Quarta-feira, 9 de Maio de 2012
Lado B

Guardiola a caminho do Chelsea?

 

 

Depois de já ter anunciado que vai abandonar o comando técnico da equipa do Barcelona no final da presente temporada, o treinador Pep Guardiola recebeu uma proposta milionária para orientar a equipa de Roman Abramovich.

Contudo, segundo alguma imprensa inglesa, o técnico catalão recusou a proposta de 12 milhões de libras, cerca de 15 milhões de euros por ano, para se mudar para Londres e comandar a equipa do Chelsea.

A acrescentar ao salário milionário que Guardiola iria receber, o presidente russo ainda lhe ofereceu a oportunidade de ter fundos ilimitados para a contratação dos jogadores que quisesse, incluindo Lionel Messi. No entanto e como já tinha dito, quando decidiu abandonar o Barcelona, Guardiola fez questão de querer tirar um ano sabático para poder recuperar da elevada pressão a que esteve sujeito nas últimas temporadas.

O interesse de Abramovich não é de agora. O dono do Chelsea já tinha demonstrado interesse na contratação de Pep Guardiola desde que o português André Villas-Boas saiu do comando da equipa técnica londrina.

Com esta decisão de Guardiola abandonar o Barcelona, foi só juntar o útil ao agradável, ou seja, Abramovich viu assim a sua oportunidade para levar o técnico catalão para Londres.

Também saiu nas notícias de futebol que, caso Abramovich não consiga a contratação de Guardiola, o italiano Roberto di Matteo poderá ter a oportunidade de ficar definitivamente com o cargo de treinador principal dos blues.

É preciso não esquecer que Roberto di Matteo ficou no comando da equipa depois da saída do português André Villas-Boas e que desde aí tem conseguido alguns bons resultados (apesar da goleada que sofreu ontem do Liverpool, por 4-1), uma vez que o clube de Londres conquistou no último sábado a Taça de Inglaterra e ainda conseguiu garantir um lugar na final da Liga dos Campeões, eliminando precisamente o Barcelona de Josep Guardiola, onde vai defrontar a equipa do Bayern Munique.

Mas na minha opinião, o magnata russo não vai desistir assim tão facilmente de tentar levar Pep Guardiola para Londres, e caso o espanhol continue a recusar, penso que o dono do Chelsea poderá mesmo vir a aumentar a primeira proposta que fez com o intuito de conseguir assegurar um dos melhores treinadores do futebol internacional no comando da sua equipa.

 



publicado por Bruno Carvalho às 22:08
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Terça-feira, 24 de Abril de 2012
Porque a vida também é feita a correr...

O triunfo da previsibilidade relativa do futebol- Um destroçado Chelsea melhor que o divino Barça

 

             Aquilo que distingue a competitividade do futebol relativamente com outros desportos (individuais ou colectivos) reside na sua ampla relatividade.

               O futebol não pode ser encarado como um fenómeno absoluto, como um ranking quantitativo que ordena a qualidade das equipas. A equipa A é melhor que a equipa B. A equipa B é melhor que a equipa C, mas isso não significa necessariamente que a equipa A é melhor que a C. É necessário perceber que a cada equipa, mais que um estilo de jogo, existe uma identidade própria que é moldada de maneiras diferentes na intersecção com a qualidade do adversário. De forma mais simples “Uma equipa joga aquilo que a outra deixa jogar”.

             Portanto, parece previsível esta eliminação do Barcelona. O tiki-taka blaugrana - órfão de passes aéreos, diagonais/longos, finalizações a primeiro toque não consegue encontrar maneira para desfeitear a baliza blue. O Barça tem no seu estilo de jogo, uma identidade demasiadamente rígida, pouco adaptável a certas vicissitudes do futebol moderno. Não se trata de defender o futebol praticado pelos londrinos. No futebol actual, qualquer equipa tem que ter mecanismos diferentes que resolvam os diferentes contextos inerentes ao jogo.

              Hoje, viu-se um Barça que não soube inovar o seu jogo e morreu com a sua previsibilidade outrora fantástica, hoje sintomaticamente quebrada.

               Do lado do Chelsea um posicionamento excelente, apenas sofre os golos em transições rápidas do Barça (paradoxo). O Barça não soube perceber que a melhor maneira de encontrar espaço seria deixar o Chelsea subir e por isso viu-se impossibilitado de marcar golos perante o avião blue.

