Sexta-feira, 13 de Abril de 2012
Buzzer - Beater

O fantasma das lesões está zangado

 

Esta curta campanha da NBA está quase no final. Parece mentira, embora por esta altura já seja costume falar-se em playoffs. Mas, por ter começado no dia de Natal, dá a sensação de que falta muito para trás.

Blá blá blá…e onde é que eu quero chegar? É que para muitos a época acabou ainda mais cedo, como se não bastasse ela já ser curta. Podia falar de muitos jogadores que sofreram lesões que lhes hipotecaram o resto da temporada, mas há dois que se destacam – falo de Ricky Rubio e Kyrie Irving.

Rubio lesionou-se no início de Março. Uma rotura nos ligamentos do joelho deitou por terra as esperanças de playoff dos Timberwolves, que finalmente encontraram o mago que iria guiar uma das maiores estrelas em ascensão (mas já lá bem alto) em Kevin Love, e mais algumas jovens promessas ao sucesso nas Cidades Gémeas. O base espanhol, rookie na NBA, mas provavelmente o mais experiente profissionalmente de todos os jogadores de 1º ano (porque joga profissionalmente desde os 14 anos), liderava todos os jogadores desde grupo em média de assistências, e estava lá no topo desse valor com todos os restantes bases da liga.

Irving parecia o favorito para o prémio de Rookie do Ano, sendo o melhor marcador entre os seus pares de estreantes, e estava a manter os Cleveland Cavaliers á tona da qualificação para os playoffs. Impensável seria no ano passado, quando a equipa, após um ano com o melhor record da NBA liderada por Lebron James, passa de cavalo a burro e sofre a pior sequência de derrotas da história, e acaba a época com o segundo pior record da liga (atrás de Minnesota aliás). Não se adivinha um novo James em Irving é certo, mas o jovem base faz esquecer esporadicamente que o melhor jogador da NBA foi embora sem ficar nada em troca. E nos últimos dias lesionou-se.

Ok, então alguma entidade divina muito mesquinha, provavelmente zangada com a novela do lockout da NBA, decidiu acabar com o entusiasmo dos dois favoritos ao título de melhor rookie? Provavelmente. Apesar de Isiah Thomas, o pequeno base dos Sacramento Kings, ter ficado com maior destaque após estas duas lesões, não creio que ainda seja relevante para alterar o veredicto do painel de votantes: Irving vence, Rubio fica em segundo.

É pena não se ver já nenhum dos dois em acção nos playoffs, mas mais espectáculo nos espera, com mais jogadores de topo, e muitos confrontos de resultado imprevisível. Game on!




publicado por Óscar Morgado às 10:36
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Quinta-feira, 26 de Janeiro de 2012
Buzzer Beater

A morte dos 'Boston Three Party'?

 

Corria o Verão de 2007 quando Danny Ainge, ex-estrela e Director-Geral dos Boston Celtics tomou duas decisões que iriam mudar a cara da equipa mais galardoada da NBA. A época anterior tinha sido um desastre, com a equipa a averbar o segundo pior resultado da temporada com apenas 24 vitórias e 58 derrotas, já para não falar da morte do histórico ex-treinador dos Celtics, Red Auerbach, figura incontornável dos primórdios da NBA. E como se isto não bastasse, até as esperanças de uma boa escolha de draft que permitisse ir buscar Greg Oden ou Kevin Durant, na altura dois jovens vindos da universidade com um potencial tremendo, foram por água abaixo, com o sorteio a correr mal aos Celtics, que apenas conseguiram a 5ª escolha, muito abaixo do que seria possível para adquirir qualquer um dos outros dois.

