Quinta-feira, 19 de Maio de 2011
Ouro Sobre Azul

A vitória do Porto em Dublin é bem mais do que uma vitória de uma equipa de futebol. Esteve em jogo toda uma estrutura organizativa, que desde o início do mandato de Jorge Nuno Pinto da Costa, tem vindo a marcar não só o futebol nacional, mas de forma clara o futebol europeu.

Para além das duas Ligas dos Campeões, junta-se agora uma segunda vitória na Liga Europa (antiga Uefa).

De Pedroto a Vilas Boas, passando por José Mourinho, três décadas de conquistas, que elevam o estatuto do Porto para um patamar de excelência, junto de uma "segunda" elite do futebol europeu, logo seguida dos colossos de Itália, Espanha, Inglaterra e Alemanha.

Não falo de um "ciclo", até porque estes, na verdade não existem. Preferia chamar-lhes conjunturas, conjunto de condições para o sucesso. No caso do Porto, a formula do sucesso parte do topo da hierarquia administrativa, até ao roupeiro ou ao tratador da relva.

Não conheço a estrutura interna dos Dragões, até porque estes, ao contrario de outros em Portugal, a salvaguardam dos ataques da imprensa, recobrindo-a. Assim, conseguem que os seus trabalhadores não sintam a pressão mediática sufocante, que promove, indirectamente uma avaliação por parte dos adeptos. Que adepto pode avaliar o trabalho de um administrador, sem conhecer as condições em que este trabalha?

É claro que o papel do Presidente é bem diferente. Este, deve ser a imagem, mas também a protecção de todos aqueles que com ele trabalham. As justificações, pedidas pelos adeptos ou pelos media, são a estes devidas. Neste campo, Jorge Nuno é sem dúvida um Presidente exemplar, que soube construir um discurso e uma imagem impenetráveis. Quem ganha? São as estruturas internas que são protegidas, e são os adeptos, que sem compreenderem porque, vêm os resultados práticos do trabalho daqueles, que aos seus olhos são invisíveis.

 

Mais perto da relva, o Porto desta época consegue feitos incríveis, ao nível das melhores equipas de sempre. Desde a segurança exibicional de Heltón, a incrível segurança de Rolando (passou do banal central de há 2, 3 épocas atrás para um cada vez melhor jogador) e Otamendi, até ao reforço decisivo, Moutinho, passando por Fernando, trabalhador invisível, sem esquecer o fantástico ataque, onde Hulk e Falcão, explodem como jogadores de top.

 

Para a história fica ainda o mais jovem treinador de sempre a vencer uma competição da UEFA, André Vilas Boas. Desde o golpe de sorte que conduziu o inicio da sua formação como treinador, a sua carreira tem sido um verdadeiro conto de fadas. Na segunda época como treinador principal, longe da figura patriarcal de José Mourinho, Vilas Boas consegue levar de vencido o campeonato nacional e a Liga Europa, na primeira época de Porto. Até onde vai chegar, só o futuro o dirá, mas com 33 anos, tem pelo menos mais 30(!!!) pela frente...

 

Porto 5-0 Benfica

Porto 5-1 Villareal

Benfica 1-3 Porto

Porto 1-0 Braga

 

Quatro jogos, que explicam plenamente o porque de uma época que faz sonhar com vôos ainda mais altos!

 

 

 

By Tiago Luís Santos



publicado por Minuto Zero às 20:46
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Sábado, 14 de Maio de 2011
Liga Zon - destaques da época

1. Manuel Machado continua a demonstrar a sua competência ano após ano. Falta-lhe no entanto conseguir marcar posição firme na liga, para puder dar o "salto", tal como fez Jorge Jesus ao serviço do Braga.

Em Guimarães, com um projecto ambicioso nas mãos, e diga-se, com um dos melhores planteis do Vitória dos últimos anos, não mais conseguiu do que ficar imediatamente atrás do lote dos 4 candidatos ao título.

Em campo, longe da teoria que por vezes em nada resulta, o Vitória foi um verdadeiro camaleão táctico. Como é praxe em Manuel Machado, as variações estratégicas das suas equipas, alternam conforme a capacidade do adversário. Se é verdade que estes ajustes são naturais, não se justifica no entanto que estas alterações se tornem demasiado normais. Com um plantel da profundidade deste Guimarães, pedia-se, pelo menos, uma atitude diferente.

Contra os grandes, uma equipa de contra-ataque, baixa as linhas enormemente, e vive dos rasgos de Targino, João Ribeiro, ou Maranhão. Por vezes funcionou, como contra o Porto ou Benfica na primeira volta, mas a verdade é que a própria equipa se parece reduzir a uma condição de menoridade preocupante. Contra os "outros" do campeonato, do seu campeonato, Manuel Machado forma uma equipa altruísta, incisiva, mas sempre claro, com precauções evidentes. Um outro Guimarães, talvez nem sempre com os resultados desejados, mas onde deixava claramente perceber que estava ali uma equipa que poderia ir mais além.

Tamanha falta de consistência e rotinas, foi adulterando também a capacidade para assumir em jogos contra equipas, as quais, seriam factualmente mais fracas.

 

Ficam no entanto deste Guimarães um serie de jogadores que mostraram enorme capacidade. Em especial, 3 brasileiros, aquisições de grande nível.

Em primeiro lugar Bruno Teles, defesa lateral-esquerdo, ataca bem, mas, defende melhor. Estilo altivo, lateral dinâmico de boa capacidade. Marcelo Toscano, avançado brasileiro, chegou marcando 3 golos no seu primeiro encontro. Ao longo da época mostrou as credenciais afirmando-se como titular nos minhotos. Forte fisicamente, joga nas costas de um avançado mais fixo, procurando bem as faixas. Excelente remate e boa definição técnica, se continuar a evoluir será cada vez mais um caso sério.

Edson Sitta. Regressou a Portugal pela mão de Manuel Machado, tornando-te no inicio da temporada o jogador que garantia capacidade em ambas as transições. Era, juntamente com João Alves, o dínamo do meio-campo do 4x1x2x1x2 (4x4x2 losango) de Manuel Machado. Acabou por perder grande parte da temporada, sendo que motivou também alteração gradual do sistema para 4x2x3x1, face à sua ausência.

 

Ficamos à espera de que o próximo ano seja a confirmação de um ambisioso projecto, junto do grupo dos 4, e não dos restantes 11 do campeonato.

 

 

2. Em Paços de Ferreira mais uma boa temporada. Rui Vitória, assumiu rapidamente a responsabilidade de manter a tradição de bom futebol na capital do móvel.