             O Chelsea nos 27% de posse de bola, conseguiu ter uma enorme verticalidade no espaço vazio, um Drogba que jogou sozinho contra o Mundo e um Ramires tacticamente perfeito. Por isso apesar de todo o apetrechamento excessivamente defensivo, o golo de Ramires patenteia a qualidade ofensiva dos blues- antagónica dos blaugranas (incisão- passe espaço vazio- finalização primeiro toque).

              Num contexto actual de pressão sobre o portador da bola é preciso executar rápido e não apenas pensá-lo.

            Nota para mais uma péssima exibição de Lionel Messi. A exibição de Messi é mais uma réplica da ideia de relatividade do futebol Moderno.

Messi é um génio e hoje morreu com todas as adversidades patentes dum ser especial.

            A genialidade é limitativa. As suas finalizações, movimentos, remates, passes em certos contextos são belos, únicos, artísticos. Mas noutros, Messi vê-se impossibilitado de conseguir deixar a sua arte. E Messi sem Arte é reduzido a um jogador banal.

Messi será eternamente um jogador que consegue redescobrir a sua arte em 95% dos jogos, mas não consegue adaptar-se aos 5% em que ela é ofuscada na casa táctica do adversário.

           Mais que razões meramente futebolísticas, razões humanas. Messi- a cara dum ser humano completamente desfeito sem capacidade para remar contra a maré, sem capacidade de solucionar problemas em situações extremamente adversas, sem capacidade para pegar no jogo da equipa e impulsioná-la para a vitória.

           Arrostou-se em campo, desistiu do jogo e atirou a eternidade desta equipa para os livros de História.

           Um génio incapaz de acender a lâmpada da vitória com uma magia pessoal. Sem a luz de Xavi e Iniesta a lâmpada de Messi ficará eternamente às escuras.

             Barça- um estilo de jogo, uma identidade, uma atitude, uma filosofia. O futebol construiu-se, moldou-se e melhorou com a marca desta equipa…

             O caminho está no fim e o testemunho está lançado.

            Quem será a próxima equipa a apanhá-lo e a reescrever a História?

              Aceitam-se apostas…



publicado por João Perfeito às 22:50
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Quarta-feira, 11 de Abril de 2012
Porque a vida também é feita a correr...

                                 

Cristiano Ronaldo- Uma máquina solucionadora de Problemas

            

 

                     O  Real Madrid venceu o Atlético de Madrid por 4-1 e deu um passo de gigante rumo à recuperação do ceptro espanhol que lhe tem fugido nas pretéritas 3 temporadas.

               Apesar do avolumar do resultado, a diferença entre as duas equipas no jogo de hoje não coincide com o placar final.

               O Atlético de Madrid demonstrou ser uma equipa pressionante e com boa qualidade ofensiva. Já o Real Madrid, sem brilhar, voltou a demonstrar um naipe de jogadas e movimentações colectivas interessantes, mas com pouca incisão finalizadora.

Sendo forte no processo a equipa foi fraca na finalização do mesmo. Com toda a pressão que estava sujeito face aos escassos 4 pontos de vantagem sobre o seu eterno rival, o Real Madrid parecia que ia deixar fugir mais 2 pontos e acender a luta pelo título, a um patamar que muitos já consideravam impossível.

                Mais uma vez o Real Madrid ofuscou as suas debilidades colectivas pela individualidade do futuro melhor jogador da História do futebol (quiçá dos desportos colectivos).

               O Real Madrid voltou a ser Real Ronaldo, com mais 3 golos do internacional português. Os dois primeiros com execuções perfeitas e um efeito histórico que deve ser atualizado nos futuros manuais de futebol.

               Sem precisar de grandes rasgos individuais nem colectivos, Ronaldo desferiu 3 pontapés fulminantes sem hipótese de defesa deixando o prodígio Curtuouis numa posição injustamente ingrata.

               Se toda a individualidade de Messi nasce numa tabela ou numa correria onde apanha a bola já em velocidade, Ronaldo depende 0 da organização colectiva. Recebe a bola, para, corre e golo… Tão simples que até parece fácil.

               Dum lado a genialidade pura do futebol no seu estado de maior transcendência do outro lado um ser humano capaz de solucionar todas as adversidades que lhe colocam pela frente.