E então tudo estava péssimo, até que Ainge realiza as transacções da década (os 3 reis magos de Miami ainda não resultaram em campeonato, e vieram todos pela 'free agency'): na noite do draft, envia a sua 5ª escolha, Jeff Green, Wally Szczerbiak e Delonte West para os então Seattle Supersonics (actualmente Oklahoma City Thunder) em troca do que é, discutivelmente, o melhor atirador de 3 pontos de todos os tempos e um grande marcador de pontos, Ray Allen, mais uma escolha de 2ª ronda desse mesmo draft, usada em Glen Davis. Finalmente uma estrela para jogar ao lado de Paul Pierce desde Antoine Walker. Isto tornava os Celtics uma equipa já de si importante, de playoff no mínimo, mas não era suficiente. Ainge ainda conseguiu aproveitar o descontentamento de Kevin Garnett em Minnesota, obtendo o ex-MVP em troca de Ryan Gomes, Gerald Green, Al Jefferson, Theo Ratliff e Sebastian Telfair, trocando ainda com a equipa as escolhas de 1ª ronda no draft do ano seguinte. Estava feita uma equipa de veteranos muito decorados individualmente, mas não no colectivo. Sendo 3 estrelas com maturidade já mais que provada, e com papéis bem definidos, vontade de vencer sacrificando o invidual se necessário e em grande forma, juntos alcançaram nessa mesma época o título da NBA, aniquilando por completo os LA Lakers nas Finais ao 6º jogo.

E a artimanha ainda fez desabrochar dois anos depois uma 4ª estrela, Rajon Rondo, que tornou o quarteto fantástico uma força temível na NBA.

Mas a idade chega a todos. E já se sabia que haveria de terminar assim, não se trata de Miami que foi buscar dois jovens talentosos (um deles mais a puxar para o super-herói) em Chris Bosh e Lebron James para se juntarem á superestrela Dwayne Wade e fazer uma equipa para muitos anos, já era de esperar que três veteranos já não funcionassem tão bem ao fim de 4, 5 anos. A produção de todos diminuiu, ainda por cima numa época muito condensada em que as pernas sofrem mais, os resultados não são os mesmos. Em 7º lugar na Conferência de Este, com 7 vitórias e 9 derrotas, os Celtics já não inspiram medo de equipa de campeonato como há um par de anos, embora ainda sejam uma força a considerar em termos de playoff, e sempre com um mínimo de chances de surpreederem tudo e todos.

Resta esperar que os dispendiosos contractos de Garnett e Allen expirem esta época para os renovar por muito menos ou até enviar os jogadores para outra equipa, para recalibrar o nível de talento em torno de Rajon Rondo. É possível que a reconstrução não demore tanto como antes de Garnett e Allen, mas será preciso um ou dois nomes de peso, especialmente um deles sendo um jogador interior de muita qualidade, para tornar a equipa uma potência novamente.



publicado por Óscar Morgado às 14:56
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Quinta-feira, 19 de Janeiro de 2012
Buzzer Beater

Fonte da juventude

 

Como já tenho vindo a salientar em crónicas anteriores, sou um grande 'indignado' com as lesões desportivas. Ver grandes atletas no mundo do desporto a não conseguirem actuar em todo o seu potencial devido a problemas físicos deixa-me perturbado: porque eles podiam chegar mais longe e o seu corpo não deixa, e porque não posso testemunhar grandiosas obras.

Não tendo tido mais do que uma lesão prolongada (pulso esquerdo torcido, 3 meses) enquanto fui praticante de basquetebol, convivi com muitos que não tiveram a mesma sorte, ao ponto de terem problemas crónicos em certas zonas do corpo. Posso dizer-vos que nesta modalidade ums sérios candidatos a lesão mais grave e impeditiva são os joelhos (não ficando atrás tornozelos e articulações). É um problema muitas vezes crónico (a nível de artrites) e cujas soluções, incluindo a cirurgia, raramente são permanentes para um atleta de alta competição.

No basquetebol, dada a constante explosividade do jogo, um joelho está sujeito a mais esforço e danos que provavelmente qualquer outra parte do corpo - além disso, não é certamente aquela que aguenta melhor esses danos e esforço. Por vezes há dores daí resultantes que são suportáveis, mas na grande maioria dos casos não são.

