Quinta-feira, 5 de Janeiro de 2012
Buzzer Beater

Estado de condensação

 

Uma das coisas que torna esta época da NBA tão sui generis é a forma como está estruturada. Devido ao lockout prolongado, houve necessidade de encurtar a quantidade de jogos para se gerir um calendário mais apertado. Em vez de 82 partidas para cada equipa como é normal, vão ser jogadas 66 (um pouco melhor que na última época vinda de lockout, em 1998/1999, onde cada equipa apenas realizou 50 jogos). Mas que implicações traz este novo calendário para a NBA?

Para começar, o facto de haver menos jogos não significa que eles estejam distribuídos da mesma maneira. Enquanto que numa época normal os grandes desafios de resistência para os jogadores são os chamados back-to-back, onde se jogam dois jogos em dois dias, este ano a fasquia sobre: surgem os back-to-back-to-back, três jogos em três dias. Esta realidade, embora não se aplique a todas as equipas, causa as suas mazelas nos atletas. Espera-se que, lá para Fevereiro, o número de lesões aumente em relação ao ano anterior. Até agora só os Lakers passaram por este sistema, tendo curiosamente perdido os dois primeiros jogos e vencendo o último. Mas este aspecto está a ser até reflectido nos sites de apostas desportivas, com factores maiores para equipas no 3º jogo consecutivo.

Ainda relacionado com as lesões, a previsão é que as equipas com jogadores mais jovens irão safar-se muito melhor com os menores tempos de repouso. Equipas como Dallas, San Antonio, Boston ou Lakers estão em maior risco de sofrer derrotas e baixas a um ritmo mais elevado que o costume. Até ao momento ainda não é possível correlacionar directamente as duas variáveis, por apenas se estar a jogar nem há duas semanas, mas a longo prazo é muito provável que aconteça. Até Gregg Popovich, treinador de San Antonio, tem repousado Tim Duncan (ao ponto de não jogar sequer 30 minutos por jogo) para o poupar para momentos mais importantes. Esta estratégia foi usada na época passada, porém Duncan esteve bastante apagado nos playoffs.

Uma outra consequência virá no final da época: as conquistas desportivas serão mais facilmente criticáveis. Phil Jackson, mítico treinador dos Bulls de Michael Jordan e dos Lakers de Shaq e Kobe, agora reformado, desvalorizou o título conquistado pela equipa de San Antonio na época 1998/1999 por se tratar de um calendário muito mais permissivo, bem como de playoffs desregulados para os padrões normais (os New York Knicks de Patrick Ewing foram os 8º classificados na conferência de Este e derrotaram o 1º classificado, a equipa de Miami, na altura liderada por Alounzo Mourning). Pelo que me parece dos resultados e dos jogos que já vi, este tipo de disparidades não será muito significativo nos 3 ou 4 primeiros lugares de cada conferência, mas poderão haver algumas equipas "fora do lugar" nas posições inferiores.

Uma última dura realidade desta época: cada vitória vale mais, em termos relativos, mas cada derrota é mais difícil de recuperar. Uma motivação interessante que espero que vá ser usada de treinadores para jogadores...

fonte: espnLA.com
fonte: espnLA.com


publicado por Óscar Morgado às 02:00
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Terça-feira, 7 de Junho de 2011
Buzzer - Beater

 

Diesel? Big Cactus? Big Aristotle?

 

        

 

         Antes que se ponham a perguntar se estou a pensar incendiar um cacto no túmulo de Aristóteles, esclareço-vos que estou a falar do poste mais dominante dos anos 90 e (cerca de) meio de 2000. E digo dominante porque o era, não sendo talvez o melhor em todo esse período: Hakeem Olajuwon ganhou um MVP antes dele e dois títulos da NBA, e Patrick Ewing, David Robinson e Alonzo Mourning eram todos fantásticos postes (uma década que foi certamente muito mais agraciada nessa posição do que é hoje). No que toca a domínio em campo, Shaquille O’neal foi o porta-estandarte da NBA e desse tipo de jogo, espectacular e eficiente, durante muitos anos. E na semana passada decidiu reformar-se.

         Faço esta semana uma crónica curta não porque me tenha apercebido que era tarde e me estava a esquecer da coluna desta semana (jamais…!), mas porque já muitas homenagens foram feitas ao longo dos últimos dias. Um homem com 2,16m e 147 kg que ganhou um MVP em 2000 e foi MVP das Finais em 3 dos 4 campeonatos que ganhou não deve passar despercebido.

         Começou em 1992 nos Orlando Magic. Durante quatro anos (sendo gigantesco mas pesando muito menos do que o descrito acima), foi a grande âncora da equipa, tanto na defesa como no ataque (nomeadamente, a partir muitas tabelas, literalmente), e levou-a a uma Final da NBA, onde perderam com os Houston Rockets. Mas a sua era dourada foi em Los Angeles, com os Lakers. Naquele que discutivelmente poderá ser considerado o melhor duo da história da NBA (pois, havia aqueles dois senhores em Chicago…), O’neal e Kobe Bryant, arrebataram toda a liga com 3 títulos consecutivos no início da década passada, sob a tutelagem do mítico Phil Jackson, que tinha ganho 6 títulos com os Chicago Bulls.

         Eventualmente, os egos de Shaq e Kobe não conseguiram coexistir após os três títulos (e algumas derrotas), e foi O’neal quem saiu dos Lakers. Seguiram-se passagens por Miami (onde ganhou um título em 2006), Phoenix (chegou a ser co-MVP no jogo All-Star com Kobe Bryant), Cleveland, e, ultimamente, Boston, onde finalmente se reformou.

         Que mais se poderá dizer sobre Shaq? Uma das figuras públicas da NBA mais únicas de sempre, que jogava a um nível altíssimo e entretinha todo o mundo com a sua boa disposição. Homem das mil e uma alcunhas (algumas já referidas). Dos mil e um números da camisola (32, 33, 34 e 36). E já agora, das mil e uma equipas (sem querer faltar ao respeito). Um dos melhores de sempre. Ponto.



publicado por Óscar Morgado às 21:51
editado por Sarah Saint-Maxent em 08/06/2011 às 14:47
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