Sexta-feira, 6 de Julho de 2012
Buzzer Beater

Sem lockout, há animação para o mês todo

 

Bem verdade. A época dos 'free agents' está em altas, e muitas são as novidades, que prometem abanar as classificações na próxima temporada, ou pelo menos tentar. A grande notícia da edição de 2012 é o reforço em peso dos Brooklyn Nets (ex-New Jersey), com a confirmação do regresso de Deron Williams e Gerald Wallace, ambos em contratos milionários, e a troca por Joe Johnson, marcador de serviço dos Atlanta Hawks, que, apesar de possuir um contrato que roça o absurdo, será uma peça importante na demanda dos Nets. E depois a equipa parece não desistir do desejo de obter o mais desejado de todos: Dwight Howard. O poste vencedor de três prémios de Melhor Defesa da NBA já mostrou o seu desejo em ir para os Nets, embora Orlando ainda esteja a ponderar hipóteses de troca, pelo que de Brooklyn os Magic teriam um retorno de Brook Lopez, Marshon Brooks, Kris Humpfries e escolhas de draft. Se alguma outra equipa conseguir o consentimento de Howard em prolongar contrato, há melhores ofertas por aí (leia-se, Andrew Bynum e Pau Gasol dos Lakers ou até Ibaka e Harden de Oklahoma, sendo que este último é apenas uma ideia minha e de outras pessoas, não é uma negociação pensada). Seria, em teoria, um quarteto fantástico de Williams, Johnson, Wallace e Howard, que desafiaria a supremacia no Este dos Miami Heat.

Mas mais aconteceu! Steve Nash, eterno base dos Phoenix Suns e já por duas vezes MVP da época regular, foi finalmente trocado para um local onde poderá perseguir o último galardão que lhe falta: o campeonato. Nos Lakers, a equipa, se não sofrer mais alterações, tem um 5 inicial capaz de destronar Oklahoma no Oeste, e desafiar até os campeões em título Miami Heat. Já lá vai o tempo em que os Lakers têm um base realmente bom e à altura do trabalho, sendo que Derek Fisher não foi a escolha ideal nas últimas épocas, e Ramon Sessions desapareceu um pouco durante os playoffs da época transacta. Nesta negociação ficaram para trás os Raptors, que lançaram dinheiro para cima da mesa de forma a convencer Nash a jogar no seu país natal, e os Knicks, que esperavam reuni-lo com Amare Stoudemire e desafiá-lo a ganhar jogos por uma equipa que tanto precisa das vitórias. Terão que se contentar com Jason Kiddc, que já tem acordo com os nova-iorquinos.

De resto mais equipas têm feito movimentos significativos, com Eric Gordon a aceitar acordo com os Phoenix Suns (embora os Hornets tenham o direito de reter o jogador se igualarem a oferta feita), Brandon Roy a voltar da reforma com os Timberwolves, juntando-se a ele Nicolas Batum, também ex-Trailblazer, e mesmo Jeremy Lin, que fez um acordo semelhante ao de Gordon com os Suns (mas por menos dinheiro) com os Rockets, podendo os Knicks igualar, o que se espera que aconteça numa equipa que precisa desesperadamente de gente para a organizar do caos que a eterna Gotham City Batmaniana necessita.

Para finalizar vou apenas destacar aqueles que parecem os grandes derrotados destes processos até aqui: os Dallas Mavericks. Tendo Nowitzki assinado por menos dinheiro do que seria de esperar no final da época 2010/2011, de forma a conseguir flexibilidade para as contratações desta época, todos parecem fugir do barco de Mark Cuban: Deron Williams não foi convencido pelos texanos e ficou em Brooklyn, Jason Terry tem acordo com os Celtics, Kidd foi para Nova Iorque, e Lamar Odom para os Clippers. De notar que da equipa que ganhou o título frente aos Miami Heat também já sairam Caron Butler e Tyson Chandler. Nisto, Nowitzki fica realmente sozinho. Mas conhecendo a sagacidade de Mark Cuban, talvez não seja boa ideia decretar a derrota para os Mavericks, pelo que o ambicioso dono não se ficará pelas soluções de recurso.



publicado por Óscar Morgado às 11:14
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Quarta-feira, 7 de Setembro de 2011
Buzzer - Beater

No país do basquetebol


            Após ausência por motivos profissionais, eis que o buzzer-beater volta à acção. E nesta semana em que ainda nada se sabe de NBA para a próxima época e o fim da WNBA aproxima-se, há algo de muito mais importante a acontecer.

