Quarta-feira, 1 de Fevereiro de 2012
Porque a vida também é feita a correr...

Estreia auspiciosa

 

A selecção Portuguesa venceu a sua congénere azeri, por 4-1 no primeiro jogo do grupo D do 8º campeonato da Europa de Futsal.

Começou com o pé direito a participação lusa na maior competição de futsal do velho continente.

Depois do vice-título de há dois anos, apenas batidos pela sempre favorita Espanha, Portugal ambiciona finalmente trazer o ceptro europeu para solo nacional…

No arranque da competição pode-se dizer que as esperanças nacionais têm todos os motivos para se consolidarem com o desenrolar da prova.

No plano geral a equipa orientada por Jorge Braz parece mais madura do que em competições anteriores. A movimentação sem bola e o pouco tempo dos jogadores com a bola no pé são as características mais importantes desta equipa lusa.

Com o mágico Ricardinho o perfume desta equipa está sempre garantido. Por outro lado, os sempre consistentes Gonçalo Alves e Arnaldo asseguram boa posse de bola e dinâmica de movimentos. Marinho, Joel Queirós e Cardinal com bons movimentos de desmarcação dão completude a esta equipa. Bem organizada a equipa privilegia as triangulações em profundidade, jogando no campo de todo, de forma curta, com amplos movimentos de aproximação do jogador sem bola.

Mas nem por uma qualidade organizacional acima da média se fica esta equipa Nacional. Com um bom pressing na diagonal, tapa a saída do adversário. Fecha bem no quadrado defensivo e raramente permite a bola entrar entre linhas.  A solidariedade é também uma premissa desta equipa, que com a sua entreajuda e encurtar de espaços não permite remates fora-de-área em movimentos típicos pivot-ala do adversário.

O Azerbeijão é uma equipa extremamente táctica, impulsionado por brasileiros nacionalizados a equipa é uma imagem do melhor clube do país- o Araz, potência clubística da Europa do futsal.

No banco a equipa é treinada por Alesio Da Silva, ex-treinador do todo o poderoso Karat Almaty e uma das pedras basilares para o crescimento do FC Barcelona futsal na sua fase embrionária. Com um padrão de jogadas bem definidas intersectando a qualidade de recepção e segurança de jogo do seu pivot Serjão, que apesar dos 110 quilos tem uma movimentação interessante, com a criatividade de jogadores como Thiago ou Felipe, consegue construir bem o jogo, soltando a bola e raramente a perdendo em zonas proibidas mesmo com o pressing. Contudo a falta da sua maior pérola dos últimos anos Biro Jade tem-se notado na equipa. A falta de profundidade e verticalidade de movimentos tornam o jogo desta equipa previsível e face à inteligência dos portugueses defensivamente todo o espectro colectivo de jogadas de ataque é sintomaticamente quebrado. Esta equipa precisa de ideias e de um pouco mais de abertura ao seu esquema de jogo.

No plano geral um bom jogo onde se baterem duas boas equipas no plano táctico, mas a velocidade dos portugueses fez a diferença final.



publicado por João Perfeito às 23:26
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Domingo, 29 de Janeiro de 2012
Porque a vida também é feita a correr...

 

A Morte do Tiki-Taka

 

 

O Futebol Clube Barcelona, após o empate a zero no campo do Villareal afundou-se no submarino amarelo e leva já 7 pontos de atraso sobre o seu eterno rival Real Madrid.

O domínio patenteado pela equipa de Guardiola nos últimos 3 anos é absolutamente assombroso. Com mais de 75% de vitórias no jogos do campeonato e somando goleadas atrás de goleadas efectivadas com jogadas de sincronização absolutamente fantásticas.

Ao longo dos últimos 3 anos, a célebre posse de bola Blaugrana foi-se aperfeiçoando, os espaços no meio-campo para organizar aumentando e as soluções de finalização em movimentos verticais sem bola exponencializaram-se à forma mais artística da história do futebol. Um futebol onde o rigor do passe e da segurança da bola se intersectava com a criatividade e habilidade individual dos seus jogadores.

Contudo, todas as equipas tem telhados de vidro, e todas as epopeias tem um fim… Se por um lado a segurança da posse de bola e a aceleração apenas em situação de finalização permitiram à equipa culé dominar o panorama futebolístico Mundial nos últimos anos, por outro lado, a falta de fluidez de jogo (1º toque), velocidade na construção não permitiu à equipa desenvolver outro tipo de mecanismos de jogo.

Hoje, o Barça tem no enraizamento da sua táctica a cultura do seu jogo e o seu modo de estar no futebol. Mais do que a importância das goleadas o Barca quer deixar-nos a sua filosofia, o seu pensar e agir diferente.

O Barça, equipa de futebol não é mais que o prolongamento da região que representa- a Catalunha. No tiki-taka, a capacidade económica da região, que produz 25% da riqueza espanhola. No extremismo e no ódio ao que é diferente da Catalunha enquanto povo, à falta de adaptabilidade do futebol catalão.

O Barça não sabe jogar doutra forma, porque fundamentalmente não quer perder a sua identidade, e ela é mais importante que qualquer resultado.

Com o advento tecnológico do futebol contemporâneo, a imprevisibilidade do Barcelona vai-se cada vez mais tornando numa previsibilidade, os movimentos são cada vez melhor conhecidos pelos adversários e até o trabalho especifico dos guarda-redes para tapar os remates isolados de Messi- está a dar resultado.

