Quarta-feira, 28 de Dezembro de 2011
Porque a vida também é feita a correr...

Novak Djokovic- A Ascendência de um novo Rei

 

 

Nota: Por motivos técnicos, foi me impossível postar a minha crónica na quarta-feira passada, por isso venho por este meio pedir desculpa a todos os leitores.

         No final do ano transacto, a luta titânica entre Roger Federer e Rafael Nadal estava cada vez mais a incendiar-se. Depois da ameaça em 2007, Nadal tinha ascendido ao trono olímpico em 2008, descendo à terra em 2009, com o regresso de Federer e voltando a ser o líder Mundial em 2010. Este duelo a dois do ténis masculino Mundial, bem contrastante com o feminino parecia esperar por mais capítulos incessantes numa odisseia que parecia sem fim à vista.

         Contra todas as expectativas, não por demérito dos magos Federer e Nadal, Djokovic tornou-se Rei e caminha agora para Imperador.

         No final de 2010, no ténis estava a emergir o duelo Federer/Nadal ganhava cada vez mais vigor e catapultava a modalidade para um patamar elevadíssimo tanto a nível mediático como de espectacularidade.

           Mas não é que depois da perfeição de Sampras chegou a máquina Federer. Depois de Federer chegou o gladiador Nadal e agora que o espanhol se assumia como figura de proa da modalidade e também do desporto Mundial, Djokovic emerge num época absolutamente fantástica jogando o melhor ténis dos pretéritos 10 anos. O ténis não pára de nos surpreender e o sérvio alimentou este mito, tornou-se uma lenda e agora quer-se tornar imortal.

          Qual o segredo para esta epopeia de Djokovic que deixou o mundo do ténis e do desporto em completa apoteose? É redutor, falar apenas de 2 ou 3 indicadores que possam ter contribuído para esta caminhada. Para nos apercebermos da completude que Djokovic teve que ter para demonstrar todo o seu arsenal vitorioso temos primeiro que nos centrar nos seus rivais.

         Roger Federer, sem o nível de 2004 ou 2005, o suíço a espaços revelou um ténis de altíssimo gabarito, aliando experiência, técnica e uma colocação em campo exímia. Mentalmente pareceu mais forte que 2010 e quando alguns já destinavam o seu fim, Federer fecha a época com uma vitória categórica, mostrando que a reforma continua longe e que ainda o vamos ter que aturar (felizmente) por mais alguns anos.

Rafael Nadal, não sendo tão incisivo como em 2010, tendo mais dificuldade para fechar os pontos como habitual, Nadal perdeu um pouco do domínio que costumava exercer perante os seus oponentes. Contudo a sua raça e determinação, aliadas a um top-spin em forma fortíssimo foram as premissas necessárias para que controlasse quase todos os adversários. Fisicamente teve algumas quebras, demonstrando alguma irregularidade, mas melhorou o seu jogo de rede, continuou como ninguém a quebrar serviços e raramente foi surpreendido.

         Por tudo isto Djokovic tinha de estar ao melhor nível se quisesse ser finalmente número um Mundial. Por isso Djokovic teve de puxar dos galões e mostrar ao mundo a sua completude, única forma possível de chegar ao top.

         Com uma jogo altamente alargado, Djokovic consegue quase sempre colocar o seu adversário fora do terreno de jogo, fazendo direitas com uma colocação e velocidade absolutamente temíveis. Com um serviço regular e eficaz demonstrou autoridade quando aparentemente poderia estar em quebra.  Com uma fortíssima esquerda paralela conseguiu muitas vezes contrariar os seus adversários, demonstrando uma enorme versatilidade e um à vontade para jogar no fundo do court nunca antes visto. Controlador e inteligente o seu jogo de rede embora não abundante, foi sempre ponderado e eficaz, o que se reforçou o seu domínio.

         Fisicamente, com o trabalho do seu treinador, conseguiu igualar Nadal, mantendo o mesmo ritmo do início ao fim de cada pancada, movimentando-se não tão rápido como Nadal, mas sempre com muita inteligência e antecipação o que permitiu estar sempre por dentro do ponto e comandar as operações.

          A sua agressividade ponderada foi a chave do seu sucesso, jogando no risco mas sem exagerar, transformando o seu domínio em controlo total impedindo de ser surpreendido no contra-golpe.

           Na final de Wimbledon e US OPEN Nadal esteve fenomenal, devolvia quase todas as pancadas do sérvio, obrigando a fechar o ponto à 8ª ou 9ª pancada (em jogadas em que podia fechar à 3ª). Mas Djokovic estava inquebrável. Com um jogo defensivo fortíssimo, conseguia responder sempre muito bem, defendendo e contra-atacando na mesma jogada demonstrando esperteza e um sentido posicional fortíssimo.

Nadal tentava variar o seu jogo, jogar nos limites, mas não conseguia, tanto em ataque normal como em contra-golpe, aproveitando o espaço conseguido por Nadal, Djokovic estava mortífero. Nadal deixou de atacar com medo de falhar e Djokovic ganhou confiança e manteve o ritmo do princípio ao fim conseguindo vitórias indiscutíveis.

               Mas mais importante foi o estigma mental do sérvio. Carregando todos os sentimentos nacionalistas do seu povo, jogou com paixão, amor e dedicação a uma causa. Foi atrás dum povo exacerbado em si mesmo, catapultou a sérvia para a escala Mundial e voou num sonho de se tornar um ícone e símbolo Mundial. Uma crença e determinação infindáveis, carregando em cada pancada a vontade de milhões de sérvios que o apoiam, que muitos até davam a vida para consagrarem o seu novo Rei.

           Na Sérvia a sua mediatização é exagerada e segundo um inquérito poderia ser o próximo presidente da república, no Mundo Djokovic é Rei mas ainda não Imperador. Faltou-lhe ter nascido na Suíça ou nos Estados Unidos para ser globalmente adorado, faltou-lhe ser um gentleman e ser politicamente correcto.

                      Gostando-se ao não do estilo, Djokovic foi claramente não só o melhor tenista de 2011 mas também o melhor desportista … O ténis já nos mostrou que está numa rota de evolução fortíssima, e cada vez surgem ou ressurgem novos heróis surpreendendo a previsível tónica deixada na pretérita época. O domínio de Djokovic será para continuar ou será apenas um interregno do domínio de Federer e Nadal. Motivos não faltam para acompanhar o ténis em 2012 a par e passo, sem perder pitada, felizes com esta oportunidade de ver três extraordinários desportivas numa rivalidade agora a três, sem precedentes.



publicado por João Perfeito às 16:06
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