Quinta-feira, 7 de Junho de 2012
Buzzer Beater

Nota: por motivos logísticos, a crónica desta semana é escrita à quarta-feira de manhã, embora seja apenas publicada no dia seguinte.

 

Conspiração

 

Sim, o título é sugestivo e arrojado. Isto porque se tem falado algo nisto no seio da NBA, à margem de conversa de playoff. A lotaria para as escolhas de draft já aconteceu e os grandes vencedores foram Nova Orleães, cuja 4ª melhor chance de obterem a primeira escolha no draft os levou a ultrapassar aquelas dos Bobcats, Wizards e Cavaliers. Num draft em que o número 1 consensual é o extremo-poste Anthony Davis, isto vem mesmo a calhar para uma equipa que perdeu Chris Paul, e precisa de jogadores para rodear Eric Gordon.

E agora a conspiração: como os Hornets, no papel, ainda são propriedade da NBA, embora já tenha sido formalizada a venda a Tom Benson, os conspiradores dizem que a lotaria foi arranjada, pela suposta razão de a liga ter prometido a primeira escolha do draft a Benson quando vendeu a equipa.

Podem ler aqui uma data de hipóteses neste artigo muito bem escrito. Resta-me dizer que é um bocado ridículo, visto que há sempre algo onde se pode colar uma decisão pouco esperada: com os Bobcats podia ser um favor a Michael Jordan, com os Cavaliers podia ser uma tentativa de fazer justiça à cidade por ter pedido Lebron James, enfim, há uma infinidade de razões. Mas uma salta-me à vista: os Bobcats, equipa que tinha a melhor chance de obter a primeira escolha, 25%, ficou em segundo. Dos mais de 20 anos em que a lotaria se realiza nestes moldes, a equipa com mais chances ganhou a primeira escolha apenas 3 vezes. A última foi em 2004, ano em que Orlando escolheu Dwight Howard. Porque, verdade seja dita, embora a segunda melhor chance seja metade de 25, os Bobcats estavam a competir contra outros 75%, três vezes mais prováveis de suceder, ainda que distribuídos por outras equipas. E Nova Orleães, inserida nesses 75%, ganhou.

Acabe-se lá com as brincadeiras: apenas duas equipas, a meu ver, caso tivessem ganho, teriam uma vitória injusta porque passaram a fase final da época numa desprezível táctica denominada tanking (não se esforçar por vitórias para obter melhores chances no draft), para obter mais escolhas de draft favoráveis e construir uma equipa com peças valiosas, que foram os Golden State Warriors e os Portland Trailblazers. De resto, as outras equipas foram simplesmente más. E a sorte calha a todos. Não concordo com o artigo acima em que se possa colocar este tipo de conspiração ao mesmo nível das do 11 de Setembro ou do assassinato de Kennedy, mas esta simplesmente tem muito pouco fundamento e circunstância para ser plausível. Jogue-se basket.

 



publicado por Óscar Morgado às 11:00
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Quinta-feira, 1 de Março de 2012
Buzzer Beater

Os meios vazios e os meio cheios

 

Acabado o fim-de-semana All-Star, estamos a meio da época regular da NBA. Parece estranho dizê-lo no início de Março, quando só há pouco mais de dois meses tem havido acção entre as tabelas dos profissionais norte-americanos. E como se trata de um dos raríssimos períodos de descanso para as equipas nesta liga encurtada mas intensa, parece-me correcto ligar a bola de cristal e lançar as cartas para a mesa, num pouco frutuoso exercício de futilidade de previsões. E como estamos a meio, vou escolher 4 equipas de cada Conferência, 2 que espero que melhorem na segunda metade e 2 que espero que desçam de rendimento significativamente: meio-cheios e meio-vazios.

