Sexta-feira, 22 de Junho de 2012
Buzzer Beater

Temos Rei

 

Lebron James já tem um anel. A primeira parte da profecia dos mais de seis títulos pelos Superfriends de Miami está finalmente cumprida. Não digo finalmente de forma inocente, pois era apologista de que não queria ver um jogador tão fabuloso como James ser privado de títulos colectivos. E os Thunder têm tempo para chegar ao topo da montanha nos próximos anos.

Agora, aquilo que eu não esperava era ver a eliminatória ser resolvida apenas em 5 jogos, e ver Miami ganhar os 4 últimos que dariam a vitória de forma consecutiva. O que se viu - e bem - foi uma equipa que, apesar de dificilmenteconseguir algum dia  chegar ao equilíbrio e quiçá perfeição patentes no modelo de Oklahoma, porque o seu modelo salarial ancorado quase na totalidade em James, Wade e Bosh é proibitivo a contratações de grandes jogadores, foi uma equipa de campeonato. Além do trio, nestes playoffs (e na época regular) liderado por James que tem tido performances possantes (até nos seus malogrados quartos períodos da época passada), o banco de Miami fez aquilo que é suposto se esta equipa quer colmatar as suas deficiências. Com uns quase históricos 7 em 8 triplos convertidos de Mike Miller, um jogo sólido (durante todas as rondas) de Shane Battier, Mario Chalmers também a assumir responsabilidades de atirador e Norris Cole que, juntamente com Udonis Haslem, têm um espírito indomável (ontem à noite os comentadores da ESPN apelidavam Cole de um Udonis Haslem em ponto pequeno), Miami conseguiu juntar as peças do puzzle.

Isto deve chegar para silenciar alguns, mas viu-se este ano que Miami, especialmente James, já não joga para silenciar críticas. Alías, confessou-o nos últimos dias, e que isso naturalmente o fez ganhar de novo o MVP, e finalmente o título. Quem sabe se essa mentalidade tem existido na época passada se não estávamos a falar de algo inédito na NBA, 4 MVPs consecutivos.

E portanto, deixá-los serem reis por uns tempos, que bem merecem. Mas quanto ao futuro? Oklahoma vai voltar com a experiência que não teve nestas finais, de outra forma não se entende porque carga de água foram perder quatro jogos seguidos contra uma equipa que alguns nem achavam que ganhasse esta série, após terem mostrado compostura invulgar para a tenra idade nas séries anteriores, especialmente contra os veteranos San Antonio Spurs. E será precisa boa gestão de cima para manter esta equipa competitiva nos próximos anos: viu-se este ano que os anos vão começar a pesar em Wade, há que saber que James não é seguro de ficar em Miami caso o sucesso seja grande no final do contrato, portanto rodear o mais possível, e com os recursos autorizados, as estrelas do talento certo para jogar é fulcral. A próxima época, inteira, com uma pré-época completa e uma 'offseason' também longa que permita aos escritórios das equipas ponderar os planos para as suas formações. E o futuro promete, tanto para os Heat como para os Thunder. Mas cuidado, os Lakers vão-se reparar, os Spurs vão novamente reinventar-se, os Bulls vão-se segurar, e os Clippers vão crescer, portanto a competição estará lá. Neste momento, só não consigo apostar nos Knicks, disfuncionais que dói. Agora, vem o draft dia 28, e as esperanças das equipas mais pequenas (vamos Detroit...) jogam-se neste palco, e também promete, depois da primeira escolha que se espera ser Anthony Davis, nada é certo nos 15 primeiros.



publicado por Óscar Morgado às 20:09
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Sexta-feira, 15 de Junho de 2012
Buzzer Beater

Algo para inspirar

 

Perdoem-me se esta semana misturo o basquetebol com o futebol, mas parece-me oportuno para cada um dos lados. Não sendo um conhecedor do desporto rei, há aqui um foco de inspiração que penso ser interessante de referir. Todo o português amante de bola viu os dois falhanços de Cristiano Ronaldo frente à Dinamarca, de um jogador que marcou 60 golos esta época ao serviço do Real Madrid, mas que parece nunca traduzir por completo o seu talento ao serviço da selecção nacional. O que se passará?

A resposta parece estar na própria cabeça do jogador. Pressão do país? Da equipa? Dos media? Dele próprio? Só podemos especular, mas aqui deixo um caso de superação de debilidades de um outro astro desportivo. Lebron James, que esta época se sagrou pela terceira vez MVP da NBA ao serviço dos Miami Heat, já foi noutra ocasião comparado neste blogue a Ronaldo: discutivelmente (muito até, embora seja compreensível), ambos são vistos como os melhores nas suas modalidades, tremendamente dotados do ponto de vista físico e atlético, e, acima de tudo, extremamente trabalhadores pelas suas capacidades (neste ponto até darei alguma vantagem a Ronaldo). E sim, um pouco prima-donas em dados momentos.

Como a maioria que acompanha esta coluna deverá por esta altura já saber, James vai no seu segundo ano a jogar em Miami, após a sua saída controversa de Cleveland. Apesar de ser desprezível o programa de uma hora feito de banalidades que culminaram no final com a revelação da decisão de Lebron (que concordou com o circo mediático possivelmente deliciado com o pacote avançado por uma das marcas que o patrocina), o então também MVP teve uma posição legítima em deixar o clube onde estava, que não teve capacidade para o rodear com os jogadores certos para este alcançar o título, apesar de ter estado sete anos no clube (chegou a haver Carlos Boozer, mas alguém se lembrou que não valia a pena pagar-lhe).