O astro argentino, não consegue mudar a sua forma até então exímia de finalizar, e a sua velocidade e génio escondia a previsibilidade do seu jogo, agora a antecipação do movimento camufla o jogador Argentino.

         Pep Guardiola sabe que não consegue fazer mais desta equipa, expremeu-a até onde pode e sabe que o sumo acabou. Consciente, racional e inteligente como enquanto jogador quer sair pela porta grande e deixar que o seu sucessor fique com a morte dum estilo de jogo.

         A rapidez e combatividade do futebol Moderno apanharam a beleza e a genuidade do futebol do Barcelona. Gostar ou não desta tónica é uma opção, aceitá-la é um destino.

Os grandes líderes e as grandes filosofias resistem a todos os choques vanguardistas, resistem a todos os novos pretendentes ao trono.

Os grandes líderes não apenas criam uma filosofia, deixam um legado para que o trabalho seja continuado.

Guardiola, ao abandonar Camp Nou deixará legado ou quererá deixar o barco antes que ele se afunde?

Todas as grandes equipas do futebol Mundial, tiveram um tempo e morreram, por isso nem a divindade deste Barça o vai fazer eterno.

Num contexto actual de capitalismo e progresso o futebol agradece ao Barcelona o capítulo que deixou nesta incessante história do maior fenómeno de massas dos últimos 100 anos. O caminho está aberto, quem será o próximo a chegar ao trono?



publicado por João Perfeito às 00:09
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Quarta-feira, 25 de Janeiro de 2012
Porque a vida também é feita a correr...

Nélson nasceu para ser campeão

 

Nélson Évora lesionou-se e vai falhar os Jogos Olímpicos de Londres. O actual campeão Olímpico hipoteca assim as hipóteses de renovar o título na casa do grande Rival Idowu.

A ausência de Évora é um duro revés nas aspirações olímpicas Nacionais. O atleta do Benfica, finda duas épocas de lesões parecia que estava a evoluir numa plataforma favorável para regressar aos seus momentos. Mas na verdade o esforço para se ser atleta de alta competição paga-se caro. Por mais acompanhamento médico que atletas de alto gabarito possam ter estão sujeitos a esforços sobre-humanos e nem sempre os músculos aguentam.

Mas Nélson com a sua determinação e força de vontade vai continuar a evoluir e a mostrar ao país que não está acabado. Psicologicamente penso que passados 2/3 meses irá aos poucos recuperar o seu forte temperamento, grande apanágio dos seus resultados.

Mas nos mundiais de 2013 penso que poderemos contar com Nélson. Nélson na verdade nasceu para ser campeão e merece bem mais que três anos dourados de medalhas internacionais.

Portugal não morre sem Nélson e outros atletas poderão arrecadar medalhas em Londres e Nélson não morrerá sem Portugal- porque ainda tem medalhas e recordes para bater- para deixar ainda mais o seu legado na história do desporto Nacional.



publicado por João Perfeito às 23:40
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Sexta-feira, 20 de Janeiro de 2012
Porque a vida também é feita a correr...

 

Ser português é um handicap? Até quando?

 

Na passada quarta-feira, no sempre palpitante Real Madrid – Barça, Pepe pisou a mão a Messi e parece que caíu o Mundo. Várias são as vozes que se fazem ouvir que pedem a irradiação do futebol a Pepe. Os jornais online em Portugal colocam uma imensidão de links para propagandear as imagens. Os próprios portugueses estão interessados em transformar um dos seus melhores jogadores num assassino, num jogador sem qualidade humana, num bárbaro…

Interessante coincidência Pepe é português… E se em Portugal temos tendência para nos rebaixar então os espanhóis fazem de nós o que querem. Custa muito que o melhor Treinador do Mundo seja português, custo muito que o melhor jogador do Mundo seja Português. Custa muito que o melhor clube da história do Futebol utilize no seu onze mais portugueses que espanhóis… Mas agora também custa que o melhor central do Mundo seja português. Não quero com este artigo dizer que Pepe é um santo e que nunca põe em perigo a integridade física dos seus companheiros… Agora nem de perto nem de longe posso seguir nesta onda de crítica feroz ao internacional português. É conotado como animal, como desumano. Até quando é que isto vai acontecer?

Se nos lembrarmos das constantes simulações de Piqué, Busquets, Pedro, Messi e Villa interrogamo-nos de quem é mais desumano. Em que mundo é que vivemos? Num mundo hipócrita? Em que uma pisadela é agredir um colega. Simular e fingir agressões (não estou a dizer que neste caso concreto Messi simulou) não é nada. Por em causa sistematicamente o desportivismo dos colegas. Teatralizar agressões, sem ser tocado (Daniel Alves). Porquê? Se o Barca joga um futebol com a alma, se o Barça quer ser diferente, e não joga para atingir um fim, mas sim pela beleza do jogo. Porque razão existe este constante jogo paralelo desumano? Depois Mourinho é que é especialista em mind games? Messi quando pode chuta sempre a bola contra colegas de profissão e nunca ninguém divulga essas imagens. Porquê? Enquanto nós portugueses continuarmos a rebaixar-nos a Messi e a não a apoiar Ronaldo, a rebaixar-nos a Guardiola e não a apoiar Mourinho, mas agora também endeusar Piqué e rebaixar Pepe. Seremos cada vez mais pequenos que a nossa limitação geográfica… Se nem a nós próprios somos bons, como é que os outros não farão de nós gato sapato…

A mediocridade continua e com esta mentalidade não são milhões de euros que vão acabar com a crise… Porque a crise de auto-estima sempre tivemos e parece que sempre continuaremos a ter. Até quando esta mediocridade acaba? Pode acabar hoje, mas parece que ninguém está para isso…

 



publicado por João Perfeito às 00:00
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Quarta-feira, 18 de Janeiro de 2012
Porque a vida também é feita a correr...