                Dum lado um artista e toda a falta de completude que o nutre, do outro lado um ser humano normal que completa todos os parâmetros de jogo…

                  Podemos fugir, mas não podemos ignorar a realidade. Sendo um futebol um jogo, que na sua concepção epistemológica envolve uma luta por uma vitória que se traduz em golos a eficácia é o grande pêndulo criterioso da nossa escolha.

Messi diverte-nos e rualiza o futebol ao patamar mais bonito da história da Humanidade, Ronaldo dá-nos a eficácia no cume da montanha das possibilidades…

                Por isso a rivalidade é a dois mas o destino é só um: Ronaldo melhor jogador da História do futebol Mundial…

 



publicado por João Perfeito às 23:57
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Quarta-feira, 15 de Fevereiro de 2012
Lado B

“Bombardeiro” Ronaldo afasta-se de Messi na luta pela Bota de Ouro

 

 

O futebolista português Cristiano Ronaldo aumentou a sua vantagem na liderança da Bota de Ouro graças ao “hat-trick puro” (três golos seguidos) conseguido no domingo na vitória do Real Madrid frente ao Levante (4-2), em jogo da Liga Espanhola.

 

Cristiano Ronaldo, actual vencedor do troféu, encontra-se no primeiro lugar do ranking com 54 pontos, mais oito do que o avançado letão do Trans Narva, Aleksandrs Cekulajevs, que já terminou o campeonato.

 

Já Lionel Messi, terceiro classificado e vencedor do galardão em 2010, não conseguiu marcar qualquer golo na derrota do Barcelona em Pamplona, frente ao Osasuna, por 3-2.

 

Também em branco ficou Robin van Persie, avançado do Arsenal, que não conseguiu alvejar com êxito a baliza do Sunderland. O jogador holandês mantém-se assim na quarta posição da tabela, com 44 pontos, menos dois do que Messi. Quanto aos restantes jogadores do “top-10”, de salientar os golos de Antonio Di Natale (Udinese), Burak Yilmaz (Trabzonspor), Mario Gomez (Bayern de Munique) e Wayne Rooney (Manchester United), que subiu ao nono lugar com um total de 34 pontos.

 

Radamel Falcao, antigo avançado do FC Porto, encontra-se na 18ª posição, com 28 pontos, fruto dos 14 golos já marcados na Liga Espanhola com a camisola do Atlético de Madrid.

 

Com este distanciamento de Cristiano Ronaldo na liderança dos melhores goleadores do mundo, o avançado madeirense de 27 anos do Real Madrid arrisca-se a ser novamente eleito Bota de Ouro e Bola de Ouro, e por conseguinte o melhor jogador de futebol do mundo, no início de 2013, na gala da FIFA.

 

Concluindo, os 27 golos marcados por Cristiano Ronaldo ao serviço do Real Madrid em 22 jornadas da Liga Espanhola têm contribuído e muito para que a equipa de José Mourinho tenha já 10 pontos de avanço sobre o Barcelona, para além da quebra de forma da equipa catalã.

 

Será que alguém ainda tem dúvidas de que o Real Madrid vai ser campeão espanhol no fim desta época? Eu não tenho.



publicado por Bruno Carvalho às 18:11
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Sexta-feira, 20 de Janeiro de 2012
Porque a vida também é feita a correr...

 

Ser português é um handicap? Até quando?

 

Na passada quarta-feira, no sempre palpitante Real Madrid – Barça, Pepe pisou a mão a Messi e parece que caíu o Mundo. Várias são as vozes que se fazem ouvir que pedem a irradiação do futebol a Pepe. Os jornais online em Portugal colocam uma imensidão de links para propagandear as imagens. Os próprios portugueses estão interessados em transformar um dos seus melhores jogadores num assassino, num jogador sem qualidade humana, num bárbaro…

Interessante coincidência Pepe é português… E se em Portugal temos tendência para nos rebaixar então os espanhóis fazem de nós o que querem. Custa muito que o melhor Treinador do Mundo seja português, custo muito que o melhor jogador do Mundo seja Português. Custa muito que o melhor clube da história do Futebol utilize no seu onze mais portugueses que espanhóis… Mas agora também custa que o melhor central do Mundo seja português. Não quero com este artigo dizer que Pepe é um santo e que nunca põe em perigo a integridade física dos seus companheiros… Agora nem de perto nem de longe posso seguir nesta onda de crítica feroz ao internacional português. É conotado como animal, como desumano. Até quando é que isto vai acontecer?

