Segunda-feira, 21 de Maio de 2012
Porque a vida também é feita a correr...

Coração, arte defensiva, capacidade física e … Sonho Europeu de Abramovich concretizado

 

         O Chelsea sagrou-se campeão europeu, pela primeira vez na sua história, ao derrotar o Bayer Munique, na casa deste, nos penaltys após um empate a uma bola que findou o tempo regulamentar e o prolongamento.

         Nove anos depois de milhões e milhões de investimentos, Abramovich vê finalmente o seu sonho europeu realizado, na época onde nada o faria prever.

         A nível interno, o Chelsea de 2011/2012 é claramente uma equipa diferente das pretéritas 8 épocas sob o reinado do multimilionário russo.

         Ao longo da sua estadia em Chelsea, Abramovich conseguiu 9 presenças consecutivas nos oitavos-de-final da Champions e 8 pódios consecutivos na Premier League abrilhantados com três ceptros nacionais.

         Para recuperar o título perdido na época transacta face ao novo (em função da história do Chelsea)  rival Manchester United, Abramovich não hesitou em pagar 15 milhões de euros por André Villas-Boas, fazendo a transferência mais cara da história de treinadores.

         Após uma época de grandes epopeias na cidade invicta Villas-Boas tinha em Stanford Bridge um enorme desafio para a sua curta mas ambiciosa carreira… Apesar da confiança, do estilo inovador e da natural competência que o catapultaram para a elite europeia em tenra idade, Villas-Boas não soube entender a conjuntura humana e futebolística da equipa blue.

         Com o ego elevado, depois duma época apoteótica em solo nacional, Villas Boas olhava para o Chelsea como uma forma de dar continuidade às suas ideias de futebol alegre onde o rigor da posse de entrecruza permanentemente com a fortíssima capacidade de sair em transicção.

         Numa equipa com um ADN claramente definido, que passado 4 temporadas ainda vivia à imagem do grande criador identitário do Chelsea de Abramovich (Mourinho) Villas-Boas via o seu espaço de manobra cada vez mais reduzido.

         Num plantel onde a maturidade e estatuto de Cech, Terry, Cole, Lampard, Essien, Malouda e Drogba se intersectava com a astúcia e capacidade inovadora de David Luiz, Oriol Romeu, Ramires, Raúl Meireles, Sturridge e até Torres (pelo sistema de jogo do Liverpool claramente distinto).

         Dois pólos amplamente antagónicos, onde a homogeneização indispensável para o sucesso da equipa seria um desafio em que a imaturidade de André Villas Boas (ainda) não sabia responder.

         Foi neste contexto de mescla de continuidade e mudança que se construiu o fracasso do mais jovem promissor treinador do Planeta.

         O Chelsea de 2011/2012 era uma equipa ao contrário das épocas anteriores, desacreditada do seu valor, pela constante quebra de auto-estima do núcleo duro do plantel. Para além disso, este Chelsea inovador de Villas-Boas tinha em Mata e Meireles as suas principais contratações o que patenteava um claro abrandamento de investimento financeiro comparativamente com as épocas passadas.

         O Chelsea parecia uma equipa onde as suas unidades de peso iam envelhecendo e a tão precisa renovação estava órfã de qualidade para a substituir. Os resultados foram pois por isso, durante a estadia de André, um autêntico fracasso a uma prestação interna que já não se via desde 1995/1996.

         Com pouco tempo para injetar confiança e muito menos para a solidificar o Chelsea de 2011/2012 necessitava, pois de uma ampla mudança técnica que findasse os problemas futebolísticos e de balneário da equipa ao mesmo tempo que recuperava um pouco do seu ADN legado de José Mourinho.

         Sem hesitar Abramovich voltou a puxar dos cordões à bolsa e pagou uma astronómica cláusula de rescisão a Villas-Boas, tornando-o o desempregado mais rico da europa e apostando em Di Matteo “como o milagreiro salvador” para escassos três meses.

         Com um conhecimento profundo do clube londrino, depois de ter sido jogador durante 6 anos, com uma cultura de futebol italiano altamente desenvolvida Di Matteo montou uma equipa física, mental e estrategicamente talhada para os jogos a eliminar. Com o campeonato perdido, a Taça e a Champions eram as únicas possibilidades de sucesso dos blues.

         E foi com Di Matteo ao leme que o Chelsea recuperou a confiança e em três meses se construiu como a melhor equipa do futebol europeu.

         Sem tempo nem vontade de construir algo novo, Di Matteo preocupou-se sobretudo em recuperar a cultura táctica do Chelsea, o posicionamento defensivo exímio e o ataque demolidor que na última década abrilhantaram os mais belos palcos da Europa do futebol.

         Foi deste modo que jogadores como Terry, Lampard e Drogba recuperaram a sua confiança e resiliência dando ao grupo um sentido unitário altamente eficaz. Do mesmo modo David Luiz, Raúl Meireles, Ramires, Mata e Torres entenderam o seu lugar na equipa e construíram um upgrade inovador extremamente útil à equipa, num contexto onde os antagonismos com o núcleo duro estavam já findados.

         O Chelsea recuperava assim um balneário, abolia as divisões entre dois estilos de futebol e começava a reconstruir a cultura do seu jogo.

         Ultrapassando os transalpinos Nápoles e superiorizando ao surpreendente Benfica o Chelsea estava nas meias da Champions e tinha frente ao todo-poderoso Barcelona o grande desafio da sua história.

         Com uma consistência defensiva, mentalidade ganhadora e transicção ataque amplamente melhoradas, o Barcelona era a equipa ideal para o Chelsea se apurar para a final, sendo por isso na minha óptica o grande favorito para a vaga da final de Munique.

         Do ponto de vista psicológico era uma equipa talhada para jogos a eliminar, com um extraordinário à vontade resultante da desresponsabilização de apuramento criada pelos media. O favoritismo estava todo do lado do Barça, o nervosismo era algo inexistente em Stanford Bridge.

         Do ponto de vista meramente futebolístico, o encurtamento de espaços defensivos, a extraordinária aglomeração de jogadores no seu meio-campo, a concentração elevada ao expoente máximo e uma das melhores transicções atacantes do futebol actual eram tudo ingredientes que previam a quebra do tiki-taka e o aproveitamento do débil rendimento defensivo blaugrana.

