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Minuto Zero

A Semana Desportiva, minuto a minuto!

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Minuto Zero

24
Abr11

A Guerra das Rosas

Pedro Salvador

          

Não Estamos Sozinhos

 

 

 

            Caros leitores, ventos de mudança abatem-se sobre o basquetebol português. Na última assembleia-geral da Federação Portuguesa de Basquetebol, foi aprovada, por imposição da legislação da União Europeia, a lei Bosman para a Liga Portuguesa de Basquetebol.

            Muito sucintamente, a lei Bosman, já vigente em muitas ligas de basquetebol (entre outros desportos) na Europa, defende que os jogadores comunitários (naturais de qualquer país da UE) contariam como jogadores nacionais em qualquer país onde esta lei se encontra activa. Essa medida seria extremamente benéfica para ligas com limite de jogadores estrangeiros (agora extracomunitários), sendo que se usufrui assim de um mercado muito mais amplo, sem no entanto exceder esse tal limite.

            Mas francamente, se analisarmos bem a questão, será que essa medida será realmente benéfica para o basquetebol português? A resposta é simples: não.

            A Federação estava de mãos atadas nesta questão, não tendo muita hipótese de escolha, sendo que a aprovação foi quase que forçada para a Liga Portuguesa de Basquetebol entrar em conformidade com as leis laborais Europeias. Mas os efeitos de tal medida são previsíveis e, infelizmente, bastante negativos.

            Primeiro, será claro que com a contratação de jogadores comunitários, a quantidade de jogadores portugueses de valor a sair para o basquetebol profissional diminuirá em grande quantidade. Isso é certo e sabido. Tivemos praticamente tantos talentos a emergir do nosso basquetebol nos últimos dois ou três anos sem Bosman, como nos dez anos anteriores, em que a Bosman estava em vigor na nossa extinta LCB. Uma liga com mais estrangeiros dá menos possibilidades para portugueses encontrarem o seu espaço e crescer como basquetebolistas.

            Ora esse facto, aliado a uma Selecção Nacional seriamente envelhecida e necessitada de uma renovação (basta olharmos para a convocatória do Eurobasket 2007 e para a ultima convocatória da Selecção Nacional pelo ex-selecionador Moncho Lopez, para constatarmos que as diferenças são reduzidas), e à progressiva perda de capacidade económica da maioria das equipas da liga, o que pode desencorajar vários futuros talentos, cria uma crise bastante grave na nossa futura Selecção, porta-estandarte do basquetebol nacional, a qual esperemos que Mário Palma consiga resolver com sucesso.

            Outro grande senão nesta lei Bosman é que de facto um grupo muito restrito de equipas portuguesas (Porto, Benfica, e possivelmente a Académica, a Ovarense e o CAB) poderá vir a beneficiar destas medidas. Devido à sua maior capacidade financeira em relação às restantes equipas, elas poderão tirar partido do mercado europeu de jogadores, com especial atenção à Espanha ou à Europa de leste. Mas vejamos: uma equipa com um baixo orçamento anual como certas equipas da liga têm não consegue comportar um jogador espanhol, croata ou francês que receba praticamente todo esse orçamento ou mais ao ano. Mas talvez uma equipa rica já tenha essa capacidade de adicionar mais dois comunitários e ainda manter a sua equipa do ano anterior mais ou menos intacta. Ou seja, traduzindo para a sabedoria popular, o rico fica mais rico e o pobre fica mais pobre. Uma liga que desde a primeira jornada distribui prognósticos entre Porto e Benfica terá um fosso qualitativo ainda maior a partir do momento em que os clubes mais ricos começarem a tirar partido da Bosman.

            Agora, não nos podemos esquecer que o Porto e o Benfica têm duas das melhores formações do país, e ver as suas equipas profissionais recheadas de jogadores estrangeiros não é com certeza a melhor maneira de incitar o jovem basquetebolista português a seguir esse caminho, o que pode bloquear a saída de novos talentos portugueses dessas equipas.

            Francamente, todos sabemos que a Bosman é má para o basquetebol, mas a verdade é que trazendo jogadores de outros campeonatos pode abrir mais portas para jogadores portugueses saírem para a Europa, e essa maior visibilidade internacional pode e tem que ser considerada como o melhor de toda esta má situação.

            Após uma reunião com os clubes para discutir este tema, a Federação Portuguesa de Basquetebol terá uma última palavra a dizer acerca deste assunto. Aguardamos por mais notícias...

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