 

Conferência de Este

 

Meio-Cheios:

 

 

- New York Knicks: estes são claramente os mais fáceis, pelo menos com os dados que se têm até ao momento. Com um 5 inicial que parece estar finalmente completo e mais equilibrado do que quando a época começou, graças à performance de Jeremy Lin, que tem pela frente a árdua tarefa de dividir a bola entre Anthony e Stoudemire, ambos com performances medíocres em relação a anos anteriores. Um bom base poderá ser a solução para levantar aquele que pode ser um 'fantastic five', considerando Tyson Chandler no poste e Landry Fields no base-extremo. De resto continuo a considerar que este não foi um plano cautelosamente deliberado para ter sucesso, mas antes uma estrelinha da Broadway que brilhou em favor da equipa e lhes proporcionou, a preço de salto, um base de qualidade. O treinador Mike D'Antoni já levou os Phoenix Suns às finais do Oeste, e se tivermos em conta que os Knicks estão neste momento em 8º lugar no Este, parece-me que estão a lutar por um lugar no 'top 5' da Conferência. Quem diria. Sorte. Muita sorte.

 

- Detroit Pistons: num espectro bem mais modesto, sem um terço dos recursos, os Pistons começam a ver o que as suas sementes podem vir a produzir um dia mais tarde. Greg Monroe atingiu recentemente a barreira do duplo-duplo nas suas médias para esta época, mostrando-se um jogador com grande inteligência, uma máquina ressaltadora, e com muita técnica ofensiva debaixo do cesto; Brandon Knight vai provando a força dos produtos da Universidade de Kentucky, afirmando-se desde já como o base do futuro. O cada vez mais posicionalmente híbrido Rodney Stuckey parece não se estar a dar assim tão mal com a polivalência entre as duas posições exteriores, e o sueco Jerebko vai compensando o tempo perdido a época passada devido a lesão. Não acredito que cheguem aos playoffs, mas há potencial já nesta época para chegar perto do 9º lugar. Pode parcer parcialidade por torcer por eles, mas que lá está um bom plano para os próximos anos, está.

 

Meio-Vazios


- Orlando Magic: também parece ser razoavelmente fácil, dado que a saída de Dwight Howard está iminente, e esta equipa seguramente irá sofrer desaires semelhantes aos New Orleans Hornets quando perderam Chris Paul. A não ser que a moeda de troca pelo melhor poste da actualidade seja equivalente (do tipo de pechincha que os Nuggets conseguiram a época passada por Carmelo Anthony). Ainda assim, há uma probabilidade de Howard não sair na data limite das transacções, se nenhuma das equipas que este deseja (e com as quais, por conseguinte, renovaria o seu contrato, que termina no final da época) conseguir segurar a venda com um pacote de jogadores e escolhas de draft atractivo para Orlando. Se Dwight sai, os Magic descem para o fundo dos lugares ao playoff, até fora dele na pior das hipóteses. Se ele fica, continuam bons este ano, e resta-lhes fazer magia para o próximo.

 

- Boston Celtics: aqui a questão das trocas torna-se determinante também. Porque o director-geral Danny Ainge parece decidido a trocar Rajon Rondo, a era do já desgastado 'Big Three' de Garnett, Pierce e Allen está mais próxima do fim do que nunca. Mas com a corrida a Chris Paul já fechada e a de Howard muito mal parada para Boston, pergunto-me o que terá esta organização em mente ao querer separar-se do seu valor mais jovem e seguro, não sabendo bem ao certo aquilo que poderá trazer de volta do mercado. E irão manter Garnett e Allen para as próximas épocas com salários mais modestos? Ao final de contas, se Rondo sai, o 7º lugar de Boston no Este está ameaçado.

 

Conferência de Oeste

 

Meio-Cheios

 

- Minnesotta Timberwolves: vão estar a desafiar para um lugar no playoff, tenho certeza disso. Com Kevin Love a candidatar-se para MVP este ano, um quase certo All-Star no futuro em Ricky Rubio, jogadores de alto potencial como Wesley Johnson e Derrick Williams, e até parecem ter encontrado um substituto viável para Darko Milicic em Nikola Pekovic, que tem jogado muito bem com Love, a maioria das peças estão lá. O único senão é a competição no 'deep West' é duríssima. De entre Houston, Memphis ou Denver está o candidato a alvo dos T-Wolves.

