António Aguilar (a meias com o defesa romeno) fez o 5-5, Pedro Leal converteu e deu vantagem a Portugal. Vantagem essa com que se chegou ao intervalo.

Na segunda parte, com a quebra fisica dos avançados portugueses, a Roménia chegou ao segundo ensaio, e mesmo ao cair do pano, uma penalidade romena, roubou a hipótese de Portugal conseguir o ponto bónus defensivo.

    De positivo vale a pena referir o comportamento positivo do pack avançado, especialmente enquanto houve "gás" para aguentar as constantes investidas romenas. De destacar a boa estreia de Mike Barbosa (a experiência do Top 14 traduz-se em grande capacidade de colocação nos alinhamentos), de Julien Bardy (grande capacidade de placagem) e de Gonçalo Uva (e os seus importantes cêntimetros nos alinhamentos).

Infelizmente os três quartos não poderam exibir-se ao seu nivel, pois o terreno não o proporcionou, o que favoreceu largamente a Roménia. Os defesas portugueses têm maior velocidade, mobilidade e capacidade de manusear a bola, o que em condições normais dificulta muito a tarefa dos Romenos, mais pesados e menos móveis.

    Yannick Ricardo foi uma decepção, mal no handling, no passe e no jogo ao pé, contudo as más condições atmosféricas podem desculpar em parte a exibição de um jogador técnico, e que poderá ser importante no futuro. Também Pedro Leal não esteve ao seu nivel, ainda para mais quando a expectativa era tão grande, depois de alguns meses a jogar nos franceses do Nice.

Resta agora preparar a recepção à Rússia no próximo sábado, esperando uma vitória, que parece possível.

 

    Arrancou também este fim de semana o Torneio das 6 Nações 2012.

    No primeiro jogo desta edição, a França recebeu a Itália, sendo o favoritismo todo para o lado francês. O resultado acabou em 30-12 favorável aos franceses, embora este resultado seja enganador. Na verdade, a Itália dominou territorialmente a partida, e em certos momentos a pressão que exerceu sobre a defesa francesa foi sufocante, mas essa pressão nunca resultou em ensaios. Os franceses aproveitaram as boas oportunidades que tiveram e alcançaram 4 ensaios (ponto bónus), fruto também da boa exibição dos avançados, sobretudo nas formações ordenadas.

    A Inglaterra foi até Murrayfield vencer a Escócia por 13-6. A Inglaterra, depois do péssimo Mundial que realizou na Nova Zelândia, e da troca de treinador, apresentou-se com uma equipa bastante remodelada, e onde primava a inexperiência de alguns elementos. De qualquer forma o ensaio solitário de Charlie Hodgson e os 8 pontos de Owen Farrel foram suficientes para vencer uma equipa escocesa que mostra mais uma vez estar num processo de remodelação e a preparar-se para atravessar um periodo de poucas vitórias. A Escócia necessita rapidamente de arranjar alternativas para posições chave como o par de médios, pois o que apresentou ontem estiveram francamente mal. De positivo destaca-se a exibição do "gigante" Richie Gray, um jovem de enorme valor que será o esteio da nova equipa escocesa.

    O melhor jogo da jornada veio de Gales, onde a equipa da casa e a Irlanda proporcionaram um jogo de altíssimo nível. Incerteza no resultado, boas jogadas, ensaios e penalidades, este jogo teve de tudo. No final o País de Gales venceu por 23-21, resultado alcançado mesmo em cima da hora.

Apesar do dominio permanente de Gales, a Irlanda foi aproveitando alguns espaços para construir boas jogadas, chegando ao ensaio quando o dominio do País de Gales era evidente. Os bons pontapés de Jonathan Sexton foram dilatando os pontos irlandeses, enquanto o País de Gales tinha dificuldade em transformar o dominio em pontos. Na segunda parte e quando a Irlanda jogava contra 14 (cartão amarelo mostrado a Bradley Davies) alcançou o segundo ensaio. Contudo a resposta galesa foi excelente e nos minuto finais chegou ao terceiro ensaio. Na última jogado do encontro, Leigh Halfpenny chutou literalmente para a vitória, dando os 4 pontos a Gales.

    O País de Gales poderia ter conseguido uma vitória mais dilatada, mas os maus pontapés de Rhys Priestland (alguns falhanços foram ridículos a este nível) impediram que tal sucedesse.

    Na próxima semana, a Inglaterra desloca-se ao Olimpico de Roma para defrontar a Itália, a França recebe a Irlanda e o País de Gales recebe a Escócia.

 

By Pedro Santos



publicado por Pedro Santos às 16:56
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Domingo, 29 de Janeiro de 2012
Área de Ensaio

Curtas do Mundo do Rugby

 

 

    Numa altura em que os principais campeonatos nacionais estão parados, destacam-se alguns jogos da fase de grupos da Taça de Portugal. Se em alguns jogos o equilibrio entre equipas da Divisão de Honra e da 1ª Divisão tem sido notório, em outros percebe-se que ainda existe um fosso competitivo enorme entre estas duas divisões.

    Neste fim de semana os resultados mostraram isso mesmo. O CRAV (1º classificado da 1ª Divisão) foi até Coimbra perder com a Académica por 22-10. O resultado acaba por mostrar algum equilibrio, ainda para mais quando percebemos que a Académica está na final four da Divisão de Honra.

Também a Lousã demonstrou que não está longe do nível da Divisão de Honra, pelo menos dos lugares de baixo da classificação. A derrota por 2 pontos com o Técnico (20-18), bem que poderia ter tido um final diferente.