         Mas nem tudo foram rosas para a equipa blue, nesta recta final da odisseia europeia mais fantástica dos últimos anos.

         Ao minuto 12 da segunda mão frente ao Barça, o Chelsea perdeu Cahill por lesão e aos 37 minutos viu a dupla de centrais completamente desfeita com a expulsão de John Terry, resultante da agressão bárbara a Alexis Sanchéz. Depois de estar a perder por 1-0, Iniesta aumentou o score para 2-0 colocando a equipa blaugrana na pole position para a final.

         Contudo o Chelsea num ápice operacionalizou a reviravolta. Com uma jogada fantástica de sincronização entre Lampard e Ramires, o chapéu incrível do queniano azul calava Camp Nou e o Chelsea reerguia-se na eliminatória.

         A resiliência blue foi mais uma vez testada pelo penalty cometido sobre Messi. O astro argentino voltou a falhar em momentos capitais e o coração do Chelsea mostrava ter mais vidas.

         Com uma capacidade física invulgar para jogadores de futebol, uma concentração defensiva extraordinária e uma tranquilidade permanente a criatividade defensiva do Chelsea (Bosingwa a central e Ramires a lateral direito) ofuscava o célebre tiki-taka blaugrana, montando uma teia defensiva que atirou para os livros da história do futebol o estilo de jogo do adversário.

         O mal-amado Torres entrou a 10 minutos do fim, defendeu, correu e marcou o 2-2 final. Calou Camp Nou e catapultou a arte defensiva do futebol para a Allianz Arena de Munique.

         Com 4 jogadores castigados, todos eles importantíssimos (Terry, Ivanovic, Raúl Meireles e Ramires), com Cahill com pouco tempo para recuperar de lesão, jogando na casa do poderosíssimo Bayer Munique, só com a Champions por conquistar, o Chelsea tinha neste final da sua saga um teste onde mais uma vez era colocado como outsider.

         Fazendo valer todo o seu valor patenteado nas eliminatórias anteriores, mantendo o mesmo estilo de jogo, o Chelsea jogou nesta final com as mesmas armas e alcançou os mesmos resultados- Glória surpreendente.

         Soube neutralizar os desconcentrantes Robben e Ribery, banalizou Goméz e ofuscou Schweinsteiger a um construtor de jogo intranquilo.

         No meio-campo Lampard foi a bússola da equipa, pautando os batimentos cardíacos da equipa e dando-lhe a resiliência necessária para a concretização de tudo este feito heroico.

         No ataque Drogba foi um gladiador: nos duelos, no golo, na alma, na crença duma equipa que mais do que nunca sentiu que a glória europeia estava cada vez mais próxima.

         Mas mais uma vez o destino quis atraiçoar os blues, mas o Chelsea voltou a operacionalizar uma capacidade de superação fantástica e recuperou… Do golo de Muller, ao penalty falhado de Robben, à desvantagem nos penaltys…

         O Chelsea superou tudo, venceu todos os desafios, ultrapassou todos os obstáculos, com ou sem o seu melhor onze e sagrou-se pela primeira vez na História- campeão europeu.

         Chelsea um justo prélio para uma equipa que finalmente abandonou a tónica dos milhões, fez da sua coragem, coração, resiliência, alma- a sua grande tónica para a vitória. Admitiu as suas limitações, construiu-se a partir delas, deu-nos a arte futebolística numa plataforma defensiva, construiu um estilo de jogo de contenção e transicção inovador e finalmente desfilou na passadeira hegemónica do futebol europeu inscrevendo as sete letras do seu nome no Historial de vencedores da mais importante prova de clubes do Mundo.

         Chelsea- uma equipa, um sonho, uma realidade. A constatação da relatividade do futebol na sua expoente máxima. O melhor entre os melhores (competições europeias), mesmo sendo pior entre piores (nível interno).

         A consagração duma equipa que prova que o futebol não é matemática pura e resultados certos, mas sim uma equação com incógnitas desconhecidas que nos dão resultados surpreendentes…

 

Parabéns Chelsea…

        



publicado por João Perfeito às 02:26
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Terça-feira, 24 de Abril de 2012
Porque a vida também é feita a correr...

O triunfo da previsibilidade relativa do futebol- Um destroçado Chelsea melhor que o divino Barça

 

             Aquilo que distingue a competitividade do futebol relativamente com outros desportos (individuais ou colectivos) reside na sua ampla relatividade.

               O futebol não pode ser encarado como um fenómeno absoluto, como um ranking quantitativo que ordena a qualidade das equipas. A equipa A é melhor que a equipa B. A equipa B é melhor que a equipa C, mas isso não significa necessariamente que a equipa A é melhor que a C. É necessário perceber que a cada equipa, mais que um estilo de jogo, existe uma identidade própria que é moldada de maneiras diferentes na intersecção com a qualidade do adversário. De forma mais simples “Uma equipa joga aquilo que a outra deixa jogar”.

             Portanto, parece previsível esta eliminação do Barcelona. O tiki-taka blaugrana - órfão de passes aéreos, diagonais/longos, finalizações a primeiro toque não consegue encontrar maneira para desfeitear a baliza blue. O Barça tem no seu estilo de jogo, uma identidade demasiadamente rígida, pouco adaptável a certas vicissitudes do futebol moderno. Não se trata de defender o futebol praticado pelos londrinos. No futebol actual, qualquer equipa tem que ter mecanismos diferentes que resolvam os diferentes contextos inerentes ao jogo.

              Hoje, viu-se um Barça que não soube inovar o seu jogo e morreu com a sua previsibilidade outrora fantástica, hoje sintomaticamente quebrada.

               Do lado do Chelsea um posicionamento excelente, apenas sofre os golos em transições rápidas do Barça (paradoxo). O Barça não soube perceber que a melhor maneira de encontrar espaço seria deixar o Chelsea subir e por isso viu-se impossibilitado de marcar golos perante o avião blue.

             O Chelsea nos 27% de posse de bola, conseguiu ter uma enorme verticalidade no espaço vazio, um Drogba que jogou sozinho contra o Mundo e um Ramires tacticamente perfeito. Por isso apesar de todo o apetrechamento excessivamente defensivo, o golo de Ramires patenteia a qualidade ofensiva dos blues- antagónica dos blaugranas (incisão- passe espaço vazio- finalização primeiro toque).

