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Minuto Zero

A Semana Desportiva, minuto a minuto!

A Semana Desportiva, minuto a minuto!

Minuto Zero

20
Mai11

Voleibol à Sexta

Sarah Saint-Maxent

O voleibol feminino não é bonito, é verdade

 

                Já aqui dei a entender, várias vezes, que não sou grande apreciadora de voleibol feminino. Acho, no entanto, que nunca expliquei porquê – e não consigo pensar em melhor altura para fazê-lo do que neste momento. E sim, a culpa também é de um dos jogos dos play-offs da meia-final do campeonato italiano que vi ontem à noite.

                O voleibol feminino é inestético. Só essa era razão mais do que suficiente para não gostar de ver o desporto, mas não é a única – e não é, certamente, a mais importante. Ainda assim, é uma razão. Os jogos de voleibol feminino – aqueles a sério – fazem-me constantemente lembrar um bando de girafas aos saltos. É a mais pura das realidades.

http://i4.photoblog.com/photos/24937-1275240765-3-l.jpg

                Vamos lá por partes, então. Distinguir o voleibol «a sério» do voleibol «meio a brincar» é um passo importante nesta explicação. Por voleibol «a sério» entendo aquele praticado pela maioria das seleções nacionais – não a nossa, claro está – e por vários campeonatos europeus, americanos e asiáticos. Pondo as coisas mais fáceis, estou a falar daquele em que as raparigas têm uma média de alturas, vá lá, que ronda o metro e oitenta. Esse voleibol é particularmente feio mas, mais do que isso, é lento na defesa baixa.

                Sempre fui fã da defesa baixa – é aquilo que gosto de fazer, de ver, de criticar e melhorar. O libero sempre foi o meu jogador preferido. É muito por causa disso que não gosto de ver – é mesmo uma questão de ver, não se trata de desgostar do desporto em si – voleibol feminino. As atletas de alta competição são normalmente enormes e com pouca coordenação (estou a compará-las aos atletas do mesmo estatuto, claro está) na defesa baixa. É verdade que, por serem altas, conseguem atacar a bola de formas que outras não conseguem, mas perdem muita da velocidade e reflexos necessários para aquelas defesas impossíveis que são a alma do voleibol. Este ponto está claro.

                No voleibol «meio a brincar» – e aqui insiro a maioria das equipas portuguesas –, o problema é o contrário: não são altas o suficiente para fazer, na maioria das vezes, ataques estrondosos. Não são capazes, muitas vezes, de bater a bola para dentro dos três metros. Mesmo o bloco não costuma ser espetacular. É verdade que se mexem muito mais rapidamente na defesa e receção, mas de que serve isso se não há um ataque de deixar o queixo caído do outro lado?

                Como se vê, é um problema pelos dois lados. E que continua, porque elas parecem sempre «ocupar pouco campo». São magrinhas, não se sabem alargar para impedir que se veja superfície, tornam o jogo chato. É, muitas vezes, tão previsível saber onde podiam pôr a bola para que fosse ponto!

                Posto isto – e porque valia a pena dadas as minhas constantes «bocas» a este respeito – não posso deixar de terminar dizendo que isso não tira nenhum mérito ao desporto em si. O voleibol (masculino ou feminino) continua a ser um desporto com uma aura especial, envolvido por uma atmosfera fantástica e com uma beleza – chamemos-lhe interior – fantástica. Só não é perfeito neste pontinho (e sei que a opinião não é geral). Mas continua a ser «do caraças».

 

by Sarah Saint-Maxent

Esta crónica foi escrita ao abrigo do novo Acordo Ortográfico

16
Mai11

Bloco Triplo

Ricardo Norton

Final Eight Juvenis Masculinos

 

               Segunda final eight, segunda vitória. É este o saldo do Leixões Sport Club nas competições de formação nesta época. Depois da vitória das juniores que, na sua terra natal, se sobrepuseram ao Gueifães na final, o passado fim-de-semana testemunhou a vitória dos rapazes do Mar, fora de portas, sobre outra formação maiata: o Castêlo.

