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Minuto Zero

A Semana Desportiva, minuto a minuto!

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Minuto Zero

14
Out10

Steve Field

Minuto Zero
Selecção: Os problemas


Paulo Bento inicia funções como seleccionador nacional, substituindo o bastante criticado Carlos Queiroz. Este coloca a melhor equipa no momento dentro do terreno de jogo. Portugal, bastante motivado, vence e convence. Problema resolvido? Nem pensar!
Portugal, provavelmente, com maior ou menor dificuldade, irá conseguir a sua sétima participação consecutiva em grandes competições, feito inédito, já que é a melhor equipa do grupo e estas duas vitórias vieram dar um grande impulso para a qualificação. No entanto, a nossa Selecção, numa perspectiva realista, dentro de poucos anos, com o abandono de figuras já em idade avançada como Ricardo Carvalho, Bruno Alves ou Raul Meireles, ficará órfão de alguns dos seus melhores jogadores, sem haver substitutos de semelhante qualidade.
Esta falta de recursos deve-se à fraca qualidade dos dirigentes das estruturas da Federação Portuguesa de Futebol. Em primeiro lugar, o número de estrangeiros que compõem as equipas profissionais do nosso futebol é assustador. Não está em discussão o valor dos atletas, mas sim a escassez de jogadores portugueses que, consequentemente, diminui as opções de um seleccionador já que os portugueses são, muitas vezes, ‘postos de parte’. Sugeria, portanto, à semelhança do que acontece em alguns dos melhores campeonatos europeus, um mínimo de jogadores nacionais por equipa ou até um máximo de estrangeiros.

Fonte: abola.pt


Em segundo lugar, ainda mais assustador, é a quantidade de estrangeiros que jogam nas equipas de formação. Para comprovar, faço o teste ao leitor de verificar quantos estrangeiros compõem os três grandes do futebol português nos seus planteis de formação. Este facto impede o surgimento de mais jogadores de valor portugueses, que mais tarde também se reflecte na falta de opções na selecção. Mais uma vez, proponho um limite de estrangeiros nos plantéis, não por ser xenófobo ou por estes serem de fraco valor, mas porque quem paga a factura é a equipa de todos nós.
Todos estes factos levam praticamente ao inevitável, a naturalização de estrangeiros, algo que na minha óptica não deveria ser permitido. No entanto, admito que nos seja útil devido à falta de melhor. Temos potencial, mas não o aproveitamos.
Outro facto bastante relevante para o enfraquecimento da nossa selecção é a falta de competência dos seleccionadores dos escalões de formação. Para mim, foi o grande erro de Carlos Queiroz enquanto seleccionador nacional. Entregar estes cargos de grande responsabilidade e competência a ex-jogadores, jogadores com passado na equipa das quinas, mas jogadores sem grande experiência ou provas dadas como treinadores, que prejudica a evolução do nosso futebol e, mais tarde, prejudica a selecção A. É uma cadeira alimenta que, ao falhar na base, falha no topo. No entanto, há ainda a salientar que este problema não surge única e exclusivamente por responsabilidade de Queiroz, foi apenas acentuado.





Fonte: abola.pt

Outro problema do futebol da nossa Selecção, não menos importante, é a falta de uma identidade, de um modelo de jogo comum a todos os escalões de formação até à Selecção A, que é fundamental para obter sucesso, não só na equipa principal pois a adaptação é facilitada aquando da chegada dos estreantes, como também para o sucesso das selecções jovens. O melhor exemplo possível vem dos nossos vizinhos espanhóis. Se virmos os sub-15 espanhóis a jogar, parece que estamos a ver a selecção principal espanhola. Resultados? Campeã europeia e mundial e vários títulos nas camadas jovens. E não é por haver melhores jogadores, pois em Portugal há bastante matéria-prima. Porque não aprender com quem faz bem?
Há ainda a salientar que, devido à falta de competitividade do nosso futebol, os nossos melhores jogadores são aliciados a irem jogar para o estrangeiro. Jogam praticamente todos em clubes diferentes que, quando se encontram para jogar na selecção, têm mais dificuldade de entrosamento do que, por exemplo, a grande selecção espanhola, composta maioritariamente por jogadores do Barcelona e Real Madrid, jogando quase de ‘olhos fechados’. Contudo, este problema não leva nota de culpa da federação.
Na minha opinião, a mudança de Queiroz por Paulo Bento foi uma boa opção, na medida em que a imagem do seleccionador estava completamente esgotada pela comunicação social e já não havia respeito e confiança entre ele e os jogadores. Porém, Queiroz era o menos culpado de todos os problemas da nossa selecção. Pelo contrário, apesar de todos os seus erros, a prestação de Portugal no mundial foi normal e Queiroz foi o grande responsável pela geração de ouro no futebol português, formando dos melhores jogadores portugueses de sempre. Mesmo agora neste período, tentou sempre fazer o que Scolari nunca tentou, preocupou-se sempre com o rumo das selecções jovens, criando até a selecção de sub-23, que é indispensável para a transição para a selecção A.
Este senhor do futebol não merecia o que lhe fizeram. Depois de tudo o que deu ao país foi ‘expulso’ do cargo, parecendo que este país está novamente na ditadura. Para mim, Queiroz devia de ter continuado na federação a coordenar todo o futebol jovem e a coordenar a equipa técnica, cabendo então a Paulo Bento (já que Mourinho era impossível) a gestão de campo, pois aqui Queiroz não podia fazer mais nada e, sinceramente, concordo que aqui é um pouco limitado. As suas virtudes são melhor aproveitadas na formação.
Julgo que mais uma vez foi culpado quem não teve culpa. O futebol português está a caminhar a passos largos para o que era antes da geração de ouro, não se vendo melhorias à vista. Temos de nos desabituar em estar nos grandes palcos pois, continuando assim, isso irá terminar. Discute-se muito as pessoas, isto é, se Paulo Bento é melhor que Queiroz, se Mourinho era o ideal, em vez de se discutir o que realmente importa, as ideias, os métodos para atingir o que não parece que se pretende, o sucesso
By: Steve Grácio


  

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