 

- Portland Trailblazers: são a equipa mais azarada dos últimos anos, com Houston como um distante segundo. Como se não bastasse Greg Oden simplesmente não parecer ter joelhos para a NBA, Brandon Roy reforma-se devido a problemas semelhantes e os desejos de título, que com esses dois e Aldridge seriam bastante palpáveis, tiveram que ser adiados. Mas apenas um adiamento diga-se. Continuam a ter uma equipa com todas as posições sólidas para os próximos anos, à excepção de poste, que, apesar de Camby estar a produzir, tal como um profissional deve fazer, está assustadoramente perto das 40 primaveras. Mesmo com Jamal Crawford, base-extremo de raiz a jogar no 5 inicial a base substituindo Raymond Felton, que não tem estado à altura das suas capacidades, o ex-Knick-Bobcat et al., tem as ferramentas para conduzir esta equipa, e só se outro desastre os assolar é que não conseguirão passar do actual 9º lugar. Ainda assim, mantém-se forte a competição.

 

Meio-Vazios

 

- Pois, esta conferência é muito forte! Não vejo nenhum nome que mereça estar aqui especialmente. Mesmo sem Billups, não se antevê uma queda vertiginosa para os Clippers, que procuram manter-se, no máximo, dentro dos 3, 4 primeiros do Oeste. Os Lakers, uma vez neste grupo também, não devem descer, salvo alguma lesão grave. Só talvez Dallas, Memphis e Houston estão mais vulneráveis, mas muito mais devido à competição das equipas imediatamente abaixo do que a falhas de cada um destes grupos.

 

 



publicado por Óscar Morgado às 14:22
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Quinta-feira, 2 de Fevereiro de 2012
Buzzer Beater

Estranheza pegada

 

Já se previa que esta época a NBA ia estar um caos. Não tanto como a última época de lockout, em 98/99, mas quase que parece. Na Conferência de Este, há surpresas em grande escala: os Philadelphia 76ers estão neste momento em segundo lugar da classificação, apenas atrás dos Chicago Bulls, liderados por Andre Iguodala, o base Jrue Holiday e o melhor marcador, a liderar um dos bancos com mais qualidade da liga neste momento, Louis Williams; Miami, lar de Dwayne Wade, Lebron James e Chris Bosh, ocupa apenas a 4ª posição (mas faça-se justiça, perdem apenas desempates com 76ers e Atlanta Hawks, dado que todas têm o mesmo número de vitórias e derrotas); Nova Iorque está a algumas vitórias de competir sequer por um lugar no playoff, quando era suposto estarem entre as 3 ou 4 melhores equipas do Este; Cleveland, após a maior sequência de derrotas da história da NBA atingida na época passada, parece estar determinada a chegar aos playoffs, estando numa posição semelhante à de Nova Iorque.

Na Conferência Oeste só não sobressaem tanto as surpresas porque o caos é maior e a capacidade de ver no meio de tanta poeira é escassa: das 15 equipas, as 10 primeiras (tendo em conta que apenas 8 chegam a playoff) estão apenas separadas por 6 vitórias entre a primeira e a 10ª posição, causando uma classificação extremamente volátil, onde os deslizes saem mais caro que o costume e as vitórias dão mais satisfação que o normal. Denver Nuggets mantém-se no 3º posto sem grandes estrelas; LA Clippers parecem estar a aguentar o barco em 2º à custa das contratações de Chris Paul, Chaucey Billups e Caron Butler, que vieram solidificar o núcleo de Blake Griffin e Deandre Jordan; os Utah Jazz, também sem astros de renome, mas com um jogo sólido de Paul Millsap, Al Jefferson e Devin Harris, seguram um 6º lugar; LA Lakers sofrem alguns desaires, mas que curiosamente não são fruto da idade, estando a ocupar neste momento um 8º lugar que daria, neste momento, uma autêntica final na primeira ronda do playoff, enfrentando Oklahoma City; Ricky Rubio e Kevin Love também se lembraram de elevar o seu jogo para um novo nível e dar esperanças a Minnesota como não se via desde Kevin Garnett.

