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Minuto Zero

A Semana Desportiva, minuto a minuto!

A Semana Desportiva, minuto a minuto!

Minuto Zero

03
Mar12

Porque a vida também é feita a correr...

João Perfeito

A lógica Invertida

 

 

O Futebol Clube do Porto venceu o Sport Lisboa e Benfica por 3-2 e ascendeu ao topo da Liga Portuguesa de Futebol. Três jornadas depois as águias perderam oito pontos e permitiram ao seu grande rival FC Porto uma recuperação que muitos julgam impossível em tão pouco espaço de tempo. Foi pois, um clássico de lógica invertida.

Um bom espectáculo de futebol com duas equipas táctica e sobretudo tecnicamente evoluídas a demonstrarem que o futebol português está vivo e recomenda-se… Os jogos fechados, os clássicos com poucos golos ficaram arquivados nos registos históricos, o presente trouxe-nos um jogo fluído, bem jogado, bem disputado e com duas das equipas que melhor trocam a bola no futebol europeu. Foi por isso um jogo emocionante, um jogo incrível! Que começou a construir a sua beleza com o talento de Hulk. O mago azul e branco voltou a ser incrível e com uma bomba de pé esquerdo colocou a bola no fundo da baliza de Artur.

Óscar “Tacuara” Cardozo não quis ficar atrás e voltou a molhar a sopa frente aos azuis brancos através dum potente remate de pé esquerdo sem hipóteses para o desamparado Hélton.

No início da segunda parte Cardozo bisou e provocou a cambalhota no marcador. Jogo aberto, 2 golos de pé esquerdo, uma reviravolta, este era o jogo da supremacia da inversão da lógica. Um jogo onde os heróis se inverteram, as surpresas incendiaram o clássico a cada instante e os mal-amados fizeram a festa.

Vítor Pereira tão injustamente criticado pela comunicação social e pelo exigente tribunal das Antas foi o grande vencedor da noite, ao mudar o jogo com a mestria que muitos julgavam ser submersa. Tirando um Rolando, claramente fora de forma, dando a Maicón o seu habitat natural e puxando Djalma para o lado direito da defesa, permitiu uma maior consistência defensiva e uma maior saída para o ataque. O endiabrado James voltou a provar ser uma das maiores promessas do futebol Mundial e através da sua magia pintou o resultado de azul e branco quando o quadrado parecia encharcado de vermelho. Mais uma vez a surpresa, o novo figurino de Vitór Pereira deu uma lógica à vitória Portista, mesmo que duma forma pouco esperada.

Aclamado por milhões de Benfiquistas, protegido como poucos pela comunicação social e com o seu passe claramente inflacionado Artur voltou a demonstrar que está longe de ser um guarda-redes de top Mundial.

Com 3 golos encaixados, tendo no 1º e sobretudo no terceiro amplas responsabilidades o antigo guarda-redes bracarense voltou a aproximar a sua média de golos sofridos para perto de um por jogo. Sofrendo 19 tentos em 21 jogos. Por tanto findas as primeiras 21 jornadas do presente campeonato Artur soma mais 2 golos sofridos que o odiado e repudiado Roberto Gimenéz.

Com uma das melhores duplas do futebol Mundial da actualidade, com um dos melhores 5 laterais direitos do Mundo do pretérito ano e com um dos médios que melhorar completam a sua qualidade ofensiva/defensiva do futebol Mundial o endeusado guarda-redes brasileiro consegue contra todas as expectativas ter a sua folha mais pesada que o seu tão criticado antecessor.

Perante uma equipa que tem mais posse de bola que a pretérita época e permite menos contra-ataques aos adversários e oportunidades é ilógico que o conjunto encarnado sofra mais golos relativamente à pretérita época.

Por seu turno, Roberto Gimenéz continua a espalhar na mais valorizada Liga do Mundo toda a sua qualidade, lutando praticamente só para que o Saragoça ainda alente a esperança de figurar na próxima época no mágico grupo das 20 melhores equipas espanholas.

Mas o futebol é feito de feelings, de opiniões formatadas e de interesses com um rigor muito pouco plausível.

Maicón, um dos melhores centrais do Mundo no jogo aéreo fez o último tento da noite, em fora-de-jogo, num lance de bola parada.

Um golo que deu lógica ao resultado face à expulsão invulgar de Emérson.

Escreveu-se direito por linhas tortas, construi-se um dos mais belos espectáculos do futebol europeu com o perfume de toda a imprevisibilidade que nutre o desporto rei, dando a lógica (Porto dominante) de forma invertida (heróis trocados, golos estranhos e cambalhotas no marcador).

Se só assim o futebol português pode ser belo então que se inverta a lógica, porque jogos como este com ou sem sentido queremos invariavelmente que se repitam…

23
Fev12

Porque a vida também é feita a correr...

João Perfeito

Futebol Actual- Um espaço sem potências a longo prazo (salvo raras excepções)

 

         A presente primeira mão dos oitavos-de-final da Liga milionária trouxe amplas surpresas ao universo futebolístico do Velho Continente.

