Domingo, 17 de Julho de 2011
Área de Ensaio

3ª Parte

 

       Como o tempo é pouco e há muita coisa para dizer, aproveito esta crónica para tratar um assunto que há muito tempo queria abordar. Apesar de não estar directamente relacionado com o Rugby World Cup, assume nesta competição uma dimensão diferente. Vou falar esta semana de uma das mais belas tradições do mundo do rugby. A “terceira parte”.

       Um jogo de rugby é composto por duas partes de 40 minutos. A 3ª parte é tão ou mais importante que as outras duas (dependendo obviamente do nível competitivo de que se está a falar).

Mas o que é então a 3ª parte? A 3ª parte é um período que se segue ao jogoem si. Ambasas equipas reúnem-se, não só os jogadores, mas também os treinadores, presidentes, directores. São feitos elogios à prestação das equipas e relembram-se os momentos altos da partida. No fundo é um momento de confraternização que une homens que passaram os últimos 80 minutos a “lutar” dentro do campo. Por fim faz-se ainda uma menção ao árbitro. Tudo isto, claro está, acompanhado da bebida que para mim, melhor simboliza o rugby. A cerveja, pois claro.

       Quando não é possível reunir as duas equipas, a 3ª parte realiza-se na mesma. Os jogadores da equipa da casa reúnem-se, estreitando assim os laços entre si.

       Esta tradição é quase tão antiga como o próprio jogo, e é religiosamente cumprida, seja num jogo do campeonato inglês de rugby, seja num jogo de um campeonato de juniores em Portugal. É algo que faz parte do jogo.

       No mundial de rugby de 2007, o IRB fez algo que para mim foi um erro tremendo. Deu a escolher às equipas a possibilidade de comparecerem ou não nas “terceiras partes”. Claro que a maioria das equipas (e bem diga-se) não quebrou a tradição e lá esteve a festejar. Até aqui a 3ª parte é levada a sério.

Nesta mesma competição houve um acontecimento no mínimo curioso. Depois do jogo entre Portugal e a Nova Zelândia, alguns jogadores de ambas as equipas subiram novamente ao relvado e disputaram um pequeno jogo de futebol. Quem imaginaria? A melhor selecção de rugby do mundo e a única selecção amadora presente a disputar um jogo de futebol em pleno relvado?  Isto só demonstra uma coisa, até os All-Blacks levam a 3ª parte a sério. Aqui está a sua importância.

       Não conheço mais nenhum desporto que consiga fazer isto. Onde mais se vêm homens a lutar e depois a festejar alegremente, esquecendo o que se passou dentro do campo? Onde mais é possível ver a equipa mais forte e a mais fraca jogarem uma “peladinha” esquecendo que uns ganham milhões e outros estão ali por amor?

       É por isto que tenho tanto prazer em dizer que o rugby é o meu desporto, e que me orgulho por o ter escolhido.

Espero que este mundial volte a mostrar estas belas imagens, e mostre como o rugby é mesmo “um jogo de brutos, jogado por cavalheiros”.

 

      Mas enquanto o mundial não chega, há competições a decorrer.

      E é com enorme felicidade que digo que somos novamente Campeões Europeus de Sevens.

Á entrada para a etapa final do circuito havia possibilidades de Portugal se sagrar campeão, embora fosse muito difícil. Portugal teria de vencer esta etapa e esperar que a Inglaterra não alcançasse sequer as meias-finais da Taça Cup.

      A Inglaterra “fez o seu trabalho” ou seja ficou em 3ª lugar no grupo e apurou-se apenas para as meias-finais da Taça Plate. Cabia então a Portugal fazer a sua parte. E com tranquilidade “Os Lobos” atingiram a final onde encontraram a vizinha Espanha.

      E quem viu a final não pode ter ficado indiferente. Quando tocou a sirene perdíamos por 10-7, e apenas havia uma jogada para vencer a partida. Se perdêssemos a bola, perdíamos também o Europeu. Mas uma concentração fantástica e uma arrancada espectacular de Duarte Moreira deram-nos a 8ª vitória nesta competição. E este ano foi ainda mais difícil. A Inglaterra apostou forte neste Circuito, e a Espanha provou mais uma vez a sua evolução em sevens. Mas o que interessa, é que a taça é nossa.

       O Tri Nations Series começa no próximo sábado. Austrália e África do Sul abrem as hostilidades em Sidney. Em ano de mundial, será um Tri Nations para fazer algumas experiências e perceber se estas equipas estão em forma para levantar a “pequena” Webb Ellis.

       A Pacific Nations Cup chegou ao fim. Na quarta-feira passada, o Japão venceu as Fiji (24-13), enquanto que no “derby” Tonga-Samoa, Tonga venceu por (29-19).

       Apesar de Japão e Fiji terem acabado em igualdade pontual, o Japão tinha vantagem no confronto directo e venceu a prova. Boas indicações japonesas para o mundial. Veremos com será a prestação japonesa e até que ponto evoluiu o rugby japonês desde 2007.