                O pavilhão do Castêlo da Maia vestiu-se de gala para acolher a final que se antecipava escaldante. A bancada esteve acutilante. Considero-me alguém que já viu bastante neste nosso mundo do voleibol, mas digo sinceramente que poucas bancadas batem a do passado domingo. E, sim, considero o episódio do confronto entre os dois adeptos como parte da acutilância do público. Apenas mostra a intensidade de emoções que por lá se viveu.

               No campo, uma constelação de artistas defrontava-se. De um lado, o Castêlo da Maia. Tinham sido primeiros na fase regular, contando com uma equipa de excelentes executantes muito bem dirigida pelo Professor Sérgio Soares. Jogavam perante o seu público, na esperança de deixar o título em casa. Tinham tido uma final eight tranquila e “dentro da normalidade”. Na sexta-feira, derrotaram a frágil formação do Fonte do Bastardo, tendo repetido a vitória frente ao Benfica, no sábado. Num jogo mais renhido, a vitória sorriu aos maiatos, desta vez por 3-1. Conforme todas as previsões, chegavam à tão aguardada final.

               Restava apenas conhecer o oponente, que sairia da outra série, disputada em Matosinhos. E o vencedor foi a equipa da casa, o Leixões. Na sexta, derrotaram o CN Ginástica. Um jogo morno em que nenhuma das equipas esteve no topo da forma, mas que os pupilos do Prof. Bruno Costa souberam vencer, sem convencer, no entanto. Chegavam a sábado para, numa complicada meia-final, defrontar os rivais da Ala de Gondomar. Perante um ambiente frenético, “à moda do Leixões”, a Nave Ilídio Ramos encheu para apoiar os locais. Com uns esclarecedores 3-1, os matosinhenses carimbavam, assim, o passaporte para a ambicionada final.

               Castêlo e Leixões chegavam, assim, a domingo, invictos, moralizados e confiantes de que o trabalho da época se iria reflectir no derradeiro jogo. Era de conhecimento geral que o Leixões já não ganhava ao Castêlo desde o longínquo escalão dos minis. No entanto, a concentração da turma de Leixões, apoiada numa forte moldura humana de apoio permitiu atenuar esse facto. Desde o primeiro ponto, notou-se que poderia estar ali a excepção à regra.

               O Castêlo entrou desconcentrado. Sofreu uma desvantagem inicial de 4-0, que o Leixões foi mantendo ao longo do set, mostrando que nem tudo eram favas contadas. Esboçaram uma reacção tardia, que de nada lhes serviu. Uma falta na rede dava o 25-19 aos de Matosinhos, e consequente vitória no 1º set. Os maiatos teriam de trabalhar mais e melhor para voltar ao jogo. E assim o fizeram. Num 2º set muito bem jogado e disputado, o Castelo com 25-22 iguala a partida e traz de volta a esperança do título.

               A mostrar que não estava pronto para abdicar da sua ambição, a turma do prof. Bruno Costa entrou confiante no 3º set. Pela primeira vez, tínhamos as duas equipas taco a taco. No final, o set pendeu para o Leixões. Mais consistentes e concentrados do que os seus rivais, conseguiram a vitória, fruto do bom entendimento entre o distribuidor e os seus atacantes.

               O 4º set, vencido novamente pelo Leixões, teve um episódio que em nada coincidiu com a qualidade que se viu no campo e nas bancadas. Uma pequena rixa marcou negativamente este excelente jogo, quebrando o alto ritmo da partida e desconcentrando as duas equipas. Independentemente disso, o Leixões não abandonou a liderança.  No final, 25-20 colocava um ponto final no jogo e no Campeonato Nacional, com o 9º título para o Leixões SC passando agora a ser o clube com o maior número de vitórias neste escalão.

                Em resumo, foi um excelente jogo e muito bem disputado. A concentração e consistência leixonense sobrepôs-se à qualidade e mestria maiata. Parabéns às duas equipas, boas representantes da qualidade da formação portuguesa.