         Dos vencedores dos grupos só o todo poderoso Barcelona conseguiu vencer em campo alheio. E das restantes equipas forasteiras, só o Real Madrid conseguiu trazer na bagagem um resultado que lhe permite estar na frente no início da segunda mão.

         Num tempo de crise económica cada vez mais se podia pensar, que face ao abrandamento do investimento as potências podiam alargar mais a superioridade face aos outros, perdendo com isso o futebol a imprevisibilidade, emotividade e competitividade que permite mover paixões pelo Mundo inteiro.

         Contudo, a tendência tem sido claramente contrariada. Surpresa, para aqueles que só vem dinheiro, investimento e sucesso rápidos, os “capitalistas modernos adaptados ao futebol”. Constatação e contentamento para todos aqueles que tentam observar no futebol o retrato humano e a maneira como patenteia que todos podemos ser melhores, bastando ter vontade e competência para tal.

         Mais do que escrever posts sobre Barcelona e Real Madrid, penso que é tempo de falar de outras pérolas que vão perfumando a Europa do futebol. Falo de dois países sem passado no futebol, mas com um presente bem trabalhado. Suiça e Chipre, Basileia e Apoel… Duas equipas extraordinariamente orientadas, disciplinadas tacticamente e com uma finalização fácil. Ambas, mais o Basileia tem sérias hipóteses de fazer História e entrar para o mágico grupo dos 8 finalistas da Liga Milionária.

         Zenit ou Benfica, Marselha, Nápoles em princípio vão passar no exame final e englobar este lote restrito. Se olharmos para estas 6, que serão 5 equipas vemos que nenhuma dela é do Campeonato espanhol, inglês ou alemão. O Nápoles, mesmo sendo Italiano é uma nova vaga do futebol transalpino, não é uma potência como Milan, Inter ou Juventus…

         O futebol mais espectacular do Mundo, o inglês tem tudo para ver a sua prestação na liga milionária reduzida a 0 e no Espanhol apenas sobrevivem os incontornáveis Real e Barça.

         Na Alemanha, o Bayer tem amplas dificuldades no campeonato Nacional e na Champions parece mais longe da corrida.

         Uma problemática interessante, que deve ser debatida no actual contexto futebolístico. Afinal a aceleração que patenteia o sistema de hoje em dia tem tanto de bom, como de curto. Bom de construir potências vindas do nada, mas com a velocidade que aparecem, desaparecem e novas ascensões sobem ao primeiro pelotão europeu sem que nada estivesse preparado para tal.

         Os tempos são de mudança e nada é certo, com velocidade se ganha, com velocidade se perde… Tentemos ficar a meio do caminho e talvez possamos fugir  “ao capitalismo do futebol actual”.

08
Fev12

Lado B

Bruno Carvalho

“O Grande” Gil Vicente

 

 

No espaço de uma semana, o Gil Vicente derrotou dois grandes do futebol português: o FC Porto e o Sporting. Na 17ª jornada da Liga Portuguesa, o Gil Vicente banalizou o FC Porto, derrotando-o por uns claros 3-1, e, no passado sábado, o Gil Vicente afastou o Sporting do acesso às meias-finais da Taça da Liga, vencendo em Alvalade por 1-0.

Já antes de ter vencido o FC Porto e o Sporting, o Gil Vicente já tinha deixado uma boa imagem no Estádio da Luz, apesar de ter perdido por 3-1 com o Benfica. Aliás, em Barcelos, o Gil Vicente empatou a duas bolas com o líder da Liga Portuguesa de futebol.

Ocupando actualmente o 9º lugar da Liga Portuguesa, o Gil Vicente ameaça tornar-se na revelação desta temporada, tendo em conta que já “roubou” pontos ao Benfica e ao FC Porto, para o campeonato, e, já eliminou o Sporting da Taça da Liga.

O sucesso da equipa orientada por Paulo Alves assenta sobretudo no trabalho, no espírito de grupo e na qualidade individual de alguns jogadores, com destaque para Cláudio, André Cunha e Hugo Vieira.

Num sistema táctico em 4x3x3, o Gil Vicente tem estabilizado o seu onze inicial com Adriano Facchini na baliza; Daniel, Cláudio, Halisson e Júnior Caiçara no quarteto defensivo; Luís Manuel, Pedro Moreira e André Cunha no trio de meio campo, e, Rodrigo Galo, Richard e Hugo Vieira no tridente ofensivo, apresentando um futebol vistoso e atraente.

Adriano Facchini, guarda-redes brasileiro contratado no início desta temporada ao União da Madeira, oferece garantias de segurança à defesa do Gil Vicente.

Cláudio, defesa brasileiro de 34 anos, é o elemento mais experiente da zona defensiva do Gil Vicente, tendo já apontado 6 golos na Liga Portuguesa desta época, todos eles de cabeça e de grande penalidade, o que demonstra que Cláudio é muito forte no jogo aéreo e um especialista a cobrar grandes penalidades.

