Segunda-feira, 16 de Julho de 2012
Livre Direto

Antevisão: Atletismo português nos Jogos Olímpicos

 


 

 

Os Jogos Olímpicos aproximam-se e já se começam a falar nas possibilidades de alguns atletas trazerem medalhas para o país. Com a não participação de Naide Gomes, Nélson Évora ou Francis Obikwelu as possibilidades de medalhas para Portugal ficam bastante reduzidas. Neste leque de atletas Francis Obikwelu iria aos Jogos apenas com o desejo de estar presente na final, pois lutar por alguma medalha já não estaria ao seu alcance. Deste modo, as esperanças lusas parecem recair sobre Telma Monteiro, no judo, que já demonstrou que não consegue lidar muito bem com a pressão de obter um bom resultado, através da sua última participação olímpica em Pequim 2008.

 

22 (13 do sexo feminino e 9 do sexo masculino) são os atletas que estarão presentes nas provas de atletismo representando Portugal, muitos deles com baixíssimas probabilidades de alcançar um lugar entre os 3 primeiros nas suas respetivas provas.

 

À partida são as mulheres que apresentam mais hipóteses de trazer uma medalha para Portugal, embora as possibilidades sejam algo reduzidas. Nos 20 km Marcha, temos uma tripla de atletas que lutará para estar presente entre as 8 melhores (Susana Feitor falhará aqueles que seriam os seus 6ºs Jogos Olímpicos). Vera Santos, Inês Henriques e Ana Cabecinha já provaram serem exclentes atletas nesta distância tornando Portugal como uma das potências europeias, a nível da marcha.

 

Na Maratona, teremos outra tripla de atletas de alto nível: Marisa Barros, Jéssica Augusto e Ana Dulce Félix (consagrada campeã europeia nos 10 000m nos Europeus deste ano). Jéssica Augusto é que apresenta melhor recorde pessoal das três e será, na minha opinião, aquela que mais hipóteses terá de lutar por uma medalha. Como se sabe a Maratona, devido intenso desgaste, nem sempre coroa aqueles que são os principais favoritos, por isso com uma boa preparação as maratonistas portuguesas poderão aspirar a um bom resultado final. 

 

Sara Moreira e Patrícia Mamona também poderão estar na luta por um lugar, embora as medalhas à partida sejam uma miragem. Sara Moreira terá como objetivo ser a melhor das europeias nos 5000m e nos 10 000m (caso opte por participar nas duas provas), devido, claro está, à forte concorrência africana vinda do Quénia e da Etiópia. Um lugar entre as 8 primeiras já será, de certeza, uma vitória. Já Patrícia Mamona também terá como objetivo estar entre as 8 primeiras. Contundo, a atleta já demonstrou que consegue proezas incríveis, mesmo quando não está no seu topo de forma (prova disso foi o 2º lugar obtido nos últimos europeus). Mamona é uma atleta com uma enorme margem de progressão e, certamente, que nos próximos Jogos será uma das fortes concorrentes a estar presente no pódio do Triplo Salto.

 

No lado masculino as hipóteses de medalha são ainda mais pequenas. Apenas Marco Fortes terá uma ténue possibilidade lá chegar, mas contará com a forte concorrência dos atletas norte-americanos, nomeadamente Reese Hoffa e Christian Cantwell, do polaco Tomas Majewski e do novato alemão David Storl. Marco Fortes terá também de saber lidar com a pressão de uma grande competição, pois os seus melhores resultados raramente são efectuados em grandes campeonatos.

 

Daqui a algumas semanas começarão as provas de atletismo e até lá a preparação dos atletas será certamente intensa para que possamos contar com bons resultados dos atletas lusos. Não lhes devemos exigir medalhas, mas sim que dignifiquem a camisola nacional, dando o seu máximo, e se for com uma medalha melhor ainda.

 

Por Cláudio Guerreiro



publicado por Cláudio Guerreiro às 17:25
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Segunda-feira, 12 de Março de 2012
Livre Directo

Fim-de-semana de atletismo

 

 

Neste fim-de-semana, ocorreram em Istanbul os Campeonatos do Mundo de Atletismo de Pista Coberta que não contaram com a presença de muitos dos grandes atletas do panorma mundial. No entanto, outros atletas reconhecidos internacionalmente estiveram presentes na Turquia e conseguiram prender a atenção dos amantes do atletismo.

