Segunda-feira, 6 de Fevereiro de 2012
Porque a vida também é feita a correr...

O fracasso do futebol de elite (na era do investimento)

 

         André Villas-Boas e Domingos Paciência, finalistas da última edição da Liga Europa, terminaram a época passada afirmando-se como certezas, enquanto treinadores de top, não só a nível nacional mas também a nível internacional.

         A mudança de paradigma de treinador nacional, cimentada por José Mourinho veio dar novas oportunidades aos treinadores portugueses. Contudo a velocidade dessa mudança foi rápida demais, não respeitando todos os processos de transição que uma mutação como esta acarreta.

         De feitos heróicos, treinadores endeusados e promessas rotuladas de sucesso vemos a presente época como um enorme fracasso, que mesmo para todos aqueles que desconfiavam do valor dos referidos técnicos (o que não é o meu caso), mal podiam prever um cenário tão pessimista.

         Apesar da mentalidade renovada que deram ao futebol Nacional, da eficácia que as suas ideias produziram nas equipas que orientaram nem tudo foram rosas. O principal problema da sua juventude não é capacidades técnicas ou tácticas mas simplesmente de gestão de carreira.

         Comecemos por André Villas-Boas… O ex-adjunto de Mourinho, por muito que o tente negar, por muito que tente fugir, apenas constrói a sua carreira devido ao seu mestre. Por muito que o discípulo se tente emancipar do mestre parece que o caminho os entrecruza dando ao discípulo uma posição invariavelmente ingrata. Se ir para o Futebol Clube do Porto é uma decisão normal de cada treinador português; aceitar o convite do Chelsea não é mais do que não querer modificar o seu próprio destino determinado. Os novos olheiros do futebol internacional olham em Villas-Boas um novo Mourinho e por isso tanto Chelsea como Inter manifestaram interesse na sua contratação, visto que esperam que ele alcance o mesmo que o melhor Treinador do Mundo.

         Apesar de toda a epopeia transacta do Futebol Clube do Porto a época passada foi escassa em duros testes para a equipa invicta. Fora do panorama Nacional o Sevilla e o Villareal foram as melhores equipas que o Futebol Clube do Porto defrontou e em ambas os dragões não conseguiram fugir sem perder, tendo mesmo no jogo com o Sevilha suspirado pelo apito final. Não está em causa o sucesso do Porto, mas simplesmente a equipa não foi testada perante tubarões do futebol europeu e a capacidade do seu Treinador jamais pode ser endeusada por eliminar Sevilha (que até o Braga eliminou de forma mais veemente) e Villareal (que este ano está a fazer uma época miserável).

         O que sobra em talento e capacidade falta em planeamento e gestão em Villas-Boas. A missão Chelsea destinava-se como um fracasso autêntico, só não via quem não queria ver. Com uma equipa ainda à margem de Mourinho, Villas-Boas quis dar uma lufada de ar fresco, introduzindo as suas ideias e dando um cunho pessoal à equipa. Mata, Sturridge, Oriol Romeu e Raúl Meireles são exemplos dessa mutação. Contudo, Malouda, Kalou, Drogba, Torres, Anelka, Lampard, Ashley Cole, Essien continuaram todos nos blues. Não é fácil prever a colisão de dois pólos amplamente antagónicos no seio duma mesma equipa.

          Por muito dinheiro que Abromovich esteja disposto a gastar em nada vai melhorar o rendimento da equipa londrina, enquanto não matar todos os fantasmas de Mourinho. Os problemas de balneário e a dificuldade em seguir um modelo de jogo são as consequências óbvias. A grande pergunta que faço é: E então agora André? Queres fugir mas não te podes esconder… Quer fugir de Mourinho, mas o fracasso do Chelsea vai-lhe perseguir a carreira e no vs estipulado pela comunicação social sai irremediavelmente a perder…

Villas-Boas preferiu o caminho mais fácil, o caminho dos milhões, da elite, em vez de abraçar um projecto que estava a ser construído por si que tinha muito mais probabilidades de ter sucesso internacional que o Chelsea.

          Domingos Paciência ainda era uma incógnita, uma vez que nas duas épocas ao serviço da equipa bracarense nunca conseguiu na plenitude concretizar os seus objectivos. Uma vez que na primeira época ficou arrecadado da Europa em Julho, podendo descansar os seus jogadores durante todo o ano, lutando assim pelo título com o Benfica. Já na segunda época os papéis inverteram-se. Uma carreira europeia fantástica, mas um campeonato absolutamente medíocre (rapidamente esquecido pela comunicação social).