            Eurobasket 2011. A Lituânia tem sido palco do europeu estes últimos dias. Agora que a segunda fase vai começar, os confrontos tornam-se mais interessantes e as grandes equipas seguem em frente. Portugal, infelizmente, não conseguiu uma única vitória na fase de grupos, ficando abaixo das expectativas. É certo que estávamos no grupo mais difícil, com a super-poderosa Espanha, que, na minha opinião sem grande discussão, tem o melhor trio de grandes de todo o mundo (incluindo a NBA), a fortíssima Turquia de Turkoglu, Ilyasova, Asik, e daqui a uns anos de Kanter, e a sempre coesa equipa da Lituânia, que fora das individualidades sempre alcança os seus resultados.


           

 



publicado por Óscar Morgado às 14:34
editado por Minuto Zero em 11/11/2011 às 11:04
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Terça-feira, 21 de Junho de 2011
Buzzer - Beater

Quando o todo não tem nada a ver com as partes

 

           O draft da NBA é esta quinta-feira. Ricky Rubiu finalmente decidiu-se em ir para a NBA. O lockout está muito perto de acontecer.

         

Mas sinceramente esta semana não me apetece falar disso. Antes falar do que faz um jogador ser o melhor.

         Kobe Bryant é aquele que nos últimos cinco anos tem recebido esse rótulo: cinco títulos da NBA, (estranhamente) apenas um de MVP, MVP do All-Star, MVP das Finais. Além disso, discutivelmente aquele que melhor sabe como ganhar jogos, uma força da natureza a marcar pontos no quarto período.

         Mas quase 33 anos de idade. E isso pesa a todos. Já o vimos esta época sem conseguir fazer tudo aquilo que fazia nas anteriores. Ninguém lhe tira o mérito de poder estar, discutivelmente, entre os 10, no máximo 15 melhores de sempre. E então quem merece ser coroado?

         A dica não é inocente: o “King” James é o lógico sucessor para melhor jogador de basquetebol do mundo. Muitos o têm restringido a esse tipo de consideração pela falta de títulos colectivos. E mesmo a nível individual, os seus dois MVPs de época regular em anos consecutivos parecem passar ao lado de muitos, ainda mais depois de Derrick Rose terminar o ano à sua frente nessa categoria. Mas como já o disse aqui, o MVP distingue o jogador mais valioso (para uma equipa específica), o que nem sempre significa ser o melhor dos seus pares.

         E portanto gosto de analisar os jogadores com base na sua capacidade pura para o jogo. Não olho muito a factores externos (noutro tipo de análises são importantes, as quais admito serem mais importantes que reconhecimento individual) que influenciam fortemente o desempenho final dos jogadores. E portanto, quando olho analiticamente para os melhores, eis o que vejo…

         Kobe Bryant, sendo ainda o meu favorito, vai perdendo capacidades. Derrick Rose, por mais extraordinário que seja, é difícil vê-lo apenas como um base: aquilo que faz é um misto de base e de marcador de pontos. Kevin Durant ainda precisa de aperfeiçoar o seu jogo. Já Dirk Nowitzki  pode ser considerado como o melhor jogador ofensivo do planeta. O mesmo não se pode dizer da sua defesa.

         E então temos Lebron James. E alguém me pergunta “mas ele é o melhor em quê?”. Ao qual eu respondo “eh…provavelmente em nada, excepto ser melhor que os outros”. Vamos por partes. Do lado defensivo, James é excepcional na defesa de jogadores exteriores, que jogam de frente para o cesto. Mas certamente Chris Paul, Rajon Rondo, Russell Westbrook ou Tony Allen terão uma palavra a dizer sobre isso, estando num patamar semelhante ou superior. Na defesa de postes, que jogam de costas para o cesto, a questão nem sequer se põe. E para os que acham que sim, eu dou-lhes a resposta: Dwight Howard.

         Outros departamentos. Ressalto? Se for preciso para a sua equipa James já provou com os seus números que consegue ganhar 10 ou mais ressaltos em qualquer jogo, tanto na defesa como no ataque. Mas precisaríamos sempre de citar Kevin Love antes dele nessa questão.

         Capacidade física/atlética? Aqui é discutível achar James o melhor. Sendo a força da natureza que ele é, com todos os seus desarmes de lançamento a muitos metros de altura, bem como os estrondosos afundanços, é um perigo para as equipas adversárias, dos dois lados do campo. Mas novamente a NBA está recheada de atletas fenomenais, como Blake Griffin, Derrick Rose, Dwayne Wade ou Nate Robinson.

