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Minuto Zero

A Semana Desportiva, minuto a minuto!

A Semana Desportiva, minuto a minuto!

Minuto Zero

07
Jun11

Buzzer - Beater

Óscar Morgado

 

Diesel? Big Cactus? Big Aristotle?

 

        

 

         Antes que se ponham a perguntar se estou a pensar incendiar um cacto no túmulo de Aristóteles, esclareço-vos que estou a falar do poste mais dominante dos anos 90 e (cerca de) meio de 2000. E digo dominante porque o era, não sendo talvez o melhor em todo esse período: Hakeem Olajuwon ganhou um MVP antes dele e dois títulos da NBA, e Patrick Ewing, David Robinson e Alonzo Mourning eram todos fantásticos postes (uma década que foi certamente muito mais agraciada nessa posição do que é hoje). No que toca a domínio em campo, Shaquille O’neal foi o porta-estandarte da NBA e desse tipo de jogo, espectacular e eficiente, durante muitos anos. E na semana passada decidiu reformar-se.

         Faço esta semana uma crónica curta não porque me tenha apercebido que era tarde e me estava a esquecer da coluna desta semana (jamais…!), mas porque já muitas homenagens foram feitas ao longo dos últimos dias. Um homem com 2,16m e 147 kg que ganhou um MVP em 2000 e foi MVP das Finais em 3 dos 4 campeonatos que ganhou não deve passar despercebido.

         Começou em 1992 nos Orlando Magic. Durante quatro anos (sendo gigantesco mas pesando muito menos do que o descrito acima), foi a grande âncora da equipa, tanto na defesa como no ataque (nomeadamente, a partir muitas tabelas, literalmente), e levou-a a uma Final da NBA, onde perderam com os Houston Rockets. Mas a sua era dourada foi em Los Angeles, com os Lakers. Naquele que discutivelmente poderá ser considerado o melhor duo da história da NBA (pois, havia aqueles dois senhores em Chicago…), O’neal e Kobe Bryant, arrebataram toda a liga com 3 títulos consecutivos no início da década passada, sob a tutelagem do mítico Phil Jackson, que tinha ganho 6 títulos com os Chicago Bulls.

         Eventualmente, os egos de Shaq e Kobe não conseguiram coexistir após os três títulos (e algumas derrotas), e foi O’neal quem saiu dos Lakers. Seguiram-se passagens por Miami (onde ganhou um título em 2006), Phoenix (chegou a ser co-MVP no jogo All-Star com Kobe Bryant), Cleveland, e, ultimamente, Boston, onde finalmente se reformou.

         Que mais se poderá dizer sobre Shaq? Uma das figuras públicas da NBA mais únicas de sempre, que jogava a um nível altíssimo e entretinha todo o mundo com a sua boa disposição. Homem das mil e uma alcunhas (algumas já referidas). Dos mil e um números da camisola (32, 33, 34 e 36). E já agora, das mil e uma equipas (sem querer faltar ao respeito). Um dos melhores de sempre. Ponto.

31
Mai11

Buzzer - Beater

Óscar Morgado

Corrida pelo Larry…

 

            …O’Brien Trophy. Eu sei, pensavam que era o Bird dos Celtics. Mas não. Calhou bem ter previsto a semana passada as equipas que se vão defrontar logo à noite. Miami Heat no Este. Dallas Mavericks no Oeste. Não foram as duas melhores ao longo da época, mas foram as duas melhores ao longo dos playoffs. Têm em Nowitzki (Dallas) e James (Miami) os dois melhores jogadores nos playoffs até então.

