Domingo, 5 de Junho de 2011
Área de Ensaio

All-Blacks

 

      

        27 De Novembro de 2010. Millenium Stadium, País de Gales. Defrontam-se, neste dia, País de Gales e Nova Zelândia numa partida amigável. Ao minuto 51, o Asa Neo-Zelandês Daniel Braid comete uma penalidade e vê o cartão amarelo que o coloca de fora do jogo nos 10 minutos seguintes. O resultado nesta altura é de 13-9 a favor da equipa do Hemisfério Sul. Na sequência da falta, o Médio de Abertura galês Stephen Jones chuta aos postes e coloca o resultado em 13-12. Com apenas um ponto a separar as equipas, e o País de Gales a jogar com mais um homem, espera-se uma quebra anímica dos All-Blacks e uma subida de rendimento por parte dos galeses que os leve a vencer a partida.

       Contudo, o episódio que se passou de seguida veio demonstrar o que é o rugby Neozelandês. Depois de uma série de ataques bem parados pela defesa galesa, a bola chega à linha, onde o ponta Hosea Gear marca um ensaio que acaba definitivamente com as aspirações galesas de uma vitória. Dan Carter, com uma conversão difícil, coloca o resultado em 20-12. A Nova Zelândia acaba por vencer o jogo por 37-25.

       Este episódio demonstra aquilo que para mim é a maior qualidade do estilo de jogo dos All-Blacks, um espírito incrível e, acima de tudo, uma capacidade tremenda de, quando o adversário parece estar por cima, eles virarem o jogo.

       A Nova Zelândia é, sem dúvida alguma, uma das selecções mais famosas do rugby mundial. E contribuiu para isso, por exemplo, o facto de interpretarem o “Haka”, a dança de guerra Maori, antes dos jogos ou jogarem sempre com o seu equipamento integralmente preto. Contudo, aquilo que mais visibilidade deu e continua a dar aos All-Blacks é a sua forma de jogar. Para além da mentalidade guerreira, existem outros aspectos do jogo Neozelandês que se destacam em relação às restantes equipas mundiais. Apesar de sempre ter tido grandes avançados, é nos defesas que a Nova Zelândia se destaca. Jogadores rapidíssimos, com um controlo de bola fenomenal e uma capacidade de passe que, só por si, é capaz de abrir buracos nas defesas contrárias, é isto a imagem dos defesas neozelandeses.

       Ao longo das décadas, a Nova Zelândia tem sempre apresentado grandes equipas, não só nas competições internacionais mas também nos jogos amigáveis em que tem vindo a participar, por isso mesmo a IRB, nomeou os All-Blacks como “Equipa do Ano” em 2005,2006 e 2008, sendo esta a mais bem sucedida equipa da história do rugby.

      Além disso, vários jogadores históricos têm surgido nas fileiras desta selecção: nomes como o Talonador Sean Fitzpatrick, os Pontas John Kirwan e Doug Howlett (o jogador com mais ensaios), ou, mais recentemente, o Centro Tana Umaga, o Médio de Abertura Dan Carter ou o Asa Richie McCaw. E, obviamente, aquele que é por muitos considerado o melhor jogador de sempre, Jonah Lomu.

       O que tem faltado aos All-Blacks tem sido a vitória no Rugby World Cup. Em 6 edições, venceram apenas uma (1987) e jogaram-na em casa. Em 2007, por exemplo, foram eliminados pela surpreendente Argentina, e mais uma vez não corresponderam às expectativas. O problema tem sido mesmo este, partem sempre como favoritos e acabam por sucumbir à pressão. Em termos de Tri-Nations Cup, a grande competição do hemisfério Sul, aí dominam de longe sobre África do Sul e Austrália, tendo vencido dez edições contra apenas três dos sul-africanos e duas dos australianos.

      No Campeonato do Mundo deste ano partirão, mais uma vez, como favoritos.

      Os jogos de Julho/Agosto servirão para mostrar se a forma que apresentaram no final do ano passado se mantém ou não, e se existe alguma equipa que lhes consiga fazer frente.

       Neste momento, no panorama internacional, apenas a África do Sul e a Inglaterra parecem ser capazes de fazer frente à Nova Zelândia, mas também em 2007 ninguém esperava uma vitória argentina e ela aconteceu.

      Teremos de esperar para ver se mais uma vez os All-Blacks falham o objectivo, ou se o espírito guerreiro que os caracteriza emerge nesta competição e os leva à vitória final.

 

By Pedro Santos



publicado por Pedro Santos às 15:44
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Domingo, 15 de Maio de 2011
Área de Ensaio

 

A Participação de Portugal no Campeonato do Mundo de Rugby

 

 

               Numa altura em que nos aproximamos do Campeonato do Mundo de Rugby, que terá lugar na Nova Zelândia já a partir de Setembro, creio ser altura de reflectir sobre a participação de Portugal no último Mundial e quais os dividendos que daí retirámos.