              Num contexto actual de pressão sobre o portador da bola é preciso executar rápido e não apenas pensá-lo.

            Nota para mais uma péssima exibição de Lionel Messi. A exibição de Messi é mais uma réplica da ideia de relatividade do futebol Moderno.

Messi é um génio e hoje morreu com todas as adversidades patentes dum ser especial.

            A genialidade é limitativa. As suas finalizações, movimentos, remates, passes em certos contextos são belos, únicos, artísticos. Mas noutros, Messi vê-se impossibilitado de conseguir deixar a sua arte. E Messi sem Arte é reduzido a um jogador banal.

Messi será eternamente um jogador que consegue redescobrir a sua arte em 95% dos jogos, mas não consegue adaptar-se aos 5% em que ela é ofuscada na casa táctica do adversário.

           Mais que razões meramente futebolísticas, razões humanas. Messi- a cara dum ser humano completamente desfeito sem capacidade para remar contra a maré, sem capacidade de solucionar problemas em situações extremamente adversas, sem capacidade para pegar no jogo da equipa e impulsioná-la para a vitória.

           Arrostou-se em campo, desistiu do jogo e atirou a eternidade desta equipa para os livros de História.

           Um génio incapaz de acender a lâmpada da vitória com uma magia pessoal. Sem a luz de Xavi e Iniesta a lâmpada de Messi ficará eternamente às escuras.

             Barça- um estilo de jogo, uma identidade, uma atitude, uma filosofia. O futebol construiu-se, moldou-se e melhorou com a marca desta equipa…

             O caminho está no fim e o testemunho está lançado.

            Quem será a próxima equipa a apanhá-lo e a reescrever a História?

              Aceitam-se apostas…



publicado por João Perfeito às 22:50
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Quarta-feira, 11 de Abril de 2012
Porque a vida também é feita a correr...

                                 

Cristiano Ronaldo- Uma máquina solucionadora de Problemas

            

 

                     O  Real Madrid venceu o Atlético de Madrid por 4-1 e deu um passo de gigante rumo à recuperação do ceptro espanhol que lhe tem fugido nas pretéritas 3 temporadas.

               Apesar do avolumar do resultado, a diferença entre as duas equipas no jogo de hoje não coincide com o placar final.

               O Atlético de Madrid demonstrou ser uma equipa pressionante e com boa qualidade ofensiva. Já o Real Madrid, sem brilhar, voltou a demonstrar um naipe de jogadas e movimentações colectivas interessantes, mas com pouca incisão finalizadora.

Sendo forte no processo a equipa foi fraca na finalização do mesmo. Com toda a pressão que estava sujeito face aos escassos 4 pontos de vantagem sobre o seu eterno rival, o Real Madrid parecia que ia deixar fugir mais 2 pontos e acender a luta pelo título, a um patamar que muitos já consideravam impossível.

                Mais uma vez o Real Madrid ofuscou as suas debilidades colectivas pela individualidade do futuro melhor jogador da História do futebol (quiçá dos desportos colectivos).

               O Real Madrid voltou a ser Real Ronaldo, com mais 3 golos do internacional português. Os dois primeiros com execuções perfeitas e um efeito histórico que deve ser atualizado nos futuros manuais de futebol.

               Sem precisar de grandes rasgos individuais nem colectivos, Ronaldo desferiu 3 pontapés fulminantes sem hipótese de defesa deixando o prodígio Curtuouis numa posição injustamente ingrata.

               Se toda a individualidade de Messi nasce numa tabela ou numa correria onde apanha a bola já em velocidade, Ronaldo depende 0 da organização colectiva. Recebe a bola, para, corre e golo… Tão simples que até parece fácil.

               Dum lado a genialidade pura do futebol no seu estado de maior transcendência do outro lado um ser humano capaz de solucionar todas as adversidades que lhe colocam pela frente.

                Dum lado um artista e toda a falta de completude que o nutre, do outro lado um ser humano normal que completa todos os parâmetros de jogo…

                  Podemos fugir, mas não podemos ignorar a realidade. Sendo um futebol um jogo, que na sua concepção epistemológica envolve uma luta por uma vitória que se traduz em golos a eficácia é o grande pêndulo criterioso da nossa escolha.

Messi diverte-nos e rualiza o futebol ao patamar mais bonito da história da Humanidade, Ronaldo dá-nos a eficácia no cume da montanha das possibilidades…

                Por isso a rivalidade é a dois mas o destino é só um: Ronaldo melhor jogador da História do futebol Mundial…

 



publicado por João Perfeito às 23:57
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Quinta-feira, 5 de Abril de 2012
Porque a vida também é feita a correr...

       

A ditadura do poder dominante na suposta era da democratização comunicacional

 

 

 

           O Benfica foi ontem eliminado nos quartos-de-final da Liga dos Campeões, perdendo 2-1 frente ao Chelsea.

         Depois da derrota na primeira mão as águias necessitavam duma exibição apoteótica para poder acalentar o sonho da reviravolta em Stanford Bridge.

         Perante uma das equipas mais regulares da Champions da pretérita década à partida, jogando em terreno alheio a tarefa seria árdua para os comandados de Jorge Jesus.

         Não virando a cara à luta, jogando um futebol rápido, prático e circular o Benfica conseguiu juntar à habitual vertigem da velocidade uma organização deveras melhorada.

Ao longo do jogo o Clube da Luz dispôs de diversas oportunidades de golo, dominou o jogo, não deixando o Chelsea ter a bola que pretendia e espelhou em toda a Europa toda a sua qualidade e dignificou o nome histórico que construiu nas últimas 5 décadas.

Tudo fizeram os encarnados para poder sonhar com uma reviravolta histórica em solo britânico, mas mais uma vez prevaleceu a lei do mais forte. Mais uma vez não houve critérios iguais e sempre que o Chelsea se sentia apertado a exibição habilidosa da equipa de arbitragem fazia favor de acalmar as hostes londrinas. Foi assim na grande penalidade cometida sobre Cole, foi assim na dualidade de critérios disciplinares ao longo do encontro e da expulsão da Maxi Pereira.