            A maioria dos analistas prevê uma vitória para Miami. Folgada até. Dos 7 jogos, dizem que Miami ganha em 5 ou 6. Acho muito sinceramente que não se está a levar Dallas a sério. Que não o fizessem no início dos playoffs era compreensível, dados os desaires da equipa nas últimas épocas nesta altura da competição. Que o façam depois de destronar os campeões Lakers, os renovados Trailblazers e os explosivos e jovens Thunder é de uma grande ingenuidade. Sim, Miami vai ter ao longo da série 4 jogos em casa (os últimos dois são também os dois da série inteira, portanto para despachar a ronda em 5 ou 6 jogos teriam que ganhar pelo menos um fora de casa), sim têm o MVP dos últimos dois anos, e sim, o Big Three mostrou já que será talvez a força mais dominante nos próximos 5 ou 6 anos.
            Mas Dallas tem um dos melhores (não digo o melhor por existir um senhor chamado Steve Nash) jogadores não americanos de todos os tempos, a atravessar o melhor momento da carreira (embora tenha sido MVP em 2006). Tem muito mais banco que Miami, e uma equipa mais equilibrada e completa, com a sua âncora em Nowitzki. Acredito que, se Miami ganha os dois primeiros jogos em casa, a sua motivação irá diparar para níveis muito difíceis de Dallas controlar. Mas há um dado interessante: nas últimas 12 vezes que as duas equipas se defrontaram, Dallas ganhou… 12 jogos. É claro que a equipa de Miami deste ano é diferente, mas também nos dois jogos deste ano, Dallas saiu por cima. Eles saberão como os parar ofensivamente e quebrá-los defensivamente. Miami tem a melhor defesa, mas acredito que Dallas tem o maior ataque.

               Mesmo que não aconteça, acredito que é apenas justo avaliar esta série como chegando aos 7 jogos. Pode-se argumentar que Miami está na melhor fase da época, mas Dallas também. E temos o factor vingança de Dallas. E o factor redenção de James e Bosh. Espero que seja um confronto épico. Hoje, às 02h00m, hora de Lisboa.

03
Mai11

Buzzer - Beater

Óscar Morgado

Big Three: alunos vs. mestres

 

      É uma fórmula cientificamente comprovada. É o Fairy de lavar a loiça à mão e o Calgonite para quem prefere à máquina: toda a gente fica satisfeita com o resultado.

      E a técnica é quase milenar. Os ‘Trios’ na NBA são coisa que na maioria das vezes ganhou campeonatos. Dúvidas? O algodão não engana (também utilizo metáforas com outros produtos de limpeza): Larry Bird, Robert Parish e Kevin McHale foi sem grande discussão a melhor combinação 3, 4, 5 da história da NBA, dominando nos Celtics dos anos 80 (ganharam 3 campeonatos e 2 outras presenças nas finais). Ou então alguns se lembrarão dos “Bad Boys” dos finais da mesma década em Detroit: Isiah Thomas, Joe Dumars e Bill Lambier (2 campeonatos vencidos). Ainda seria digno referir Magic Johnson, Kareem Abdul-Jabbar e James Worthy nos Lakers – perdão – nos ‘Showtime’ Lakers de 80, o ainda existente trio de Duncan, Ginobli e Parker nos Spurs, e, como não poderia deixar de ser, Bill Russell, Bob Cousy e John Havlicek, que venceram 6 campeonatos juntos nos anos 50 e 60, sendo provavelmente o trio mais mortífero de sempre.

      Portanto, trios dão campeonatos. Umas vezes aos pares, outras à unidade, por vezes a granel. E claro, também em trios. Recentemente voltou-se a essa estratégia: os Boston Celtics adquiriram Kevin Garnett e Ray Allen para flanquear Paul Pierce em 2007, juntando 3 futuras lendas da modalidade. Ainda mais recentemente, ou seja, esta época, este modelo de sucesso, que deu um campeonato aos Celtics logo na época 2007-2008 e uma presença nas Finais dois anos depois, foi aplicada. Com um pouco mais de mediatismo: Lebron James e Chris Bosh, dois All-Stars estabelecidos na NBA, rumaram a Miami para se juntarem a Dwayne Wade, tendo já estabelecido esta época uma potência da NBA ao ficarem em segundo lugar da Conferência de Este. Estes dois trios estão neste momento a defrontar-se nas semi-finais dos playoffs, com a vantagem da primeira partida a favor de Miami.

