Segunda-feira, 21 de Maio de 2012
Porque a vida também é feita a correr...

Coração, arte defensiva, capacidade física e … Sonho Europeu de Abramovich concretizado

 

         O Chelsea sagrou-se campeão europeu, pela primeira vez na sua história, ao derrotar o Bayer Munique, na casa deste, nos penaltys após um empate a uma bola que findou o tempo regulamentar e o prolongamento.

         Nove anos depois de milhões e milhões de investimentos, Abramovich vê finalmente o seu sonho europeu realizado, na época onde nada o faria prever.

         A nível interno, o Chelsea de 2011/2012 é claramente uma equipa diferente das pretéritas 8 épocas sob o reinado do multimilionário russo.

         Ao longo da sua estadia em Chelsea, Abramovich conseguiu 9 presenças consecutivas nos oitavos-de-final da Champions e 8 pódios consecutivos na Premier League abrilhantados com três ceptros nacionais.

         Para recuperar o título perdido na época transacta face ao novo (em função da história do Chelsea)  rival Manchester United, Abramovich não hesitou em pagar 15 milhões de euros por André Villas-Boas, fazendo a transferência mais cara da história de treinadores.

         Após uma época de grandes epopeias na cidade invicta Villas-Boas tinha em Stanford Bridge um enorme desafio para a sua curta mas ambiciosa carreira… Apesar da confiança, do estilo inovador e da natural competência que o catapultaram para a elite europeia em tenra idade, Villas-Boas não soube entender a conjuntura humana e futebolística da equipa blue.

         Com o ego elevado, depois duma época apoteótica em solo nacional, Villas Boas olhava para o Chelsea como uma forma de dar continuidade às suas ideias de futebol alegre onde o rigor da posse de entrecruza permanentemente com a fortíssima capacidade de sair em transicção.

         Numa equipa com um ADN claramente definido, que passado 4 temporadas ainda vivia à imagem do grande criador identitário do Chelsea de Abramovich (Mourinho) Villas-Boas via o seu espaço de manobra cada vez mais reduzido.

         Num plantel onde a maturidade e estatuto de Cech, Terry, Cole, Lampard, Essien, Malouda e Drogba se intersectava com a astúcia e capacidade inovadora de David Luiz, Oriol Romeu, Ramires, Raúl Meireles, Sturridge e até Torres (pelo sistema de jogo do Liverpool claramente distinto).

         Dois pólos amplamente antagónicos, onde a homogeneização indispensável para o sucesso da equipa seria um desafio em que a imaturidade de André Villas Boas (ainda) não sabia responder.

         Foi neste contexto de mescla de continuidade e mudança que se construiu o fracasso do mais jovem promissor treinador do Planeta.

         O Chelsea de 2011/2012 era uma equipa ao contrário das épocas anteriores, desacreditada do seu valor, pela constante quebra de auto-estima do núcleo duro do plantel. Para além disso, este Chelsea inovador de Villas-Boas tinha em Mata e Meireles as suas principais contratações o que patenteava um claro abrandamento de investimento financeiro comparativamente com as épocas passadas.

         O Chelsea parecia uma equipa onde as suas unidades de peso iam envelhecendo e a tão precisa renovação estava órfã de qualidade para a substituir. Os resultados foram pois por isso, durante a estadia de André, um autêntico fracasso a uma prestação interna que já não se via desde 1995/1996.

         Com pouco tempo para injetar confiança e muito menos para a solidificar o Chelsea de 2011/2012 necessitava, pois de uma ampla mudança técnica que findasse os problemas futebolísticos e de balneário da equipa ao mesmo tempo que recuperava um pouco do seu ADN legado de José Mourinho.

         Sem hesitar Abramovich voltou a puxar dos cordões à bolsa e pagou uma astronómica cláusula de rescisão a Villas-Boas, tornando-o o desempregado mais rico da europa e apostando em Di Matteo “como o milagreiro salvador” para escassos três meses.

         Com um conhecimento profundo do clube londrino, depois de ter sido jogador durante 6 anos, com uma cultura de futebol italiano altamente desenvolvida Di Matteo montou uma equipa física, mental e estrategicamente talhada para os jogos a eliminar. Com o campeonato perdido, a Taça e a Champions eram as únicas possibilidades de sucesso dos blues.

         E foi com Di Matteo ao leme que o Chelsea recuperou a confiança e em três meses se construiu como a melhor equipa do futebol europeu.

