Sexta-feira, 20 de Abril de 2012
3x4x3: Aceitam-se Apostas!

 

 

Esta é confesso a minha fase predilecta da época futebolística. A patir dos quartos de final da Liga dos Campeões (e também na Liga Europa) cresce o interesse, sobretudo porque por ai moram as melhores equipas da Europa (e brasileiros que me desculpem.. do mundo).

 

1.Grande ronda a desta semana, com várias notas de destaque. Comecemos por Munique. Palco da final, o magnífico Allianz Arena recebeu um dos mais esperados confrontos da temporada. Levou a melhor o Bayern de Jupp Heynckes, equipa de repelões ofensivos, guiados pelo talento e repentismo de Frank Ribery e Arjen Robben.

Do duelo Mourinho/Henynkes, destaque para a incapacidade do Real em controlar a partida. Não falo de domínio em posse, mas sim da capacidade para fechar os caminhos para a baliza e esperar transições de qualidade. Na Baviera, frente a uma equipa que se desequilibra com facilidade como é o Bayern, José Mourinho tentou explorar com naturalidade os diferentes momentos do jogo, ora pressionando mais alto, ora baixando o bloco e permitindo que o Bayern joga-se como menos lhe convêm, em ataque organizado. O grande problema é que a defesa do Real cedo se percebeu que não estava a dar resposta. Inteligentemente, Mario Gómez apareceu muitas vezes mais recuado, na busca da bola e jogando de costas, aproveitando vezes sem conta os erros de S.Ramos, sempre precipitado nas saídas em antecipação. Valeu a grande exibição de Pepe para equilibrar um eixo desequilibrado pelo irreverente espanhol.

Do lado oposto, Ribery e Robben souberam aproveitar os espaços, com apoio de Kroos (no lugar de Muller de inicio) e do par de médios Sweinsteiger/L.Gustavo. No segundo tempo, face a um cada vez mais inseguro Real, Muller acabaria por ser pedra de toque na caminhada para um logo anunciado. A resposta de Mourinho, com Marcelo a fechar a esquerda e Di Maria ao centro como transportador de bola, não seriam suficientes para aproveitar os espaços concedidos por um Bayern balanceado para a frente.

Em Madrid a segunda parte da eliminatória. Continuo a apostar no Real para a final, com o génio de Ronaldo, mas a verdade é que o Bayern irá vender cara a eliminatória e a histórica presença na final. Para já, parte em vantagem com o 2-1.

 

2. A face imutável de Di Matteo no banco de um pouco sereno Chelsea, contrasta com o fervilhar catalã no banco de Guardiola. Em Londres, naquele que é já um clássico dos últimos anos de Champions, o Chelsea versão "bloco de gelo" garantiu vantagem ao fim de 90 minutos. Poucos são os que no entanto apostam nos blues.

Apesar das oportunidades, percebeu-se que Di Matteo tinha claramente a lição táctica bem estudada. Fechando o espaço interior com Obi Mikel próximo de Cahill e Terry, ladeado por Lampard e Meireles, dois box-to-box agressivos tacticamente. Xavi, Cesc e Messi esbarraram consecutivamente na falta de espaços no meio, sendo os raides de Alexis e o talento de Iniesta pela esquerda as principais armas de um Barcelona manietado.

Pois bem é verdade que isto nem sempre resulta. Mas os jogos começam sempre 0-0, e por isso mesmo, jogando desta forma é possível de facto vencer as triangulações interiores culé. Pensando bem no entanto, se a bola de Alexis na trave entrasse tudo seria diferente e este meu comentário forçosamente também... no fim conta o resultado.

Do lado do Chelsea ainda, começam a faltar os adjectivos para Ramires. Com Di Matteo, parte de uma posição mais caída na faixa, sempre com uma noção de box-to-box, com um motor infindável de quem parece puder jogar durante 4 horas ao mesmo ritmo. Exibição incrível. Encontrou o seu espaço, numa equipa que joga de forma que lhe agrada. Por ultimo, o destaque natural para o inevitável Drogba com mais um golo decisivo.