         Mesmo jogando em inferioridade numérica em mais de metade do jogo, sem os 4 centrais de raíz, tendo que recuperar 2 golos o Benfica construí mais uma noite europeia fantástica, tão similar com tantas outras na história do futebol europeu. Empatou o jogo e teve oportunidades para passar para a frente da eliminatória, no último suspiro Meireles pintou a eliminatória com a injustiça total…

         Com todas as condicionantes o Benfica deixou perante todo o universo futebolístico europeu a qualidade do futebol português. Factores externos impediram o Benfica de figurar entre os 4 melhores do futebol Mundial e de ombrear taco-a-taco com o Barcelona um lugar na mágica final de Munique.

         O capitalismo do futebol actual e os interesses dos grandes europeus não ficaram apenas em Stanford Bridge. Na Catalunha, mais uma vez a vergonha continuou a patentear o reinado de Pep Guardiola à frente da equipa blaugrana, num protecionismo onde já não existem mais palavras que o consigam patentear.

         Depois dos 5 penaltys de Ovrebo, depois da expulsão de Thiago Motta, depois da expulsão de Van Persie e do penalty sobre Messi frente ao Arsenal, depois da expulsão habilidosa de Pepe, depois da simulação da década de Mascherano ainda houve tempo para mais um actuação teatral de Messi, um penalty inventado e um golo limpo ao AC Milan invalidado…

Até quando é que isto vai durar? Até quando a protecção à melhor equipa da história do futebol, para alguns dos desportos colectivos, que precisou destes 13 pormenores para construir o seu legado…

         Fora todos estes casos estranhos sob o comando de Guardiola o Barça eliminou em 2008/2009 o Lyon de França e o Bayer de Munique (que teve um campeonato alemão fraco). Em 2009/2010 eliminou o sexto classificado do campeonato alemão Estugarda e o terceiro classificado do campeonato inglês, desde cedo arredado do título- Arsenal. Em 2010/2011 eliminou o campeão da Ucrânia e em 2011/2012 eliminou o 7º classificado germânico Bayer Leverkusen.

         Um legado construído e difundido em mentiras, calúnias, favores e uma ignorância estatística absolutamente assombrosa.

         Pelo meio duas vitórias merecidíssimas frente ao Manchester United… Se só com o United conseguem ganhar sem polémica, como podem ser a melhor equipa da história?

         Guardiola- 6 confrontos frente a pretendes à Champions, 5 vitórias (3 com a ajuda arbitral) e uma derrota (mesmo com favorecimento).

         Mas precisamos de espectáculo e de ser réplicas e veneramo-nos a este Barcelona, construído, consolidado e difundido numa mentira que só o sistema actual de comunicação social pode propagandear… Nós continuamos activamente passivos a subvertemo-nos à logica do poder dominante… Sem questionar, sem problematizar, na era da democratização comunicacional…

         Até quando?



publicado por João Perfeito às 15:19
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Terça-feira, 27 de Março de 2012
Porque a vida também é feita a correr...

APOEL- Um prémio para uma odisseia sem fim à vista

 

 

         Depois de 8 apoteóticas noites que trouxeram a utopia à realidade da liga milionária o Apoel vai defrontar o todo-poderoso Real Madrid nos quartos-de-final da Champions.

         O seu treinador Ivan Jovanovic disse que este era um prémio que coroava a magnífica campanha do conjunto cipriota na presente edição da prova. Na verdade depois de atingir o céu o lote de responsabilidade do Apoel desceu drasticamente para a nualidade.

         Atingir o lote mágico dos 8 melhores clubes do Mundo para a turma de Nicósia é uma proeza sem precedentes na história recente das competições europeias de desportos colectivos.

         A sorte do sorteio ditou o confronto entre o David e o Golias. O Apoel e o Real Madrid.

Dum lado uma equipa sem valores individuais lapidados na montra do futebol europeu, do outro lado a equipa mais avassaladora da história do futebol Mundial com uma média superior a 3 golos por jogo no seu campeonato, encabeçada pelo futuro melhor jogador de todos os tempos Cristiano Ronaldo.

         Defrontar o actual Real Madrid é um justo prélio para qualquer equipa nesta fase da prova. Sê melhor jogando com os melhores, são os jogos com o Real que fazem levar à expoente máxima os índices de confiança de qualquer equipa.

         Por isso mais que o desfecho final o Apoel já se pode considerar vencedor. Atingir os quartos pela primeira vez contra as 29 presenças do Real são números que explicam a diferença histórica entre os dois conjuntos.

         Na verdade a história e a estatística não ganham jogos e o Apoel já provou que consegue através da sua coletivização alcançar todos os sonhos.

         Empatar ou ganhar em Nicósia seria o coroar definitivo duma epopeia justa e digna. Mesmo que na segunda mão seja quase impossível um milagre, pelo menos surpreender o Real jogando perante o seu público está longe de ser um milagre…

         Para o bem e para o mal os jogadores deixaram a pele em campo e honrarão o símbolo que vestem até à morte.

         Força Apoel…



publicado por João Perfeito às 02:46
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Terça-feira, 13 de Março de 2012
Porque a vida também é feita a correr...

Apoel- Um milagre que a PlayStation (ficção) quis dar à realidade

 

Não caro leitor, não vou falar dos 5 golos do Messi como obra de jogo de PlayStation. Na verdade os 5 golos do astro Argentino perante um destroçado Bayer Leverkusen numa eliminatória já decidida apesar de serem surpreendentes estão longe de ser utópicos.

Neste espaço já manifestei a minha satisfação pela consolidação do projecto do Apoel, contudo face à continuação do seu desenvolvimento, não me canso de continuar a elogiar a equipa cipriota. Fá-lo-ei até que esta incessante odisseia chegue ao seu fim, até a realidade tirar a ficção deste conto de fadas.

Depois de surpreender o universo futebolístico do Velho Continente ao suplantar 3 dos últimos 4 vencedores da Liga Europa o Apoel conseguiu apurar-se para o lote mágico de 8 melhores equipas do futebol Mundial. Deixando pelo caminho o heptacampeão francês Lyon, equipa onde pontificam internacionais das potências com maior gabarito no panorama futebolístico mundial.

No fundo, este Apoel, não é mais que o melhor exemplo de futebol colectivo da actualidade.

Assente numa estrutura de transição e com uma das melhores defesas do Mundo protegida por um sempre-inspirado Chiotis, o Apoel é uma equipa equilibrada, solidária e muito inteligente.

A criatividade, liberdade e fluência de jogo intersectam-se com o calculismo, penetração vertical no espaço vazio e multiplicidade de espaços.

