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Minuto Zero

A Semana Desportiva, minuto a minuto!

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Minuto Zero

10
Mai11

Steve Field

Steve Grácio

 

Uma sensação Bracarense

Ver este Braga jogar é ver inteligência pura. Ver este Braga jogar é ver a essência pura de um futebol Italiano que, quanto a mim, é do melhor que há. Pegando no jogo que decidiu a passagem à final contra o Benfica, o Braga foi a equipa que melhor entendeu o jogo durante os 90 minutos e, por consequência, garantiu justamente o passaporte para Dublin.

Com o seu habitual 4x2x3x1, Domingos, como excelente estratega que é, dos melhores a nível nacional, lança uma surpresa ao fazer alinhar Mossoró para impedir o início de construção encarnado pelo pivot defensivo. Com Mossoró em campo, Javi nunca conseguiu ter o tempo e espaço que necessita para iniciar a construção. Sabendo Domingos que Javi não é um trinco muito forte na construção, necessitando de algum espaço para pensar, colocar um jogador como Mossoró naquele espaço táctico foi fundamental para anular o Benfica.

No momento defensivo, o momento mais em foco na equipa Bracarense, todos os jogadores recuavam, com a excepção de Meyong que permanecia “encostado” aos centrais, para de seguida iniciar o ataque rápido, sobretudo a partir da largura que os médios ala/extremos davam à equipa. Ao partir para o ataque rápido, a equipa do Braga nunca fica descompensada, mantendo sempre 5/6 jogadores atrás da linha da bola.

Ora, se a equipa adora jogar em ataques rápidos, sempre com uma forte organização defensiva, como é óbvio estão “como peixe na água” em vantagem do marcador, ao contrário do Benfica que entende melhor o jogo quando necessita de o inverter, pela dificuldade que tem em gerir os momentos do encontro. Com contrastes evidentes, ganharia a equipa que melhor entendesse o jogo, ganharia o treinador que montasse a melhor estratégia. Domingos deu “um banho táctico” ao “mestre da táctica”, como muitos lhe chamam e não o entendo, sem querer lhe tirar algum mérito pelo que já alcançou.

Porém, apesar de toda a justiça no desfecho, não consigo não ficar desiludido com a derrota do Benfica. Fez melhor campanha que na edição anterior? Fez. É mais humilhante perder com o Braga do que com o Liverpool decepcionante da época transacta? Não, de todo. Então o que me faz ficar desapontado com o Benfica e com Jorge Jesus?

Como já referi, a dificuldade em gerir os momentos do jogo, sobretudo em vantagem do marcador. Uma equipa grande tem de o saber. Porto e Braga são exemplos do sucesso que se consegue alcançar com tal sabedoria. Milan é um exemplo no campo oposto pois, tal como o Benfica, tem sérias dificuldades nesse capítulo, como se viu na Champions.

Em segundo lugar, o mau planeamento do plantel. Uma equipa, sobretudo uma equipa grande, não pode depender de ninguém. A dependência de Salvio e do melhor Saviola é excessiva. Em terceiro lugar, tal como Luís Filipe Vieira afirmou, o plantel encarnado é insuficiente para as ambições do clube. Comparando com o rival Porto que tem 16/17 jogadores de elevado nível, o Benfica tem apenas 12/13, muito escasso para tantas frentes.

Por último, e a mais grave na minha óptica, a fraca gestão do plantel encarnado por parte do treinador. Jesus, como treinador “da velha guarda”, (não quer dizer que seja pior por isso, tem é noções diferentes) entende que deve gerir o esforço da equipa descansando todos os atletas, o que é totalmente errado. Vejamos dois exemplos: O Porto, presente em todas as frentes e com o campeonato ganho há bastante tempo, nunca tomou tais atitudes no campeonato, utilizando sempre o melhor onze. Com o decorrer do jogo sim, rodava o plantel da melhor maneira possível. Com isto, além de gerir o esforço dos mais utilizados, integrava os menos utilizados (veja-se no que deu Guarin e James com esta gestão e no que vai da Rodriguez), coisa que o Benfica nunca conseguiu fazer, mesmo com os seus menos utilizados com mais minutos de jogo. Curioso, não? Mourinho contra o Valência, em vésperas de encontro com o Barcelona para a Champions, lança Ronaldo na partida com 6-1 na partida. Jorge Jesus nunca o faria, poupava o jogador. Mourinho fez porque sabe que o jogador descansa mais em campo, por mais incrível que possa parecer. O relaxamento táctico com que Ronaldo entrou na partida, já com o encontro mais que decidido, só beneficiou o atleta.

Ora, com o campeonato já decidido, penso que esta teria sido a melhor opção de Jorge Jesus. Opção semelhante a Villas Boas e a Mourinho. Descansar os jogadores fazendo-os jogar, mas jogando sem quaisquer tipos de pressões, pois o campeonato só servia para cumprir calendário. O Benfica só teria ganho com uma melhor gestão do treinador. Mais que o descansar em termos físicos, o descansar mental é fundamental.

No entanto, não questiono Jesus. Penso que deve continuar no clube, mas com outro tipo de gestão. O Benfica necessita disso. Questiono apenas o rumo que deu ao Benfica desta época. Não me “preocupa” a ausência de títulos, (houve um super Porto…) a competência de um técnico não se mede apenas pelos títulos, preocupa-me sim a distância que o clube teve de os ter e os métodos que utilizou. Contudo, não quero retirar o mérito Bracarense. O Braga vai merecidamente a Dublin, fruto de toda a sua competência táctica.

Na final, curiosidade em ver a reacção da equipa ao anúncio oficial da saída do seu treinador, o grande responsável por todo o sucesso. Perspectiva-se um excelente jogo, com as duas melhores equipas portuguesas do momento. Porém, dificilmente o Porto não sairá vencedor. Penso que caso marque primeiro, fruto do que já referi, sairá vencedor. O Braga para vencer, na minha opinião, terá de marcar primeiro e gerir o encontro como bem sabe. Que a primeira final europeia entre equipas portuguesas fique marcada pelo espectáculo, mais que pela proeza alcançada.

 

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