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Minuto Zero

A Semana Desportiva, minuto a minuto!

A Semana Desportiva, minuto a minuto!

Minuto Zero

11
Out10

Segunda é o dia

Minuto Zero

Entradas e saídas

Na passada terça-feira, 5, feriado nacional, os telespectadores do programa Trio d’Ataque, da RTP N, puderam assistir a um momento insólito no programa. Discutiam-se as novas escutas do caso Apito Dourado, divulgadas no Youtube, e a conversa entre Rui Moreira, adepto do FC Porto, e António-Pedro Vasconcelos estava ao rubro. E a discussão estava tão quente que, a certo momento, Rui Moreira se levantou e abandonou o programa, por não querer compactuar com um “auto de fé” contra o seu clube.
Seguramente que a atitude de Rui Moreira teve como principal catalisador a forma intensa como estava a viver a discussão e que, se tivesse ponderado um pouco calmamente, não teria abandonado o programa. Claro que isso não desculpa o que fez. Como comentador, é pago pela RTP para fazer aquela participação, portanto nada desculpa que tenha saído do programa em directo.
Entretanto, a direcção da RTP N decidiu e, a meu ver, muito bem, dispensar o comentador. Apesar de admirar o seu trabalho no programa, a sua atitude é indesculpável. Sai Rui Moreira, entra um novo comentador que, segundo informação do próprio clube, não terá o seu apoio.
Na Selecção Nacional, esta semana aconteceu a primeira entrada em campo do novo seleccionador. E quase assistimos a um “fenómeno Paulo Bento”. Enquanto treinador do Sporting, foi dos mais “gozados” dos últimos anos. Ora pela forma como falava, ora pelo que dizia, ora pelo seu estilo ou até pelo seu penteado, Paulo Bento foi sempre comentado na opinião pública sobretudo enquanto figura e muito pouco como treinador.
Depois dos 3-1 à Dinamarca, já ninguém se lembra do famoso “risco ao meio”, nem da “tranquilidade”, nem das pausas a falar. Paulo Bento mostrou, para já, profissionalismo e capacidade para o cargo que assumiu (Queiroz perdeu com a Dinamarca em Alvalade). Mas, mais que isso, Paulo Bento mostrou um estilo totalmente diferente de Queiroz. A simplicidade do novo seleccionador contrasta com a arrogância do antigo e, para já, os resultados estão do lado de Bento. Sai Queiroz e entre um Paulo Bento que, para já, é salvador.
Agora, já não interessa se foi treinador do Sporting ou não e se, nessa categoria, gostávamos ou não dele. Agora é o seleccionador nacional e, como disse Mourinho, é nosso e, por isso, é o melhor.
Para finalizar, uma breve nota para Nélson Oliveira, ciclista português de que falei na semana passada. Os seus bons resultados, entre os quais o 4º lugar no contra-relógio dos mundiais de estrada, não passaram despercebidos e grandes equipas já o querem contratar. Oliveira está, para já, sem contrato para a próxima época e uma das mais fortes possibilidades é juntar-se a Sérgio Paulinho, Tiago Machado, Manuel Cardoso, José Azevedo (director desportivo) e ao mecânico da equipa, também português, na formação de Lance Armstrong. Boas notícias para o ciclismo português!

by João M. Vargas
04
Out10

Segunda é o dia

Minuto Zero

Quando as pernas não chegam…
Numa semana de campeonatos do mundo de estrada, o ciclismo continua ensombrado pelo maior flagelo dos últimos tempos na modalidade: o doping. E algo que me parece difícil compreender é como é que ainda há tantos ciclistas que acusam positivo.
Hoje em dia, os controlos anti-doping são tão frequentes como as próprias corridas. E as detecções de casos positivos são tão frequentes que podemos assumir que é muito difícil escapar. Assim, impõe-se a pergunta: o que é que pensa um ciclista quando utiliza doping? Porque é certo e sabido que, quase seguramente, vai ser descoberto.
Poderíamos assumir que os ciclistas não sabem que estão a usar substâncias proibidas. Aliás, quando começou a famosa Operación Puerto, muitos foram os ciclistas que se defenderam dizendo que desconheciam que usavam doping e que tudo não passava de um estratagema do médico da equipa. Mas a verdade é que, ainda que isso fosse verdade, não justifica todos os outros controlos positivos. Até porque grande parte dos ciclistas que acusa doping acaba por admitir o seu consumo.
E o que mais choca no doping no desporto, em especial no ciclismo, é quando vemos que os grandes campeões são os primeiros a usá-lo. E é difícil elencar todos os casos de vencedores de grandes voltas que já acusaram positivo e, quase sempre, depois de grandes exibições nas provas em que participaram. Recorde-se a soberba recuperação de muitos minutos que Floyd Landis fez no Tour de 2006, em solitário, e que lhe permitiu vencer a prova; meses depois, foi desqualificado por doping. E dois anos depois, Bernhard Kohl surpreendeu com um terceiro lugar que, afinal, não merecia. Ou Roberto Heras, que perdeu a Vuelta de 2005, também por doping, apesar de continuar a reclamar inocência. Ou os italianos Danilo di Luca e Ivan Basso, ambos vencedores do Giro e ambos já castigados por doping. Ou Vinokourov (vencedor da Vuelta em 2006) e Valverde (vencedor da Vuelta em 2009). E, bem perto de nós, toda a equipa da Maia, que abandonou o ciclismo após um escândalo de doping. Ou Nuno Ribeiro, vencedor da Volta a Portugal em 2003, que depois se transferiu para a Liberty Seguros onde foi apanhado na teia da Operación Puerto; Em 2009, foi-lhe retirada a segunda vitória na Volta desse ano, por consumo de doping nesse ano.
E agora, rebentou o mais recente escândalo. Ezequiel Mosquera, que fez um “fantástico” segundo lugar na Vuelta deste ano, afinal estava dopado. E, pior que isso, o campioníssimo Alberto Contador vê a sua vitória deste ano no Tour em risco, depois de ter também ele apresentado vestígios de uma substância proibida.
A pergunta que fica, depois de tantos casos é: será que vale a pena? Qual é a vantagem em consumir doping se, depois, se é descoberto? Perdem-se os títulos, perde-se a credibilidade. Só se ganha o dinheiro. É um facto: por muito que se descobrisse que Armstrong estava dopado nas suas sete vitórias do Tour (como muitos insistem em manter), já ninguém lhe tirava o dinheiro que ganhou enquanto ciclista.
Sinceramente, não quero acreditar que alguém usa doping só para vencer e lucrar com isso. Pelo menos, temos que pensar assim, se acreditamos no ciclismo. Porque ainda há ciclistas que correm com paixão e sem batota. E não precisamos ir muito longe: olhemos para o nosso Sérgio Paulinho e vejamos o que é um ciclista a sério. Pode não ganhar grandes voltas, mas é mais ciclista que Vinokourovs e Valverdes.
Antes de terminar, uma última palavra de felicitação para o jovem Nélson Oliveira que, esta semana, foi quarto classificado na prova de contra-relógio sub-23 dos mundiais, que decorreram na Austrália. Poderá muito bem ser mais um grande ciclista português num futuro próximo e, para já, está sem equipa.

By João M. Vargas