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Minuto Zero

A Semana Desportiva, minuto a minuto!

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Minuto Zero

05
Nov10

Uma Aventura no Estádio

Minuto Zero
Num jogo qualquer, de um clube qualquer num qualquer estádio (pormenores que nada acrescentam a esta exposição), ouvi um dia uma criança a aparentar uns 6 anos apertar com força a mão do pai e dizer em voz fininha: Pai, tenho medo. Numa tentativa de sossegar o pequeno , o pai rodeia-o com os ombros e diz-lhe Não tenhas medo, aqui não nos acontece nada.
Sossegue o leitor mais apressado – não é da afectividade pai/filho que irei falar hoje, muito menos de um conto infantil completamente descontextualizado e cor-de-rosa. Pelo contrário. É bem cinzento, da cor do fumo que naquela tarde-noite assustou o pequeno rapazinho. Chamemos-lhe Bernardo. Ora, o Bernardo assustou-se com a nuvem de fumo que, instantes antes da equipa pela qual aprendera a torcer entrar em campo, inundou a sua bancada, proveniente (mas isto o Bernardo não sabia) da claque que no anel inferior  já ensaiava cânticos de apoio.
Não tenhas medo, aqui não nos acontece nada. Naquela altura a curiosidade atacou-me de tal forma que ponderei questionar o progenitor sobre a proveniência de tanta certeza. Afinal, tanto eu como eles tínhamos entrado no estádio sem qualquer tipo de revista ou controlo prévio. Aqui não nos acontece nada – pensamento natural de quem joga em casa e vê no seu estádio uma espécie de aura protectora onde nada acontece. Eu sou ao contrário: a minha veia pessimista (medricas não assumida) faz-me pensar sempre que entro num estádio sem ser revistada: “Pronto, é desta que isto explode”.  Deixemos de parte o ridículo do meu estado amedrontado e concentremo-nos na recorrência deste meu pensamento. Num breve exercício de memoria consigo recordar-me das poucas vezes em que me revistaram a mala e remexeram os bolsos – umas 4. Aceitável, não fosse eu uma stadium-freak que não vai tão poucas vezes a estádios quanto isso.
Talvez seja o típico portuguesismo do deixa andar ou mera distracção das forças de segurança. Mas, numa altura em que tanto se fala da ausência de segurança que as equipas sentem quando visitam um estádio rival, deve ter-se também em atenção os adeptos e respectiva segurança. Não é aceitável, nem sequer compreensível, que em jogos da Liga dos Campeões (experiência confirmada na última jornada europeia) ou da Selecção Nacional entre um adepto que seja no Estádio sem ser minimamente revistado – seja o jovem de mãos nos bolsos e olhar enigmático-meio-ameaçador ou o pequeno Bernardo assustado com a confusão. É inaceitável, jogo após jogo, os clubes continuarem a arriscar e ainda mais incompreensível quando se trata dos chamados grandes, onde o risco e o fanatismo caminham de mãos dadas. Em jogos da Liga ex-Liga Vitalis (agora Orangina), era todas as jornadas obrigada a deixar as pilhas da máquina fotográfica com os seguranças, em dois Benfica x Sporting que assisti ao longo do último ano até pilhas extra pude levar comigo. Algo está mal e ninguém dá conta. E se assegurar o bem-estar e a segurança dos atletas é de extrema importância, os adeptos em nada podem ser descurados – são os adeptos quem enche os estádios e fazem do Futebol a bonita festa que é. Cabe aos clubes, em troca, atestar a sua segurança. Porque se há quem, como eu ou o Bernardo, se sinta apreensivo com a situação, decerto haverá quem se sinta tentado.

by Sílvia Ferreira Santos

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