Mas quer dizer, isto não é inédito pois não? Na época após o último lockout, os New York Knicks de Patrick Ewing (fazendo uma referência rápida, alguém se lembra de ele ser uma das estrelas do filme 'Space Jam'?) foram os 8º classificados no Este e chegaram às Finais da NBA, sendo depois derrotados pelas Torres Gémeas dos San Antonio Spurs, Tim Duncan e David Robinson, passando de uma das piores equipas na época anterior para a melhor (o reverso aconteceu com os Chicago Bulls).

Portanto, o que esperar? Confrontos desiquilibrados em rondas avançadas dos playoffs é um bom exemplo, dadas as classificações. Algumas equipas, como LA Lakers, Memphis Grizzlies, Miami Heat, podem estar em lugares abaixo do que se espera na época regular, mas no playoff vê-se sempre quais as melhores equipas. O contrário também acontece com os Utah Jazz, 76ers, Atlanta Hawks, e, quem sabe, New York Knicks, se é que alguma vez conseguirão por a actual equipa a funcionar sem um base competente. Por outro lado torna a competição mais interessante, menos previsível (deixem-se de apostas este ano), mas também de menor qualidade por vezes, dado que se tem notado um grau mais baixo de jogo devido à falta de uma pré-época em condições. Algumas equipas, como os Washington Wizards (que vão jogando com uma maturidade de uma equipa de liceu, e a sua jovem estrela, John Wall, parece não ter encontrado um ritmo para o seu desenvolvimento este ano), Charlotte Bobcats (onde o talento, simplesmente, é muito escasso, excepção feita a alguns jogadores, que simplesmente prometem para o futuro mas não têm todas as capacidades agora, como Kemba Walker ou Bismack Biyombo) e Detroit Pistons (onde só Greg Monroe se destaca claramente como uma estrela para o futuro) fazem desejar que um Real Madrid, um Regal Barcelona ou um CSKA viessem mesmo jogar para os Estados Unidos.



publicado por Óscar Morgado às 14:18
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Quinta-feira, 12 de Janeiro de 2012
Buzzer Beater

Crise de bases? Nem por sombras

 

Ainda é estranho estarmos em Janeiro e a época da NBA estar muito precoce, com pouco mais de 10 jogos realizados por equipa. Contudo uma tendência que já apontei a época passada está mais afincada este ano: a posição de base tem um vasto mercado de talento e qualidade já demonstrada, e quase todas as equipas têm um ou mais jogadores  nessa posição com qualidade suficiente para levar uma equipa a vitórias.

Daquilo que posso constatar nas 30 equipas, há apenas no máximo 4 ou 5 que não têm alguém minimamente competente na posição 1. Na Conferência de Este há estrelas, com Rose em Chicago, Williams em New Jersey e Rondo em Boston, atiradores ou bases focalizados em marcar pontos, com Chalmers e Cole (o impressionante rookie que Miami foi buscar ao draft) em Miami, Calderon em Toronto, Jennings em Milwaukee e outro rookie, Kemba Walker, em Charlotte. Há ainda passadores competentes e bases polivalentes, como Holiday e Lou Williams em Philadelphia, Teague em Atlanta, Collison em Indiana, Nelson em Orlando, Irving em Cleveland, Stuckey e Knight em Detroit, e John Wall em Washington.

E quando chegamos à Conferência de Oeste o padrão mantém-se: as estrelas são Westbrook em Oklahoma City, Chris Paul nos Clippers e Stephen Curry em Golden State (na minha opinião só as lesões o impedem de produzir mais, sendo um dos melhores atiradores da liga). Há outro estrato de jogadores que já foram estrelas, mas estão no declínio da sua carreira, contudo, produzem melhor que a maioria, como Nash em Phoenix e Kidd em Dallas. Seguem-se os restantes bases de qualidade ou com muito potencial: Felton em Portland, Parker em San Antonio, Harris em Utah, Lawson em Denver, Conley em Memphis, Lowry em Houston, Ricky Rubio em Minnesota (e que ano de estreia que o espanhol está a ter na NBA) e Fredette em Sacramento (porque eu cá não acredito em Tyreke Evans como um base, e que este é desaproveitado naquela posição: Evans é, a meu ver, um protótipo precoce de um Dwayne Wade).