Se há pouco disse que no fim conta o resultado, digo-vos ainda que pouco me importa que o Chelsea seja campeão europeu. Mantenho a minha opinião romantica sobre o desporto... não trocava um bilhete para Camp Nou por um para Standford Bridge.

 

By Tiago Luís Santos


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publicado por Minuto Zero às 22:32
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Sexta-feira, 13 de Abril de 2012
3x4x3: Como pode o Real crescer?

Apesar da temporada para já dentro do desejado pela direcção (pesa apenas a eliminação na Taça do Rei), parece-me de todo oportuno pensar em que sentido pode o Real de Mourinho crescer a curto/médio prazo.

 

O encurtar da distancia de 10 pontos face ao eterno rival Barcelona, será seguramente o primeiro ponto por onde pegar para perceber um pouco melhor as possibilidades de evolução do projecto madridista. Deu para entender claramente, que a quebra se deveu a factores psicológicos, fica mais uma vez latente que este grupo de jogadores não está ainda rotinado para lidar com a pressão de ser primeiro. Vale a inspiração de Ronaldo sobretudo, para que a enorme distancia que deixava o Barça longe do título não desaparece-se de vez.

 

Em termos de futebol jogado, o erro na maior parte das partidas em que perdeu pontos, parece partir sobretudo da incapacidade de controlar as partidas, exercendo desde início um pressing constante, agressividade defensiva, que impeça o adversário de construir jogadas apoiadas. O melhor Real, pelo que já se percebeu mesmo frente ao Barcelona é aquele que entende a defesa como os segundo subsequentes à perca de bola, com pressing desde Benzema ao sector defensivo. É na agressividade de Benzema, Ronaldo, Ozil ou Di Maria, que se faz a primeira plataforma de pressão e recuperação de bola, em zonas adiantadas. Depois, essencial o adiantamento de Xabi Alonso e Khedira, como duplo-pivot subido, perto dos 4 jogadores que compõem a primeira zona de pressing. Essencial também o adiantamento momentâneo de S.Ramos e Pepe, centrais tipicamente aguerridos na antecipação, apesar de algumas falhas individuais nesse ponto.

Assim, com um bloco médio-alto, plataforma de pressão sobre defesa e médios recuados adversários, a maior parte das equipas do campeonato espanhol vem o seu jogo sem soluções de saída, perdendo a bola facilmente.

Como é obvio, nem sempre é possível fazer este tipo de jogo, sobretudo devido à imensa exigência, mais do que física, psicológica. Mais difícil do que ganhar e chegar ao top, é manter. Nem sempre os jogadores se sentem motivados para dar o corpo e alma num jogo contra uma equipa que está a 50 pontos na tabela. É aqui que entra Mourinho, é por aqui que se mede a capacidade de um treinador em termos de motivação.

 

Quanto ás pedras fundamentais do jogo do Real, percebe-se cada vez mais a importância de Ozil na organização ofensiva. Nos últimos jogos, descaindo sobre a esquerda em diagonais, tem mostrado de facto que é, depois de Ronaldo, a grande arma ofensiva blanca. Tem criatividade, 1x1, e uma capacidade de leitura de jogo e definição raras, que oferecem a Ronaldo e Benzema situações de desequilíbrio. Com Kaká perde-se a imaginação e rotação, ganha em capacidade de ruptura e chegada à área, perde-se o dinamismo e o descobrir de espaços.

Depois, os movimentos de Ronaldo são sobretudo diagonais interiores, para a zona do ponta-de-lança, partindo da esquerda. Dar-lhe espaço nesta zona, é garantir que o jogo está próximo de ser ganho, como foi exemplo o jogo contra o At. Madrid.

Na frente ainda, Benzema esta mais agressivo, mais forte psicologicamente e em termos de movimento, crescendo como um dos melhores avançados do futebol mundial. Pela direita, Di Maria é garantia de equilíbrio, pela boa capacidade para fechar o flanco a defender. Callejon é boa solução partindo do banco como garantia de golo, e Higuain uma boa solução para aumentar a agressividade ofensiva e defensiva na frente em combinação com Benzema e Ronaldo.