 

Destaco em particular o regresso de Yelena Isinbayeva aos grandes resultados, no salto com vara, que passou 4,80 m. É certo que a concorrência não era grande, pois o outro nome que poderia fazer frente à atleta russa era a alemã Silke Spieglburg, que acabou por ficar na 4ª posição atrás da francesa Vanessa Boslak, que ficou com a prata, e da inglesa Holly Bleasdale, que ficou com o bronze. Na mesma prova, mas no masculino, a vitória foi para Renauld Lavillenie que com 5,95m tornou-se o líder mundial.

 

No lado feminino há a destacar várias vitórias. Nos 60 m a vitória sorriu a Veronica Campbell-Brown que se tornou a nova líder mundial. Destaque ainda também para Sally Pearson nos 60 m barreiras que mostrou que se poderá tornar numa das maiores atletas de sempre. Uma das maiores surpresas no lado feminino foi a derrota da selecção dos Estados Unidos que perdeu para uma equipa da Grã-Bretanha que apresentou uma equipa bastante forte.

 

Por último, no lado masculino também há a destacar algumas provas. Os 60 m foram das provas mais aguardadas. Aqui a medalha de ouro foi para Justin Gatlin (6,46s) que bateu Nesta Carter(6,54s) e Dwain Chambers (6,60s). A maior surpresa no lado masculino foi a vitória do grego  Dimitros Hondrokoúkis, no salto em altura, que ao passar 2,33m conseguiu superar a maior concorrência dos atletas russos em prova.


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publicado por Cláudio Guerreiro às 23:45
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Quarta-feira, 25 de Janeiro de 2012
Porque a vida também é feita a correr...

Nélson nasceu para ser campeão

 

Nélson Évora lesionou-se e vai falhar os Jogos Olímpicos de Londres. O actual campeão Olímpico hipoteca assim as hipóteses de renovar o título na casa do grande Rival Idowu.

A ausência de Évora é um duro revés nas aspirações olímpicas Nacionais. O atleta do Benfica, finda duas épocas de lesões parecia que estava a evoluir numa plataforma favorável para regressar aos seus momentos. Mas na verdade o esforço para se ser atleta de alta competição paga-se caro. Por mais acompanhamento médico que atletas de alto gabarito possam ter estão sujeitos a esforços sobre-humanos e nem sempre os músculos aguentam.

Mas Nélson com a sua determinação e força de vontade vai continuar a evoluir e a mostrar ao país que não está acabado. Psicologicamente penso que passados 2/3 meses irá aos poucos recuperar o seu forte temperamento, grande apanágio dos seus resultados.

Mas nos mundiais de 2013 penso que poderemos contar com Nélson. Nélson na verdade nasceu para ser campeão e merece bem mais que três anos dourados de medalhas internacionais.

Portugal não morre sem Nélson e outros atletas poderão arrecadar medalhas em Londres e Nélson não morrerá sem Portugal- porque ainda tem medalhas e recordes para bater- para deixar ainda mais o seu legado na história do desporto Nacional.



publicado por João Perfeito às 23:40
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Segunda-feira, 2 de Janeiro de 2012
Livre Directo

Progresso de um campeão

 


 

Christophe Lemaitre, atleta francês de apenas 21 anos, pode ser considerado um dos melhores atletas europeus da actualidade e uma das esperanças dos franceses na conquista de medalhas em grandes provas.

 

É certo que ser especialista em provas de velocidade (100 e 200m, neste caso) dá muito mais destaque a um atleta do que se for em provas de saltos, lançamentos, ou até de distâncias mais longas. Lemaitre poderia ser apenas mais um a passar pelas disciplinas de velocidade, mas desde novo começou a demonstrar que não seria um simples atleta que participaria em grandes competições apenas com o objectivo de marcar presença. Em 2009, com apenas 19 anos, tornou-se recordista europeu dos 100m com o tempo de 10,04s, tornando-se campeão de juniores, título que juntou ao que já tinha ganho, no ano anterior, mas nos 200m.

 

No ano de 2010, atingiu os melhores resultados da sua carreira. Para além de ter baixado o seu recordo pessoal para 9,98s, tempo que lhe permitiu ser o primeiro atleta branco a baixar dos 10s, e de se ter tornado recordista francês (superando Ronald Pognon), Lemaitre sagrou-se campeão europeu nos 100m, 200m e 4x100m.