Não mexeu no essencial, a cultura própria do Paços, sua imagem de marca: equipa agressiva a pressionar, sobretudo em casa, com forte aposta em extremos rápidos e um meio-campo forte.

Apesar de ter de se restruturar época após época, a equipa continua a anotar bons resultados, relendo alguns dos mais promissores jogadores do futebol nacional. Este ano, ficam as notas de destaque para o lançamento de David Simão, Caetano, Pizzi ou Nelsón Oliveira, que encontraram em Paços de Ferreira o habitat natural para o seu futebol, tecnicamente evoluído, mas sobretudo aventureiro e rebelde. Atrás, no meio-campo, Leonel Olimpio (de saída), Leão ou Anunciação garantem a competitividade da equipa. Uma bela mescla de experiencia e jovialidade que promete voltar na próxima temporada nos mesmos moldes.

 

3. Provavelmente a maior proeza da época, na fuga à despromoção. De ultimo classificado, o Rio Ave de Carlos Brito termina em 8(!). De praticamente despedido, Carlos Brito passa a treinador com contrato renovado.

No inicio do ano, apontei esta equipa como um dos melhores projectos no nosso campeonato, com um plantel capaz de fazer estragos. A falsa partida na primeira metade da temporada, pareceu claramente desadequada para a capacidade de jogadores como Braga, Vítor Gomes ou Bruno Gama, e claro, o eterno goleador João Tomas.

Acabam a temporada em grande forma, mostrando um bom futebol, com aposta clara em jogadores rápidos, que servem um posicional (porque a idade já mexe) João Tomás. Bruno Gama e Yazalde, dois bons exemplos de jogador tipo do futebol português, rápidos, repentistas, extremos ou segundos avançados de rasgos. O grande problema é quando as equipas não entendem os seus desequilíbrios, e não os servem convenientemente. Foi o problema do 4x3x3 do Rio Ave na primeira metade do campeonato, é a grande força do Paços de Ferreira, mas também é o principal problema da maioria dos emblemas da primeira divisão nacional.

Quando os rasgos se transformam em movimentos de um homem só, inconsequentes na maioria das vezes, jogam aos "repelões".

 

 

By Tiago Luís Santos



publicado por Minuto Zero às 11:22
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Quinta-feira, 12 de Maio de 2011
Pelo nosso futebol – Tardes de Sábado bem passadas

Quem disse que o futebol de Sabado à tarde se resume aos frenéticos jogos da Premier League? Certo é que são um belissímo espetáculo, mas a verdade é que existe uma variedade, maior do que o aparente, de opções para se passar uma boa tarde de futebol.

 

Duas semanas, 2 jogos de escalões inferiores do nosso futebol (porque o tempo não dá mesmo para mais), mas sobretudo, dois exemplos de bom futebol:

 

Padroense vs Boavista e Varzim vs Gil Vicente.

 

No caso do primeiro, o resultado foi provavelmente o que menos contou. Ver novamente as camisolas axadresadas deu a sensação que está ali, na 2 Divisão, parte importante do património futebolístico português. Mais estranho do que ver o Boavista jogar na 2ª, é a expectativa de ver o Boavista dos velhos tempos emergir repentinamente e, nada. Em 2011, restam as camisolas, mas sobretudo a fantástica massa associada que não se cansa de apoiar o clube mesmo nesta fase de desterro.

Em pleno estádio do rival pela subida, Padroense, milhares de adeptos axadrezados juntaram-se no terreno do rival, promovendo uma incrível mancha humana que lotou o estádio.

Em campo, a sensação estranha, de imaginar o que poderia jogar este Boavista, lembrando sobretudo equipas passadas… o nível dos antigos campeões nacionais está agora num outro patamar. Uma equipa até algo cinzenta, com bons valores é certo, sobretudo atendendo a que joga na 2ª Divisão, mas um jogo muito descaracterizado. Sobretudo procurando neste jogo fora um resultado positivo (empate ou vitória), cedo se percebeu que o respeito pelo adversário foi levado demasiado à letra. Olhando para a tabela, o agora 2º classificado da 2º Divisão Zona Centro, até vem marcando bastantes golos. Os destaques, talvez os “velhinhos” Rui Dolores (ex-Beira-Mar) e Renato Queiroz (ex-Paços) ou o campeão nacional Mário Loja, mas tudo em rotações muito baixas (todos com 33 anos).

Do quezilento 0-0 emegiu no entanto o principal motivo para continuar a assitir à partida transmitida pelo Porto Canal: Silva, avançado de 24 anos, nascido em São Tomé, mas de nacionalidade portuguesa. Avançado raçudo, embora não muito alto(1,75m) revela capacidade de resistir ao choque fora do comum. Com bola é vê-lo romper em potência… quase diria que é mais rápido com bola do que sem ela. Um diamante por lapidar, na próxima temporada será jogador do Paços de Ferreira.

 

 

Desta vez na Liga Oranjina, mais um belo espectáculo de futebol. Na Póvoa, o candidato à descida Varzim recebia o Gil Vicente, ainda com possibilidades de subida à primeira.

Mais do que o 1-3, para os naturalmente favoritos gilistas, ficam meia duzia de bons nomes para reter no contexto do futebol português.

Do lado do Varzim, clube que vai sobrevivendo com jogadores formados na cantera, muito por causa dos graves problemas financeiros que atravessa, sobressaem vários jogadores de bom potencial.

Neto, central de 22 anos, central com boa mobilidade, não tem uma estampa física impressionante, apesar de estar longe de ser fraco, mas compensa em capacidade para ler os lances e antecipação, quanto baste para jogar na Liga Zon em muitas equipas. Para além disso saí bem a jogar com bola, tem capacidade de passe e recupera rápido. Bem trabalhado está aqui um belo central sem dúvida. No meio-campo, com o 10, Tiago Terroso, esquerdino talentoso, de 23 anos, mostra-se a clubes de maior dimensão esta temporada com belíssimas exibições. Pode jogar ao cento ou na esquerda do meio-campo, tem um pé esquerdo de grande classe. Precisa, tal como Neto de dar o salto quanto antes.

Depois dois miúdos, Salvador Agra, extremo habilidoso, e o jovem ponta-de-lança Rafael Lopes, avançado de boa mobilidade e facilidade de remate. Ambos  jogadores da selecção sub-20, prometem mostrar o seu valor no mundial da Colômbia, depois uma boa época no Varzim.

Do lado do Gil dois belíssimos talentos. Zé Luis, Cabo-Verdiano de 20 anos, feitos já este ano. Ponta-de-lança com boa impulsão, alto, cabeceia bem e ainda joga bem com os pés. Bom finalizador, impressiona pela capacidade física. Penso que bem trabalhado será um dos melhores ponta-de-lanças a jogar em Portugal no futuro.

