Segunda-feira, 18 de Julho de 2011
Bloco Triplo

XII Lousã Summer Cup

 

Após uma longa paragem por razões académicas, o espaço do “Bloco Triplo” está de volta ao minuto zero, na esperança de retomar a sua normal actividade.


     

          Venho hoje falar da XII Lousã Summer Cup, que decorreu de 6 a 10 de Julho, na vila da Lousã. Esta prova, destinada ao escalão de Infantis e iniciados, cada vez mais se afirma como a última prova do calendário indoor em Portugal, e uma das mais importantes para as equipas dos escalões de fornação. Oferece aos seus participantes uma semana de muito voleibol e muito convívio, onde se começa a delinear a nova época num estilo de festa e descontracção, típico daquele torneio. Com a alimentação e alojamento a cargo da organização, aos participantes apenas compete fazer o que melhor sabem: jogar bom voleibol e dignificar o seu desporto.

 

          Ao longo de quatro longos dias de prova, 67 equipas competem entre si, em busca da tão ambicionada final. Mais uma vez, na edição deste ano, ficou reforçada a abrangência do torneio, com a presença de equipas estrangeiras. Representantes espanhóis e belgas juntaram-se a esta festa do voleibol, engrandecendo um momento único na vida desportiva dos pequenos praticantes. O rol de equipas ficou completo com a comparência de diversas equipas vindas desde o Norte até ao Sul, juntamente com os representantes da Madeira e Açores.

 

          A prova estendeu-se por sete pavilhões em regiões próximas à Lousã, possibilitando assim que se fizessem tantos jogos em tão curto espaço de tempo. A organização deverá ter mais atenção a este ponto, uma vez que alguns espaços não têm condições para uma prática correcta da modalidade. Mesmo assim, suportados por uma vasta rede de voluntários, conseguiu-se assegurar com sucesso mais uma edição desta prova.

 

          Em relação ao voleibol em si mesmo, há a registar algumas surpresas e algumas continuidades. Foram muitas as equipas de Infantis que competiram no escalão superior, realizando uma prova digna de registo. A título de exemplo, a equipa de Infantis do Colégio de Lamego, campeã nacional de Infantis, atingiu o 3º lugar na prova feminina de Iniciados, estando de parabéns. Como esta foram muitas as surpresas neste torneio. Os infantis da Ala de Gondomar fizeram o pleno, juntando ao Campeonato Nacional uma vitória no Summer Cup. No escalão de Infantis femininos, na ausência do campeão nacional, coube ao 2º classificado assegurar a vitória. O Sagrado Coração de Maria, de Lisboa, derrotou a Juventude Pacense na final, assegurando assim a vitória no torneio. No escalão de Iniciados femininos, registou-se o resultado mais improvável. Na ausência de três dos quatro finalistas do campeonato, o Vitória de Guimarães ganhou o torneio. Com o Leixões, único finalista presente no campeonato, desfalcado e abaixo do seu nível habitual, as vimaranenses aproveitaram e ganharam a prova, derrotando as espanholas do CV Esplugues. Por fim, no escalão de Iniciados, coube ao Ginásio de Santo Tirso devolver ao Norte as vitórias no voleibol. Derrotaram por 3-2 o Gueifães, sagrando-se os grandes vencedores do troféu.

 

          Foram quatro dias de bom voleibol, onde se assistiram a bons jogos. Os indicadores para a época que se avizinha são positivos, cabendo agora às equipas preparar da melhor forma os desafios que aí vêm.