 

Já em 2011, conseguiu baixar o seu recorde para os 9,92s poucos meses antes dos tão aguardados campeonatos mundiais. Em Daegu, esperava-lhe uma tarefa muito mais complicada do que nos Europeus, devido aos sempre temíveis velocistas jamaicanos e norte-americanos. Contudo, conseguiu chegar ao bronze nos 200m e à prata nos 4x100m.

 

Para 2012, Lemaitre terá mais hipóteses de confirmar o seu valor. Certamente que se apresentará pronto para revalidar os seus títulos europeus, e quem sabe, tornar-se o novo recordista europeu, destronando Francis Obikwelu. Mais complicada será a conquista de medalhas nos Jogos Olímpicos de Londres. No entanto, nada é impossível para este jovem atleta que dispõe de todas as características para se tornar ainda melhor.  

 

Basicamente, Lemaitre é um dos poucos velocistas europeus que se apresenta capaz de lutar contra a hegemonia dos velocistas jamaicanos e norte-americanos. É certo que já fez história no atletismo, mas certamente que não ficará por aqui e a sua juventude permitir-lhe-á sonhar com isso.

 

por Cláudio Guerreiro




publicado por Cláudio Guerreiro às 23:00
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Segunda-feira, 19 de Dezembro de 2011
Livre Directo

O novo "tuburão" do futebol europeu

 

 

 

a) É na Premier League que milita uma das equipas mais perigosas da actualidade: o Manchester City.

Quando, em Setembro de 2008, o grupo United Abu Dhabi investiu no clube, os adeptos do Manchester City começaram a sonhar com um futuro cheio de sucessos. No entanto, após muitos milhões gastos em jogadores que não renderam o esperado, como o caso de Adebayor, os adeptos do clube começaram a desconfiar se alguma vez iriam chegar ao sucesso que tanto almejavam.

Foi com a entrada de Roberto Mancini para treinador do clube que os jogadores começaram a demonstrar que afinal o investimento feito até aí não tinha sido em vão.

Actualmente, o Manchester City é uma equipa que mete medo a qualquer adversário e muito o pode agradecer ao técnico italiano. Mancini conseguiu potenciar o talento individual dos jogadores que tinha à sua disposição e formar uma equipa muito equilibrada a meio-campo e com uma extraordinária capacidade de finalização.

Apesar de já estar fora da Liga dos Campeões, apresenta-se agora como um dos principais candidatos a vencer a Liga Europa, nem que para isso tenha que eliminar o FC Porto, o actual campeão em título. Já a nível interno, tudo aponta para que no final da época o Manchester City volte a ser o vencedor do campeonato inglês 44 anos depois.

 

b) Destaco também o segundo lugar de Ana Dulce Félix e da selecção feminina no Europeu de Corta-Mato realizado no passado dia 11, na Eslovénia.

Mais uma vez o atletismo português está de parabéns e mostra que vale a pena acreditar nesta modalidade. 

 

 

by Cláudio Guerreiro



publicado por Cláudio Guerreiro às 13:03
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Quarta-feira, 20 de Julho de 2011
Porque a vida também é feita a correr...

A completude com que sempre sonhamos

 

                   Entre os dias 14 e 17 de Julho, decorreu em Ostrava o Campeonato Europeu de Atletismo de Sub23. Aquela que é conhecida, como a competição mais importante dos escalões de formação do atletismo europeu é fundamental para que as novas esperanças possam aos poucos ir ganhando o seu espaço junto da elite do velho continente.

                  As vantagens desta competição são imensas. Desde a antecâmara para o Mundial de Daegu, a atletas com uma progressão precoce, que antes de terem 23 anos já figuram entre os grandes tubarões do atletismo Mundial. Ou, noutro caso, com a conquista dum caminho de esperança e o desenvolvimento duma mentalidade competitiva ganhadora, aqueles que ambicionam lograr no escalão maior do atletismo Mundial (séniores) todas as epopeias que os fizeram rotular de promessas nos escalões de formação.

              Falando especificamente da participação lusa, não poderia estar mais contente com os resultados... Portugal conquistou uma medalha de prata, através de Marcos Chuva no comprimento e uma medalha de bronze de Catarina Ribeiro nos 10000 metros.

              Face a todo um contexto atlético nacional em que Portugal raramente se viu arredado de pódios em competições deste foro e também sabendo evidentemente toda a gloriosa passadeira que o nosso atletismo já permitiu desfilar aos melhores desportistas nacionais é evidente que não é por duas meras medalhas que manifesto uma grande satisfação.