E depois escolheu jogar com Dwayne Wade e Chris Bosh, mas já toda a gente devia saber o contexto por esta altura. O ponto-chave: James, alvo de tanta crítica, bem como o resto da equipa, passou a época enfurecido e usando esse combustível para jogar, e chegar até às Finais, onde a sua equipa tombou perante os Dallas Mavericks. Só que essa fúria culminava com o ponto-chave da crítica do ano anterior: nos jogos grandes, James encolhia-se, e não era MVP para ninguém. Isto fez com que um novo buraco no seu jogo fosse constantemente escrutinado, a falta de eficácia nos 4ºs períodos decisivos de cada jogo.

Este ano, de volta às Finais, empatados a um jogo com os Thunder, James já é mais que completo: faz tudo muitíssimo bem em campo, joga em todas as posições se necessário, e já resolve nos momentos decisivos. E porquê? O próprio já o confessou: a fúria e frustração foram embora e deram lugar à fluidez e capacidade natural para o basquetebol, e, acima de tudo, a paixão pelo jogo que sempre caracterizou James enquanto esteve ao serviço dos Cavaliers. Por isso voltou o prémio de MVP, e se os Heat não ganharem o título este ano não será por causa dos 4ºs períodos de James, que tem dominado estes playoffs como mais ninguém. Só é pena a sua equipa ser tão desfalcada em tanto sítio.

A inspiração fica: não sei até que ponto Ronaldo terá algum problema com a fúria ou críticas, nem me parece que seja o caso, mas interessa que com todas as estrelas vem controvérsia e adversidade. É só uma questão de tempo até essa adversidade assolar os Thunder, cujas expectativas acabaram de chegar ao máximo com o final desta época que se aproxima, e de o público geral se aperceber que Durant também não é nem será perfeito, tão pouco que seja sequer melhor que James. Assim as estrelas, porque o são, acabam por ultrapassar estes períodos, e normalmente, como aconteceu a James, voltam melhor que nunca. Terá sido doloroso ver vezes sem conta os vídeos dos seus piores momentos nos playoffs do ano passado, mas isso parece ter-lhe limpo a alma. E acredito que um jogador como Ronaldo não deixará de fazer algo que lhe surta o mesmo resultado.

                                                          

                         



publicado por Óscar Morgado às 09:28
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Sexta-feira, 4 de Maio de 2012
Buzzer Beater

Só em Miami se ouve o relógio

 

Começados os playoffs da NBA, ainda não há grandes surpresas. Oklahoma e Miami dominam os seus confrontos com Dallas e Nova Iorque, vencendo por 3-0. Os Lakers voltaram à sua mentalidade campeã e vencem Denver por 2-0. Memphis e Clippers discutem a passagem taco-a-taco. Boston e Atlanta também. Indiana com algum trabalho mas lá ganha a Orlando 2-1. A maior surpresa talvez esteja no empate a 1 entre Chicago e Philadelphia, não pelo resultado, mas porque Derrick Rose está lesionado para o resto dos playoffs.

E contudo não vejo muitas equipas com muito a perder. Utah e Denver são equipas jovens, com talentos por desenvolver, e já é uma vitória terem chegado aos playoffs. É pouco provável que causem estragos, a perder por 2-0. Orlando, sem Howard, já só com um milagre. Em Boston, a idade há um par de anos que já vai avançada nas estrelas, excepção feita a Rondo. Já Atlanta, que passou há uns anos de burro a cavalo, hoje não passa de cavalo a unicórnio, e já não será com esta equipa.

O que me leva a falar daqueles que estão a disputar hipóteses de título este ano, ou num futuro muito próximo. Começando pelos Pacers, tenho pena que provavelmente Danny Granger já não estará no topo quando essa atitude surgir, mas Hibbert e George estarão. Mas se perderem este ano ninguém os irá martirizar. O mesmo não se pode dizer dos Knicks, nos quais muito tenho cascado durante meses, porque com um plano consistente degolado pelo dono da equipa, Jim Dolan, não é assim tão estranho que tenham acabado em 7º lugar, e que saiam novamente da primeira ronda dos playoffs, com um eventual 4-0 às mãos dos Heat. E tão cedo não conseguem uma equipa à altura, com uma organização semelhante.

Em Philadelphia, a equipa está sólida, com talento jovem, mas a âncora defensiva, Iguodala, parece melhor adequado numa equipa mais forte, e já caminha para os 30. Também ninguém os vai importunar. E em Memphis? Fazem-me lembrar os Detroit Pistons de meados da década passada, que ganharam um título em 2004. Aguerridos, com talento mas sem estrelas. Ficam sempre bem na fotografia, mesmo que percam. Já os Clippers, passaram de burro a unicórnio, mas têm a desculpa de Billups se ter lesionado para a equipa não estar na forma máxima este ano. Este ano, primeiro desta equipa renovada, ainda vai passar ao lado das críticas.

Quem já está blindado às críticas são os San Antonio Spurs. Com Tim Duncan nos 36 anos, Ginobli nos 35 e Parker nos 30, só o facto de terem terminado a época regular em 1º lugar, aparentemente sem grande peso das estrelas (salvo Parker), faz com que uma passagem da primeira ronda pareça fazer-lhes justiça, embora seja Memphis ou Clippers a seguir, e possam muito bem chegar à final. Chicago teve o desaire de Rose se lesionar, e então ninguém espera mais do que uma segunda ronda, ou uma eventual final de conferência. Os Lakers, apesar de rejuvenescidos, já ganharam dois títulos com esta equipa, e Bynum ainda tem muitos anos pela frente. Kobe Bryant já construiu o seu legado histórico como um dos melhores de sempre. E Oklahoma nem se fala. Ridiculamente jovens, ridiculamente bons. Têm uma década inteira pela frente.

