Terça-feira, 8 de Março de 2011
Da lesão olímpica a uma carreira sem fim: Obikwelu será eternamente português

Jogos Olímpicos de 2000 em Sidney, Francis sai destroçado com uma lesão no joelho que o impede de alcançar a final dos 200 metros. Com apenas 20.71, bem longe dos 19.84 que um ano antes lhe deram o bronze nos Mundiais de Sevilha Obikwelu vive um sonho olímpico desfeito. Um sonho dum menino de apenas 22 anos que tanto queria dar a África uma inédita medalha de ouro olímpica na velocidade.
Obikwelu estava a ter uma carreira ímpar a nível internacional, semi-finalista olímpico em 1996, medalha de prata na estafeta dos 4x 100 com idade de Júnior em 1997 e bronze nos seus primeiros Mundiais ao ar livre em 1999.
Um fracasso olímpico, uma desilusão, um abandono. Assim foi a maneira como a delegação nigeriana tratou Francis. Sem lembrar os feitos da maior pérola africana de todos os tempos, sem lembrar a maneira como Francis fazia ouvir o nome da Nigéria, nos quatro cantos do Mundo, sem lembrar a maneira como Francis lutava praticamente só contra a hegemonia americana na velocidade.
No reverso da desilusão, do abandono e do fracasso milhares de quilómetros a norte, na entrada da Europa Francis recebe apoio, carinho e amizade.
Uma ajuda de um País que o recebeu em 1994 como menino-prodígio dos Mundiais de Juniores com apenas 16 anos. Com uma vida medíocre no seu país de origem, Obikwelu era mais um em busca dum sonho, mais um africano tentado a atravessar o mediterrâneo em busca duma vida melhor.
Foi com este sentimento que Obikwelu, encarou Portugal como a porta da sua vida, uma porta aberta mais tarde para a Europa e para o Mundo. Por isso talvez desse um passo atrás para dar dois à frente. Por isso Obikwelu foi em busca do topo do Mundo. Uma busca que começou a construir civilmente no Algarve com as mãos, os martelos e horas e horas de trabalho forçado… até a um topo, uma glória, uma bandeira. A bandeira de Portugal, o título de campeão europeu de pista coberta nos 60 metros coroado com a mais bela construção da humanidade no seu peito, a torre Eifel dourada em forma de medalha na cidade dos príncipes,Paris onde Obikwelu foi rei.
Talvez seja esta a medalha mais bonita, a medalha simbólica da construção, do esforço de Francis, tão audaz, tão corajoso, tão humano, tão possível e tão impossível. Numa realidade ambivalente da tristeza à eterna glória. Do sofrimento de milhares de homens na construção deste momento, do sofrimento de Francis com saudades da família, da cultura do seu pais, da eterna glória- da cidade mais bonita do Mundo, do monumento mais bonito do Mundo, na cidade dos príncipes… do melhor atleta do mundo, no atleta mais humano do Mundo, do rei do desporto.
Talvez por isso Paris e Obikwelu eternamente se entrelaçaram no recordar da tristeza e no soltar do ânimo da alegria. Mas antes desta glória, muito teve de sofrer Francis… muito tiveram que sofrer muitos homens para construir a Torre Eifel.
A primeira pedra nesta construção duma vida ímpar, duma vida duma personagem utópica que a ficção quis dar à realidade nasceu no Algarve.
No coração dum menino que só queria uma oportunidade, um emprego, um ajuda. Talvez a primeira pedra duma construção gloriosa tenha sido colocada no sapato de Francis. Um entrave, um sacrifício, um desafio duro e difícil. Um objectivo rumo a uma independência de si próprio que só podia ser patenteada com trabalho, nos muros, nas paredes, nos edifícios do Algarve.
Assim iniciou Francis a sua vida em Portugal, trabalhando na construção civil, de solo a solo, com saudades da família, sem amigos, mas com uma vontade, uma determinação, um objectivo. Talvez por isso desde cedo tenha mostrado ao país o ser fascinante que é. Talvez por isso as pessoas tenham entendido que ele merecia bem mais que um emprego nas obras. Por isso Ricardo e Isabel Ferreira adoptaram-lhe. A professora de atletismo encaminhou-o para o Belenenses, para Belém, onde à 496 anos Portugal descolou rumo ao topo do Mundo… onde Francis 496 anos depois iniciou viagem num barco rumo ao topo Mundo, uma viagem interminável onde as pistas ainda não se cansaram da sua rota.
Volvidos três anos ingressa num dos maiores clubes europeus de Atletismo, o Sporting Clube de Portugal, rapidamente se torna figura de proa na velocidade nacional. Apesar de tudo mantém o amor ao seu país de origem e continua a representar a Nigéria. Feitos inéditos, medalhas atrás de medalhas e um legado na velocidade africana que parece mais ficcional que real. Um legado africano construído e treinado em Portugal, desde os muros do Algarve, aos treinos no Sporting, à sua professora, à sua treinadora, aos seus pais adoptivos. Francis vivia num complexo. Um complexo que o interrogava e que mexia emocionalmente consigo. A sua vida estava-se a encaminhar rumo à glória, tinha num país, um apoio, um clube, uma professora que acreditarem em si que o impediram de ser mais uma pérola a rolar encosta abaixo como tantos talentos africanos que acabam submersos numa realidade pobre que todos tentam fugir. Essa mesma realidade que Obikwelu fugiu com as obras no Algarve, essa realidade cada vez mais longe, cada vez mais distante.
Assim a pedra no sapato de trabalhar nas obras rapidamente se transformou num sonho olímpico de glória. Por isso grandes eram as esperanças de Obikwelu de dar uma medalha inédita a África em Sidney. Uma lesão roubou-lhe o sonho construído. Uma lesão acabou com os seus complexos. Com a sua divisão, com os seus dois amores. Nigéria ou Portugal? País de Nascimento… ou país de sonhos? País de oportunistas… ou país de oportunidades? País de mágoa ou país de glória? Rapidamente a as lágrimas no rosto do Francis patenteava o fim da divisão do seu coração.
Portugal era o país onde tinha iniciado o seu caminho, Portugal foi o país que o fez fugir da miséria africana, o país do Tudo. A Nigéria era o país do Nada. O país do esquecimento, na ingratidão perante o seu esforço, do oportunismo perante o seu talento transcendental e invulgar.
Obikwelu chorou de tristeza por desilusão de um país que o viu nascer e que o rejeitou… por os médicos que o obrigaram a deslocar-se ao Canadá pelos seus próprios meios para resolver a sua lesão no joelho.
Mais a norte do Atlântico estava um país de mão estendida, preparado para o receber, preparado para lhe dar o que merece… conquista.
Assim neste trilho de caminhos, nesta opção de escolha o coração de Obikwelu deixou de ser africano e passou a ser português. Em 2001 torna-se cidadão nacional. Em 2002 nos europeus de Munique torna-se o primeiro português medalhado na velocidade. Ouro nos 100 metros, prata nos 200. Era esta a recompensa de Obikwelu a Portugal… Mas era tão pouco o que Obikwelu dava a Portugal comparado com a dívida que sentia. Por isso trabalhou arduamente de 2002 a 2004, agora trocando os muros e as paredes pelas pistas de atletismo. Com mais uma desilusão dos Mundiais de Paris em 2003 Obikwelu arranjou forças para se tornar imortal. Por levar a nossa bandeira, o nosso País, o nosso nome ao topo do Mundo. Uma dura e longa espera até ao dia 22 de Agosto de 2004. Jogos Olímpicos de Atenas, retirada de Maurice Greene, os olhos postos na possível tripla americana, ouro, prata e bronze. Do outro lado, um europeu apenas na Final, um português em busca no topo do Mundo. 21 horas e cinco minutos o país para, roem-se as unhas, as televisões interrompem as emissões… Obikwelu corre rumo ao recorde da Europa 9.86, um centésimo de segundo apenas e seria o 4º campeão olímpico português. Na prova do desporto mais vista em todo o Mundo, na cidade embrionária dos Jogos Olímpicos Obikwelu catapulta Portugal para um patamar de topo retirando a previsível total hegemonia americana. Em todo o Mundo, a sua humildade, o seu recorde e o seu feito foram divulgados, em todo o mundo Francis se tornou conhecido, em todo o Mundo Portugal se fez ouvir.
Obikwelu celebrava, tinha chegado ao cume da montanha, mas a alegria tinha sido todo o percurso doloroso até lá chegar. Ao topo que a pista 8 de Helsínquia um ano depois o fez descer outra vez, com um infeliz 4º lugar nos 100 metros.
Uma descida que nem o duplo ouro nos europeus de Gotemburgo em 2006 conseguiu travar.
A falsa partida dos Mundiais de Osaka em 2007, a nova desilusão Olímpica de Obikwelu em 2008…
Em Pequim, Obikwelu voltou a abrir telejornais, desta vez para anunciar a sua renúncia à selecção, à sua renúncia à alta competição.
Obikwelu sentia-se ingrato perante Portugal, queria-nos dar outra medalha, queria fazer ainda mais história e tornar-se mais imortal. Os portugueses partilhavam a tristeza de Francis e pediam para reconsiderar. Francis já tinha ganho tudo por Portugal, não queria dar mais tristezas ao nosso País.
Mas tal como em 1994 acolhemos Francis do nada, em 2009 fizemo-lo crer que precisamos dele e que ele precisa de nós. Precisamos dele para continuar a construir uma das mais belas páginas do desporto nacional, ele precisa de nós, porque merecia mais do que 3 títulos europeus e uma medalha olímpica.
Nesta conciliação Obikwelu regressa à selecção apenas em 2009 para a estafeta de 4x100 metros. Bate o recorde nacional e apura-nos para os mundiais de Berlim.
Estava dado mais uma vez a inversão de marcha na vida de Francis, o retomo a uma carreira que outrora foi de sucesso… mas que ainda tinha muito para dar.
Em 2010 regressa ao mais alto nível internacional, participa nos europeus ao ar livre nos 100 metros. Um pedaço de ombro, uma fotografia, um slide, impediu de ser o primeiro europeu a ganhar 3 medalhas seguidas nos 100 metros. O 4º lugar, dias mais tarde a presença histórica da estafeta 4 x 100 na final.
No término do ano, numa nova fase da carreira, num renascer das cinzas, no renascer da crença… sem a pressão de vitórias de quem já conquistou tudo… com o ressuscitar do divertimento do atletismo Obikwelu afirma que compete apenas para se divertir. E que retomará sem pausas a sua carreira ao mais alto nível.
Assim renasce em si a alegria, o dever de querer e crer dar uma medalha única a Portugal em Pista Coberta.
Por isso aproveita as novas instalações do Jamor e num trabalho único e irrepetível treina com Nélson Évora e o seu treinador, técnica de saltos - o segredo mais bem guardado da velocidade europeia.
Um trabalho que lhe permite explodir na partida. Domingo, 6 de Março de 2011 Obikwelu destrona na sua própria casa o primeiro caucasiano a baixar dos 10 segundos nos 100 metros e o actual campeão Mundial de pista coberta (Chambers), sagrando-se campeão europeus nos 60 metros planos.
Obikwelu uma vida dum ser humano extraordinário que mais parece um filme de Hollywood. Com alegrias e com tristezas, com Portugal subiu e desceu ao topo da montanha, com Portugal sorriu, com Portugal chorou, com Portugal sofreu desde os muros do Algarve à desilusão olímpica de Pequim, com Portugal celebrou desde o seu profissionalismo no Atletismo, à sua qualidade de vida, à glória olímpica, ao topo Europeu.
Porque só Francis nos emociona e nos torna humanos ao ponto de recuarmos a nossa história e esquecer o seu lado ficcional, porque só Portugal torna Francis no ser humano fantástico ao ponto de recuar na sua ambição de 16 anos e esquecer a ficção do seu sonho desportivo. Porque Portugal e Francis caminharam eternamente de mãos dadas, Portugal será eternamente o País de Francis e Francis será eternamente Português.