         Sem tempo nem vontade de construir algo novo, Di Matteo preocupou-se sobretudo em recuperar a cultura táctica do Chelsea, o posicionamento defensivo exímio e o ataque demolidor que na última década abrilhantaram os mais belos palcos da Europa do futebol.

         Foi deste modo que jogadores como Terry, Lampard e Drogba recuperaram a sua confiança e resiliência dando ao grupo um sentido unitário altamente eficaz. Do mesmo modo David Luiz, Raúl Meireles, Ramires, Mata e Torres entenderam o seu lugar na equipa e construíram um upgrade inovador extremamente útil à equipa, num contexto onde os antagonismos com o núcleo duro estavam já findados.

         O Chelsea recuperava assim um balneário, abolia as divisões entre dois estilos de futebol e começava a reconstruir a cultura do seu jogo.

         Ultrapassando os transalpinos Nápoles e superiorizando ao surpreendente Benfica o Chelsea estava nas meias da Champions e tinha frente ao todo-poderoso Barcelona o grande desafio da sua história.

         Com uma consistência defensiva, mentalidade ganhadora e transicção ataque amplamente melhoradas, o Barcelona era a equipa ideal para o Chelsea se apurar para a final, sendo por isso na minha óptica o grande favorito para a vaga da final de Munique.

         Do ponto de vista psicológico era uma equipa talhada para jogos a eliminar, com um extraordinário à vontade resultante da desresponsabilização de apuramento criada pelos media. O favoritismo estava todo do lado do Barça, o nervosismo era algo inexistente em Stanford Bridge.

         Do ponto de vista meramente futebolístico, o encurtamento de espaços defensivos, a extraordinária aglomeração de jogadores no seu meio-campo, a concentração elevada ao expoente máximo e uma das melhores transicções atacantes do futebol actual eram tudo ingredientes que previam a quebra do tiki-taka e o aproveitamento do débil rendimento defensivo blaugrana.

         Mas nem tudo foram rosas para a equipa blue, nesta recta final da odisseia europeia mais fantástica dos últimos anos.

         Ao minuto 12 da segunda mão frente ao Barça, o Chelsea perdeu Cahill por lesão e aos 37 minutos viu a dupla de centrais completamente desfeita com a expulsão de John Terry, resultante da agressão bárbara a Alexis Sanchéz. Depois de estar a perder por 1-0, Iniesta aumentou o score para 2-0 colocando a equipa blaugrana na pole position para a final.

         Contudo o Chelsea num ápice operacionalizou a reviravolta. Com uma jogada fantástica de sincronização entre Lampard e Ramires, o chapéu incrível do queniano azul calava Camp Nou e o Chelsea reerguia-se na eliminatória.

         A resiliência blue foi mais uma vez testada pelo penalty cometido sobre Messi. O astro argentino voltou a falhar em momentos capitais e o coração do Chelsea mostrava ter mais vidas.

         Com uma capacidade física invulgar para jogadores de futebol, uma concentração defensiva extraordinária e uma tranquilidade permanente a criatividade defensiva do Chelsea (Bosingwa a central e Ramires a lateral direito) ofuscava o célebre tiki-taka blaugrana, montando uma teia defensiva que atirou para os livros da história do futebol o estilo de jogo do adversário.

         O mal-amado Torres entrou a 10 minutos do fim, defendeu, correu e marcou o 2-2 final. Calou Camp Nou e catapultou a arte defensiva do futebol para a Allianz Arena de Munique.

         Com 4 jogadores castigados, todos eles importantíssimos (Terry, Ivanovic, Raúl Meireles e Ramires), com Cahill com pouco tempo para recuperar de lesão, jogando na casa do poderosíssimo Bayer Munique, só com a Champions por conquistar, o Chelsea tinha neste final da sua saga um teste onde mais uma vez era colocado como outsider.

         Fazendo valer todo o seu valor patenteado nas eliminatórias anteriores, mantendo o mesmo estilo de jogo, o Chelsea jogou nesta final com as mesmas armas e alcançou os mesmos resultados- Glória surpreendente.

         Soube neutralizar os desconcentrantes Robben e Ribery, banalizou Goméz e ofuscou Schweinsteiger a um construtor de jogo intranquilo.

         No meio-campo Lampard foi a bússola da equipa, pautando os batimentos cardíacos da equipa e dando-lhe a resiliência necessária para a concretização de tudo este feito heroico.