         Domínio de bola? Aqui não hesito em dizer que James é o melhor nesse aspecto dentro da posição 3, talvez até de entre todos os extremos, por se tratar de uma rara combinação: o point forward, o jogador da posição 3 que é muito forte na posição 1, mais do que na 2 ou na 4. Ainda assim, faz 4 posições. Mas muitos bases, começando por Derrick Rose, têm melhor domínio de bola.

         Terminemos então com a análise do ataque. Há pouco já defendi Nowtizki como o melhor jogador ofensivo, portanto nem era necessário, mas fica aqui a análise. Contrapondo a capacidade de marcar pontos longe do cesto com a curta distância, James é mais forte na última. Aqui reside a minha única dúvida se ele é ou não o melhor em algo específico: a penetração para o cesto. A sua explosividade após o drible, mais a forma como acaba com afundanços poderosos ou bandejas habilidosas, ou até com uma assistência para um colega perto, fazem dele provavelmente o melhor neste aspecto, mas com uma vantagem (se é que ela existe) curta sobre Dwayne Wade, Derrick Rose, Zach Randolph, entre outros. Nos restantes domínios ofensivos há sempre alguém melhor que James: média distância (Kevin Durant), 3 pontos (Ray Allen) e lançamento com oposição (Kobe Bryant).

 

 

         Há depois a questão da inteligência em campo. Sendo certamente um dos mais atentos tanto no ataque como na defesa, e igualmente capaz de colocar 10 assistências por jogo se necessário, com capacidades de passe raras para a sua posição, não tem a mesma visão de jogo de Steve Nash. Nem a mesma motivação defensiva de Kevin Garnett, ou Dwight Howard.

         Portanto a minha demonstração serviu para reiterar que Lebron não é o melhor em coisa nenhuma. Mas eu disse que ele é o melhor. É a combinação de todos estes elementos, quase todos de uma classe de elite, mas que ficam um pouco aquém de serem os mais desenvolvidos de todos, juntando o facto de poder jogar com muita qualidade em 4 posições do campo. Foi notória a diferença dos Cleveland Cavaliers que com James foram a melhor equipa da liga, e que sem ele foram a segunda pior. Toda a sua versatilidade junta faz-nos contemplar um todo que supera em larga medida qualquer uma das suas partes. É certo, não tem campeonatos, mas estas últimas Finais foram um qualquer bloqueio mental inexplicável perfeitamente oposto a todo o restante percurso nos playoffs, que foi brilhante. Tendo ainda 25 anos, creio que Lebron James será, durante muito tempo, o melhor jogador de basquetebol do mundo. Mas a competição será dura.

 

by Óscar Morgado



publicado por Óscar Morgado às 15:00
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Terça-feira, 14 de Junho de 2011
Buzzer - Beater

Impróprio para apostas

 

         Bolas pá! Vim para aqui apostar que a série ia a sete jogos e afinal foi só a seis. Quem apostou alguma coisa nestes playoffs provavelmente não teve muita sorte e deve até ter perdido dinheiro.

         A previsão dos especialistas era que Miami ganhava em seis, 4-2 contra Dallas portanto. Inverteu-se, e Dallas ganhou em seis a Miami. Não eram favoritos, mas a disparidade não era mais que 60%/40%. Tendo acompanhado em pleno apenas 4 dos seis jogos (nomeadamente o 1º, 3º, 5º e 6º), vi (muitas horas de sono perdidas depois) duas vitórias para cada lado. De resto, apenas vi resumos. E creio que posso então dar-vos uma ideia imparcial daquilo que foi…

         A série fez-se da inconsistência. Tendo-se tratado sempre de jogos equilibrados, o certo é que os resultados foram construídos de parciais gigantescos: ora uma equipa marcava 15 pontos sem resposta, ora a outra respondia com 17. Não chegam duas mãos para contar os momentos de diferença pontual significativa.

         Outro reparo que faço é o do tipo de jogo: não descurando o efeito que as defesas tiveram nas finais (até porque se vê pelos resultados relativamente baixos), o lançamento de 3 pontos foi absolutamente decisivo. Nestas finais Dallas manteve 41,1% de eficácia para lá da linha de 3 contra Miami, mais 10% do que a média nas outras rondas dos playoffs. Miami também lançou 10% mais dessa distância que em rondas anteriores (não tendo convertido esse excesso).