Se nos lembrarmos das constantes simulações de Piqué, Busquets, Pedro, Messi e Villa interrogamo-nos de quem é mais desumano. Em que mundo é que vivemos? Num mundo hipócrita? Em que uma pisadela é agredir um colega. Simular e fingir agressões (não estou a dizer que neste caso concreto Messi simulou) não é nada. Por em causa sistematicamente o desportivismo dos colegas. Teatralizar agressões, sem ser tocado (Daniel Alves). Porquê? Se o Barca joga um futebol com a alma, se o Barça quer ser diferente, e não joga para atingir um fim, mas sim pela beleza do jogo. Porque razão existe este constante jogo paralelo desumano? Depois Mourinho é que é especialista em mind games? Messi quando pode chuta sempre a bola contra colegas de profissão e nunca ninguém divulga essas imagens. Porquê? Enquanto nós portugueses continuarmos a rebaixar-nos a Messi e a não a apoiar Ronaldo, a rebaixar-nos a Guardiola e não a apoiar Mourinho, mas agora também endeusar Piqué e rebaixar Pepe. Seremos cada vez mais pequenos que a nossa limitação geográfica… Se nem a nós próprios somos bons, como é que os outros não farão de nós gato sapato…

A mediocridade continua e com esta mentalidade não são milhões de euros que vão acabar com a crise… Porque a crise de auto-estima sempre tivemos e parece que sempre continuaremos a ter. Até quando esta mediocridade acaba? Pode acabar hoje, mas parece que ninguém está para isso…

 



publicado por João Perfeito às 00:00
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Quarta-feira, 4 de Janeiro de 2012
Porque a vida também é feita a correr...

 

                    

O advento tecnológico do futebol: da censura dos media à infinidade de dados à nossa espera

 

 

 

                      Nos tempos que correm, o novo e permanente inovador advento tecnológico que caracteriza a sociedade actual tem levado a um conjunto sério de problemáticas também inerentes ao fenómeno futebolístico.

                      O futebol, como maior fenómeno de massas do século XX, está para durar no século XXI e é hoje, mais que um jogo, uma religião, uma crença onde os fiéis semana a semana substituem as igrejas pelo Olimpo dos estádios.

                     Tentar perceber o que é uma religião e fundamente porque razão o ser humano precisa dela é uma questão essencial… Uma vez que explica, mesmo não clarificando, a acção humana e toda a sua complexidade inerente.

                     Numa sociedade onde a mediatização endeusada dum indivíduo e a singularidade de opinião se intersectam de forma permanente, regular ou até instantânea penso que é obrigatório questionarmo-nos se é este o caminho que queremos percorrer…

                      O refeudalismo, chamo-lhe  assim, de toda a comunicação mediática contemporânea leva-nos para uma unidireccionalidade cada vez mais perigosa e ameaçadora.  Ideias feitas e partilhadas por um sistema que joga no lucro a sua continuidade. Por isso é eficaz e previsível que toda a novidade esteja nutrida de emoção, transcendência e divindade.

                       É necessário apelar aos mais baixos instintos do homem, envolvê-lo emocionalmente, numa sociedade onde a rapidez e mutuação parecem emergir e por isso à que prender o público a essas ideias, mas não existe tempo para as aprofundar, questionar e problematizar… Tempo e vontade, porque todo o caminho que cada ser humano possa fazer isoladamente para tentar descobrir o conteúdo dessas ideias é um duro revés na possibilidade de a religião ter mais um crente.

                       Por isso, ouvimos falar “em melhor equipa da história”, “ em melhor jogador do Mundo”, em “melhor futebol”, mas sempre somos tentados a enunciar as respostas e não a responde-las e mais grave reconhecer que elas não têm resposta.

No fundo esta é a emancipação da relatividade absoluta do fenómeno futebolístico contemporâneo. Tudo é relativo, comparado e competitivo, mas muito pouco é questionado, esmiuçado e trabalhado. Porque toda esta comparação, nada é mais que uma forma e não conteúdo de elevar essa tal ideia à sua aceitação total…

                           Por isso, todos discutem e todos percebem de futebol, mas todos falam do mesmo. Todos falam de Barcelona e de Real Madrid, de Ronaldo e de Messi. Como se fala de Deus e de Jesus Cristo, de Alá e Maomé. São estes 4 nomes que agitam o universo futebolístico mundial e são estas 4 nomes que dão lucro, dinheiro e nos colocam ou não como entendedores ou não da matéria.