         Contudo, Domingos era a peça chave de António Salvador. O treinador ideal para a equipa ideal. A construção duma identidade de jogadores simultaneamente virtuosos e carregadores de piano permitiu ao Braga redimensionar as suas expectativas e crescer tanto como equipa como Clube.

Com um balneário unido, uma cidade agora em prol do clube e uma onda bracarense cada vez mais em ascensão Domingos tinha tudo para continuar a semear o upgrade desta equipa, mas mais uma vez preferiu o caminho mais fácil.

         Preferiu ir ganhar mais dinheiro… Acreditar numa equipa que investiu 25 milhões, mas mais uma vez quis dar um passo maior que a perna. Não porque como no caso de Villas-Boas, esteja a copiar a carreira de alguém, mas sim porque o Sporting é um clube em falência não técnica mas desportiva. Comemora em 2014, o 60º aniversário da conquista do último bicampeonato. Com uma estrutura arcaica a grande base de apoio da equipa leonina é a elite. Se até aos anos 50 anos, fruto da pouca importância do futebol no contexto social de Portugal permitiu ao Sporting dominar o futebol português, a massificação e proliferação do interesse permitiu ao grande rival da segunda circular, Benfica difundir a sua massa. O Sporting não foi renovando ideias, não se foi adaptando ao contexto social do futebol e foi perdendo adeptos e sócios, tendo no momento presente apenas cerca de 40% dos sócios do seu eterno rival. Com uma péssima estrutura directiva e sem uma ideia de mutação o Clube está destinado ao fracasso. Se o Homem precisa de causas para se mover, falta definir a causa sportinguista que permita ao clube reentrar no panorama Nacional. Uma causa política, não desportiva. O discurso é pomposo na forma e vazio de conteudo, o que destina um fracasso previsível.

Domingos não conseguiu entender os problemas estruturais do Sporting e perceber que é impossível fazer algo duma equipa que não tem bases para crescer… Não soube gerir os maus, mas sobretudo bons momentos e vê-se ultrapassado pelo seu Braga com condições económicas e de massa associativa claramente inferior. Domingos não soube homogeneizar um plantel para um objectivo comum, começando a época com uma clara divisão ente o passado e o presente da equipa. Atribuindo a titularidade a jogadores como Postiga e Djálo que depois saíram do clube e perdendo nas primeiras três jornadas estupidamente 7 pontos, quando todas as experimentações deveriam ter acabado na pré-época. Aqui como Villas-boas, não soube enquadrar-se no plantel que tinha e se hoje se queixa da heterogeneidade de nacionalidades e nas condições que os jogadores vivem (com a namorada, sem sustento familiar), ele é o grande culpado, ao ser ele o selector dessas escolhas.

         No tempo de aceleração de movimento de capitais, do imediatismo, do sucesso fácil e rápido a estrutura mais uma vez vem nos mostrar que está primeiro e sempre estará com investimento, sheikes ou o que quiserem falar.

         Porque afinal o futebol é do povo e não das elites…



publicado por João Perfeito às 00:00
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Terça-feira, 17 de Janeiro de 2012
Steve Field

 Sporting, a lacuna intermédia

Com o maior investimento dos últimos anos, a equipa de Alvalade encontra-se, no final da primeira volta, praticamente arredada da luta pelo título. Aconteça o que acontecer nas taças, só a Liga Europa poderá salvar a época. Com um dos melhores treinadores portugueses e um bom plantel, um dos principais problemas da equipa prende-se com a zona de construção.

O Sporting quando inicia o seu jogo a partir da linha defensiva usa, preferencialmente, o passe longo, quando não consegue sair pelas laterais. Assim, construção do jogo do Sporting fica previsível, pois os adversários sabem que a bola quando está nos centrais vai procurar, na maioria das vezes, Wolfswinkel. Ou seja, o Sporting abdica de um dos sectores na sua fase de construção, o meio campo, o cérebro de qualquer equipa. Isto ocorre muito por culpa dos médios da equipa que, embora grandes jogadores, não tem características para o que o Sporting precisa: o Sporting precisa de pelo menos um jogador que recue e pense o jogo. Comparando com os seus rivais, observamos que o Benfica tem em Witsel e, sobretudo, Aimar essa tarefa (o argentino, apesar de ser o médio mais avançado recua muitas vezes para a zona dos centrais e de Javi) e observamos Moutinho ou Defour no Porto a pegar no jogo da equipa.