         De resto, já fui por aqui mostrando a minha perspectiva dos playoffs 2010/2011: surpresa. Memphis, em 8º lugar da época regular, eliminou San Antonio, super-favorito em 1º lugar. Dallas “varreu” os até então campeões em título Lakers num espantoso 4-0 que deixou todo o mundo de boca aberta. E mesmo Miami apenas permitiu a Boston uma vitória nas semi-finais da Conferência de Este.

         E depois temos os dramas: Boston que tentou por uma última (espera-se) vez com o actual plantel disputar o título; Dallas que fez (e conseguiu) o mesmo com um grupo de veteranos; Tim Duncan que não voltou a ser o mesmo para resgatar os Spurs do desaire contra Memphis; Memphis que por sua vez jogou endiabradamente atrás de Zach Randolph; Kobe Bryant que não teve grande ajuda do resto da equipa (alô, Pau Gasol?) para suplantar Dallas; Miami que tentou silenciar as críticas que choveram qual granizo durante toda a época, sendo Lebron James a principal figura da crítica, que se mostrou implacável face à falta de produção do MVP de 2009 e 2010 (o que talvez não aconteceria se Miami tivesse uma equipa equilibrada que não o fizesse mudar constantemente de posição para tapar buracos).

fonte: the startingfive.net

         E assim Dallas ganhou o primeiro título da sua história como equipa da NBA. A paciência e a equipa construída durante uma década prevaleceram sobre o “alinhamento estelar” de Wade, James e Bosh e o conceito de “equipa pronta a ganhar”. De uma perspectiva dos media que deram cobertura ao evento, ganharam os “bons” e perderam os “maus”. Eu diria que ganharam os melhores e perderam os que não o conseguiram ser. E os Dallas Mavericks são neste momento os melhores. Se conseguem repetir a façanha para o ano? A idade é implacável, só talvez com uma revigoração do plantel (Kidd, Terry, Nowitzki e Marion, do 5 inicial, têm todos mais de 30 anos). Miami não me parece que se tenha que preocupar demasiado em querer dominar os próximos anos, porque vai estar na melhor posição para tal. Mas com os contratos a aumentarem o seu peso nos próximos 5 anos, e com um acordo salarial que tarda em chegar (com um possível adiamento de meses do início da próxima época), o próximo ano é fulcral para Miami adicionar as peças que faltam enquanto os tectos salariais o permitem.

         A época pode ter terminado, mas as minhas crónicas vão continuando. Acreditem que há muito para se falar…

 

by Óscar Morgado



publicado por Óscar Morgado às 15:00
editado por Sarah Saint-Maxent às 17:49
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Terça-feira, 31 de Maio de 2011
Buzzer - Beater

Corrida pelo Larry…

 

            …O’Brien Trophy. Eu sei, pensavam que era o Bird dos Celtics. Mas não. Calhou bem ter previsto a semana passada as equipas que se vão defrontar logo à noite. Miami Heat no Este. Dallas Mavericks no Oeste. Não foram as duas melhores ao longo da época, mas foram as duas melhores ao longo dos playoffs. Têm em Nowitzki (Dallas) e James (Miami) os dois melhores jogadores nos playoffs até então.

            A maioria dos analistas prevê uma vitória para Miami. Folgada até. Dos 7 jogos, dizem que Miami ganha em 5 ou 6. Acho muito sinceramente que não se está a levar Dallas a sério. Que não o fizessem no início dos playoffs era compreensível, dados os desaires da equipa nas últimas épocas nesta altura da competição. Que o façam depois de destronar os campeões Lakers, os renovados Trailblazers e os explosivos e jovens Thunder é de uma grande ingenuidade. Sim, Miami vai ter ao longo da série 4 jogos em casa (os últimos dois são também os dois da série inteira, portanto para despachar a ronda em 5 ou 6 jogos teriam que ganhar pelo menos um fora de casa), sim têm o MVP dos últimos dois anos, e sim, o Big Three mostrou já que será talvez a força mais dominante nos próximos 5 ou 6 anos.
            Mas Dallas tem um dos melhores (não digo o melhor por existir um senhor chamado Steve Nash) jogadores não americanos de todos os tempos, a atravessar o melhor momento da carreira (embora tenha sido MVP em 2006). Tem muito mais banco que Miami, e uma equipa mais equilibrada e completa, com a sua âncora em Nowitzki. Acredito que, se Miami ganha os dois primeiros jogos em casa, a sua motivação irá diparar para níveis muito difíceis de Dallas controlar. Mas há um dado interessante: nas últimas 12 vezes que as duas equipas se defrontaram, Dallas ganhou… 12 jogos. É claro que a equipa de Miami deste ano é diferente, mas também nos dois jogos deste ano, Dallas saiu por cima. Eles saberão como os parar ofensivamente e quebrá-los defensivamente. Miami tem a melhor defesa, mas acredito que Dallas tem o maior ataque.