Entrado apenas para o último quarto de hora, Hugo Viera, avançado que faz todas as posições do ataque, tanto como extremo ou nas costas do avançado, virou literalmente o jogo de “pernas para o ar”. Vindo de lesão complicada, mostrou em vários lances uma rara capacidade técnica, esclarecido, ainda ofereceu um golo a Zé Luís. O lance que fica na memória merecia no entanto melhor sorte. À entrada da área do Varzim, tira dois adversários da frente com um golpe de rins incrível… infelizmente a bola ressaltou no calcanhar evitando que ficasse na cara do guarda-redes de negro.

Ambos são apontados ao Braga para a próxima época.

 

 

 

Nota do Director:

 

Face ao actual período de exames, e sendo a maioria da equipa estudante de Ciências da Comunicação na Universidade Nova de Lisboa, alguns artigos poderão sair com algum atraso. Por esse motivo fica o sincero pedido de desculpas da administração, esperando puder retomar a normalidade em breve.

 

 

 

By Tiago Luís Santos



publicado por Minuto Zero às 20:17
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Sábado, 7 de Maio de 2011
A caminho de Dublin

1. Porto e Braga carimbaram presença na final de Dublin esta semana, deixando pelo caminho Villareal e Benfica.

Embora com exibições (e resultados) bem diferentes, Futebol Clube do Porto e Sporting de Braga atingem por fim a tão ambicionada final, que poderá ser pedra de toque na grande temporada que as duas equipas conseguiram.

 

Contra o Benfica, o pragmático Braga de Domingos mostrou que é psicologicamente bem melhor do que a turma da luz. Se é verdade que a massa associativa do Benfica coloca bem mais pressão sobre a sua equipa de futebol, não terá sido por ai que não estará presente em Dublin.

Até fez um campeonato de boa qualidade, diria, que se não fosse este incrível Porto, num ano comum o clube lisboeta até poderia ter sido campeão (tal como o Braga o ano passado), mas a verdade é que não resistiu à capacidade do arqui rival, muito, por culpa própria.

Não foram só os erros de Roberto que fizeram com que o Benfica apenas tenha conquistado a Taça da Liga... o jogo com o Braga é o espelho de como os encarnados acabaram por não conseguir cumprir com as (demasiado) altas expectativas de ínicio de época.

Chegou-se a falar em Liga dos Campeões... a verdade é que num grupo bastante acessível o Benfica acabou por mostrar que a sua forma de jogar não é suficientemente estável para conseguir competir com equipas bem mais equilibradas. Lyon, Schaulk, Porto, Braga... até mesmo por momentos o PSV e PSG mostraram que este Benfica precisa de se redefinir em termos europeus.

O 4x1x3x2 de Jesus, vive demasiado preso ás rápidas transições com bola dos seus médios ofensivos. O melhor Benfica do ano, com Aimar, Salvio e Gaitan no meio campo, é o melhor exemplo disso. Com este estilo, ou as coisas correm muito bem, enervando o adversário, ou então, face a oponentes de grande craveira, facilmente o Benfica é encontrado em contra pé.

Culpa de Jorge Jesus? Um pouco claro. Não faz nenhum sentido no entanto questionar a sua competência. Basta relembrar quantos anos o Benfica nem sequer sonhar conseguia, quanto mais conquistar títulos.

 

Em Braga tudo parece bem mais sereno. Celtic, Sevilla, Arsenal, Shakthar, Liverpool e agora Benfica, provaram a capacidade desta formação, que até perdeu alguns jogadores nucleares em Janeiro (sobretudo Moisés) mas que se soube recrear. Falta agora a confirmação, face a um adversário em "ponto de rebuçado" como é neste momento o Porto de Vilas Boas.

 

Um pouco mais a sul, os Dragões vivem dias de glória. Uma época marcada pelo 5-0 e pela reviravolta para a Taça contra o Benfica, que quase valem mais do que o próprio título de campeão (passo o exagero) ... agora falta a consagração da equipa e do estilo muito próprio deste Porto.

Para a memória agora, mais um jogo que merece ser recordado: o 5-1 no Dragão frente ao Villareal, é provavelmente a melhor recordação possível desta grande equipa.

 

Veremos se a final será mais um capítulo do conto de fadas futebolístico dos azuis e brancos nesta temporada.

 

 

 

 

 

 

2. Na taça Libertadores, principal competição sul americana de clubes, todo o destaque vai para a eliminação de várias equipas brasileiras e argentinas, quando apenas vamos nos quartos de final. Grémio, Estudiantes, Cruzeiro, Internacional e Fluminense, não passaram por testes de qualidade mediana, contra equipas de países bem menos competitivos. Sobram agora Veléz Sarsfield e Santos, os únicos clubes destas duas nações do futebol que estarão nos "quartos".

 

Quadro dos quartos de final:

 

Peñarol (Uruguai) vs Universidade Católica (Chile)

Onde Caldas (Colômbia) vs Santos (Brasil)

Vélez (Argentina) vs Libertad (Paraguai)

Jaguares (México) vs Cerro Porteño (Paraguai)

 

Olhando para este quadro, vemos uma panóplia de clubes algo surpreendente. Apenas o Paraguai apresenta duas equipas nesta fase da competição, incluindo o Cerro de Iturbe.

 

Será sinal de que o futebol sul americano está a mudar de rumo? Penso que não, o que se passa é que como normalmente, Argentinos e Brasileiros não resistem as constantes redefinições nos planteis, deixando de lado a estabelidade dos planteis. São os imperativos do mercado, mas também sinais de que o trabalho deve cada vez ser feito cada vez mais pensando a longo prazo, revitalizando o futebol aducicado desta zona do globo.

 

 

 

 

 

 

By Tiago Luís Santos



publicado por Minuto Zero às 13:39
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Quinta-feira, 5 de Maio de 2011
Welcome to new Wembley!

Depois das inúmeras histórias de grandes jogos no velhinho estádio londrino, o futebol decidiu juntar no mítico relvado duas das mais paradigmáticas e bem sucedidas histórias do futebol.

 

Tal como à dois anos atrás, Barcelona e Manchester United medem forças numa final da Liga dos Campeões que promete trazer ao Wembley um novo jogo mítico.

 

 

Olímpico de Roma, 27 de Maio, 2009

 

A europa do futebol assitia ao mais esperado encontro da temporada. De um lado o Manchester United campeão europeu, com Cristiano Ronaldo em super forma, apesar de um ano marcado inicialmente por lesões, do outro a equipa sensação do futebol europeu, o novo Barça de Pep Guardiola.