 

by Ricardo Norton



publicado por Ricardo Norton às 16:20
editado por Jorge Sousa em 29/07/2011 às 11:11
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Segunda-feira, 30 de Maio de 2011
Bloco Triplo

Evoluir na continuidade

 

 

               A selecção portuguesa chegou, viu e venceu. Assim se descreve, em poucas palavras, a primeira jornada de Portugal na edição de 2011 da Liga Mundial. Para todos aqueles que receavam que o seis luso não aguentasse a transição da Liga Europeia, ganha em 2010, para a mais competitiva Liga Mundial, a nossa selecção apresentou-se mais unida, mais coesa, mais experiente e conseguiu duas vitórias importantes frente à Finlândia. Com estes resultados, Juan Diaz põe-se no mesmo patamar da Rússia e Itália, duas das poucas selecções que contam os jogos todos por vitórias apenas, e consegue um bom início para a campanha portuguesa nesta aventura. É certo que o adversário era acessível e que “o pior ainda aí vem”, mas quando algo tem mérito, é preciso reconhecê-lo. E estas vitórias tiveram-no, muito.

               Antes de mais, convém ver que Portugal está melhor. Tem mais opções e a profundidade do doze é muito maior. Em relação à primeira, um exemplo claro do alargar de opções é a saída da rede da nossa selecção.

               Assistiu-se ao regresso do “velho” Hugo Gaspar, que se veio juntar a Valdir Sequeira. Embora o segundo seja mais forte fisicamente e, possivelmente, jogue mais alto, Hugo Gaspar tem algo que ainda falta ao primeiro: experiência e sangue frio. Atravessa um momento de forma notável. Está bem fisicamente, o que lhe permite estar bem tecnicamente. É dono de um serviço muito eficaz e variado, dado o seu trabalho de voleibol de praia. No ataque, tal como foi sua imagem durante a época, faz muitos pontos e tem um reportório muito grande. Além do mais, foi importante na motivação dos companheiros nos momentos de mais aperto e desconcentração. Portugal tem agora duas opções válidas e capazes de desbloquear jogo quando a situação complicar.

                Na distribuição, Tiago Violas está melhor. O distribuidor que conduziu Portugal à vitória na Liga Europeia apresentou-se na Póvoa mais maduro e mais inteligente. Apesar da tenra idade, já mostra processos de jogo variados e consistentes, sobressaindo-se. Tal como referi em cima, teve muita ajuda dos companheiros nas alturas de segurar o jogo, como a de Hugo Gaspar, o que se reflectiu em dois bons jogos. Violas alia a subida de jogo jogado à consistência habitual do seu serviço andorinha, o que faz dele um jogador cada vez mais válido para conduzir o seis luso e continuar a constar nas escolhas de Juan Diaz.

               No centro da rede estamos a ver uma revelação. Falo de João Malveiro. O recém-espinhense está num crescendo de forma. Está mais agressivo em todos os capítulos, principalmente na acção de bloco. Com um ataque forte e um serviço muito agressivo, subiu, sem dúvida, o nível de jogo. Portugal tem agora uma dupla equilibrada e muito forte, capaz de fazer estragos nas defesas que por aí andam.

               Por fim, a terceira revelação é Alexandre Ferreira. Apesar de ter jogado pouco, o simples facto de Juan Diaz ter apostado nele é sinal da qualidade do jogador e da atenção do cubano à formação do nosso país. É bom que assim seja, porque nomes como Ivo Casas, Filipe Pinto, Phelipe Martins, entre outros, merecem ver a luz da ribalta. São exemplos máximos do bom trabalho de formação portuguesa e merecem ser recompensados.

               Em suma, a nossa selecção “evoluiu na continuidade”. A “espinha dorsal” composta por Teixeira, a dupla André Lopes/ Flávio Cruz e João José foi melhorada e fortificada. Portugal está mais forte, com mais opções e , no meu entender, mais capaz de aguentar o desafio da Liga Mundial.

               Resta esperar para perceber se o tempo me dá ou não razão.

 



publicado por Ricardo Norton às 17:45
editado por Sarah Saint-Maxent em 01/06/2011 às 16:25
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Segunda-feira, 16 de Maio de 2011
Bloco Triplo

Final Eight Juvenis Masculinos

 

               Segunda final eight, segunda vitória. É este o saldo do Leixões Sport Club nas competições de formação nesta época. Depois da vitória das juniores que, na sua terra natal, se sobrepuseram ao Gueifães na final, o passado fim-de-semana testemunhou a vitória dos rapazes do Mar, fora de portas, sobre outra formação maiata: o Castêlo.

