1 a zero:
De Steve Grácio a 27 de Junho de 2011 às 00:58
Pedro, antes de mais excelente texto. Para quem gosta de rugby mas nao tem grande conhecimeto, a grande é uma grande ajuda. Além disso, é importante a divulgação de modalidades relegadas para um plano secundário, e nao menos importante por isso, para fugir ao padrão futebolístico no qual faço parte.
Depois, uma dúvida: o terceiro classificado, dizes tu, apura-se para o próximo mundial. Ou seja, 15 equipas terão lugar marcado em Inglaterra 2015. essas selecções, portanto, nao terão de enfrentar um apuramento como se verifica no futebol. Sendo assim, boas perspectivas para Portugal, nao?


De Pedro Santos a 27 de Junho de 2011 às 19:47
Obrigado Steve

em relação à tua dúvida, as 3 primeiras equipas de cada grupo estarão automaticamente qualificadas para o proximo mundial.
Portugal, qualifica se através do Campeonato Europeu das Nação (o Seis Nações B, a "segunda divisão europeia). Neste campeonato, qualificam se 3 equipas para o mundial (o terceiro classficado disputa certos play-off´s como Portugal fez em 2006), e as mais fortes candidatas são a Geórgia, a Roménia e a Rússia. Portanto se alguma destas equipas conseguir um 3º lugar no mundial, Portugal terá mais hipoteses de conseguir o apuramento.

O problema é que Geórgia e Roménia estão ambas no grupo B, onde se espera que Inglaterra e Argentina passem à próxima fase. e depois Geórgia, Roménia e Escócia irão disputar o 3º lugar. A probabilidade de o 3º lugar ser para a Escócia é grande.
A Rússia, está no grupo C, e (muito provavelemnte) irá discutir o 3º lugar com a Itália, e o favoritismo é todo para os italianos.

Portanto, como vês (e nao existindo "surpresas") essa probabilidade é remota. resta nos tentar o apuramente pelo meios convencionais.


De Steve Grácio a 27 de Junho de 2011 às 19:51
achas que o método de apuramento está correcto ou que devia de ser como no futebol, por exemplo, em que todos são submetidos a um apuramento? se calhar era mais justo, mas equipas como Portugal nao teriam a mínima hipótese, é certo.


De Pedro Santos a 27 de Junho de 2011 às 20:57
eu pessoalmente gosto bastante deste metodo, pois:

1- permite que mesmo quando duas equipas se apuram (no mundial), o terceiro lugar continua a ser apelativo,logo ha mais competição

2- o facto de "as grandes equipas" se apurarem directamente, permite uma hipotese (mesmo que pequena) às selecçoes mais fracas

3- nao acho que fosse justo por exemplo, Portugal disputar o apuramento contra equipas como a Inglaterra ou a França. Portugal nao ganharia nada em perder por 60/70 pontos, e a Inglaterra ou a França tambem nao iriam beneficiar disso

4- O rugby nao é como o futebol. Por exemplo, no apuramento para o Europeu ou o mundial em futebol, por vezes ficam no mesmo grupo a Espanha ou a Holanda com equipas como as Ilhas Faroe ou a Moldávia, e os resultados, hoje em dia nunca são assim tao dilatados. no rugby isso nao acontece, uma equipa de primeira linha facilmente ganha por 60/70 a Portugal. O desiquilibrio é muito maior.

5- alem disso nem é possivel fazer um apuramento como no futebol. Na europa há 6 equipas muito boas, e depois 2/3 equipas que de segunda linha e o resto é paisagem.

por isot considero que assim como está, está bem organizado


De Steve Grácio a 27 de Junho de 2011 às 21:13
compreendo...obrigado, gosto de discutir estas coisas.


De Pedro Santos a 27 de Junho de 2011 às 22:13
de nada. sempre que tenhas duvidas é só perguntares


De João Perfeito a 27 de Junho de 2011 às 23:46
Pedro gostava que me tirasses uma dúvida que já me fartei de pesquisar mas nunca consegui tirar. Portugal quanfo foi campeão europeu de sevens, foi mesmo campeão campeão ou foi uma segunda divisão europeia.
Outra coisa permita-me discurdar de ti e do Steve. Acho que o actual modelo só favorece as grandes potências. Não podemos esperar que um desporto evolua se constantemente tivermos a frisar o fosso que separa as grandes equipas das outras. Temos de pensar a longo prazo. E se hoje mamos 60/70 pontos ninguém nos diz que daqui a 50 anos não ganhamos. Ninguém conhece o futuro e nada melhores do que as equipas amadoras jogarem com equipas poderosas para crescerem- nem que o resultado só seja visto noutras gerações futuras.
Pessoalmente estou farto do discurso somos um país pequeno, era difícil fazer melhor. O nosso problema é falta de acreditar. Porque não tenho a mínima dúvida de que mesmo com 10 milhões de habitantes, apostando no desporto poderemos ser potências mundias em quase tudo. Se somos no futebol porque não poderemos ser noutros desportos? Nem que seja só daqui a 40/50 anos mas confio que um dia poderemos ser campeões do Mundo de Andebol, Basquetebol ou Rugby. Se a Islândia com 300000 habitantes é vice-campeã olímpica de Andebol, se a Grécia foi campeã de futebol, porque não- um dia nós?