 

Resta agora disfrutar o verão com o Voleibol de Praia e, na próxima época, tentar “acertar as contas”

 

13
Mai11

Voleibol à Sexta

Sarah Saint-Maxent

Como passar o verão

 

               A maioria dos campeonatos nacionais já acabou. Começa o verão, o calor, o descalçar das meias e dos ténis, a troca de equipamentos pelos calções de banho: começa a época mais dura do voleibol.

               Esqueçamos por momentos as competições internacionais de voleibol indoor; trata-se aqui de dedicar umas palavras a esse desporto que é dos mais exigentes que já tive oportunidade de observar. O voleibol de praia é um desporto intensíssimo: é o reino do suprassumo dos atletas. Só os jogadores inteligentes, tecnicamente fortes e fisicamente resistentes conseguem vingar por aqui.

               Sabemos bem que qualquer desporto praticado na areia se torna muito mais duro que o seu congénere de pavilhão. Aqui, é mais do que isso: o voleibol indoor é um desporto do ataque, da eficiência. O voleibol de praia é o desporto da defesa.

 

 

vagueando.forumeiros.com

 

 

               Não se trata de ter um grande ataque. Para vingar no voleibol de praia, é necessário conseguir contrariar o side-out e fazer aqueles dois ou três pontos, que ditam o resultado do set, com uma defesa impossível ou um bloco esmagador. A defesa baixa complementa a defesa alta para criar um desporto em que a química da dupla dita o resultado.

               Deixemos para trás a equipa formada por seis elementos que se entrusam e se ajudam. Aquela equipa em que se um dos jogadores está menos bem, os outros cinco apoiam, protegem, contornam a questão. Este é o desporto da perfeição: apesar da dureza extrema, ambos os jogadores têm que estar no seu melhor. Não há forma de disfarçar um jogador claramente em baixo de forma. Será para ele que servimos, porque pode falhar a receção e porque, ainda que não falhe, o ataque será provavelmente mais acessível do que o do seu companheiro. Não pode haver «em baixo de forma».

               O voleibol de praia é uma cereja em cima do bolo - a oportunidade de ver em pormenor a capacidade dos jogadores individuais. E os torneios estão aí ao virar da esquina.

               E é também, claro, a única altura em que até é bem agradável ver voleibol feminino.

 

by Sarah Saint-Maxent

Esta crónica foi escrita ao abrigo do novo acordo ortográfico

06
Mai11

Voleibol à Sexta

Sarah Saint-Maxent

Benfica afunda-se nos Açores

 

               Associação de Jovens da Fonte Bastardo. É o nome do novo campeão nacional de voleibol masculino. É surpreendente? Sim. E também levanta algumas questões relativas ao modelo competitivo. Mas não deixa de ser uma demonstração de mérito da equipa açoriana.

ajfontebastardo.blogspot.com

 

               Há duas semanas, disse aqui que dificilmente a formação encarnada se deixaria bater neste play-off final. Estava enganada: parece que é a sina do SL Benfica perder os campeonatos da forma mais improvável. No ano passado, o SC Espinho anulou uma vantagem de zero jogos a dois, conquistando os três seguintes e conquistando o título. Este ano, num modelo à melhor de três, a formação da luz desperdiçou a vantagem de começar esta fase final a jogar em casa. Depois de um merecido 1-3, a equipa açoriana tinha tudo para roubar o sonho aos benfiquistas.

               E não era um sonho pequeno: lembremo-nos do investimento brutal que o Benfica fez este ano, apostando tudo na conquista do título, de que já aqui falei. Não foi pouco aquilo que a equipa começou a perder quando cedeu em casa.

