Sábado, 30 de Abril de 2011
Quando um "estranho" se torna o protagonista

Um dos jogos mais aguardados da época, a primeira parte da mais esperada jornada europeia. Em campo, pela 3 vezes em pouco mais de 10 dias, Barcelona e Real Madrid voltam a repetir um duelo que vai muito para além do futebol.

 

Durante a semana, o pré-jogo habitual de José Mourinho levou Pep Guardiola a sair do seu habitual discurso cuidado, colocando o na área de conforto de José Mourinho, os chamados mindgames, desta vez muito focados na questão das arbitragens. 

 

Em campo, o Real entra no Santiago Barnabeu em 4x3x3, repetindo a formula que venceu a Copa do Rei dias atrás.

Sem Ricardo Carvalho e Sami Khedira, Mourinho optou pelo seguinte onze : Cassilhas; Arbeloa, Ramos, Albiol, Marcelo; Lass, Xabi, Pepe ; Ozil, Ronaldo e Di Maria, desenhando um 4x3x3, que em momento defensivo deixa apenas Ronaldo na zona central do ataque, formando um 4x1x4x1, que deixa ainda Xabi Alonso mais próximo do eixo-defensivo. Ronaldo é, mais uma vez, o solitário avançado, caindo exporadicamente na ala direita, deixando a esquerda para as rápidas incursões de Di Maria. Mesut Ozil, parece colocado à direita, mas sempre com o centro como referência nas suas movimentações.

A principal cambiante tática esta no entanto no meio-campo, onde Pepe se coloca como interior, espaço onde pode fazer uma marcação mais eficaz aos espaços onde Messi habitualmente aparece para receber a bola. Um marcação serrada, não ao homem (ou a pulga) mas sim ao seu espaço de influência. Ao seu lado o Trilha-milhas Lassana Diarra, médio de grande intensidade.

 

Do lado do Barça também um onze com várias baixas de vulto. Sem Iniesta, lesionado, Adriano e Maxwell , habituais laterais esquerdos, Guardiola coloca a equipa no seu habitual 4x3x3, com Valdés; Dani Alves, Mascherano, Piqué, Puyol; Busquets; Xavi , Keita; Pedro, Messi e Villa.

Inpedido de alinhar com os seus laterias esquerdos, Puyol entra no onze alinhando no lado esquerdo da defesa, posição que não lhe é de todo desconhecida, sendo que no entanto seria sempre bem mais comedido em termos ofensivos do que o habitual. Na outra lateral, Daniel Alves, com Marcelo e Di Maria pela frente estava avisado para ser bem mais cuidadoso nas subidas do que o normal. O brasileiro apenas se libertaria na fase final do encontro.

No eixo, Mascherano, baixinho, aparece como central, para jogar sobretudo na antecipação a Ronaldo, dobrando Piqué patrão do séctor. Esta opção liberta Busquets na posição de pivot, onde sem Iniesta por perto, Guardiola lhe pediu que assumisse muito mais vezes a condoção de bola do que o habitual, ficando Keita nas compensações.

 

Com 11 jogadores de cada lado, o jogo parecia correr de feição a José Mourinho, impedindo o Barça de criar situações de perigo, mantendo as linhas juntas e impedindo que o Barça troca-se a bola nas imediações da área de Cassilhas. O objectivo era conseguir a bola na sua primeira zona defensiva, bem baixa no terreno, possibilitando rápidos lances de contra-ataque.

 

Depois o arbitro decidiu tornar-se a figura do encontro, para mal do futebol. Mostrou o vermelho a Pepe, num lance em que o português tem uma  entrada pouco cuidadosa, que poderia de facto, se tivesse acertado no adversário, posto em causa a sua aptidão física. Não acertou, mas mais do que tudo, Wolfgang Stark, sempre com critério desequilibrado, assumiu o protagonismo e mostrou um vermelho que embora compreensível pela perigosa entrada, condicionou o jogo e a eliminatória de forma absoluta.

 

Já com Abebayor em campo, colocado ao intervalo no lugar do inconsequente Ozil, muito para aproveitar a incapacidade no jogo aéreo do Barça e segurar a bola de costas para a baliza, o Real vê-se reduzido a 10 e sobretudo, vê-se sem o principal guarda de Messi.