E então chegamos a Miami. Dwayne Wade tem 30 anos. Lebron James e Chris Bosh têm 28. Parecem distante dos mais de 6 títulos que prometeram há dois Verões atrás. Parecem bem posicionados para ganhar este ano. Mas se perderem começa-se a questionar esta equipa. Até porque os contratos das 3 estrelas continuam a aumentar, e o espaço para um bom grupo complementar de jogadores torna-se mais apertado com cada ano que passa. E é aí que eles poderão vacilar nos próximos anos. Portanto, o relógio ouve-se em Miami, os segundos a passar, e uma oportunidade de título já lá vai. E se passar esta, será outra. E os críticos eventualmente devoram esta equipa. Claro que se ganharem, tudo está bem. Mas é a única equipa nestes playoffs que não pode perder.



publicado por Óscar Morgado às 08:01
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Sexta-feira, 27 de Abril de 2012
Buzzer Beater

Os Playoffs estão aí

 

Agora sim, está tudo definido. Ontem à noite terminou a fase regular da NBA, que apenas confirmou os confrontos já previstos para a derradeira fase do campeonato. Aqui fica a antevisão de toda a acção, que começa Sábado à noite:

 

Conferência de Este

 

1º - Chicago Bulls vs. 8º - Philadelphia 76ers

 

     Antes da época começar, não me iria surpreender com os sixers aqui. Mas depois de esta equipa dominar nos lugares cimeiros da conferência até meio da época, é pena o seu rendimento ter descido, e terem apanhado um confronto que dificilmente vão vencer. A equipa aguerrida, comandada pelo ala Andre Iguodala e liderada pelo treinador Doug Collins, não fará uma prestação que os embarace, mas garra Chicago também tem, simplesmente com uma dose muito maior de talento. Fica a dúvida da condição física de Derrick Rose, que segura toda esta equipa junta, mas mesmo sem ele, pelo menos a primeira ronda parece acessível a Chicago. Previsão: vencem os Bulls em 5 jogos.

 

2º - Miami Heat vs. 7º - New York Knicks

 

    Este fará correr tinta nos jornais, e irá disparar as audiências, mais altas que qualquer outro jogo da primeira ronda. Lebron James, Dwayne Wade, Carmelo Anthony, Amare Stoudemire, Chris Bosh, e até o lesionado Jeremy Lin. As estrelas não acabam. Do lado de Nova Iorque, uma época decepcionante, em que todos esperavam que esta fosse a 3ª melhor equipa da conferência, levou ao 7º lugar. Anthony e Stoudemire não funcionam juntos, o treinador não sabia o que fazer com esta equipa, e o talento é algo desperdiçado. E depois apareceu Lin, e deu esperança de grandes coisas. Mas Miami é mais competente, apesar de menos profunda em termos de banco e de jogadores que suportam as estrelas, pode aproveitar o facto de Lin estar lesionado para esta ronda e não ter a fraqueza do confronto entre bases. O perigo vai estar em Tyson Chandler, sem igual debaixo das tabelas, pois James sabe bem o que fazer com o seu amigo de longa data, Carmelo Anthony. Ainda assim, equilibrado em muitos aspectos. Previsão: Miami em 6, eventualmente 7.

 

3º - Indiana Pacers vs. 6º - Orlando Magic

 

     Os Pacers continuaram a evoluir esta época, e o 3º lugar é perfeitamente justificado, com uma equipa perfeitamente equilibrada em todas as posições, e com banco à altura de qualquer outra equipa. Orlando...não. Dwight Howard enfrenta uma cirurgia brevemente, e está fora para todos os playoffs, portanto os Magic não parecem ter qualquer hipótese. E mesmo que lá estivesse, o seu rendimento baixou brutalmente na segunda metade da época, depois de toda a novela sobre a sua eventual saída,  e a equipa parece muito desfigurada a jogar, nada a ver com a equipa que foi às finais há uns anos atrás. Teria que acordar Turkoglu, Nelson fazer os jogos da sua vida, e Ryan Anderson jogar como All-Star todas as noites. Salvo alguma surpresa, Orlando não tem hipótese, e a previsão é arrojada: Pacers vencem em 4 jogos.

 

4º - Boston Celtics vs. 5º - Atlanta Hawks

 

     O velho trio de Boston não desiste. Os Hawks, sem surpresa, surpreendem mais um ano, mesmo depois de Al Horford ter sido perdido por lesão, Josh Smith justificava a sua presença no All-Star, talvez até como membro do 5 inicial, e Joe Johnson tem estado à altura, só não à altura do seu contrato, bem como Jeff Teague, que se vem a afirmar como o base aceitável que os Hawks não têm conseguido encontrar. Em Boston, Garnett e Allen estão no final dos seus contratos milionários, e tinham que jogar esta época para que Boston se reestruture em seguida, mas toda a coesão está lá. Talvez não tenham as pernas para uma campanha longa, embora Rajon Rondo ajude nesse departamento, com a sua constante ameaça de triplo duplo todas as noites. Previsão: não consigo decidir, mas vai a 6 ou 7 jogos.

 

Conferência de Oeste

 

1º - San Antonio Spurs vs. 8º - Utah Jazz

 

     Sim, parece que eles nunca mais deixam de jogar bem. San Antonio é uma equipa que quase que chateia. Se não joga bem Duncan, Ginobli carrega a equipa. Este ano, ambos estiveram mais de fora, por lesão ou condição física. Não há problema: Tony Parker joga á la MVP. E Utah? O lugar, conquistado à última da hora, motiva uma equipa cheia de promessa para o futuro, que mostra que sem Deron Williams também se ganha. Jefferson e Millsap ancoram o agora, Favors, Hayward e Kanter o futuro. É afinal, é sempre bom ver os Spurs jogar. Previsão: Spurs em 6 jogos.