               Perante o seu público, a Fonte Bastardo estava mais que decidida a ganhar. Provavelmente não pensaram, até há duas semanas, que iriam jogar essa partida nos Açores com uma vantagem importantíssima, mas isso não se refletiu. A equipa não tinha, ao contrário da formação liderada por José Jardim, grande coisa a perder. Na verdade, só subiram à divisão principal do voleibol português em 2005 e nunca tinham chegado ao play-off final. É certo que investiram na modalidade este ano, o que lhes permitiu a contratação do atacante Manuel Silva, mas não comparemos esse com o investimento do clube da luz.

               Na minha opinião, o título decidiu-se na luz: uma Fonte Bastardo consistente, embora não brilhante, derrotou um Benfica esgotado. Aquele que é, na minha opinião, o melhor jogador da equipa, Flávio Cruz, esteve péssimo. Sem brilhar na defesa e, sobretudo, totalmente ineficaz no ataque, foi uma baixa de peso. Ainda assim, Jardim insistiu nele e só no quarto set fez entrar Tony Ching.

               Lá está a outra asneira: Raidel Toiran voltou a ser titular. E quando Raidel Toiran é titular, desastres acontecem. Não vi os treinos da equipa da luz antes do jogo, e houve, de certeza, alguma razão para o cubano ter sido escolhido para substituir o habitual Ching. Ainda assim, tenho a certeza que a capacidade defensiva do americano teria dado ao Benfica mais uma arma para tentar contrariar uma formação açoriana na mó de cima. Depois dessa derrota, era só esperar que a Fonte Bastardo cumprisse, como fez.

               Se esta situação se tivesse dado no ano passado, provavelmente a história era diferente. Em 2009/2010, o Benfica tinha esta vantagem – os dois jogos ganhos que deram a vitória à equipa da Terceira – e acabou por ceder face aos tigres. Este modelo a três jogos incapacitou o Benfica, é certo, sobretudo porque se viram privados do distribuidor habitual, Paulo Renan, por lesão. Quem sabe se esta semana já poderia jogar e, assim, dar a volta à questão.

               No entanto, tudo isto é forma de atenuar a derrota dos encarnados. E os vencedores não merecem que se atenue a sua vitória, conquistada com esforço, com consistência, com um grande nível. E, como dizia o outro, «ganha quem faz mais por isso», e a Associação de Jovens da Fonte Bastardo fez mais por isso do que o Sport Lisboa e Benfica.

 

By Sarah Saint-Maxent

 

Esta crónica foi escrita ao abrigo do novo acordo ortográfico

02
Mai11

Bloco Triplo

Sarah Saint-Maxent

David vence Golias

 

                O monopólio nortenho no voleibol português há muito que deixou de existir. O AJ Fonte do Bastardo fez questão de reforçar esta máxima e mostrar que não só no Norte se joga bom voleibol. Fez história e, merecidamente, inscreveu o seu nome na restrita lista de equipas vencedoras do campeonato A1.

                Na primeira final do campeonato após a reformulação do sistema de prova, o conjunto insular foi mais forte e derrotou o SL Benfica nos dois jogos. Realizou exibições de bom nível, esteve consistente e, acima de tudo, conseguiu as preciosas vitórias que encaminharam “o caneco” para as ilhas.

                Neste último fim-de-semana, diante dos seus adeptos, os açorianos repetiram o resultado da 1º mão e vergaram os encarnados com mais um contundente 3-1.

                Sabia-se, de antemão, que seria um bom jogo. Da parte do Benfica, era o jogo do tudo ou nada. Sendo a eliminatória à melhor de três jogos e com uma derrota no primeiro jogo, os da capital não tinham margem de erro. Para continuar na luta pelo título, sabiam que teriam de ganhar, entrar fortes e forçar um terceiro jogo na capital. Pelo contrário, o Fonte do Bastardo sabia que o título andava por perto. Poderiam, em caso de vitória, sagrar-se campeões nacionais diante do seu público.