Um ano antes, Pep, treinava a equipa da filial catalã, o Barcelona Atletic (vulgo Barcelona B), tendo sido chamado para o lugar do malogrado Frank Riijkaard no inicio da temporada. Seria o inicio de uma nova "era" que voltaria a colocar o Barcelona entre o lote das super favoritas à maior competição europeia de clubes.

O estilo de jogo que impôs no "seu" Barcelona deixou de boca aberta a Europa e o mundo nesse ano: processos simples, cultura de passe e desmarcação, jogo apoiado, posse de bola infindável, mas sobretudo capacidade técnica de grandes jogadores aliada a um modelo de jogo muito bem compreendido.

 

Os Red Devils por seu lado, entravam na capital romana como detentores do título, galvanizados por mais uma grande época, na qual haveriam de conquistar o título de campeão inglês. O que passava no entanto pela mente de Fergusson era o temor de jogar contra uma equipa á qual, durante toda a temporada, ninguém na Europa do futebol havia conseguido fazer frente.

O único percalço do Barcelona havia sido na meia final, onde frente ao super organizado Chelsea, então orientado por Hiddink, conseguiria apenas a vitória a minutos do fim da segunda-mão em Londres, de pois de um golo de Iniesta.

 

Jogariam da seguinte forma Barcelona e Manchester:

 

Barcelona: 4x3x3 (puderia dizer mesmo 2x3x2x3 pela forma como monta o ataque em posse)

 

...............................Valdéz.................................

..................Touré................Piqué.......................

Puyol..................Busquets...................Sylvinho..

.................Xavi....................Iniesta....................

.....Eto'o............... Messi......................Henry.......

 

A grande novidade no Barça era mesmo Messi sobre a zona central, fugindo da direita. Com movimentos de busca da bola em terrenos recuados, daria ao Barcelona uma infindável capacidade de encontrar linhas de passe no centro, agindo com falso ponta de lança. Eto'o, habitual avançado centro e Henry, apareciam sobre as alas para garantir largura, ou em movimentos diagonais á procura do remate dentro da área adversária.

Neste jogo, Yaya Touré seria central, permitindo a Puyol jogar sobre a direita órfã de Daniel Alves.

 

Manchester United: 4x4x2\4x3x3

 

.....................van der saar...................

O'Shea.......Fernidand....Vidic.......Evra..

Park.......Carrick......Anderson.....Giggs.

.............Rooney....Ronaldo...................

 

Dinâmico e sempre em busca de basculações de esquema, o United coloca Park como peça essencial no meio campo, que equilibra a equipa a defender. Anderson e Giggs são apostas para tentar servir com qualidade e volume de jogo Ronaldo e Rooney, avançados deambulantes, ora à esquerda, ora ao centro, ora à direita.

Passava também pela estratégia baixar o bloco, tentando levar o Barcelona a abrir espaços nas costas dos defesas para Rooney, mas sobretudo para Ronaldo.

Com Giggs e Anderson, Rooney cai muitas vezes para a esquerda, movendo o lendário jogador do país de Gales para a zona interior.

No banco de início, Berbatov e Tevéz mostram claramente qual a estratégia definida por Ferguson. Acabariam por entrar, quando o jogo à muito estava resolvido.

 

O resultado acabaria por ser uma vitória indiscutível do positivo futebol do Barcelona, que melhor soube entender os momentos do jogo, não deixando o Manchester recuperar a bola em zonas perigosas, e sobretudo fazendo uma importante gestão de esforço com bola. Angustiado, o United procurava a bola no seu meio campo, sem nunca conseguir entregar esta ao jeito dos seus perigosos avançados.

 

Resultado final, 2-0, golos de Eto'o e Messi.

 

 

Dois anos volvidos, as duas formações voltaram a defrontar-se desta vez em terreno bem mais Anglosaxónico: estádio de Wembley, não o velhinho míto do futebol, mas o remodelado, construído a pensar em grandes finais. Esta será talvez a sua estreia em momentos históricos.

 

Em 2011, Fergie não poderá contar com Ronaldo, que se transferiu depois da final de Roma para o Real Madrid, mas continuará a dispor do mesmo núcleo duro do plantel de 2009.

Giggs, Scholes, Van der Saar, Fernidand... experientes jogadores que resistem à passagem do tempo em grande nível, refinados pela experiência acumulada no caso de alguns, em mais de 20 anos de futebol ao mais alto nível.

Para além destes "jovens", outros procuram colocar o seu nome na história do Manchester, explodindo no futebol de elite. São os casos de Nani, Javier Hernandéz, Rafael, Anderson ou até mesmo o mais rodado Valência. Ao seu lado, Rooney, Carrick, Vidic ou Berbatov, garantem uma formação de altíssimo rendimento, com jogadores de diferentes gerações, mas com a mesma filosofia.

Basta olhar para o entusiasmo de Fergunson, para perceber que este United continua a ter, um carisma especial que fez dele um dos mais bem sucedidos clubes da última década.

 

Do lado do Barcelona, e passada a fase dos "4 clássicos" com o Real, na qual de resto apenas registou como resultado negativo a perca do título da Taça do Rey, Guardiola conta com um plantel de luxo, muito próximo do de 2009.

Saíram desde então jogadores como Eto'o, Henry ou Rafael Marquéz, entrando David Villa, Mascherano ou Afellay, mas sobretudo, mantendo o padrão e a capacidade competitiva.

No ano passado, ficaram pelo caminho contra o Inter de Mourinho, entregando o título de campeão europeu para um futebol de cariz mais pragmático (sem fazer juízos de valor). Esta temporada, com um perfume reforçado, o Barcelona quererá certamente deixar nova marca eterna no futebol mundial.

 

 

No novo Wembley, a atitude perante o jogo das duas equipas deve ser próxima daquela que marcou a final de 2009.

 

O United, esta temporada ainda mais pragmático em termos europeus do que o normal, apresentará um meio campo reforçado na zona central, talvez mesmo ensaiando um 4x3x3, que mais não é do que um 4x1x4x1 a atacar.

As linhas de meio campo e defesa, devem jogar próximas, tal como na meia final contra o Schalke, adversário, diga-se, que apesar de todo o mérito, tinha bem menos qualidade do que o Barça.

A pressão defensiva deve principiar apenas na zona do centro do seu meio campo defensivo, deixando as alas e zonas recuadas para o Barcelona trocar a bola. O centro de jogo deve ser reforçado, visando impedir que Messi, como fez à dois anos, tenha a bola em zonas centrais de criação, obrigando, tal como aconteceu a espaços contra o Real, o argentino a voltar à direita.