               Mesmo que não aconteça, acredito que é apenas justo avaliar esta série como chegando aos 7 jogos. Pode-se argumentar que Miami está na melhor fase da época, mas Dallas também. E temos o factor vingança de Dallas. E o factor redenção de James e Bosh. Espero que seja um confronto épico. Hoje, às 02h00m, hora de Lisboa.



publicado por Óscar Morgado às 15:00
editado por Sarah Saint-Maxent às 15:21
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Terça-feira, 24 de Maio de 2011
Buzzer - Beater

Vingança em curso

 

         Payton defende a tentativa de lançamento de Jason Terry. Terry lança, Payton desarma, a bola vai parar ao lado esquerdo do campo perto do canto dos 3 pontos onde Wade recebe a bola. Esgotam-se os últimos 3 segundos no marcador, e Wade atira a bola ao ar em êxtase. E Miami ganha o seu primeiro campeonato da NBA da história.

        Estávamos então em 2006, e o duo de Dwayne Wade e Shaquille O’neal fazia sucesso nos Miami Heat, pela segunda época que estavam juntos, após a mediática saída de ‘Shaq’ dos Galácticos do basquetebol, os Los Angeles Lakers.

        Do lado dos Mavericks, Nowitzki, Terry, Josh Howard e Jerry Stackhouse eram algumas das estrelas. Os dois primeiros obviamente eram os motores da equipa. Fizeram uma campanha espantosa, e estiveram a ganhar nas finais por 2-0 contra Miami, mas no final a equipa de South Beach levou a melhor, ganhando os 4 jogos seguintes de seguida.

        Pelo andar das coisas, é possível que se veja uma vingança ao fim do túnel. Miami ganha 2-1 a Chicago na final da Conferência de Este, e Dallas ganha 3-1 a Oklahoma City na final de Oeste. Embora não seja certo que qualquer uma das duas avance à próxima fase, está-me a parecer que será o jogo mais interessante que pode aparecer nas Finais: dum lado a mesma equipa de base dos Mavericks de 2006, com Nowitzki ainda melhor (o que não parece muito possível) e Jason Terry ao mais alto nível, mas com um grupo secundário mais sólido que na última ida às finais: Tyson Chandler como autêntico polícia das tabelas, Jason Kidd como um general no final de carreira mas um dos melhores bases de sempre, e um Shawn Marion algo que resuscitado dos seus tempos de All-Star dos Phoenix Suns, que se revelou um substituto competente ao lesionado Caron Butler (que na altura da sua lesão levou a imprensa a retirar os Mavericks da luta pelo título).

        Do outro lado, uma equipa totalmente diferente, apenas com Dwayne Wade e Udonis Haslem restantes da equipa que ganhou o título em 2006. Já não têm O’neal, mas James e  Bosh mais do que compensam essa falta. A receita para o sucesso que fez juntar o ‘Big Three’ este Verão está finalmente a dar os frutos desejados, bem como começou a afastar a crítica de que esta equipa nunca funcionaria.

        Além disso há o tal factor de vingança que deve motivar os Mavericks, caso cheguem à final, de provar de uma vez por todas que são uma equipa capaz de ganhar campeonatos e não apenas de espantosas épocas regulares. E, já agora, de mostrar que foi apenas por acaso que perderam 4 jogos seguidos contra um endiabrado Wade e os restantes Heat.

 

Nota: em virtude deste cronista ter apostado com outro cronista um almoço em como seria Boston a ganhar o título e não Chicago, o meu desejo que Miami vença esta série torna-se mais forte.

 

by Óscar Morgado



publicado por Óscar Morgado às 12:28
editado por Sarah Saint-Maxent às 19:22
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Terça-feira, 10 de Maio de 2011
Buzzer - Beater

O fim de uma dinastia

 

      É oficial. Os Los Angeles Lakers foram ‘varridos’ a 4-0 nas semi-finais da Conferência de Oeste pelos Dallas Mavericks. Ninguém esperava, mas aconteceu. A década que foi dos Lakers (5 dos 10 campeonatos foram por eles conquistados) está oficialmente terminada.