                O jogo iniciou-se com a equipa visitante a correr atrás do prejuízo. Entraram na máxima força e não deram hipóteses aos locais. Com um expressivo 16-25 fecharam o primeiro set e, assim, começavam a árdua tarefa de encurtar a vantagem da Fonte do Bastardo no playoff. No entanto, a qualidade da equipa insular e a experiência do Prof. Alexandre Afonso viraram o rumo dos acontecimentos. Com vitórias nos outros três sets, sentenciaram o jogo e mostraram ao país a qualidade do jogo praticado nos Açores. Os antigos campeões nacionais estavam derrotados e o público aclamava agora a nova sensação do voleibol português.

                Este título é o espelho de uma transformação no panorama voleibolístico nacional. O desinvestimento e instabilidade dentro dos clubes que outrora foram de primeira linha abriram espaços para o aparecimento de novas potências. O Fonte do Bastardo fez uso desse mesmo espaço para se fixar na primeira linha. Realizou um investimento forte, cimentou um plantel dotado tecnicamente na vasta experiência de nomes como Manuel Silva e Eurico Peixoto e cresceu, fruto de um excelente trabalho de Alexandre Afonso, treinador contratado para a época que agora termina. É uma pessoa de créditos firmados. Depois da Taça ao serviço do Castêlo, roubou o título aos benfiquistas.

Espera-se que o Bastardo consiga manter a qualidade apresentada esta época. Têm um projecto ambicioso e consiste, capaz de se aguentar nos próximos tempo. Têm uma filosofia de um jogo vistoso e com qualidade. São um clube com mentalidade vencedora e, acima de tudo, que tem portugueses na espinha dorsal. Uma conjugação de factores que cada vez menos se encontra em Portugal. É importante, a bem do voleibol nacional, que esta estrutura não desapareça.

                Mesmo que não mantenham o título, certamente não desaparecerão do topo da tabela. Porque quem sabe, nunca esquece.

 

by Ricardo Norton

29
Abr11

Voleibol à Sexta

Sarah Saint-Maxent

Eu também falo de futebol, mas pouco

 

      Ontem fui ao futebol. Sim, o cliché: ver a meia-final da Liga Europa, entre o Benfica e o Sporting de Braga. Bem sei que é estranho estar a falar de futebol, mas tem uma razão de ser.

      Estava muito contente a ver bolas ao poste, faltas e afins quando olho para o lado e começo a vê-los: um a um, os «craques» da equipa sénior de voleibol do clube da luz desfilavam e sentavam-se ali, na minha bancada. Hugo Gaspar, Flávio Cruz, Zelão, Raidel Toiran, Olivier Facher, o capitão Pedro Fiúza e mais uns quantos, juntamente com treinadores e preparadores físicos, juntavam-se à multidão que assistia ao jogo da segunda maior competição europeia de clubes. O que é que isto interessa? Bem, serve como um pequeno apontamento - vou deixar o comentário sobre o primeiro jogo da final, contra a AJ Fonte Bastardo, para a próxima semana, quando já souber o resultado deste segundo jogo nos Açores - sobre o que faz uma grande equipa.

      A equipa encarnada voará, este fim-de-semana, para a ilha Terceira, onde terá o jogo que é, até ao momento, o mais importante da época: pode ser aqui que perde o título para a equipa açoriana. Ainda assim, ou mesmo por causa disso, muitos dos jogadores juntam-se e vão, em grupo, assistir a um jogo de futebol. Sim, como pessoa mais ligada ao voleibol, sinto-me ligeiramente ofendida: porque é que o futebol tem este poder para juntar grupos e o mesmo não acontece com o meu voleibolzinho? Ainda assim, não deixa de ser incrível que se utilize o desporto para formar uma equipa ainda mais coesa. Sim, não me suscita grandes dúvidas: uma equipa que partilha momentos fora de campo torna-se mais forte dentro dele. Aqueles que partilham situações, momentos de lazer, passam a conhecer-se melhor, e isso aumenta a produtividade da equipa como um todo.

      Vejo com ótimos olhos estas situações. E parecem-me ainda melhor quando estão ali mesmo ao meu lado - sim, tenho um bocadinho de voyeur. Vamos lá ver se a descontração em grupo dá resultado e conseguem sair da ilha com uma vitória que adiará a discussão do título. Pelo menos, acredito que com estes bocadinhos, passam a ser mais uma equipa. Que, às vezes, é o que ainda falta ao SL Benfica.