               A Selecção Portuguesa de Rugby qualificou-se em Março de 2007, vencendo o Uruguai depois de uma série de repescagens. Logo a seguir à qualificação ficou a saber-se que os adversários no Mundial seriam de peso (Escócia, Itália ou os All Blacks). Foi logo estabelecido que a preparação dos jogadores seria de cariz profissional (apesar dos jogadores serem amadores) de forma a fazer a melhor prestação possível. E mesmo sem vencer qualquer partida, a postura dos jogadores dentro e fora do campo foi excepcional, defendendo sempre o nome de Portugal.

               Contudo não é isto que pretendo analisar, pois creio que os jogadores fizeram tudo o que podiam.

               Logo a seguir à qualificação, e durante todo o certame, “choveram” felicitações de vários quadrantes da sociedade. Felicitações e promessas.

               Tanto da parte da Secretaria de Estado do Desporto, como da Federação Portuguesa de Rugby ou mesmo do próprio IRB (International Rugby Board, o órgão que tutela o rugby mundial), foram feitas promessas de que o rugby português seria ajudado a crescer. Acreditou-se que iríamos “dar o salto” e conseguiríamos criar as bases para um desenvolvimento sustentado que nos permitisse assumirmo-nos como uma equipa de segunda linha europeia logo depois das crónicas participantes do Torneio das 6 Nações. Fizeram-nos crer que as ajudas chegariam, que se criariam infra-estruturas condignas e que se apostaria na formação tentando por esse caminho descobrir novos valores.

              Quatro anos passaram e o que é que mudou? Chegou o dinheiro para desenvolver os campos e as restantes infra-estruturas? O rugby em Portugal desenvolveu-se ao ponto de conseguirmos uma nova qualificação para outro Mundial? Conseguimos que os nossos clubes passassem a disputar alguma competição europeia de clubes? O nosso campeonato tornou-se mais competitivo? Criaram-se condições para que os nossos jogadores construíssem carreiras a nível europeu? Infelizmente a resposta a todas estas perguntas é não. Nada disto se conseguiu. Falhámos a qualificação para o Mundial deste ano, os nossos clubes não têm sequer hipótese de disputar uma qualificação para a Heineken Cup ou para a European Challenge Cup, aliás o nosso campeonato continua tão “competitivo” que quando começa já se sabe quais serão os 4 que se qualificarão para o play off do título. Salvo raras excepções, Direito, CDUL, Belenenses e Agronomia são os crónicos candidatos actualmente (e os restantes clubes não parecem importar-se muito). Em relação aos nossos jogadores, alguns houve que a seguir ao mundial conseguiram oportunidades em alguns clubes na França, Itália ou Espanha, mas a maioria regressou a Portugal passado pouco tempo.

                À luz de tudo isto, podemos concluir que a participação de Portugal no Campeonato do Mundo de Rugby na França em 2007, pouco ou nada trouxe de positivo ao rugby português uma vez que está praticamente tudo na mesma, pouco ou nada se aproveitou e desenvolveu e muitas das promessas que foram feitas ou nunca se chegaram a materializar ou foram certamente muito mal aproveitadas.

               Mas não podia concluir sem referir alguns aspectos positivos pois, apesar de poucos, também os houve. Reafirmo que não por culpa de quem prometeu e não cumpriu, mas sim por causa dos homens que dentro do campo deram tudo para honrar as camisolas que envergavam (sim porque no rugby, especialmente na selecção, ainda há “amor à camisola” pois só assim se explica que os jogadores façam os sacrifícios que fazem).

               É indiscutível que hoje se fala mais de rugby do que antes da nossa participação no mundial. Hoje em dia muito mais gente conhece o desporto e aprecia-o. Associado a isto, cresceu também o número de jovens que pratica a modalidade, algo que para mim é imprescindível para o sucesso e crescimento da modalidade.

               Creio que foi sobretudo isto que se aproveitou na nossa presença.

               Obviamente que as ajudas que nos prometeram teriam sido bem-vindas, contudo tem que partir das instituições que tutelam o nosso rugby o caminho a seguir. Caberá à federação, e aos clubes, definir se querem “dar o salto” que nos permita batermo-nos de igual para igual com qualquer outra selecção, ou se querem continuar neste paradigma em que os sucessos são espontâneos e fruto do trabalho e paixão de umas dezenas de jogadores.

 

By Pedro Santos

 

 



publicado por Pedro Santos às 15:55
editado por Sarah Saint-Maxent às 17:15
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