      Confesso que como amante da modalidade foi triste ver grandes jogadores como Lamar Odom ou Andrew Bynum desatarem em faltas flagrantes (que expulsam jogadores) desnecessárias, uma delas que podia ter tirado largos meses de competição ao pequeno base de Dallas, J.J. Barea. Por muito que a frustração tome conta dos jogadores, é impraticável descarregar a fúria em colegas de profissão. Também foi lamentável um jogador que há umas semanas aqui louvei (e defendi), Pau Gasol (e continuo a defender), não tenha estado nem sequer perto nem a meia distância do rendimento que pode dar a uma equipa como Los Angeles. Embora tenha sido um mal de toda a época, apesar de  a ter começado em grande forma, sentiu-se mais no playoff.

      E Phil Jackson, treinador mais condecorado da história da NBA (os seis títulos dos Chicago Bulls de Michael Jordan dos anos 90 foram ganhos sob a sua orientação como treinador principal), vai para a sua anunciada reforma (que tanto quanto se sabe pode ser temporária) sem que o queiram deixar sair pela porta grande, o que também é lamentável, dado o seu ilustre trabalho. Se esta época os Lakers não conseguiram alcançar mais a culpa não foi sua, parece-me.

      Mas obviamente não foram só os Lakers que perderam a eliminatória. Os Dallas Mavericks, principalmente, ganharam-na. E são eles que têm mais mérito que Los Angeles tem desmérito: execução sem falhas, 4 vitórias consecutivas, record de playoff para mais lançamentos de 3 pontos convertidos (20!) num jogo (jogo 4), e toda uma equipa equilibrada e bem orquestrada com o alemão Dirk Nowitzki à dianteira. Um veteraníssimo base em Jason Kidd que aos 37 anos ainda é uma das melhores visões de jogo da NBA. Jason Terry aos 34 anos é uma máquina de marcar pontos e de lançar do exterior, sendo apenas um jogador que começa do banco por questões tácticas, pois faz os mesmos minutos de um jogador do 5 inicial. No fundo, uma equipa veterana com uma execução veterana, que foi capaz de neutralizar os astros da Califórnia.


 

       E de entre os astros, o maior de todos eles nunca desistiu, nem no playoff nem em toda a época: Kobe Bryant, aquele que para mim ainda é o melhor no que faz, apesar de ligeiramente pior em termos estatísticos em relação a épocas anteriores, continuou no topo da discussão por MVP e manteve a sua equipa no topo da discussão pelo título. A idade começa a pesar-lhe mas, enquanto tiver uma palavra a dizer, os Lakers são a sua equipa e são capazes de tudo.

      E aí devemos levantar a questão: terá mesmo a dinastia Lakeriana acabado? Vejo que com a equipa actual as possibilidades de vencer dois ou três títulos seguidos nos próximos anos é relativamente diminuta. Na próxima época é ainda bastante plausível, pois também os Boston Celtics, de idade mais avançada, se vão aguentando com os ‘Super Friends’ dos Miami Heat. Eu vejo os Lakers neste momento como um animal ferido (Lakers e animal podem ser trocados na frase por Kobe Bryant e orgulho), que se não teve motivação esta época para fazer mais devido ao sucesso anterior, tem muitas críticas para silenciar na próxima época desportiva. A dinastia e o domínio incontestado podem ter acabado, mas os Lakers sempre voltaram das suas crises (veja-se há poucos anos quando Shaquille O’neal saiu da equipa e Kobe Bryant a carregou até à chegada de Pau Gasol) e voltaram a erguer-se. E voltarão. Mas com mais ajuda para Kobe, espero eu.

 

by Óscar Morgado



publicado por Óscar Morgado às 17:57
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Terça-feira, 26 de Abril de 2011
Buzzer - Beater

O 'Upset'

 

         A primeira ronda dos playoffs da NBA tem-se revelado bastante interessante. Equipas das quais se esperava mais têm feito menos, e equipas das quais se esperava menos têm feito mais.