No meio campo, Luís Manuel (jogador formado no Sporting de Braga) e Pedro Moreira (jogador formado no Futebol Clube do Porto) detêm os contra-ataques das equipas adversárias, formando um duplo pivô muito seguro no meio campo defensivo do Gil Vicente. Também no meio campo, destaque para André Cunha, que aos 33 anos demonstra que “está aí para as curvas”, tendo marcado um golo fantástico ao FC Porto, sendo um jogador muito evoluído tecnicamente.

No ataque, atenção a Hugo Vieira, um jovem avançado português que tem despertado a cobiça de clubes estrangeiros, entre eles o Panathinaikos de Jesualdo Ferreira, e que alia a técnica à velocidade. Hugo Vieira é um jogador muito rápido, que marca golos e que semeia o pânico nas defensivas contrárias. Mais uma vez, não consigo perceber como é que FC Porto, Benfica ou Sporting ainda não resgataram este jovem promissor avançado português ao Gil Vicente. Pessoalmente, não tenho dúvidas em afirmar que Hugo Vieira é um dos melhores pontas-de-lança portugueses da actualidade.  

Para além do onze inicial que já mencionei, o Gil Vicente tem ainda jogadores no banco de suplentes com muita qualidade, como são os casos de Guilherme e Zé Luís (emprestados pelo Sporting de Braga). Já para não falar de César Peixoto, um jogador que vai acrescentar ainda mais experiência e também polivalência a esta equipa do Gil Vicente.

Por tudo isto, penso que pelo menos nesta semana, o Gil Vicente também foi um “grande” do futebol português, juntando-se a FC Porto, Benfica, Sporting e Sporting de Braga.

 

30
Jan12

Futmania: Benfica versão 2011/2012

nunotexas

 

 

 

 

Após o interregno do um ano os adeptos encarnados vêm outra vez o título como algo real, desta vez a participação na Liga Europa é substituída pela participação na Champions, o que aumenta ainda mais o apetite futebolístico. Vitórias, golos, boas exibições, e primeiro lugar nas provas mais importantes, têm causado uma grande onda de entusiasmo no universo benfiquista; desde as declarações e conferências de imprensa que transpiram confiança, até às boas assistências dentro e fora de portas, é visível o positivismo que paira sobre o clube.

 

Vê-se um Benfica juntar o bom futebol à consistência defensiva (algo inédito no reinado de Jesus), a Luz tornou-se um verdadeiro inferno (com derrota quase certa para quem a visita) , e o estigma F.C.Porto (que tantos pesadelos causou na época passada) tem sido aos poucos ultrapassado.

 

Cumprindo a sua terceira época no clube, Jesus mostrar ter sabido tirar o melhor proveito da sua experiência nas duas épocas anteriores. Com duas temporadas globalmente positivas (para aquilo que vinha sendo a realidade classificatória e exibicional do clube) marcadas por exibições de grande nível, o emblema encarnado também teve os seus momentos menos bons (quem não se lembra do início da época passada?) onde choveram as críticas. Quero com isto dizer, que neste terceiro ano o técnico português tem aliado aquilo que a equipa tinha de melhor com a diminuição das fragilidades anteriormente mostradas.

 

Quais então as causas concretas deste salto qualitativo pelos lados da segunda circular? A resposta é simples e não exige grande reflexão: plantel com mais qualidade e uma maior elasticidade táctica.

 

As águias têm um conjunto de jogadores mais forte e diversificado que nas épocas passadas -é porventura o melhor plantel vermelho e branco desde que sigo atentamente a realidade futebolística. Apenas perderam Sálvio e Coentrão (este sim uma baixa de vulto) para ganharem Bruno César, Nolito, Witsel, Rodrigo, e Garay, entre outros como Matic e Emerson que apesar da menor importância não deixam de ser úteis à equipa. Conseguiram estabelecer um núcleo duro de treze indispensáveis que se vão revezando jogo a jogo, e o treinador português pode dar-se ao luxo de ter executantes como Bruno César, Nolito, Rodrigo ou até Cardozo e Aimar no banco, uma realidade inédita nas temporadas antecedentes.

 

No plano táctico esta abundância de opções dá os seus frutos, para além da qualidade dos intervenientes o Benfica tem beneficiado da sua diversidade, e se na grande maioria dos jogos era comum as águias jogarem com um losango no meio campo (umas vezes com os médios mais interiores, outras com os alas mais abertos), esta época já foram utilizados utilizados vários sistemas tácticos diferentes, desde a opção por apenas um ponta de lança, à coexistência de dois médios mais defensivos, ou à abdicação do criativo, Jesus já experimentou de tudo, e só o pôde fazer porque tem jogadores para isso. Neste contexto há que ressalvar um caso particular, o de Axel Witsel, este jovem médio tem sido fundamental na consistência táctica e defensiva apresentada pelos lisboetas, com ele em campo a equipa tem capacidade de apresentar diferentes disposições atacantes ganhando uma outra dimensão no equilíbrio do meio campo, é  ele o segredo do Benfica menos permissivo da era Jesus.

