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Minuto Zero

A Semana Desportiva, minuto a minuto!

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Minuto Zero

24
Mai11

Buzzer - Beater

Óscar Morgado

Vingança em curso

 

         Payton defende a tentativa de lançamento de Jason Terry. Terry lança, Payton desarma, a bola vai parar ao lado esquerdo do campo perto do canto dos 3 pontos onde Wade recebe a bola. Esgotam-se os últimos 3 segundos no marcador, e Wade atira a bola ao ar em êxtase. E Miami ganha o seu primeiro campeonato da NBA da história.

        Estávamos então em 2006, e o duo de Dwayne Wade e Shaquille O’neal fazia sucesso nos Miami Heat, pela segunda época que estavam juntos, após a mediática saída de ‘Shaq’ dos Galácticos do basquetebol, os Los Angeles Lakers.

        Do lado dos Mavericks, Nowitzki, Terry, Josh Howard e Jerry Stackhouse eram algumas das estrelas. Os dois primeiros obviamente eram os motores da equipa. Fizeram uma campanha espantosa, e estiveram a ganhar nas finais por 2-0 contra Miami, mas no final a equipa de South Beach levou a melhor, ganhando os 4 jogos seguintes de seguida.

        Pelo andar das coisas, é possível que se veja uma vingança ao fim do túnel. Miami ganha 2-1 a Chicago na final da Conferência de Este, e Dallas ganha 3-1 a Oklahoma City na final de Oeste. Embora não seja certo que qualquer uma das duas avance à próxima fase, está-me a parecer que será o jogo mais interessante que pode aparecer nas Finais: dum lado a mesma equipa de base dos Mavericks de 2006, com Nowitzki ainda melhor (o que não parece muito possível) e Jason Terry ao mais alto nível, mas com um grupo secundário mais sólido que na última ida às finais: Tyson Chandler como autêntico polícia das tabelas, Jason Kidd como um general no final de carreira mas um dos melhores bases de sempre, e um Shawn Marion algo que resuscitado dos seus tempos de All-Star dos Phoenix Suns, que se revelou um substituto competente ao lesionado Caron Butler (que na altura da sua lesão levou a imprensa a retirar os Mavericks da luta pelo título).

        Do outro lado, uma equipa totalmente diferente, apenas com Dwayne Wade e Udonis Haslem restantes da equipa que ganhou o título em 2006. Já não têm O’neal, mas James e  Bosh mais do que compensam essa falta. A receita para o sucesso que fez juntar o ‘Big Three’ este Verão está finalmente a dar os frutos desejados, bem como começou a afastar a crítica de que esta equipa nunca funcionaria.

        Além disso há o tal factor de vingança que deve motivar os Mavericks, caso cheguem à final, de provar de uma vez por todas que são uma equipa capaz de ganhar campeonatos e não apenas de espantosas épocas regulares. E, já agora, de mostrar que foi apenas por acaso que perderam 4 jogos seguidos contra um endiabrado Wade e os restantes Heat.

 

Nota: em virtude deste cronista ter apostado com outro cronista um almoço em como seria Boston a ganhar o título e não Chicago, o meu desejo que Miami vença esta série torna-se mais forte.

 

by Óscar Morgado

03
Mai11

Buzzer - Beater

Óscar Morgado

Big Three: alunos vs. mestres

 

      É uma fórmula cientificamente comprovada. É o Fairy de lavar a loiça à mão e o Calgonite para quem prefere à máquina: toda a gente fica satisfeita com o resultado.