         Neste momento, as séries à melhor de sete estão assim: os Boston Celtics limparam o confronto contra os New York Knicks, ganhando os quatro primeiros jogos. Embora fosse esperada a passagem de Boston, os 4-0 foram algo que não se previa, devido às dúvidas do final da época em Boston. Miami vence neste momento Philadelphia por 3-1, um resultado esperado. Oklahoma City Thunder tem a mesma vantagem contra os Denver Nuggets, mostrando um basquetebol de uma qualidade surpreendente. Na mesma posição estão os Memphis Grizzlies, oitavos classificados de oeste que estão a enfrentar os grandes favoritos: os San Antonio Spurs, primeiros classificados. São neste momento a grande surpresa (a última vez que um oitavo destronou um primeiro foi em 2007, em que os Golden State Warriores surpreenderam os Dallas Mavericks, num dos maiores 'upsets' de sempre) do playoff. Chris Paul está também a dar grande trabalho a Kobe Bryant e companhia, com a série empatada a 2-2 entre os Hornets e os Lakers. Dallas e Portland têm lutado corajosamente, com os primeiros a terem a vantagem de 3-2 na série. Chicago está sem grandes dificuldades no caminho para vencer os Pacers, tendo a vantagem de 3-1, e Atlanta está na mesma posição com Orlando, embora seja possível uma reviravolta liderada pelo melhor poste da actualidade, Dwight Howard.

         O interessante aqui é analisar os números. Comecemos pelos mais surpreendentes. Zach Randolph tem sido a grande figura em Memphis, que, na ausência de Rudy Gay, tem liderado uma equipa motivada a causar estragos nos playoffs. Das 3 vitórias da equipa, Randolph teve mais de 40 minutos em campo e mais de 20 pontos em duas delas , tendo sido decisivo. Decisiva também é a sua defesa no ‘clutch’ (ou seja, os momentos quentes do final do jogo, especificamente os últimos 5 minutos em que a diferença pontual não excede os 6 pontos), ao contrário do seu ataque, que perde alguma consistência nestes momentos. Mas para isso está lá o resto da equipa.

 

 

 

         Já Chris Paul parece estar a voltar à sua forma antiga, onde era visto como o melhor base da NBA. Nas duas vitorias dos Hornets nesta série contra os Lakers, Paul marcou mais de 25 pontos. E parece também que o pequeno base subiu duas ou três mudanças deste o final da época regular: está a averbar 25 pontos por jogo, 11 assistências e meio e 7 ressaltos. Na fase regular os seus números eram, respectivamente, 12, 9.5 e 4. Ele é também o jogador que mais toca na bola no ‘clutch’: metade dos ataques passam por ele.

         Noutras séries menos equilibradas, o impacto das estrelas também se tem verificado: em Chicago, Derrick Rose faz com que os Indiana Pacers marquem menos 1.6 triplos quando está em campo. É também tremendo o seu impacto no saldo pontual de Indiana (relação entre pontos marcados e sofridos):em relação à sua média pontual, os Pacers marcam mais 23.28 pontos por jogo com Rose no banco, e -7.15 quando este joga. Em Miami, Lebron James tem intimidado os atiradores de longa distância dos Sixers: quando está em campo, fazem uma média de 17 tentativas de 3 pontos por jogo, e quando está no banco, fazem-no 25 vezes.

         Entre Dallas e Portland, a vantagem dos primeiros deve-se naturalmente a Dirk Nowitkzki (do qual falei a semana passada). O número que mais me tem impressionado é o impacto que ele tem nos ressaltos adversários (por ser uma capacidade pela qual não é muito conhecido), pelo que ele faz com que Portland ganhe menos ressaltos quando está em campo. E já que falamos dos grandes, Dwight Howard tem feito o que pode: em campo impede Atlanta de marcar mais 30 pontos por 100 posses de bola, o que justifica em larga medida ser o Melhor Defesa do Ano na NBA, pelo terceiro ano consecutivo.

         No meio de tanta matemática, que estou afinal a reiterar? Havendo bastantes surpresas nos confrontos (nomeadamente Memphis e New Orleans), as grandes figuras são aquelas que têm realizado essas surpresas, algo que todos os anos acontece nos playoffs. E noutros casos, mesmo elas não são suficientes, devido à falta de qualidade do resto da equipa, que é o que acontece entre Dwight Howard e os Orlando Magic. Noutros casos ainda, por exemplo o de Chicago, a vantagem é clara, mas muito frágil: Derrick Rose é a grande âncora que faz a equipa jogar como joga, e se este se lesiona gravemente (como podia ter acontecido no último jogo, pois caiu de muito alto e realizou uma ressonância magnética que felizmente para Chicago não revelou impedimento competitivo) as chances dos Bulls caem vertiginosamente. Os outros jogadores são bons, mas são-no muito mais com Rose em campo.

         Tudo isto me leva a crer que as surpresas têm sido justificadas por basquetebol de qualidade por parte dos vencedores, especialmente das suas grandes figuras em campo. E se quiserem ter uma boa perspectiva analítica de todas estas coisas, brinquem também um pouco com o StatsCube do NBA.com (isto não tem qualquer propósito publicitário), e comparem medidas.