              Aquilo que fez renascer em nós o espírito olímpico e a afirmação desportiva no Mundo foram sem dúvida as proezas alcançadas por Carlos Lopes, Fernanda Ribeiro, Rosa Mota, Fernando Mamede e Carla Sacramento. Em todos estes 5 diamantes lapidados à expoente máxima encontramos uma sintomática característica transversal entre eles: meio-fundo e fundo. Foi a correr por estradas, corta-matos e pistas emblemáticos que o nosso desporto se construiu numa plataforma gloriosa.

              Face à mais que falada crise do meio-fundo e fundo nacional e europeu é interessante o modo como Portugal aos poucos e poucos foi diversificando a sua qualidade para além das corridas de resistência e hoje o resultado é este- Ostrava consagra-nos como uma selecção completa e apetrechada para todas as variantes do atletismo.

            Para toda esta completude outrora impensável, muito contribuiram as presenças de Marcos Chuva, Vera Barbosa e Catarina Ribeiro, mas estão longe de ser apenas estes os três responsáveis por este extraordinário feito.

           Mais especificamente... Marcos Chuva depois duma termida qualificação pulou 7,94 na final arrecandando a prata, predendo só para o hiper-favorito Menkov, ficando a escassos 14 centímetros do Mundial de Daegu. Ultrapassando imagine-se Eusébio Cacéres o jovem prodígio espanhol, que em 2009, ainda júnior venceu Nélson Évora na Taça das Nações.

            Catarina Ribeiro, tirando qualquer tipo de nacionalismo, para mim é a segunda melhor atleta europeia sub 23 de 10000 metros.Fficou em 3º é certo. O nome da vencedora dá por Layesh Abdullayeva, azeri (uma das já inúmeras importações africanas), agora também para a europa de leste. Deste modo Portugal continua a sua saga no fundo europeu.

            Depois do top europeu no fundo e no salto Portugal conseguiu um 4º lugar nos 400 barreiras femininos. Vera Barbosa, começam a faltar os adjectivos para classificar a margem de progressão da jovem promessa, já certeza do clube de Alvalade. Baixou em quase 2 segundos! o seu recorde pessoal e bateu o record Nacional. Sendo a primeira lusa a baixar dos 56 segundos e garantindo presença inédita nos Mundiais de Daegu. Apesar de não ter ido ao pódio, a valia da sua marca transporta-a para o melhor resultado individual de Portugal nestes campeonatos, demonstrado que caso continue nesta rota de evolução navegará rumo a outros mares, bem mais embiciosos...

            Em destaque, teve também a maior promessa do disco nacional. Depois de no ano transacto ter falhado por pouco uma medalha no Mundial de júniores, Irina Rodrigues, no seu primeiro ano de sub 23 arrecadou um sempre positivo 5º lugar. Sendo a segunda melhor europeia no primeiro ano de sub 23

             Em destaque, mais uma vez devido à presença da inevitável Vera Barbosa, teve a estafeta 4x400 metros, que arrecadou um surpreendete (face a todo o nosso passado) 6º lugar.

           No geral foram estes os melhores destaques nacionais. Boas prestações nas barreiras, nas estafetas, na resistência, nos lançamentos e nos saltos. Algo inédito na nossa história atlética...

           Toda esta completude é motivadora para que os nossos jovens se apaixonem por esta modalidade e aprendam que a ideia do fundo ser a nossa única bandeira no atletismo Mundial está arcaica e ultrapassável.

           O jovem praticante de atletismo nacional cada vez mais será um melhor lançador, saltador, barreirista e velocista. Toda esta competência e completude é apanágio da nossa ambição- rumo ao objectivo de nos tornarmos uma potência europeia e dismistificarmos a ideia de que um país com 10 milhões de habitantes não pode ir mais além do que já foi...

            Uma palavra de apreço deixo também ao azarado Carlos Veiga (Triplo Salto). Que mesmo depois de ter partido o pé, realizou três saltos, demonstrando sacrífio, capacidade de sofrimento e audácia.

            Esta semana caberá aos juniores, no europeu da categoria, em Tallin dar seguimento a todo este trabalho e resultados dos sub 23. Mais uma vez a nossa formação estará à prova. Mais uma vez nos superaremos?

 

By João Perfeito

 



publicado por João Perfeito às 23:59
editado por Jorge Sousa em 29/07/2011 às 11:09
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Quarta-feira, 13 de Julho de 2011
Porque a vida também é feita a correr...