A continuidade como triunfo na época da mutação - Benfica

 

 

Finda, a primeira volta do campeonato o Benfica é o líder isolado da classificação, contabilizando 12 vitórias e 3 empates, mantendo a sua invencibilidade e sendo constantemente conotado como o mais forte candidato ao ceptro Nacional.

Face a todo um contexto desolador da pretérita época, sobretudo  devido aos anceios deixados de 2009/2010 parece que facilmente tende-se a explicar o comportamento do Benfica na presente edição da prova como uma mutação de rendimento. Tenta-se encontrar aquilo em que o Benfica fez mais e melhor, os novos ingredientes duma receita de sucesso. Este Benfica parece que se emancipa do da época anterior e regressa ao de à dois anos. Estranho, quando apenas 7 jogadores transictam da época do título e mais estranho a ainda se termos em conta que a equipa manteve o mesmo treinador. Sucesso (grandes exibições)- fracasso (péssimas exibições)- Sucesso (epopeia europeia) é um caminho que a comunicação social quer fazer, no fundo porque é a mutação que a alimenta, na era da reprodutibilidade, na era do digital são as mudanças que fazem o mediático, que fazem ganhar dinheiro e audiências.

Mas uma breve reflexividade própria, derivada duma consciencialização interior refuta todas estas teorias de constante e regular alterar do estado de coisas…

No fundo o actual Benfica não é mais que um upgrade da época transacta. Aquela equipa que foi vencer 2-0 na casa do tubarão europeu FC Porto, aquela equipa que somou 18 vitórias seguidas, aquela equipa que contabilizou 25 vitórias em 26 jogos em competições nacionais…

O Benfica mesmo nem sempre jogando bem, tem uma eficácia tremenda. Finda a derrota dramática em Guimarães no início aterrador da época passada, a equipa em jogos a doer só voltou a perder pontos no campeonato frente aos grandes (incluo o Braga neste lote) e o Gil Vicente, na já habitual malapata de arranque de campeonato. O Benfica em condições normais ganha 95% dos seus jogos ditos fáceis e em condições anormais ganha pelo menos 90%.

Fazendo uma análise mais táctica, penso que esta evolução começou no treinador. Jorge Jesus aprendeu com os erros a traduziu a sua vertigem da velocidade para uma dinâmica de transição (defensiva/ofensiva) equilibrada. Se pensarmos em Witsel resolvemos grande parte dos problemas… O prodígio belga tem em si meio Zidane e meio Makelele. Sendo no plano actual dos poucos médios do futebol Mundial que defende e ataca numa voltagem de altíssimo gabarito. Mas se Witsel é um Ramires técnico, Aimar sente-se mais confortável e mesmo recuando, sente mais segurança e pode tabelar mais não tendo de estar em todo o lado ao mesmo tempo. Nas alas o Benfica tem 3 excelentes jogadores. A magia e rapidez de Gaitán fazem dele um assistente nato, do outro lado Bruno César alia força, velocidade, inteligência, movimento interior e um fortíssimo remate como cartões de visita. Com a titularidade intermitente aparece o craque Nolito. Apesar de extremo Nolito tem uma excelente capacidade finalizadora. Nolito alia uma enorme verticalidade (em contra-ataque), com uma horizontalidade temível no um para um, sem esquecer o extraordinário enquaramento de remate e o faro incessante pelo golo. Javi Garcia é um jogador que melhora a olhos vistos, sendo actualmente dos melhores médios a fazer compensações no Mundo. Na defesa Garay e Luisão constituem uma das mais poderosas duplas do futebol Mundial, intersectando técnica, força, liderança, agilidade, posicionamento, entendimento , clarividência  e boa saída para o ataque. Na lateral direita o Benfica tem em Maxi Pereira uma das suas melhores figuras, considerado pela UEFA como um dos melhores do Mundo na sua posição… Na baliza Artur embora longe de estar no patamar endeusado da comunicação social tem revelado enorme capacidade. A quantidade de frangos e de grandes exibições é similar à de Roberto, mas o momento da equipa dá-lhe tranquilidade para que se sinta seguro e confiante.

Posto isto, penso que é fácil perceber que este Benfica não é mais que uma inovação do ano passado. Continua a estar longe do futebol espectacular de à 2 anos, mas cada vez mais concilia pragmatismo, inteligência, resultado com intensidade, goleadas e futebol fluente. O Benfica consegue jogar bem sem jogar bonito.