      Ainda assim, mais que as semelhanças, notam-se as diferenças. O ‘Big Three’ de Boston apareceu como um produto “pronto a cozinhar”, recrutando veteranos estabelecidos (todos os 3 tinham pelo menos 30 anos)  que nunca tinham ganho títulos, tendo essa motivação comum e sabendo que era necessário sacrificar estatísticas individuais. E conseguiram. Já o trio de Miami teve alguma dificuldade em impor-se, não só porque se trata de jogadores menos experientes que tiveram mais dificuldade em se adaptarem aos seus lugares na equipa, mas porque o evolucionismo de Darwin ainda não se manifestou em pleno.

 

 

 

 

 

      Darwin, perguntam vocês? Claro que sim. Em Boston, o ‘Big Three’ evoluiu para ‘Big Four’, pois Rajon Rondo, base titular da equipa desde a chegada das estrelas, tornou-se no geral melhor jogador que os restantes três. Esta melhoria foi em grande parte fruto da experiência dos veteranos sobre o jovem base, cujos grandes problemas de mentalidade e consistência foram ultrapassados para o tornar um dos grandes da liga na posição. E isto aconteceu ao resto da equipa: Glen Davis e Kendrick Perkins (que foi trocado há uns meses) foram apenas alguns dos jogadores que beneficiaram com a presença das estrelas, melhorando o seu jogo. Boston tornou-se uma equipa completa (embora as trocas de jogadores tenham estragado alguma química existente).

      Em Miami há, porém, mais talento. Calcula-se que no futuro esse trio produza mais dividendos que o de Boston. Mas neste momento a evolução não está completa: toda a responsabilidade do jogo passa por James, Wade e Bosh, sendo o resto da equipa de um nível muito inferior, pois falta um poste dominante nas tabelas e um base capaz de ser um general em campo. Talvez as três estrelas façam crescer algum jovem atleta da actual ou futura equipa?

      No resto, também financeiramente a evolução é inferior. Garnett recebe quase 19 milhões de dólares anuais no seu penúltimo ano de contracto, Ray Allen recebe 10 milhões e Pierce quase 14. Tanto James como Wade ou Bosh não recebem sequer 15 milhões (embora no último ano obrigatório de contracto recebam quase 20 cada). No actual confronto, penso que a maturidade de Boston ganha vantagem, mas o talento e o maior número de partidas em casa pode pender a favor de Miami. Veremos.

 

by Óscar Morgado

13
Abr11

Buzzer - Beater

Minuto Zero
Agora é mesmo a sério

 

 

         O que não quer dizer que antes tenha sido a brincar. Os playoffs da época 2010/2011 da NBA vão começar este sábado, e tanto dúvidas como certezas pairam no horizonte.

 

         Por onde começar? Pelas certezas claro está. Curiosamente, depois de tanta dúvida acerca dos Miami Heat, Boston Celtics, Orlando Magic ou New York Knicks, é nesta mesma Conferência de Este que elas estão. Todas as equipas com lugar estão definidas, bem como o lugar específico e o confronto para cada uma. Vejamos:

 

Chicago Bulls (1º lugar) vs. Indiana Pacers (8º lugar): Derrick Rose já se afirmou como o motor da equipa de Chicago, levando-os ao primeiro lugar da conferência e sendo o mais provável candidato a vencer o MVP do campeonato, o que, somando a forte defesa da equipa, os torna os mais prováveis candidatos à vitória da série. Contudo, Indiana tem um potente marcador de pontos em Danny Granger, bem como um poste em ascensão em Roy Hibbert, que poderão ainda causar alguns problemas, ganhando talvez um ou dois dos sete jogos.

 

Miami Heat (2º lugar) vs. Philadelphia 76ers (7º lugar): os 76ers irão causar desequilíbrios nas duas posições em que Miami é mais fraco (base e poste) com Elton Brand e Jrue Holiday. Deixo aqui uma nota de interesse para o duelo entre Lebron James e Andre Iguodala, dois dos melhores defesas da actualidade na posição de extremo (3). Contudo, desde que os Três Reis Magos (James, Wade e Bosh) joguem como já mostraram que sabem, a previsão é semelhante ao confronto anterior.