 

Arrisco então (com margem de erro visto a distancia no calendário para 28 de Maio) o seguinte onze:

 

...........................Van der Saar..............................

Rafael.............Fernidand....Vidic........................Evra

Park...............Carrick......Scholes(ou Fletcher)...Nani

................................Giggs.......................................

...............................Rooney.....................................

 

Neste onze, Ferguson pode fazer variar Nani e Park de flanco, embora, contra Daniel Alves, seja ideal jogar mesmo Nani. A hipótese Valência parece mais afastada, visto a necessidade de jogadores mais polivalentes, ou seja, na posição em causa que joguem tanto à esquerda como à direita. Anderson deve ficar no banco, depois do erro de casting de 2009. Já Fletcher seria o jogador ideal para fazer de Pepe, ou seja, deixar Messi sem espaço para jogar. O problema é que passou a temporada lesionado, por isso Scholes deve ser a opção que mais garantias oferece.

A grande dúvida no entanto, será a colocação, ou não, de Chicarito, ou mesmo de Berbatov, no eixo de ataque. Ai, o sacrificado puderia ser Nani, deixando a meia esquerda para Rooney...

 

Do lado da equipa culé o onze incial é muito mais óbvio. Sem problemas físicos (típicos nesta fase da temporada) serão:

 

......................Valdés......................

.................Puyol....Piqué................

Daniel.........Busquets..........Adriano

..........Xavi..................Iniesta.........

Pedro...........Messi.............Villa......

 

Em principio a grande baixa será Abidal, ainda numa fase muito débil depois de graves problemas de saúde.

A dúvida consta no upgrade tático, que tal como há dois anos aconteceu, pode ser decisivo. Não se perspetiva no entanto essa modificação. Acontecendo, talvez passasse por colocar Afellay, provavelmente sobre a direita no lugar de Pedro, podendo durante o jogo trocar de posto com Iniesta.

Algo mais arrojado, parece ter estado no pensamento de Guardiola, que em vários jogos da primeira metade do campeonato, sempre que utilizava uma segunda linha de jogadores, vez evoluir em campo um 3x4x3, mas que não passará para já de uma ideia de longo prazo talvez... mas mesmo neste Barça incrível, de difícil execução.

 

 

Nota: Devido a impedimento pessoal o artigo sai com 1 dia de atraso. A todos os leitores peço encarecidas desculpas.

 

 

 

By Tiago Luís Santos

 

 

 



publicado por Minuto Zero às 19:07
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Sábado, 30 de Abril de 2011
Quando um "estranho" se torna o protagonista

Um dos jogos mais aguardados da época, a primeira parte da mais esperada jornada europeia. Em campo, pela 3 vezes em pouco mais de 10 dias, Barcelona e Real Madrid voltam a repetir um duelo que vai muito para além do futebol.

 

Durante a semana, o pré-jogo habitual de José Mourinho levou Pep Guardiola a sair do seu habitual discurso cuidado, colocando o na área de conforto de José Mourinho, os chamados mindgames, desta vez muito focados na questão das arbitragens. 

 

Em campo, o Real entra no Santiago Barnabeu em 4x3x3, repetindo a formula que venceu a Copa do Rei dias atrás.

Sem Ricardo Carvalho e Sami Khedira, Mourinho optou pelo seguinte onze : Cassilhas; Arbeloa, Ramos, Albiol, Marcelo; Lass, Xabi, Pepe ; Ozil, Ronaldo e Di Maria, desenhando um 4x3x3, que em momento defensivo deixa apenas Ronaldo na zona central do ataque, formando um 4x1x4x1, que deixa ainda Xabi Alonso mais próximo do eixo-defensivo. Ronaldo é, mais uma vez, o solitário avançado, caindo exporadicamente na ala direita, deixando a esquerda para as rápidas incursões de Di Maria. Mesut Ozil, parece colocado à direita, mas sempre com o centro como referência nas suas movimentações.

A principal cambiante tática esta no entanto no meio-campo, onde Pepe se coloca como interior, espaço onde pode fazer uma marcação mais eficaz aos espaços onde Messi habitualmente aparece para receber a bola. Um marcação serrada, não ao homem (ou a pulga) mas sim ao seu espaço de influência. Ao seu lado o Trilha-milhas Lassana Diarra, médio de grande intensidade.

 

Do lado do Barça também um onze com várias baixas de vulto. Sem Iniesta, lesionado, Adriano e Maxwell , habituais laterais esquerdos, Guardiola coloca a equipa no seu habitual 4x3x3, com Valdés; Dani Alves, Mascherano, Piqué, Puyol; Busquets; Xavi , Keita; Pedro, Messi e Villa.

Inpedido de alinhar com os seus laterias esquerdos, Puyol entra no onze alinhando no lado esquerdo da defesa, posição que não lhe é de todo desconhecida, sendo que no entanto seria sempre bem mais comedido em termos ofensivos do que o habitual. Na outra lateral, Daniel Alves, com Marcelo e Di Maria pela frente estava avisado para ser bem mais cuidadoso nas subidas do que o normal. O brasileiro apenas se libertaria na fase final do encontro.

No eixo, Mascherano, baixinho, aparece como central, para jogar sobretudo na antecipação a Ronaldo, dobrando Piqué patrão do séctor. Esta opção liberta Busquets na posição de pivot, onde sem Iniesta por perto, Guardiola lhe pediu que assumisse muito mais vezes a condoção de bola do que o habitual, ficando Keita nas compensações.

 

Com 11 jogadores de cada lado, o jogo parecia correr de feição a José Mourinho, impedindo o Barça de criar situações de perigo, mantendo as linhas juntas e impedindo que o Barça troca-se a bola nas imediações da área de Cassilhas. O objectivo era conseguir a bola na sua primeira zona defensiva, bem baixa no terreno, possibilitando rápidos lances de contra-ataque.

 

Depois o arbitro decidiu tornar-se a figura do encontro, para mal do futebol. Mostrou o vermelho a Pepe, num lance em que o português tem uma  entrada pouco cuidadosa, que poderia de facto, se tivesse acertado no adversário, posto em causa a sua aptidão física. Não acertou, mas mais do que tudo, Wolfgang Stark, sempre com critério desequilibrado, assumiu o protagonismo e mostrou um vermelho que embora compreensível pela perigosa entrada, condicionou o jogo e a eliminatória de forma absoluta.