Portanto isto deixa apenas 3 equipas de fora: Nova Iorque, que apenas com Toney Douglas e o rookie Iman Shumpert (que no futuro pode almejar a algo mas é muito cedo para o prever) estão desfalcados apenas na posição de base, Los Angeles Lakers, onde Derek Fisher já não é a peça complementar de outros tempos, e New Orleans, onde Jarret Jack não chega para as encomendas de uma equipa que agora já não tem Chris Paul.

E enquanto alguns destes nomes que referi ainda não estão a produzir a níveis aceitáveis, todos têm pelo menos um fundo plausível de potencial que, a ser explorado pelas equipas, pode-lhes assegurar a posição por alguns anos. O draft que se espera neste ano de 2012 foca-se mais em jogadores de estatura e para as posições mais interiores, onde a NBA tem muito mais escassez de talento de qualidade do que a base, e portanto estas equipas poderão colmatar esse tipo de falhas. E isto faz-me acreditar cada vez mais na preponderância da posição de base em relação às restantes, por fazer o jogo funcionar mais fluidamente e criar oportunidades para os restantes jogadores. É claro que uma equipa desfalcada de qualquer uma das posições terá dificuldades em partes fulcrais do jogo, mas mesmo que não tenha um base competente, pelo menos algum jogador que consiga impor um ritmo e ordem ao jogo é essencial.

fonte: Boston.com


publicado por Óscar Morgado às 00:30
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Quinta-feira, 22 de Dezembro de 2011
Buzzer - Beater

Uma triste história

 

Mal tinha começado a época 2008/2009 da NBA e já uma equipa que fez dinastia na década que ia a acabar estava a renovar o plantel, que envelhecia gradualmente: os Detroit Pistons trocavam o experiente base Chauncey Billups pelo igualmente experiente Allen Iverson (mas menos estável em termos de personalidade). Billups contribui para dar a Detroit um campeonato em 2004 e umas quantas presenças nas Finais nos anos seguintes, mas o seu contrato pesava imenso nas contas da Cidade Automóvel. Iverson vinha de uma boa prestação em Denver, abaixo dos padrões que estabeleceu nas sua época de MVP e algumas seguintes em Philadelphia, mas compreensível com a idade.

 

Mas Billups não estava a sair pela porta dos fundos do clube: Detroit precisava de algumas remodelações e um base do pior lado dos 30 com um contrato que Detroit não podia acartar com objectivos de remodelação parecia aceitável. Aliás, Billups ia para Denver, a sua terra natal, onde possivelmente se iria reformar. Acabou por ser nas épocas seguintes a segunda opção na equipa, complementando o prolífico marcador da equipa, Carmelo Anthony. Mas o precedente estabelecido na época passada por Lebron James, Chris Bosh e Dwayne Wade, em que os três negociaram entre si contratos mais pequenos que lhes permitiam coexistir financeiramente no mesmo clube mudou a mentalidade de muitos jogadores e dirigentes. Os três passariam de astros a uma forte constelação.

 

Então outros jogadores começaram a seguir o exemplo, começando por Anthony: via que em Denver não iria conseguir o talento suficiente atrás de si para competir por um título e tratou de requisitar uma troca. Acabou por ir parar aos New York Knicks, onde outro astro, Amare Stoudemire, jogava. Mas como as equipas negoceiam entre si, e a NBA, como se tem visto ultimamente, pouco é mais do que um negócio, essa transacção iria incluir outro jogador de qualidade para Nova Iorque, dado que essa esta equipa, apesar de ir receber uma estrela, não queria perder todas as suas jovens promessas. Então Billups veio. Meio da época, jogador com 34 ou 35 anos, são-lhe retirados os planos de uma tranquila reforma daqui a poucos anos. Aborrecido, até acabou por ir na conversa porque ia para uma equipa para desafiar um título no ano seguinte.

 

Mas os Knicks sonham alto. Vindo um lockout prolongado, tiveram tempo para pensar nas opções. E afinal Billups nada mais era do que uma casualidade para obter Anthony, com um (ainda) grande contrato para 2010/2011 que lhe pagaria 14M, que estrangulava o tecto salarial dos ianques. Como os postes fazem falta nos dias que correm, e Nova Iorque não tinha nenhum capaz para os seus objectivos, e bases, apesar da importância da posição, há muitos, Billups foi novamente moeda de troca: é-lhe usada a cláusula de amnistia para retirar o contrato das contas de Nova Iorque, e o veterano foi parar aos 'waivers', uma espécie de leilão em que qualquer clube pode pegar nos jogadores colocados à disposição por outras equipas, vencendo quem fizer a melhor oferta.