 

2º - Oklahoma City Thunder vs. 7º - Dallas Mavericks

 

    Oh doce vingança! Os Thunder devem estar a pensar porque é que não conseguiram manter o primeiro lugar. Tiveram problemas de confrontos directos este ano (especialmente com os Clippers), e alguns jogos ficaram por ganhar. Mas continuaram a crescer, como esperado, e são finalmente uma equipa que está a lutar pelo título. Durant é a mega estrela, Westbrook a super estrela, Harden e Ibaka, as estrelas. Brilham, são jovens, e continuarão a brilhar. Melhoraram a defesa, o ataque mantém-se de alta qualidade. E há a motivação extra de jogarem contra os Mavericks, sombra da equipa que ganhou um título na época passada. Não vejo este ano (e ainda assim, não via o ano passado) Dirk Nowitzki carregar o fardo contra os 5 do outro lado, ainda por cima, sedentos de vigança da derrota do ano passado. Sem Chandler no meio, um Terry e um Kidd envelhecidos, já não é a mesma coisa, e a época regular correu pior que no ano passado. É altura de Oklahoma ter uma verdadeira chance ao título. Previsão: OKC em 6 jogos.

 

3º - Los Angeles Lakers vs. 6º - Denver Nuggets

 

     Os Lakers são uma equipa interessante. Pagos a peso de ouro, não se sabe bem se jogam bem ou se é Kobe Bryant. Tentaram atrair Chris Paul e Dwight Howard, mas Bynum já joga ao ponto de fazer pessoas este ano dizerem que pode ser melhor que o último. Com a brincadeira, perderam a âncora de Lamar Odom ao tentar aliviar tecto salarial,  e o seu banco desmoronou-se. Mas Gasol voltou a ser um jogador do mais fiável que há (mas não estrela indiscutível) e Bynum uma legítima estrela. E Bryant...escusado será dizer, só Durant fez médias pontuais mais altas este ano. Estão lá para o título. E as trocas correram bem antes do deadline: Jordan Hill dá força ao banco e Ramon Sessions é finalmente um base aceitável para esta equipa, que despachou Fisher para os Thunder. Quanto aos Nuggets, mais um ano eles são o grupo coeso, ainda jovem, e ainda mais promissor que o ano passado. O rookie Kenneth Faried é uma máquina de ressaltos, tanto que até valeu a troca de Nenê por McGee, dos Wizards, apostando na juventude. O treinador, George Karl, nunca mais se reforma, mantém o ataque como um dos melhores da NBA. Só se o star power de Los Angeles falhar, aí podemos estar perante um upset. Previsão: Lakers em 7.

 

4º - Memphis Grizzlies vs. 5º - Los Angeles Clippers

 

    Ver os Clippers ganhar esta dificilmente será considerado um upset. Renascidos da ridicularidade com Chris Paul, prometem ser relevantes e candidatos ao título para os próximos anos. Foi custoso perder Billups, a espinha veterana que dava excelência ao duo exterior com Paul, mas Nick Young, pelo menos, dá pontos aos molhes. Memphis é novamente a equipa do esforço e trabalho, mas com Rudy Gay a jogar como deve, sem lesões. Isto tanto dá para um lado ou para outro, e não será o star power de Los Angeles que fará uma desvantagem. Previsão: qualquer um, 7 jogos.



publicado por Óscar Morgado às 08:19
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Sexta-feira, 13 de Abril de 2012
Buzzer - Beater

O fantasma das lesões está zangado

 

Esta curta campanha da NBA está quase no final. Parece mentira, embora por esta altura já seja costume falar-se em playoffs. Mas, por ter começado no dia de Natal, dá a sensação de que falta muito para trás.

Blá blá blá…e onde é que eu quero chegar? É que para muitos a época acabou ainda mais cedo, como se não bastasse ela já ser curta. Podia falar de muitos jogadores que sofreram lesões que lhes hipotecaram o resto da temporada, mas há dois que se destacam – falo de Ricky Rubio e Kyrie Irving.

Rubio lesionou-se no início de Março. Uma rotura nos ligamentos do joelho deitou por terra as esperanças de playoff dos Timberwolves, que finalmente encontraram o mago que iria guiar uma das maiores estrelas em ascensão (mas já lá bem alto) em Kevin Love, e mais algumas jovens promessas ao sucesso nas Cidades Gémeas. O base espanhol, rookie na NBA, mas provavelmente o mais experiente profissionalmente de todos os jogadores de 1º ano (porque joga profissionalmente desde os 14 anos), liderava todos os jogadores desde grupo em média de assistências, e estava lá no topo desse valor com todos os restantes bases da liga.

Irving parecia o favorito para o prémio de Rookie do Ano, sendo o melhor marcador entre os seus pares de estreantes, e estava a manter os Cleveland Cavaliers á tona da qualificação para os playoffs. Impensável seria no ano passado, quando a equipa, após um ano com o melhor record da NBA liderada por Lebron James, passa de cavalo a burro e sofre a pior sequência de derrotas da história, e acaba a época com o segundo pior record da liga (atrás de Minnesota aliás). Não se adivinha um novo James em Irving é certo, mas o jovem base faz esquecer esporadicamente que o melhor jogador da NBA foi embora sem ficar nada em troca. E nos últimos dias lesionou-se.

Ok, então alguma entidade divina muito mesquinha, provavelmente zangada com a novela do lockout da NBA, decidiu acabar com o entusiasmo dos dois favoritos ao título de melhor rookie? Provavelmente. Apesar de Isiah Thomas, o pequeno base dos Sacramento Kings, ter ficado com maior destaque após estas duas lesões, não creio que ainda seja relevante para alterar o veredicto do painel de votantes: Irving vence, Rubio fica em segundo.

