Quarta-feira, 10 de Agosto de 2011
Steve Field

Sem chama

Portugal venceu, mas não convenceu. A vitória por 1-0 sobre a Guatemala no mundial sub-20 é manifestamente pouco para a (suposta) diferença entre as selecções. Há quem lhe chame falta de humildade, mas para mim é falta de qualidade. Mas neste ponto é melhor não me alongar muito, para não me repetir. Basta dizer que é o efeito bola de neve: má organização, maus resultados nas camadas jovens.

No entanto, atingir os quartos-de-final de um mundial é muito bom. Ainda pode ser melhor, mas o próximo adversário é a toda-poderosa Argentina e com esta qualidade exibicional tudo se complica.

 

Na baliza, Mika dá cartas. Tem confirmado todas as suas potencialidades e o seu futuro promissor. Os centrais têm transmitido segurança (nenhum golo sofrido até então, que é fabuloso), e dos laterais destaco Cedric, um jovem lateral do Sporting que este ano vai rodar em Coimbra.

No meio campo, quanto a mim, está o sector mais frágil da equipa. Danilo é um jogador única e exclusivamente de força, um recuperador de bolas que tem dificuldade em construir, Ricardo Dias vive na sombra do jogo e Sérgio Oliveira mostra uma ou outra arrancada esporádica, muito pouco para o que se pretende. No banco há Júlio Alves que deveria actuar de início.

No ataque, Alex é um jogador vulgar, mas Caetano e Nélson Oliveira são as armas da equipa. O primeiro pela velocidade e imprevisibilidade que põe no jogo, o segundo pelas bolas que segura e pelo pânico que causa nas defesas contrárias. O “Ibrahimovic” português, como a imprensa estrangeira que chama, tem sido o destaque desta pobre equipa.

O 4x3x3 da equipa tem uma grande consistência defensiva mas tem pouca profundidade ofensiva. A ideia que dá é que caso sofra um golo primeiro, a equipa não conseguirá reagir. Faltam criativos, falta profundidade, imaginação.

Quanto à competição, apesar de haver grandes equipas como Brasil, Argentina ou Colômbia, aposto na Espanha. Para mim é a melhor selecção, tal como foi em sub-19 e em sub-21, já para não falar da principal. A Espanha é a potência actual e a potência do futuro no futebol mundial. O futebol é um desporto imprevisível, mas o que é certo é que se joga 11 contra 11 e no final ganha a Espanha.

 

By Steve Grácio

 



publicado por Steve Grácio às 01:16
editado por Minuto Zero em 11/11/2011 às 11:17
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1 a zero:
De João Perfeito a 18 de Agosto de 2011 às 14:47
Por falta de disponibilidade não tenho acompanhado o Mundial de sub 20 como gostaria. Mas depois de ver a selecção lusa derrotar a campeã da europa França de forma inequívoca- tenho a dizer que não poderia estar mais orgulhoso. No fundo este é o resultado do trabalho de formação, que por muito que o queiramos apagar continua a dar os seus frutos. Não posso estar mais contente com esta equipa. No fundo o facto de ter 0 golos sofridos é absolutamente extraordinário. Ver a forma como estes miúdos defendem perante as maiores feras do futebol jovem europeu é realmente um regalo. Parece que a nossa selecção é composta por trintões. A defender e a ocupar o espaço- a sair par ao ataque em triangulações e tabelas. Sem uma estrela, sem chama, sem magia. Mas guardando a bola, esperando, entregando, percebendo o espaço, gerindo o tempo e tendo uma sicronização perfeita. O futebol é mais que a soma das partes. E ver que esta selecção não depende de um único jogador e ver a forma como tem um entrosamento fantástico e como não se desiquibra nas transicções defensivas é extraordinário. O problema do futebol português sempre foi a abundãncia de talento e falta de consistência defensiva. O jogador português tem o centro de gravidade baixo, é bom tecnicamnete, ágil e rápido. Faltava-nos compreender o espaço, guardar a bola e soltá-la com inteligência. Hoje esta geração coragem é o triunfo da nossa evolução. A repercução da mudança do paradigma futebolístico. Onde ganha quem é mais racional, inteligente e frio. Onde com muito orgulho copiamos a Grécia de 2004. Onde construimos um modelo demasiado maduro para jovens de 20 anos. Os resultados estão à vista e Mika é já o guarda-redes que passou mais minutos sem sofrer golos na história da competição. Na forma como idealizo o futebol é sempre melhor ter 3-0 em golos do que 10-3. Mas por falta de talento transcendente esta geração é apenas apelidada de coragem e não ouro ou latina. Se com a geração de ouro o máximo que conseguimos foi uma final dum europeu. Talvez com a geração coragem consigamos finalmente levantar um ceptro internacional. Sem chama, sem individualidades, com organização, com maturidade. Assim espero...


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