Por isso, sou da opinião de que o Benfica tem evoluído continuamente ao longo dos anos, descobrindo lacunas e colmatando-as. Esta equipa é já candidata à Champions? Não. Mas é claramente a equipa que se perfila para liderar a segunda linha europeia… No fundo o Benfica é tendencialmente a equipa que todas as equipas querem evitar depois do grupo de equipas que querem forçosamente evitar. Depois de  Real, Barça, Chelsea, Bayer, Milan e Inter vem invariavelmente Benfica. O primeiro passo já está dado.

 

 



publicado por João Perfeito às 01:12
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Quarta-feira, 11 de Janeiro de 2012
Porque a vida também é feita a correr...

A qualidade não tem idade... (Scholes-Henry)

 

 

                          Na semana passada regressaram aos relvados ingleses dois, dos maiores extraordinários futebolísticas da pretérita década. Cada vez que um grande jogador se retira dos relvados a saudade invade a alma de todos os amantes mesmo antes do término do jogo. Estamos perante uma peça onde o actor principal vai deixar-nos, deixando o elenco e a história mais pobres, sem tanta razão de existir. Uma nostalgia que transcende qualquer clubite ou preferência. Porque independente dos estilos de jogo, um adepto de futebol quer é ver os melhores executantes em campo. Aqueles que se destacam, aqueles que nos surpreendem, aqueles que são diferentes... Aqueles em que um leigo vê jogar e diz que é diferente, mesmo sem explicar porquê... Porque no toque, criatividade, movimento, posicionamento, coordenação são mais rápidos e inteligentes que os outros, dão uma dinâmica ao jogo acelerada, mas fundamentalmente dão critério e razoabilidade ao jogo, transportando-o para uma tónica lógica proporcionando aos colegas um maior enraizamento táctico. Em situações diferentes, em contextos diferentes, em especificidades técnicas diferentes Scholes e Henry deixaram um enorme vazio nos relvados do Mundo do futebol. O primeiro porque pendurou as chuteiras aos 36 anos o segundo porque trocou o protagonismo dos relvados pelo hollywoodesco futebol americano, numa nova concepção de estrela...

                      Ambos deixaram um enorme legado... Ambos possuem a tal transcendência que motoriza toda a esquematização duma equipa, ambos mesmo querendo descer a passadeira de glória imortalizada ao longo de anos e anos a fio de mediatismo Mundial, mesmo querendo descansar da pressão a que estão sujeitos, veem-se obrigados a regressar ao seu palácio de conquistas...

                        Num futebol cada vez mais exigente e competitivo, onde a técnica e a capacidade física se intersectam de forma permanente, dando uma velocidade e agilidade ao jogo nunca antes problematizada, enraizando-a ainda num novo complexo e rigoroso esquema táctico parece que não à espaço para aqueles que estão fora da idade padrão futebolística. A completude que se exige pretende aliar um conjunto de características físicas, técnicas e psicológicas que devido a toda esta imperativa aglutinação tende a encurtar a carreira dum jogador...

Contudo a genialidade, a inteligência, a imprevisibilidade, a frieza são características inatas, que mesmo que desaliadas num protótipo físico de outrora conseguem face ao catapultar da experiência superir todas as fragilidades enunciadas.

Por isso talvez com um pouco mais de esforço físico, com um pouco mais de suor e cansaço Henry e Scholes regressem agora ao climáx das suas carreiras...

                      Mas a qualidade, essa se associada a uma mentalidade ganhadora não se perde com a imediatez que o futebol moderno pretende, essa continua lá por isso Henry me deu a analepse dos meus 12/13 anos em que o via no Highbury Park fazer aqueles remates em desvio... Por isso o controlo, gestão e organização de Scholes contribuiram de forma decisiva para a desforra duma batalha citadina que ainda está longe de terminar... Os génios não envelhecem... Mas mais importante é perceber que a sua mentalidade rejuvenescida ainda nos vai dar novos actos de peças que julgávamos já encerradas...

 

 



publicado por João Perfeito às 23:59
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Quarta-feira, 4 de Janeiro de 2012
Porque a vida também é feita a correr...

 

                    

O advento tecnológico do futebol: da censura dos media à infinidade de dados à nossa espera

 

 

 

                      Nos tempos que correm, o novo e permanente inovador advento tecnológico que caracteriza a sociedade actual tem levado a um conjunto sério de problemáticas também inerentes ao fenómeno futebolístico.

                      O futebol, como maior fenómeno de massas do século XX, está para durar no século XXI e é hoje, mais que um jogo, uma religião, uma crença onde os fiéis semana a semana substituem as igrejas pelo Olimpo dos estádios.

                     Tentar perceber o que é uma religião e fundamente porque razão o ser humano precisa dela é uma questão essencial… Uma vez que explica, mesmo não clarificando, a acção humana e toda a sua complexidade inerente.

                     Numa sociedade onde a mediatização endeusada dum indivíduo e a singularidade de opinião se intersectam de forma permanente, regular ou até instantânea penso que é obrigatório questionarmo-nos se é este o caminho que queremos percorrer…

                      O refeudalismo, chamo-lhe  assim, de toda a comunicação mediática contemporânea leva-nos para uma unidireccionalidade cada vez mais perigosa e ameaçadora.  Ideias feitas e partilhadas por um sistema que joga no lucro a sua continuidade. Por isso é eficaz e previsível que toda a novidade esteja nutrida de emoção, transcendência e divindade.