Por isso toda esta falta de profundidade não é mais do que a constatação da opinião replicada patente no Mundo actual. Não temos opinião, não temos ideias apenas reflectimos e expressamos ideias e ideais manipulados pelo poder dominante, sem nos apercebermos da constante perca de inteligibilidade que estamos a ganhar aos substituir a (nossa) experiência concreta, o nosso olhar, com a experiência mediática, não o nosso olhar, mas o olhar - concreto e indiscutível recusado de problematização.

                           Paradoxalmente, no reverso da medalha, toda a instantaneidade da informação leva-nos, no caso de fazermos esta escolha, a uma infinidade de dados que carecia nas pretéritas décadas.  Hoje, podemos falar de Barcelona e Real sem os ver jogar, replicando a nossa opinião na tal opinião dominante, mas ao mesmo tempo, podemos escolher ser diferente. Podemos escolher ver os jogos destas duas equipas, analisá-las e interpretá-las, compará-las com as equipas de outrora que só com a tecnologia dos DVD’s podemos recuar no tempo e sermos nós próprios construtores da nossa concepção histórica do futebol. Num caminho onde as mensagens de rodapé ou as palavras do teleponto vão sendo substituídas por surpresas, por novidades, mas mais importante revelações… Revelações que mais que nos mostrarem de que não existem deuses, mostram-nos que existem outras personagens que desconhecíamos, ou não queríamos conhecer, que contribuíram ou contribuem para o fenómeno que queremos saber…

                            Porque queremos saber, não queremos mostrar… Não quero ver os highlights só para mostrar que sei… Quero ver o jogo, quero analisá-lo quero enquadrá-lo numa problemática para aprofundar o meu conhecimento. Quero exacerbar-me a mim próprio como entendedor, num caminho onde as respostas apenas orientam e não o crucificam ou mudam a rota. Porque podemos passar da ideia à ideologia, porque podemos observar, anotar, comparar e reflectir… Com milhares de dados estatísticos, com milhares de DVD’S… Podemos descobrir e revelar sem ser réplicas, podemos trazer algo de novo ao nosso discurso sem estar vinculado ao discurso mediático. Porque devemos ouvir com a nossa perspectiva e falar com ela, sem duplicidade, relacionando-a com plataformas até aí inatingíveis ou divulgadas.  

                                  Por tudo isto, a banalidade de Neymar é mascarada por uma transcendência que pode mudar o futebol, sejamos coerentes e paremos para pensar. Não estará o Brasil a perder o seu fulgor futebolístico e precisa de um novo Deus para alimentar a sua crença esfomeada? Não precisa o Brasil, dum talento, dum génio para deixar de ser ofuscado pela inteligibilidade do futebol europeu? Precisa e Neymar é a resposta mais cabal, que mesmo sendo banal tem de ser mediatizada para que o Brasil não perca mais uma batalha, duma guerra que será irremediavelmente perdida para a Europa. Mas enquanto ansiar por deuses, génios e perpetuar mitos continuará no campo da mística, quando perceber o novo paradigma do futebol moderno acolherá Hulk como o seu maior porta-estandarte. A transformação da genialidade na eficácia... Um caminho difícil, mas seremos capazes de deixar de guiarmo-nos pelos instintos? Seremos capazes de produzir uma emocionalidade inteligível? Talvez, mas só se tivermos para isso…



publicado por João Perfeito às 18:49
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Sexta-feira, 23 de Dezembro de 2011
3x4x3: Outros mundos...

Grande expectativa (sobretudo do outro lado do Atlântico) para o choque entre Santos e Barcelona, um jogo que fez todo o restante Mundial de Clubes parecer uma mera formalidade. 

 

Do lado do Santos, os seis meses de preparação tão anunciados pela imprensa brasileira, resultariam num confuso modelo de jogo por parte de Muricy Ramalho, que acabaria por retirar à equipa a capacidade para ter bola com qualidade.

 

Lançando um sistema de três defesas centrais, com Bruno Rodrigo, Durval e Edu Dracena, abdicou de um dos médios-interiores, deixando Arouca e Henrique frente a frente contra Xavi, Inista, Fabregas e Thiago, que à vez passavam pela zona central, no habitual vai e vem dos médios centro catalães.

Do lado direito da defesa, Danilo, grande responsável pela saída em posse da equipa brasileira, sobretudo pela capacidade física aliada à capacidade de passe, acabaria por sair lesionado aos 30's, deixando o Santos de mãos e pés atados, frente a um Barcelona em pressão alta, verdadeira asfixiante.