       Por fim, já temos calendários para os campeonatos nacionais. O nosso Campeonato Super Bock (a divisão de Honra, campeonato maior do nosso rugby), arranca no fim-de-semana de 24 e 25 de Setembro. A 1ª jornada irá opor os campeões Agronomia e os recém chegados CDUP, na Tapada, enquanto que em Monsanto haverá um sempre especial Direito – CDUL. Em Setembro cá estaremos para acompanhar estas andanças.

 

By Pedro Santos



publicado por Pedro Santos às 16:33
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Domingo, 26 de Junho de 2011
Área de Ensaio

A Caminho do Rugby World Cup

 

 

        No momento em que esta crónica é publicada, faltam exactamente 74 dias, 17 horas, 19 minutos e 40 segundos para o início do Rugby World Cup 2011, segundo uma contagem da International Rugby Board. Parece pouco, mas acreditem que para os amantes da modalidade, estes 74 dias irão parecer uma eternidade. Valem as competições internacionais que ainda decorrem (o Super Rugby, o Junior World Championship e o Circuito Europeu de Sevens), os jogos internacionais de Julho/ Agosto e claro o 2011 Tri-Nations Series, para atenuar esta espera.

       Portanto, creio que chegou a altura de começar a análise ao Campeonato do Mundo de Rugby.

       Esta será a sétima edição do torneio, que se realiza desde 1987, de quatro em quatro anos. A primeira edição do Campeonato do Mundo de Rugby decorreu na Austrália e na Nova Zelândia, e foi ganha pelos All-Blacks, naquela que é ainda a sua única vitória.

       Quatro anos depois, a competição viajou até à Europa. Esta foi a edição com mais organizadores, 5 no total (as equipas do Torneio das 5 Nações). Mas a Taça Webb Ellis, acabou por voltar à Oceânia, e mais concretamente para a Austrália.

       O Campeonato do Mundo de Rugby de 1995 é certamente o mais famoso. A produção cinematográfica fez questão de imortalizar os feitos de François Piennar e o papel de Nelson Mandela na conquista do título pelos sul-africanos. Contudo poucos sabem que esta foi a última edição não – profissional. Em 1996, as principais selecções profissionalizaram-se e iniciou-se a era do rugby profissional.

       Em 1999, o último Campeonato do milénio, voltou a realizar-se na Europa, no País de Gales, e a Austrália tornou-se a primeira selecção a vencer o Campeonato do Mundo de Rugby por duas vezes. Em 2003 e 2007 os campeonatos realizaram-se respectivamente na Austrália e na França, e viram a Inglaterra e a África do Sul levar os troféus.

       Na edição deste ano, mais uma vez estarão presentes 20 equipa (não há surpresas este ano, em relação a 2007, saí Portugal e entra a Rússia) dividas em 4 grupos de 5 equipas. Destes grupos, as duas primeiras equipas irão avançar para os oitavos-de-final, e o terceiro classificado, apesar de eliminado, irá qualificar-se automaticamente para a edição de 2015 na Inglaterra. Depois seguem-se os habituais jogos a eliminar, até que, duas equipas irão estar presentes no dia 23 de Outubro, no Eden Park, em Auckland.

       Infelizmente este ano não poderemos contar com “Os Lobos”, mas, certamente não irão faltar motivos de interesse para se seguir atentamente o Rugby World Cup.

 

       Num contexto diferente, continuam a decorrer competições internacionais que merecem destaque. O Super Rugby (ou Super 15), a grande competição de clubes do Hemisfério Sul, entrou numa fase final. No dia 2 de Julho, realizam-se as meias-finais com os jogos Reds – Blues e Stormers – Crusaders.

       No IRB Junior World Championship, confirmou-se o que se previa, a Nova Zelândia e a Inglaterra atingiram a final, depois de derrotarem a Austrália por 37-7, e a França por 33-18 respectivamente. A final realiza-se hoje (26 de Junho de 2011). Nestas equipas merecem destaque os dois Médios – de – Abertura, George Ford do lado inglês, e Gareth Anscombe, dois jogadores com um enorme potencial.

       O Circuito Europeu de Sevens viajou esta semana até Moscovo. Depois de seis jogos apenas com vitórias, Portugal não foi capaz de vencer a Inglaterra (como aconteceu no sábado, por 28-21) e acabou em 2º lugar neste torneio. Por um lado, sem dúvida que a selecção portuguesa beneficia bastante da presença de jogadores como Jacques Le Roux, Carl Murray, Gonçalo Foro ou Frederico Oliveira. Por outro lado nota-se claramente que os ingleses finalmente começam a atribuir importância a esta competição.

       E como não só de rugby internacional se vive, o Circuito Nacional de Sevens chegou este fim-de-semana ao fim e teve como vencedor o CF “ Os Belenenses”. Depois de vencer os 4 torneios do circuito, foi com naturalidade que os “Azuis do Restelo” chegaram ao título, superando o CDUL e a Académica de Coimbra, que se classificaram em 2º e 3º lugar.