                       É necessário apelar aos mais baixos instintos do homem, envolvê-lo emocionalmente, numa sociedade onde a rapidez e mutuação parecem emergir e por isso à que prender o público a essas ideias, mas não existe tempo para as aprofundar, questionar e problematizar… Tempo e vontade, porque todo o caminho que cada ser humano possa fazer isoladamente para tentar descobrir o conteúdo dessas ideias é um duro revés na possibilidade de a religião ter mais um crente.

                       Por isso, ouvimos falar “em melhor equipa da história”, “ em melhor jogador do Mundo”, em “melhor futebol”, mas sempre somos tentados a enunciar as respostas e não a responde-las e mais grave reconhecer que elas não têm resposta.

No fundo esta é a emancipação da relatividade absoluta do fenómeno futebolístico contemporâneo. Tudo é relativo, comparado e competitivo, mas muito pouco é questionado, esmiuçado e trabalhado. Porque toda esta comparação, nada é mais que uma forma e não conteúdo de elevar essa tal ideia à sua aceitação total…

                           Por isso, todos discutem e todos percebem de futebol, mas todos falam do mesmo. Todos falam de Barcelona e de Real Madrid, de Ronaldo e de Messi. Como se fala de Deus e de Jesus Cristo, de Alá e Maomé. São estes 4 nomes que agitam o universo futebolístico mundial e são estas 4 nomes que dão lucro, dinheiro e nos colocam ou não como entendedores ou não da matéria.

Por isso toda esta falta de profundidade não é mais do que a constatação da opinião replicada patente no Mundo actual. Não temos opinião, não temos ideias apenas reflectimos e expressamos ideias e ideais manipulados pelo poder dominante, sem nos apercebermos da constante perca de inteligibilidade que estamos a ganhar aos substituir a (nossa) experiência concreta, o nosso olhar, com a experiência mediática, não o nosso olhar, mas o olhar - concreto e indiscutível recusado de problematização.

                           Paradoxalmente, no reverso da medalha, toda a instantaneidade da informação leva-nos, no caso de fazermos esta escolha, a uma infinidade de dados que carecia nas pretéritas décadas.  Hoje, podemos falar de Barcelona e Real sem os ver jogar, replicando a nossa opinião na tal opinião dominante, mas ao mesmo tempo, podemos escolher ser diferente. Podemos escolher ver os jogos destas duas equipas, analisá-las e interpretá-las, compará-las com as equipas de outrora que só com a tecnologia dos DVD’s podemos recuar no tempo e sermos nós próprios construtores da nossa concepção histórica do futebol. Num caminho onde as mensagens de rodapé ou as palavras do teleponto vão sendo substituídas por surpresas, por novidades, mas mais importante revelações… Revelações que mais que nos mostrarem de que não existem deuses, mostram-nos que existem outras personagens que desconhecíamos, ou não queríamos conhecer, que contribuíram ou contribuem para o fenómeno que queremos saber…

                            Porque queremos saber, não queremos mostrar… Não quero ver os highlights só para mostrar que sei… Quero ver o jogo, quero analisá-lo quero enquadrá-lo numa problemática para aprofundar o meu conhecimento. Quero exacerbar-me a mim próprio como entendedor, num caminho onde as respostas apenas orientam e não o crucificam ou mudam a rota. Porque podemos passar da ideia à ideologia, porque podemos observar, anotar, comparar e reflectir… Com milhares de dados estatísticos, com milhares de DVD’S… Podemos descobrir e revelar sem ser réplicas, podemos trazer algo de novo ao nosso discurso sem estar vinculado ao discurso mediático. Porque devemos ouvir com a nossa perspectiva e falar com ela, sem duplicidade, relacionando-a com plataformas até aí inatingíveis ou divulgadas.  

                                  Por tudo isto, a banalidade de Neymar é mascarada por uma transcendência que pode mudar o futebol, sejamos coerentes e paremos para pensar. Não estará o Brasil a perder o seu fulgor futebolístico e precisa de um novo Deus para alimentar a sua crença esfomeada? Não precisa o Brasil, dum talento, dum génio para deixar de ser ofuscado pela inteligibilidade do futebol europeu? Precisa e Neymar é a resposta mais cabal, que mesmo sendo banal tem de ser mediatizada para que o Brasil não perca mais uma batalha, duma guerra que será irremediavelmente perdida para a Europa. Mas enquanto ansiar por deuses, génios e perpetuar mitos continuará no campo da mística, quando perceber o novo paradigma do futebol moderno acolherá Hulk como o seu maior porta-estandarte. A transformação da genialidade na eficácia... Um caminho difícil, mas seremos capazes de deixar de guiarmo-nos pelos instintos? Seremos capazes de produzir uma emocionalidade inteligível? Talvez, mas só se tivermos para isso…



publicado por João Perfeito às 18:49
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Quarta-feira, 28 de Dezembro de 2011
Porque a vida também é feita a correr...

Novak Djokovic- A Ascendência de um novo Rei

 

 

Nota: Por motivos técnicos, foi me impossível postar a minha crónica na quarta-feira passada, por isso venho por este meio pedir desculpa a todos os leitores.

         No final do ano transacto, a luta titânica entre Roger Federer e Rafael Nadal estava cada vez mais a incendiar-se. Depois da ameaça em 2007, Nadal tinha ascendido ao trono olímpico em 2008, descendo à terra em 2009, com o regresso de Federer e voltando a ser o líder Mundial em 2010. Este duelo a dois do ténis masculino Mundial, bem contrastante com o feminino parecia esperar por mais capítulos incessantes numa odisseia que parecia sem fim à vista.

