Quarta-feira, 20 de Julho de 2011
Porque a vida também é feita a correr...

A completude com que sempre sonhamos

 

                   Entre os dias 14 e 17 de Julho, decorreu em Ostrava o Campeonato Europeu de Atletismo de Sub23. Aquela que é conhecida, como a competição mais importante dos escalões de formação do atletismo europeu é fundamental para que as novas esperanças possam aos poucos ir ganhando o seu espaço junto da elite do velho continente.

                  As vantagens desta competição são imensas. Desde a antecâmara para o Mundial de Daegu, a atletas com uma progressão precoce, que antes de terem 23 anos já figuram entre os grandes tubarões do atletismo Mundial. Ou, noutro caso, com a conquista dum caminho de esperança e o desenvolvimento duma mentalidade competitiva ganhadora, aqueles que ambicionam lograr no escalão maior do atletismo Mundial (séniores) todas as epopeias que os fizeram rotular de promessas nos escalões de formação.

              Falando especificamente da participação lusa, não poderia estar mais contente com os resultados... Portugal conquistou uma medalha de prata, através de Marcos Chuva no comprimento e uma medalha de bronze de Catarina Ribeiro nos 10000 metros.

              Face a todo um contexto atlético nacional em que Portugal raramente se viu arredado de pódios em competições deste foro e também sabendo evidentemente toda a gloriosa passadeira que o nosso atletismo já permitiu desfilar aos melhores desportistas nacionais é evidente que não é por duas meras medalhas que manifesto uma grande satisfação.

              Aquilo que fez renascer em nós o espírito olímpico e a afirmação desportiva no Mundo foram sem dúvida as proezas alcançadas por Carlos Lopes, Fernanda Ribeiro, Rosa Mota, Fernando Mamede e Carla Sacramento. Em todos estes 5 diamantes lapidados à expoente máxima encontramos uma sintomática característica transversal entre eles: meio-fundo e fundo. Foi a correr por estradas, corta-matos e pistas emblemáticos que o nosso desporto se construiu numa plataforma gloriosa.

              Face à mais que falada crise do meio-fundo e fundo nacional e europeu é interessante o modo como Portugal aos poucos e poucos foi diversificando a sua qualidade para além das corridas de resistência e hoje o resultado é este- Ostrava consagra-nos como uma selecção completa e apetrechada para todas as variantes do atletismo.

            Para toda esta completude outrora impensável, muito contribuiram as presenças de Marcos Chuva, Vera Barbosa e Catarina Ribeiro, mas estão longe de ser apenas estes os três responsáveis por este extraordinário feito.

           Mais especificamente... Marcos Chuva depois duma termida qualificação pulou 7,94 na final arrecandando a prata, predendo só para o hiper-favorito Menkov, ficando a escassos 14 centímetros do Mundial de Daegu. Ultrapassando imagine-se Eusébio Cacéres o jovem prodígio espanhol, que em 2009, ainda júnior venceu Nélson Évora na Taça das Nações.

            Catarina Ribeiro, tirando qualquer tipo de nacionalismo, para mim é a segunda melhor atleta europeia sub 23 de 10000 metros.Fficou em 3º é certo. O nome da vencedora dá por Layesh Abdullayeva, azeri (uma das já inúmeras importações africanas), agora também para a europa de leste. Deste modo Portugal continua a sua saga no fundo europeu.

            Depois do top europeu no fundo e no salto Portugal conseguiu um 4º lugar nos 400 barreiras femininos. Vera Barbosa, começam a faltar os adjectivos para classificar a margem de progressão da jovem promessa, já certeza do clube de Alvalade. Baixou em quase 2 segundos! o seu recorde pessoal e bateu o record Nacional. Sendo a primeira lusa a baixar dos 56 segundos e garantindo presença inédita nos Mundiais de Daegu. Apesar de não ter ido ao pódio, a valia da sua marca transporta-a para o melhor resultado individual de Portugal nestes campeonatos, demonstrado que caso continue nesta rota de evolução navegará rumo a outros mares, bem mais embiciosos...

            Em destaque, teve também a maior promessa do disco nacional. Depois de no ano transacto ter falhado por pouco uma medalha no Mundial de júniores, Irina Rodrigues, no seu primeiro ano de sub 23 arrecadou um sempre positivo 5º lugar. Sendo a segunda melhor europeia no primeiro ano de sub 23

             Em destaque, mais uma vez devido à presença da inevitável Vera Barbosa, teve a estafeta 4x400 metros, que arrecadou um surpreendete (face a todo o nosso passado) 6º lugar.

           No geral foram estes os melhores destaques nacionais. Boas prestações nas barreiras, nas estafetas, na resistência, nos lançamentos e nos saltos. Algo inédito na nossa história atlética...

           Toda esta completude é motivadora para que os nossos jovens se apaixonem por esta modalidade e aprendam que a ideia do fundo ser a nossa única bandeira no atletismo Mundial está arcaica e ultrapassável.

           O jovem praticante de atletismo nacional cada vez mais será um melhor lançador, saltador, barreirista e velocista. Toda esta competência e completude é apanágio da nossa ambição- rumo ao objectivo de nos tornarmos uma potência europeia e dismistificarmos a ideia de que um país com 10 milhões de habitantes não pode ir mais além do que já foi...

            Uma palavra de apreço deixo também ao azarado Carlos Veiga (Triplo Salto). Que mesmo depois de ter partido o pé, realizou três saltos, demonstrando sacrífio, capacidade de sofrimento e audácia.

            Esta semana caberá aos juniores, no europeu da categoria, em Tallin dar seguimento a todo este trabalho e resultados dos sub 23. Mais uma vez a nossa formação estará à prova. Mais uma vez nos superaremos?

 

By João Perfeito

 



publicado por João Perfeito às 23:59
editado por Jorge Sousa em 29/07/2011 às 11:09
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