      E a técnica é quase milenar. Os ‘Trios’ na NBA são coisa que na maioria das vezes ganhou campeonatos. Dúvidas? O algodão não engana (também utilizo metáforas com outros produtos de limpeza): Larry Bird, Robert Parish e Kevin McHale foi sem grande discussão a melhor combinação 3, 4, 5 da história da NBA, dominando nos Celtics dos anos 80 (ganharam 3 campeonatos e 2 outras presenças nas finais). Ou então alguns se lembrarão dos “Bad Boys” dos finais da mesma década em Detroit: Isiah Thomas, Joe Dumars e Bill Lambier (2 campeonatos vencidos). Ainda seria digno referir Magic Johnson, Kareem Abdul-Jabbar e James Worthy nos Lakers – perdão – nos ‘Showtime’ Lakers de 80, o ainda existente trio de Duncan, Ginobli e Parker nos Spurs, e, como não poderia deixar de ser, Bill Russell, Bob Cousy e John Havlicek, que venceram 6 campeonatos juntos nos anos 50 e 60, sendo provavelmente o trio mais mortífero de sempre.

      Portanto, trios dão campeonatos. Umas vezes aos pares, outras à unidade, por vezes a granel. E claro, também em trios. Recentemente voltou-se a essa estratégia: os Boston Celtics adquiriram Kevin Garnett e Ray Allen para flanquear Paul Pierce em 2007, juntando 3 futuras lendas da modalidade. Ainda mais recentemente, ou seja, esta época, este modelo de sucesso, que deu um campeonato aos Celtics logo na época 2007-2008 e uma presença nas Finais dois anos depois, foi aplicada. Com um pouco mais de mediatismo: Lebron James e Chris Bosh, dois All-Stars estabelecidos na NBA, rumaram a Miami para se juntarem a Dwayne Wade, tendo já estabelecido esta época uma potência da NBA ao ficarem em segundo lugar da Conferência de Este. Estes dois trios estão neste momento a defrontar-se nas semi-finais dos playoffs, com a vantagem da primeira partida a favor de Miami.

      Ainda assim, mais que as semelhanças, notam-se as diferenças. O ‘Big Three’ de Boston apareceu como um produto “pronto a cozinhar”, recrutando veteranos estabelecidos (todos os 3 tinham pelo menos 30 anos)  que nunca tinham ganho títulos, tendo essa motivação comum e sabendo que era necessário sacrificar estatísticas individuais. E conseguiram. Já o trio de Miami teve alguma dificuldade em impor-se, não só porque se trata de jogadores menos experientes que tiveram mais dificuldade em se adaptarem aos seus lugares na equipa, mas porque o evolucionismo de Darwin ainda não se manifestou em pleno.

 

 

 

 

 

      Darwin, perguntam vocês? Claro que sim. Em Boston, o ‘Big Three’ evoluiu para ‘Big Four’, pois Rajon Rondo, base titular da equipa desde a chegada das estrelas, tornou-se no geral melhor jogador que os restantes três. Esta melhoria foi em grande parte fruto da experiência dos veteranos sobre o jovem base, cujos grandes problemas de mentalidade e consistência foram ultrapassados para o tornar um dos grandes da liga na posição. E isto aconteceu ao resto da equipa: Glen Davis e Kendrick Perkins (que foi trocado há uns meses) foram apenas alguns dos jogadores que beneficiaram com a presença das estrelas, melhorando o seu jogo. Boston tornou-se uma equipa completa (embora as trocas de jogadores tenham estragado alguma química existente).

      Em Miami há, porém, mais talento. Calcula-se que no futuro esse trio produza mais dividendos que o de Boston. Mas neste momento a evolução não está completa: toda a responsabilidade do jogo passa por James, Wade e Bosh, sendo o resto da equipa de um nível muito inferior, pois falta um poste dominante nas tabelas e um base capaz de ser um general em campo. Talvez as três estrelas façam crescer algum jovem atleta da actual ou futura equipa?

      No resto, também financeiramente a evolução é inferior. Garnett recebe quase 19 milhões de dólares anuais no seu penúltimo ano de contracto, Ray Allen recebe 10 milhões e Pierce quase 14. Tanto James como Wade ou Bosh não recebem sequer 15 milhões (embora no último ano obrigatório de contracto recebam quase 20 cada). No actual confronto, penso que a maturidade de Boston ganha vantagem, mas o talento e o maior número de partidas em casa pode pender a favor de Miami. Veremos.

 

by Óscar Morgado