 

Já com Abebayor em campo, colocado ao intervalo no lugar do inconsequente Ozil, muito para aproveitar a incapacidade no jogo aéreo do Barça e segurar a bola de costas para a baliza, o Real vê-se reduzido a 10 e sobretudo, vê-se sem o principal guarda de Messi.

 

Não se deslumbrou no entanto a equipa de Guardiola, tendo o mérito de ter sabido aproveitar a superioridade numérica. 15 minutos após a expulsão de Pepe, os génios individuais de Afellay, recém entrado, e de  Lionel Messi averiam de virar o jogo de pernas para o ár. O segundo golo da pulga coloca-o numa dimensão estrato-esférica, para ver e rever.

Pena é que tenha sido Wolfgang Stark a chamar a si o protagonismo, quando em Madrid se viram verdadeiros hinos ao futebol.

 

Para a história: Real Madrid 0 - Barcelona 2 e Lionel Messi... o futebol encarregar-se-á de fazer esquecer o nome do arbitro da partida.

 

Na próxima quarta-feira, o Real Madrid visita a capital Condal, com uma enorme desvantagem no marcador, mas também sem Sergio Ramos (suspenso por acumulação de amarelos), Pepe (expulso) e José Mourinho, que para além de expulso do jogo arrisca ainda suspensão depois das suas palavras na conferência de imprensa.

 

2. Deixo ainda o destaque para a excelência do futebol demonstrada pelo Futebol Clube do Porto a meio da semana... um jogo para mais tarde recordar e a promessa de que este Porto puderá ainda dar muito que falar esta temporada.

 

 

 By Tiago Luís Santos

 

 


 

 

 



publicado por Minuto Zero às 11:55
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Quinta-feira, 28 de Abril de 2011
Final Four UEFA Futsal Cup

 

Um ano volvido à inédia conquista da Uefa Futsal Cup por parte do Benfica, Portugal volta a entrar na pole do melhor futsal europeu, desta feita com dois representantes, algo que é mais uma vez uma marca histórica nunca antes conseguida.


Benfica e Sporting, campeões europeu e  nacional respetivamente, entram na Final Four da competição, a relizar de sexta a domingo no Cazaquistão, como principais favoritos. Pela frente a equipa da casa o Fc Kairat Almaty e ainda o Montesilviano de Itália, país que se volta também a colocar na rota do melhor Futsal de clubes depois de já no ano passado ter sido representado pelo Luparence (eliminado nas meias finais pelo Benfica).

 

Mais uma vez, o sorteio ditou que o agora campeão em título Benfica enfrentasse na meia final a equipa italiana.

De à um ano atrás as diferenças na equipa Lisboeta  são de facto algumas: mudou de treinador, resgatando ao Sporting Paulo Fernandes, treinador campeão nacional e deixou sair o seu maior desequilibrador, Ricardinho, para o campeonato Japonês, algo que promoveu sobretudo alterações na sua dinâmica coletiva. O resultado até agora tem sido positivo, com uma época imaculada na liga portuguesa e presença assegurada na final da taça de Portugal (vs Sporting dia 8 de Maio).
Se o novo Benfica da Paulo Fernandes é hoje uma equipa menos dotada no 1x1 ofensivo, ponto onde Ricardinho era de facto preponderante, a verdade é que a equipa parece mais "oleada" tanto em termos ofensivos como defensivos, apoiando-se na experiencia de jogadores internacionais como Costinha, Arnaldo, Gonçalo Alves ou Joel Queirós. Será na experiencia e na maturidade dos seus jogadores que o Benfica se apoiará, partindo talvez pelo currículo recente como favorito à vitória, não só contra o Montesilviano mas também na competição. Quanto aos italianos fica a nota de não serem a nível interno uma potencia amplamente reconhecida, com esporádicos bons resultados, apesar da equipa repleta de internacionais italianos onde se destaca obviamente Adriano Fogglia estrela da seleção azzurra.

 

 

 

 

 

 

Quanto ao Sporting, e depois da épica exibição contra o El Pozo Múrcia, campeão espanhol, tudo passa a ser possível.

A perspetiva de uma final contra o Benfica, equipa que derrotou na final dos playoff do campeonato nacional do ano passado, coloca a turma de Alvalade numa situação de motivação máxima, até porque, sem equipas espanholas ou russas na prova, as duas equipas nacionais serão teoricamente as mais cotadas.
Orientados agora pelo ex-selecionador nacional Orlando Duarte, os leões apresentam uma equipa reforçada com novos valores os quais têm mostrado boas indicações. Para além dos reforços Marcelinho, Cary, Paulinho ou Leitão, jogadores de craveira internacional como João Benedito, Cardinal ou João Matos são garantia não só de um plantel robusto e com soluções, mas também de uma capacidade de jogar em várias variantes táticas.

Pesa contra a equipa do Sporting a menor experiencia e currículo do que as águias, e ainda o facto de esta temporada ainda não terem vencido nenhum derby.

Pela frente o Kairat, equipa da casa, que como habitual em equipas desta zona do globo "importou" uma quantidade quase obscena de jogadores brasileiros, os quais junta a alguns internacionais pelo Cazaquistão.

São por isso boas prespétivas, numa oportunidade única para uma inédita final portuguesa... por terras do Cazaquistão.

 

 

 

 

 

 

By Tiago Luís Santos

 

(artigo escrito à luz do novo acordo ortográfico)



publicado por Minuto Zero às 22:07
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Sexta-feira, 8 de Abril de 2011
Porto Campeão 2010\2011

1.Vencendo o arquirival na sua própria casa, o Fc Porto de Vilas Boas tronou-se pela 25 vez campeão nacional. Fica assim a 6 títulos do recorde do Benfica, o qual mais uma vez não consegue sustentar um ciclo de vitórias na liga.

No final da partida do título é interessante ouvir as palavras de André Vilas Boas, nas quais fala da identidade dos dragões, e sobretudo da sua imotabilidade.

Em termos de esquema mantem-se o 4x3x3 que foi imposto na “era” Jesualdo Ferreira, com meio campo em 1x2 (Fernando, Moutinho e Bellushi ou Guarín). Em termos dinâmicos no entanto, André Vilas Boas trousse para o Dragão uma ideia de 4x3x3 em “várias velocidades”.

Falando sobre o Benfica, o qual havia minutos antes derrotado, Vilas Boas chamou-lhe de “equipa que joga sempre na vertigem da velocidade”, sobretudo remetendo para as transições ofensivas dos encarnados. Em 4x1x3x2, mas sobretudo olhando para o meio campo com Salvio, Gaitan e Aimar, vemos 3 médios de caracteristicas ofensivas, todos eles com tendencia para o transporte de bola: Salvio mais próximo da faixa,forte no 1x1 e na acelaração, Gaitan partindo da esquerda mas mais em posição interior na procura de tabelas curtas, e Aimar que “esconde” a bola do adversário e a faz “aparecer” no ataque. Para trás fica apenas Javi Garcia, um pouco mais adiantado do que na época passada, tentando em antecipação cobrir as percas de bola dos seus interiores\alas- daí a inpetuosidade excessiva em alguns lançes.