 

      No campeonato feminino, o CD Ribeirense venceu, como se esperava, o primeiro jogo contra o CA Trofa, ainda que apenas no quinto set. Não é de estranhar que, neste fim-de-semana, conquiste o título que, sem dúvida, merece.

 

by Sarah Saint-Maxent

Esta crónica foi escrita ao abrigo do novo acordo ortográfico.

22
Abr11

Voleibol à Sexta

Sarah Saint-Maxent

Mais Benfica


     Começa amanhã a fase final do campeonato nacional de voleibol masculino, que oporá o SL Benfica e a AJ Fonte Bastardo. O primeiro jogo é na capital, onde se prevê uma afluência significativa, tendo em conta a experiência do ano passado, onde disputou este mesmo título com o SC Espinho.

     A surpresa é, de facto, a chegada da equipa açoriana a esta fase: apesar de nestes últimos jogos ter demonstrado grande valor e ter conseguido grandes resultados, é uma formação que não se apontaria como favorita a chegar à final no início do campeonato, há largos meses. Lembremo-nos que esta equipa apenas chegou ao escalão principal do voleibol português na época 2005/06.

     Apesar dos bons resultados, e como já aqui referi, considero que a equipa da Luz é favorita a conquistar o título: um plantel que se tem tornado cada vez mais forte e completo ao longo da época faz a diferença. Há uns meses, nas primeiras jornadas, ainda eram visíveis alguns erros completamente evitáveis; agora, com a consolidação de uma equipa e de alguns novos jogadores de valor, são poucos os que contestam a supremacia do Benfica.

vermelhoslb.wordpress.com

     Recuemos um pouco no tempo: quando vi os reforços encarnados para esta época, achei que Flávio Cruz e Hugo Gaspar fariam toda a diferença no plantel. Não estava enganada, mas não posso deixar de referir, agora que nos aproximamos a passos largos do fim da competição, a participação valiosa de Tony Ching. O jogador americano começou tímido e um pouco irregular, mas apenas para se ir afirmando como um peso pesado da equipa: foi a sua consistência que permitiu a José Jardim preterir Raidel Toiran, tão inconsistente no ataque – capaz do melhor, sem dúvida, mas também do pior – e tão pouco seguro na defesa. Essa foi, na minha opinião, uma das maiores diferenças deste Benfica

para o do ano passado; não nego o valor do cubano, mas parece-me que a sua cabeça nem sempre está onde deveria estar.

     Outra grande diferença foi a contratação de Rafinha, como libero, e as opções para a distribuição: André Tavares foi, sem dúvida, importante para assegurar alguns jogos, mas a diferença fundamental está, na minha opinião, na contratação de Dustin Shneider e Olivier Faucher, aquando da lesão do primeiro.

      Por tudo isto e também por tudo aquilo que aqui referi ao longo destes longos meses, cheira-me que amanhã vamos ter um grande jogo, mas a pender para o lado dos lisboetas – com muita pena minha, na verdade. Gosto da Fonte Bastardo. Espero estar enganada.

 

ADENDA: afinal estava mesmo enganada. AJ Fonte Bastardo consegue um resultado importantíssimo ao vencer na luz por 3-1. Um jogo que, por merecer algumas palavras, não deixarei de trazer à baila nas semanas vindouras. No próximo sábado joga-se nos Açores,  a oportunidade é grande: os açorianos carimbar o seu nome como vencedoraes do campeonato nacional A1.

 

By Sarah Saint-Maxent

Esta crónica foi escrita ao abrigo do novo acordo ortográfico

15
Abr11

Voleibol à Sexta

Sarah Saint-Maxent

Em jeito de resumo


Eu gosto de ter razão. É uma coisa que me dá prazer, mesmo que, por exemplo, percam equipas de que gosto. Foi o que se passou com as equipas que chegaram ao playoff final do campeonato nacional: SL Benfica – decidido há que séculos – e AJ Fonte Bastardo – que conquistou o lugar na jornada passada.