Benfica conquista pleno e dobra segundo classificado,
nus campeonatos recheados de boas marcas individuais

                     

 

                  O Benfica, claro favorito à partida, sagrou-se no passado fim-de-semana campeão nacional de juniores masculinos e femininos.

                  As jovens águias somaram 288 pontos, mais do dobro do segundo e terceiro classificados, com 134 pontos- Sporting e Braga, respectivamente. Por seu turno, os jovens águias também não quiseram ficar atrás e mais que dominaram ao totalizarem 277 pontos, bastante mais do dobro dos 112 da Juventude Vidigalense, e imagine-se, mais de 5 vezes do que o terceiro classificado - Sporting com 55 pontos.

Todo este domínio avassalador como exprimi é preocupante para o futuro da modalidade. A falta de competitividade das classificações colectivas, leva a que o nível de motivação dos atletas caia em flecha, felizmente a ansiedade de conseguir mínimos para o europeu da categoria acaba com toda esta aparente facilidade.

                   Assim, no plano geral, mais do que falar em proeza colectiva, nada mais do que o efectivamente esperado, é essencial observar as prestações individuais e perspectivar o modo como podem contribuírem para o futuro do atletismo nacional.

Por isso, antes de mais, as minhas felicitações para Tiago Aperta. A jovem pérola do dardo nacional despediu-se do escalão júnior em terras lusas, com o record nacional sénior- 73,94 metros. Sem ainda completar 20 anos de idade, Tiago Aperta é já o melhor lançador de dardo da história do nosso país, uma proeza que mesmo face à mediocridade de nível que sempre tivemos nos lançamentos, jamais poderá ser desvalorizada. É preocupante, pensarmos que o nosso recordista nacional sénior, ainda júnior apenas tem a sexta melhor marca europeia júnior do ano. Contudo, este é o primeiro passo, rumo à inversão da mistificação de que no nosso atletismo apenas sabemos correr.

                  Quem também esteve em destaque, mas sim pela surpresa foi Rui Pinto. O único júnior luso de sempre, medalhado num europeu de cross, venceu os 800 metros. Abdicando dos 1500, 3000 e 5000 metros. Depois duma formação repleta de êxitos e de marcas de valia nestas distâncias, Rui Pinto certamente quis completar o pleno de medalhas em todas as provas de meio-fundo e apurar a sua velocidade para os europeus que se avizinham.

Emanuel Rolim, não marcou presença nos nacionais, o que levou a uma disputa cerradíssima nos 1500 metros, como há muito não se via. O juvenil Bruno Varela confirmou a excelente época que tem vindo a realizar e sagrou-se campeão nacional júnior destronando toda a concorrência.

Nos 100 metros destaque para a vitória do benfiquista, Diogo Antunes que superou o favorito Gorga Biveti, carimbando o passaporte para o europeu.

No duplo hectómetro, no sector feminino, Diana Cerqueira acabou com a total hegemonia na velocidade da barreirista Eva Vital, conseguindo in extremis os mínimos para os europeus.

                Quem também estará em Tallin, a representar Portugal, será Débora Santos, a ex-campeã nacional júnior de corta-mato, aproveitou a boleia, da recordista nacional júnior, Catarina Carvalho e com 10.43 nos 3000 metros obstáculos fixou os mínimos exigidos.

Rúben Miranda voltou a suplantar largamente toda a concorrência, vencendo destacadíssimo no Salto à Vara, ameaçando um futuro risonho na variante.

                  André Biveti nos 200 metros, Elisabete Silva no dardo foram os últimos atletas a carimbaram a presença no europeu.

No total, serão 21 os representantes lusos no europeu, sendo 12 do Benfica, uma delegação felizmente bem numerada, onde Emanuel Rolim, Rui Pinto, Tiago Aperta e Eva Vital pontificam como expoente máximo, rumo ao desejo incessante de medalhas internacionais na formação, que bem escasseiam no nosso palmarés recente.

 

By João Perfeito



publicado por João Perfeito às 15:57
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Quarta-feira, 6 de Julho de 2011
Porque a vida também é feita a correr...

E a saga juvenil continua…

 

                   No pretérito fim-de-semana, 2 e 3 de Julho, decorreu na Pista Gémeos Castro os Campeonatos Nacionais de Esperanças (Sub 23) na qual o Benfica sagrou-se campeão Nacional tanto em masculinos como em femininos.

