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Minuto Zero

A Semana Desportiva, minuto a minuto!

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15
Nov10

Segunda é o dia

Minuto Zero
O serviço público e o desporto

Os portugueses já estavam fartos de ouvir falar em crise. Depois, os jornalistas começaram a fartar-se. Finalmente, os políticos também já não têm mais nada de novo a dizer sobre este tema. Quando assim é, é preciso arranjar novos tópicos de discussão, para os políticos falarem, os jornalistas terem algo para relatar e os portugueses fingirem que se interessam. Um dos temas que, ultimamente, tem vindo à baila, ainda no rescaldo da crise e do Orçamento do Estado, é a privatização do serviço público de televisão. Esta discussão não é, em si mesma, algo de novo, mas não deixa de ser importante. Neste contexto, seria interessante pensar um bocadinho sobre o serviço público de televisão e a sua ligação com o desporto.
O tema “serviço público” nunca é pacífico, pelo que também não o poderia ser quando aplicado ao desporto. Para uns, por exemplo, é vital que os jogos da liga portuguesa de futebol sejam transmitidos pela RTP; para outros, a RTP deveria ser proibida de fazê-lo. Para uns, não faz sentido transmitir modalidade “amadoras”; para outros, essa deverá ser a função do serviço público. Para uns, o serviço público não pode, pura e simplesmente, transmitir desporto; para outros, o desporto é uma componente fundamental da sociedade e, por isso, deverá ser uma prioridade do serviço público.
Na minha opinião, a questão do serviço público de televisão é muito melindrosa e delicada. Ainda assim, penso que faz todo o sentido que seja discutida porque actualmente a RTP é um sorvedouro de dinheiro do Estado e muitas das suas despesas são precisamente com o desporto. Mas aqui reside uma das minhas interrogações: com que desporto se gasta dinheiro e com que desporto se deve gastar? E quanto dinheiro se deve gastar com o desporto?
Pessoalmente, defendo que o serviço público deverá ter, no desporto, uma postura de “serviços mínimos”, ou seja, assegurar apenas o que os operadores privados não querem ou não podem assegurar. Aliás, a legislação existente vai um pouco nesse sentido, mas não é restritiva. Por exemplo, o serviço público é obrigado a transmitir os jogos da selecção nacional, se mais nenhum canal tiver meios para isso. No entanto, a RTP não está impedida de disputar esses direitos de transmissão com os privados. Ora, isto não faz qualquer sentido, porque leva a RTP a gastar bastante dinheiro em direitos televisivos numa transmissão que, na realidade, a SIC ou a TVI queriam deter.
Por outro lado, libertando a RTP dos encargos com o futebol, haveria espaço para uma maior atenção aos restantes desportos, que actualmente estão confinados a um bloco nas tardes de fim-de-semana da RTP 2. Quanto a mim, não faz sentido que desportos como o Hóquei em Patins, o Atletismo, o Triatlo, o Voleibol ou o Andebol, entre muitos outros, em que Portugal tem tido grandes desempenhos e bons praticantes, sejam relegados para um plano muito mais que secundário. A sobrevivência destas actividades depende, na maior parte dos casos, da exposição mediática, que traz anunciantes para as modalidades. Se não for o serviço público a levá-las para a televisão, não podemos esperar que sejam os privados a fazê-lo.
Assim, é urgente que sejam revistas as prioridades da RTP no que respeita a transmissões desportivas. Quer por motivos financeiros, quer por motivos de concorrência, não faz sentido que a RTP continue a disputar direitos televisivos com os operadores privados tendo em vista apenas a conquista de audiências.

by João Vargas

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