Sexta-feira, 3 de Junho de 2011
Voleibol à Sexta

Os disparates enervam-me

 

               O Ricardo roubou-me a crónica: na verdade, disse tudo - ou quase tudo - aquilo que eu poderia dizer sobre a prestação da seleção portuguesa de voleibol na primeira jornada da Liga Mundial. Resta-me, portanto, mudar de assunto.

               Já fiz referência, várias vezes, à falta de atenção mediática que tem o voleibol - o facto da participação nesta mesma Liga Mundial não ser coberta em canal de antena aberta é simplesmente extraordinário - mas impõe-se agora que exemplifique também a ignorância total e absoluta dos jornalistas que escrevem sobre voleibol.

               Poderia utilizar aqui vários exemplos, de situações diferentes, mas nada surge aos meus olhos como tão escandaloso como a notícia publicada pelo jornal Record na sua plataforma online, no dia 28 de maio. Nela se informa o público - depois do jornalismo básico que limita o jogo de Portugal, grosso modo, a uma vitória mais ou menos «puxada» sobre a Finlândia - que o seis inicial («as equipas alinharam») de Portugal foi composto por João Malveiro, Tiago Violas, Flávio Cruz, Valdir Sequeira, Carlos Teixeira e André Lopes.

               Entra agora a caça ao intruso: qualquer um com o olho treinado percebe rapidamente que há alguém a mais e alguém a menos. O capitão João José, jogador do centro de rede, não consta da lista de titulares. No seu lugar está... o libero Carlos Teixeira. Vamos à questão rapidamente: os liberos não são titulares de coisa nenhuma, meus queridos. Os liberos entram para substituir qualquer jogador que se encontre na zona de defesa (posições 1, 6 e 5) - o que quer dizer que, normalmente, substituem os centrais - mas não fazem parte do seis inicial de qualquer equipa.

               O facto de João José ter começado a jogar no banco, com Carlos Teixeira no seu lugar, só significa que estava em posição defensiva - ainda assim, foi o capitão que foi chamado, na apresentação do jogo, como titular; e foi também ele que teve que ocupar o seu lugar em campo, para que a equipa de arbitragem conferisse a regularidade das posições, antes de se fazer qualquer troca de jogadores.

               Erros básicos como este assustam um bocadinho: qualquer hora de estudo impediria um «jornalista» de os fazer. E se erram com coisas destas, só podemos imaginar que barbaridades leríamos no caso de se fazer jornalismo a sério, no voleibol. Porque o jornalismo a sério é mais do que o simples relato do resultado dos sets. É aquilo que, hoje, está mais próximo daquilo que se faz com o futebol: páginas e páginas de discussões e explicações sobre qualquer situação da modalidade. Páginas e páginas dedicadas à análise de performances e jogadores.

               De certa forma, ainda bem que não tentamos fazer este jornalismo. Com exemplos destes, seriam páginas e páginas de disparates.

http://www.sitedossites.com/wp-content/uploads/2011/02/jornal-record-sds.jpg

                 Acabo lembrando que a seleção joga, esta noite, às 21.30, o primeiro jogo da segunda jornada da Liga Mundial de Voleibol, contra a Argentina, no Pavilhão Desportivo Municipal Da Póvoa do Varzim. A vitória parece-me mais difícil do que as da semana passada, vejamos se estou errada.

 

by Sarah Saint-Maxent

Esta crónica foi escrita ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.



publicado por Sarah Saint-Maxent às 07:00
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1 a zero:
De Óscar Morgado a 4 de Junho de 2011 às 00:16
Ando a gostar mais do Público ultimamente. Agora que o Shaquille O'neal se reformou fizeram um artigo inteiro sobre ele. Sobre as finais mais uns quantos, que não dizem só os resultados dos jogos como é costume. Mas mais um mês e passa-lhes lol.


De João Perfeito a 4 de Junho de 2011 às 00:40
ESta é a prova mais que suficiente para questionarmos a experiência mediática. Porque a experiência mediática não traz só benefícios. Nestes casos impede que uma pessoa desolva a sua experiência concreta, queira aprender por si e dpois é como termos uma teoria causal-histórica de dados errados. Por isso nada melhor que ver os jogos, analisar tacticamente e depois conforntar com o que dizem os especialistas ou os incultos neste caso só assim podemos evoluir a nossa cultura desportiva. Mesmo no caso de seres transcendetes como Phil Jackson (treinador dos Lakers), Mourinho ou Moniz Poreira temos sempre que partir das nossas ideias e assimila-las nas dos grandes sábios. Não fazer uma mera repodução ou assimilação como se tivessemos a assistir a uma aula do Pissara a ouvir o Luís freitas Lobo por exemplo. Só assim podemos evoluir, só assim podemos ter uma opinião diferenciada, só assim podemos não ser enganados...


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