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Minuto Zero

A Semana Desportiva, minuto a minuto!

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Minuto Zero

14
Mai11

Liga Zon - destaques da época

Minuto Zero

1. Manuel Machado continua a demonstrar a sua competência ano após ano. Falta-lhe no entanto conseguir marcar posição firme na liga, para puder dar o "salto", tal como fez Jorge Jesus ao serviço do Braga.

Em Guimarães, com um projecto ambicioso nas mãos, e diga-se, com um dos melhores planteis do Vitória dos últimos anos, não mais conseguiu do que ficar imediatamente atrás do lote dos 4 candidatos ao título.

Em campo, longe da teoria que por vezes em nada resulta, o Vitória foi um verdadeiro camaleão táctico. Como é praxe em Manuel Machado, as variações estratégicas das suas equipas, alternam conforme a capacidade do adversário. Se é verdade que estes ajustes são naturais, não se justifica no entanto que estas alterações se tornem demasiado normais. Com um plantel da profundidade deste Guimarães, pedia-se, pelo menos, uma atitude diferente.

Contra os grandes, uma equipa de contra-ataque, baixa as linhas enormemente, e vive dos rasgos de Targino, João Ribeiro, ou Maranhão. Por vezes funcionou, como contra o Porto ou Benfica na primeira volta, mas a verdade é que a própria equipa se parece reduzir a uma condição de menoridade preocupante. Contra os "outros" do campeonato, do seu campeonato, Manuel Machado forma uma equipa altruísta, incisiva, mas sempre claro, com precauções evidentes. Um outro Guimarães, talvez nem sempre com os resultados desejados, mas onde deixava claramente perceber que estava ali uma equipa que poderia ir mais além.

Tamanha falta de consistência e rotinas, foi adulterando também a capacidade para assumir em jogos contra equipas, as quais, seriam factualmente mais fracas.

 

Ficam no entanto deste Guimarães um serie de jogadores que mostraram enorme capacidade. Em especial, 3 brasileiros, aquisições de grande nível.

Em primeiro lugar Bruno Teles, defesa lateral-esquerdo, ataca bem, mas, defende melhor. Estilo altivo, lateral dinâmico de boa capacidade. Marcelo Toscano, avançado brasileiro, chegou marcando 3 golos no seu primeiro encontro. Ao longo da época mostrou as credenciais afirmando-se como titular nos minhotos. Forte fisicamente, joga nas costas de um avançado mais fixo, procurando bem as faixas. Excelente remate e boa definição técnica, se continuar a evoluir será cada vez mais um caso sério.

Edson Sitta. Regressou a Portugal pela mão de Manuel Machado, tornando-te no inicio da temporada o jogador que garantia capacidade em ambas as transições. Era, juntamente com João Alves, o dínamo do meio-campo do 4x1x2x1x2 (4x4x2 losango) de Manuel Machado. Acabou por perder grande parte da temporada, sendo que motivou também alteração gradual do sistema para 4x2x3x1, face à sua ausência.

 

Ficamos à espera de que o próximo ano seja a confirmação de um ambisioso projecto, junto do grupo dos 4, e não dos restantes 11 do campeonato.

 

 

2. Em Paços de Ferreira mais uma boa temporada. Rui Vitória, assumiu rapidamente a responsabilidade de manter a tradição de bom futebol na capital do móvel.

Não mexeu no essencial, a cultura própria do Paços, sua imagem de marca: equipa agressiva a pressionar, sobretudo em casa, com forte aposta em extremos rápidos e um meio-campo forte.

Apesar de ter de se restruturar época após época, a equipa continua a anotar bons resultados, relendo alguns dos mais promissores jogadores do futebol nacional. Este ano, ficam as notas de destaque para o lançamento de David Simão, Caetano, Pizzi ou Nelsón Oliveira, que encontraram em Paços de Ferreira o habitat natural para o seu futebol, tecnicamente evoluído, mas sobretudo aventureiro e rebelde. Atrás, no meio-campo, Leonel Olimpio (de saída), Leão ou Anunciação garantem a competitividade da equipa. Uma bela mescla de experiencia e jovialidade que promete voltar na próxima temporada nos mesmos moldes.

 

3. Provavelmente a maior proeza da época, na fuga à despromoção. De ultimo classificado, o Rio Ave de Carlos Brito termina em 8(!). De praticamente despedido, Carlos Brito passa a treinador com contrato renovado.

No inicio do ano, apontei esta equipa como um dos melhores projectos no nosso campeonato, com um plantel capaz de fazer estragos. A falsa partida na primeira metade da temporada, pareceu claramente desadequada para a capacidade de jogadores como Braga, Vítor Gomes ou Bruno Gama, e claro, o eterno goleador João Tomas.

Acabam a temporada em grande forma, mostrando um bom futebol, com aposta clara em jogadores rápidos, que servem um posicional (porque a idade já mexe) João Tomás. Bruno Gama e Yazalde, dois bons exemplos de jogador tipo do futebol português, rápidos, repentistas, extremos ou segundos avançados de rasgos. O grande problema é quando as equipas não entendem os seus desequilíbrios, e não os servem convenientemente. Foi o problema do 4x3x3 do Rio Ave na primeira metade do campeonato, é a grande força do Paços de Ferreira, mas também é o principal problema da maioria dos emblemas da primeira divisão nacional.

Quando os rasgos se transformam em movimentos de um homem só, inconsequentes na maioria das vezes, jogam aos "repelões".

 

 

By Tiago Luís Santos