Segunda-feira, 30 de Maio de 2011
Bloco Triplo

Evoluir na continuidade

 

 

               A selecção portuguesa chegou, viu e venceu. Assim se descreve, em poucas palavras, a primeira jornada de Portugal na edição de 2011 da Liga Mundial. Para todos aqueles que receavam que o seis luso não aguentasse a transição da Liga Europeia, ganha em 2010, para a mais competitiva Liga Mundial, a nossa selecção apresentou-se mais unida, mais coesa, mais experiente e conseguiu duas vitórias importantes frente à Finlândia. Com estes resultados, Juan Diaz põe-se no mesmo patamar da Rússia e Itália, duas das poucas selecções que contam os jogos todos por vitórias apenas, e consegue um bom início para a campanha portuguesa nesta aventura. É certo que o adversário era acessível e que “o pior ainda aí vem”, mas quando algo tem mérito, é preciso reconhecê-lo. E estas vitórias tiveram-no, muito.

               Antes de mais, convém ver que Portugal está melhor. Tem mais opções e a profundidade do doze é muito maior. Em relação à primeira, um exemplo claro do alargar de opções é a saída da rede da nossa selecção.

               Assistiu-se ao regresso do “velho” Hugo Gaspar, que se veio juntar a Valdir Sequeira. Embora o segundo seja mais forte fisicamente e, possivelmente, jogue mais alto, Hugo Gaspar tem algo que ainda falta ao primeiro: experiência e sangue frio. Atravessa um momento de forma notável. Está bem fisicamente, o que lhe permite estar bem tecnicamente. É dono de um serviço muito eficaz e variado, dado o seu trabalho de voleibol de praia. No ataque, tal como foi sua imagem durante a época, faz muitos pontos e tem um reportório muito grande. Além do mais, foi importante na motivação dos companheiros nos momentos de mais aperto e desconcentração. Portugal tem agora duas opções válidas e capazes de desbloquear jogo quando a situação complicar.

                Na distribuição, Tiago Violas está melhor. O distribuidor que conduziu Portugal à vitória na Liga Europeia apresentou-se na Póvoa mais maduro e mais inteligente. Apesar da tenra idade, já mostra processos de jogo variados e consistentes, sobressaindo-se. Tal como referi em cima, teve muita ajuda dos companheiros nas alturas de segurar o jogo, como a de Hugo Gaspar, o que se reflectiu em dois bons jogos. Violas alia a subida de jogo jogado à consistência habitual do seu serviço andorinha, o que faz dele um jogador cada vez mais válido para conduzir o seis luso e continuar a constar nas escolhas de Juan Diaz.

               No centro da rede estamos a ver uma revelação. Falo de João Malveiro. O recém-espinhense está num crescendo de forma. Está mais agressivo em todos os capítulos, principalmente na acção de bloco. Com um ataque forte e um serviço muito agressivo, subiu, sem dúvida, o nível de jogo. Portugal tem agora uma dupla equilibrada e muito forte, capaz de fazer estragos nas defesas que por aí andam.

               Por fim, a terceira revelação é Alexandre Ferreira. Apesar de ter jogado pouco, o simples facto de Juan Diaz ter apostado nele é sinal da qualidade do jogador e da atenção do cubano à formação do nosso país. É bom que assim seja, porque nomes como Ivo Casas, Filipe Pinto, Phelipe Martins, entre outros, merecem ver a luz da ribalta. São exemplos máximos do bom trabalho de formação portuguesa e merecem ser recompensados.

               Em suma, a nossa selecção “evoluiu na continuidade”. A “espinha dorsal” composta por Teixeira, a dupla André Lopes/ Flávio Cruz e João José foi melhorada e fortificada. Portugal está mais forte, com mais opções e , no meu entender, mais capaz de aguentar o desafio da Liga Mundial.

               Resta esperar para perceber se o tempo me dá ou não razão.

 



publicado por Ricardo Norton às 17:45
editado por Sarah Saint-Maxent em 01/06/2011 às 16:25
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1 a zero:
De Sarah Saint-Maxent a 1 de Junho de 2011 às 16:31
tiraste-me as palavras da boca (ou a crónica de sexta, sabe-se lá).
violas aguentou-se muitíssimo bem sob pressão. não demonstra nervosismo, apesar da juventude, e tem uma distribuição muito inteligente, na maioria das vezes.
hugo gaspar foi importantíssimo na vitória de sábado: com valdir a acusar a pressão do momento, fazer entrar o jogador benfiquista foi o melhor que juan diaz pôde fazer.
a aposta nos jogadores mais novos é uma boa escolha, já aqui louvada, e que se podia ver já nas escolhas para integrar o estágio inicial de 24 jogadores, onde muitos eram os atletas juniores, como alexandre ferreira.
só não concordo com o que disseste de malveiro. não me parece que o «brilharete» do jogador tenha sido uma surpresa. há pelo menos uns 2 ou 3 anos que tem sido consistente e muito eficaz no centro da rede.

uma nota de deceção para carlos teixeira que, apesar de não comprometer, não foi o libero espetacular a que nos tínhamos habituado. pode ser que ainda o seja.

ps: não esquecer o brasil que, com três vitórias folgadas, lidera o seu grupo muito confortavelmente...


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