E na NBA (onde eu realmente quero chegar com isto), muitas estrelas e jovens de grande potencial já viram as suas carreiras terminadas ou limitadas por problemas nos joelhos: Brandon Roy, dos Portland Trailblazers, reformou-se recentemente devido a já não ser capaz de suportar a intensidade de muitos jogos da NBA, com dois joelhos cirurgicamente reparados. Estava limitado a poucos minutos por jogo e conseguia ser um All-Star, mostrando rasgos e por vezes partidas de excelência. Mas o físico falou mais alto. Na mesma equipa, Greg Oden, visto em 2008 como um quase-certo All-Star por muitos anos quando se tornou profissional, mal conseguiu ver alguma actividade consistente devido a um problema semelhante. Outra das grandes perdas da NBA deu-se com o declínio de Tracy Mcgrady, outro atleta soberbo que após muitas lesões nos joelhos apenas consegue dar minutos consistentes vindo do banco dos Atlanta Hawks...espera aí...

Ele consegue dar minutos consistentes. Eis uma excepção que se tem vindo a confirmar tarde para T-Mac. Após um tratamento numa clínica em Dusseldorf, na Alemanha com um tratamento inovador, que muito sumariamente consiste na manipulação do sangue dos pacientes (redistribuido pelo corpo após adição de alguns elementos que afectam o envelhecimento e o desgaste do corpo) para lhes minimizar o risco de lesão em zonas críticas. Na época passada, ao serviço dos Detroit Pistons, McGrady conseguiu realizar 72 jogos durante a época, algo que a última vez que tinha estado perto de alcançar ocorreu na época 2006/2007, quando ainda estava nos Houston Rockets (71 jogos).

Agora nos Hawks, e já com 33 anos, T-Mac tem sido uma opção viável e produtiva no banco de Atlanta, averbando 7,6 pontos, 3,7 ressaltos e 2,1 assistências por jogo em 19 minutos por partida. E não tardou a aconselhar outra estrela ainda maior a recorrer ao tratamento.

No Verão de 2011, Kobe Bryant, já há alguns anos atormentado por um joelho esquerdo com artrite, tinha vindo a decrescer na sua produção em campo, e muitos já o descartavam como uma força de top 3 na NBA, pelo que a sua produção vinha a diminuir desde 2008, quando foi eleito o MVP da época regular. Esta época, vai com 30,8 pontos de média, 5,7 ressaltos e 5,5 assistências por jogo, a saltar que nem um miúdo a meio dos seus anos 20.

Este é um caso de sucesso, com Bryant a vir recentemente de uma sequência de 4 jogos com mais de 40 pontos marcados. Um outro caso é o de DeJuan Blair, poste dos San Antonio Spurs, que tem tido uma carreira bem sucedida como profissional apesar de ter substituído ambas as rótulas. Com tratamentos semelhantes, podemos estar perante uma revolução positiva no mundo desportivo. Esperemos.



publicado por Óscar Morgado às 15:09
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Quarta-feira, 7 de Setembro de 2011
Buzzer - Beater

No país do basquetebol


            Após ausência por motivos profissionais, eis que o buzzer-beater volta à acção. E nesta semana em que ainda nada se sabe de NBA para a próxima época e o fim da WNBA aproxima-se, há algo de muito mais importante a acontecer.

            Eurobasket 2011. A Lituânia tem sido palco do europeu estes últimos dias. Agora que a segunda fase vai começar, os confrontos tornam-se mais interessantes e as grandes equipas seguem em frente. Portugal, infelizmente, não conseguiu uma única vitória na fase de grupos, ficando abaixo das expectativas. É certo que estávamos no grupo mais difícil, com a super-poderosa Espanha, que, na minha opinião sem grande discussão, tem o melhor trio de grandes de todo o mundo (incluindo a NBA), a fortíssima Turquia de Turkoglu, Ilyasova, Asik, e daqui a uns anos de Kanter, e a sempre coesa equipa da Lituânia, que fora das individualidades sempre alcança os seus resultados.


           

 



publicado por Óscar Morgado às 14:34
editado por Minuto Zero em 11/11/2011 às 11:04
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Terça-feira, 9 de Agosto de 2011
Buzzer - Beater

Ideias para quem não bate bem (d)a bola

 

       Numa nota mesmo muito curta, porque o blog tem andado muito devagar e não quero destoar do clima de preguiça que aqui vai andando…!