 

Todavia nem tudo são rosas, há uma grande diferença entre o rendimento dentro e fora de casa, sempre que o clube se desloca a algum lado as actuações tendem a ser sofridas (que o diga o Feirense) com poucos golos marcados, as opções que transbordam no ataque carecem na defesa onde a segunda linha não tem de longe a qualidade da primeira, e no lado esquerdo do sector defensivo Emerson na parece ser solução à altura do resto do onze.

 

Será interessante verificar, o estofo que o clube da Luz terá para aguentar a primeira posição, e é com grande expectativa que prevejo a participação benfiquista na Champions.

 

 

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18
Jan12

Porque a vida também é feita a correr...

João Perfeito

A continuidade como triunfo na época da mutação - Benfica

 

 

Finda, a primeira volta do campeonato o Benfica é o líder isolado da classificação, contabilizando 12 vitórias e 3 empates, mantendo a sua invencibilidade e sendo constantemente conotado como o mais forte candidato ao ceptro Nacional.

Face a todo um contexto desolador da pretérita época, sobretudo  devido aos anceios deixados de 2009/2010 parece que facilmente tende-se a explicar o comportamento do Benfica na presente edição da prova como uma mutação de rendimento. Tenta-se encontrar aquilo em que o Benfica fez mais e melhor, os novos ingredientes duma receita de sucesso. Este Benfica parece que se emancipa do da época anterior e regressa ao de à dois anos. Estranho, quando apenas 7 jogadores transictam da época do título e mais estranho a ainda se termos em conta que a equipa manteve o mesmo treinador. Sucesso (grandes exibições)- fracasso (péssimas exibições)- Sucesso (epopeia europeia) é um caminho que a comunicação social quer fazer, no fundo porque é a mutação que a alimenta, na era da reprodutibilidade, na era do digital são as mudanças que fazem o mediático, que fazem ganhar dinheiro e audiências.

Mas uma breve reflexividade própria, derivada duma consciencialização interior refuta todas estas teorias de constante e regular alterar do estado de coisas…

No fundo o actual Benfica não é mais que um upgrade da época transacta. Aquela equipa que foi vencer 2-0 na casa do tubarão europeu FC Porto, aquela equipa que somou 18 vitórias seguidas, aquela equipa que contabilizou 25 vitórias em 26 jogos em competições nacionais…

O Benfica mesmo nem sempre jogando bem, tem uma eficácia tremenda. Finda a derrota dramática em Guimarães no início aterrador da época passada, a equipa em jogos a doer só voltou a perder pontos no campeonato frente aos grandes (incluo o Braga neste lote) e o Gil Vicente, na já habitual malapata de arranque de campeonato. O Benfica em condições normais ganha 95% dos seus jogos ditos fáceis e em condições anormais ganha pelo menos 90%.

Fazendo uma análise mais táctica, penso que esta evolução começou no treinador. Jorge Jesus aprendeu com os erros a traduziu a sua vertigem da velocidade para uma dinâmica de transição (defensiva/ofensiva) equilibrada. Se pensarmos em Witsel resolvemos grande parte dos problemas… O prodígio belga tem em si meio Zidane e meio Makelele. Sendo no plano actual dos poucos médios do futebol Mundial que defende e ataca numa voltagem de altíssimo gabarito. Mas se Witsel é um Ramires técnico, Aimar sente-se mais confortável e mesmo recuando, sente mais segurança e pode tabelar mais não tendo de estar em todo o lado ao mesmo tempo. Nas alas o Benfica tem 3 excelentes jogadores. A magia e rapidez de Gaitán fazem dele um assistente nato, do outro lado Bruno César alia força, velocidade, inteligência, movimento interior e um fortíssimo remate como cartões de visita. Com a titularidade intermitente aparece o craque Nolito. Apesar de extremo Nolito tem uma excelente capacidade finalizadora. Nolito alia uma enorme verticalidade (em contra-ataque), com uma horizontalidade temível no um para um, sem esquecer o extraordinário enquaramento de remate e o faro incessante pelo golo. Javi Garcia é um jogador que melhora a olhos vistos, sendo actualmente dos melhores médios a fazer compensações no Mundo. Na defesa Garay e Luisão constituem uma das mais poderosas duplas do futebol Mundial, intersectando técnica, força, liderança, agilidade, posicionamento, entendimento , clarividência  e boa saída para o ataque. Na lateral direita o Benfica tem em Maxi Pereira uma das suas melhores figuras, considerado pela UEFA como um dos melhores do Mundo na sua posição… Na baliza Artur embora longe de estar no patamar endeusado da comunicação social tem revelado enorme capacidade. A quantidade de frangos e de grandes exibições é similar à de Roberto, mas o momento da equipa dá-lhe tranquilidade para que se sinta seguro e confiante.

Posto isto, penso que é fácil perceber que este Benfica não é mais que uma inovação do ano passado. Continua a estar longe do futebol espectacular de à 2 anos, mas cada vez mais concilia pragmatismo, inteligência, resultado com intensidade, goleadas e futebol fluente. O Benfica consegue jogar bem sem jogar bonito.