Olhando para os Dragões, a equipa parece no entanto ter um “batimento cariaco diferente”. A própria forma como são cobrados os pontapés de baliza de Heltón indiaca que o Porto inicia a transição em posse, baixando o ritmo do jogo e obrigando o adversário a desgastar-se, sobretudo quando em resultado adverso. Ao entrar nos centrais, logo os lateriais abrem ambos nas faixas, fazendo o campo ganhar largura, ao mesmo tempo que Fernando, peça chave do meio campo, baixa para junto dos centrais tentando oferecer linha de passe de recurso. Acompanhando o movimento ora Moutinho, ora Bellushi baixam para vir receber a bola, que entretanto entra ora no lateral, ora mesmo no pivot, quando este tem tempo e espaço para rodar. Transição apoiada, com bastantes troca de bola, longe das vertigens de Gaitan, Sálvio, ou mesmo do acelarado lateral Coentrão.

Apesar da tendência dos 4x3x3 em Portugal ser para a bola chegar o mais rápido possível aos extremos, pedindo-lhes que sejam eles a agarrar a bola ainda a 30 ou 40m da baliza adversária, no caso do Porto ocorre uma situação mutável: ora em transição de posse os extremos (Hulk, Varela e até mesmo James) foguem para as laterias para dar maior largura, aparecendo so em diagonais nos ultimos metros de terreno, ora, sobretudo recorrendo a Hulk, a equipa coloca uma bola mais longa, numa transição mais rápida, pedindo a Hulk que queime as etapas da transição. Na fase de grupos da liga Europa e no primeiro jogo contra o Benfica este foi o modelo utilizado durante grande parte do tempo, e com muitos golos e lançes do brasileiro como resultado.

 Para gerir os batimentos sincronizados do Dragão, Fernando e João Moutinho controlam os ritmos, gerindo a posse de bola, sem nunca perder de vista a possiblidade real de a perder para o adversário.

 

 

2. Importante também a capaciade de Vilas Boas recriar e criar novos jogadores. Guarin, James, Fucile, Sapunaru são exemplos de suplentes de excelencia, que para além de substituir acrescentam algo de novo a cada partida.

Muita da capacidade deste Porto vem do entendimento que faz das diferentes fases pelas quais passa um jogo. Nesse ponto, não só as variações na dinâmica de jogo das quais falei são os unicos exemplos.

A capacidade para fazer entrar mais do que jogadores, novas armas no jogo, utilizando as substituições, parte de um trabalho bem orientado pela equipa técnica. Tal como não existem jogadores iguais, todas as substituições trazem algo de novo que não o renovar da condição física.

O melhor exemplo será sem dúvida Guarín. Começou a época como pivot, suplente de Fernando. Acabou como interior, sua posição de origem, aproveitando não só a sua capacidade física, como sobretudo a grande tendencia para aparecer em zonas de finalização, fazendo valer o excelente pontapé. O resultado foram mais do que os golos decisivos, muitos mais minutos jogados.

James é outro caso, ainda não tão reconhido como o compatriota, vai vivendo da suplência de Varela sobretudo. Se o ex-Sporting se destaca pela verticalidade e poder de acelaração, sempre em passada larga, James vive de diagonais para o espaço interior, na busca do passe ou remate dentro de área. Na sua formação foi médio ofensivo, na meia esquerda, muito na lógica do 10\ala do futebol sul americano da atualidade… na europa e no Porto tem de aprender a fazer valer o seu futebol em sistemas táticos mais posicionais.

 

 

fonte: record.xl.pt

 fonte: record.xl.pt

 

 

 

By Tiago Luís Santos

 

 

 



publicado por Minuto Zero às 20:09
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Sábado, 26 de Março de 2011
O actual Sporting
Seja qual for o resultado das eleições, seja quem for o novo presidente do Sporting Clube de Portugal, está visto que algo tem de mudar.

Todos os candidatos falam na formação como uma arma preponderante para o Sporting dos próximos anos, diga-mos no entanto que uns com mais propriedade do que outros.
É incrível ouvir homens que conhecem o futebol e trabalham nele há anos dizer que já na próxima temporada o plantel principal contará com 5 a 6 jogadores juniores... ao ouvir isto penso logo, mas quais?? Sinceramente dos jogos que vi do Sporting sub-19 vejo apenas um jogador com clara capacidade para ser sénior, mas mesmo este não deverá fazer parte do plantel principal na próxima época. Falo de Ricardo Esgaio, jovem lateral-direito, mas que é mais do que isso... é ala e por vezes (sobretudo na selecção) até extremo. Têm uma resistência fora do normal e capacidade técnica acima da média, para além de condição natural para a posição de lateral fora de série é verdade. Precisa de crescer no futebol sénior.

Por falar em laterais, Cédric Soares vive na sombra de Abel (em fim de contrato) e do inquestionável João Pereira na equipa principal. Precisa de oportunidades e sobretudo de sentir que é parte integrante da equipa. Tem boa capacidade física e é bastante forte a atacar. Também ele precisa de minutos como sénior.

São ambos boas perspectivas para o futuro, curiosamente até para a mesma posição.
Curiosamente também, parece ser o lado direito da defesa a posição na qual a linha recuada do Sporting parece ter um grupo mais competente de jogadores. Na esquerda, as prestações de Evaldo têm sido aquém das expectativas, depois de várias grandes épocas em Braga. Grimi, deixou à muito de ser uma promessa, mostra-se um jogador demasiado frágil para ser opção válida, sendo que a sua venda (tem mercado na América do sul e Itália) deverá ser uma boa opção.

Ao centro os principais problemas. Carriço teve uma época complicada. É sem dúvida o melhor central dos leões mas precisa ainda de crescer, e para isso vai precisar de um central de grande qualidade ao seu lado. Polga perdeu a velocidade de outros tempos, Torseglieri é uma boa ... 2ª escolha, enquanto Nuno André Coelho parece não agradar aos dirigentes sportinguistas apesar do seu reconhecido valor. Falta um grande central, para além de definir qual o papel de Nuno André no plantel.