         No ataque Drogba foi um gladiador: nos duelos, no golo, na alma, na crença duma equipa que mais do que nunca sentiu que a glória europeia estava cada vez mais próxima.

         Mas mais uma vez o destino quis atraiçoar os blues, mas o Chelsea voltou a operacionalizar uma capacidade de superação fantástica e recuperou… Do golo de Muller, ao penalty falhado de Robben, à desvantagem nos penaltys…

         O Chelsea superou tudo, venceu todos os desafios, ultrapassou todos os obstáculos, com ou sem o seu melhor onze e sagrou-se pela primeira vez na História- campeão europeu.

         Chelsea um justo prélio para uma equipa que finalmente abandonou a tónica dos milhões, fez da sua coragem, coração, resiliência, alma- a sua grande tónica para a vitória. Admitiu as suas limitações, construiu-se a partir delas, deu-nos a arte futebolística numa plataforma defensiva, construiu um estilo de jogo de contenção e transicção inovador e finalmente desfilou na passadeira hegemónica do futebol europeu inscrevendo as sete letras do seu nome no Historial de vencedores da mais importante prova de clubes do Mundo.

         Chelsea- uma equipa, um sonho, uma realidade. A constatação da relatividade do futebol na sua expoente máxima. O melhor entre os melhores (competições europeias), mesmo sendo pior entre piores (nível interno).

         A consagração duma equipa que prova que o futebol não é matemática pura e resultados certos, mas sim uma equação com incógnitas desconhecidas que nos dão resultados surpreendentes…

 

Parabéns Chelsea…

        



publicado por João Perfeito às 02:26
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Quinta-feira, 5 de Abril de 2012
Porque a vida também é feita a correr...

       

A ditadura do poder dominante na suposta era da democratização comunicacional

 

 

 

           O Benfica foi ontem eliminado nos quartos-de-final da Liga dos Campeões, perdendo 2-1 frente ao Chelsea.

         Depois da derrota na primeira mão as águias necessitavam duma exibição apoteótica para poder acalentar o sonho da reviravolta em Stanford Bridge.

         Perante uma das equipas mais regulares da Champions da pretérita década à partida, jogando em terreno alheio a tarefa seria árdua para os comandados de Jorge Jesus.

         Não virando a cara à luta, jogando um futebol rápido, prático e circular o Benfica conseguiu juntar à habitual vertigem da velocidade uma organização deveras melhorada.

Ao longo do jogo o Clube da Luz dispôs de diversas oportunidades de golo, dominou o jogo, não deixando o Chelsea ter a bola que pretendia e espelhou em toda a Europa toda a sua qualidade e dignificou o nome histórico que construiu nas últimas 5 décadas.

Tudo fizeram os encarnados para poder sonhar com uma reviravolta histórica em solo britânico, mas mais uma vez prevaleceu a lei do mais forte. Mais uma vez não houve critérios iguais e sempre que o Chelsea se sentia apertado a exibição habilidosa da equipa de arbitragem fazia favor de acalmar as hostes londrinas. Foi assim na grande penalidade cometida sobre Cole, foi assim na dualidade de critérios disciplinares ao longo do encontro e da expulsão da Maxi Pereira.

         Mesmo jogando em inferioridade numérica em mais de metade do jogo, sem os 4 centrais de raíz, tendo que recuperar 2 golos o Benfica construí mais uma noite europeia fantástica, tão similar com tantas outras na história do futebol europeu. Empatou o jogo e teve oportunidades para passar para a frente da eliminatória, no último suspiro Meireles pintou a eliminatória com a injustiça total…

         Com todas as condicionantes o Benfica deixou perante todo o universo futebolístico europeu a qualidade do futebol português. Factores externos impediram o Benfica de figurar entre os 4 melhores do futebol Mundial e de ombrear taco-a-taco com o Barcelona um lugar na mágica final de Munique.

         O capitalismo do futebol actual e os interesses dos grandes europeus não ficaram apenas em Stanford Bridge. Na Catalunha, mais uma vez a vergonha continuou a patentear o reinado de Pep Guardiola à frente da equipa blaugrana, num protecionismo onde já não existem mais palavras que o consigam patentear.