Por isso, sou da opinião de que o Benfica tem evoluído continuamente ao longo dos anos, descobrindo lacunas e colmatando-as. Esta equipa é já candidata à Champions? Não. Mas é claramente a equipa que se perfila para liderar a segunda linha europeia… No fundo o Benfica é tendencialmente a equipa que todas as equipas querem evitar depois do grupo de equipas que querem forçosamente evitar. Depois de  Real, Barça, Chelsea, Bayer, Milan e Inter vem invariavelmente Benfica. O primeiro passo já está dado.

 

 

04
Jan12

Lado B

Bruno Carvalho


 

Tacuara mais uma vez decisivo

 

 

O Benfica, vencedor das últimas três edições da Taça da Liga, começou ontem a defesa do troféu com uma goleada no terreno do Vitória de Guimarães, por 4-1, na primeira jornada do grupo B da terceira fase. No Estádio D. Afonso Henriques, Witsel colocou o Benfica em vantagem aos 11 minutos, mas João Paulo empatou no início da segunda parte, antes de os vimaranenses ficarem reduzidos a dez jogadores, por expulsão de Pedro Mendes, o pior jogador em campo, na minha opinião.

Depois disso, Oscar Cardozo bisou aos 65 e 78 minutos, sendo mais uma vez decisivo depois de o já ter sido na vitória do Benfica sobre o Marítimo por 1-0 em jogo a contar para o campeonato, no Estádio dos Barreiros, apesar de ter tido um falhanço clamoroso. Rodrigo completou o resultado aos 88 minutos.

O Benfica entrou bem num jogo muito vivo, principalmente na primeira parte.

Ainda não estavam completos os primeiros 11 minutos e já Witsel lançava o Benfica para a frente do marcador.

Apesar de estar a perder, o V. Guimarães nunca baixou os braços e teve uma recta final da primeira parte a bom nível que culminou com o golo da igualdade no início do segundo tempo.

Na primeira parte ainda, N’Diaye, Nuno Assis, Paulo Sérgio e Edgar podiam ter empatado mais cedo o jogo.

Contudo, só aos 47 minutos João Paulo decidiu fazer de ponta-de-lança. Anderson Santana marcou um livre para a área encarnada com Bruno César a falhar a intercepção e, no meio dos centrais do Benfica, surgiu o central vimaranense para emendar. A defesa do Benfica ficou a dormir neste lance.

O jogo e o resultado pareciam em aberto mas tudo mudou aos 60 minutos com a expulsão de Pedro Mendes num erro infantil que resultou no segundo cartão amarelo ao médio.

Depois disso tudo mudou, sobretudo graças a Cardozo. O avançado paraguaio que tinha entrado ao intervalo para substituir Saviola, bisou aos 65 e aos 78 minutos. O primeiro golo é, de resto, fantástico.

Só deu Benfica até final com Douglas a ser figura do encontro e negando às águias um resultado mais ampliado. O estreante da noite só não conseguiu segurar o cabeceamento de Rodrigo a dois minutos do fim mas, mesmo nesse lance, fez primeiro uma grande defesa.

O último golo da noite, apontado pelo hispano-brasileiro, surge depois de Maxi Pereira oferecer a Cardozo que cabeceou para uma enorme defesa de Douglas mas de forma incompleta e que permitiu, sem marcação junto ao poste, a Rodrigo fazer o quarto do Benfica.

No meu ponto de vista, o árbitro Bruno Paixão teve uma péssima actuação, mostrando cartões amarelos a mais, apesar de Pedro Mendes ter sido bem expulso.

Com este resultado, o Benfica junta-se ao Marítimo na liderança do Grupo B, ambos com três pontos, depois de os madeirenses terem derrotado o Santa Clara na segunda-feira, por 2-0.

 

por Bruno Carvalho

31
Dez11

Vírgula: O caso Ruben Amorim

Pedro Pereira

 

A notícia do possível empréstimo de Ruben Amorim, veiculada na semana passada, assustou-me. Pela utilidade que o médio tem para o Benfica, o empréstimo pareceu-me descabido. Teria de haver uma razão muito forte, que os adeptos desconhecessem, para o jogador mudar de clube. O motivo apareceu: foi acusado de indisciplina e tem um processo disciplinar às costas. Estranho.

 

O facto de o número 5 dos encarnados não ter muitos minutos não mostra que o Benfica deva prescindir dele. Com tanta qualidade no miolo, com jogadores como Javi Garcia e Witsel ou Aimar, a chegada à titularidade é tarefa muito difícil. Contudo, Ruben Amorim, apesar de não costumar jogar na sua posição de raiz (médio centro), tem cumprido quando é chamado. E destaca-se pela sua polivalência.

