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Minuto Zero

A Semana Desportiva, minuto a minuto!

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Minuto Zero

01
Jun11

Porque a vida também é feita a correr...

João Perfeito

Espectáculo, ausências forçadas e eterna glória

 

               A minha crónica desta semana é uma analogia entre o melhor atleta nacional, Nélson Évora, e o melhor do Mundo, Usain Bolt.

Claro que são atletas diferentes com mediatismo, performance e estilos diferentes. Não é isso que evidentemente vou comparar. Até porque primeiramente fazem disciplinas distintas.

               Aquilo que acho interessante comparar é o modo como estes atletas têm gerido as suas carreiras em prol da trilogia - espectáculo, ausências forçadas e eterna glória - e como deixam a sua marca. Bolt no mundo - Évora no país.

               No fundo o percurso de ambos quase se confunde. Olhemos para Usain Bolt: bate o recorde do mundo (9,72) poucos meses antes dos jogos olímpicos, sem nunca ter ganho qualquer competição internacional. Teve um percurso de formação dourada, todo a preparar este evento. Em Pequim, tocou as pontas de dedos no céu. Voou, festejou, dançou, pegou na bandeira do seu país e disse “I am the numer one” num estilo com tanto de espectacular como de universal. Fez capas em todo o mundo e mesmo a minha avó sabia que havia um jamaicano que voava. No fundo, a sua passada larguíssima e a sua celebração inédita em 100 metros fizeram eternizar a pista de Pequim como um dos melhores espectáculos que o desporto já deu à humanidade. Em 2009, Bolt ameaça, segundo cientistas, deixar de ser humano, correndo praticamente abaixo do que aquilo que biologicamente um ser humano pode fazer. Sendo comparado a da Vinci, Mozart, Newton, como alguém sobrenatural… Em 2010 quase deixámos de falar de Usain Bolt - perdeu até uma prova para Tyson Gay, seu eterno rival. Mas 2011 tem também sido um ano atípico: Bolt passa 8 meses sem competir (Setembro de 2010) e regressa 3 meses antes dos mundiais mas, uma vez mais, com marcas discretas e vitórias não folgadas. O fenómeno Bolt parece estar cada vez mais em queda. Já não se inventam notícias para que apareça alguma coisa dele. Já não aparece na televisão. Não participa em provas. Parece que nos esquecemos do homem mais rápido da Humanidade. No fundo, toda esta pausa - todas estas 6 provas q.b. em 2 anos de Bolt nada são mais do que uma forma de nos criar expectativa e depois fazermos novamente deslumbrar. Com novo recorde do mundo e com uma corrida exímia.

               Évora prima pelo mesmo diapasão. Uma carreira em ascensão mas sem topo europeu ou mundial até 2007. Em 2007 surpreende tudo e todos e alcança uma das melhores marcas de sempre em mundias: 17.74. Bate o favoritíssimo Jardel Gregório que tinha pulado 17.90 nesse ano e surpreende o Mundo. Em 2008 com 17.67 dá-nos a 4ª medalha de Ouro olímpica- orgulha um país e levanta uma Nação. Abre telejornais, chora e mostra ao Mundo a nossa vaga de ser português e o quanto nos orgulhamos disso. Torna-se um símbolo nacional. Em 2009, longe da sua performance habitual, sagra-se vice-campeão mundial, perdendo o trono para o seu grande inimigo Idowu. Em 2010 faz um ano de regeneração e pára - abdicando dos europeus.

               Em 2011 abdica a meio de um meeting e volta a negar o regresso à competição. O que é certo é que parece longe do seu melhor…

No fundo, Évora está a preparar-se para recuperar a 100% e, outras vezes, em terras do Oriente, fazer uma viagem rumo à eternidade - como símbolo nacional e no ano seguinte ser o maior desmancha prazeres dos jogos Olímpicos e derrotar em sua própria casa Idowu.

               Se será cansaço, saturação ou apenas gestão do espectáculo o que interessa é que estes dois atletas apenas gostam de aparecer para fazerem a diferença, para deixarem um legado e uma marca singular e apenas o fazem quando estão no pico da sua forma…

O País quer voltar a sonhar com Nélson… O Mundo quer voltar a sonhar com Bolt.

               Em Daegu tiraremos as dúvidas…

 

By João Perfeito