Arouca e Henrique seriam os grandes sacrificados, aos quais se juntaria um agora bem mais lento Elano, num meio-campo que se limitou a correr atrás do adversário. Sem bola e excessivamente adiantado, P.Henrique Ganso parecia alheio ao jogo, não podendo acrescentar o habitual perfume dos seus passes de ruptura. Na frente, soltos, Neymar, este procurando a faixa, e Borges pelo meio, eram figuras de corpo presente apenas.

 

Do lado do Barcelona, e ao contrário do sucedido na meia-final frente ao Reysol, Guardiola lançaria o cada vez mais habitual sistema de 3 defesas, com Puyol, Pique e Abidal, e Busquets como ponto de equilíbrio à frente do único central, Piqué.

 

Do meio-campo para a frente, Xavi, Iniesta, Fabregas e Thiago, pela primeira vez os quatro juntos na mesma formação inicial, jogavam em trocas constantes, deixando Messi solto, aparecer como sempre entre eles na busca da bola.

Grande novidade, o posicionamento de Daniel Alves, como extremo em posse, médio-ala a fechar o lado direito sem bola, procurando impedir o velhinho  Léo de crescer no jogo.

Nota mais preocupante e sintomática. seria a apatia dos médio brasileiros para pressionar um pouco mais alto, deixando os jogadores do Barcelona promoverem a habitual troca de bola. Quando aparecia pressão, era pura e simplesmente individual, algo que, com o passar do tempo e com o entrar da bola na baliza do Peixe, se viria a agravar.

Com cinco jogadores com grande capacidade de passe, uma posse de bola infindável daria não só para adormecer o jogo na segunda parte, como fazer os jogadores do Santos desejar que a tão ansiada final, chegasse ao fim. 

 

Para Ganso e Neymar, resta agora seguir o caminho de Danilo (agora jogador do F.C.Porto) e procurarem uma aventura europeia que lhe permitia crescer enquanto jogadores enquadrados em grandes equipas. Terá forçosamente de passar por ai o seu futuro, se não querem continuar a viver no mundo de ilusões criadas entre comunicação social, marketing, e guerra de agentes que vão por estes dias adulterando a boa evolução do futebol brasileiro nos últimos anos... pelo menos no nível competitivo.

 

Quanto ao Barcelona, cada vez mais parece obvio que não mais devia jogar o mundial de clubes... afinal estes craques já fazem parte de um outro universo, o mesmo onde habitam as lendas do futebol.

 

 

 

 

 

By Tiago Luís Santos



publicado por Minuto Zero às 00:00
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Sábado, 4 de Junho de 2011
Futebol Internacional

1. A selecção portuguesa sub-20 prepara o campeonato do Mundo do escalão (de 29 de Julho a 20 de Agosto, na Colômbia), no mítico torneio de futebol jovem, na cidade francesa de Toulon.

 

Depois de uma época marcada pelos sucessivos estágios, a selecção orientada por Ilídio Vale procura neste torneio melhorar as performances desportivas do grupo, as quais, desde o Europeu sub-19, ainda em 2010, não têm sido especialmente convincentes.

Desta selecção, ou melhor, desta geração, ficam alguns bons nomes na retina, mas ainda demasiado "verdes" para puder sonhar com carreiras internacionais.

 

No seu habitual 4x3x3, a selecção sub-20 procura mover-se nos mesmos moldes da selecção principal, apostando num bloco coeso, com meio-campo forte em ambas as transições, aproveitando depois a capacidade dos alas.

 

A primeira nota, e tal vez neste momento a mais importante, vai para a incapacidade dos médios portugueses garantirem transições seguras, em posse, mostrando apenas propensão para saídas individualizadas, onde sobretudo jogadores como Danilo Pereira (Aris) e Sana (Sevette) se destacam. O primeiro aparece como pivot no meio-campo, aproveitando a passada larga e força física para sair com bola de posição, enquanto o "pequeno" Saná, vem provando que apesar da sua fraca capacidade física, é jogador acima da média para a idade, destacando-se na capacidade para "esconder" a bola dos adversários.