         Depois dos 5 penaltys de Ovrebo, depois da expulsão de Thiago Motta, depois da expulsão de Van Persie e do penalty sobre Messi frente ao Arsenal, depois da expulsão habilidosa de Pepe, depois da simulação da década de Mascherano ainda houve tempo para mais um actuação teatral de Messi, um penalty inventado e um golo limpo ao AC Milan invalidado…

Até quando é que isto vai durar? Até quando a protecção à melhor equipa da história do futebol, para alguns dos desportos colectivos, que precisou destes 13 pormenores para construir o seu legado…

         Fora todos estes casos estranhos sob o comando de Guardiola o Barça eliminou em 2008/2009 o Lyon de França e o Bayer de Munique (que teve um campeonato alemão fraco). Em 2009/2010 eliminou o sexto classificado do campeonato alemão Estugarda e o terceiro classificado do campeonato inglês, desde cedo arredado do título- Arsenal. Em 2010/2011 eliminou o campeão da Ucrânia e em 2011/2012 eliminou o 7º classificado germânico Bayer Leverkusen.

         Um legado construído e difundido em mentiras, calúnias, favores e uma ignorância estatística absolutamente assombrosa.

         Pelo meio duas vitórias merecidíssimas frente ao Manchester United… Se só com o United conseguem ganhar sem polémica, como podem ser a melhor equipa da história?

         Guardiola- 6 confrontos frente a pretendes à Champions, 5 vitórias (3 com a ajuda arbitral) e uma derrota (mesmo com favorecimento).

         Mas precisamos de espectáculo e de ser réplicas e veneramo-nos a este Barcelona, construído, consolidado e difundido numa mentira que só o sistema actual de comunicação social pode propagandear… Nós continuamos activamente passivos a subvertemo-nos à logica do poder dominante… Sem questionar, sem problematizar, na era da democratização comunicacional…

         Até quando?



publicado por João Perfeito às 15:19
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Terça-feira, 27 de Março de 2012
Porque a vida também é feita a correr...

APOEL- Um prémio para uma odisseia sem fim à vista

 

 

         Depois de 8 apoteóticas noites que trouxeram a utopia à realidade da liga milionária o Apoel vai defrontar o todo-poderoso Real Madrid nos quartos-de-final da Champions.

         O seu treinador Ivan Jovanovic disse que este era um prémio que coroava a magnífica campanha do conjunto cipriota na presente edição da prova. Na verdade depois de atingir o céu o lote de responsabilidade do Apoel desceu drasticamente para a nualidade.

         Atingir o lote mágico dos 8 melhores clubes do Mundo para a turma de Nicósia é uma proeza sem precedentes na história recente das competições europeias de desportos colectivos.

         A sorte do sorteio ditou o confronto entre o David e o Golias. O Apoel e o Real Madrid.

Dum lado uma equipa sem valores individuais lapidados na montra do futebol europeu, do outro lado a equipa mais avassaladora da história do futebol Mundial com uma média superior a 3 golos por jogo no seu campeonato, encabeçada pelo futuro melhor jogador de todos os tempos Cristiano Ronaldo.

         Defrontar o actual Real Madrid é um justo prélio para qualquer equipa nesta fase da prova. Sê melhor jogando com os melhores, são os jogos com o Real que fazem levar à expoente máxima os índices de confiança de qualquer equipa.

         Por isso mais que o desfecho final o Apoel já se pode considerar vencedor. Atingir os quartos pela primeira vez contra as 29 presenças do Real são números que explicam a diferença histórica entre os dois conjuntos.

         Na verdade a história e a estatística não ganham jogos e o Apoel já provou que consegue através da sua coletivização alcançar todos os sonhos.

         Empatar ou ganhar em Nicósia seria o coroar definitivo duma epopeia justa e digna. Mesmo que na segunda mão seja quase impossível um milagre, pelo menos surpreender o Real jogando perante o seu público está longe de ser um milagre…

         Para o bem e para o mal os jogadores deixaram a pele em campo e honrarão o símbolo que vestem até à morte.

         Força Apoel…



publicado por João Perfeito às 02:46
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Terça-feira, 13 de Março de 2012
Porque a vida também é feita a correr...

Apoel- Um milagre que a PlayStation (ficção) quis dar à realidade

 

Não caro leitor, não vou falar dos 5 golos do Messi como obra de jogo de PlayStation. Na verdade os 5 golos do astro Argentino perante um destroçado Bayer Leverkusen numa eliminatória já decidida apesar de serem surpreendentes estão longe de ser utópicos.