                O pavilhão do Castêlo da Maia vestiu-se de gala para acolher a final que se antecipava escaldante. A bancada esteve acutilante. Considero-me alguém que já viu bastante neste nosso mundo do voleibol, mas digo sinceramente que poucas bancadas batem a do passado domingo. E, sim, considero o episódio do confronto entre os dois adeptos como parte da acutilância do público. Apenas mostra a intensidade de emoções que por lá se viveu.

               No campo, uma constelação de artistas defrontava-se. De um lado, o Castêlo da Maia. Tinham sido primeiros na fase regular, contando com uma equipa de excelentes executantes muito bem dirigida pelo Professor Sérgio Soares. Jogavam perante o seu público, na esperança de deixar o título em casa. Tinham tido uma final eight tranquila e “dentro da normalidade”. Na sexta-feira, derrotaram a frágil formação do Fonte do Bastardo, tendo repetido a vitória frente ao Benfica, no sábado. Num jogo mais renhido, a vitória sorriu aos maiatos, desta vez por 3-1. Conforme todas as previsões, chegavam à tão aguardada final.

               Restava apenas conhecer o oponente, que sairia da outra série, disputada em Matosinhos. E o vencedor foi a equipa da casa, o Leixões. Na sexta, derrotaram o CN Ginástica. Um jogo morno em que nenhuma das equipas esteve no topo da forma, mas que os pupilos do Prof. Bruno Costa souberam vencer, sem convencer, no entanto. Chegavam a sábado para, numa complicada meia-final, defrontar os rivais da Ala de Gondomar. Perante um ambiente frenético, “à moda do Leixões”, a Nave Ilídio Ramos encheu para apoiar os locais. Com uns esclarecedores 3-1, os matosinhenses carimbavam, assim, o passaporte para a ambicionada final.

               Castêlo e Leixões chegavam, assim, a domingo, invictos, moralizados e confiantes de que o trabalho da época se iria reflectir no derradeiro jogo. Era de conhecimento geral que o Leixões já não ganhava ao Castêlo desde o longínquo escalão dos minis. No entanto, a concentração da turma de Leixões, apoiada numa forte moldura humana de apoio permitiu atenuar esse facto. Desde o primeiro ponto, notou-se que poderia estar ali a excepção à regra.

               O Castêlo entrou desconcentrado. Sofreu uma desvantagem inicial de 4-0, que o Leixões foi mantendo ao longo do set, mostrando que nem tudo eram favas contadas. Esboçaram uma reacção tardia, que de nada lhes serviu. Uma falta na rede dava o 25-19 aos de Matosinhos, e consequente vitória no 1º set. Os maiatos teriam de trabalhar mais e melhor para voltar ao jogo. E assim o fizeram. Num 2º set muito bem jogado e disputado, o Castelo com 25-22 iguala a partida e traz de volta a esperança do título.

               A mostrar que não estava pronto para abdicar da sua ambição, a turma do prof. Bruno Costa entrou confiante no 3º set. Pela primeira vez, tínhamos as duas equipas taco a taco. No final, o set pendeu para o Leixões. Mais consistentes e concentrados do que os seus rivais, conseguiram a vitória, fruto do bom entendimento entre o distribuidor e os seus atacantes.

               O 4º set, vencido novamente pelo Leixões, teve um episódio que em nada coincidiu com a qualidade que se viu no campo e nas bancadas. Uma pequena rixa marcou negativamente este excelente jogo, quebrando o alto ritmo da partida e desconcentrando as duas equipas. Independentemente disso, o Leixões não abandonou a liderança.  No final, 25-20 colocava um ponto final no jogo e no Campeonato Nacional, com o 9º título para o Leixões SC passando agora a ser o clube com o maior número de vitórias neste escalão.