Deste modo, julgo que a derrota em Braga não se deve só a um meio campo destemido, com Schaars, Elias e Matias, mas também a esta lacuna na equipa. Com uma profundidade nas alas acima da média, o Sporting crescerá quando alguém recuar e organizar o jogo, ao invés de abusar do passe longo.



publicado por Steve Grácio às 21:27
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Sexta-feira, 29 de Julho de 2011
Em Frente

 Todos a Alvalade!

 

 

          Estão lançados os dados que irreversivelmente irão marcar, ou não, um ponto fulcral numa revolta leonina à muita aguardada. Num mercado vasto nem sempre a qualidade é abundante e são necessários bons métodos e conhecimento do mesmo, ainda para mais quando o clube se encontra num impasse entre a luta pelo lugar de topo e a luta pelo terceiro lugar: o Sporting, nestas duas últimas épocas, não tem sido nem peixe, nem carne. Está ali no meio e a dúvida constante do que seria foi afastando os associados do estádio José Alvalade, até ao ponto de estes começarem a considerar que lutar por títulos começava a ser uma pura miragem.

Pior, em período de eleições, aquando do aparecimento de um “messias” – forma como muitos viam Bruno Carvalho – o revés daquela noite tenebrosa de 26 de Março para a maioria representou o golpe final nas suas expectativas futuras. Com Godinho Lopes ao leme, ninguém via bom rumo futuro.

 

          Todavia, típico de filme à Spielberg, também toda esta história tinha de ter um final feliz, ou pelo menos, esperemos que para isso caminhe. Com chegadas interessantes (nomeadamente a nível de treinador, o primeiro que Alvalade vê em muito tempo), os adeptos desmotivados começaram novamente a criar expectativas e a piscar o olho a novas idas ao estádio. Resultado?

 

 

          Aquilo que muitas vezes se vê associada a um dos nossos clubes rivais tem vindo a fomentar este período do clube. Sem ter ainda disputado um jogo oficial, ou seja, concretamente falamos de uma incógnita, o plantel leonino apoiado num bom trabalho da direcção, tem conseguido construir à sua volta uma verdadeira onda verde, que terá o seu primeiro resultado visível no jogo de apresentação. Parece que pode ser o início de algo bom, as pessoas assim acreditam. Até o estádio parece outro (Paulo Pereira Cristóvão, entre outras medidas, colocou o exterior do estádio verde à sua volta). Belo período em que a bola ainda não rola, período mais estável em muito tempo no clube.

          Vamos mais uma vez acreditar irracionalmente, vamos todos ao estádio!

 

Saudações Leoninas,

by Jorge Sousa

 

P.S.- Escrever algo tem sido duro, por falta de tempo. Todavia, não sendo este o meu dia, sempre que possível, irei apresentar trabalho. Até Setembro vai ser assim.



publicado por Jorge Sousa às 10:54
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Terça-feira, 10 de Maio de 2011
Steve Field

 

Uma sensação Bracarense

Ver este Braga jogar é ver inteligência pura. Ver este Braga jogar é ver a essência pura de um futebol Italiano que, quanto a mim, é do melhor que há. Pegando no jogo que decidiu a passagem à final contra o Benfica, o Braga foi a equipa que melhor entendeu o jogo durante os 90 minutos e, por consequência, garantiu justamente o passaporte para Dublin.

Com o seu habitual 4x2x3x1, Domingos, como excelente estratega que é, dos melhores a nível nacional, lança uma surpresa ao fazer alinhar Mossoró para impedir o início de construção encarnado pelo pivot defensivo. Com Mossoró em campo, Javi nunca conseguiu ter o tempo e espaço que necessita para iniciar a construção. Sabendo Domingos que Javi não é um trinco muito forte na construção, necessitando de algum espaço para pensar, colocar um jogador como Mossoró naquele espaço táctico foi fundamental para anular o Benfica.

No momento defensivo, o momento mais em foco na equipa Bracarense, todos os jogadores recuavam, com a excepção de Meyong que permanecia “encostado” aos centrais, para de seguida iniciar o ataque rápido, sobretudo a partir da largura que os médios ala/extremos davam à equipa. Ao partir para o ataque rápido, a equipa do Braga nunca fica descompensada, mantendo sempre 5/6 jogadores atrás da linha da bola.