 

Os LA Clippers, tendo já um negócio fantástico que lhes trouxe aquele que é na minha opinião o melhor base da liga, Chris Paul, presisavam de um atirador para o perímetro, e Billups, apesar de ser outro base, tinha as características necessárias. Mesmo depois de o jogador ter ameaçado não jogar se não pudesse escolher a equipa para onde iria (pensa-se que, traído por tantas organizações, o base quisesse fazer o melhor da situação e juntar-se aos Miami Heat, tornando a constelação a mais absoluta favorita ao título deste ano), os negócios apanharam-no.

 

Moral da história? Tal como Billups, Lamar Odom dos Lakers foi uma mera peça de negócio, apesar dos títulos e da coesão de balneário que trouxe à sua equipa ao longo de tantos anos como profissional da casa. O mesmo vai acontecendo com Brook Lopez, que vai sendo constantemente avaliado pelo seu valor de mercado para ser trocado com Dwight Howard, que também quer sair de Orlando. Ou até Rajon Rondo, que se falava ser parte de um pacote por Chris Paul antes de se confirmar o negócio com os Clippers. E assim as relações já tremidas que existiam entre os jogadores e os dirigentes na época passada e algumas anteriores caíram completamente por terra após o lockout. Hoje, just business. Sendo provavelmente os assalariados mais bem pagos e com mais regalias de todo o planeta, os jogadores da NBA conseguiram manter muito tempo uma posição de vantagem sobre os donos, mas, sendo estes que pagam as contas, acabaram por sucumbir a algumas exigências. Mas como toda a gente tem que ceder, os problemas que já existiam mantém-se quase inalterados, e garanto-vos que assim que este acordo salarial (que dura no máximo dez anos, não sei precisar) terminar haverá outra paragem de trabalho, porque os problemas ir-se-ão manter: jogadores medianos com salários de estrelas, prejuízos para equipas de cidades mais pequenas, and so on. Todas estas transações na hora, total desrespeito pela estabilidade dos jogadores, mas também o poder desmedido que alguns desses jogadores têm de, simplesmente, tornar equipas reféns das suas decisões ou exigências são um mero resultado de um lockout como este foi, prolongado, marcado por decisões economicistas para os dois lados, bem como alguma arrogância. Your bad jogadores, your bad, dirigentes.



publicado por Óscar Morgado às 16:13
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Terça-feira, 26 de Abril de 2011
Buzzer - Beater

O 'Upset'

 

         A primeira ronda dos playoffs da NBA tem-se revelado bastante interessante. Equipas das quais se esperava mais têm feito menos, e equipas das quais se esperava menos têm feito mais.

         Neste momento, as séries à melhor de sete estão assim: os Boston Celtics limparam o confronto contra os New York Knicks, ganhando os quatro primeiros jogos. Embora fosse esperada a passagem de Boston, os 4-0 foram algo que não se previa, devido às dúvidas do final da época em Boston. Miami vence neste momento Philadelphia por 3-1, um resultado esperado. Oklahoma City Thunder tem a mesma vantagem contra os Denver Nuggets, mostrando um basquetebol de uma qualidade surpreendente. Na mesma posição estão os Memphis Grizzlies, oitavos classificados de oeste que estão a enfrentar os grandes favoritos: os San Antonio Spurs, primeiros classificados. São neste momento a grande surpresa (a última vez que um oitavo destronou um primeiro foi em 2007, em que os Golden State Warriores surpreenderam os Dallas Mavericks, num dos maiores 'upsets' de sempre) do playoff. Chris Paul está também a dar grande trabalho a Kobe Bryant e companhia, com a série empatada a 2-2 entre os Hornets e os Lakers. Dallas e Portland têm lutado corajosamente, com os primeiros a terem a vantagem de 3-2 na série. Chicago está sem grandes dificuldades no caminho para vencer os Pacers, tendo a vantagem de 3-1, e Atlanta está na mesma posição com Orlando, embora seja possível uma reviravolta liderada pelo melhor poste da actualidade, Dwight Howard.