                    Depois de na presente temporada a formação da Luz ter arrecado todos os títulos possíveis em pista coberta na formação (sub 23 masculinos e femininos; juniores masculinos e femininos) e de na passada temporada apenas ter visto fugir o título masculino de juniores em pista coberta e o de sub 23 em femininos o Benfica soma no total 12 títulos em 14 possíveis nos escalões de formação. Algo notável e ainda mais abrilhantado pela enorme diferença pontual e pelo facto de infelizmente essa clivagem ter tendência para aumentar.

                   Em femininos a diferença foi de 34,5  pontos (136,50 SLB – 102 SCP). Contudo o que dizer do sector masculino onde (150 SLB- 79,5 SCP). O Benfica ficou a escassos 10 pontos de dobrar a pontuação do Sporting!

                   Convém explicar que nestes campeonatos, tal como em todos os de formação um clube pode pontuar mais do que uma vez numa prova. Todos os atletas que tiverem mínimos podem participar, por isso cada clube, pode ter os atletas que quiser (caso façam mínimos) para cada prova. Isto fez com que o SLB aumentasse ainda mais a diferença.

                  Por outro lado apesar desta diferença abrupta de resultados é de assinalar as prestações dos Sportinguistas: Francisco Belo, Irina Rodrigues e Vera Barbosa.

                 Vera Barbosa, depois da excelente prestação no europeu por equipas em Estocolmo, voltou a estar em grande forma, batendo o recorde nacional sub 23nos 400 metros barreiras. Francisco Belo e Irina Rodrigues duas promessas dos lançamentos nacionais venceram categoricamente o peso e o disco e ainda conseguiram vencer nas suas não especialidade (peso para Irina e Disco para Francisco). Este parece-me um dado preocupante.  

                 Estes jovens pretendem suceder a Marco Fortes, o recordista nacional do peso que mantém também excelentes prestações nacionais no disco. O facto de uma atleta conseguir ter rendimento nacional assinalável em duas provas tão distintas é preocupante, porque repercute a falta de competitividade que ambos os sectores têm. Com isto quero dizer, que nos falta claramente um lançador de disco de qualidade nos sub 23, senão Francisco Belo jamais seria campeão, o mesmo sucedendo com Irina no peso.

                 Mas em destaque nestes nacionais está também Miguel Moreira. O último júnior luso a representar Portugal nuns Mundiais venceu os 1500 e os 800 metros. Batendo nesta última prova o actual campeão nacional júnior e sub 23 Jorge Batista. Um triunfo surpreende e renhido- separado por poucas centésimas. Depois duma má época de corta-mato Miguel Moreira mais uma vez a não deixar os seus créditos por mãos alheias e a triunfar neste seu primeiro ano de sub 23.

                Destaque ainda para o fervoroso despique entre José Costa, Vitór  Carranca e Jorge Santa Cruz nos 5000 metros, onde  o primeiro, actual campeão nacional de estrada de sub 23 voltou a provar toda a sua valia em provas de fundo. Nas barreiras (Eva Vital) e comprimento (Marcos Chuva) vitórias sem histórias de duas das maiores promessas lusas.

                Por fim, felicitações para Catarina Carvalho que bateu o recorde nacional de júnior nos 3000 metros obstáculos, só perdendo para a sempre consistente Carla Salomé Rocha.

               No próximo fim-de-semana os melhores juniores nacionais disputaram o campeonato nacional em pleno Estádio Universitário. Uma prova a que mais uma vez o Benfica assume sério favoritismo e onde Rui Pinto, Emanuel Rolim, Rúben Miranda,Tiago Aperta e Eva Vital serão algumas das cabeças de cartaz deste prestigiado evento.

 

By João Perfeito



publicado por João Perfeito às 23:59
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Quarta-feira, 29 de Junho de 2011
Porque a vida também é feita a correr...

E 15 anos depois o voo da águia supera o rugido do leão

                     

 

                  Sim, caro leitor, é mesmo verdade, o Benfica sagrou-se campeão nacional de atletismo sénior destronando o todo-poderoso Sporting. Foi no passado Domingo, em pleno Estádio Universitário, que a turma juvenil benfiquista destronou a veterania leonina.

                    O feito alcançado pelas jovens águias merece ainda mais reconhecimento por ter sido sobre o actual 4º classificado da Liga dos Campeões de Atletismo e em 2009 e 2008 vice-campeão europeu.

