Quinta-feira, 3 de Fevereiro de 2011
Steve Field

Os ‘Portugueses’

Esta semana desportiva em Portugal teve como um dos destaques a partida de um dos melhores avançados que passou em Portugal esta década, Liedson. Liedson (ou levezinho como é apelidado) é um verdadeiro quebra-cabeças para as defensivas adversárias. É daqueles avançados que os defesas odeiam marcar: é rápido, não dá uma bola por perdida, é um exímio cabeceador (que o diga o gigante Luisão…), enfim um avançado muito bem descrito numa crónica de há umas semanas na secção Fumo sem Fogo do Alexandre Poço. É com pena com o vejo partir, bons jogadores fazem sempre falta, mesmo que sejam de clubes rivais.
Ao ver a notícia da partida de Liedson para jogar no Brasileirão de imediato pensei escrever esta crónica. Este tema já tinha sido um pouco abordado por mim numa das minhas primeiras crónicas. No entanto, decidi reforçar uma ideia, que recebeu também outro impulso para ser escrita devido à última crónica do espaço Em Frente do Jorge.
Fonte - formacaotactica.blogspot.com
Nessa crónica o Jorge exprimiu a sua ‘revolta’ face ao número escasso de portugueses que compõem as equipas nacionais. É uma ideia bastante compreensível. Todos gostaríamos de ter equipas como o Sporting (plantel composto maioritariamente por portugueses, vindos da formação, por norma) ou o Atlético de Bilbau que é composto apenas por jogadores Bascos. No entanto, esta ideia tem de ser aceite por nós devido ao processo de globalização. Não é só em Portugal que este fenómeno ocorre, basta vermos jogos do Arsenal, uma das melhores equipas do mundo, que raramente utiliza um Inglês. As equipas tentam formar os melhores planteis possíveis. Ou seja, o factor de interesse é a qualidade e não a nacionalidade. Até aqui eu concordo. Não concordo é com a vinda de estrangeiros de qualidade duvidosa que retiram oportunidades a portugueses de boa qualidade, como acontece na maioria das equipas profissionais portuguesas. E o Marítimo, como o Jorge falava, é um exemplo perfeito disso.
Portanto, esta globalização é difícil de ser parada, o que nos leva a ter de aceitá-la. Quem nos diz que o Sporting ou o Atlético de Bilbau não seriam mais fortes sem esta tendência (que tem de ser valorizada) nacionalista?
No entanto, algo que não aceito é ver a minha selecção composta por estrangeiros. A selecção nacional tem de ser composta pelos melhores portugueses, não por estrangeiros. É certo que este fenómeno não é exclusivo em Portugal. Parece que existe uma nova regra onde cada selecção tem de ter o mínimo de um Brasileiro. Isto também é globalização? É, mas na minha opinião é inaceitável.
É por esta minha ideia que iniciei a crónica a falar de Liedson. Liedson é um jogador muito bom, sem dúvida. Provavelmente é melhor que qualquer português da sua posição. No entanto, não se aceita que represente Portugal, muito menos naturalizando-se numa idade já avançada, que revela o seu único interesse, ser internacional, pois pelo Brasil não seria. Quanto a Deco e Pepe, apesar de recriminar na mesma, é um pouco mais aceitável. Tanto um como outro teriam hipótese de representar o seu país de origem e optaram por jogar pela nossa selecção. Como já disse, se fosse eu a decidir não permitiria tal situação. Porém, há que destacar que os casos de Deco e Pepe podem ser vistos como gratidão ao que o nosso país lhes deu, tornando-se um pouco mais fácil de digerir, embora mais uma vez a recrimine.
A única forma que eu aceito é em casos como Eusébio, Ozil ou Podolski. Nestes casos, embora nascidos fora do país que representam (Eusébio – Moçambique; Ozil – Turquia; Podolski – Polónia) foram criados nos países que envergam a camisola de uma nação. Para mim, nestes casos não há interesse, há simplesmente o sonho de representar o país que se ama, que o ‘criou’, pois poderiam ter optado por representar o país nativo.
Em suma, sim às equipas que não utilizem jogadores nacionais, DESDE QUE a qualidade aumente. Não às selecções com jogadores estrangeiros! 

by Steve Grácio


publicado por Minuto Zero às 14:29
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1 a zero:
De João a 3 de Fevereiro de 2011 às 18:11
Na questão das nacionalidades deixemo-nos de opiniões e passemos a factos. Se qualquer cidadão que reside 6 anos em Portugal pode ser português, então tem todo o direito a representar portugal. A questão de ser criado ou não de se identificar com o país não é para aqui chamada. Porque de certeza que à muitos portugueses que foram nascidos e criados cá, que nunca sairam do país e não gostam tanto de Portugal como Liedson. Ser cidadão portuuês é um direito que qualquer imigrante tem ao fim de 6 anos. Questões emocionais não podem fazer leis. Por tanto se se quer mudar alguma coisa altera-se a lei de 6 para 10 anos por exemplo. Porque na verdade essa questão do país dar-lhes tudo e querem corresponder é relativo. Temos de usar um critério de factos e não de suposições. Para mim qualquer cidadão português pode representar Portugal, porque nada me garante que ele é mais ou menos português que eu, ou do que qualquer outro. Aliás por virem trabalhar muito simigrantes são bem mais portugueses do que a cambada de chulos do Estado que temos no nosso país.


De stevefg_8 a 3 de Fevereiro de 2011 às 18:29
nao posso ter uma opinião? ou tudo o que dizes é soberano?


De João a 3 de Fevereiro de 2011 às 18:43
Opiniões todos podemos ter. O que eu quero dizer é que nestes casos não são as opiniões que devem determinar se os jogadores jogam ou não na selecção. Porque segundo a lei qualquer cidadão português tem o direito de representar o seu país e quanto a isso não podemos fazer nada. Na prática não existem critérios para um cidadão ser mais português que outro. Por isso talvez passemos de 6 para 10 anos, para nos certificarmos de que as pessoas tem mais ligação temporal ao país. Agora a nível afectivo nunca podemos aferir isso, porque se fossemos assim haveria portugueses que nunca saíram do país que não deveriam representar Portugal. Ná minha opinião nós não temos capacidade para dizer se a é mais ou menos português que b, porque ao ser cidadão é tão português como nós.


De stevefg_8 a 3 de Fevereiro de 2011 às 18:48
eu tenho a minha opinião. eu julgo que liedson nao sente a camisola porque nao cresceu cá. nao concordo com estas situações. ser português no papel nao significa ser português como nos, entendes? é por isto que sou contra.


De Óscar Morgado a 3 de Fevereiro de 2011 às 23:35
O estranho desta globalização é que cá tende a ser enviezada para o Brasil mais do que qualquer outro lado...e infelizmente já não é só no futebol.


De Tiago Luís Santos a 10 de Fevereiro de 2011 às 16:18
à uns anos o Quatar tentou COMPRAR a nacinalidade de Ailton então goleador do Werder Bremen... a FIFA agiu e impediu o Brasileiro de jogar pela selecção catari... existe alguma fiscalização ... no caso dos jogadores que jogaram por Portugal não vejo nenhum caso muito problemático... Deco, Liedson,Pepe ... Evaldo (que deviria ter ido ao Mundial e ainda nunca jogou por Portugal) Paulo Assunção (outro que tal...) a decisão sobre a nacionalidade diz respeito a cada um se bem que devem existir critérios para a conseguir. A partir do dia em que um jogador se torna Portugues tem tanta legitimidade de jogar pela nossa selecção como qualquer outro. Mas como é obvio não se deve viver das naturalizações nem sequer tornar estas hábito comum


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