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Minuto Zero

A Semana Desportiva, minuto a minuto!

A Semana Desportiva, minuto a minuto!

Minuto Zero

19
Mar11

Porque ao Sábado se Destaca...

João Perfeito
Gerir ou descansar? Correr atrás da bola ou fazer a bola correr?
Estudar futebol ou entreter os adeptos? Ganhar ou ser equipa do quase?


A presente edição da Liga dá-nos as melhores equipas nacionais dos últimos 15 anos. Desde o início do penta do Porto (1994/1995) que nunca vimos duas equipas tão demolidoras no nosso campeonato. O actual Porto e Benfica são bem melhores que os últimos 15 campeões nacionais. O Porto soma 21 vitórias em 23 jogos. O Benfica conseguiu em todas as competições nacionais a proeza de 25 vitórias em 26 jogos. Palavras para que? Benfica e Porto rumo aos calcanhares das grandes potências mundiais. O Porto pode ser o melhor campeão de sempre. O Benfica nada pode fazer contra isso.
Nesta epopeia europeia e nacional o Porto está acima do Benfica. Qualidade individual? Super Hulk. Aimar, Saviola. Falcão- Cardozo. Álvaro Pereira- Coentrão. Não me parece… Qualidade técnica? Muito menos. Futebol espectáculo? Claramente menos.
Tão iguais e tão diferentes. Tão próximos e tão distantes. No fundo o Benfica ressuscitou a sua história e galvanizou o seu jogo, fazendo triangulações perfeitas, acelerações formidáveis, sincronizações de olhos fechados e golos artísticos. Na verticalidade de Salvio… o talento de Chalana. No pé direito de Eusébio… o esquerdo de Cardozo (destaque para a potência não é como é óbvio uma comparação entre os dois jogadores). Na astúcia de Simões… as diagonais de Gaitán. No talento de Valdo… a dádiva de Aimar. Um Benfica que faz os adeptos ingleses pedir mais e adorar vê-lo jogar.
No Porto uma liderança, uma identidade, uma táctica. Um futebol apoiado, um futebol no chão, um futebol pragmático, um futebol largo. A técnica no passe e na recepção, a genialidade artística na genialidade táctica. Atacar a defender, defender a atacar. Forte nas transições. Forte em ataque continuado e em contra-atque. Forte em tudo, fraco em nada. Defesa sólido, ataque sólido. A bola corre de Hélton a Falcão passando um por um pelos restantes 9 jogadores, uma triangulação, uma mudança de flanco, uma subida do lateral, um movimento interior do extremo, uma explosão de Hulk um refinar da orquestra de Moutinho. No fundo a mistura com o previsível e o imprevisível. Um ritmo certo… uma explosão. Perder a bola e pressionar, recuperar e ter linhas de passe. Campo Grande a atacar, campo pequeno a defender. Recuperar, entregar atrás e devolver ao dono da orquesta (Moutinho) que depois decide mudar o pop do ritmo para o jazz (improviso) de Hulk sem desequilíbrios. O Porto é a crença do futebol moderno. Do saber atacar, do saber defender. Da supremacia do espectáculo como forma de guardar a bola e não de dar goleadas, de sofrer faltas quando ganha, de empurrar o adversário à sua baliza sem se desequilibrar. O triunfo dum treinador que estuda e está atento às mudanças do futebol. O Porto descansa a jogar, o Benfica cansa-se a jogar. O Porto faz correr a bola, os jogadores escolhem o ritmo do movimento. O Benfica faz correr os jogadores, com bola no pé, com tabelas, com movimentações desgastadíssimas… grandes golos, grandes perdidas, Javi Garcia fica só na perca de bola e tem de se desgastar. No Porto Fernando divide com Belluschi e Moutinho.
O Porto nunca saí desgastado. Porque o Porto gere o jogo como quer independente do adversário. O Porto pode fazer entrar o seu melhor onze e jogar de dois em dois dias que a sua equipa recupera sempre? Porquê? Porque tem qualidade nos suplentes e alterna os intocáveis. No Benfica Coentrão, Gaitán, Saviola, Salvio fazem jogos a fio e rebentam. No Porto, Moutinho é uma daquelas pérolas raras que até podem jogar 80 jogos por ano. Belluschi emerge e estagna… Guarín afirma-se e explode. Fernando sente o peso da carga de jogos, baixa o Guarín fresco, joga Belluschi. No jogo seguinte Belluschi retoma o banco. James Rodriguéz prepara-se durante 4 meses e rende um Varela a acentuar a quebra de forma. Falcão melhor que nunca depois da lesão (sem desgaste). Nas laterais Álvaro Pereira recupera aos poucos o seu estatuto de indiscutível. Sapunaru rigoroso e Fucile ambicioso alternam. No centro da defesa o seguro Maicon alterna com o imponente Otamendi. Sem perder qualidade, mas sim aumentando. Em função da subida de forma física e mental. Na gestão da motivação. Cada um destes jogadores acredita que pode ser titular. No Benfica temos 12 jogadores (Martins), os outros não estão preparados para serem lançados. Por isso o Porto apresenta sempre a melhor equipa e nunca se cansa, o Benfica joga como diz o seu treinador para entreter todos os adeptos (até aqueles que não são do Benfica) a equipa desgasta-se o Coentrão arrasta-se , Aimar e Cardozo pedem substituições. Uma equipa explode e desequilibra-se. Outra mantém o mesmo ritmo do início ao fim e nunca se parte. Uma ganha o campeonato… outra é a equipa do quase. Porquê? Porque o Benfica ataca melhor que o Porto. Só que o Porto defende a atacar e o Benfica apenas defende, quando perde a bola. Esta é a diferença. Esta é a viragem do futebol. A ideia romântica …a ideia eficaz. A ideia prática de quem jogou (Jesus)… a ideia teórica de quem estudou (Vilas Boas). A gestão descansando os jogadores, a gestão rodando os jogadores.
Por isso o Porto ganha, o Benfica é a equipa do quase… O Benfica não desiludiu, foi mais do mesmo da época passada. O Porto inovou o seu jogo face ao exacerbamento da táctica e da gestão em prol do espectáculo e da individualidade… no fundo da nova sustentação do futebol actual… que tem a Espanha a pontificar de forma máxima a caminho da conquista de três títulos internacionais seguidos (algo inédito). Porque será?



By João Perfeito