         O interessante aqui é analisar os números. Comecemos pelos mais surpreendentes. Zach Randolph tem sido a grande figura em Memphis, que, na ausência de Rudy Gay, tem liderado uma equipa motivada a causar estragos nos playoffs. Das 3 vitórias da equipa, Randolph teve mais de 40 minutos em campo e mais de 20 pontos em duas delas , tendo sido decisivo. Decisiva também é a sua defesa no ‘clutch’ (ou seja, os momentos quentes do final do jogo, especificamente os últimos 5 minutos em que a diferença pontual não excede os 6 pontos), ao contrário do seu ataque, que perde alguma consistência nestes momentos. Mas para isso está lá o resto da equipa.

 

 

 

         Já Chris Paul parece estar a voltar à sua forma antiga, onde era visto como o melhor base da NBA. Nas duas vitorias dos Hornets nesta série contra os Lakers, Paul marcou mais de 25 pontos. E parece também que o pequeno base subiu duas ou três mudanças deste o final da época regular: está a averbar 25 pontos por jogo, 11 assistências e meio e 7 ressaltos. Na fase regular os seus números eram, respectivamente, 12, 9.5 e 4. Ele é também o jogador que mais toca na bola no ‘clutch’: metade dos ataques passam por ele.

         Noutras séries menos equilibradas, o impacto das estrelas também se tem verificado: em Chicago, Derrick Rose faz com que os Indiana Pacers marquem menos 1.6 triplos quando está em campo. É também tremendo o seu impacto no saldo pontual de Indiana (relação entre pontos marcados e sofridos):em relação à sua média pontual, os Pacers marcam mais 23.28 pontos por jogo com Rose no banco, e -7.15 quando este joga. Em Miami, Lebron James tem intimidado os atiradores de longa distância dos Sixers: quando está em campo, fazem uma média de 17 tentativas de 3 pontos por jogo, e quando está no banco, fazem-no 25 vezes.

         Entre Dallas e Portland, a vantagem dos primeiros deve-se naturalmente a Dirk Nowitkzki (do qual falei a semana passada). O número que mais me tem impressionado é o impacto que ele tem nos ressaltos adversários (por ser uma capacidade pela qual não é muito conhecido), pelo que ele faz com que Portland ganhe menos ressaltos quando está em campo. E já que falamos dos grandes, Dwight Howard tem feito o que pode: em campo impede Atlanta de marcar mais 30 pontos por 100 posses de bola, o que justifica em larga medida ser o Melhor Defesa do Ano na NBA, pelo terceiro ano consecutivo.

         No meio de tanta matemática, que estou afinal a reiterar? Havendo bastantes surpresas nos confrontos (nomeadamente Memphis e New Orleans), as grandes figuras são aquelas que têm realizado essas surpresas, algo que todos os anos acontece nos playoffs. E noutros casos, mesmo elas não são suficientes, devido à falta de qualidade do resto da equipa, que é o que acontece entre Dwight Howard e os Orlando Magic. Noutros casos ainda, por exemplo o de Chicago, a vantagem é clara, mas muito frágil: Derrick Rose é a grande âncora que faz a equipa jogar como joga, e se este se lesiona gravemente (como podia ter acontecido no último jogo, pois caiu de muito alto e realizou uma ressonância magnética que felizmente para Chicago não revelou impedimento competitivo) as chances dos Bulls caem vertiginosamente. Os outros jogadores são bons, mas são-no muito mais com Rose em campo.

         Tudo isto me leva a crer que as surpresas têm sido justificadas por basquetebol de qualidade por parte dos vencedores, especialmente das suas grandes figuras em campo. E se quiserem ter uma boa perspectiva analítica de todas estas coisas, brinquem também um pouco com o StatsCube do NBA.com (isto não tem qualquer propósito publicitário), e comparem medidas.

 

by Óscar Morgado



publicado por Minuto Zero às 15:26
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