Domingo, 29 de Maio de 2011
Área de Ensaio

IRB Sevens World Series

 

 

     

       Como se deve imaginar, o rugby de sevens é bastante diferente do rugby de XV. E as diferenças não existem apenas no número de jogadores, toda a dinâmica do jogo é completamente diferente.

       Esta variante é muito previsível, ou seja, há jogadas que por vezes ainda não chegaram a meio do campo e já se sabe que vai ser ensaio. Há muito espaço para tão poucos jogadores, logo menos contacto e menos placagens. Exige–se a cada jogador mais velocidade, visão de jogo e poder de arranque do que propriamente capacidade de placar ou de lutar pela bola nas fases estáticas do jogo.

       Contudo, reconheço que a variante de sevens tem mais espectáculo. Há mais ensaios, boas jogadas, e o facto de nos torneios se realizarem vários jogos (um jogo de sevens tem apenas 14 minutos) cria um ambiente nos estádios que a variante de XV não consegue proporcionar. E também por isto, será esta a variante a representar o rugby nos Jogos Olímpicos de 2016 no Rio de Janeiro.

       E escrevo sobre esta variante, porque se realiza, neste fim-de-semana, a etapa final do Circuito Mundial de Sevens. O IRB Sevens World Series (é este o nome do circuito) realiza-se ao longo de uma época desportiva, e está dividido em oito torneios. Ou seja em vez de se concentrar o circuito apenas num período de tempo, divide–se por torneios que se distribuem no tempo (de Dezembro a Maio) e no espaço, pois as etapas realizam–se por várias partes do mundo. Desde os Emirados Árabes Unidos à Escócia, são vários os países que recebem, durante um fim-de-semana, uma etapa deste prestigiante circuito.

       Em cada etapa do circuito mundial, 16 selecções (algumas residentes, outras convidadas) competem numa primeira fase divididas em 4 grupos de 4 equipas. Consoante a classificação desta primeira fase, as equipas avançam para outras fases. Ou seja o primeiro classificado jogará com os primeiros dos outros grupos na disputa da Taça Cup, os segundos disputam a Taça Plate, os terceiros a Taça Bowl e os últimos a Taça Shield. Mais tarde, as equipas que vão perdendo em cada taça vão sendo repescadas para a taça anterior, ou seja uma equipa que seja eliminada na Taça Bowl, irá de seguida “cair” para a Taça Shield. No final, as equipas, consoante a sua classificação, recebem pontos, e esses pontos vão transitando de etapa em etapa. No final do circuito, a equipa que tiver somado mais pontos nas diversas etapas/torneios, sagra–se vencedora da IRB Sevens World Series. As crónicas selecções que dominam a variante são a Nova Zelândia e as Ilhas Fiji. E, este ano, nem foi preciso chegar ao último torneio desta edição para se conhecer o vencedor. A Nova Zelândia, 3 anos depois voltou a vencer o circuito, sucedendo a Samoa.

       Nesta variante, Portugal pode afirmar que joga de igual para igual com qualquer selecção. Embora equipas como a Nova Zelândia, as Fiji ou a África do Sul continuem a ser superiores a Portugal, as diferenças abismais que se verificam no rugby de XV, aqui são muito menos evidentes. Portugal é actualmente considerado uma das melhores equipas europeias de rugby de sevens, pois já mostrou que pode vencer qualquer equipa. Por exemplo o jogador Pedro Leal, é considerado um dos melhores executantes nesta variante. No circuito deste ano, Portugal mostrou ser capaz do melhor e do pior. Por exemplo em Hong Kong atingiu uma fase adiantada da Taça Plate, o que valeu os únicos pontos no circuito deste ano. Mas tanto a semana passada em Londres como esta semana em Edimburgo, a prestação dos “Lobos” foi medíocre, o que em parte se pode explicar pela ausência de jogadores importantes devido a lesão.

       O que também tem impedido a Selecção Portuguesa de Sevens de se afirmar ainda mais no panorama mundial é o facto de os jogadores de sevens serem os mesmos de XV. Ora isto é uma situação que não faz sentido. São pouquíssimas as selecções que disputam o circuito mundial e não fazem uma separação das suas selecções. Apenas Portugal, a Espanha, a Rússia e a França (mas a França não aposta deliberadamente nos sevens, apenas o começou a fazer há pouco tempo) e pequenas selecções que são convidadas a disputar algum torneio continuam a registar este curioso facto.

       Esta situação apenas traz problemas. Obriga os jogadores a disputarem mais jogos e a desgastarem-se mais, muitas vezes os jogadores vão para os sevens com as dinâmicas do rugby de XV que são completamente diferentes. E claro que ainda há a questão das datas dos jogos que por vezes se sobrepõem.

       À parte disto, Portugal tem-se conseguido destacar nesta variante, e há que saber retirar as ilações necessárias para se puder aproveitar o que de bom tem sido feito para adaptar no rugby de XV.

 

By Pedro Santos

 



publicado por Pedro Santos às 15:44
editado por Sarah Saint-Maxent em 30/05/2011 às 13:14
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1 a zero:
De Sarah Saint-Maxent a 30 de Maio de 2011 às 17:44
era exatamente isso a que me referia quando digo «os bons jogadores de XV são os grandes de sevens», não há preparação específica...
percebo perfeitamente o teu ponto de vista e concordo com ele - não faz sentido não haver uma especialização de jogadores quando se trata de variantes tão distintas.


De Pedro Santos a 30 de Maio de 2011 às 18:41
e se conseguimos ter uma selecçao de sevens que venceu o circuito eurõpeu por 7 vezes com jogadores de XV, imagina o que fariamos com jogadores que se dedicassem so mesmo aos sevens...


De Sarah Saint-Maxent a 30 de Maio de 2011 às 21:41
indeed!


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