By João Perfeito


publicado por Colaborador Minuto Zero às 16:30
link do post | comentar | ver comentários (3)

Sábado, 5 de Março de 2011
Porque ao Sábado se Destaca...
Vergonha atletismo Nacional, Benfica sem surpresa e o preço da fama

Fonte:jpn.icicom.up.pt
1-Em primeiro lugar gostaria de falar de atletismo. É uma vergonha Sara Moreira ter ficado fora dos 3000 metros do europeu de Pista Coberta. Aos 25 anos depois do bronze nos 5000 no pretérito europeu, Sara Moreira mais do que nunca ambicionava chegar ao ceptro europeu. Um erro na inscrição impediu-a de participar na prova. Como é possível uma federação hipotecar desta forma a participação duma atleta, independente das probabilidades de “A portuguesa” ser ouvida ou não em plena Paris.
Grave é também o facto de a selecção nacional de corta-mato júnior ter ficado fora do mundial. O medalhado dos últimos europeus, Rui Pinto será o único elemento a representar as cores lusas em tão importante competição. Todos os outros 5 elementos da equipa nacional, classificados entre o 2º e o 6º no Campeonato Nacional podiam lutar para fazer Portugal estar entre as melhores 6 equipas do Mundo e ambicionar o topo europeu. Mas mais uma vez a falta de sensibilidade dos nossos responsáveis não seleccionou a equipa. Consequências? Sem este investimento como podemos obter os resultados de outrora?


2- O Benfica somou na passada quarta-feira a sua 18ª vitória consecutiva (novo marco histórico do clube). Ao longo do presente ano de 2011 várias são as pessoas que se mostram surpreendidas por este avolumar de resultados da turma de Jorge Jesus. Muitos até dizem que acham surpreendente todo este caudal e qualidade técnica ofensivos tendo em conta a performance desempenhada na fase embrionária da época. A mim só me dá vontade de rir… Aqueles que diziam que o Benfica este ano estava a milhas do ano passado… Uma boa maneira de soltar uma boa gargalhada. No fundo a equipa do Benfica apenas teve o azar dos 3 jogos que lhe correm mal na época terem-se verificado nas 4 primeiras jornadas. Sim porque perder com o Porto é normal e se perdesse 2-0 tinha as mesmas hipóteses de ser campeã, não venham com histórias dos 5-0… Esta equipa defensivamente em jogos com em Alvalade e no Dragão, revelou uma consistência defensiva que o ano passado era impossível, mesmo perdendo Ramires. Imagino a primeira volta do Benfica e este início de segunda volta se jogasse tantas vezes em superioridade numérica como na pretérita época, bem ai os números eram ainda mais incomparavelmente superiores. Acho estranho também certas pessoas acharem que só agora o Benfica está ao nível da época passada. Quando na verdade exibições com a de Coimbra, a de Setúbal e a caseira frente ao Nacional estarem longe dos padrões normais da equipa. Mas enfim existem pessoas que só por goleadas 8-1, 6-0, 5-0 acham que uma equipa está claramente melhor, curioso é o facto do Benfica na primeira volta este ano ter dado mais goleadas do que na época transacta em jogos com igualdade numérica.

