De
João a 18 de Março de 2011 às 00:48
Ronaldo falhou os jogos contra o Racing e o Hércules, equipas que por exemplo o Sporting de Braga não teria nenhuma dificuldade para bater em casa ou fora.
O Real vive obcecado por Ronaldo. Mas mais do que obcecado não tem outra forma de jogar. Olhamos para o seu plantel e vemos dois jogadores a despontar ainda longe do patamar de referências Mundiais (Khedira e Di Maria), temos Benzema que não passa da liderança duma segunda linha de pontas-de-lança. Depois temos Xabi Alonso que não entra nos 5 melhores médios do Mundo e Ozil que ainda tem de provar se pode ser o futuro astro do futebol mundial. Do meio-campo para a frente o Real para o estatuto que ambiciona ter tem muitas carências. Por isso faz depender o seu futebol de Ronaldo. Sem Ronaldo a equipa perde verticalidade e ganha horizontalidade e sincronização de movimentos mais curtos fruto da emergência da colectivização. Mas ao contrário de Messi, Ronaldo recebe a bola a 40 metros da baliza e procura o jogo. Ronaldo pode fazer um jogo 9 de 1 a 10 e falhar 65% de passes e perder 20 bolas. O papel dele é resolver. É criar, correr, romper e rematar. Nem sempre de forma isolada mas também com triangulações com os companheiros. O Real sem Ronaldo não tem agressividade e imprevisibilidade para sequer intimidar o Barcelona.
No Barcelona Messi passa 80 minutos de jogo a passear pelo relvado em acções inconsequentes, uma desmarcação (um passe perfeito (sim, isto na Argentina não acontece e faz a diferença)), bola colada ao pé drible curto como se a bola fosse mais um membro do seu corpo, finta e golo. Receber uma bola e em arco fazer um grande passe, tudo nos últimos 20 metros. Apanha equipas que defender com uma linha de 6 e outra de 4 e precisa do árbitro para ganhar o jogo. Um ano antes durante 60 minutos perante 10 jogadores a sua equipa só marca um. Dois anos antes precisam de 5 penaltys não assinalados para passar. Se o Barcelona não joga para Messi então como joga? O Barcelona quando não faz a bola chegar ao seu astro Argentino este simplesmente não passa dum jogador como os outros e não resolve nada.
É o Real Madrid que vive órfão de vedetas que deve recusar o individualismo quando o seu maior rival segue ainda mais este diapasão quando nem necessita assim tanto (Afinal o Barcelona (Espanha) foi campeão da Europa e do Mundo)
Nos momentos cruciais da carreira meia-final com o Chelsea (dois jogos), meia-final com o Inter (dois jogos), oitavos-de-final com o Arsenal (desvantagem aos 69 minutos da segunda mão), quartos-de-final do Mundial da Alemanha onde vimos Messi?
Ronaldo esteve desinspirado em 2004 na Final contra a Grécia, em 2009 na Final da Champions e nos quartos e oitavos dos últimos europeu e Mundial.
Mas deu uma final europeia praticamente sozinho ao Manchester em 2008, com idade de júnior foi o melhor ala do Euro 2004 encaminhando-nos historicamente para a final, em 2009 absolutamente arrebatador a partir dos quartos-de-final. Em 2010 só contra o Mundo 7 golos em 5 jogos na Champions. Em 2011 depois de estar lesionado dizima em várias jogadas os defesas do Lyon e renasce o seu colectivismo para fazer renascer o espírito individual de Ozil e Benzema.
Mas a grande diferença é que nos poucos momentos que Ronaldo falhou vimos atitude, esperança e acutilância. Vimos acabar o jogo com o sentimento que deu tudo. Messi quando perde acaba os jogos com uma frescura que lhe permitia ainda jogar mais tempo.
Messi não tem o físico de Ronaldo mas não é assim tão frágil para só poder jogar em 20 metros. E se joga só em 20 metros e os jogadores do Real tem no contrato que Ronaldo seja o melhor marcador então e os do Barcelona? O Villa até foge para as alas mais do que seu apanágio.
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