 

Em Setembro, no Benfica vs. Manchester United, a contar para a primeira jornada da fase de grupos da Liga dos Campeões, Jesus surpreendeu e colocou Ruben Amorim a titular. Fez um jogo francamente mau e acabou por ser substituído. Não gostei da atitude do treinador: o médio não jogava há muito tempo - vinha de uma lesão - e foi lançado a titular logo num jogo com tanta importância. Os nervos e a falta de ritmo decidiram a sua exibição.

 

De resto, a sua inteligência e qualidade táctica permitiram-lhe, por exemplo, fazer as vezes de Maxi Pereira durante a época passada, quando o lateral-direito esteve lesionado. Permitem-lhe também que quando entra a meio de um jogo para a posição de médio interior direito consiga rapidamente entrar no ritmo de jogo e o saiba gerir. Sabe guardar a bola, é exímio no passe e tem um óptimo posicionamento.

 

Jorge Jesus trouxe-o para o Benfica por ser um jogador da sua confiança. E, apesar dos poucos minutos em campo, sempre se mostrou um bom profissional, respeitador das decisões do técnico benfiquista. Mostrou-se descontente por jogar pouco, aquando da sua última convocatória para a Selecção Nacional, mas fê-lo de forma educada e não entrou em ruptura com o treinador. Aparentemente.

 

O incidente que aconteceu no final do jogo contra o Rio Ave e só agora se tornou público levanta algumas dúvidas, e não me parece razoável decidir quem tem razão. Ficam apenas algumas perguntas: Por que é que o Benfica nunca consegue afastar estes casos – que fragilizam o balneário - da imprensa?; Os anos que Jorge Jesus e Rubem Amorim já trabalharam juntos não impediram que o caso tomasse estas proporções?; Será que Ruben Amorim está a forçar a saída porque se apercebeu que nestas condições não tem lugar na comitiva para o EURO’12?

 

Vieira pareceu-me sensato em segurar o jogador. É discreto, passa ao lado dos flashes pelo seu estilo de jogo pouco exuberante (que os adeptos mais desatentos não captam) mas traz coesão à equipa e é uma aposta segura. Compreendo que queira jogar. Como benfiquista que sou, gostaria de o ver festejar, com a camisola suada, o 33.º campeonato  do clube. Proponho que haja uma mediação, que o treinador seja sensível e lhe dê mais tempo de jogo, apesar do excelente meio campo de que dispõe. Agora, é urgente acabar com esta suspensão, que em nada beneficia o jogador e a instituição.

28
Mai11

Que Benfica?

Minuto Zero

Depois da época fantástica de 2009/2010, as hostes encarnadas encheram o seu ego de esperança. Pensava-se, há um ano, na conquista da Liga dos Campeões, em grandes reforços, grandes investimentos para quebrar, finalmente, o enguiço ganhador do Porto nos últimos 20 anos.

Um ano passado, as mesmas pessoas, falam em demissão de Jorge Jesus, até mesmo, na demissão de Luís Filipe Vieira. Mas deixo aqui um sugestão. Lembrem-se no que foi, ao longo dos últimos dez anos, para não ir mais longe, o futebol do Benfica. Nunca, ao longo desse tempo, os Benfiquistas pensaram, sequer, em fazer frente a um Porto, sempre estável, sempre organizado, sempre coerente, e mais do que tudo, sempre, ou quase sempre, vencedor.

O Benfica perdeu, nos últimos anos, o hábito da vitória. Os únicos rasgos da velhinha mística talvez tenham sido apenas na conquista (sofrível) do título nacional em 2004/2005, e na temporada seguinte, quando o Benfica se encheu de esperanças na Liga dos Campeões. Mas esses rasgos foram demasiado esporádicos e infrutíferos.

Depois disso, só promessas, umas melhores outras piores, que esbarraram sempre em questões de coerência administrativa, ou em maus resultados que provocaram a ira dos adeptos. A melhor ideia de Benfica, terá sido a segunda época de Fernando Santos, onde, segundo consta, a planificação da temporada colocava o Benfica a um nível muito interessante. Mas a saída problemática de Veiga, o negócio de Simão, a questão Miccoli, criaram um clima de enorme desorganização, que levaria à queda do treinador à 2ª jornada.

Mais uma vez, esta temporada, o Benfica começaria do zero. Mas finalmente, a direcção parece ter tomado uma posição de força, mostrando confiança em Jorge Jesus e no seu trabalho. Veremos, se esta posição resistirá a resultados semelhantes aos desta temporada.

Na base do plantel, Luisão (capitão), Maxi, Javi, Carlos Martins e Amorim serão, em princípio, pedras angulares da construção do plantel. O caso de Carlos Martins parece estar ainda pendente, podendo, com a manutenção de Aimar, perder algum espaço e minutos. No entanto, a sua continuidade seria uma mais valia fundamental, para a própria competitividade interna.

Depois destes, existem Aimar, Saviola, Cardozo e Coentrão, todos eles indiscutíveis valores, mas que pelas temporadas menos conseguidas, ou pela vontade de sair do clube, puderam abrir graves brechas no plantel.