       Estive mesmo agora a ler isto: http://www.cbssports.com/nba/story/15413656/players-leverage-try-a-breakaway-league-with-nbas-allstars

      OK, dêem-se ao trabalho de o fazer se fazem favor. Basicamente expõe a (muito) remota ideia de uma pequena liga de basquetebol paralela à NBA, enquanto o lockout se estendesse, formada apenas pelos melhores.

      Uma daquelas coisas à videojogo: meia dúzia de equipas, nem com 12 jogadores, só para poder ver Dwight Howard, Dirk Nowitzki e…hum, Chris Paul (só porque sim) contra Lebron James, Kobe Bryant e Rajon Rondo, a rodar com, sei lá, Derrick Rose, Dwayne Wade e Blake Griffin. Ou então, como é sugerido por esse jornalista da CBS, vários jogadores naturais de uma mesma zona dos Estados Unidos juntos numa equipa fantasia, contra outras tantas pelo país.

      É claro que a logística, os árbitros, os treinadores, preparadores físicos, infra-estruturas, etc, seriam demasiado complicados para alguém pensar sequer em aventurar-se em tal empreitada. Já para não falar que assim que se começasse a fazer alguma coisa, os proprietários iriam apressar as suas negociações para o acordo salarial e acabava-se tudo. Mas…!

      E se a época não for encurtada, mas sim cancelada? Há quem diga que se até antes do Natal não houver um acordo em cima da mesa, pode-se simplesmente esquecer a época 2011/2012. Uma liga deste género podia funcionar de Fevereiro a Junho por exemplo.

      Fica a ideia. Pessoalmente, acho mais uma espécie de capricho dos próprios jogadores em não ter que jogar contra outros de um nível que achem inferior ao seu do que um esforço para dar aos fãs da NBA, e sobretudo do basquetebol, um substituto razoável.

 

by Óscar Morgado



publicado por Óscar Morgado às 19:05
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Terça-feira, 2 de Agosto de 2011
Buzzer - Beater

Um por todos

      Estamos a 9 de Dezembro de 2004. O local é o Toyota Center, em Houston, no Estado norte-americano do Texas. Jogam os Houston Rockets contra os San Antonio Spurs, que estão a ganhar à equipa da casa 76-68. Após um lance livre convertido dos Spurs, faltam 44.2 segundos para terminar o quarto período da partida.

      Tracy McGrady, estrela da equipa na altura, recebe a bola na reposição da linha de fundo. Já toda a gente se convenceu que o jogo terminou, excepção feita a este homem. McGrady leva a bola para o ataque, sendo defendido por aquele que é nesse ano, discutivelmente, o melhor defesa do perímetro do mundo, Bruce Bowen.

      McGrady segue pela esquerda a todo o gás. Bowen, já na linha de 3 pontos, fica num bloqueio de um jogador de Houston, que deixa T-Mac livre. O base-extremo dribla para a zona central e atira um triplo. O defesa dos Spurs ainda levanta o braço mas sem sucesso. T-Mac marca com 35 segundos para terminar, e o resultado fica 76-71, ainda a favor dos Spurs.

      Na reposição, Bob Sura faz a falta intencional sobre o jogador de San Antonio, que vai para a linha de lance-livre. Converte os dois lançamentos, e o resultado passa a 78-71, na mesma para a equipa que joga fora. McGrady leva novamente a bola. Bowen fica mais uma vez num bloqueio, desta vez de Yao Ming, e McGrady, do lado direito do campo, lança de 3 pontos mais uma vez. Desta vez é Tim Duncan que levanta o braço. T-Mac joga com o seu corpo e coloca-se debaixo do defesa, sacando a falta. A bola vai no ar com 24 segundos para jogar, e entra. Jogada de 3 pontos e falta. T-Mac à linha de lance-livre – converte. Resultado: uns inimagináveis 78-75 contra os Rockets.

Segue a partida. Barry, dos Spurs, coloca a bola em Tony Parker, que dribla até ao meio campo ofensivo e, vendo-se com dois defesas a tentar fazer falta, solta a bola para Brown, que a solta para Tim Duncan assim que se vê na mesma situação do base francês. Duncan sofre falta, e com 16.2 segundos para jogar, converte os dois lances-livres, e San Antonio respira de alívio. 80-75 para os Spurs.