Espera-se agora que a grave crise que afecta o clube, não signifique o fim desta secção, como chegou a ser equacionado, por exemplo para o futsal. O Belenenses além de ser uma das mais competitivas equipas do nosso campeonato, é um clube histórico e cheio de tradição. O nosso campeonato tem muito a ganhar com a sua continuidade.

       Uma situação ainda mais grave, acontece França. Uma das melhores equipas do campeonato francês, o Stade Français está à beira da falência, se não encontrar investidores rapidamente. Para bem do rugby europeu, espero que se encontre uma solução rápida.

 

By Pedro Santos

 



publicado por Pedro Santos às 15:10
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Domingo, 19 de Junho de 2011
Área de Ensaio

 

IRB Nations Cup, Grand Prix Series 2011 e IRB Junior World Championship

 

      

         O período entre o fim das competições de clubes e o regresso às grandes competições, é normalmente, em vários desportos, um período “morto”. No rugby isso não se verifica, e esta semana que agora acaba foi um exemplo disso mesmo. Várias competições internacionais, algumas onde a nossa selecção esteve presente.

 

       IRB Nations Cup. A competição promovida pelo órgão máximo do rugby mundial, decorreu durante esta semana em Bucareste e brilhantemente viu a Selecção Nacional Portuguesa triunfar sobre a Argentina Jaguares (25-21) e perder com a Namíbia (23-29) e os South Afrikan Kings (12-39), derrotas que não envergonham ninguém certamente. A falta de jogadores importantes como Gonçalo Uva, José Pinto ou Joe Gardener, impediu que a prestação fosse ainda melhor. Houve momentos muito bons no jogo português, mas também fases em que a desconcentração defensiva permitiu aos adversários pontuar de forma fácil. Embora para a história fiquem os resultados, para quem assistiu aos jogos ficará sobretudo a evolução que se tem verificado com o Neo-Zelandês Erol Brain.

 

       O Circuito Europeu de Sevens (ou Grand Prix Series) também já arrancou e com a participação da Selecção Portuguesa. Depois de anos e anos de hegemonia portuguesa que resultaram em sete títulos (em nove anos, Portugal venceu por 7 vezes e a Rússia por 2 vezes), a edição deste ano não começou bem, e na etapa deste fim-de-semana, realizada em Lyon, Portugal acabou em 4º lugar, perdendo precisamente com a selecção da casa no jogo de atribuição do terceiro lugar, por 7-0. Com a Selecção de XV a jogar em Bucareste, o IRB Nations Cup, o Seleccionador Nacional de Sevens, foi obrigado a recorrer a jogadores mais jovens e inexperientes. Na lista de convocados poucos eram os nomes habituais e certamente também isso contribuiu para a prestação menos conseguida da Selecção Portuguesa.

       A final foi disputada entre a Selecção Inglesa e a Selecção Espanhola, com os ingleses a triunfarem por 28-14.

       Em termos competitivos, esta competição ainda deixa muito a desejar, por dois motivos. Primeiro a presença de equipas bastante fracas como a Holanda ou a Moldávia, e segundo porque selecções como a Inglaterra, a França ou a Itália, ou seja as melhores selecções europeias, não atribuem grande importância a este circuito e portanto apresentam sempre equipas sem os seus melhores jogadores.

       A próxima etapa é já no próximo fim-de-semana, em Moscovo e espera-se que ai a Selecção Portuguesa já se apresente em melhor forma.

 

       Ainda em termos internacionais, os jovens valores das melhores selecções do mundo, disputam o Campeonato do Mundo de Sub-20 (Junior World Championship, uma prova também ela organizada pelo IRB), em Itália. Também aqui, a Nova Zelândia se posiciona como a favorita à vitória final especialmente depois de “cilindrar” a Itália por 64-7,o País de Gales por 92-0, e a Argentina por 48-15, em demonstrações fabulosas do valor dos jovens All-Blacks. Finalizada esta semana a fase de grupos, seguem-se os jogos a eliminar, mais precisamente as meias-finais, com os jogos Inglaterra – França e Nova Zelândia – Austrália, já no próximo dia 22.

 

       Por fim, gostaria ainda de referir uma situação caricata. No Campeonato Nacional da 2ª Divisão, o Técnico e a UTAD, garantiram dentro do campo a subida à 1ª Divisão Nacional (2º escalão do rugby português). Contudo, não demonstraram interesse na subida, levando a Federação Portuguesa de Rugby a convidar o Caldas Rugby Clube e o Rugby Clube de Santarém (as equipas que se classificaram logo atrás do Técnico e da UTAD) a ocupar as vagas deixadasem aberto. Cumpre-seassim, por parte da equipa de Caldas da Rainha o desejado regresso a este escalão, depois de vários anos a competir na 2ª Divisão Nacional.

 

By Pedro Santos



publicado por Pedro Santos às 17:08
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