É pena não se ver já nenhum dos dois em acção nos playoffs, mas mais espectáculo nos espera, com mais jogadores de topo, e muitos confrontos de resultado imprevisível. Game on!




publicado por Óscar Morgado às 10:36
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Sexta-feira, 6 de Abril de 2012
Buzzer Beater

Kentucky Wildcats - mais do mesmo

 

Na passada segunda-feira os Wildcats, equipa que antes do torneio final deste ano da 1ª divisão da NCAA estavam em 1º no ranking, ganharam a edição 2012 do torneio, batendo a Universidade de Kansas, na final. E porquê mais do mesmo? Não sendo a equipa com mais títulos universitários (com este último somam 8, UCLA é a grande totalista com 11, salvo erro), são os que nos últimos anos têm formado a maior quantidade de jogadores de qualidade para os profissionais, especialmente na NBA. Isto vem com alguma tradição na credibilidade que o programa de basquetebol daquela universidade tem em formar jogadores.

São facilmente reconhecíveis: Pat Riley, estrela dos anos 60, actual presidente dos Miami Heat, Jamal Mashburn, Tayshaun Prince, Keith Bogans, DeMarcus Cousins, John Wall, Rajon Rondo, Antoine Walker, Patrick Patterson, Brandon Knight, e, duas estrelas deste ano que seguramente irão entrar na NBA nas próximas temporadas (dependendo se decidem declarar-se para o draft ou não), Michael Kidd-Gilchrist e Anthony Davis.

E estes são só os mais reconhecíveis, muitos mais há em número que acabam por entrar na NBA. A equipa deste ano teve uma particularidade interessante: Davis e Kidd-Gilchrist, os melhores jogadores, estão no seu primeiro ano de universidade. Isto vem das bases sólidas de recrutamento que esta escola tem. Uma das grandes dificuldades, na minha opinião, da NCAA, é o refazer constante das equipas, pelo que os jogadores não jogam mais do que 3 ou 4 anos, e aqueles que se destacam cedo pela sua qualidade, saem para a NBA 1 ou 2 anos depois da sua experiência universitária. Portanto a base de continuidade tem que ser em dois aspectos: no recrutamento e na equipa técnica, pois dificilmente se constroem estas equipas à volta de alguns jogadores, pelo menos a longo prazo.

Com este plano de recrutamento a resultar bem nos últimos anos, espera-se que a Universidade de Kentucky continue a formar jogadores de grande qualidade, sendo que este ano não será excepção. Num draft que se advém prolífero em jogadores de grande estatura (uma deficiência gritante da NBA neste momento é a quantidade de postes de qualidade, ao passo que em extremos-poste já se afirmam muitos jogadores de renome), muitas equipas com menos sucesso este ano irão abastecer-se de juventude e capacidade física, mas também técnica, para voltar à relevância, ou chegar lá pela primeira vez. Anthony Davis parece ser a escolha consensual para nº1 (embora ainda não se tenha declarado elegível para o draft), mas daí até aos 9 seguintes, a corrida parece estar muito dividida, e ninguém sabe exactamente quem é melhor, logo a seguir. Com a chegada dos playoffs da NBA, nas próximas semanas, as equipas que lá não estiverem vão começar a virar-se para esta via. Uma das maiores silly seasons da temporada, em que toda a gente se arma em adivinho para ver quem acaba por ser escolhido e em que lugar, onde agentes batalham pelo 'stock' dos seus clientes, e, dependendo do número onde são escolhidos, da dimensão dos seus contratos, e ainda, comissões.



publicado por Óscar Morgado às 12:07
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Quinta-feira, 8 de Março de 2012
Buzzer Beater

No Flow

 

Hoje penso que seja oportuno abordar questões psicológicas complexas e pouco exploradas, que há já muitos anos se adequam ao mundo desportivo, concretamente à NBA. O conceito de 'flow', vindo da psicologia (traduzindo à letra 'fluxo'), designa um estado mental que faz um indivíduo operar numa dada tarefa com um grau de concentração e envolvimento completo, no limite do que um ser humano consegue fazer, levando-o ao seu potencial total de aprendizagem e performance em qualquer tarefa. É um estado impossível de desbloquear propositadamente, embora certas condições devam ser satisfeitas: a actividade em questão deve ter objectios claros para o executante, o qual deve estar ainda bem ciente desses objectivos e da sua real capacidade para os cumprir, vendo-se a si próprio como absolutamente capaz de estar à altura da execução, e a tarefa deve proporcionar um feedback imediato nas suas várias fases.

Ora, vendo por partes, isto serve que nem uma luva a um jogo de basquetebol. O objectivo é o de vencer a equipa adversária, e o jogador pretende ter um desempenho superior ao dos seus adversários para o conseguir. Além disso, é expectável que o seu treinador transmita a cada atleta os seus objectivos específicos para servir o propósito geral da equipa. O jogador, assim posto, sabe o que tem que fazer, bem como o treinador, que lhe delega as tarefas em função da sua capacidade para as cumprir. No caso da NBA, o seu estilo orientado para a iniciativa dos atletas em muitas situações, dada a sua qualidade, faz com que haja uma grande capacidade criativa na execução em campo.

E depois chegamos ao feedback imediato: o rugir do público com um lançamento de 3 pontos convertido, o 'dá cá mais 5' do colega depois da assistência concluída ou a palmadinha nas costas do treinador no final de um jogo bem conseguido são mais que suficientes.

E isto tudo para quê? Eu tenho a certeza que vi um jogador no flow no passado Domingo. Deron Williams, base dos New Jersey Nets, despejou 57 pontos nos Charlotte Bobcats numa vitória de 104-101 sobre estes.

E agora voçês dizem: "Ah mas são só os Bobcats que estão quase em último...". Mas se vos disser que este é o marco pontual mais alto da época regular da NBA desde 22 de Janeiro de 2006, quando Kobe Bryant despedaçou os Toronto Raptors com os seus 81 pontos, já agora 2ª melhor performance pontual desde os 100 pontos de Wilt Chamberlain há 50 anos, a perspectiva muda.