     

Andre Barret, dos Rockets, repõe a bola com imensa dificuldade, até que chega a quem? Tracy McGrady. T-Mac, mais uma vez com Bowen à sua frente, sem ficar em bloqueio nenhum, força o lançamento de 3 pontos a faltarem 11 segundos…e, espantosamente, entra. O público está ao rubro e começa a acreditar que tudo é possível. 80-78 a favor dos Spurs.

      San Antonio pede desconto de tempo. Gregg Popovich está estupefacto mas desenha uma estratégia ainda assim. Barry repõe novamente, e apenas Brown, após usar dois bloqueios, está livre. Recebe a bola, e após colocar um drible no chão, escorrega e perde o seu controlo. Faltam 8 segundos. Não há mais descontos de tempo que Houston possa usar. McGrady pega na bola perdida perto da linha de fundo do meio campo defensivo e avança desesperado para o cesto contrário.

     

    Faltam 5 segundos e a estrela dos Rockets chega ao meio campo. Com 4 defesas da equipa contrária em cima dele, dirige-se ao lado direito do campo. T-Mac pode usar mais um segundo e lançar, de forma segura, de 2 pontos, empatar o jogo e tentar vencê-lo no prolongamento…mas não. Não é isso que o instinto lhe comanda, e então dispara de 3, com o Toyota Center aos berros. 3 segundos, é para a vitória…!

      E, com 1 segundo de sobra, entrou.

    Parker ainda tentou lançar de muito longe, disparando pelo campo após a reposição, mas já era tarde de mais. Os Rockets ganhariam o jogo, 81-80. Tracy McGrady passava a ser conhecido como O Homem que Marcou 13 Pontos em 30 Segundos. Este é um dos meus momentos favoritos no basquetebol, sem dúvida alguma.

      Preciso de dizer mais alguma coisa (http://www.youtube.com/watch?v=nfurCV1FDpM)?



publicado por Óscar Morgado às 15:44
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Terça-feira, 19 de Julho de 2011
Buzzer - Beater

Quando a Europa pisca o olho…

 

                Afinal dá para haver notícias na NBA. O assunto que me proponho a comentar hoje é a razia de conversações que tem havido nas últimas semanas entre clubes europeus e jogadores da NBA, para potenciais prestações no Velho Continente.

                Quem anda a ser falado? Vamos começar pelos confirmados. Deron Williams é o grande nome até ao momento, já confirmado para jogar no Besiktas da Turquia na próxima época, na eventualidade de um lockout que chegue a cancelar alguns jogos nos Estados Unidos, com um contrato de quase 4 milhões de euros ao ano. Esta estrela, como muitas outras procuram, tem uma cláusula que lhe permitirá voltar imediatamente aos New Jersey Nets assim que a liga recomeçar. Com outros o caso não é semelhante. Falo de Sonny Weems dos Toronto Raptors, que assinou com uma equipa europeia durante um ano garantido, sem cláusula para voltar à NBA e Sasha Vujacic, que assinou com o Anadolu Efes, também da Turquia e sem cláusula de rescisão por lockout.

                Mas há mais, ainda em fase de especulação. Dwight Howard, actualmente o melhor poste do planeta, já afirmou várias vezes perante os media que está a ponderar seriamente jogar fora dos Estados Unidos, ponderando o continente europeu e até a China, onde é extremamente popular. Também Avery Bradley, base suplente rookie dos Boston Celtics, após um ano de lesões em que perdeu toda a pré-época e boa parte da época regular, faltando-lhe minutos de jogo, também está na corda bamba.

                Mas um rumor, que já é um pouco mais que isso, na ordem das negociações, é o que envolve Kobe Bryant. É o Besiktas que anda(va) atrás da maior estrela de Hollywood fora do grande ecrã. O clube turco chegou a oferecer 500 mil dólares mensais ao norte-americano, uma proposta algo fantástica para os padrões europeus. Contudo, Kobe pede 700 mil euros, de acordo com a Bola. Grau de exorbitância? Theodorus Papaloukas é o jogador mais bem pago a actuar na Europa, averbando 3,5 milhões de euros anuais no Olympiakos, o que dá cerca de 300 mil euros mensais. O colega de Bryant nos Lakers, o espanhol Pau Gasol, também já manifestou vontade de voltar a jogar no Barcelona, caso a época continue parada durante mais tempo.

