Sexta-feira, 20 de Maio de 2011
Voleibol à Sexta

O voleibol feminino não é bonito, é verdade

 

                Já aqui dei a entender, várias vezes, que não sou grande apreciadora de voleibol feminino. Acho, no entanto, que nunca expliquei porquê – e não consigo pensar em melhor altura para fazê-lo do que neste momento. E sim, a culpa também é de um dos jogos dos play-offs da meia-final do campeonato italiano que vi ontem à noite.

                O voleibol feminino é inestético. Só essa era razão mais do que suficiente para não gostar de ver o desporto, mas não é a única – e não é, certamente, a mais importante. Ainda assim, é uma razão. Os jogos de voleibol feminino – aqueles a sério – fazem-me constantemente lembrar um bando de girafas aos saltos. É a mais pura das realidades.

http://i4.photoblog.com/photos/24937-1275240765-3-l.jpg

                Vamos lá por partes, então. Distinguir o voleibol «a sério» do voleibol «meio a brincar» é um passo importante nesta explicação. Por voleibol «a sério» entendo aquele praticado pela maioria das seleções nacionais – não a nossa, claro está – e por vários campeonatos europeus, americanos e asiáticos. Pondo as coisas mais fáceis, estou a falar daquele em que as raparigas têm uma média de alturas, vá lá, que ronda o metro e oitenta. Esse voleibol é particularmente feio mas, mais do que isso, é lento na defesa baixa.

                Sempre fui fã da defesa baixa – é aquilo que gosto de fazer, de ver, de criticar e melhorar. O libero sempre foi o meu jogador preferido. É muito por causa disso que não gosto de ver – é mesmo uma questão de ver, não se trata de desgostar do desporto em si – voleibol feminino. As atletas de alta competição são normalmente enormes e com pouca coordenação (estou a compará-las aos atletas do mesmo estatuto, claro está) na defesa baixa. É verdade que, por serem altas, conseguem atacar a bola de formas que outras não conseguem, mas perdem muita da velocidade e reflexos necessários para aquelas defesas impossíveis que são a alma do voleibol. Este ponto está claro.

                No voleibol «meio a brincar» – e aqui insiro a maioria das equipas portuguesas –, o problema é o contrário: não são altas o suficiente para fazer, na maioria das vezes, ataques estrondosos. Não são capazes, muitas vezes, de bater a bola para dentro dos três metros. Mesmo o bloco não costuma ser espetacular. É verdade que se mexem muito mais rapidamente na defesa e receção, mas de que serve isso se não há um ataque de deixar o queixo caído do outro lado?

                Como se vê, é um problema pelos dois lados. E que continua, porque elas parecem sempre «ocupar pouco campo». São magrinhas, não se sabem alargar para impedir que se veja superfície, tornam o jogo chato. É, muitas vezes, tão previsível saber onde podiam pôr a bola para que fosse ponto!

                Posto isto – e porque valia a pena dadas as minhas constantes «bocas» a este respeito – não posso deixar de terminar dizendo que isso não tira nenhum mérito ao desporto em si. O voleibol (masculino ou feminino) continua a ser um desporto com uma aura especial, envolvido por uma atmosfera fantástica e com uma beleza – chamemos-lhe interior – fantástica. Só não é perfeito neste pontinho (e sei que a opinião não é geral). Mas continua a ser «do caraças».

 

by Sarah Saint-Maxent

Esta crónica foi escrita ao abrigo do novo Acordo Ortográfico



publicado por Sarah Saint-Maxent às 07:00
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1 a zero:
De Pedro Santos a 20 de Maio de 2011 às 15:16
e no entanto o volley para mim sempre foi um desporto feminino...
Tenho andado a descobrir que nao percebo mesmo nada deste desporto


De Sarah Saint-Maxent a 20 de Maio de 2011 às 19:10
muita gente tem essa impressão, pedro. e, de facto, não é de todo desmedida - é um desporto com muita aceitação por parte das raparigas, mesmo que não joguem, o que não acontece com os rapazes...


De Pedro Santos a 20 de Maio de 2011 às 22:01
acho que a grande maioria dos gestos tecnicos e movimentos do volley assentam melhor na graciosidade feminina. e é sempre mais facil para uma rapariga começar a praticar volley do que futebol por exemplo.


De Sarah Saint-Maxent a 21 de Maio de 2011 às 22:40
hum, não acho nada que assentem melhor a elas do que a eles - e comparações com o futebol não valem a pena (tantas são aquelas que, querendo jogar voleibol, não têm jeitinho nenhum para aquilo...).
de facto, a componente técnica do voleibol é tão importante para o jogo que dizer que é mais fácil jogar, para as raparigas, voleibol do que futebol é contestável: toda a gente consegue, mais ou menos fazer um passe, mas ter qualidade para fazer um jogo minimamente decente, com sustentação de bola, requer muito mais do que parece...


De Pedro Santos a 21 de Maio de 2011 às 23:17
por favor nao fiques a achar que eu estou a dizer que o volley é facil e que é por isso que as raparigas o jogam. eu compreendo perfeitamente que este, como qualquer desporto, tem gestos tecnicos dificeis e requer muito treino e dedicaçao. tal como compreendo que nao ha desportos de homens e desportos de mulheres, ha sim realidades e caractersiticas fisicas diferentes. mas acho que uma mulher pode jogar qualquer desporto e vice versa.
e como nao sou especialista em volley (esse papel é teu, e parece me muito bem entregue), vou passar a ver mais volley e tentar perder estas ideias pre concebidas que começo a achar que estao totalmente erradas.
mas repito, nao fiques a achar que considero um desporto de "meninas" e que é tudo muito facil e qualquer um o faz. tenho o maior respeito pelo volley e pelos executantes


De Sarah Saint-Maxent a 22 de Maio de 2011 às 20:29
claro, pedro, eu percebi o que quiseste dizer: se calhar não respondi como queria.
de facto, o que quis dizer é que os gestos do voleibol não são, de todo, mais fáceis para raparigas que para rapazes... a questão das preferências tem mais a ver com tradição do que outra coisa (era o desporto jogado nas escolas de raparigas, por exemplo...).


De Pedro Santos a 22 de Maio de 2011 às 20:42
provavelmente eu achava que o voleibol era um desporto mais praticado por raparigas precisamente pelo que acontece nas escolas. ha sempre mais raparigas a jogar.
mas é mesmo para isto que este tipo de blogs servem, para acabar com mitos e tentar que mais gente perceba e compreenda os desportos. e por isso, obrigado sarah!!!


De Óscar Morgado a 20 de Maio de 2011 às 16:02
Realmente há sempre qualquer coisa no desporto em feminino que vai faltando, já no basket há uns meses falei do mesmo nesse caso. Será a selecção natural ou é outra coisa?


De Sarah Saint-Maxent a 20 de Maio de 2011 às 19:09
já tive precisamente a mesma conversa com alguém. acho que dos desportos colectivos, provavelmente o que tem uma menor diferença entre eles e elas é o andebol - mas é só impressão.
acho que são estilos diferentes, óscar, e como são muito menos espetaculares quando comparados com os homens, tornam-se menos agradáveis...


De Pedro Santos a 20 de Maio de 2011 às 22:03
acho que os desportos na vertente feminina acabam sempre por parecer "mais lentos" do que quando pratciados por homens. as movimentaçoes e os os gestos tecnicos parecem sempre mais forçados, mais encenados e logo menos rapidos. e por isso sao muito menos atractivos


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