                Em resumo, foi um excelente jogo e muito bem disputado. A concentração e consistência leixonense sobrepôs-se à qualidade e mestria maiata. Parabéns às duas equipas, boas representantes da qualidade da formação portuguesa.

 

Resta agora disfrutar o verão com o Voleibol de Praia e, na próxima época, tentar “acertar as contas”

 



publicado por Ricardo Norton às 21:00
editado por Sarah Saint-Maxent em 17/05/2011 às 20:01
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Segunda-feira, 2 de Maio de 2011
Bloco Triplo

David vence Golias

 

                O monopólio nortenho no voleibol português há muito que deixou de existir. O AJ Fonte do Bastardo fez questão de reforçar esta máxima e mostrar que não só no Norte se joga bom voleibol. Fez história e, merecidamente, inscreveu o seu nome na restrita lista de equipas vencedoras do campeonato A1.

                Na primeira final do campeonato após a reformulação do sistema de prova, o conjunto insular foi mais forte e derrotou o SL Benfica nos dois jogos. Realizou exibições de bom nível, esteve consistente e, acima de tudo, conseguiu as preciosas vitórias que encaminharam “o caneco” para as ilhas.

                Neste último fim-de-semana, diante dos seus adeptos, os açorianos repetiram o resultado da 1º mão e vergaram os encarnados com mais um contundente 3-1.

                Sabia-se, de antemão, que seria um bom jogo. Da parte do Benfica, era o jogo do tudo ou nada. Sendo a eliminatória à melhor de três jogos e com uma derrota no primeiro jogo, os da capital não tinham margem de erro. Para continuar na luta pelo título, sabiam que teriam de ganhar, entrar fortes e forçar um terceiro jogo na capital. Pelo contrário, o Fonte do Bastardo sabia que o título andava por perto. Poderiam, em caso de vitória, sagrar-se campeões nacionais diante do seu público.

                O jogo iniciou-se com a equipa visitante a correr atrás do prejuízo. Entraram na máxima força e não deram hipóteses aos locais. Com um expressivo 16-25 fecharam o primeiro set e, assim, começavam a árdua tarefa de encurtar a vantagem da Fonte do Bastardo no playoff. No entanto, a qualidade da equipa insular e a experiência do Prof. Alexandre Afonso viraram o rumo dos acontecimentos. Com vitórias nos outros três sets, sentenciaram o jogo e mostraram ao país a qualidade do jogo praticado nos Açores. Os antigos campeões nacionais estavam derrotados e o público aclamava agora a nova sensação do voleibol português.

                Este título é o espelho de uma transformação no panorama voleibolístico nacional. O desinvestimento e instabilidade dentro dos clubes que outrora foram de primeira linha abriram espaços para o aparecimento de novas potências. O Fonte do Bastardo fez uso desse mesmo espaço para se fixar na primeira linha. Realizou um investimento forte, cimentou um plantel dotado tecnicamente na vasta experiência de nomes como Manuel Silva e Eurico Peixoto e cresceu, fruto de um excelente trabalho de Alexandre Afonso, treinador contratado para a época que agora termina. É uma pessoa de créditos firmados. Depois da Taça ao serviço do Castêlo, roubou o título aos benfiquistas.

Espera-se que o Bastardo consiga manter a qualidade apresentada esta época. Têm um projecto ambicioso e consiste, capaz de se aguentar nos próximos tempo. Têm uma filosofia de um jogo vistoso e com qualidade. São um clube com mentalidade vencedora e, acima de tudo, que tem portugueses na espinha dorsal. Uma conjugação de factores que cada vez menos se encontra em Portugal. É importante, a bem do voleibol nacional, que esta estrutura não desapareça.

                Mesmo que não mantenham o título, certamente não desaparecerão do topo da tabela. Porque quem sabe, nunca esquece.

 

by Ricardo Norton



publicado por Sarah Saint-Maxent às 21:42
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