Ora, se a equipa adora jogar em ataques rápidos, sempre com uma forte organização defensiva, como é óbvio estão “como peixe na água” em vantagem do marcador, ao contrário do Benfica que entende melhor o jogo quando necessita de o inverter, pela dificuldade que tem em gerir os momentos do encontro. Com contrastes evidentes, ganharia a equipa que melhor entendesse o jogo, ganharia o treinador que montasse a melhor estratégia. Domingos deu “um banho táctico” ao “mestre da táctica”, como muitos lhe chamam e não o entendo, sem querer lhe tirar algum mérito pelo que já alcançou.

Porém, apesar de toda a justiça no desfecho, não consigo não ficar desiludido com a derrota do Benfica. Fez melhor campanha que na edição anterior? Fez. É mais humilhante perder com o Braga do que com o Liverpool decepcionante da época transacta? Não, de todo. Então o que me faz ficar desapontado com o Benfica e com Jorge Jesus?

Como já referi, a dificuldade em gerir os momentos do jogo, sobretudo em vantagem do marcador. Uma equipa grande tem de o saber. Porto e Braga são exemplos do sucesso que se consegue alcançar com tal sabedoria. Milan é um exemplo no campo oposto pois, tal como o Benfica, tem sérias dificuldades nesse capítulo, como se viu na Champions.

Em segundo lugar, o mau planeamento do plantel. Uma equipa, sobretudo uma equipa grande, não pode depender de ninguém. A dependência de Salvio e do melhor Saviola é excessiva. Em terceiro lugar, tal como Luís Filipe Vieira afirmou, o plantel encarnado é insuficiente para as ambições do clube. Comparando com o rival Porto que tem 16/17 jogadores de elevado nível, o Benfica tem apenas 12/13, muito escasso para tantas frentes.

Por último, e a mais grave na minha óptica, a fraca gestão do plantel encarnado por parte do treinador. Jesus, como treinador “da velha guarda”, (não quer dizer que seja pior por isso, tem é noções diferentes) entende que deve gerir o esforço da equipa descansando todos os atletas, o que é totalmente errado. Vejamos dois exemplos: O Porto, presente em todas as frentes e com o campeonato ganho há bastante tempo, nunca tomou tais atitudes no campeonato, utilizando sempre o melhor onze. Com o decorrer do jogo sim, rodava o plantel da melhor maneira possível. Com isto, além de gerir o esforço dos mais utilizados, integrava os menos utilizados (veja-se no que deu Guarin e James com esta gestão e no que vai da Rodriguez), coisa que o Benfica nunca conseguiu fazer, mesmo com os seus menos utilizados com mais minutos de jogo. Curioso, não? Mourinho contra o Valência, em vésperas de encontro com o Barcelona para a Champions, lança Ronaldo na partida com 6-1 na partida. Jorge Jesus nunca o faria, poupava o jogador. Mourinho fez porque sabe que o jogador descansa mais em campo, por mais incrível que possa parecer. O relaxamento táctico com que Ronaldo entrou na partida, já com o encontro mais que decidido, só beneficiou o atleta.

Ora, com o campeonato já decidido, penso que esta teria sido a melhor opção de Jorge Jesus. Opção semelhante a Villas Boas e a Mourinho. Descansar os jogadores fazendo-os jogar, mas jogando sem quaisquer tipos de pressões, pois o campeonato só servia para cumprir calendário. O Benfica só teria ganho com uma melhor gestão do treinador. Mais que o descansar em termos físicos, o descansar mental é fundamental.

No entanto, não questiono Jesus. Penso que deve continuar no clube, mas com outro tipo de gestão. O Benfica necessita disso. Questiono apenas o rumo que deu ao Benfica desta época. Não me “preocupa” a ausência de títulos, (houve um super Porto…) a competência de um técnico não se mede apenas pelos títulos, preocupa-me sim a distância que o clube teve de os ter e os métodos que utilizou. Contudo, não quero retirar o mérito Bracarense. O Braga vai merecidamente a Dublin, fruto de toda a sua competência táctica.

Na final, curiosidade em ver a reacção da equipa ao anúncio oficial da saída do seu treinador, o grande responsável por todo o sucesso. Perspectiva-se um excelente jogo, com as duas melhores equipas portuguesas do momento. Porém, dificilmente o Porto não sairá vencedor. Penso que caso marque primeiro, fruto do que já referi, sairá vencedor. O Braga para vencer, na minha opinião, terá de marcar primeiro e gerir o encontro como bem sabe. Que a primeira final europeia entre equipas portuguesas fique marcada pelo espectáculo, mais que pela proeza alcançada.

 



publicado por Steve Grácio às 21:57
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