Mas não foram só os pontos que me chamaram à atenção. Podiam ter todos vindo de jogadas fáceis, de assistências exímias, de factores quase externos ao jogador. Mas não. Uma postura quase animalesca de Williams, que normalmente é já um jogador de elite, com uma confiança tremenda a jogar, que põe uma equipa inteira a funcionar e com um jeito já de si natural para marcar pontos, neste jogo ele estava sob o efeito do flow, claramente. A confiança estava acima do que alguma vez esteve para Williams na NBA, que lançou triplos em corrida e os converteu, jogou de costas para o cesto, qual poste, e sabia exactamente o que tinha que fazer, quando fazer, e como fazer. E provavelmente não sabe explicar como é que aquilo aconteceu, nem conseguirá, conscientemente, replicar as condições novamente para fazer algo semelhante. Acredito que poderá voltar a fazê-lo até ao final da sua carreira, mas não o poderá antecipar.

NBA, where amazing happens? Nah, NBA, where out of this world psychological phenoms happen!



publicado por Óscar Morgado às 15:25
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Quinta-feira, 1 de Março de 2012
Buzzer Beater

Os meios vazios e os meio cheios

 

Acabado o fim-de-semana All-Star, estamos a meio da época regular da NBA. Parece estranho dizê-lo no início de Março, quando só há pouco mais de dois meses tem havido acção entre as tabelas dos profissionais norte-americanos. E como se trata de um dos raríssimos períodos de descanso para as equipas nesta liga encurtada mas intensa, parece-me correcto ligar a bola de cristal e lançar as cartas para a mesa, num pouco frutuoso exercício de futilidade de previsões. E como estamos a meio, vou escolher 4 equipas de cada Conferência, 2 que espero que melhorem na segunda metade e 2 que espero que desçam de rendimento significativamente: meio-cheios e meio-vazios.

 

Conferência de Este

 

Meio-Cheios:

 

 

- New York Knicks: estes são claramente os mais fáceis, pelo menos com os dados que se têm até ao momento. Com um 5 inicial que parece estar finalmente completo e mais equilibrado do que quando a época começou, graças à performance de Jeremy Lin, que tem pela frente a árdua tarefa de dividir a bola entre Anthony e Stoudemire, ambos com performances medíocres em relação a anos anteriores. Um bom base poderá ser a solução para levantar aquele que pode ser um 'fantastic five', considerando Tyson Chandler no poste e Landry Fields no base-extremo. De resto continuo a considerar que este não foi um plano cautelosamente deliberado para ter sucesso, mas antes uma estrelinha da Broadway que brilhou em favor da equipa e lhes proporcionou, a preço de salto, um base de qualidade. O treinador Mike D'Antoni já levou os Phoenix Suns às finais do Oeste, e se tivermos em conta que os Knicks estão neste momento em 8º lugar no Este, parece-me que estão a lutar por um lugar no 'top 5' da Conferência. Quem diria. Sorte. Muita sorte.

 

- Detroit Pistons: num espectro bem mais modesto, sem um terço dos recursos, os Pistons começam a ver o que as suas sementes podem vir a produzir um dia mais tarde. Greg Monroe atingiu recentemente a barreira do duplo-duplo nas suas médias para esta época, mostrando-se um jogador com grande inteligência, uma máquina ressaltadora, e com muita técnica ofensiva debaixo do cesto; Brandon Knight vai provando a força dos produtos da Universidade de Kentucky, afirmando-se desde já como o base do futuro. O cada vez mais posicionalmente híbrido Rodney Stuckey parece não se estar a dar assim tão mal com a polivalência entre as duas posições exteriores, e o sueco Jerebko vai compensando o tempo perdido a época passada devido a lesão. Não acredito que cheguem aos playoffs, mas há potencial já nesta época para chegar perto do 9º lugar. Pode parcer parcialidade por torcer por eles, mas que lá está um bom plano para os próximos anos, está.

 

Meio-Vazios


- Orlando Magic: também parece ser razoavelmente fácil, dado que a saída de Dwight Howard está iminente, e esta equipa seguramente irá sofrer desaires semelhantes aos New Orleans Hornets quando perderam Chris Paul. A não ser que a moeda de troca pelo melhor poste da actualidade seja equivalente (do tipo de pechincha que os Nuggets conseguiram a época passada por Carmelo Anthony). Ainda assim, há uma probabilidade de Howard não sair na data limite das transacções, se nenhuma das equipas que este deseja (e com as quais, por conseguinte, renovaria o seu contrato, que termina no final da época) conseguir segurar a venda com um pacote de jogadores e escolhas de draft atractivo para Orlando. Se Dwight sai, os Magic descem para o fundo dos lugares ao playoff, até fora dele na pior das hipóteses. Se ele fica, continuam bons este ano, e resta-lhes fazer magia para o próximo.

 

- Boston Celtics: aqui a questão das trocas torna-se determinante também. Porque o director-geral Danny Ainge parece decidido a trocar Rajon Rondo, a era do já desgastado 'Big Three' de Garnett, Pierce e Allen está mais próxima do fim do que nunca. Mas com a corrida a Chris Paul já fechada e a de Howard muito mal parada para Boston, pergunto-me o que terá esta organização em mente ao querer separar-se do seu valor mais jovem e seguro, não sabendo bem ao certo aquilo que poderá trazer de volta do mercado. E irão manter Garnett e Allen para as próximas épocas com salários mais modestos? Ao final de contas, se Rondo sai, o 7º lugar de Boston no Este está ameaçado.

 

Conferência de Oeste

 

Meio-Cheios

 

- Minnesotta Timberwolves: vão estar a desafiar para um lugar no playoff, tenho certeza disso. Com Kevin Love a candidatar-se para MVP este ano, um quase certo All-Star no futuro em Ricky Rubio, jogadores de alto potencial como Wesley Johnson e Derrick Williams, e até parecem ter encontrado um substituto viável para Darko Milicic em Nikola Pekovic, que tem jogado muito bem com Love, a maioria das peças estão lá. O único senão é a competição no 'deep West' é duríssima. De entre Houston, Memphis ou Denver está o candidato a alvo dos T-Wolves.