 

by Óscar Morgado



publicado por Minuto Zero às 15:26
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Quarta-feira, 6 de Abril de 2011
Buzzer - Beater

Era uma vez um MVP

 

         Tudo começou num Outubro cheio de esperanças. Os Lakers tinham ganho o segundo título consecutivo, Kevin Durant era a grande sensação para 2010-2011 e Lebron James mudou-se para o pé da praia.

         Tudo foi andando devagarinho, mas algo a adivinhar o final: 5 estrelas destacavam-se do conjunto. Durant confirmava expectativas, James mostrava-se o mau da fita, Bryant afirmava-se como o melhor, Howard dava umas achegas e Nowitzki ia puxando o resto da equipa para o seu nível.

         Mas eis que as coisas mudavam um pouco! New Orleans ganhara 10 seguidos e o pequeno Chris Paul saltava para o meio dos grandes; Monta Ellis fazia múltiplos jogos de 40 pontos; Rondo oferecia cestos aos colegas muito antes do Natal.

         A corrida estava, então, muito pouco usual. Deron Williams levantava a voz e Pau Gasol fazia as médias da sua vida. Os analistas davam em malucos, já não sabiam o que pensar: seria este o ano em que toda a gente se punha a jogar bem?

 


 

 

         E é então que chega alguém para salvar a questão. Ou, melhor dizendo, complicá-la, pelo menos de início. Mas já lá iremos.

         Um felizardo Amare Stoudemire em Nova Iorque fazia furor, empurrando Monta Ellis, cuja equipa deixara de jogar à defesa, lá para baixo. Os Lakers andavam às turras e os Spurs brincavam com o resto (e gozando com esta novela pois não tinham MVP). E no meio disto, Dwight Howard e Kobe Bryant voltavam para fazer as delícias dos analistas.

         Pois bem, continuava difuso, mas a posição quatro reinava no topo: ora Nowitzki (que entretanto perdera Caron Butler e sentia-se sozinho no mundo), ora Stoudemire (que fazia ‘n’ jogos de 30 pontos e descobrira que o seu staff tinha arranjado um base e um base-extremo para ajudar: Felton e Fields).

         Nesta altura, já o alguém de há pouco ia capturando o lugar cimeiro. Mas tinha de se haver com Lebron James que já tinha levantado os Miami Heat, seguido do Dwayne Wade. “Que chatice!”, pensavam os analistas. Como se tal não bastasse, Kobe Bryant voltava a fazer lembrar os tempos em que apenas ele jogava em Los Angeles, excepção feita à sensação dos afundanços Blake Griffin, que na outra equipa mal vista de Los Angeles também ia jogando no seu “top”.

         Joga-se o All Star para acalmar os ânimos, e parece que a poeira assentara. As 5 estrelas de Outubro tinham-se tornado 6, mas eram basicamente as mesmas: Lebron James, Dwight Howard, Kobe Bryant, Dirk Nowitzki, Kevin Durant, e, claro, o alguém de há pouco que a meio da época mal saiu da “pole-position” da corrida: Derrick Rose.

         Sim, o rapaz que ia no terceiro ano como atleta profissional conseguira elevar Chicago ao primeiro lugar da sua conferência, fazendo lembrar aos adeptos os tempos em que basquetebol e Michael Jordan pareciam escrever-se com as mesmas letras.

         No entanto, os analistas pareciam não se decidir. Seria pelos números que se chegaria ao vencedor? Lebron James era o melhor, mas Dwayne Wade estava perto e então não lhe ligavam muito. Mas então seria Dwight Howard, esse sim, sozinho em Orlando? Não conseguiam dizer. E porque seria que Kobe Bryant, discutivelmente um dos 10 melhores de sempre, não parecia ir ganhar mais que um MVP na sua vida? Também não chegavam lá.

         No entanto surgia outro critério, aparentemente mais completo. Derrick Rose tinha um pouco menos de números que os restantes concorrentes, mas os seus amigos tinham-se lesionado numa ou noutra altura e ele tinha prevalecido com a sua equipa. E davam muito valor a isso, especialmente por essa equipa estar acima das outras…

         Mas afinal, quem iria ganhar? Eram os media que decidiam, e parecia que ninguém se ia entender…

           

         E por isso, não percam o próximo episódio, porque nós, também não!

 

by Óscar Morgado



publicado por Minuto Zero às 18:02
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