Na primeira linha para sair, até pela necessidade de rendimentos na venda de jogadores, Coentrão e Cardozo parecem estar na pole. Coentrão, depende, como já o próprio deu a entender, da vontade do Real Madrid abrir os cordões à bolsa. Quanto a Cardozo, o maior goleador dos últimos anos das águias, terá chegado a um ponto limite na relação com os adeptos, podendo, face a uma proposta superior a 20 milhões, sair do clube.

Mas saindo Cardozo, será estritamente necessária a entrada de um outro jogador de grande valia.

Coentrão pode, também, colocar o Benfica na necessidade de encontrar um novo lateral-esquerdo com capacidade para se assumir como titular. Carole, será por enquanto, apenas uma boa promessa.

Na zona central da defesa, depois da saída de David Luíz, parece claro que Jardel, com características bem distintas, tem potencial para se tornar um excelente opção, a médio prazo. Sidnei contínua a não demonstrar o valor que cedo na sua carreira, foi identificado. Pode ser um jogador interessante de colocar no mercado. Roderick, da confiança de Jorge Jesus, é aposta de médio/longo prazo, podendo mesmo ser emprestado. Entrando um central no plantel, teria claramente de ter características próximas de David Luíz, mais rápido, agressivo, e com boa saída de bola.

Do lado direito, Maxi terá agora concorrência de Wass, jovem sueco Sub-21, que chega, como um perfeito desconhecido.

Na baliza, dos 5 nomes com ligação contratual, só 3 devem ficar. Roberto dependerá da direcção; Júlio César continua sem mostrar ser uma grande mais valia; Moreira cumpre; Arthur tem qualidades e parece não tremer, deverá ser o titular; Olbak é apenas um promessa.

 

No meio-campo, mantendo o 4x1x3x2, Javi Garcia deverá ter nova companhia no sector. Airton, poderá sair por empréstimo, embora, pareça claro, que o seu lugar é no plantel; Nuno Coelho (ex-Académica) não parece melhor do que Airton...; Matic, é um jogador do estilo de Yebda, médio de grande capacidade física, mas com boa saída de bola, ficando no plantel não deverá jogar com 6.

Depois existem Amorim, Carlos Martins, como possíveis interiores-direito, podendo ainda a situação de Salvio tomar bom porto. Não chegando Salvio, será claramente necessário investir num jogador para a posição, mas talvez um box-to-box e não médio-ala. Danilo (Santos), seria, sem dúvida uma boa solução, mas parece super-valorizado.

 

Como opções para a esquerda, espera-se de Gaitan uma época de confirmação, sendo obvío que está aqui um grande projecto de jogador. Nolito, que no Barcelona B jogava como extremo, terá de se habituar á forma de jogar do Benfica, e também a uma missão um pouco diferente.

Urreta, poderá alargar o leque de opções, sobretudo se Salvio ficar em Madrid.

 

Para a posição 10, Aimar, não consegue garantir regularidade exibicional e ritmo para jogos Sábado/Quarta. Bruno César, dinâmico médio-ofensivo vindo do Corinthians, é jogador de nível elevado, que poderá ser sem dúvida, o grande reforço para o sector. Existindo ainda Carlos Martins no plantel, serão opções mais do que suficientes até.

 

No ataque, Saviola e Cardozo não têm a situação regularizada ainda, podendo sair. Kardec, parece ter mercado, podendo ser um excelente negócio a sua saída, sobretudo tendo em conta o seu fraco rendimento; Weldon e Nuno Gomes não devem renovar; Jara tem enorme potencial e atitude, promete lutar por um lugar no 11; Rodrigo Mora, uruguaio, chega como boa promessa, veremos qual o seu rendimento.

Para além destes jogadores, Nelsón Oliveira e Rodrigo, são, claramente jogadores com pontecial a aproveitar.

 

Os médios David Simão e Miguel Rosa, farão parte do grupo na pré-época, mas não devem ficar em definitivo, sobretudo atendendo à qualidade de concorrência. Mesmo assim, esta oportunidade concedida a jovens portugueses, parece ser um bom sinal.

 

 

 

By Tiago Luís Santos

 

 

 

 

10
Mai11

Steve Field

Steve Grácio

 

Uma sensação Bracarense

Ver este Braga jogar é ver inteligência pura. Ver este Braga jogar é ver a essência pura de um futebol Italiano que, quanto a mim, é do melhor que há. Pegando no jogo que decidiu a passagem à final contra o Benfica, o Braga foi a equipa que melhor entendeu o jogo durante os 90 minutos e, por consequência, garantiu justamente o passaporte para Dublin.

Com o seu habitual 4x2x3x1, Domingos, como excelente estratega que é, dos melhores a nível nacional, lança uma surpresa ao fazer alinhar Mossoró para impedir o início de construção encarnado pelo pivot defensivo. Com Mossoró em campo, Javi nunca conseguiu ter o tempo e espaço que necessita para iniciar a construção. Sabendo Domingos que Javi não é um trinco muito forte na construção, necessitando de algum espaço para pensar, colocar um jogador como Mossoró naquele espaço táctico foi fundamental para anular o Benfica.