                Este êxodo desportivo, a confirmar-se nestas proporções, será algo muito positivo para o basquetebol europeu. Estrelas como só no Europe Live se vêm no Verão aqui pelo nosso continente iriam trazer muito dinheiro de publicidade e merchandising aos clubes europeus, que lhes permitiriam arrecadar muitos milhões para desenvolverem ainda mais o desporto do lado de cá do Atlântico. Além do mais, a maioria dos jogos que consigam disputar, enquanto a

NBA estiver parada, com jogadores deste calibre, desde que não enfrentem outras equipas armadas com armas semelhantes, têm muitas hipóteses de roubar vitórias importantes. O Besiktas teria o melhor duo de longe do cesto não só da Europa, mas de todo o mundo, pelo que o conjunto Deron Williams – Kobe Bryant nem na NBA se compara a outro dessas posições.

                E o que acho eu disto tudo? Venham eles, e quantos mais para Espanha melhor, para os poder ver jogar mais perto. Já que o lockout é algo triste que parece ter vindo para ficar, que se aproveite o que houver de positivo nele, e trazer estrelas do basquetebol para a Europa parece-me a melhor solução. É claro que muitos, tal como diz Charles Barkley, não deveriam vir por questões de lesões, e, sendo estrelas, tendo dinheiro garantido nos Estados Unidos poderiam deixar de o ter se contraíssem uma lesão fora do país. Mas para muitos a paragem desportiva pode ser pior, os atletas precisam de minutos.

 

by Óscar Morgado



publicado por Óscar Morgado às 15:10
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Sábado, 16 de Julho de 2011
A Guerra Das Rosas

A Ameaça Vermelha

 

         O Benfica começa este defeso com uma grande mensagem de superioridade para os restantes concorrentes na Liga, assegurando contratações para a época 2011/2012, no mínimo, geniais.

         Depois de se falar da possível vinda de Gregory Stempin para o emblema encarnado, e do provável retorno das revelações da última edição da liga, António Monteiro e Tomás Barroso, que estavam emprestados ao Penafiel e ao Ginásio Clube Figueirense respectivamente, uma notícia bombástica sai novamente da Luz.

         Numa altura em que a pré-temporada está longe de começar, e as transferências estão completamente paradas para grande parte das equipas, o benfica anuncia um pré-acordo com João “Betinho” Gomes, antigo jogador do Breogán, da LEB Oro espanhola, formado no Barreirense, e mais conhecido por ser o primeiro jogador português, proveniente de um clube profissional português, a entrar no Draft da NBA. Mas a vinda do extremo português não está certa para o Benfica.

         O acordo com os encarnados, fixado em três temporadas, poderá ficar sem efeito caso chegue ao jogador, até dia 15 de Agosto, uma proposta mais aliciante vinda do estrangeiro, mais própriamente vinda da liga ACB ou da Liga Italiana. Isso poderá ser um contratempo para o Benfica, sendo que Betinho é um jogador muito reputado, que costuma entrar constantemente na agenda das equipas mais modestas das grandes ligas europeias.

 

 

         Caso o Benfica consiga assegurar os serviços de Betinho e, apesar de mais difícilmente, de Stempin, e com o retorno dos dois jovens portugueses (Barroso e Monteiro), que já provaram ter o grau de exigência e de qualidade necessário no Benfica, teremos um claro excedente de atletas para o próximo ano no plantel encarnado, a ser possivelmente agravado com a chegada de mais três ou quatro estrangeiros e com a subida dos jogadores que já não cumprem a idade de sub-20. Novamente terão que emagrecer o plantel, deixando sair jogadores que, em princípio, mais tarde se provarão capazes de jogar com regularidade no plantel encarnado.