 

Eu tinha dito que nem em sonhos esta equipa (ou mesmo o Castêlo da Maia) ia deixar que o SC Espinho ficasse com a segunda posição: parece que acertei. Ora bolas!, eu até gosto do SC Espinho. Mas, lá está, um plantel quase totalmente renovado tem efeitos mais a longo do que a curto prazo: esta época foi a prova. Vitórias pontuais – e importantes, não o nego – permitiram a este SC Espinho chegar à final da Taça de Portugal, que disputará no próximo dia 16 com o SL Benfica. Mas a falta de regularidade custou-lhe uma posição de topo, ao nível que nos tem habituado.

 

Ainda assim, e contra mim falo, a prestação do Vitória SC ficou muitos furos abaixo do que esperava no início da época: um plantel em que vários jogadores já se conheciam (muitos deles vindos mesmo do SC Espinho) devia ter uma coesão muito maior do que aquela que demonstrou ao longo deste campeonato. Terminará a sua prestação em 5º lugar, apenas ultrapassando, na fase final, o Leixões SC.

 

 

 

 

Ótima surpresa foi a prestação da AJ Fonte Bastardo: apesar de um início de época tímido, conseguiu chegar à fase final e, aí sim, mostrar o que vale. É por isso que – embora atribua um favoritismo mais que claro ao SL Benfica – acho que a formação açoriana nos vai proporcionar um espetáculo agradável e bater-se como grande. Espero que o faça, para bem do voleibol.

 

Acredito que o que poderá ajudar mais a esta formação vai ser um pavilhão cheio nos açores – afinal, nem todos os benfiquistas se podem deslocar às ilhas para apoiar a sua equipa. Este apoio do público será fundamental numa fase final que se disputará à melhor de três, a partir de 23 de Abril. Ainda assim, este esforço das viagens constantes para cá e para lá poderá refletir-se negativamente em ambas as equipas, mas mais na equipa da luz… afinal, uma viagem a Espinho não é o mesmo que uma viagem à Terceira.

 

by Sarah Saint-Maxent

Esta crónica foi escrita ao abrigo do novo acordo ortográfico.

01
Abr11

Voleibol à Sexta

Minuto Zero

O benjamim


As fases finais dos campeonatos estão mais ou menos decididas, com os primeiros praticamente confirmados – veja-se o CD Ribeirense ou o SL Benfica, por exemplo – e a luta pelo segundo lugar a ser mais ou menos acesa. Enfim, nada de muito espetacular ou interessante, pelo que usarei o espaço para outra coisa. E que bem que fica a nossa casa por estes lados, já agora.

Bem sei que se torna repetitivo e se calhar um bocadinho suspeito, mas uma decisão do selecionador Juan Diaz deixou-me boquiaberta de espanto e não posso deixar de o comentar: a decisão de integrar o atleta júnior Miguel Tavares (Rodrigues), jogador do SL Benfica e da seleção do mesmo escalão, nos estágios de preparação para a Liga Mundial.

Já aqui tinha falado – espantada – da sua integração no plantel sénior do Benfica aquando da lesão de Renan. Mas trata-se agora de integrar a lista de 24 pré-convocados para a Liga Mundial. Há cinco anos que não chegávamos a esta competição e, quando finalmente o fazemos, chamamos um atleta com 18 anos para ocupar um dos lugares de distribuidor?

fonte: abola.pt

Não o nego, é um ótimo jogador, independentemente da idade que tem. Tem um problema, na minha opinião, que tem que ver com a forma de jogo da sua equipa, em que além de distribuidor (porque jogam num esquema de 4-2), faz também o trabalho de oposto. É provavelmente a única falha que posso apontar, e não o será quando falamos de escalão de formação: a polivalência nestas idades é uma coisa excelente, já que se preparam jogadores para o futuro. Mas aqui não falamos de um escalão de formação: falamos de um representante da seleção nacional de seniores, que tem treinado como distribuidor e como oposto.

