Terça-feira, 26 de Abril de 2011
Buzzer - Beater

O 'Upset'

 

         A primeira ronda dos playoffs da NBA tem-se revelado bastante interessante. Equipas das quais se esperava mais têm feito menos, e equipas das quais se esperava menos têm feito mais.

         Neste momento, as séries à melhor de sete estão assim: os Boston Celtics limparam o confronto contra os New York Knicks, ganhando os quatro primeiros jogos. Embora fosse esperada a passagem de Boston, os 4-0 foram algo que não se previa, devido às dúvidas do final da época em Boston. Miami vence neste momento Philadelphia por 3-1, um resultado esperado. Oklahoma City Thunder tem a mesma vantagem contra os Denver Nuggets, mostrando um basquetebol de uma qualidade surpreendente. Na mesma posição estão os Memphis Grizzlies, oitavos classificados de oeste que estão a enfrentar os grandes favoritos: os San Antonio Spurs, primeiros classificados. São neste momento a grande surpresa (a última vez que um oitavo destronou um primeiro foi em 2007, em que os Golden State Warriores surpreenderam os Dallas Mavericks, num dos maiores 'upsets' de sempre) do playoff. Chris Paul está também a dar grande trabalho a Kobe Bryant e companhia, com a série empatada a 2-2 entre os Hornets e os Lakers. Dallas e Portland têm lutado corajosamente, com os primeiros a terem a vantagem de 3-2 na série. Chicago está sem grandes dificuldades no caminho para vencer os Pacers, tendo a vantagem de 3-1, e Atlanta está na mesma posição com Orlando, embora seja possível uma reviravolta liderada pelo melhor poste da actualidade, Dwight Howard.

         O interessante aqui é analisar os números. Comecemos pelos mais surpreendentes. Zach Randolph tem sido a grande figura em Memphis, que, na ausência de Rudy Gay, tem liderado uma equipa motivada a causar estragos nos playoffs. Das 3 vitórias da equipa, Randolph teve mais de 40 minutos em campo e mais de 20 pontos em duas delas , tendo sido decisivo. Decisiva também é a sua defesa no ‘clutch’ (ou seja, os momentos quentes do final do jogo, especificamente os últimos 5 minutos em que a diferença pontual não excede os 6 pontos), ao contrário do seu ataque, que perde alguma consistência nestes momentos. Mas para isso está lá o resto da equipa.

 

 

 

         Já Chris Paul parece estar a voltar à sua forma antiga, onde era visto como o melhor base da NBA. Nas duas vitorias dos Hornets nesta série contra os Lakers, Paul marcou mais de 25 pontos. E parece também que o pequeno base subiu duas ou três mudanças deste o final da época regular: está a averbar 25 pontos por jogo, 11 assistências e meio e 7 ressaltos. Na fase regular os seus números eram, respectivamente, 12, 9.5 e 4. Ele é também o jogador que mais toca na bola no ‘clutch’: metade dos ataques passam por ele.

         Noutras séries menos equilibradas, o impacto das estrelas também se tem verificado: em Chicago, Derrick Rose faz com que os Indiana Pacers marquem menos 1.6 triplos quando está em campo. É também tremendo o seu impacto no saldo pontual de Indiana (relação entre pontos marcados e sofridos):em relação à sua média pontual, os Pacers marcam mais 23.28 pontos por jogo com Rose no banco, e -7.15 quando este joga. Em Miami, Lebron James tem intimidado os atiradores de longa distância dos Sixers: quando está em campo, fazem uma média de 17 tentativas de 3 pontos por jogo, e quando está no banco, fazem-no 25 vezes.

         Entre Dallas e Portland, a vantagem dos primeiros deve-se naturalmente a Dirk Nowitkzki (do qual falei a semana passada). O número que mais me tem impressionado é o impacto que ele tem nos ressaltos adversários (por ser uma capacidade pela qual não é muito conhecido), pelo que ele faz com que Portland ganhe menos ressaltos quando está em campo. E já que falamos dos grandes, Dwight Howard tem feito o que pode: em campo impede Atlanta de marcar mais 30 pontos por 100 posses de bola, o que justifica em larga medida ser o Melhor Defesa do Ano na NBA, pelo terceiro ano consecutivo.

         No meio de tanta matemática, que estou afinal a reiterar? Havendo bastantes surpresas nos confrontos (nomeadamente Memphis e New Orleans), as grandes figuras são aquelas que têm realizado essas surpresas, algo que todos os anos acontece nos playoffs. E noutros casos, mesmo elas não são suficientes, devido à falta de qualidade do resto da equipa, que é o que acontece entre Dwight Howard e os Orlando Magic. Noutros casos ainda, por exemplo o de Chicago, a vantagem é clara, mas muito frágil: Derrick Rose é a grande âncora que faz a equipa jogar como joga, e se este se lesiona gravemente (como podia ter acontecido no último jogo, pois caiu de muito alto e realizou uma ressonância magnética que felizmente para Chicago não revelou impedimento competitivo) as chances dos Bulls caem vertiginosamente. Os outros jogadores são bons, mas são-no muito mais com Rose em campo.

         Tudo isto me leva a crer que as surpresas têm sido justificadas por basquetebol de qualidade por parte dos vencedores, especialmente das suas grandes figuras em campo. E se quiserem ter uma boa perspectiva analítica de todas estas coisas, brinquem também um pouco com o StatsCube do NBA.com (isto não tem qualquer propósito publicitário), e comparem medidas.

 

by Óscar Morgado



publicado por Minuto Zero às 15:26
link do post | comentar


pesquisar neste blog
 
Equipa Minuto Zero'
Links
Também Tu Podes Participar!

Participa na Equipa Minuto Zero'

subscrever feeds
Arquivo

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010