Fonte:geracaobenfica.blogspot.com

3- Por fim vergonhoso é o preço da fama… O preço da fama de Fábio Coentrão. Que no jogo com o Marítimo obrigou Jardel a jogar a defesa-esquerdo e central ao mesmo tempo. Um Fábio Coentrão que recuperava na transição mais lentamente que Cardozo, um Fábio a andar enquanto a bola estava do lado esquerdo da defesa do Benfica. Um Fábio que só corria no seu meio-campo para recuar 20 metros para fazer um lançamento, porque os adversários podiam atacar que ele nem se quer estava lá. Mas um Fábio que faz uma assistência e marca um golo decisivo. Um Fábio que recebe nota 8 no jornal A Bola. Bem um lateral que não defende, que só ataca merece essa nota, então imagino se defendesse, teria o que? 11 ou 12? Ai não a escala é só até 10. Pois este é o preço da fama. O Preço de saber atacar, de saber conduzir a bola, de ter meio-mundo atrás dele, de ter um contrato milionário à sua espera… Outros tem de fazer o trabalho por dois e acabam vaiados, como Jardel. Este é o preço da fama. Um é idolatrado, outro acabou de chegar e é olhado com desconfiança pelos adeptos. E sim Coentrão não revelou atitude, a atitude não se mostra do meio-campo para a frente, ainda para mais sendo um lateral, mostrasse no campo todo, isto é a verdadeira entrega. Nesse campo muito tem que invejar do seu companheiro Maxi Pereira, para mim um dos melhores laterais do mundo no momento. Mas talvez também seja só eu que acho O’Shea um dos laterais da década. Talvez seja só eu que mesmo que Roberto Carlos não marcasse golos nem atacasse tão bem o achava o melhor defesa esquerdo da década. Mas talvez seja só eu, mas penso que o trabalho dum lateral é mais defender que atacar. Talvez seja só eu que tenha reparado nos buracos defensivos de Coentrão no Mundial. As pessoas vivem formatadas e uniformizadas pela comunicação social. Caro leitor, não concorda comigo. Argumente e explique porque? Porque na verdade estou farto de ouvir respostas padronizadas, similares e idênticas. Estou farto da falta que a maior parte das pessoas tem de construir opiniões por si próprias. Talvez por isso eu acabe por ter opiniões tão divergentes ao longo das semanas, porque construo a minha opinião. Mas só talvez.

by João Perfeito



publicado por João Perfeito às 14:22
link do post | comentar

Porque ao Sábado se destaca...
Vergonha atletismo Nacional, Benfica sem surpresa e o preço da fama

Fonte:jpn.icicom.up.pt
1-Em primeiro lugar gostaria de falar de atletismo. É uma vergonha Sara Moreira ter ficado fora dos 3000 metros do europeu de Pista Coberta. Aos 25 anos depois do bronze nos 5000 no pretérito europeu, Sara Moreira mais do que nunca ambicionava chegar ao ceptro europeu. Um erro na inscrição impediu-a de participar na prova. Como é possível uma federação hipotecar desta forma a participação duma atleta, independente das probabilidades de “A portuguesa” ser ouvida ou não em plena Paris.
Grave é também o facto de a selecção nacional de corta-mato júnior ter ficado fora do mundial. O medalhado dos últimos europeus, Rui Pinto será o único elemento a representar as cores lusas em tão importante competição. Todos os outros 5 elementos da equipa nacional, classificados entre o 2º e o 6º no Campeonato Nacional podiam lutar para fazer Portugal estar entre as melhores 6 equipas do Mundo e ambicionar o topo europeu. Mas mais uma vez a falta de sensibilidade dos nossos responsáveis não seleccionou a equipa. Consequências? Sem este investimento como podemos obter os resultados de outrora?


2- O Benfica somou na passada quarta-feira a sua 18ª vitória consecutiva (novo marco histórico do clube). Ao longo do presente ano de 2011 várias são as pessoas que se mostram surpreendidas por este avolumar de resultados da turma de Jorge Jesus. Muitos até dizem que acham surpreendente todo este caudal e qualidade técnica ofensivos tendo em conta a performance desempenhada na fase embrionária da época. A mim só me dá vontade de rir… Aqueles que diziam que o Benfica este ano estava a milhas do ano passado… Uma boa maneira de soltar uma boa gargalhada. No fundo a equipa do Benfica apenas teve o azar dos 3 jogos que lhe correm mal na época terem-se verificado nas 4 primeiras jornadas. Sim porque perder com o Porto é normal e se perdesse 2-0 tinha as mesmas hipóteses de ser campeã, não venham com histórias dos 5-0… Esta equipa defensivamente em jogos com em Alvalade e no Dragão, revelou uma consistência defensiva que o ano passado era impossível, mesmo perdendo Ramires. Imagino a primeira volta do Benfica e este início de segunda volta se jogasse tantas vezes em superioridade numérica como na pretérita época, bem ai os números eram ainda mais incomparavelmente superiores. Acho estranho também certas pessoas acharem que só agora o Benfica está ao nível da época passada. Quando na verdade exibições com a de Coimbra, a de Setúbal e a caseira frente ao Nacional estarem longe dos padrões normais da equipa. Mas enfim existem pessoas que só por goleadas 8-1, 6-0, 5-0 acham que uma equipa está claramente melhor, curioso é o facto do Benfica na primeira volta este ano ter dado mais goleadas do que na época transacta em jogos com igualdade numérica.

Fonte:geracaobenfica.blogspot.com

3- Por fim vergonhoso é o preço da fama… O preço da fama de Fábio Coentrão. Que no jogo com o Marítimo obrigou Jardel a jogar a defesa-esquerdo e central ao mesmo tempo. Um Fábio Coentrão que recuperava na transição mais lentamente que Cardozo, um Fábio a andar enquanto a bola estava do lado esquerdo da defesa do Benfica. Um Fábio que só corria no seu meio-campo para recuar 20 metros para fazer um lançamento, porque os adversários podiam atacar que ele nem se quer estava lá. Mas um Fábio que faz uma assistência e marca um golo decisivo. Um Fábio que recebe nota 8 no jornal A Bola. Bem um lateral que não defende, que só ataca merece essa nota, então imagino se defendesse, teria o que? 11 ou 12? Ai não a escala é só até 10. Pois este é o preço da fama. O Preço de saber atacar, de saber conduzir a bola, de ter meio-mundo atrás dele, de ter um contrato milionário à sua espera… Outros tem de fazer o trabalho por dois e acabam vaiados, como Jardel. Este é o preço da fama. Um é idolatrado, outro acabou de chegar e é olhado com desconfiança pelos adeptos. E sim Coentrão não revelou atitude, a atitude não se mostra do meio-campo para a frente, ainda para mais sendo um lateral, mostrasse no campo todo, isto é a verdadeira entrega. Nesse campo muito tem que invejar do seu companheiro Maxi Pereira, para mim um dos melhores laterais do mundo no momento. Mas talvez também seja só eu que acho O’Shea um dos laterais da década. Talvez seja só eu que mesmo que Roberto Carlos não marcasse golos nem atacasse tão bem o achava o melhor defesa esquerdo da década. Mas talvez seja só eu, mas penso que o trabalho dum lateral é mais defender que atacar. Talvez seja só eu que tenha reparado nos buracos defensivos de Coentrão no Mundial. As pessoas vivem formatadas e uniformizadas pela comunicação social. Caro leitor, não concorda comigo. Argumente e explique porque? Porque na verdade estou farto de ouvir respostas padronizadas, similares e idênticas. Estou farto da falta que a maior parte das pessoas tem de construir opiniões por si próprias. Talvez por isso eu acabe por ter opiniões tão divergentes ao longo das semanas, porque construo a minha opinião. Mas só talvez.


by João Perfeito


publicado por Colaborador Minuto Zero às 01:28
link do post | comentar | ver comentários (2)

Sábado, 26 de Fevereiro de 2011
Porque ao Sábado se destaca...
O enorme gosto de que a minha equipa saiba jogar mal





