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Minuto Zero

A Semana Desportiva, minuto a minuto!

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18
Mai11

Especial Liga Europa

Minuto Zero

Nação Valente

 

Pela primeira vez na história do nosso futebol, duas equipas portuguesas chegam à final de uma prova europeia. Sporting Clube de Braga e Futebol Clube do Porto, procuram em Dublin, suceder ao Atlético de Madrid como vencedor da Liga Europa.

Duas campanhas europeias históricas, por caminhos diferentes é certo, às quais se junta ainda o facto de Benfica ter chegado as meias-finais. Estará o futebol português em clara ascensão? A resposta não é clara. A verdade, é que cada vez mais vê-mos os clubes denominados grandes, fazer investimentos de maior risco, e por isso, conseguem por vezes dai retirar dividendos. À 10 anos atrás, seriam impensáveis as transferências que se fazem hoje em Portugal, mesmo que, em comparação com outros países, continuemos a pertencer a uma segunda linha.

Cada vez mais também, os clubes estão repletos de jogadores estrangeiros. Isto acontece a um nível à anos impensável: nos escalões de formação, principalmente nos chamados grandes, onde prosperam jogadores estrangeiros, a maioria sem grande qualidade. O fenómeno da globalização chegou a um ponto preocupante.

Continuamos a formar grandes jogadores, e continuaremos acredito eu. Mas a verdade, é que nem só por ai se vê a qualidade do nosso futebol. São necessários muito bons jogadores, mas também muitos jogadores “bons”. Quantidade aliada à qualidade, de forma a conseguir ser cada vez mais competitivos. Por isso, há que apostar em mais jovens nacionais, limitando ao máximo a entrada de estrangeiros, nomeadamente nos escalões juvenis.As próprias naturalizações na selecção são sinal dos tempos, mas também, sinal de que provavelmente se tem de trabalhar de forma diferente ao nível da formação.

Outro sinal preocupante. A crise económica parece afectar sobremaneira os clubes de menor dimensão, que viveram anos e anos do capital de benevolentes investidores privados, e agora, chegaram a um nível de despesas incontornável, numa altura em que cada vez mais, é difícil conseguir fazer dinheiro. O resultado, são históricos do futebol português em divisões inferiores, ordenados em atraso, clubes da primeira divisão que nem dinheiro tem para puder ter iluminação no dia de jogo.

Mas nem tudo é negativo. Os nossos treinadores colocam-se claramente na elite do futebol mundial, tendo mercado dentro e fora de portas. José Mourinho, Jesualdo Ferreira, Jorge Jesus, Fernando Santos, Manuel José… e agora, a nova geração de treinadores, liderada pelo “miúdo” de 33 anos, André Vilas Boas, ao qual se juntam promessas como Domingos Paciência, Rui Vitória, Leonardo Jardim, Pedro Caixinha… isto para não falar em muitos outros nomes, que ano após ano, vão mostrando que cada vez mais a este nível Portugal tem sabido formar, e continua, técnicos de elite.

Deixo aqui, em dia de festa algumas reflexões, para pensar o futuro, para que mais dias como o de hoje se possam repetir.

 

By Tiago Luís Santos

 

 

 

 

 

 

 

Porque hoje o mundo nos vê…

 

Hoje é um dia histórico para o futebol português. Pela primeira vez na história estarão presentes duas equipas nacionais na final duma competição da UEFA. Tendo em conta o elevado nível competitivo que a segunda prova do velho continente tem adquirido esta é sem sombra de dúvidas uma aparição fantástica do futebol lusitano. No fundo esta final é uma evidência da emergência de Portugal enquanto primeira potência da segunda linha europeia. Tirando os 4 grandes (Alemanha, Itália, Espanha e Inglaterra) Portugal surge logo atrás.

Contudo penso que este poderá ser o ponto de partida e não o de chegada. Na minha opinião penso que é peremptório que se o Porto não perder as suas três maiores jóias da coroa (Moutinho, Falcão e Hulk) estará para o ano a lutar de igual para igual com Chelsea para o trono europeu, e ligeiramente atrás de Manchester, Barça e Real. Este Porto é o triunfo do futebol moderno, enquanto entropia das transições e da posse, numa cultura em que por muito que Vilas Boas não queira assumir se fundem e é esta fusão que faz explodir o Porto. É este ritmo oscilante do Porto que faz do campeão nacional a melhor equipa colectiva do Mundo. No fundo a sintonia invicta é uma fusão entre o pop do meio-campo e o rock do ataque com o jazz a improvisar.

A equipa bracarense é o triunfo dum sistema organizado em que o todo é maior que a soma das partes. O facto de cada parte conseguir manter a sua autonomia e não se exacerbar faz com que simultaneamente enraíze duma forma ímpar a colectivização dentro de si. Por isso cada jogador no Braga é um jogador diferente com algo para dar, mas sempre com essa individualidade condensada num espectro colectivo amplamente comum. No fundo o Braga é uma equipa limitada, por isso é a equipa do Mundo que melhor se conhece e que sabe melhor o que pode fazer. Por isso a regularidade europeia é uma consequência natural deste apanágio. Não temos exibições espectaculares, mas teremos sempre exibições consistentes, independentemente do resultado.

No banco o reflexo do treinador português: líder, perspicaz e estratega. Com muito por ainda mostrar tanto Domingos como Villas Boas terão o Mundo à sua espera.

Esta linha de continuidade do futebol luso faz-nos prever que no futuro os dividendos serão ainda melhores, porque temos duas das equipas do Mundo que melhor se adaptam à metamorfose do futebol internacional.

Por isso para aqueles que dizem que esta final lusa apenas acontece por falta de investimento das nossas congéneres eu quero deixar duas palavras: calem-se e tenham vergonha na cara. Esta crise das equipas italianas, inglesas e até espanhola na Liga Europa não é mais do que um sintoma dos tempos modernos. Duma sociedade que quer o lucro a todo o custo, quer a vitória rapidamente, esquece o essencial e prende-se com o acessório, numa sociedade teatral onde espectáculo encena como expoente máximo. No futebol e na vida ganha quem gere melhor e quem se conhece melhor. Por isso primeiro vem o colectivo depois vem as individualidades, primeiro consolida-se e depois vem o dinheiro, primeiro constroem-se equipas depois vem as Taças. Não queiramos saltar passos e seguir o ritmo vertiginoso da sociedade. Paremos para pensar neste mundo construído à velocidade da luz e entendamos que as coisas mais importantes não se podem comprar. Por isso o nosso futebol deveria ser um espelho total da nossa cultura. Enquanto mecanismo que se exacerba fruto da exponencialização da sua inteligência e adaptabilidade ao mundo actual. Certamente se tudo fosse como o futebol seriamos todos mais felizes.

Mas invariavelmente gostamos de bater em nós e dizer que o Estádio não vai ter meia-casa que os irlandeses não sabem quem joga e que na Irlanda ninguém liga o futebol. A minha pergunta é: Se fosse o Sevilha e o Hamburgo a jogarem a final os irlandeses saberiam quem jogava? Parece-me que não. Por exemplo neste blog todos comentamos desporto e mesmo nós duvido que saibamos dizer a equipa titular do Hamburgo de cor. Mas prontos para certas pessoas seremos eternamente coitadinhos. Para mim este é o reflexo da sociedade que se intitula de crise- afinal basta fazer como no futebol e tirar o s- Crie e conquiste. Este foi o nosso trabalho. Este foi a nossa conquista. Este será o nosso destino…

 

By João Perfeito

 

 

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