                    Se o leitor estiver fora da realidade do atletismo, certamente pensará que me estarei a equivocar ao falar em “turma juvenil” e “jovens águias” da equipa do Benfica - mas não. Esta é a equipa de seniores do Benfica formada grande parte por atletas que ainda estão em escalões de formação. No fundo, este é o verdadeiro segredo do Benfica. O Sporting vive à sombra de nove títulos conquistados, de pódios europeus e está a descurar o futuro. Um pouco à imagem, em plano contraditório, do futsal, onde o Benfica estagna e o se Sporting renova.

No actual quadrante masculino do Benfica : Rui Pinto (1992 -1º 5000 metros), Emanuel Rolim (1993 - 2º 1500), Tiago Aperta (1992 - 1º Dardo) e Renato Silva (1991 - 2º 800 metros) tiveram um papel deveras preponderante para o triunfo dos encarnados. A diferença de 156 para 154 pontos explica bem a igualdade entre as equipas, um campeonato decidido nos pormenores.

                    Apesar da ascensão que o Benfica tem realizado no atletismo nacional, fruto do exacerbamento das novas pérolas nacionais, o favoritismo recaía para os lados de Alvalade. A composição da equipa, grande parte dela habitual frequentadora da selecção nacional, abria claramente boas perspectivas para os leões chegarem aos 10 triunfos consecutivos. O Benfica, tal como os seus responsáveis frisaram, ainda não tinha como objectivo prioritário o título, esperando mais a longo prazo que a evolução dos jovens pudesse assumir a candidatura duma forma mais veemente.

Mas o inevitável aconteceu, um conjunto de peripécias proporcionou que a surpresa se efectivasse. A ascenção meteórica de Jorge Paula nos 400 barreiras e agora também 400 planos, a derrota do campeão nacional de disco, Jorge Grave, para Marco Fortes, a vitória da jovem estafeta de 4x400 proporcionaram que o sonho fosse possível.

                    O Sporting tem muitos motivos para assumir amplos receios. Uma equipa que vive essencialmente dos lançamentos e das dobragens dos medalhados olímpicos Rui Silva e Francis Obikwelu. Nos 400 metros está a perder para o eterno rival Benfica e nos saltos apenas Edi Maia venceu.

O Benfica, por seu turno, para além de integrar atletas juniores contempla vários sub 23 que nas provas de meio-fundo e velocidade vencem ou pelo menos em grande parte ficam em segundo lugar.

O Sporting está a descurar a renovação do seu arsenal. Com um 4º lugar na altura e um 3º no lançamento do dardo hipotecou por completo todas as suas aspirações. Nesta prova integrou jovens que estão longe de lutar de igual para igual com as promessas benfiquistas e os resultados foram uma consequência desta má gestão.

                   Mais do que falar da vitória do Benfica, penso que é importante falar da previsível queda que o Sporting possa vir a ter. A equipa não tem soluções para render Obikwelu e Rui Silva (4 provas). Por outro lado, nos lançamentos, os protagonistas são sempre os mesmo e a renovação necessária não ocorre - o Benfica, colhendo as sementes da progressão das disciplinas técnicas do atletismo nacional, dominará nos próximos anos. Nos saltos, o Benfica sempre demonstrou superioridade…

                 O Benfica conta com o futuro do meio-fundo nacional (Rui Pinto, 3º classificado europeu júnior de cross), Emanuel Rolim (recordista nacional juvenil de 1500 metros), o futuro da velocidade Bruno Fernandes (campeão júnior de 100 e 200), o recordista nacional das barreiras com apenas 22 anos (Rasul Dábo), o sucessor de Nélson Évora no triplo e confirmação no comprimento (Marcos Chuva) e ainda o recordista nacional sénior, com idade júnior, do lançamento do dardo Tiago Aperta.

                    A formação da luz é ainda actual campeã nacional de juniores, sub 23 ao ar livre e pista coberta, com clara supremacia perante o rival da segunda circular.

             Os tempos poderão estar a mudar. Os tempos de Carlos Lopes, Mamede, gémeos Castro já lá vão. O Sporting ameaça deixar o domínio nacional e, mais preocupante, o primeiro pelotão europeu.

                   O Benfica ambiciona conquistar o prestígio que outrora foi do Sporting.