Na passada quinta-feira o Steve fez referência à forma como as estatísticas podem ser ilusórias. Na minha perspectiva pactuo totalmente com essa ideia, porque no fundo as estatísticas são relativas.
Elas dizem-nos alguma coisa somente quando as enraizamos no contexto global do jogo.
No Sporting-Benfica para além da posse da bola, dos remates, dos passes o Benfica falhou recuperou menos bolas e teve menos percentagem de passes correctos. Do ponto de vista artístico o Benfica não fez uma boa exibição, as grandes jogadas de recorte técnico quase ímpar na Europa (tirando os colossos) quase não se viram. Aliás um senhor, sim chamo-lhe senhor e não jogador, Aimar nem sequer jogou. E aos 31 anos continua num nível absolutamente espectacular e tem pormenores que me fazem pensar como certos jogadores jogam em grandes clubes europeus e ele não, apesar da idade. A aceleração, os rompimentos diagonais a capacidade de último passe não foram necessárias para romper a teia sportinguista. Porque com uma construção sólida e uma largura fortíssima nos últimos 30 metros Gaitán e Salvio mostraram que uma equipa a jogar sem extremos puros, ganha uma maior rotatividade posicional e um correspondente preenchimento dos espaços mais rápidos e sobretudo com maior possibilidade de surpreender o adversário. Talvez por isso o Benfica apareça com muitos homens dentro da área adversária e tenha nascido assim num movimento praticamente atípico no futebol português o golo de Salvio.
O Benfica controlou o jogo, o Sporting espalhou-se bem no campo deu largura e soube construir na primeira e segunda fase, na terceira, faltavam ideias, faltava sobretudo sincronização entre os movimentos de ruptura.
O Benfica fechou a casa, jogou no contra-ataque, Javi Garcia foi pau para toda a obra e tapou todos os buracos. O Benfica recuperava a bola, muitas vezes não tinha soluções e perdia a bola. Salvio e Gaitán tiveram apenas 33% de eficácia no passe e foram dos melhores em campo. Sobretudo porque mostravam agressividade, pureza técnica e incisão. Predicados mais que suficientes para resolver o jogo. Cardozo deu mais do que trabalho a Torsiglieri e Polga permitindo aos colegas apareceram na área, em 24 passes só acertou 8. Isto são estatísticas. Polga em 34 passes falhou 10, mas todos eles impediram a construção de boas jogadas ofensivas do Sporting logo na sua fase embrionária. O Benfica sobe jogar futebol sobe respeitar-se a si, ao Sporting e ao jogo. Dar a bola ao adversário, arriscar e perder a bola só quando tinha cobertura e defender, defender, defender. Com critério, rigidez táctica e agressividade circunstancial. Perdia bolas mas não abria buracos. Na quinta-feira em Estugarda voltou a acelerar nos últimos 30 metros com o espectacular futebol que nos evidenciou em circunstâncias pretéritas. O Benfica não joga melhor contra o Guimarães do que jogou contra o Sporting. O Barcelona actual não é mais equipa que a Grécia em 2004. Esta é a minha filosofia de vida, esta é a minha filosofia do desporto. Mais do que saber jogar espectacular é preciso saber jogar mal, saber abdicar da construção de jogo, jogar bem defensivamente e matar o jogo na hora certa. Não é uma perspectiva calculista é uma perspectiva realista.
E sim claro leitor não pense que não sou apaixonado pela técnica. Mas sim gosto de ver a técnica, a velocidade e a agilidade em espaços curtos e no desbloqueio de situações complexas. Não tenho palas que dizem que o golo de Maradona em 86 foi o melhor de todos os tempos, quando na verdade ele fintava um adversário e depois, depois não havia cobertura, mais 10 metros de progressão mais um adversário batido. Talvez por isso não tenha tido mais de 5 anos de fama. Mas só talvez. E sim identifico-me mais com o Porto actual que ganha jogos por 1-0, 2-0 e adormece o jogo e faltas e mais faltas do que certos jogos do meu clube em que ganha mas sofre dois golos, mesmo marcando 4 ou 5. Porque ganhar 1-0 será eternamente melhor do que ganhar 2-1,3-2, 4-3. E não é só basquetebol que os ataques resolvem jogos e as defesas campeonatos.

By João Perfeito


publicado por Colaborador Minuto Zero às 19:22
link do post | comentar | ver comentários (6)

Porque ao Sábado se Destaca...
O enorme gosto de que a minha equipa saiba jogar mal





Na passada quinta-feira o Steve fez referência à forma como as estatísticas podem ser ilusórias. Na minha perspectiva pactuo totalmente com essa ideia, porque no fundo as estatísticas são relativas.
Elas dizem-nos alguma coisa somente quando as enraizamos no contexto global do jogo.
No Sporting-Benfica para além da posse da bola, dos remates, dos passes o Benfica falhou recuperou menos bolas e teve menos percentagem de passes correctos. Do ponto de vista artístico o Benfica não fez uma boa exibição, as grandes jogadas de recorte técnico quase ímpar na Europa (tirando os colossos) quase não se viram. Aliás um senhor, sim chamo-lhe senhor e não jogador, Aimar nem sequer jogou. E aos 31 anos continua num nível absolutamente espectacular e tem pormenores que me fazem pensar como certos jogadores jogam em grandes clubes europeus e ele não, apesar da idade. A aceleração, os rompimentos diagonais a capacidade de último passe não foram necessárias para romper a teia sportinguista. Porque com uma construção sólida e uma largura fortíssima nos últimos 30 metros Gaitán e Salvio mostraram que uma equipa a jogar sem extremos puros, ganha uma maior rotatividade posicional e um correspondente preenchimento dos espaços mais rápidos e sobretudo com maior possibilidade de surpreender o adversário. Talvez por isso o Benfica apareça com muitos homens dentro da área adversária e tenha nascido assim num movimento praticamente atípico no futebol português o golo de Salvio.
O Benfica controlou o jogo, o Sporting espalhou-se bem no campo deu largura e soube construir na primeira e segunda fase, na terceira, faltavam ideias, faltava sobretudo sincronização entre os movimentos de ruptura.
O Benfica fechou a casa, jogou no contra-ataque, Javi Garcia foi pau para toda a obra e tapou todos os buracos. O Benfica recuperava a bola, muitas vezes não tinha soluções e perdia a bola. Salvio e Gaitán tiveram apenas 33% de eficácia no passe e foram dos melhores em campo. Sobretudo porque mostravam agressividade, pureza técnica e incisão. Predicados mais que suficientes para resolver o jogo. Cardozo deu mais do que trabalho a Torsiglieri e Polga permitindo aos colegas apareceram na área, em 24 passes só acertou 8. Isto são estatísticas. Polga em 34 passes falhou 10, mas todos eles impediram a construção de boas jogadas ofensivas do Sporting logo na sua fase embrionária. O Benfica sobe jogar futebol sobe respeitar-se a si, ao Sporting e ao jogo. Dar a bola ao adversário, arriscar e perder a bola só quando tinha cobertura e defender, defender, defender. Com critério, rigidez táctica e agressividade circunstancial. Perdia bolas mas não abria buracos. Na quinta-feira em Estugarda voltou a acelerar nos últimos 30 metros com o espectacular futebol que nos evidenciou em circunstâncias pretéritas. O Benfica não joga melhor contra o Guimarães do que jogou contra o Sporting. O Barcelona actual não é mais equipa que a Grécia em 2004. Esta é a minha filosofia de vida, esta é a minha filosofia do desporto. Mais do que saber jogar espectacular é preciso saber jogar mal, saber abdicar da construção de jogo, jogar bem defensivamente e matar o jogo na hora certa. Não é uma perspectiva calculista é uma perspectiva realista.
E sim claro leitor não pense que não sou apaixonado pela técnica. Mas sim gosto de ver a técnica, a velocidade e a agilidade em espaços curtos e no desbloqueio de situações complexas. Não tenho palas que dizem que o golo de Maradona em 86 foi o melhor de todos os tempos, quando na verdade ele fintava um adversário e depois, depois não havia cobertura, mais 10 metros de progressão mais um adversário batido. Talvez por isso não tenha tido mais de 5 anos de fama. Mas só talvez. E sim identifico-me mais com o Porto actual que ganha jogos por 1-0, 2-0 e adormece o jogo e faltas e mais faltas do que certos jogos do meu clube em que ganha mas sofre dois golos, mesmo marcando 4 ou 5. Porque ganhar 1-0 será eternamente melhor do que ganhar 2-1,3-2, 4-3. E não é só basquetebol que os ataques resolvem jogos e as defesas campeonatos.

By João Perfeito


publicado por João Perfeito às 14:23
link do post | comentar

Domingo, 13 de Fevereiro de 2011
Porque ao Sábado se Destaca...
Deixar Legado- Mas que tipo de Legado?