 

No miolo a chave da consistência. Xabi Alonso define os batimentos cardíacos da equipa com bola, com passe curto ora passe largo na frente, sempre com critério. A defender, carece de um jogador rápido por perto, com boa capacidade de desarma e velocidade nas dobras. Esse jogador pode ser Khedira (na sua melhor forma) ou mesmo Lass. Jogar ou não com Alonso é, quanto a mim a questão mais interessante para este Real. Pelo que dá à equipa com bola acho excepcional, sem ela, quando não está num bom momento obriga o companheiro de sector a um esforço extra.

 

Depois, na linha defensiva, o 4x2x3x1 de Mourinho mostra a sua verdadeira assimetria. Coentrão e Marcelo têm ordem para atacar, deixando o espaço defensivo para Khedira (mais rápido que Xabi) fechar. Um risco, sobretudo quando se joga com Ronaldo e Marcelo ao mesmo tempo sobre o mesmo flanco, mas que pode ser compensado com o adiantar da defesa e com o binómio S.Ramos (central pela esquerda)/Khedira.

Já no eixo, a grande questão prende-se com erros individuais de S.Ramos, em muito derivados de alguma falta de rotina e pela enorme vontade de mostrar em cada lance o enorme jogador que é. Um pouco como David Luiz, exagera na impetuosidade, claudica em lances divididos na antecipação, onde com um trabalho se poderia tornar exímio. Tem de controlar a sua abordagem aos lances, percebendo um pouco melhor que o papel do central em termos defensivos deve estar sempre de acordo com o posicionamento colectivo. Pepe parece-me mais sólido, apesar de pecar em lances divididos. Outra questão pertinente é a capacidade (ou melhor a falta de critério) dos dois centrais com bola. Exageram quando querem sair em posse, erram quando com passe longe precipitam a equipa no ataque. No banco mora um central que em tempos dava uma outra inteligência: Ricardo Carvalho, mas os seus dias como titular parecem ter terminado com as sucessivas lesões.

Pela direita a grande questão: Arbeloa cumpre mas não impressiona. Poderá ser por aqui o primeiro posto a reforçar no Verão. Nos grandes jogos que se avizinham, advinham-se entradas intermitentes de Haltintop e Coentrão neste posto.

 

By Tiago Luís Santos

 



publicado por Minuto Zero às 19:48
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Sexta-feira, 20 de Janeiro de 2012
Porque a vida também é feita a correr...

 

Ser português é um handicap? Até quando?

 

Na passada quarta-feira, no sempre palpitante Real Madrid – Barça, Pepe pisou a mão a Messi e parece que caíu o Mundo. Várias são as vozes que se fazem ouvir que pedem a irradiação do futebol a Pepe. Os jornais online em Portugal colocam uma imensidão de links para propagandear as imagens. Os próprios portugueses estão interessados em transformar um dos seus melhores jogadores num assassino, num jogador sem qualidade humana, num bárbaro…

Interessante coincidência Pepe é português… E se em Portugal temos tendência para nos rebaixar então os espanhóis fazem de nós o que querem. Custa muito que o melhor Treinador do Mundo seja português, custo muito que o melhor jogador do Mundo seja Português. Custa muito que o melhor clube da história do Futebol utilize no seu onze mais portugueses que espanhóis… Mas agora também custa que o melhor central do Mundo seja português. Não quero com este artigo dizer que Pepe é um santo e que nunca põe em perigo a integridade física dos seus companheiros… Agora nem de perto nem de longe posso seguir nesta onda de crítica feroz ao internacional português. É conotado como animal, como desumano. Até quando é que isto vai acontecer?

