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Minuto Zero

A Semana Desportiva, minuto a minuto!

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06
Mai11

Voleibol à Sexta

Sarah Saint-Maxent

Benfica afunda-se nos Açores

 

               Associação de Jovens da Fonte Bastardo. É o nome do novo campeão nacional de voleibol masculino. É surpreendente? Sim. E também levanta algumas questões relativas ao modelo competitivo. Mas não deixa de ser uma demonstração de mérito da equipa açoriana.

ajfontebastardo.blogspot.com

 

               Há duas semanas, disse aqui que dificilmente a formação encarnada se deixaria bater neste play-off final. Estava enganada: parece que é a sina do SL Benfica perder os campeonatos da forma mais improvável. No ano passado, o SC Espinho anulou uma vantagem de zero jogos a dois, conquistando os três seguintes e conquistando o título. Este ano, num modelo à melhor de três, a formação da luz desperdiçou a vantagem de começar esta fase final a jogar em casa. Depois de um merecido 1-3, a equipa açoriana tinha tudo para roubar o sonho aos benfiquistas.

               E não era um sonho pequeno: lembremo-nos do investimento brutal que o Benfica fez este ano, apostando tudo na conquista do título, de que já aqui falei. Não foi pouco aquilo que a equipa começou a perder quando cedeu em casa.

               Perante o seu público, a Fonte Bastardo estava mais que decidida a ganhar. Provavelmente não pensaram, até há duas semanas, que iriam jogar essa partida nos Açores com uma vantagem importantíssima, mas isso não se refletiu. A equipa não tinha, ao contrário da formação liderada por José Jardim, grande coisa a perder. Na verdade, só subiram à divisão principal do voleibol português em 2005 e nunca tinham chegado ao play-off final. É certo que investiram na modalidade este ano, o que lhes permitiu a contratação do atacante Manuel Silva, mas não comparemos esse com o investimento do clube da luz.

               Na minha opinião, o título decidiu-se na luz: uma Fonte Bastardo consistente, embora não brilhante, derrotou um Benfica esgotado. Aquele que é, na minha opinião, o melhor jogador da equipa, Flávio Cruz, esteve péssimo. Sem brilhar na defesa e, sobretudo, totalmente ineficaz no ataque, foi uma baixa de peso. Ainda assim, Jardim insistiu nele e só no quarto set fez entrar Tony Ching.

               Lá está a outra asneira: Raidel Toiran voltou a ser titular. E quando Raidel Toiran é titular, desastres acontecem. Não vi os treinos da equipa da luz antes do jogo, e houve, de certeza, alguma razão para o cubano ter sido escolhido para substituir o habitual Ching. Ainda assim, tenho a certeza que a capacidade defensiva do americano teria dado ao Benfica mais uma arma para tentar contrariar uma formação açoriana na mó de cima. Depois dessa derrota, era só esperar que a Fonte Bastardo cumprisse, como fez.

               Se esta situação se tivesse dado no ano passado, provavelmente a história era diferente. Em 2009/2010, o Benfica tinha esta vantagem – os dois jogos ganhos que deram a vitória à equipa da Terceira – e acabou por ceder face aos tigres. Este modelo a três jogos incapacitou o Benfica, é certo, sobretudo porque se viram privados do distribuidor habitual, Paulo Renan, por lesão. Quem sabe se esta semana já poderia jogar e, assim, dar a volta à questão.

               No entanto, tudo isto é forma de atenuar a derrota dos encarnados. E os vencedores não merecem que se atenue a sua vitória, conquistada com esforço, com consistência, com um grande nível. E, como dizia o outro, «ganha quem faz mais por isso», e a Associação de Jovens da Fonte Bastardo fez mais por isso do que o Sport Lisboa e Benfica.

 

By Sarah Saint-Maxent

 

Esta crónica foi escrita ao abrigo do novo acordo ortográfico

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