No meio-campo, o duplo-pivot tem sido composto por Pedro Mendes e André Santos. Se o primeiro estará perto do final da carreira, o segundo tem estado a um bom nível depois de uma extraordinária época em Leiria. É jogador para o futuro do Sporting e quem sabe da selecção nacional. Maniche parece um jogador triste, de mal com o jogo, dúvido que fique no Sporting até porque se sabe que não têm uma personalidade fácil. Zapater é claramente um bom jogador, e pode ser melhor aproveitado do que foi este ano. Caso não agrade ao futuro treinador é jogador com boas perspectivas de mercado.

Para as alas, Vuk e Izmailov devem ter rota de marcha. São sem dúvida dois dos mais talentosos jogadores do nosso campeonato, mas tendo mercado, e sobretudo tendo o histórico de problemas com a direcção devem mesmo para bem das suas carreiras seguir rumo ao leste europeu. Cristiano foi opção de Paulo Sérgio, é bom jogador sem dúvida, mas o seu curto contrato indica que não deve ficar por muito tempo.
A aposta parece recair sobre Diogo Salomão, uma pérola de 22 anos, que precisa urgentemente de minutos nas pernas para poder chegar ao grande nível que todos dele esperam.

Sobram os chilenos:  o "10" Matias Fernandez, um jogador talentoso mas com sérias dificuldades em ser regular. Veremos o que o futuro lhe reserva; e ainda Valdés, claramente um dos valores em quem os leões devem apostar, até mesmo para o seu tão falado 4x3x3...

No ataque mais problemas. Saleiro é claramente jogador banal, longe do nível que se espera. Djálo vem caindo cada vez mais para uma das faixas, mostrando no entanto que está longe do nível que o seu talento merecia, muito pelo que se percebe por culpa própria. Hélder Postiga foi figura de destaque esta temporada e por isso deve ter garantida a manutenção no plantel.

Para terminar esta análise, na baliza Patrício vem marcando o seu espaço como o mais promissor guarda-redes português, apesar desta posição não ser unânime. Hildebrand ganha demasiado para o tempo que joga... Tiago é apenas o eterno 3.

By Tiago Luís Santos


publicado por Minuto Zero às 16:56
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Segunda-feira, 21 de Março de 2011
Sorteio Liga Europa
Do decisivo sorteio de Nyon na passada sexta-feira saí mais um importante facto que apoia a candidatura lusa a uma vitória na segunda edição da Liga Europa. Nenhuma das equipas portuguesas teve em sorte outra, pelo que os emparelhamentos ditaram que Portugal possa ter nas meias finais da competição 3 equipas ainda em prova.
No entanto para lá chegar à que primeiro ultrapassar os novos desafios colocados pelo sorteio.

O "quase" campeão Futebol Clube do Porto volta a encontrar uma equipa russa, curiosamente tendo de jogar a segunda mão em Moscovo no mesmo estádio, e no mesmo relvado sintético, no qual derrotou o Cska na primeira-mão dos Oitavos de Final. O adversário é agora um menos conhecido talvez Spartak mas que promete trazer dificuldades acrescidas.
Com a segunda mão fora de portas, os dragões terão certamente de impor o seu futebol no Dragão, fazendo valer o favoritismo logo nos primeiros 90 minutos.
Pela frente uma equipa repleta de jogadores estrangeiros onde se destaca o ex-Internacional, mas à muito radicado em Moscovo Alex, camisola dez estilo algo lento, mas com uma enorme capacidade de passe e criatividade. Ele é o epicentro de um 4x2x3x1 com diferentes velocidades. Se pelo centro Alex faz a bola correr bem mais do que ele próprio, pelas faixas os talentosos Aiden McGeady e os gémios Kamborov garantem repelões que fazem abanar as defesas adversárias. No ataque surge solto Wellinton, mais um brasileiro "vive" solto na busca de diagonais e espaços por entre os centrais, parecendo no entanto algo desapoiado por vezes, algo que só muda com a entrada de Ari (outro brasileiro) ou Obukhov, ambos mais físicos e posicionais do que Wellinton.
No duplo-pivô de meio-campo, Ibson (ex-Porto) é o box-to-box que transporta a bola para transições rápidas, deixando em Alex para este passar um pedra de gelo na partida e adormecer o adversário com bola.
Uma equipa de rotações baixas, que vive muito de repelões dos talentosos alas.

Quem vai ter de jogar também no leste Europeu será o Braga, avizinhando-se uma deslocação na segunda-mão de alto risco a Kiev para defrontar o Dynamo local.
Considerado por muitos um dos mais sérios candidatos á conquista do trofeu, e uma das equipas revelação (a par do Braga também) da Europa do futebol, o Dynamo de Yuri Simin junta o que de melhor a formação ucraniana produz, com alguns talentos estrangeiros.
Distribuidos num 4x2x3x1, que será mais um 4x2x2x1x1, coloca o redimido Shevchenko nas costas do potente avançado internacional ucraniano Milevsky, como 9,5 procurando diagonais curtas em busca do remate. Nas faixas soltam-se os talentos formados também eles no clube Yarmolenko, um avançado que cai bem nas faixas e Alyev, médio-ofensivo ucraniano, podendo também surgir Ninkovic médio-ala Sérvio.
No pivô de meio campo o nigeriano Yussuf apoiado pelo croata Vukojevic formam uma dupla de grande intensidade dando aos homens da frente a segurança e equilíbrios necessários.

Deslocação bem mais cómoda terá o Benfica, que depois de eliminar o PSG em Paris terá pela frente o PSV, equipa que traz amargas recordações aos encarnados.
Se é verdade que o Benfica finalista da Taça dos Campeões Europeus tinha de facto um nível superior ao actual clube da Luz, a verdade é que o PSV tarda em dar resposta acabada aos dourados anos 70 e 80 onde conseguia grandes resultados a nível europeu.
Num estilo tipicamente holandês, surge em campo no seu habitual 4x3x3, com duplo-pivô no meio campo (Hutchinson e Engelaar) ambos jogadores de enorme capacidade física (1,87 e 1,97m respectivamente) mas que apesar da estampa física garantem uma amplitude de movimentos considerável. Depois surge Toivonen, avançado sueco que caí para uma zona recuada, tornado-se sobretudo um falso 10, sempre pronto a juntar se ao compatriota Berg um dos novos valores do futebol nórdico.
Nas alas Duzcudzac e Lens, surgem como elementos de risco. O primeiro é talvez o jogador que mais se destaca na formação holandesa: esquerdino, rápido e com capacidade técnica acima da média. Quanto a Lens é uma das boas promessas de extremo holandesas, rápido e incisivo no 1x1. À atenção de Maxi e Coentrão.

By Tiago Luís Santos


publicado por Minuto Zero às 12:13
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