         Contra todas as expectativas, não por demérito dos magos Federer e Nadal, Djokovic tornou-se Rei e caminha agora para Imperador.

         No final de 2010, no ténis estava a emergir o duelo Federer/Nadal ganhava cada vez mais vigor e catapultava a modalidade para um patamar elevadíssimo tanto a nível mediático como de espectacularidade.

           Mas não é que depois da perfeição de Sampras chegou a máquina Federer. Depois de Federer chegou o gladiador Nadal e agora que o espanhol se assumia como figura de proa da modalidade e também do desporto Mundial, Djokovic emerge num época absolutamente fantástica jogando o melhor ténis dos pretéritos 10 anos. O ténis não pára de nos surpreender e o sérvio alimentou este mito, tornou-se uma lenda e agora quer-se tornar imortal.

          Qual o segredo para esta epopeia de Djokovic que deixou o mundo do ténis e do desporto em completa apoteose? É redutor, falar apenas de 2 ou 3 indicadores que possam ter contribuído para esta caminhada. Para nos apercebermos da completude que Djokovic teve que ter para demonstrar todo o seu arsenal vitorioso temos primeiro que nos centrar nos seus rivais.

         Roger Federer, sem o nível de 2004 ou 2005, o suíço a espaços revelou um ténis de altíssimo gabarito, aliando experiência, técnica e uma colocação em campo exímia. Mentalmente pareceu mais forte que 2010 e quando alguns já destinavam o seu fim, Federer fecha a época com uma vitória categórica, mostrando que a reforma continua longe e que ainda o vamos ter que aturar (felizmente) por mais alguns anos.

Rafael Nadal, não sendo tão incisivo como em 2010, tendo mais dificuldade para fechar os pontos como habitual, Nadal perdeu um pouco do domínio que costumava exercer perante os seus oponentes. Contudo a sua raça e determinação, aliadas a um top-spin em forma fortíssimo foram as premissas necessárias para que controlasse quase todos os adversários. Fisicamente teve algumas quebras, demonstrando alguma irregularidade, mas melhorou o seu jogo de rede, continuou como ninguém a quebrar serviços e raramente foi surpreendido.

         Por tudo isto Djokovic tinha de estar ao melhor nível se quisesse ser finalmente número um Mundial. Por isso Djokovic teve de puxar dos galões e mostrar ao mundo a sua completude, única forma possível de chegar ao top.

         Com uma jogo altamente alargado, Djokovic consegue quase sempre colocar o seu adversário fora do terreno de jogo, fazendo direitas com uma colocação e velocidade absolutamente temíveis. Com um serviço regular e eficaz demonstrou autoridade quando aparentemente poderia estar em quebra.  Com uma fortíssima esquerda paralela conseguiu muitas vezes contrariar os seus adversários, demonstrando uma enorme versatilidade e um à vontade para jogar no fundo do court nunca antes visto. Controlador e inteligente o seu jogo de rede embora não abundante, foi sempre ponderado e eficaz, o que se reforçou o seu domínio.

         Fisicamente, com o trabalho do seu treinador, conseguiu igualar Nadal, mantendo o mesmo ritmo do início ao fim de cada pancada, movimentando-se não tão rápido como Nadal, mas sempre com muita inteligência e antecipação o que permitiu estar sempre por dentro do ponto e comandar as operações.

          A sua agressividade ponderada foi a chave do seu sucesso, jogando no risco mas sem exagerar, transformando o seu domínio em controlo total impedindo de ser surpreendido no contra-golpe.

           Na final de Wimbledon e US OPEN Nadal esteve fenomenal, devolvia quase todas as pancadas do sérvio, obrigando a fechar o ponto à 8ª ou 9ª pancada (em jogadas em que podia fechar à 3ª). Mas Djokovic estava inquebrável. Com um jogo defensivo fortíssimo, conseguia responder sempre muito bem, defendendo e contra-atacando na mesma jogada demonstrando esperteza e um sentido posicional fortíssimo.

Nadal tentava variar o seu jogo, jogar nos limites, mas não conseguia, tanto em ataque normal como em contra-golpe, aproveitando o espaço conseguido por Nadal, Djokovic estava mortífero. Nadal deixou de atacar com medo de falhar e Djokovic ganhou confiança e manteve o ritmo do princípio ao fim conseguindo vitórias indiscutíveis.

               Mas mais importante foi o estigma mental do sérvio. Carregando todos os sentimentos nacionalistas do seu povo, jogou com paixão, amor e dedicação a uma causa. Foi atrás dum povo exacerbado em si mesmo, catapultou a sérvia para a escala Mundial e voou num sonho de se tornar um ícone e símbolo Mundial. Uma crença e determinação infindáveis, carregando em cada pancada a vontade de milhões de sérvios que o apoiam, que muitos até davam a vida para consagrarem o seu novo Rei.

           Na Sérvia a sua mediatização é exagerada e segundo um inquérito poderia ser o próximo presidente da república, no Mundo Djokovic é Rei mas ainda não Imperador. Faltou-lhe ter nascido na Suíça ou nos Estados Unidos para ser globalmente adorado, faltou-lhe ser um gentleman e ser politicamente correcto.