         Toda a Liga para além do Benfica está praticamente parada ou em situação desconhecida no que toca ao mercado de transferências, mas isso pode ser devido ao facto de ainda se estar num estado muito inicial do defeso, e as equipas estão mais atentas aos seus atletas a serviço da Selecção Nacional do que propriamente à contratação de novos jogadores. Daqui a um mês estaremos com certeza num patamar completamente diferente no que toca a reforços e dispensas. Agora só contratam em força as grandes equipas.

         Impressiona, portanto a falta de nomes por parte do Porto, actual Campeão Nacional para contrapor essa assentada de nomes de qualidade dados pelo Benfica. Talvez seguindo uma política de só anunciar depois de contratar, o Porto está até agora em silêncio no mercado, falando-se apenas do regresso de outra grande revelação do último campeonato, André Bessa. Uma grande jogada no mercado por parte do Futebol Clube do Porto seria segurar Gregory Stempin. Novas contratações, isso logo se verá...



publicado por Pedro Salvador às 16:54
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Terça-feira, 12 de Julho de 2011
Buzzer - Beater

15 anos de WNBA, 15 jogadoras

 

         A NBA anda aos caídos. A falta de acordo salarial entre jogadores e proprietários das equipas faz com que as minhas visitas ao site dos meus favoritos do browser de Internet se tornem frustrantes. Algo como uma notícia nova a cada três dias. Não se podem usar fotos de jogadores actuais, nem falar deles. E portanto viro-me para outros temas.

         Já tinha prometido abordar mais a WNBA no Verão, quando a competição decorre. Noutra ocasião já expus um pouco a liga e o basquetebol feminino em geral. Hoje tenciono falar da votação para as 15 melhores jogadoras de sempre da WNBA, a melhor liga feminina de basquetebol do mundo. Criada em 1996, o 15º aniversário da competição motiva a escolha das atletas. Poderão consultar a lista em http://top15players.wnba.com/.

         Estão lá 30 nomes, a maioria de jogadoras que ainda estão em exercício, e outras tantas já reformadas. Vou dar destaque a algumas que acho que merecem estar nas 15 finais. De notar que não conheço as jogadoras com a profundidade que conheço os do basquetebol masculino, mas ainda assim reconheço algum do palmarés impressionante que algumas carregam.

         Cynthia Cooper, lenda das extintas Houston Comets, juntamente com as colegas do ex-trio letal Tina Thompson e Sheryl Swoopes, Lisa Leslie, ex-MVP pelas LA Sparks bem como Candace Parker (actual estrela da equipa que está há 3 anos na liga e no ano de rookie foi MVP; além disso estas duas últimas são duas das 4 mulheres até hoje a afundar num jogo da WNBA) Lauren Jackson e Sue Bird, o duo mortífero das Seattle Storm, a italiana Diana Taurasi, ex-MVP pelos Phoenix Mercury, e finalmente Yolanda Griffith (já reformada) e a nossa conterrânea Ticha Penicheiro, estrelas do título das já extintas Sacramento Monarchs em 2005. Estas são para mim as atletas que mais se distinguem dos nomes em voga, seja por prémios individuais ou colectivos já obtidos, bem como pela forma como jogam.

         A nível da eleição, acho finalmente justo que após já ter havido uma eleição para os 50 melhores jogadores de sempre da NBA em 1996, se faça algo semelhante para as senhoras. Tal como já disse numa crónica há alguns meses, o jogo feminino apenas peca pela falta de espectacularidade (muito devido aos escassos afundanços) e por menos aptidão física das jogadoras em relação aos homens (que está ligado com a razão anterior). De resto, considero-o tecnicamente equiparável ao masculino (com a indispensável excepção à mecânica de lançamento feminina). Infelizmente acho que se aposta demasiado na WNBA como entretenimento de Verão para quando a NBA está parada. Apenas 34 jogos são feitos por cada equipa (em contraste com os 82 dos homens) e as jogadoras são quase que obrigadas a jogar na Europa ou noutro continente o resto do ano para continuarem a competir e, logicamente, a ganhar dinheiro. Isto gera um desgaste grande nas jogadoras, que quase não têm férias, entre pré-épocas, playoffs para duas equipas, etc.~

         Actualmente são as Indiana Fever que vão à frente na fase regular, com 9 vitórias e 3 derrotas na Conferência de Este, lideradas por Tameka Catchings e Katie Douglas.