O conjunto cipriota está órfão de estrelas e esta premissa é a grande chave do seu jogo.

Na eliminatória contra o Lyon foi a disponibilidade física inigualável dos seus jogadores que permitiu ao conjunto cipriota ser fortíssimo nas transições.

Ofensivamente, com uma enorme disponibilidade de passe e desmarcação abortando todas as perspectivas de verticalidade individual e fintas; defensivamente com uma recuperação rapidíssima, um encurtamento de espaços criteriosa e uma pressão cautelosa sobre a zona da bola. O adversário tinha apenas espaço para construir o seu jogo, mas na hora de desequilibrar caía no labirinto cipriota, direccionando o seu jogo para tentativas fortuitas de jogo aéreo.

Na baliza Chiotis resolveu todos os problemas derivados das poucas falhas da defesa, demonstrando e transmitindo confiança para a equipa.

Paulo Jorge, mais uma vez demonstrou ser dos melhores centrais da actual Champions, com uma exibição irrepreensível. No meio-campo luso, Hélder Sousa  e Nuno Morais transmitiram tranquilidade suficiente para a equipa respirar no momento defensivo e sair com critério no momento ofensivo.

Na ala, Manduca revelou-se um excelente jogador na equação desequilíbrio atacante/enraizamento colectivo.

Por fim, destaque ainda para o virtuoso Marcinho, que deu imaginação à fluência de jogo da equipa e à incisão, remate fácil e posicionamento exímio de Airton Almeida.

Uma equipa construída rigorosamente num dos sistemas mais enraizados do futebol actual, alicerçada pelos maiores carregadores de piano do futebol europeu que viram a sua qualidade submersa no futebol português e por uma criatividade brasileira também ela com escassez de oportunidades de triunfo.

Este é o triunfo dos revoltados… O triunfo de jogadores desrespeitados e desaproveitados pelo paradigma do futebol contemporâneo: técnica e individualização de acções.

Esta qualificação não é mais que a constatação que o futebol tem ainda muito por evoluir e que estamos longe duma estabilização final conceptual do seu paradigma.

O colectivo, a solidariedade, o enraizamento de jogadas em laboratório cada vez mais vem contrariar a imprevisibilidade da liberdade individual dos jogadores.

Talvez por isso, não seja só na PlayStation em modo de Campeão que um Apoel consegue figurar entre os 8 melhores clubes da Europa.

A realidade é esta e o que ontem estava gravado nas memóricas card da PlaySation hoje preenche os mais emblemáticos estádios do futebol europeu.

Apoel, uma equipa, um sonho, uma realidade, um milagre, ou talvez  não, que a ficção quis dar à realidade, que a final os nossos sonhos utópicos as nossas convicções, os nossos desejos tem todos uma componente realística muito importante que só precisa de ser consolidada, trabalhada e desenvolvida.

Obrigado Apoel, acompanharei cada passo desta incessante odisseia até ao Game Over final.

Apoel o triunfo da entropia da ficção e da realidade, não sabemos onde começa uma e acaba outra, mas para o bem e para o mal guardarei na minha memória card todo este caminho glorioso independente do desfecho final.



publicado por João Perfeito às 19:35
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Sábado, 3 de Março de 2012
Porque a vida também é feita a correr...

A lógica Invertida

 

 

O Futebol Clube do Porto venceu o Sport Lisboa e Benfica por 3-2 e ascendeu ao topo da Liga Portuguesa de Futebol. Três jornadas depois as águias perderam oito pontos e permitiram ao seu grande rival FC Porto uma recuperação que muitos julgam impossível em tão pouco espaço de tempo. Foi pois, um clássico de lógica invertida.

Um bom espectáculo de futebol com duas equipas táctica e sobretudo tecnicamente evoluídas a demonstrarem que o futebol português está vivo e recomenda-se… Os jogos fechados, os clássicos com poucos golos ficaram arquivados nos registos históricos, o presente trouxe-nos um jogo fluído, bem jogado, bem disputado e com duas das equipas que melhor trocam a bola no futebol europeu. Foi por isso um jogo emocionante, um jogo incrível! Que começou a construir a sua beleza com o talento de Hulk. O mago azul e branco voltou a ser incrível e com uma bomba de pé esquerdo colocou a bola no fundo da baliza de Artur.

Óscar “Tacuara” Cardozo não quis ficar atrás e voltou a molhar a sopa frente aos azuis brancos através dum potente remate de pé esquerdo sem hipóteses para o desamparado Hélton.

No início da segunda parte Cardozo bisou e provocou a cambalhota no marcador. Jogo aberto, 2 golos de pé esquerdo, uma reviravolta, este era o jogo da supremacia da inversão da lógica. Um jogo onde os heróis se inverteram, as surpresas incendiaram o clássico a cada instante e os mal-amados fizeram a festa.

Vítor Pereira tão injustamente criticado pela comunicação social e pelo exigente tribunal das Antas foi o grande vencedor da noite, ao mudar o jogo com a mestria que muitos julgavam ser submersa. Tirando um Rolando, claramente fora de forma, dando a Maicón o seu habitat natural e puxando Djalma para o lado direito da defesa, permitiu uma maior consistência defensiva e uma maior saída para o ataque. O endiabrado James voltou a provar ser uma das maiores promessas do futebol Mundial e através da sua magia pintou o resultado de azul e branco quando o quadrado parecia encharcado de vermelho. Mais uma vez a surpresa, o novo figurino de Vitór Pereira deu uma lógica à vitória Portista, mesmo que duma forma pouco esperada.

Aclamado por milhões de Benfiquistas, protegido como poucos pela comunicação social e com o seu passe claramente inflacionado Artur voltou a demonstrar que está longe de ser um guarda-redes de top Mundial.

Com 3 golos encaixados, tendo no 1º e sobretudo no terceiro amplas responsabilidades o antigo guarda-redes bracarense voltou a aproximar a sua média de golos sofridos para perto de um por jogo. Sofrendo 19 tentos em 21 jogos. Por tanto findas as primeiras 21 jornadas do presente campeonato Artur soma mais 2 golos sofridos que o odiado e repudiado Roberto Gimenéz.