 

Boston Celtics (3º lugar) vs. New York Knicks (6º lugar): os Knicks nunca foram candidatos ao título esta época. Os Celtics sim. Mesmo algo desfalcados após trocar a sua grande âncora defensiva, o poste Kendrick Perkins, são sérios candidatos ao título e têm mais argumentos, especialmente defensivos, contra Nova Iorque. Contudo, trata-se de playoff, e nos grandes momentos, as estrelas sabem fazer o seu trabalho. Ambas as formações estão recheadas delas, mas a equipa em desvantagem teórica, os Knicks, têm 3 estrelas que já deram provas: Billups, fora do seu “prime” mas já foi campeão da NBA e MVP das Finais; Anthony e Stoudemire ambos chegaram às finais da Conferência Oeste em ocasiões diferentes. Vantagem para Boston, mas um encontro que será competitivo.

 

Orlando Magic (4º lugar) vs. Atlanta Hawks (5º lugar): aqui residirá, provavelmente, o confronto mais competitivo da conferência. Não só pela proximidade classificativa mas também pelos argumentos dos dois lados. Orlando sempre confiante na força destrutiva de Dwight Howard debaixo das tabelas e nos seus filões de atiradores exteriores; Atlanta com a posição de base melhorada em Kirk Hinrich, juntando com um dos grandes postes da actualidade em Al Horford e a explosividade dos seus extremos Josh Smith e Joe Johnson, bem como uma reserva ofensiva de luxo em Jamal Crawford, têm uma receita para espantar a sua má sorte em jogos de playoff. Ambas equipas com muito a provar, sem um favorito claro à partida…é preciso mais para nos agarrarmos à televisão (ou ao…hum, computador?)?


        

         Quanto às incertezas, vou ser bem mais sumário. O facto é que como esta crónica é escrita na véspera do final da época regular, ainda só há certeza que os San Antonio Spurs são a equipa que entrará em primeiro lugar no playoff, devido à época excepcional que fizeram. A segunda posição é neste momento disputada pelos Dallas Mavericks (que todos os anos são muito criticados pela ineficácia em playoff, em contraste com épocas regulares brilhantes), Los Angeles Lakers (que tentam o tri-campeonato) e Oklahoma City Thunder (que apesar de serem, discutivelmente, a equipa com maior margem de crescimento positivo no futuro da NBA, já se equiparam aos grandes na corrida ao título).

 

         O quinto lugar está também bem definido, com o plantel mais equilibrado da liga: os Denver Nuggets. Não são tidos como favoritos num confronto com qualquer uma das equipas acima citadas, mas têm provado que o esforço de equipa ainda compensa. O sexto lugar foi ontem segurado pelos Portland Trailblazers (que se reforçaram em peso com Gerald Wallace, um dos melhores defesas da NBA, e que tiveram uma prestação digna de um Most Improved Player em LaMarcus Aldridge esta época). Os Memphis Grizzlies (ancorados por performances magníficas de Zach Randolph e Rudy Gay) e os New Orleans Hornets (que sendo a sensação do início da época, desceram de rendimento, mas continuaram a ser carregados por Chris Paul) disputam a sétima posição, que lhes dará um confronto contra o segundo classificado (Lakers, Dallas ou OKC). Entre esses e os Spurs? Venha o diabo e escolha.

 

         Mais incerteza ainda desperta o vencedor do título. Spurs, Lakers, Thunder, Celtics, Heat e Bulls são as que têm, na minha opinião, as chances mais palpáveis de chegar ao topo. Destas, Spurs, Lakers e Boston são favoritas. Não consigo sinceramente dizer que uma delas tem claras hipóteses de se sobrepor às restantes.

 

         Eu cá torço pelos Celtics, os quais acho mais capazes da conferência que apoio.

 

         Mas mais que isso, torço por ver grandes partidas de basquetebol. Comecem desde já, porque agora é que é a sério.

 

by Óscar Morgado