 

by Óscar Morgado



publicado por Óscar Morgado às 12:15
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Sábado, 9 de Julho de 2011
A Guerra das Rosas

Um Novo Começo

 

 

 

Senhoras e senhores, ai está, a pré-época 2011/2012. Desde já uma nova hipótese para 12 equipas provarem uma vez mais que merecem ou não estar na elite do basquetebol nacional, desta feita com duas estreias, o Barcelos e o Terceira Basquet.

Ora, seria imprudente da minha parte a falta de uma breve análise para as duas novas equipas que se juntam à ribalta. O Barcelos entra nesta Liga como equipa a acompanhar bem de perto. Um projecto vagamente semelhante ao Penafiel, com uma estrutura sólida e uma excelente base de recrutamento na região, criam neste novo concorrente uma espécie de estatuto de surpresa 2011/2012 antes ainda do inicio da nova temporada, estatuto este suportado com boas exibições na transacta temporada.

O Terceira, no meu ponto de vista, será uma equipa menos entusiasmante vendo do ponto de vista do comum adepto. Segunda equipa dos Açores nesta liga profissional, tirando partido de uma base de recrutamento bem menor e de uma equipa possívelmente menos identificada com os adeptos, em grande parte devido à menor tradição basquetebolística da região e do clube em si, terá poucas hipóteses no que toca a ser considerado um sério candidato no inicio da época.

Mas, por outro lado, poderá tirar interesse desse desconhecimento geral da maioria das pessoas, e da fuga das atenções para o vizinho Lusitânia no que toca ao basquetebol açoreano, para ser um Underdog com potencial para uma carreira interessante na LPB.

Outro factor em que o Terceira (e também o Lusitânia) tirarão certamente proveito será do facto de que, em princípio, as viagens às ilhas sejam feitas em jornadas duplas, em que uma equipa jogará no mesmo fim-de-semana com ambas as equipas da ilha Terceira, explorando os açoreanos um maior cansaço por parte dos visitantes.

Mas as novas equipas não são a única novidade da nova edição da LPB. A direção da Federação colocou em hipótese, em princípio a ser aprovada, de que cada equipa a participar na Liga no próximo ano terá que pagar 7500 euros de inscrição. Isso trará consigo um efeito catalisador na extinção das equipas que atravessam dificuldades financeiras, e diminuirá a qualidade das mesmas, sendo que dinheiro que faria parte do orçamento para salários passará para a essa taxa de inscrição extraordinária.

Outra vertente que se começa já a abordar nesta pré-época é o mercado de transferências que, apesar de ainda estar longe do auge, já começa a dar que falar. A grande dúvida deste defeso será adivinhar qual a cor do equipamento que Greg Stempin terá na próxima temporada. Pensa-se que o americano do FC Porto terá em vista uma oferta do Benfica, e poderá transferir-se para a Luz no proximo ano. Mas mais complicado ainda é adivinhar qual o futuro de uma das grandes revelações da temporada passada, o base do Ginásio, Tomás Barroso.

Apesar de pretendido por Sérgio Salvador para o novo plantel do Ginásio Clube Figueirense, a continuidade do base português emprestado pelo Benfica ao emblema da Figueira da Foz tem uma concretização difícil por motivos financeiros, sendo que o Ginásio, já com o orçamento mais baixo da Liga, está em risco de sofrer um novo corte orçamental. A excelente época de Tomás na Figueira valorizou o jovem base, e criou na cidade um largo grupo de jovens fãs. Ginásio, Benfica e Porto disputam a sua assinatura, apesar do passe pertencer aos encarnados, havendo ainda rumores de interesse estrangeiro no atleta.

Nuno Cortez e André Pinto estão possívelmente de saída da Ovarense enquanto que Nuno Manarte e José Barbosa já renovaram contrato com a formação de Ovar.

Por enquanto estas são ainda as grandes novidades no mercado de transferências. Veremos como se desenvolvem as coisas até ao início da próxima temporada...



publicado por Pedro Salvador às 15:04
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