    Já o Santarém e Évora mostraram enormes dificuldades contra equipas do escalão maior. Os escalabitanos foram derrotados por 139-0 pelo Belenenses, o que em parte se justifica pela falta de experiência da equipa de Santarém, frente a uma equipa que quer vencer este troféu e assim salvar a época. Já o Évora foi também copiosamente derrotado pelo CDUL por 89-3, o que vem demonstrar ainda mais a quebra que o Évora apresenta em relação a anos anteriores.

 

    A selecção portuguesa jogou este sábado frente aos England Students (uma selecção não oficial da Inglaterra), e venceu por 31-28. Esta vitória representa um regresso aos triunfos depois da derrota com o Uruguai em Novembro, e vale sobretudo pelo valor anímico natural de uma vitória e pelo regresso à competição internacional de alguns jogadores.

    No próximo sábado regressa o Campeonato Europeu das Nações, e Portugal que ocupa o 3º lugar tem uma deslocação dificil à Roménia, uma equipa que fez um bom mundial e que ocupa neste momento o 2º lugar com mais 2 pontos que Portugal.

Na primeira volta (Fevereiro de 2011) Portugal arrancou uma brilhante vitória em Lisboa por 24-17.

 

    No próximo sábado começa também o Torneio das 6 Nações de 2012. Mais uma edição desta prova mítica, a maior entre selecções do Hemisfério Norte, e onde se espera muita emoção.

    Entre as 6 selecções, o favoritismo vai para Inglaterra e França embora não seja de menosprezar a hipótese de Pais de Gales e Irlanda chegarem ao título. A Escócia não parece capaz de disputar o troféu, estando neste momento num processo de renovação pós-mundial, enquanto que a Itália ficará feliz se conseguir alguma vitória (embora o rugby italiano esteja em evolução).

    Na primeira jornada a França recebe a Itália, a Inglaterra viaja até Murrayfield para defrontar a Escócia e Irlanda e País de Gales repetem o jogo dos quartos de final do RWC 2011.

 

    A África do Sul foi a última das grandes selecções a trocar de treinador a seguir ao Mundial. Peter de Villiers não resistiu à não revalidação do título mundial. Heineke Meyer é o senhor que se segue, um treinador com vasto curriculo no país e uma vasta experiência na Currie Cup.

    Também a Inglaterra efectou uma troca de treinadores saindo Martin Johnson e entrando Stuart Lancaster, na França Phillipe Saint-Andre substituiu Marc Lièvremont e na Nova Zelândia Steve Hansen é o sucessor de Graham Henry.

Apenas os resultados mostrarão se as trocas foram de facto proveitosas.

 

By Pedro Santos



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Domingo, 22 de Janeiro de 2012
Área de Ensaio

   Os Mitos do Rugby

 

 

 

    Com o campeonato nacional parado, e com pouco rugby internacional a merecer destaque, irei aproveitar para escrever sobre um tema que considero pertinente. Esse tema são os mitos e ideias feitas sobre o rugby.

Para o crescimento da modalidade há que erradicar algumas ideias pré-concebidas que ainda estão implementadas na mentalidade da maioria das pessoas. Estes mitos apenas têm contribuido para afastar jovens do desporto e impedir um maior desenvolvimento da modalidade do nosso país.

    A presença da selecção nacional no RWC 2007, veio dar uma visibilidade muito grande á modalidade, e, acredito que muitos aproveitaram esse destaque para se familiarizar com o rugby. Contudo ainda existem mitos, resultantes do desconhecimento que devem ser desfeitos.

    O primeiro grande mito que envolve este desporto é a ideia de que o rugby é um desporto violento. Completamente errado. O rugby é um desporto de contacto e por vezes viril, mas o respeito pelo adversário é enorme. Raramente existe a intenção de magoar, e as próprias regras existem para proteger a integridade fisica dos atletas.  O rugby nada tem de violento, pelo contrário é uma "escola" de valores como o companheirismo, a camaradagem e o respeito por adversários, treinadores e árbitros.

Se comparar-mos o número de lesões no rugby com o futebol, verificamos que os números são idênticos (e creio que se verificam mesmo mais lesões no futebol), e um jogador de rugby joga em média até aos 34/35 anos. O mesmo de um jogador de qualquer outra modalidade. Portanto, o rugby não é violento.

    Outro mito diz respeito às classes sociais. Tradicionalmente o rugby é conotado com uma classe social de maior poder económico, ou seja ainda persiste a ideia de que o rugby "é para gente rica". Esta ideia é bastante antiga é vem do facto de o rugby ter começado a ser jogado em universidades, onde só quem tinha um elevado poder económico podia estudar. Hoje em dia nada disto faz sentido, o rugby é para todos e apenas com o contributo de um maior número de pessoas pode desenvolver-se. A título de exemplo, vale a pena referir o trabalho que tem sido realizado pelo Rugby Clube de Belas ou pelas Escolinhas de Rugby da Galiza, trabalhado em zonas geralmente consideradas carênciadas, nos suburbios de Lisboa e levando o rugby a crianças que todos os extractos sociais.

    Por último existem ainda muito a ideia de que é necessário ser-se "grande" para jogar rugby. Muita gente acredita de que o rugby é para pessoas grandes e fortes, e de que os mais "pequenos" não têm lugar numa equipa.

Em relação a esta ideia o melhor é mesmo referir a frase de Jean Giraudoux, um jornalista e novelista francês do sec. XX, "Huit joueurs forts et actifs, deux légers et rusés, quatre grands et rapides et un dernier, modèle de flegme et de sang-froid. C’est la proportion idéale entre les hommes" ou seja "Oito jogadores fortes e activos, dois ligeiros e inteligentes, quatro rápidos e um último modelo de estilo e sangue frio. Uma equipa de rugby é a proporção ideal entre os homens".

 

 

By Pedro Santos



publicado por Pedro Santos às 19:51
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