Se nos lembrarmos das constantes simulações de Piqué, Busquets, Pedro, Messi e Villa interrogamo-nos de quem é mais desumano. Em que mundo é que vivemos? Num mundo hipócrita? Em que uma pisadela é agredir um colega. Simular e fingir agressões (não estou a dizer que neste caso concreto Messi simulou) não é nada. Por em causa sistematicamente o desportivismo dos colegas. Teatralizar agressões, sem ser tocado (Daniel Alves). Porquê? Se o Barca joga um futebol com a alma, se o Barça quer ser diferente, e não joga para atingir um fim, mas sim pela beleza do jogo. Porque razão existe este constante jogo paralelo desumano? Depois Mourinho é que é especialista em mind games? Messi quando pode chuta sempre a bola contra colegas de profissão e nunca ninguém divulga essas imagens. Porquê? Enquanto nós portugueses continuarmos a rebaixar-nos a Messi e a não a apoiar Ronaldo, a rebaixar-nos a Guardiola e não a apoiar Mourinho, mas agora também endeusar Piqué e rebaixar Pepe. Seremos cada vez mais pequenos que a nossa limitação geográfica… Se nem a nós próprios somos bons, como é que os outros não farão de nós gato sapato…

A mediocridade continua e com esta mentalidade não são milhões de euros que vão acabar com a crise… Porque a crise de auto-estima sempre tivemos e parece que sempre continuaremos a ter. Até quando esta mediocridade acaba? Pode acabar hoje, mas parece que ninguém está para isso…

 



publicado por João Perfeito às 00:00
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Terça-feira, 3 de Janeiro de 2012
Futmania: Mourinho vs Barcelona

 

 

 Estamos de final de 2011, depois de um ano e meio em Madrid Mourinho comanda a melhor equipa desde que é treinador. É uma miragem ver este Real perder pontos, as goleadas têm-se tornado rotina semanal, e a equipa pratica um excelente futebol. Há no entanto um pequeno senão, para os lados de Barcelona existe um equipa de extraterrestres que atropela qualquer adversário, é daqueles conjuntos que já marcou o seu lugar na história, secundarizando completamente o emblema da capital (tanto em títulos como em confrontos directos).

 O Real Madrid ganha a todos e perde com o Barcelona, não há meio do "special one" inverter a tendência negativa. O último confronto foi um grande exemplo deste "complexo" de Mourinho contra os Blaugrana, depois de uma série imparável de 15 vitórias consecutivas e um golo marcado aos 30 segundos de jogo, o Real saiu vergando do Barnabéu por 1-3. Este jogo foi a confirmação de algo sobre o qual o português terá de reflectir: a táctica a utilizar nos jogos contra o grande rival.

 Exceptuando as partidas da Supertaça (que por serem no inicio da época são partidas diferentes) o técnico efectuou pelos madrilenos 6 encontros contra o rival histórico- 4 derrotas, 1 empate e 1 vitória é este o saldo. Vejamos agora qual forma como Mourinho optou por jogar nestes 6 jogos.


-Nos 5-0 o técnico ainda estava "verde" (era o seu primeiro grande clássico espanhol), decidiu jogar da mesma forma que vinha jogando contra as outras equipas, 4 homens de ataque e 2 centro-campistas a "aguentar" o jogo. Foram os 90 minutos mais penosos da carreira do português.

-Na segunda volta Mourinho reservou uma surpresa, tirou o criativo (Ozil) e subiu Pepe para trinco, com mais um homem de pressão no meio campo os Blancos estiveram mais seguros e realizaram uma boa partida (1-1).

-No encontro seguinte jogava-se a final da Taça do Rei, a estratégia foi a mesma da partida anterior, deu outra vez resultado e o Real ganhou o troféu (1-0).

-4º confronto, 1º mão da meia final da Champions no Barnabéu, o meio campo continuou composto por 3 homens e os madrilenos iam tranquilamente no terceiro clássico sem perder, até que o senhor Wolfgang Stark decidiu expulsar Pepe num lance inexistente. Com mais um os catalães não perdoaram e ganharam por 2 golos na casa do adversário.

-Para a 2º mão com Pepe castigado e a precisar da vitória o técnico voltou a apostar num criativo em vez do trinco, a partida esteve dividida mas o 1-1 final afastou os Merengues da final.