Com uma das melhores duplas do futebol Mundial da actualidade, com um dos melhores 5 laterais direitos do Mundo do pretérito ano e com um dos médios que melhorar completam a sua qualidade ofensiva/defensiva do futebol Mundial o endeusado guarda-redes brasileiro consegue contra todas as expectativas ter a sua folha mais pesada que o seu tão criticado antecessor.

Perante uma equipa que tem mais posse de bola que a pretérita época e permite menos contra-ataques aos adversários e oportunidades é ilógico que o conjunto encarnado sofra mais golos relativamente à pretérita época.

Por seu turno, Roberto Gimenéz continua a espalhar na mais valorizada Liga do Mundo toda a sua qualidade, lutando praticamente só para que o Saragoça ainda alente a esperança de figurar na próxima época no mágico grupo das 20 melhores equipas espanholas.

Mas o futebol é feito de feelings, de opiniões formatadas e de interesses com um rigor muito pouco plausível.

Maicón, um dos melhores centrais do Mundo no jogo aéreo fez o último tento da noite, em fora-de-jogo, num lance de bola parada.

Um golo que deu lógica ao resultado face à expulsão invulgar de Emérson.

Escreveu-se direito por linhas tortas, construi-se um dos mais belos espectáculos do futebol europeu com o perfume de toda a imprevisibilidade que nutre o desporto rei, dando a lógica (Porto dominante) de forma invertida (heróis trocados, golos estranhos e cambalhotas no marcador).

Se só assim o futebol português pode ser belo então que se inverta a lógica, porque jogos como este com ou sem sentido queremos invariavelmente que se repitam…



publicado por João Perfeito às 00:49
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Quinta-feira, 23 de Fevereiro de 2012
Porque a vida também é feita a correr...

Futebol Actual- Um espaço sem potências a longo prazo (salvo raras excepções)

 

         A presente primeira mão dos oitavos-de-final da Liga milionária trouxe amplas surpresas ao universo futebolístico do Velho Continente.

         Dos vencedores dos grupos só o todo poderoso Barcelona conseguiu vencer em campo alheio. E das restantes equipas forasteiras, só o Real Madrid conseguiu trazer na bagagem um resultado que lhe permite estar na frente no início da segunda mão.

         Num tempo de crise económica cada vez mais se podia pensar, que face ao abrandamento do investimento as potências podiam alargar mais a superioridade face aos outros, perdendo com isso o futebol a imprevisibilidade, emotividade e competitividade que permite mover paixões pelo Mundo inteiro.

         Contudo, a tendência tem sido claramente contrariada. Surpresa, para aqueles que só vem dinheiro, investimento e sucesso rápidos, os “capitalistas modernos adaptados ao futebol”. Constatação e contentamento para todos aqueles que tentam observar no futebol o retrato humano e a maneira como patenteia que todos podemos ser melhores, bastando ter vontade e competência para tal.

         Mais do que escrever posts sobre Barcelona e Real Madrid, penso que é tempo de falar de outras pérolas que vão perfumando a Europa do futebol. Falo de dois países sem passado no futebol, mas com um presente bem trabalhado. Suiça e Chipre, Basileia e Apoel… Duas equipas extraordinariamente orientadas, disciplinadas tacticamente e com uma finalização fácil. Ambas, mais o Basileia tem sérias hipóteses de fazer História e entrar para o mágico grupo dos 8 finalistas da Liga Milionária.

         Zenit ou Benfica, Marselha, Nápoles em princípio vão passar no exame final e englobar este lote restrito. Se olharmos para estas 6, que serão 5 equipas vemos que nenhuma dela é do Campeonato espanhol, inglês ou alemão. O Nápoles, mesmo sendo Italiano é uma nova vaga do futebol transalpino, não é uma potência como Milan, Inter ou Juventus…

         O futebol mais espectacular do Mundo, o inglês tem tudo para ver a sua prestação na liga milionária reduzida a 0 e no Espanhol apenas sobrevivem os incontornáveis Real e Barça.

         Na Alemanha, o Bayer tem amplas dificuldades no campeonato Nacional e na Champions parece mais longe da corrida.

         Uma problemática interessante, que deve ser debatida no actual contexto futebolístico. Afinal a aceleração que patenteia o sistema de hoje em dia tem tanto de bom, como de curto. Bom de construir potências vindas do nada, mas com a velocidade que aparecem, desaparecem e novas ascensões sobem ao primeiro pelotão europeu sem que nada estivesse preparado para tal.

         Os tempos são de mudança e nada é certo, com velocidade se ganha, com velocidade se perde… Tentemos ficar a meio do caminho e talvez possamos fugir  “ao capitalismo do futebol actual”.



publicado por João Perfeito às 16:43
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Quarta-feira, 8 de Fevereiro de 2012
Porque a vida também é feita a correr...

APOEL- O expoente máximo actual da colectivização do futebol (século XXI)

 

APOEL, equipa sediada em Nicósia, Chipre venceu o grupo G da Liga dos Campeões. No presente grupo figuravam 3 dos últimos 4 vencedores da Liga Europa: Zenit, Schaktar e FC Porto.

Na antecâmara de mais uma edição da liga milionária o conjunto cipriota ao saber que encaixava perante 3 das melhores equipas da segunda linha europeia assumia amplos receios da sua prestação. A humildade e o reconhecimento das suas limitações perspectivavam que o conjunto cipriota assumisse apenas como objectivo principal deixar a marca da evolução do futebol no seu país, visto que superar algum destes gigantes parecia uma utopia. Assim o 4º lugar parecia uma inevitabilidade.

6 jornadas depois, os cipriotas venceram o grupo atirando para a Liga Europa o todo-poderoso Futebol Clube do Porto e deixando os 12º do Ranking europeu, Schaktar Donest a verem as competições europeias pela televisão.

6 jornadas depois mantendo o discurso cauteloso, o reconhecimento das limitações e uma ambição prudente o APOEL continua sem pressão a perfumar a Champions com o seu futebol…

No fundo, o APOEL não é mais que o triunfo da colectivização do futebol actual.

Assente numa forte estrutura directiva e organizacional o APOEL é a principal marca do crescimento do futebol cipriota. Numa espécie de aprendizagem com a sua vizinha Grécia, pode-se dizer que o jogador cipriota tem crescimento de forma vertiginosa nos últimos anos. A cultura táctica que têm, a solidariedade com os companheiros e as rápidas transições atacantes para o espaço vazio são apanágios desta evolução. Ainda sem a técnica e agilidade dos vizinhos soviéticos o jogador cipriota olha sempre mais para o lado do que para si próprio, a progressão com bola é nula, a progressão sem bola é fora-de-série.