                      Gostando-se ao não do estilo, Djokovic foi claramente não só o melhor tenista de 2011 mas também o melhor desportista … O ténis já nos mostrou que está numa rota de evolução fortíssima, e cada vez surgem ou ressurgem novos heróis surpreendendo a previsível tónica deixada na pretérita época. O domínio de Djokovic será para continuar ou será apenas um interregno do domínio de Federer e Nadal. Motivos não faltam para acompanhar o ténis em 2012 a par e passo, sem perder pitada, felizes com esta oportunidade de ver três extraordinários desportivas numa rivalidade agora a três, sem precedentes.



publicado por João Perfeito às 16:06
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Quarta-feira, 20 de Julho de 2011
Porque a vida também é feita a correr...

A completude com que sempre sonhamos

 

                   Entre os dias 14 e 17 de Julho, decorreu em Ostrava o Campeonato Europeu de Atletismo de Sub23. Aquela que é conhecida, como a competição mais importante dos escalões de formação do atletismo europeu é fundamental para que as novas esperanças possam aos poucos ir ganhando o seu espaço junto da elite do velho continente.

                  As vantagens desta competição são imensas. Desde a antecâmara para o Mundial de Daegu, a atletas com uma progressão precoce, que antes de terem 23 anos já figuram entre os grandes tubarões do atletismo Mundial. Ou, noutro caso, com a conquista dum caminho de esperança e o desenvolvimento duma mentalidade competitiva ganhadora, aqueles que ambicionam lograr no escalão maior do atletismo Mundial (séniores) todas as epopeias que os fizeram rotular de promessas nos escalões de formação.

              Falando especificamente da participação lusa, não poderia estar mais contente com os resultados... Portugal conquistou uma medalha de prata, através de Marcos Chuva no comprimento e uma medalha de bronze de Catarina Ribeiro nos 10000 metros.

              Face a todo um contexto atlético nacional em que Portugal raramente se viu arredado de pódios em competições deste foro e também sabendo evidentemente toda a gloriosa passadeira que o nosso atletismo já permitiu desfilar aos melhores desportistas nacionais é evidente que não é por duas meras medalhas que manifesto uma grande satisfação.

              Aquilo que fez renascer em nós o espírito olímpico e a afirmação desportiva no Mundo foram sem dúvida as proezas alcançadas por Carlos Lopes, Fernanda Ribeiro, Rosa Mota, Fernando Mamede e Carla Sacramento. Em todos estes 5 diamantes lapidados à expoente máxima encontramos uma sintomática característica transversal entre eles: meio-fundo e fundo. Foi a correr por estradas, corta-matos e pistas emblemáticos que o nosso desporto se construiu numa plataforma gloriosa.

              Face à mais que falada crise do meio-fundo e fundo nacional e europeu é interessante o modo como Portugal aos poucos e poucos foi diversificando a sua qualidade para além das corridas de resistência e hoje o resultado é este- Ostrava consagra-nos como uma selecção completa e apetrechada para todas as variantes do atletismo.

            Para toda esta completude outrora impensável, muito contribuiram as presenças de Marcos Chuva, Vera Barbosa e Catarina Ribeiro, mas estão longe de ser apenas estes os três responsáveis por este extraordinário feito.

           Mais especificamente... Marcos Chuva depois duma termida qualificação pulou 7,94 na final arrecandando a prata, predendo só para o hiper-favorito Menkov, ficando a escassos 14 centímetros do Mundial de Daegu. Ultrapassando imagine-se Eusébio Cacéres o jovem prodígio espanhol, que em 2009, ainda júnior venceu Nélson Évora na Taça das Nações.

            Catarina Ribeiro, tirando qualquer tipo de nacionalismo, para mim é a segunda melhor atleta europeia sub 23 de 10000 metros.Fficou em 3º é certo. O nome da vencedora dá por Layesh Abdullayeva, azeri (uma das já inúmeras importações africanas), agora também para a europa de leste. Deste modo Portugal continua a sua saga no fundo europeu.

            Depois do top europeu no fundo e no salto Portugal conseguiu um 4º lugar nos 400 barreiras femininos. Vera Barbosa, começam a faltar os adjectivos para classificar a margem de progressão da jovem promessa, já certeza do clube de Alvalade. Baixou em quase 2 segundos! o seu recorde pessoal e bateu o record Nacional. Sendo a primeira lusa a baixar dos 56 segundos e garantindo presença inédita nos Mundiais de Daegu. Apesar de não ter ido ao pódio, a valia da sua marca transporta-a para o melhor resultado individual de Portugal nestes campeonatos, demonstrado que caso continue nesta rota de evolução navegará rumo a outros mares, bem mais embiciosos...

            Em destaque, teve também a maior promessa do disco nacional. Depois de no ano transacto ter falhado por pouco uma medalha no Mundial de júniores, Irina Rodrigues, no seu primeiro ano de sub 23 arrecadou um sempre positivo 5º lugar. Sendo a segunda melhor europeia no primeiro ano de sub 23

             Em destaque, mais uma vez devido à presença da inevitável Vera Barbosa, teve a estafeta 4x400 metros, que arrecadou um surpreendete (face a todo o nosso passado) 6º lugar.