Fonte: Record
No passado mês de Novembro foi aqui neste blog feito um paralelismo entre o Barcelona passado e o Barcelona presente, pelo Tiago Santos.
Confesso que em relação aos jogos de antigamente não tenho conhecimentos tácticos muito elevados. Li a sua crónica e gostei muito da forma como as comparações estão feitas, porque sobretudo fez-me consolidar ainda mais a ideia do Barcelona como conservação estrutural táctica, que dura - anos após anos, após anos.
Voltando ao início do texto do Tiago esta estruturação, ocorre tanto no futebol como na vida. Talvez por isso como o Tiago nos informou produzam 25% da riqueza Espanhola. O Barcelona e a Catalunha no fundo quer no futebol quer na vida assentam pela estrutura, organização, linearidade e coerência perante si mesmos. Na economia ou no futebol. Na produção dum país ou nas formas de fazer golos.
Uma escola de desporto, não só uma escola de futebol. Uma região que tem mais praticante de hóquei em patins federado do que Portugal inteiro. O Barcelona já foi quase 20 vezes campeão europeu de hóquei e já leva 13 campeonatos nacionais consecutivos. A equipa de Andebol ganha muitos campeonatos e está sempre no top da Europa. No basquetebol prima pelo mesmo diapasão. No fundo ver um jogo de hóquei sobretudo do Barça, mas também de andebol ou basquetebol é ver acima de tudo organização, competência e segurança do seu jogo. Vemos máquinas a jogar. Nas jogadas perfeitas que dão cestos perfeitos, nas combinações de Andebol que dão jogadas brilhantes, no puzzle táctico fantástico do hóquei aliado a uma velocidade estonteante e a finalizações perfeitas.
Fundamentalmente nestas modalidades vemos um Barça coerente, fortemente organizado e com uma grande capacidade de inverter a rumo dos acontecimentos. Vemos equipas que sabem jogar a ganhar e manter o resultado e sabem como sem correr riscos alterar o placar quando este lhes é desfavorável.
Daí que o título da crónica do Tiago (assente que nem uma luva). Um mundo à parte no futebol e na vida.
Mas no futebol a história é diferente. Nasceu uma estrutura, nasceu uma táctica, nasceu um enraizamento futebolístico no Barcelona. Uma maneira de jogar diferente de todas, uma equipa que se torna diferente de todas, as outras… Um jogo de futebol com e sem Barça.
Nasceu uma táctica que muitos consideram perfeita. Aliás nasceu o mito do super-barça.
Nasceu aqui o legado de Cruyff. Um legado riquíssimo para toda a gente mas paupérrimo para mim. Um legado duma maneira de estar no futebol, um legado da produção do romantismo do futebol, da produção de talentos, da produção de treinadores carismáticos. No fundo nasceu a maior mentira da história do futebol.
A mentira duma super-equipa. A mentira de talentos como Maradona, Cruyff ou Ronaldinho. Mas mais grave a mentira dum esquema de jogo perfeito.
Não falo de opiniões falo de factos. Na verdade essa super-equipa apenas ganhou 10 Campeonatos em 22 possíveis, ganhou 3 Champions em 22. Esses talentos não tiveram mais de 5 anos de top. Mas são imortalizados. Imortalizados porque fizeram dois anos em grande (Ronaldinho), deram cor a equipa mais sedutora do futebol mundial(Holanda 74), não tiveram mais de 5 anos de auge (Maradona). Talentos camuflados pelos verdadeiros nomes da história do futebol: Péle, Zidane, Beckenbauer, Maldini, Di Stefano, Bobby Charlont. Porque estes são os verdadeiros jogadores aqueles que transformaram o talento em produção, em carreiras ímpares em títulos individuais e em regularidade. Os do Barça viveram de grandes momentos em grandes competições e depois apagaram-se. Os outros porque no fundo tem intrínsecos a eles qualidade, coerência e regularidade. Coisas que nenhum talento do Barça alguma vez teve. Daí que as suas aparições no céu sejam curtas e efémeras. Daí que Cruyff depois tenha abandonado a carreira de treinador, daí que Guardiola esteja receioso em renovar. Porque no fundo e aqui discordo totalmente do Tiago o futebol não vive de seduções, vive de vitórias e o legado é esse. O legado não é a produção de talentos que se perdem, de equipas que não mantêm a regularidade, de treinadores que aparecem e desaparecem. O legado é a manutenção duma linha de vitória. É a construção dum enraizamento táctico transversal a qualquer época, simples e eficaz. Mas o futebol do Barca que todos apaludem não acompanha proporcionalmente os seus títulos porque será? Talvez porque o mais importante é manter o legado, manter esta forma de jogar. Como diz Xavi” Nós damos um legado, ninguém conhece o Inter”.
Esta é a tristeza do desporto e da vida. Somos seduzidos por esquemas que parecem perfeitos. Achamos que a equipa que ganha 5-0 é melhor do que a que ganha por simplesmente 1-0. Seduzimo-nos por golos, grandes jogadas, intensidade, técnica, fintas e esquecemos capacidade de recuperação, capacidade de decidir os ritmos de jogos e fundamentalmente capacidade de ganhar continuamente.
Talvez por isso o futebol do Barça tenha telhados de vidro. Talvez por isso desde que Guardiola é técnico do Barça, o Barça em 33 jogos que começou a perder só recuperou 13. Porque afinal a super-equipa não é assim tão super-equipa quando a ordem natural das coisas se inverte. Esta é a tristeza que o futebol permite para muitos, esta é a minha paixão pelo futebol. Esta é a minha busca incessante por ver equipas porem o autocarro e defenderem quase dentro da baliza e ver como o Barça reage. Porque como gosto de espectáculo e de técnica quero vê-lo em situações de aperto. Quero ver golos de Messi contra o Chelsea, sem serem preciso roubar 4 penaltys, quero ver golos de Messi contra o Inter que mudam uma eliminatória, quero ver Messi fazer algo quando a sua selecção leva 4 da Alemanha. Quero ver Xavi e Iniesta terem 90% de passes em jogos que a a equipa começa perder. Quero ver o Barça a dar espectáculo quando começa a perder, quando perde ou quando empata. Mas o Barcelona joga 95% das vezes bem e ganha, das 5% que joga mal perde ou empata.
Porque se interessa em deixar o seu legado em manter a sua farsa. A dar espectáculo depois dos jogos estarem resolvidos e a iludir biliões de pessoas no mundo inteiro.
Mas para a Histórias, ficam os títulos, ficam a grandeza. As 9 Taças dos Campeões Europeus do Real contra as 3 do Barça. Os 20 campeonatos europeus de hóquei no Barça contra os 3 de futebol.
Mas tal como na Vida a vitória é o nosso sustento é aquilo que nos alicia e nos faz lutar pelos nossos objectivos. No futebol do Barca apenas existe a sedução que quando presa em teia alheia os seus mais fanáticos fãs põe a culpa na forma táctica do futebol de hoje em dia em vez de exigirem a um tal jogador que dizem genial que marque 3 golos quando a equipa começar a perder por dois zero. Mas como vivemos num mundo de ilusões Messis, Cruiffs, Maradonas, Ronaldinhos são os melhores mas ficam a ver os outros ganhar títulos.
Tal como a Espanha ignora a Catalunha que lhes dá 25% da sua economia. Tal como o Real reclama para si o estatuto de melhor clube espanhol, quando o Barça é património Mundial. O Barça do hóquei, do andebol, do basquetebol, tão diferente e tão igual ao mesmo tempo do futebol. Mantêm se a ideia de legado, mas as 3 primeiras modalidades já encontraram um caminho de vitória, o futebol continuará a maravilhar aqueles que se esquecem da essência do futebol.


by João Perfeito


publicado por João Perfeito às 14:24
link do post | comentar

Porque ao Sábado se destaca...
Deixar Legado- Mas que tipo de Legado?