Depois aproveita os restos… O resto de jogadores que não figuram no campeonato nacional: Hélio Pinto, Nuno Morais e Paulo Jorge. O resto de brasileiros desconhecidos…

A qualidade individual de cada jogador está longe de ser estratosférica. A capacidade que cada elemento tem para progredir com a bola, rematar e fazer um passe fantástico é muito pouca…

Contudo a eficácia da equipa não prima no mesmo diapasão. Assente numa excelente estrutura defensiva médio-pressionate, o APOEL consegue asfixiar a zona da bola, impedindo passes diagonais para o meio, verticalidades laterais perigosas e uma largura fluente perto da sua área. Obriga o adversário a alargar o seu jogo, mas sempre metendo a bola para trás e recuando, jogando num ritmo baixo. Apesar da pressão não ser individualmente asfixiante, até porque isso provocaria imensos espaços nas suas costas condiciona sempre o jogo do adversário. A elevada capacidade física e o sentido posicional são outras premissas que permitem com que a regularidade seja também um apanágio da prestação defensiva da equipa, não permitindo desequilibrar-se ao longo dos 90 minutos.

Ofensivamente, fruto do seu desenho táctico defensivo é uma equipa talhada para transições rápidas. Não defendendo num bloco amplamente horizontal, consegue facilmente no momento pós recuperação ter simultaneamente linhas de passe curtas e linhas de passe médios para as alas. Isto permite à equipa raramente perder a bola após o ganho e rapidamente soltar a bola em espaços vazios nas alas. Este movimento táctico não acaba aqui à espera da explosão dos alas. Os alas tem sempre tendência para ou flectirem ligeiramente para o meio, ou fazerem o movimento vertical longe da linha lateral, permitindo a um colega comer esse espaço e fazer dois para um na lateral. No fundo apesar de existir pouca progressão individual, a bola está sempre a rolar, a dois/três toques, o espaço lateral e central está sempre a ser privilegiado de forma alternada, conseguindo numa primeira fase incisão/rapidez/cultura de desmarcação e numa segunda largura/jogo interior/superioridade numérica. Fundamentalmente aquilo que distingue o APOEL dos seus adversários é a sua inteligência. A forma como defensivamente se organiza, interpretando o espaço/bola numa equação resolvida com a maior rapidez. A forma como se desmonta para o ataque, interpretando o espaço vazio e a pouca qualidade de transicção do adversário (que se vê obrigado a atacar com muitos homens). A capacidade que tem para soltar a bola no momento exacto, fazendo com que ao adversário falhe sempre o timing de pressão.

A incapacidade individual permite à equipa ter um leque de soluções de passe mais variado, em função da desmarcação e não da qualidade individual. Permite à equipa nunca se agarrar à bola e nunca deixar que um jogador fique desacompanhado.

Seja a defender ou atacar esta equipa pensa primeiro que o adversário. Adivinhando os seus movimentos ofensivos e fazendo um quadrado defensivo que tira duas/três linhas de passe, percebendo o espaço vazio para colocar a bola e posteriormente movimentar-se para ter “uma profundidade colectiva”.

Jogando nas costas do adversário, obrigando-o a perder bolas…

Este APOEL é um dos triunfos do futebol século XXI. Enquanto jogo colectivo, em que o todo é mais que a soma das partes, enquanto reconhecimento das limitações individuais e através disso produzir uma colectânea de jogadas sincronizadas fantásticas, enquanto jogo rápido e solto, fazendo a bola correr em vez dos jogadores, enquanto movimento de aproximação ao portador da bola.

Concluindo a inteligência, perspicácia, táctica, enquadramento das estratégias do adversário, sincronização, movimento sem bola, rapidez de recepção e execução são características do futebol moderno repercutidas da evolução do futebol enquanto jogo. Da forma como a sua complexidade aumenta e obriga as equipas a redimensionarem as suas características e a jogarem como tal produzindo uma identidade colectiva e um pedigree táctico altamente capacitado.

A finta, a técnica, a agilidade, o remate explosivo antes de serem entendidos como momentos individuais precisam de ser encaixados nestes novos conceitos emergentes do futebol actual…

Por isso mais que a organização, a chave do sucesso da APOEL é o seu respeito pela concepção actual de jogo de futebol.

 Fazendo da inteligência, seriedade e compromisso identitário os seus principais ingredientes para toda esta fascinante Odisseia. Mais que respeitar o adversário, o APOEL respeita-se primeiro a si próprio percebendo o que é capaz de fazer ou não no jogo, deixando no jogo a sua identidade e não sabendo jogar doutra forma. Por enquanto continua a dar resultado. Será que esta consistência colectiva tem telhados de vidro…? Não estará a dar o futebol cipriota um passo maior que a perna? Os próximos dois capítulos certamente nos ajudaram a ter uma ideia mais exacta e conclusiva.



publicado por João Perfeito às 22:51
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Segunda-feira, 6 de Fevereiro de 2012
Porque a vida também é feita a correr...

O fracasso do futebol de elite (na era do investimento)

 

         André Villas-Boas e Domingos Paciência, finalistas da última edição da Liga Europa, terminaram a época passada afirmando-se como certezas, enquanto treinadores de top, não só a nível nacional mas também a nível internacional.

         A mudança de paradigma de treinador nacional, cimentada por José Mourinho veio dar novas oportunidades aos treinadores portugueses. Contudo a velocidade dessa mudança foi rápida demais, não respeitando todos os processos de transição que uma mutação como esta acarreta.

         De feitos heróicos, treinadores endeusados e promessas rotuladas de sucesso vemos a presente época como um enorme fracasso, que mesmo para todos aqueles que desconfiavam do valor dos referidos técnicos (o que não é o meu caso), mal podiam prever um cenário tão pessimista.

         Apesar da mentalidade renovada que deram ao futebol Nacional, da eficácia que as suas ideias produziram nas equipas que orientaram nem tudo foram rosas. O principal problema da sua juventude não é capacidades técnicas ou tácticas mas simplesmente de gestão de carreira.