 

- Portland Trailblazers: são a equipa mais azarada dos últimos anos, com Houston como um distante segundo. Como se não bastasse Greg Oden simplesmente não parecer ter joelhos para a NBA, Brandon Roy reforma-se devido a problemas semelhantes e os desejos de título, que com esses dois e Aldridge seriam bastante palpáveis, tiveram que ser adiados. Mas apenas um adiamento diga-se. Continuam a ter uma equipa com todas as posições sólidas para os próximos anos, à excepção de poste, que, apesar de Camby estar a produzir, tal como um profissional deve fazer, está assustadoramente perto das 40 primaveras. Mesmo com Jamal Crawford, base-extremo de raiz a jogar no 5 inicial a base substituindo Raymond Felton, que não tem estado à altura das suas capacidades, o ex-Knick-Bobcat et al., tem as ferramentas para conduzir esta equipa, e só se outro desastre os assolar é que não conseguirão passar do actual 9º lugar. Ainda assim, mantém-se forte a competição.

 

Meio-Vazios

 

- Pois, esta conferência é muito forte! Não vejo nenhum nome que mereça estar aqui especialmente. Mesmo sem Billups, não se antevê uma queda vertiginosa para os Clippers, que procuram manter-se, no máximo, dentro dos 3, 4 primeiros do Oeste. Os Lakers, uma vez neste grupo também, não devem descer, salvo alguma lesão grave. Só talvez Dallas, Memphis e Houston estão mais vulneráveis, mas muito mais devido à competição das equipas imediatamente abaixo do que a falhas de cada um destes grupos.

 

 



publicado por Óscar Morgado às 14:22
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Quinta-feira, 16 de Fevereiro de 2012
Buzzer Beater

Estrelinha da Broadway continua a fazer das suas

 

Bom. Muito bom mesmo. Nesta época suis generis da NBA, o que a liga estava mesmo a precisar era de uma grande história de fazer correr tinta. Directamente dos New York Knicks, Jeremy Lin está numa ascenção meteórica para o estrelato. Jeremy quê? Pois é verdade, fixem bem o nome: Lin. Eu cá só lhe conhecia o nome de um ou dois resumos dos Golden State Warriors do ano passado, quando jogava um par de minutos por jogo, ou de um plantel de um qualquer jogo de computador, miseravelmente cotado na casa dos 50s ou 60s, demasiado pouco apelativo para alguém lhe pegar. Agora, o jovem atleta norte-americano, mas de ascendência chinesa e taiwanesa (o que está a recuperar um nicho de mercado da NBA na China, fragilizado após a reforma forçada de Yao Ming), está a revelar-se um base extremamente competente, que nos últimos 7 jogos, após ter-lhe sida dada a oportunidade de jogar contra os New Jersey Nets, bateu recordes de carreira averbando mais de 20 pontos nas 6 primeiras partidas, e 13 assistências na sétima, incluindo uma estupenda performance de 38 pontos contra os Lakers de Kobe Bryant.

Mas afinal de onde surgiu o fenómeno? Primeiro, estudou em Harvard. Ora, uma das universidades mais prestigiadas do mundo não costuma, porém, produzir atletas de grande qualidade. Isto significa que os olheiros não prestam muita atenção ao que se passa dentro das imediações de toda a rede Ivy League: os calendários desportivos diferentes das diferentes universidades na NCAA, que respondem aos altos padrões de exigência académica desta instituição, tiram logo crédito a muitos atletas que aí jogam. Resultado? Um jogador que não é escolhido no draft e se tem que fazer à vida, acabando por conseguir um contrato não garantido com os Golden State Warriors a época passada. As coisas não resultam bem: muito pouco altético, poucos minutos por jogo, e nada se vê que nunca se tenha visto antes. Além do mais, os Warriors, com Stephen Curry, não estavam a precisar de um base. Idem para os Houston Rockets, onde foi parar no início desta época, que tinham Kyle Lowry. Acontece então que com o excesso de talento na posição (Flynn e Dragic além de Lin), os Rockets precisaram de poupar espaço na folha de pagamentos e colocaram Lin à disposição nas waivers (local onde os jogadores não jogam pela sua equipa, e o seu salário é posto à disposição de outro clube, sem qualquer tipo de transacção), onde Nova Iorque foi buscar o jogador.

Mas em Nova Iorque o caso é distinto. Há meses à espera que Baron Davis volte da lesão e salve este caco de equipa do desastre, a equipa tinha experimentado, com algum sucesso, Iman Shumpert, rookie, na posição de base. Embora tenha resultado razoavelmente bem, o jogador tem características de base-extremo, posição 2, e não era o construtor de jogo que o treinador Mike D'Antoni, eterno estratega ofensivo, precisava para por a sua máquina de estrelas a funcionar. Com Carmelo Anthony e Amare Stoudemire a darem uma época desastrosa aos Knicks, a equipa esteve a passar um mau bocado. As outras soluções a base (Toney Douglas, Mike Bibby), não davam garantias. Toca de dar bons minutos a Lin vindo do banco. O resultado? 25 pontos! É verdade que foram muito fruto da pior defesa da NBA das últimas décadas, mas ainda assim, a aposta deu frutos. Tanto que no jogo seguinte, após lesão de Shumpert, o treinador aposta em Lin no 5 inicial contra Utah, e o resultado são 28 pontos. Eis que começava a loucura na Big Apple, e os Knicks a jogar melhor.