-Há 3 semanas veio o balde de água fria, vindo da série histórica de vitórias consecutivas o Real apresentou-se no Barnabéu como grande favorito, tal como na partida de há um ano a equipa entrou em campo bastante ofensiva com os 4 suspeitos do costume no ataque, não conseguiu controlar o meio campo catalão e acabou derrotada em casa.


 Moral da história, Mourinho tem de perceber que montou uma estratégia que funciona com 99.99% das equipas do globo, mas não funciona contra o Barcelona. Contra os Blaugrana toda a táctica e identidade de jogo têm de ser radicalmente alteradas, para conseguirem um encontro equilibrado os Merengues têm de jogar em contra-ataque (seja em casa ou fora), pois essa é a única maneira de controlar minimamente a posse de bola adversária e diminuir os espaços entre linhas da defesa e do meio campo.

 Os 3 jogos no qual Pepe foi utilizado a trinco, foram de longe os mais conseguidos. Com 3 homens no centro do campo Mourinho dá maior capacidade de pressão a esta zona, o luso-brasileiro preocupa-se exclusivamente em pressionar o portador da bola dando à equipa uma maior capacidade de recuperação da posse- apesar dos níveis de posse do Real continuarem bastante baixos, Pepe torna a posse de bola do Barcelona mais inconsequente. Alonso ganha liberdade para funções um pouco mais atacantes e é responsável por servir os 3 da frente, que com a velocidade e capacidade técnica conseguem decidir a partida de um momento para o outro.

 É feio jogar defensivo, é complicado subordinar-se ao maior rival, e é estranho um clube desta dimensão ter 8 jogadores atrás da linha do meio campo. mas só desta forma é possivel maximizar as possibilidades de sucesso contra uma equipa extratosférica.



publicado por nunotexas às 20:22
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Terça-feira, 10 de Maio de 2011
Steve Field

 

Uma sensação Bracarense

Ver este Braga jogar é ver inteligência pura. Ver este Braga jogar é ver a essência pura de um futebol Italiano que, quanto a mim, é do melhor que há. Pegando no jogo que decidiu a passagem à final contra o Benfica, o Braga foi a equipa que melhor entendeu o jogo durante os 90 minutos e, por consequência, garantiu justamente o passaporte para Dublin.

Com o seu habitual 4x2x3x1, Domingos, como excelente estratega que é, dos melhores a nível nacional, lança uma surpresa ao fazer alinhar Mossoró para impedir o início de construção encarnado pelo pivot defensivo. Com Mossoró em campo, Javi nunca conseguiu ter o tempo e espaço que necessita para iniciar a construção. Sabendo Domingos que Javi não é um trinco muito forte na construção, necessitando de algum espaço para pensar, colocar um jogador como Mossoró naquele espaço táctico foi fundamental para anular o Benfica.

No momento defensivo, o momento mais em foco na equipa Bracarense, todos os jogadores recuavam, com a excepção de Meyong que permanecia “encostado” aos centrais, para de seguida iniciar o ataque rápido, sobretudo a partir da largura que os médios ala/extremos davam à equipa. Ao partir para o ataque rápido, a equipa do Braga nunca fica descompensada, mantendo sempre 5/6 jogadores atrás da linha da bola.

Ora, se a equipa adora jogar em ataques rápidos, sempre com uma forte organização defensiva, como é óbvio estão “como peixe na água” em vantagem do marcador, ao contrário do Benfica que entende melhor o jogo quando necessita de o inverter, pela dificuldade que tem em gerir os momentos do encontro. Com contrastes evidentes, ganharia a equipa que melhor entendesse o jogo, ganharia o treinador que montasse a melhor estratégia. Domingos deu “um banho táctico” ao “mestre da táctica”, como muitos lhe chamam e não o entendo, sem querer lhe tirar algum mérito pelo que já alcançou.