Neste espaço já manifestei a minha satisfação pela consolidação do projecto do Apoel, contudo face à continuação do seu desenvolvimento, não me canso de continuar a elogiar a equipa cipriota. Fá-lo-ei até que esta incessante odisseia chegue ao seu fim, até a realidade tirar a ficção deste conto de fadas.

Depois de surpreender o universo futebolístico do Velho Continente ao suplantar 3 dos últimos 4 vencedores da Liga Europa o Apoel conseguiu apurar-se para o lote mágico de 8 melhores equipas do futebol Mundial. Deixando pelo caminho o heptacampeão francês Lyon, equipa onde pontificam internacionais das potências com maior gabarito no panorama futebolístico mundial.

No fundo, este Apoel, não é mais que o melhor exemplo de futebol colectivo da actualidade.

Assente numa estrutura de transição e com uma das melhores defesas do Mundo protegida por um sempre-inspirado Chiotis, o Apoel é uma equipa equilibrada, solidária e muito inteligente.

A criatividade, liberdade e fluência de jogo intersectam-se com o calculismo, penetração vertical no espaço vazio e multiplicidade de espaços.

O conjunto cipriota está órfão de estrelas e esta premissa é a grande chave do seu jogo.

Na eliminatória contra o Lyon foi a disponibilidade física inigualável dos seus jogadores que permitiu ao conjunto cipriota ser fortíssimo nas transições.

Ofensivamente, com uma enorme disponibilidade de passe e desmarcação abortando todas as perspectivas de verticalidade individual e fintas; defensivamente com uma recuperação rapidíssima, um encurtamento de espaços criteriosa e uma pressão cautelosa sobre a zona da bola. O adversário tinha apenas espaço para construir o seu jogo, mas na hora de desequilibrar caía no labirinto cipriota, direccionando o seu jogo para tentativas fortuitas de jogo aéreo.

Na baliza Chiotis resolveu todos os problemas derivados das poucas falhas da defesa, demonstrando e transmitindo confiança para a equipa.

Paulo Jorge, mais uma vez demonstrou ser dos melhores centrais da actual Champions, com uma exibição irrepreensível. No meio-campo luso, Hélder Sousa  e Nuno Morais transmitiram tranquilidade suficiente para a equipa respirar no momento defensivo e sair com critério no momento ofensivo.

Na ala, Manduca revelou-se um excelente jogador na equação desequilíbrio atacante/enraizamento colectivo.

Por fim, destaque ainda para o virtuoso Marcinho, que deu imaginação à fluência de jogo da equipa e à incisão, remate fácil e posicionamento exímio de Airton Almeida.

Uma equipa construída rigorosamente num dos sistemas mais enraizados do futebol actual, alicerçada pelos maiores carregadores de piano do futebol europeu que viram a sua qualidade submersa no futebol português e por uma criatividade brasileira também ela com escassez de oportunidades de triunfo.

Este é o triunfo dos revoltados… O triunfo de jogadores desrespeitados e desaproveitados pelo paradigma do futebol contemporâneo: técnica e individualização de acções.

Esta qualificação não é mais que a constatação que o futebol tem ainda muito por evoluir e que estamos longe duma estabilização final conceptual do seu paradigma.

O colectivo, a solidariedade, o enraizamento de jogadas em laboratório cada vez mais vem contrariar a imprevisibilidade da liberdade individual dos jogadores.

Talvez por isso, não seja só na PlayStation em modo de Campeão que um Apoel consegue figurar entre os 8 melhores clubes da Europa.

A realidade é esta e o que ontem estava gravado nas memóricas card da PlaySation hoje preenche os mais emblemáticos estádios do futebol europeu.

Apoel, uma equipa, um sonho, uma realidade, um milagre, ou talvez  não, que a ficção quis dar à realidade, que a final os nossos sonhos utópicos as nossas convicções, os nossos desejos tem todos uma componente realística muito importante que só precisa de ser consolidada, trabalhada e desenvolvida.

Obrigado Apoel, acompanharei cada passo desta incessante odisseia até ao Game Over final.

Apoel o triunfo da entropia da ficção e da realidade, não sabemos onde começa uma e acaba outra, mas para o bem e para o mal guardarei na minha memória card todo este caminho glorioso independente do desfecho final.



publicado por João Perfeito às 19:35
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