           No geral foram estes os melhores destaques nacionais. Boas prestações nas barreiras, nas estafetas, na resistência, nos lançamentos e nos saltos. Algo inédito na nossa história atlética...

           Toda esta completude é motivadora para que os nossos jovens se apaixonem por esta modalidade e aprendam que a ideia do fundo ser a nossa única bandeira no atletismo Mundial está arcaica e ultrapassável.

           O jovem praticante de atletismo nacional cada vez mais será um melhor lançador, saltador, barreirista e velocista. Toda esta competência e completude é apanágio da nossa ambição- rumo ao objectivo de nos tornarmos uma potência europeia e dismistificarmos a ideia de que um país com 10 milhões de habitantes não pode ir mais além do que já foi...

            Uma palavra de apreço deixo também ao azarado Carlos Veiga (Triplo Salto). Que mesmo depois de ter partido o pé, realizou três saltos, demonstrando sacrífio, capacidade de sofrimento e audácia.

            Esta semana caberá aos juniores, no europeu da categoria, em Tallin dar seguimento a todo este trabalho e resultados dos sub 23. Mais uma vez a nossa formação estará à prova. Mais uma vez nos superaremos?

 

By João Perfeito

 



publicado por João Perfeito às 23:59
editado por Jorge Sousa em 29/07/2011 às 11:09
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Quarta-feira, 13 de Julho de 2011
Porque a vida também é feita a correr...

Benfica conquista pleno e dobra segundo classificado,
nus campeonatos recheados de boas marcas individuais

                     

 

                  O Benfica, claro favorito à partida, sagrou-se no passado fim-de-semana campeão nacional de juniores masculinos e femininos.

                  As jovens águias somaram 288 pontos, mais do dobro do segundo e terceiro classificados, com 134 pontos- Sporting e Braga, respectivamente. Por seu turno, os jovens águias também não quiseram ficar atrás e mais que dominaram ao totalizarem 277 pontos, bastante mais do dobro dos 112 da Juventude Vidigalense, e imagine-se, mais de 5 vezes do que o terceiro classificado - Sporting com 55 pontos.

Todo este domínio avassalador como exprimi é preocupante para o futuro da modalidade. A falta de competitividade das classificações colectivas, leva a que o nível de motivação dos atletas caia em flecha, felizmente a ansiedade de conseguir mínimos para o europeu da categoria acaba com toda esta aparente facilidade.

                   Assim, no plano geral, mais do que falar em proeza colectiva, nada mais do que o efectivamente esperado, é essencial observar as prestações individuais e perspectivar o modo como podem contribuírem para o futuro do atletismo nacional.

Por isso, antes de mais, as minhas felicitações para Tiago Aperta. A jovem pérola do dardo nacional despediu-se do escalão júnior em terras lusas, com o record nacional sénior- 73,94 metros. Sem ainda completar 20 anos de idade, Tiago Aperta é já o melhor lançador de dardo da história do nosso país, uma proeza que mesmo face à mediocridade de nível que sempre tivemos nos lançamentos, jamais poderá ser desvalorizada. É preocupante, pensarmos que o nosso recordista nacional sénior, ainda júnior apenas tem a sexta melhor marca europeia júnior do ano. Contudo, este é o primeiro passo, rumo à inversão da mistificação de que no nosso atletismo apenas sabemos correr.

                  Quem também esteve em destaque, mas sim pela surpresa foi Rui Pinto. O único júnior luso de sempre, medalhado num europeu de cross, venceu os 800 metros. Abdicando dos 1500, 3000 e 5000 metros. Depois duma formação repleta de êxitos e de marcas de valia nestas distâncias, Rui Pinto certamente quis completar o pleno de medalhas em todas as provas de meio-fundo e apurar a sua velocidade para os europeus que se avizinham.

Emanuel Rolim, não marcou presença nos nacionais, o que levou a uma disputa cerradíssima nos 1500 metros, como há muito não se via. O juvenil Bruno Varela confirmou a excelente época que tem vindo a realizar e sagrou-se campeão nacional júnior destronando toda a concorrência.

Nos 100 metros destaque para a vitória do benfiquista, Diogo Antunes que superou o favorito Gorga Biveti, carimbando o passaporte para o europeu.

No duplo hectómetro, no sector feminino, Diana Cerqueira acabou com a total hegemonia na velocidade da barreirista Eva Vital, conseguindo in extremis os mínimos para os europeus.

                Quem também estará em Tallin, a representar Portugal, será Débora Santos, a ex-campeã nacional júnior de corta-mato, aproveitou a boleia, da recordista nacional júnior, Catarina Carvalho e com 10.43 nos 3000 metros obstáculos fixou os mínimos exigidos.

Rúben Miranda voltou a suplantar largamente toda a concorrência, vencendo destacadíssimo no Salto à Vara, ameaçando um futuro risonho na variante.

                  André Biveti nos 200 metros, Elisabete Silva no dardo foram os últimos atletas a carimbaram a presença no europeu.

No total, serão 21 os representantes lusos no europeu, sendo 12 do Benfica, uma delegação felizmente bem numerada, onde Emanuel Rolim, Rui Pinto, Tiago Aperta e Eva Vital pontificam como expoente máximo, rumo ao desejo incessante de medalhas internacionais na formação, que bem escasseiam no nosso palmarés recente.

 

By João Perfeito



publicado por João Perfeito às 15:57
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