Porém, apesar de toda a justiça no desfecho, não consigo não ficar desiludido com a derrota do Benfica. Fez melhor campanha que na edição anterior? Fez. É mais humilhante perder com o Braga do que com o Liverpool decepcionante da época transacta? Não, de todo. Então o que me faz ficar desapontado com o Benfica e com Jorge Jesus?

Como já referi, a dificuldade em gerir os momentos do jogo, sobretudo em vantagem do marcador. Uma equipa grande tem de o saber. Porto e Braga são exemplos do sucesso que se consegue alcançar com tal sabedoria. Milan é um exemplo no campo oposto pois, tal como o Benfica, tem sérias dificuldades nesse capítulo, como se viu na Champions.

Em segundo lugar, o mau planeamento do plantel. Uma equipa, sobretudo uma equipa grande, não pode depender de ninguém. A dependência de Salvio e do melhor Saviola é excessiva. Em terceiro lugar, tal como Luís Filipe Vieira afirmou, o plantel encarnado é insuficiente para as ambições do clube. Comparando com o rival Porto que tem 16/17 jogadores de elevado nível, o Benfica tem apenas 12/13, muito escasso para tantas frentes.

Por último, e a mais grave na minha óptica, a fraca gestão do plantel encarnado por parte do treinador. Jesus, como treinador “da velha guarda”, (não quer dizer que seja pior por isso, tem é noções diferentes) entende que deve gerir o esforço da equipa descansando todos os atletas, o que é totalmente errado. Vejamos dois exemplos: O Porto, presente em todas as frentes e com o campeonato ganho há bastante tempo, nunca tomou tais atitudes no campeonato, utilizando sempre o melhor onze. Com o decorrer do jogo sim, rodava o plantel da melhor maneira possível. Com isto, além de gerir o esforço dos mais utilizados, integrava os menos utilizados (veja-se no que deu Guarin e James com esta gestão e no que vai da Rodriguez), coisa que o Benfica nunca conseguiu fazer, mesmo com os seus menos utilizados com mais minutos de jogo. Curioso, não? Mourinho contra o Valência, em vésperas de encontro com o Barcelona para a Champions, lança Ronaldo na partida com 6-1 na partida. Jorge Jesus nunca o faria, poupava o jogador. Mourinho fez porque sabe que o jogador descansa mais em campo, por mais incrível que possa parecer. O relaxamento táctico com que Ronaldo entrou na partida, já com o encontro mais que decidido, só beneficiou o atleta.

Ora, com o campeonato já decidido, penso que esta teria sido a melhor opção de Jorge Jesus. Opção semelhante a Villas Boas e a Mourinho. Descansar os jogadores fazendo-os jogar, mas jogando sem quaisquer tipos de pressões, pois o campeonato só servia para cumprir calendário. O Benfica só teria ganho com uma melhor gestão do treinador. Mais que o descansar em termos físicos, o descansar mental é fundamental.

No entanto, não questiono Jesus. Penso que deve continuar no clube, mas com outro tipo de gestão. O Benfica necessita disso. Questiono apenas o rumo que deu ao Benfica desta época. Não me “preocupa” a ausência de títulos, (houve um super Porto…) a competência de um técnico não se mede apenas pelos títulos, preocupa-me sim a distância que o clube teve de os ter e os métodos que utilizou. Contudo, não quero retirar o mérito Bracarense. O Braga vai merecidamente a Dublin, fruto de toda a sua competência táctica.

Na final, curiosidade em ver a reacção da equipa ao anúncio oficial da saída do seu treinador, o grande responsável por todo o sucesso. Perspectiva-se um excelente jogo, com as duas melhores equipas portuguesas do momento. Porém, dificilmente o Porto não sairá vencedor. Penso que caso marque primeiro, fruto do que já referi, sairá vencedor. O Braga para vencer, na minha opinião, terá de marcar primeiro e gerir o encontro como bem sabe. Que a primeira final europeia entre equipas portuguesas fique marcada pelo espectáculo, mais que pela proeza alcançada.

 



publicado por Steve Grácio às 21:57
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