 

Não se deslumbrou no entanto a equipa de Guardiola, tendo o mérito de ter sabido aproveitar a superioridade numérica. 15 minutos após a expulsão de Pepe, os génios individuais de Afellay, recém entrado, e de  Lionel Messi averiam de virar o jogo de pernas para o ár. O segundo golo da pulga coloca-o numa dimensão estrato-esférica, para ver e rever.

Pena é que tenha sido Wolfgang Stark a chamar a si o protagonismo, quando em Madrid se viram verdadeiros hinos ao futebol.

 

Para a história: Real Madrid 0 - Barcelona 2 e Lionel Messi... o futebol encarregar-se-á de fazer esquecer o nome do arbitro da partida.

 

Na próxima quarta-feira, o Real Madrid visita a capital Condal, com uma enorme desvantagem no marcador, mas também sem Sergio Ramos (suspenso por acumulação de amarelos), Pepe (expulso) e José Mourinho, que para além de expulso do jogo arrisca ainda suspensão depois das suas palavras na conferência de imprensa.

 

2. Deixo ainda o destaque para a excelência do futebol demonstrada pelo Futebol Clube do Porto a meio da semana... um jogo para mais tarde recordar e a promessa de que este Porto puderá ainda dar muito que falar esta temporada.

 

 

 By Tiago Luís Santos

 

 


 

 

 



publicado por Minuto Zero às 11:55
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1 a zero:
De Steve Grácio a 30 de Abril de 2011 às 17:06
esta foi a última vez que comentei um post no minuto zero. eu tento falar, mas depois aparecem pessoas tipo Camões que só têm um olho e vêem apenas o que querem.
ós mestres da tática é que sabem!
quando houver conversas civilizadas com trocas de opiniões, cá estarei.


De João Perfeito a 30 de Abril de 2011 às 18:01
Eu apenas expressei a minha opinião.

Não concordo que Messi seja humilde e admiro Ronaldo como pessoa.

Acho que tal como Mourinho a hipotética falta de humildade é substituida pela frontalidade e carisma.

Quanto á tentaiva de tirar o mérito a Messi. Apenas o fiz porque nenhum jogador marca um golo numa tabela parado, fintado só um jogador correndo quase metade do campo. Frisei ainda que ele já marcou golos bem melhores, esses sim dignos de registo.

Quanto às estatísticas estão fala e falam por si.

Acabei o meu comentário dizendo que renunciava a todas as minhas opiniões se o Barça me mostra-se o contrário algo que ainda não aconteceu.

Quanto à minha insatisfação pela atitude dos jogadores do Barça ela está amplamente patenteada por todos os jogadores do Manchester.

Apenas digo e reafirmo não é normal uma equipa ser a melhor do Mundo e:

- estar em 2º Lugar no Ranking UEFA
- marcar apenas 3 golos em 9 jogos em meias-finais(em igualdade numérica)
- ter o melhor futebol espectáculo do Mundo quando joga para a frente e para trás, trocando a bola imenso tempo, noutros desportos jogo passivo (não estou a condenar- até acho um bom estilo de jogo- só que espectacular não é de certeza)
- com menos de 30% de posse de bola dos adversários conceder tantas oportunidades de golo

Cada um é livre de expressar a sua opinião. Por isso ainda bem que uns gostam mais de Guardiola e outros de Mourinho, outros do Real outros do Barça, outros de Messi outros de Ronaldo.

Porque na verdade ninguém é melhor que ninguém.
Na verdade os títulos é que falam por si. O resto é especulação de quem tem mais capacidade. Nisso uns acham que é melhor um outros acham outro.

O que conta é o resultado que se deixa.

Por isso jamais haverá um melhor jogador do Mundo e um melhor Treinador do Mundo (porque objectivamente é impossível avaliar).

Melhor equipa do Mundo (é aquela que ganha a Champions em cada ano)- independente de jogar com 10 defesas ou com 10 avançados.

Por isso o Real é o melhor clube da história (9 Champions) e o Brasil é a melhor selecção da história (5 títulos Mundiais).

Melhor jogador? Maradona, Pelé, Ronaldo,Cristiano Ronaldo, Messi, Beckembauer, Zidane, Maldini, Yaskin?

Nenhum. Porque não há marca que os destingue. Não é como nos 100 metros que Bolt tem 9.58 e gay 9.72. Ou no Tennis que Federer venceu 15 grands slams e Nadal 9. Não há critérios objectivos.

Por isso para cada um de nós existe um melhor do Mundo. São opiniões.

Viva a discussão. Viva o futebol.


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