Fonte: Record
No passado mês de Novembro foi aqui neste blog feito um paralelismo entre o Barcelona passado e o Barcelona presente, pelo Tiago Santos.
Confesso que em relação aos jogos de antigamente não tenho conhecimentos tácticos muito elevados. Li a sua crónica e gostei muito da forma como as comparações estão feitas, porque sobretudo fez-me consolidar ainda mais a ideia do Barcelona como conservação estrutural táctica, que dura - anos após anos, após anos.
Voltando ao início do texto do Tiago esta estruturação, ocorre tanto no futebol como na vida. Talvez por isso como o Tiago nos informou produzam 25% da riqueza Espanhola. O Barcelona e a Catalunha no fundo quer no futebol quer na vida assentam pela estrutura, organização, linearidade e coerência perante si mesmos. Na economia ou no futebol. Na produção dum país ou nas formas de fazer golos.
Uma escola de desporto, não só uma escola de futebol. Uma região que tem mais praticante de hóquei em patins federado do que Portugal inteiro. O Barcelona já foi quase 20 vezes campeão europeu de hóquei e já leva 13 campeonatos nacionais consecutivos. A equipa de Andebol ganha muitos campeonatos e está sempre no top da Europa. No basquetebol prima pelo mesmo diapasão. No fundo ver um jogo de hóquei sobretudo do Barça, mas também de andebol ou basquetebol é ver acima de tudo organização, competência e segurança do seu jogo. Vemos máquinas a jogar. Nas jogadas perfeitas que dão cestos perfeitos, nas combinações de Andebol que dão jogadas brilhantes, no puzzle táctico fantástico do hóquei aliado a uma velocidade estonteante e a finalizações perfeitas.
Fundamentalmente nestas modalidades vemos um Barça coerente, fortemente organizado e com uma grande capacidade de inverter a rumo dos acontecimentos. Vemos equipas que sabem jogar a ganhar e manter o resultado e sabem como sem correr riscos alterar o placar quando este lhes é desfavorável.
Daí que o título da crónica do Tiago (assente que nem uma luva). Um mundo à parte no futebol e na vida.
Mas no futebol a história é diferente. Nasceu uma estrutura, nasceu uma táctica, nasceu um enraizamento futebolístico no Barcelona. Uma maneira de jogar diferente de todas, uma equipa que se torna diferente de todas, as outras… Um jogo de futebol com e sem Barça.
Nasceu uma táctica que muitos consideram perfeita. Aliás nasceu o mito do super-barça.
Nasceu aqui o legado de Cruyff. Um legado riquíssimo para toda a gente mas paupérrimo para mim. Um legado duma maneira de estar no futebol, um legado da produção do romantismo do futebol, da produção de talentos, da produção de treinadores carismáticos. No fundo nasceu a maior mentira da história do futebol.
A mentira duma super-equipa. A mentira de talentos como Maradona, Cruyff ou Ronaldinho. Mas mais grave a mentira dum esquema de jogo perfeito.
Não falo de opiniões falo de factos. Na verdade essa super-equipa apenas ganhou 10 Campeonatos em 22 possíveis, ganhou 3 Champions em 22. Esses talentos não tiveram mais de 5 anos de top. Mas são imortalizados. Imortalizados porque fizeram dois anos em grande (Ronaldinho), deram cor a equipa mais sedutora do futebol mundial(Holanda 74), não tiveram mais de 5 anos de auge (Maradona). Talentos camuflados pelos verdadeiros nomes da história do futebol: Péle, Zidane, Beckenbauer, Maldini, Di Stefano, Bobby Charlont. Porque estes são os verdadeiros jogadores aqueles que transformaram o talento em produção, em carreiras ímpares em títulos individuais e em regularidade. Os do Barça viveram de grandes momentos em grandes competições e depois apagaram-se. Os outros porque no fundo tem intrínsecos a eles qualidade, coerência e regularidade. Coisas que nenhum talento do Barça alguma vez teve. Daí que as suas aparições no céu sejam curtas e efémeras. Daí que Cruyff depois tenha abandonado a carreira de treinador, daí que Guardiola esteja receioso em renovar. Porque no fundo e aqui discordo totalmente do Tiago o futebol não vive de seduções, vive de vitórias e o legado é esse. O legado não é a produção de talentos que se perdem, de equipas que não mantêm a regularidade, de treinadores que aparecem e desaparecem. O legado é a manutenção duma linha de vitória. É a construção dum enraizamento táctico transversal a qualquer época, simples e eficaz. Mas o futebol do Barca que todos apaludem não acompanha proporcionalmente os seus títulos porque será? Talvez porque o mais importante é manter o legado, manter esta forma de jogar. Como diz Xavi” Nós damos um legado, ninguém conhece o Inter”.
Esta é a tristeza do desporto e da vida. Somos seduzidos por esquemas que parecem perfeitos. Achamos que a equipa que ganha 5-0 é melhor do que a que ganha por simplesmente 1-0. Seduzimo-nos por golos, grandes jogadas, intensidade, técnica, fintas e esquecemos capacidade de recuperação, capacidade de decidir os ritmos de jogos e fundamentalmente capacidade de ganhar continuamente.
Talvez por isso o futebol do Barça tenha telhados de vidro. Talvez por isso desde que Guardiola é técnico do Barça, o Barça em 33 jogos que começou a perder só recuperou 13. Porque afinal a super-equipa não é assim tão super-equipa quando a ordem natural das coisas se inverte. Esta é a tristeza que o futebol permite para muitos, esta é a minha paixão pelo futebol. Esta é a minha busca incessante por ver equipas porem o autocarro e defenderem quase dentro da baliza e ver como o Barça reage. Porque como gosto de espectáculo e de técnica quero vê-lo em situações de aperto. Quero ver golos de Messi contra o Chelsea, sem serem preciso roubar 4 penaltys, quero ver golos de Messi contra o Inter que mudam uma eliminatória, quero ver Messi fazer algo quando a sua selecção leva 4 da Alemanha. Quero ver Xavi e Iniesta terem 90% de passes em jogos que a a equipa começa perder. Quero ver o Barça a dar espectáculo quando começa a perder, quando perde ou quando empata. Mas o Barcelona joga 95% das vezes bem e ganha, das 5% que joga mal perde ou empata.
Porque se interessa em deixar o seu legado em manter a sua farsa. A dar espectáculo depois dos jogos estarem resolvidos e a iludir biliões de pessoas no mundo inteiro.
Mas para a Histórias, ficam os títulos, ficam a grandeza. As 9 Taças dos Campeões Europeus do Real contra as 3 do Barça. Os 20 campeonatos europeus de hóquei no Barça contra os 3 de futebol.
Mas tal como na Vida a vitória é o nosso sustento é aquilo que nos alicia e nos faz lutar pelos nossos objectivos. No futebol do Barca apenas existe a sedução que quando presa em teia alheia os seus mais fanáticos fãs põe a culpa na forma táctica do futebol de hoje em dia em vez de exigirem a um tal jogador que dizem genial que marque 3 golos quando a equipa começar a perder por dois zero. Mas como vivemos num mundo de ilusões Messis, Cruiffs, Maradonas, Ronaldinhos são os melhores mas ficam a ver os outros ganhar títulos.
Tal como a Espanha ignora a Catalunha que lhes dá 25% da sua economia. Tal como o Real reclama para si o estatuto de melhor clube espanhol, quando o Barça é património Mundial. O Barça do hóquei, do andebol, do basquetebol, tão diferente e tão igual ao mesmo tempo do futebol. Mantêm se a ideia de legado, mas as 3 primeiras modalidades já encontraram um caminho de vitória, o futebol continuará a maravilhar aqueles que se esquecem da essência do futebol.


by João Perfeito



publicado por Colaborador Minuto Zero às 01:22
link do post | comentar | ver comentários (4)

Sábado, 5 de Fevereiro de 2011
Porque ao Sábado se Destaca...
Todos nós devemos ter um pouco de “Liedson dentro de nós”

 