                   Interessante, esta fase do desporto nacional em que no hóquei, futebol, futsal e atletismo, os grandes dominantes estão a perder lugar. Será este um sintoma da ataraxia nacional face à ideia ilusória de eterno sucesso?

                     O futuro responderá e a presença na Liga dos Campeões de Atletismo na próxima época ajudará a trilhar a primeira pedra deste caminho, que os benfiquistas esperam que seja de sucesso.

 

By João Perfeito

 



publicado por João Perfeito às 23:00
editado por Sarah Saint-Maxent em 30/06/2011 às 13:03
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Quinta-feira, 9 de Junho de 2011
Porque a vida também é feita a correr...

A marchar é que somos dos melhores do Mundo…

 

               Caro leitor, antes de passar ao artigo em si, convido-o a fazer uma retrospectiva colectiva do desporto nacional. Ora, no futebol temos uma selecção de top mas longe do nº1, futsal e hóquei em patins não dominam a modalidade a nível Mundial e não é claro que sejam a segunda potência. Nos restantes desportos colectivos, só quem anda distraído não percebe que estamos a milhas do topo. Na ginástica, fugazmente, lá ganhamos uma medalha de ouro nos trampolins, a canoagem começa a gora a aparecer - mas as medalhas de prata e bronze dos K4 são muito mais que de ouro. No meio-fundo a nível feminino dominamos mas a nível mundial estamos a anos- luz. Nisto tudo sobra a marcha.

               Ora a marcha, por muito que o neguemos, é a nossa maior potência colectiva desportiva. Temos 4 atletas de top europeu e mundial e as nossas congéneres descansam porque só podem participar três. A IAAF criou a regra de que apenas 3 atletas podem participar em cada prova numa grande competição, medida criada para diminuir o peso das grandes potências americanos (velocidade), russos (saltos e lançamentos), etíopes e quenianos (fundo). Para tornar o desporto mais equilibrado. Mas, na verdade, um país com 10 milhões de habitantes e com pouquíssimos federados no atletismo e praticantes de marcha ainda menos consegue produzir 4 pérolas que triunfam nas estradas espalhadas por esse mundo fora.

               Não falo apenas do título mundial obtido em Chihuahua em Maio do pretérito ano. Falo do conjunto de resultados que este sector tem dado ao atletismo, em particular, e ao desporto nacional no geral.

               Comecemos pela figura de proa - Susana Feitor. Com apenas 15 anos, sagrou-se a única campeã mundial júnior do nosso atletismo. A falta de tempo que acarreta pesquisar a idade de todos os campeões mundiais juniores da história do atletismo não me permite dizer com total veracidade que tenha sido a campeã mais prematura, mas a minha experiência diz-me que não andará longe. Prata 4 anos mais tarde na mesma competição. Soma ainda um 3º, um 4º e um 5º num Mundial para além de diversas colocações no top-10. Ana Cabecinha, a mais jovem de todas estas ilustres protagonistas, tem a regularidade de se ficar permanentemente na cauda do top-8.  8º  nos Jogos Olímpicos,  Taça do Mundo de 2010 e europeu. Já Inês Henriques tem como melhores resultados o utópico bronze que alcançou na Taça do Mundo da época transacta e o 7º lugar no Mundial de há 4 anos em Osaka. Vera Santos, a grande referência nacional da actualidade, conquistou brilhantemente um 5º lugar no Mundial de Berlim em 2009 e um 6º no europeu passado. Mas o grande resultado da atleta foi o vice-título da Taça do Mundo em 2010.

               Quatro atletas, todas elas com pergaminhos europeus e mundiais, num país pequenino chamado por muitos como a província de Espanha… É notável este feito. A regra absurda da IAAF do limite de 3 atletas por país impede que o domínio nacional seja ainda mais avassalador. Só a Rússia nos faz frente e, mesmo assim, vai tendo sinais de fraqueza. Convém sublinhar que esta regra que obriga a uma atleta ficar sempre de fora tem suscitado grandes problemas no seio da federação portuguesa, uma inevitabilidade face à injustiça desta regra completamente improcedente.

               Haverá mais sectores da nossa vida desportiva e geral em que não podemos participar ou ganhar mais porque já atingimos o limite? Não me parece. Este é o triunfo da marcha em quantidade e qualidade num país onde os sonhos utópicos serão a única maneira de escape do nosso destino que temos forçosamente de fugir…

 

By João Perfeito



publicado por João Perfeito às 00:25
editado por Sarah Saint-Maxent às 12:09
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