De Pedro Santos a 28 de Junho de 2011 às 19:47
caro joão,

em primeiro lugar, Portugal foi mesmo campeão europeu de sevens. nao se tratou de nenhuma segunda divisao, foi mesmo um titulo de "primeira divisao". Mas porque é que isso aconteceu? Como expliquei na crónica da semana passada, as grandes equipas europeias nao costumam apostar nesta competição. Quando participam (o que nem sempre acontece) apresentam sempre equipas mais fracas do que as do Circuito Mundial de Sevens. E jogando Portugal contra equipas mais fracas (Holanda, Moldávia ou Ucrania) ou França, Escócia com as suas "reservas", explica se o facto de Portugal ter sido 7 vezes campeão europeu de sevens.

em segundo lugar, por um lado compreendo o teu ponto de vista em relaçao às qualificaçoes.
Até te dou um exemplo, na qualificação para o mundial de 1995, Portugal jogou com a Escócia e perdeu por mais 90 (96-0, mas nao tenho a certeza), no mundial de 2007 perdemos "apenas" por 56-10. Com a Itália na qualificaçao para o mundial perdemos 83-0. No mundial perdemos por 31-5 (e acredito que podiamos ter feito um resultado muito melhor). Há 15 anos Portugal perdia com a Roménia ou com a Espanha sem sequer dar luta.
Houve pois um grande evolução. Se calhar daqui a 10/12 podemos conseguir jogar com uma equipa do torneio das 6 naçoes e nao perder. quem sabe.

A Itália, apenas joga o Torneio das 6 Naçoes ha alguns anos, porque conseguiu atingir um patamar de destaque. A argentina irá em 2012 jogar o torneio das 3 naçoes (passará a ser o "four nations").

Ora quer isto dizer que estas equipas evoluiram bastante, mas evoluiram jogando com equipas do seu nível. Jogar com equipas mais fortes é sempre positivo, mas nao é positivo estar numa competição onde constantemente se perde por dezenas de poontos. Acho que apenas se deve "subir" de nivel quando se puder estar ao nivel das equipas melhores.
mas claro, esta é apenas a minha opinião.
O problema de Portugal é mesmo a falta de recursos humanos, faltam pontas que consigam correr toda à linha (tipo Rocokoko, ou Shane Williams), pilares que ganhem constantemente as formações ordenadas ou segundas linhas altos (apenas Gonçalo Uva é realmente uma "ganhador" de alinhamentos), e claro jogadores a jogar em campeonatos competitivos, em boas equipas. não é com o nosso campeonato que se consegue formar uma grande selecçao.


De João Perfeito a 28 de Junho de 2011 às 23:04
O que quero dizer é que claro que Portugal deve de jogar preferencialmente com equipas do seu nível, mas deve também nem que seja esporadicamente jogar mais vezes como potência. A evolução de resultados que dizeste ,eu vi o Portugal- Itália acho que explicam que pudemos ir mais longe. Jogar noutros campeonatos é fundamental. Repara por exemplo que a geração dourada do andebol e do voleibol nacional foi jogar muito para o estrangeiro e por isso os resultados melhoraram a grande nível. No Rugby esperemos que isso acontece. Numa fase futura evidentemente que o campeonato Nacional conseguirá subir um pouco e manter mais os jogadores.


De Pedro Santos a 28 de Junho de 2011 às 23:37
exactamente joao, o segredo está em conseguir colocar jogadores a jogar lá fora. A seguir ao mundial de 2007, vários jogadores conseguiram contratos lá fora, por exemplo em França, Espanha ou Itália. Resultado? passado poucos meses já ca estavam todos outras vez.
Ou entao acontece o seguinte, o jogador vai para uma boa equipa, e joga sempre nas reservas ou em equipas regionais (excelente exemplo, o Diogo Mateus quando foi para o Munster).
O jogador de rugby portugues ainda nao é reconhecido lá fora.
Por exemplo no futebol antes da geraçao de 90/91 (figos, ruis costa, etc), eram poucos os jogadores que rumavam ao futebol europeu. qaundo ganharam esse estatuto passaram a ser vistos como jogadores apeteciveis para as grandes equipas. Há que conseguir isso no rugby. Olhamos para a selecção de rugby e apenas vemos 2 jogadores a actuar no primeiro campeonato francês. É pouco. se houvesse por exemplo 4/5 jogadores em França, Itália ou Inglaterra a nossa selecçao seria bem melhor.

Ninguem nasce a saber jogar rugby, é fundamental conseguir formar jogadores que possam vir a jogar lá fora


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