Fonte: bancadasul.blogspot.com

Apito na boca de Bruno Esteves e termina o Sporting-Naval. Mais um empate da turma de Paulo Sérgio ,a contestação cresce e a crise leonina mantêm-se. Mas rapidamente este prolongar de tristeza dá lugar à nostalgia e melancolia de ser este o último momento de Liedson como jogador do Sporting.
O jogo pouco importa, a crise leonina idem. O importante é dar voz a quem fez história. Dar protagonismo a quem o merece. E mais do que ninguém Liedson será eternamente imortal para o Sporting, mas também para o futebol português.
O Estádio levanta-se as lágrimas escorrem as faces dos adeptos, Liedson tenta falar mas a emoção invade-lhe a alma e tira-lhe por breves momentos a razoabilidade. Esta homenagem a Liedson é o reflexo da sua passagem pelo Sporting. Sucesso, determinação e trabalho. Mais do que um grande jogador, mais do que o melhor avançado de sempre do Sporting Liedson marcou uma era no Sporting. Um sucesso demasiado grande para ser escrito num livro, quanto mais numa crónica.
Como benfiquista emociono-me com a despedida de Liedson. O carácter, a determinação e o trabalho dele são transversais a qualquer rivalidade. Porque ele Liedson fez-me comprar hoje o jornal, fez-me pela primeira vez comprar o jornal sem ser por necessitar de informação ou por vitórias do Benfica ou da selecção. Liedson é um símbolo do que o desporto tem de melhor para nos oferecer. Do que o desporto nos pode ensinar, do que o desporto nos forma enquanto cidadãos exemplares.
O Liedson jogador e o Liedson como pessoa quase se confundem e é esta analogia que faz dele um carismático, faz dele um marco histórico no futebol português.
Cada bola que rouba aos defesas adversários reflecte a persistência que teve na sua vida para se tornar imortal. Uma persistência vinda do nada, uma vida onde nada foi fácil, mas soube-se erguer, crescer, lutar e vencer. Tal como quando numa bola aparentemente perdida aparece no interior da área e resolve. A chegada ao futebol profissional tarde reflecte os seus 6 primeiros jogos sem marcar pelo Sporting. Uma vida onde tudo estava determinado para o insucesso mas a vontade de vencer fê-lo contrariar o destino.
No fundo Liedson teve uma vida onde o sacrifico e a dificuldade persistiram. Nada foi fácil, nada foi conquistado sem esforço. Liedson é um exemplo para todos nós. Todos nascemos sem nada e construímos o nosso futuro. Os golos, as horas a trabalhar nos supermercados, as tristezas das derrotas as tristezas de quase não ter dinheiro para ajudar a família tudo passa, tudo é passado. Mas a humildade a vontade de a cada dia acordar para se tornar uma pessoa melhor, a vontade de triunfar contra tudo e contras todos, a vontade de mostrar ao mundo o seu valor ficam, seja no supermercado, seja num relvado de futebol, seja em casa com a família. São estes valores que Liedson nos ensinou. São estas pequenas coisas, são estas pequenas crenças que construíram um sonho dum homem. Que cresceu sem nada, mas um dia olhou para o topo do Mundo e disse que ia chegar lá. Talvez por ter esta confiança Liedson não tenha desistido de se ter tornado profissional de futebol, talvez por este seu acreditar continue com a esperança de representar Portugal. A vida deu-lhe uma bofetada ele levantou-se, trabalhou construiu o seu legado e imortalizou-se.
Trabalhou com o mesmo empenho, com a mesma dedicação, tanto no esforço de deixar de trabalhar no supermercado, como no esforço de trabalhar para o Sporting não conquistando títulos.
Mas a mágoa de não ter sido campeão é insignificante comparado com o tributo que deu ao futebol português.
Liedson fez crescer uma equipa, internacionalizou o Sporting, levou o Sporting à sua segunda melhor prestação europeia de sempre (oitavos-de-final da Champions) e também terceira (sim chegar à final da Taça UEFA é mais importante do que vencer a Taça das Taças). Liedson e Sporting quase se confundiam. Liedson de levezinho só mesmo o corpo. Porque na verdade carregou todo o peso da instituição Sporting, em 8 anos com 25 golos tornou-se o melhor marcador de sempre nas competições europeias, em 8 anos acaba as 8 épocas como melhor marcador da equipa. Ao longo destes anos existiu um Sporting com e sem Liedson. Um Sporting com e sem garra. Um Sporting ferroz e verdadeiramente leonino com Liedson em forma, um Sporting manso com Liedson apagado.
Mas a cada época que começava sem marcar 4 jogos seguidos Liedson de repente respondia com dois ou três bis seguidos. Tal como na sua vida , por cada ano que passou a trabalhar no supermercado Liedson ganhou força e conseguiu tornar-se profissional de futebol.
Sem escalões de formação, apenas aos 23 anos, mas nunca é tarde. Nunca é tarde, para termos um sonho, nunca é tarde para deixarmos de acreditar. Talvez por isso hoje ele seja imortal para o Sporting, o Sporting não será o mesmo sem ele. Mas o futebol português muito menos. Mais do que perder um grande avançado o futebol português perdeu um grande homem. Grande no talento, no carácter e na persistência. Na vontade de sonhar e lutar por uma vida melhor. Pensando sempre primeiro nos outros e só depois nele próprio. Tanto quando jogava em equipa e perdia individualismo, quando abdicava do futebol para lutar em prol da família.
Liedson saí de cabeça erguida, Liedson deixa uma página dourada no futebol português, Liedson deixa um exemplo para todos nós, sejamos benfiquistas, sportinguistas e portistas. E fica a pergunta, mas porque razão não existem mais Liedsons no futebol mas fundamentalmente na vida?

 

By João Perfeito



publicado por João Perfeito às 14:25
link do post | comentar

Porque ao Sábado se destaca...
Todos nós devemos ter um pouco de “Liedson dentro de nós”


Fonte: bancadasul.blogspot.com

Apito na boca de Bruno Esteves e termina o Sporting-Naval. Mais um empate da turma de Paulo Sérgio ,a contestação cresce e a crise leonina mantêm-se. Mas rapidamente este prolongar de tristeza dá lugar à nostalgia e melancolia de ser este o último momento de Liedson como jogador do Sporting.
O jogo pouco importa, a crise leonina idem. O importante é dar voz a quem fez história. Dar protagonismo a quem o merece. E mais do que ninguém Liedson será eternamente imortal para o Sporting, mas também para o futebol português.
O Estádio levanta-se as lágrimas escorrem as faces dos adeptos, Liedson tenta falar mas a emoção invade-lhe a alma e tira-lhe por breves momentos a razoabilidade. Esta homenagem a Liedson é o reflexo da sua passagem pelo Sporting. Sucesso, determinação e trabalho. Mais do que um grande jogador, mais do que o melhor avançado de sempre do Sporting Liedson marcou uma era no Sporting. Um sucesso demasiado grande para ser escrito num livro, quanto mais numa crónica.
Como benfiquista emociono-me com a despedida de Liedson. O carácter, a determinação e o trabalho dele são transversais a qualquer rivalidade. Porque ele Liedson fez-me comprar hoje o jornal, fez-me pela primeira vez comprar o jornal sem ser por necessitar de informação ou por vitórias do Benfica ou da selecção. Liedson é um símbolo do que o desporto tem de melhor para nos oferecer. Do que o desporto nos pode ensinar, do que o desporto nos forma enquanto cidadãos exemplares.
O Liedson jogador e o Liedson como pessoa quase se confundem e é esta analogia que faz dele um carismático, faz dele um marco histórico no futebol português.
Cada bola que rouba aos defesas adversários reflecte a persistência que teve na sua vida para se tornar imortal. Uma persistência vinda do nada, uma vida onde nada foi fácil, mas soube-se erguer, crescer, lutar e vencer. Tal como quando numa bola aparentemente perdida aparece no interior da área e resolve. A chegada ao futebol profissional tarde reflecte os seus 6 primeiros jogos sem marcar pelo Sporting. Uma vida onde tudo estava determinado para o insucesso mas a vontade de vencer fê-lo contrariar o destino.
No fundo Liedson teve uma vida onde o sacrifico e a dificuldade persistiram. Nada foi fácil, nada foi conquistado sem esforço. Liedson é um exemplo para todos nós. Todos nascemos sem nada e construímos o nosso futuro. Os golos, as horas a trabalhar nos supermercados, as tristezas das derrotas as tristezas de quase não ter dinheiro para ajudar a família tudo passa, tudo é passado. Mas a humildade a vontade de a cada dia acordar para se tornar uma pessoa melhor, a vontade de triunfar contra tudo e contras todos, a vontade de mostrar ao mundo o seu valor ficam, seja no supermercado, seja num relvado de futebol, seja em casa com a família. São estes valores que Liedson nos ensinou. São estas pequenas coisas, são estas pequenas crenças que construíram um sonho dum homem. Que cresceu sem nada, mas um dia olhou para o topo do Mundo e disse que ia chegar lá. Talvez por ter esta confiança Liedson não tenha desistido de se ter tornado profissional de futebol, talvez por este seu acreditar continue com a esperança de representar Portugal. A vida deu-lhe uma bofetada ele levantou-se, trabalhou construiu o seu legado e imortalizou-se.
Trabalhou com o mesmo empenho, com a mesma dedicação, tanto no esforço de deixar de trabalhar no supermercado, como no esforço de trabalhar para o Sporting não conquistando títulos.
Mas a mágoa de não ter sido campeão é insignificante comparado com o tributo que deu ao futebol português.
Liedson fez crescer uma equipa, internacionalizou o Sporting, levou o Sporting à sua segunda melhor prestação europeia de sempre (oitavos-de-final da Champions) e também terceira (sim chegar à final da Taça UEFA é mais importante do que vencer a Taça das Taças). Liedson e Sporting quase se confundiam. Liedson de levezinho só mesmo o corpo. Porque na verdade carregou todo o peso da instituição Sporting, em 8 anos com 25 golos tornou-se o melhor marcador de sempre nas competições europeias, em 8 anos acaba as 8 épocas como melhor marcador da equipa. Ao longo destes anos existiu um Sporting com e sem Liedson. Um Sporting com e sem garra. Um Sporting ferroz e verdadeiramente leonino com Liedson em forma, um Sporting manso com Liedson apagado.
Mas a cada época que começava sem marcar 4 jogos seguidos Liedson de repente respondia com dois ou três bis seguidos. Tal como na sua vida , por cada ano que passou a trabalhar no supermercado Liedson ganhou força e conseguiu tornar-se profissional de futebol.
Sem escalões de formação, apenas aos 23 anos, mas nunca é tarde. Nunca é tarde, para termos um sonho, nunca é tarde para deixarmos de acreditar. Talvez por isso hoje ele seja imortal para o Sporting, o Sporting não será o mesmo sem ele. Mas o futebol português muito menos. Mais do que perder um grande avançado o futebol português perdeu um grande homem. Grande no talento, no carácter e na persistência. Na vontade de sonhar e lutar por uma vida melhor. Pensando sempre primeiro nos outros e só depois nele próprio. Tanto quando jogava em equipa e perdia individualismo, quando abdicava do futebol para lutar em prol da família.
Liedson saí de cabeça erguida, Liedson deixa uma página dourada no futebol português, Liedson deixa um exemplo para todos nós, sejamos benfiquistas, sportinguistas e portistas. E fica a pergunta, mas porque razão não existem mais Liedsons no futebol mas fundamentalmente na vida?