         Comecemos por André Villas-Boas… O ex-adjunto de Mourinho, por muito que o tente negar, por muito que tente fugir, apenas constrói a sua carreira devido ao seu mestre. Por muito que o discípulo se tente emancipar do mestre parece que o caminho os entrecruza dando ao discípulo uma posição invariavelmente ingrata. Se ir para o Futebol Clube do Porto é uma decisão normal de cada treinador português; aceitar o convite do Chelsea não é mais do que não querer modificar o seu próprio destino determinado. Os novos olheiros do futebol internacional olham em Villas-Boas um novo Mourinho e por isso tanto Chelsea como Inter manifestaram interesse na sua contratação, visto que esperam que ele alcance o mesmo que o melhor Treinador do Mundo.

         Apesar de toda a epopeia transacta do Futebol Clube do Porto a época passada foi escassa em duros testes para a equipa invicta. Fora do panorama Nacional o Sevilla e o Villareal foram as melhores equipas que o Futebol Clube do Porto defrontou e em ambas os dragões não conseguiram fugir sem perder, tendo mesmo no jogo com o Sevilha suspirado pelo apito final. Não está em causa o sucesso do Porto, mas simplesmente a equipa não foi testada perante tubarões do futebol europeu e a capacidade do seu Treinador jamais pode ser endeusada por eliminar Sevilha (que até o Braga eliminou de forma mais veemente) e Villareal (que este ano está a fazer uma época miserável).

         O que sobra em talento e capacidade falta em planeamento e gestão em Villas-Boas. A missão Chelsea destinava-se como um fracasso autêntico, só não via quem não queria ver. Com uma equipa ainda à margem de Mourinho, Villas-Boas quis dar uma lufada de ar fresco, introduzindo as suas ideias e dando um cunho pessoal à equipa. Mata, Sturridge, Oriol Romeu e Raúl Meireles são exemplos dessa mutação. Contudo, Malouda, Kalou, Drogba, Torres, Anelka, Lampard, Ashley Cole, Essien continuaram todos nos blues. Não é fácil prever a colisão de dois pólos amplamente antagónicos no seio duma mesma equipa.

          Por muito dinheiro que Abromovich esteja disposto a gastar em nada vai melhorar o rendimento da equipa londrina, enquanto não matar todos os fantasmas de Mourinho. Os problemas de balneário e a dificuldade em seguir um modelo de jogo são as consequências óbvias. A grande pergunta que faço é: E então agora André? Queres fugir mas não te podes esconder… Quer fugir de Mourinho, mas o fracasso do Chelsea vai-lhe perseguir a carreira e no vs estipulado pela comunicação social sai irremediavelmente a perder…

Villas-Boas preferiu o caminho mais fácil, o caminho dos milhões, da elite, em vez de abraçar um projecto que estava a ser construído por si que tinha muito mais probabilidades de ter sucesso internacional que o Chelsea.

          Domingos Paciência ainda era uma incógnita, uma vez que nas duas épocas ao serviço da equipa bracarense nunca conseguiu na plenitude concretizar os seus objectivos. Uma vez que na primeira época ficou arrecadado da Europa em Julho, podendo descansar os seus jogadores durante todo o ano, lutando assim pelo título com o Benfica. Já na segunda época os papéis inverteram-se. Uma carreira europeia fantástica, mas um campeonato absolutamente medíocre (rapidamente esquecido pela comunicação social).

         Contudo, Domingos era a peça chave de António Salvador. O treinador ideal para a equipa ideal. A construção duma identidade de jogadores simultaneamente virtuosos e carregadores de piano permitiu ao Braga redimensionar as suas expectativas e crescer tanto como equipa como Clube.

Com um balneário unido, uma cidade agora em prol do clube e uma onda bracarense cada vez mais em ascensão Domingos tinha tudo para continuar a semear o upgrade desta equipa, mas mais uma vez preferiu o caminho mais fácil.

         Preferiu ir ganhar mais dinheiro… Acreditar numa equipa que investiu 25 milhões, mas mais uma vez quis dar um passo maior que a perna. Não porque como no caso de Villas-Boas, esteja a copiar a carreira de alguém, mas sim porque o Sporting é um clube em falência não técnica mas desportiva. Comemora em 2014, o 60º aniversário da conquista do último bicampeonato. Com uma estrutura arcaica a grande base de apoio da equipa leonina é a elite. Se até aos anos 50 anos, fruto da pouca importância do futebol no contexto social de Portugal permitiu ao Sporting dominar o futebol português, a massificação e proliferação do interesse permitiu ao grande rival da segunda circular, Benfica difundir a sua massa. O Sporting não foi renovando ideias, não se foi adaptando ao contexto social do futebol e foi perdendo adeptos e sócios, tendo no momento presente apenas cerca de 40% dos sócios do seu eterno rival. Com uma péssima estrutura directiva e sem uma ideia de mutação o Clube está destinado ao fracasso. Se o Homem precisa de causas para se mover, falta definir a causa sportinguista que permita ao clube reentrar no panorama Nacional. Uma causa política, não desportiva. O discurso é pomposo na forma e vazio de conteudo, o que destina um fracasso previsível.

Domingos não conseguiu entender os problemas estruturais do Sporting e perceber que é impossível fazer algo duma equipa que não tem bases para crescer… Não soube gerir os maus, mas sobretudo bons momentos e vê-se ultrapassado pelo seu Braga com condições económicas e de massa associativa claramente inferior. Domingos não soube homogeneizar um plantel para um objectivo comum, começando a época com uma clara divisão ente o passado e o presente da equipa. Atribuindo a titularidade a jogadores como Postiga e Djálo que depois saíram do clube e perdendo nas primeiras três jornadas estupidamente 7 pontos, quando todas as experimentações deveriam ter acabado na pré-época. Aqui como Villas-boas, não soube enquadrar-se no plantel que tinha e se hoje se queixa da heterogeneidade de nacionalidades e nas condições que os jogadores vivem (com a namorada, sem sustento familiar), ele é o grande culpado, ao ser ele o selector dessas escolhas.

         No tempo de aceleração de movimento de capitais, do imediatismo, do sucesso fácil e rápido a estrutura mais uma vez vem nos mostrar que está primeiro e sempre estará com investimento, sheikes ou o que quiserem falar.

         Porque afinal o futebol é do povo e não das elites…



publicado por João Perfeito às 00:00
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