Ainda no meio-campo nacional, Júlio Alves (irmão de Bruno Alves e Geraldo) tem futebol baseado na força física, mas sem grandes argumentos técnicos, contrastando com Pelé, ex-Belenenses a caminho do Génova de Itália, outro baixinho que joga ligado à corrente, mas é sobretudo forte a queimar linhas de passe do adversário. A grande incógnita continua a ser Sérgio Oliveira. Apesar das reconhecidas qualidades, continua a sentir-se fora do habitat natural na posição 8. Vendo-o jogar pode se imaginar, que no ambiente certo poderá ser um bom pivot defensivo, para pensar o jogo partindo de trás.

 

Mais definido, o sector defensivo mostra grandes deficiências na capacidade de saída com bola, o que condiciona a equipa ao jogo em profundidade, excepto, quando Cédric, lateral-direito, assume a posse. Parte da posição lateral, faz toda a faixa, sempre em altas rotações. Roderick Miranda e Nuno Reis são fortes no jogo aéreo, mas ambos frágeis a pegar na bola.

 

No sector mais adiantado, nascem alguns jogadores interessantes para o futuro. Nelson Oliveira, emprestado pelo Benfica ao Paços, é, a par de Cédric e do seguro guarda-redes Mika (Leiria), o jogador que mostra mais maturidade. Alto, mas com boa capacidade técnica, joga como avançado móvel, com bom remate, mas também pode, a espaços, cair numa das faixas, sobretudo quando entra em campo Baldé, portento físico, mas com pouca mobilidade.

 

Nas faixas, a "pulga" Caetano, Alex, e Thierry Moutinho, procuram invariavelmente zonas mais interiores, sempre em trocas posicionais. Todos eles esquerdinos.

 

Olhando para esta equipa, dificilmente se imagina que tragam da Colômbia o título mundial, espera-se no entanto, que seja uma boa experiência, que coloque os jovens na retina de clubes que lhes permitam crescer como jogadores. 

 

 

 

2. Sérgio Batista, seleccionador argentino, chegou à selecção das pampas com intuito de lhe conferir um novo perfil de jogo, mais próximo como o próprio disse, do estilo do Barça de Pep Guardiola.

 

Nos primeiros jogos da nova Argentina, um deles contra Portugal, ficou a sensação de que haveria ainda muito trabalho pela frente, para que a equipa se identificasse com o novo padrão de jogo.

A grande questão, reside no facto de no meio-campo não existir quem garanta a posse de bola, impedindo assim um jogo de posse. Mascherano e Cambisso, são belíssimos médios-defensivos, mas ,como interiores, surgem nomes como Banega, Biglia, ou mesmo Bolatti, sem espaço atrás, que não são, de modo algum, jogadores para este estilo. Com Mascherano e Banega, a equipa ganha grande pulmão, permitindo pressing alto, falta no entanto um outro elemento, que teria de ser, forçosamente, forte no capitulo do passe.

Javier Pastore, jovem estrela do Palermo, seria, em principio, o jogador com melhor perfil, mas vive sobretudo em espaços mais adiantados, mais próximo do apoio a Messi e companhia. No momento defensivo, sobretudo em jogos de elevado nível de dificuldade, poderá desgastar-se demasiado nesta posição. O seu futebol de encantar, vive do passe, mas também da capacidade de entender o jogo e faze-lo acelerar, mesmo que para isso, nem seja necessário o próprio Pastore correr... mas fazer a bola deslocar-se mais rápido. Aparentemente lento, não o é no entanto com bola, onde a sua capacidade técnica o torna um verdadeiro quebra-cabeças para os adversários.

Por hora, a subida de Cambiasso no terreno tem sido a solução mais recorrente, mas o que deixa que pensar, será a incrível teimosia em deixar Lucho Gonzaléz fora da selecção. Pensando no ex-capitão do Futebol Clube do Porto, esta selecção teria certamente um meio-campo mais próximo do ideal de Batista.

 

Na frente, Messi surge nas mesmas funções que agora têm no Barcelona, descendo no terreno como um "falso" 9. Higuáin, Di María, Tévez, Aguerro, Milito, Lavezzi (já para não falar em jogadores como Lisandro Lopéz ou Mauro Zárate que nem sequer surgem nas convocatórias) são provavelmente, nos dias que correm, o maior arsenal ofensivo numa selecção a nível mundial.

 

Longe vão os dias dos encantados Aimar, Riquelme, Véron... falta essência do passe no meio-campo argentino, onde emerge agora, um pibe que parece vindo do romântico futebol de outros tempos: Javier Pastore.

 

 

 

By Tiago Luís Santos

 

 

 

 



publicado por Minuto Zero às 15:48
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