By João Perfeito



publicado por Colaborador Minuto Zero às 01:18
link do post | comentar

Sábado, 29 de Janeiro de 2011
Porque ao Sábado se destaca...
O nosso maior orgulho

Eusébio, Livramento, Carlos Lopes, Fernando Mamede, Rosa Mota, Fernanda Ribeiro, mais recentemente Nélson Évora, Cristiano Ronaldo, Figo, Naide Gomes todos mostraram nos quatro cantos do mundo que só somos pequenos no tamanho. Somos grandes no talento e na glória. Todos eles através de cassetes de vídeos ou através de directos me fizeram orgulhar de ser português, nalguns casos soltar lágrimas dos olhos e viver momentos intensamente gloriosos. Uma lufada de ar fresco, uma inspiração para o nosso dia-a-dia num país que por muitos não queiram admitir tem uma outra face a mostrar ao mundo, o reverso da nossa crise. Mas neste reverso existe um nome que consegue chegar mais além que os outros. Existe um nome que é firme na fé e forte na esperança desde o início da sua carreira até certamente ao seu término. Existe um nome que espalha este nosso reverso. Um reverso patenteado pelos mais altos valores morais. O trabalho, o sacrifício, a determinação mas sobretudo a regularidade, a continuidade e a eterna glória.
Esse nome é Telma Monteiro. Ninguém mais do que ela aos 25 anos conseguiu permanentemente estar no top da modalidade que representa. Com apenas 19 anos lutou para ser campeã olímpica. Cristiano Ronaldo com 19 anos era uma sombra de Ronaldinho.
A grande diferença entre Telma e os demais gloriosos portugueses é que esta será eternamente gloriosa na sua carreira. Não só pelo talento, não só pelo trabalho, mas sim por uma força exterior de querer fazer história. Uma força mental inabalável. Uma força que nem “um escravo do trablaho” como Ronaldo consegue igualar. Uma força mental, onde é uma animal de competição, onde luta por aquilo que quer até às últimas consequências. Onde entra no tapete com a mesma postura seja contra quem for. Seja contra a pior europeia seja perante 5000 pessoas no Japão frente a Kaori Matsumoto. Uma persistência e uma fé que nunca descolam. Mesmo quando a sua própria equipa não acredita, mesmo quando um pavilhão inteiro a leva abaixo ele ergue-se como se fosse a coisa mais natural do mundo. Luta com armas desiguais mas acaba sempre na frente. Não à cansaço físico que a perturbe porque o seu psicológico é inquebrável. Para desistir tem que cair no tapete completamente sem forças.
No fundo Telma é diferente dos outros. Telma consegue manter uma força mental exterior à competição. Encara os desafios como provas para ganhar independente do prestígio. Por isso a sua força mental é regular e vemos a Telma com a mesma qualidade num simples meeting do que num campeonato do Mundo.
A mudança de regras, obrigou-a a reiniciar no judo, a mudar a sua postura e um ano depois apenas caiu a 21 segundos frente à numero um do Mundo, japonesa, no Japão, perante 5000 pessoas e com um desgaste físico tão grande que se fosse traduzido para o psicológico se recusava a entrar em campo. O mesmo que Cristiano Ronaldo jogar uma final do Campeonato do Mundo contra Messi no Camp Nou e Messi ser espanhol e Cristiano ter jogado os 6 jogos sem falhar um minuto, cheio de mazelas, sendo o jogador que percorreu mais quilómetros na prova, que sofreu mais faltas e marcar dois golos e Messi que jogou 4 jogos, apenas tocava na bola nos últimos 30 metros e fazia menos 15 passes e sofria menos 5 faltas por jogo marcava 3, numa equipa muito melhor e apenas marcava o último a 21 segundos do fim.
É inglório. São armas desiguais. Talentos semelhantes. Capacidade de trabalho idem. Mas força mental diferente. Porque Telma vê sempre a vitória seja em que circunstância for, é uma competidora nata e só caí quando os seus pés se imobilizam. Este é o exemplo do que é ser competitivo, do que é encarar os desafios por igual e ter a força mental inabalável perante as circunstâncias.
Esta é a força de Telma, que ao contrário de Ronaldo não se desmotiva (quando este morreu em campo nos 5-0 contra o Barça), ao contrário de Nélson Évora que por vezes fala em fim de carreira, ao contrário de Naide que fala na palavra desistir, mesmo nunca o fazendo, ao contrário de Figo que aos 34 anos teve medo de ser ultrapassado. Telma não responde que quer ser campeã olímpica como todos os outros, ela diz que quer ser pelo menos bi-campeã olímpica senão tri. Uma exigência que não tem limites. Porque ela não tem mais talento que os outros, não trabalha mais que os outros, mas tem uma força mental que a focaliza no momento, que a faz dela uma vencedora e lhe permite construir uma carreira ímpar no desporto Nacional. Tri-vi-campeã Mundial, medalha de bronze no Mundial, tri-campeã europeia, três medalhas de bronze em europeus. Isto é 10 em 10, nem uma única falha. Tem apenas 25 anos, pelo menos mais 10 anos ao mais alto nível. Se não for a maior desportista portuguesa de sempre, quem será? Tirem o fanatismo do futebol e as medalhas olímpicas do atletismo e respondam.
Mas se dúvidas ainda prexisitirem em 2012 em Londres e em 2016 no Rio de Janeiro espero estar lá no pavilhão e festejar as vitórias olímpicas de Telma e entoar com o maior orgulho se sempre “A Portuguesa”. Porque tu, és a nossa verdadeira campeã.





Fonte: mais-benfica.blogspot.com

By João Perfeito



publicado por Colaborador Minuto Zero às 19:06
link do post | comentar | ver comentários (2)


pesquisar neste blog
 
Equipa Minuto Zero'
Links
Também Tu Podes Participar!

Participa na Equipa Minuto Zero'

subscrever feeds
Arquivo

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010