No momento defensivo, o momento mais em foco na equipa Bracarense, todos os jogadores recuavam, com a excepção de Meyong que permanecia “encostado” aos centrais, para de seguida iniciar o ataque rápido, sobretudo a partir da largura que os médios ala/extremos davam à equipa. Ao partir para o ataque rápido, a equipa do Braga nunca fica descompensada, mantendo sempre 5/6 jogadores atrás da linha da bola.

Ora, se a equipa adora jogar em ataques rápidos, sempre com uma forte organização defensiva, como é óbvio estão “como peixe na água” em vantagem do marcador, ao contrário do Benfica que entende melhor o jogo quando necessita de o inverter, pela dificuldade que tem em gerir os momentos do encontro. Com contrastes evidentes, ganharia a equipa que melhor entendesse o jogo, ganharia o treinador que montasse a melhor estratégia. Domingos deu “um banho táctico” ao “mestre da táctica”, como muitos lhe chamam e não o entendo, sem querer lhe tirar algum mérito pelo que já alcançou.

Porém, apesar de toda a justiça no desfecho, não consigo não ficar desiludido com a derrota do Benfica. Fez melhor campanha que na edição anterior? Fez. É mais humilhante perder com o Braga do que com o Liverpool decepcionante da época transacta? Não, de todo. Então o que me faz ficar desapontado com o Benfica e com Jorge Jesus?

Como já referi, a dificuldade em gerir os momentos do jogo, sobretudo em vantagem do marcador. Uma equipa grande tem de o saber. Porto e Braga são exemplos do sucesso que se consegue alcançar com tal sabedoria. Milan é um exemplo no campo oposto pois, tal como o Benfica, tem sérias dificuldades nesse capítulo, como se viu na Champions.

Em segundo lugar, o mau planeamento do plantel. Uma equipa, sobretudo uma equipa grande, não pode depender de ninguém. A dependência de Salvio e do melhor Saviola é excessiva. Em terceiro lugar, tal como Luís Filipe Vieira afirmou, o plantel encarnado é insuficiente para as ambições do clube. Comparando com o rival Porto que tem 16/17 jogadores de elevado nível, o Benfica tem apenas 12/13, muito escasso para tantas frentes.

Por último, e a mais grave na minha óptica, a fraca gestão do plantel encarnado por parte do treinador. Jesus, como treinador “da velha guarda”, (não quer dizer que seja pior por isso, tem é noções diferentes) entende que deve gerir o esforço da equipa descansando todos os atletas, o que é totalmente errado. Vejamos dois exemplos: O Porto, presente em todas as frentes e com o campeonato ganho há bastante tempo, nunca tomou tais atitudes no campeonato, utilizando sempre o melhor onze. Com o decorrer do jogo sim, rodava o plantel da melhor maneira possível. Com isto, além de gerir o esforço dos mais utilizados, integrava os menos utilizados (veja-se no que deu Guarin e James com esta gestão e no que vai da Rodriguez), coisa que o Benfica nunca conseguiu fazer, mesmo com os seus menos utilizados com mais minutos de jogo. Curioso, não? Mourinho contra o Valência, em vésperas de encontro com o Barcelona para a Champions, lança Ronaldo na partida com 6-1 na partida. Jorge Jesus nunca o faria, poupava o jogador. Mourinho fez porque sabe que o jogador descansa mais em campo, por mais incrível que possa parecer. O relaxamento táctico com que Ronaldo entrou na partida, já com o encontro mais que decidido, só beneficiou o atleta.

Ora, com o campeonato já decidido, penso que esta teria sido a melhor opção de Jorge Jesus. Opção semelhante a Villas Boas e a Mourinho. Descansar os jogadores fazendo-os jogar, mas jogando sem quaisquer tipos de pressões, pois o campeonato só servia para cumprir calendário. O Benfica só teria ganho com uma melhor gestão do treinador. Mais que o descansar em termos físicos, o descansar mental é fundamental.

No entanto, não questiono Jesus. Penso que deve continuar no clube, mas com outro tipo de gestão. O Benfica necessita disso. Questiono apenas o rumo que deu ao Benfica desta época. Não me “preocupa” a ausência de títulos, (houve um super Porto…) a competência de um técnico não se mede apenas pelos títulos, preocupa-me sim a distância que o clube teve de os ter e os métodos que utilizou. Contudo, não quero retirar o mérito Bracarense. O Braga vai merecidamente a Dublin, fruto de toda a sua competência táctica.

Na final, curiosidade em ver a reacção da equipa ao anúncio oficial da saída do seu treinador, o grande responsável por todo o sucesso. Perspectiva-se um excelente jogo, com as duas melhores equipas portuguesas do momento. Porém, dificilmente o Porto não sairá vencedor. Penso que caso marque primeiro, fruto do que já referi, sairá vencedor. O Braga para vencer, na minha opinião, terá de marcar primeiro e gerir o encontro como bem sabe. Que a primeira final europeia entre equipas portuguesas fique marcada pelo espectáculo, mais que pela proeza alcançada.