Duas coisas eu tenho vindo a perceber desde que acompanho de perto a NBA: a primeira, é que nenhum jogador lá está por acaso, seja por ter talento latente (mesmo que nunca se revele), uma característica específica em que é excepcional, ou simplesmente porque tem a vontade de ser melhor todos os dias e ser competente numa liga de gigantes. Lin insere-se no último conjunto, e talvez no primeiro, embora seja cedo para o dizer. A nível atlético está abaixo da média, mas tem os intangíveis de um base: visão de jogo. Ele pode ser a resposta para Nova Iorque, que precisa desesperadamente de um base que organize tamanha confusão de estrelas ofensivamente eficientes e de uma equipa que simplesmente tem parecido desregulada. A segunda coisa é que os New York Knicks não são uma equipa com uma estrutura competente para o basquetebol. Isso mesmo. Mesmo apesar de Lin estar-se a revelar uma aposta sólida da equipa, a verdade é que com os anos disparates atrás de disparates têm sido feitos para montar esta equipa no momento, e os resultados estão à vista. A época passada pareceu haver um novo rumo com a contratação de Amare Stoudemire, e a equipa estava a subir, mas aquando da contratação de Anthony aos Nuggets, em troca de demasiado talento jovem e promissor (e mais barato e de menor manutenção), contra as ideias do director-geral (esta transacção teve o dedo do proprietário, Jim Dolan, que é muito bom a gerir um negócio que faz mais dinheiro que qualquer outro na NBA, e a buscar por Anthony foi mais uma forma de ir buscar receitas de publicidade e merchandising, e não de ganhar campeonatos). Isto revela uma falta de coerência tremenda, sem apostar nos valores seguros e de baixo-risco que possuiam. Não sei ao certo qual será o tecto de Jeremy Lin, mas pelo menos ele parece resolver o problema desta disfunção de equipa, por agora.

Não creio ainda que lutem pelo título, embora o lugar no playoff pareça agora mais seguro. E pelo caminho, vão-se vendendo mais camisolas, vencendo mais jogos, e criando mais esperança. Mas em Nova Iorque tudo é demasiado efémero, e até agora a minha opinião da organização começa a mudar um pouco, apesar de me parecer que as prioridades estejam muito erradas. Duas boas escolhas de draft em escolhas já muito avançadas parece-me um começo (Fields o ano passado e Shumpert este ano), bem como uma contratação providencial de Lin. Mas ainda estou confiante que nem os Knicks estavam à espera disto.



publicado por Óscar Morgado às 11:50
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Quinta-feira, 9 de Fevereiro de 2012
Buzzer Beater

'Snubbed'

 

Com o All-Star à porta, este termo ganha relevância. Todos os anos, são votados dois cincos iniciais para o jogo das estrelas, um para a Conferência de Este, outro para a de Oeste. Esses nomes já foram revelados: Rose, Wade, James, Anthony e Howard do lado Este, e Paul, Bryant, Durant, Griffin e Bynum do lado Oeste. Os restantes 7 suplentes para cada lado são votados pelos treinadores que, mesmo não podendo votar em atletas das suas próprias equipas, conseguem tornar a escolha sempre algo enviesada.

À custa disto, todos os anos há um ou mais jogadores que levam com o rótulo de 'snub', ou seja, aquele atleta que tem um ano fenomenal a nível individual (ou o que mais se destaca num bom colectivo), mas não chega ao jogo final em favor de outro jogador, mais merecedor, ou talvez não.

No ano passado, o grande caso foi o de LaMarcus Aldridge, o extremo-poste dos Portland Trailblazers. Tendo um ano fantástico sendo o motor da sua equipa, quando Brandon Roy e Greg Oden se lesionaram, acabou por ser Blake Griffin quem caiu nas melhores graças dos treinadores, bem como Tim Duncan. O primeiro, estatisticamente, estava a jogar a um nível semelhante ao de Aldridge (sendo os dois da mesma posição), mas enchia mais o olho e a bilheteira com afundanços estrondosos (que continua a fazer) e capacidade atlética fora do comum. O segundo, por outro lado, estava a ter uma época tímida em termos de números, mas traduzia-se em muitas vitórias para San Antonio, a melhor classificada no Oeste, e, com a lesão de Ginobli, parecia mal a equipa não ter mais nenhum All-Star (quando, na verdade, jogavam muito mais com o seu colectivo). E Aldridge tinha até uma equipa mais bem sucedida que Griffin nos Clippers, traduzindo-se a sua performance em mais vitórias, e, estatisticamente, muito mais forte que Duncan. Mas acabou por ficar de fora, devido ao excesso de talento na sua posição (e, neste caso, de alguma falta de brilho), idem para Monta Ellis, base-extremo dos Golden State Warriors, por exemplo.

Este ano, é mais difícil prever quem ficará de fora injustamente, pelo que há mais dispersão nos resultados das várias equipas (Al Jefferson, dos Jazz, Pau Gasol, dos Lakers, Kyle Lowry, Houston e Danny Granger são fortes candidatos), mas é fácil ver que Bynum, Griffin, e, especialmente, Anthony, ganharam o concurso de popularidade. Embora se possa fazer caso para Bynum como o poste mais eficiente no Oeste nestes dias, Kevin Love tem estado à frente de Griffin e Anthony passou à frente da fila bastantes lugares dado o ano terrível que ele e os Knicks estão a ter este ano.

A discussão, porém, já vem à baila para o jogo de rookies e sophomores. Este ano, com um formato diferente, será um conjunto de jogadores já seleccionados que irá ser escolhido à vez por Charles Barkley e Shaquille O'neal para competirem em duas equipas lideradas por cada um. Da lista, muito devido à forte afluência de bases de qualidade no draft deste ano, nem todos se podem dizer que estão a ter anos brilhantes. Jogadores como Markieff Morris ou Tristan Thompson não estão a ter anos tão impressionantes como Norris Cole ou Iman Shumpert, duas surpresas no draft. Para já, eles são os 'snubs'. Quem se seguirá? Hoje à noite são revelados os suplentes do jogo All-Star.



publicado por Óscar Morgado às 02:00
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