Enfim, passemos à frente. Não nego que tem muito mérito e qualidade, e um potencial ainda maior. Mas continuo a preocupar-me, como faço desde o início da época, com o resultado que este tipo de convocatórias pode ter na sua cabeça. Como jogador, acredito que não se refletirá negativamente: fará com que aposte em si e no seu futuro, desde que mantenha os pés assentes na terra.

Mas há que pensar também no rapaz de 18 anos por detrás do atleta. Inchar o peito de orgulho por fazer parte de uma convocatória destas pode fazer bem, mas quando é levado ao extremo…

Parecer-me-ia estranho, muito estranho, se integrasse a lista final de convocados. Acho que esta situação tem que ver com aquilo em que Juan Diaz tem vindo a apostar: a construção de uma equipa forte e unida. No fundo, é preparar o futuro – não tão longe assim, na minha opinião –, começando a integrar novos atletas numa equipa com outros de valor reconhecido. É uma estratégia que me parece impressionante e corajosa, apesar de me deixar de pé atrás pelos motivos que já aqui referi. Vamos ver como corre.

 

by Sarah Saint-Maxent

 

Esta crónica foi escrita ao abrigo do novo acordo ortográfico.

 

25
Mar11

Voleibol à Sexta

Minuto Zero
O desporto faz mal à saúde

Numa semana em que os vários campeonatos trouxeram pouca ou nenhuma surpresa, encontrei por acaso um estudo da FIVB (Fédération Internationale de Volleyball), elaborado com base em dados de 2010, sobre as lesões mais comuns em jogadores de voleibol. Qualquer um de vós que esteja mais atento já percebeu que é um tema caro, e não pude deixar de aproveitar a oportunidade para falar um pouco disso, apoiando-me neste estudo recente.
Os resultados divulgados pela FIVB anunciam que as lesões no tornozelo são as mais comuns no voleibol, seguidas pelos (quem mais?) joelhos, costas e dedos. Os problemas mais comuns são provocados pelo excesso de esforço – lesões sérias e agudas são muito raras – e os dados demonstram que 49% dos atletas de voleibol de praia inquiridos, por exemplo, responderam afirmativamente à questão: «sofre neste momento de dor nalguma destas regiões – lombar, joelho ou ombro?».

fonte: deportes.info
É verdade que o risco de contrair lesões graves que impliquem uma longa paragem para recuperação é substancialmente menor que noutros desportos de equipa – veja-se o exemplo do futebol, onde uma equipa tem em média um jogador lesionado por jogo, ao passo que no voleibol a perspectiva é a de um atleta por cada 20 jogos – mas não deixa de ser incrível que cerca de metade dos jogadores se queixe de dores persistentes nas costas, joelhos e ombros. Ainda que, como conclui o estudo, os sintomas das lesões nestes locais sejam normalmente moderados e que os jogadores continuem, na sua maioria, a jogar como habitual.
Vejamos as repercussões disto: ao nível mais elevado do voleibol, quase metade dos atletas joga abaixo das suas potencialidades porque sofre de dores por excesso de uso. E fá-lo continuamente, sem normalmente pararem – 2% dos jogadores afirmaram ter parado por pelo menos uma semana por dores nas costas, 3-4% por lesões no ombro e 7% por problemas com o joelho.
Isto significa que muitos dos jogadores que vemos e apreciamos, os grandes do voleibol mundial, estão continuamente a lutar contra si próprios. Actuam, muitas vezes, num esforço superior ao que se esperaria quando apenas se pratica um exercício deste nível, sem qualquer tipo de condicionamento físico.
Enfim, e oiço isto desde que nasci: «o desporto faz mal à saúde». O desporto de alto rendimento faz, sem dúvida, mal à saúde. E por isso mesmo devemos dar ainda mais crédito a quem a isso se sujeita.

by Sarah Saint-Maxent