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Minuto Zero

A Semana Desportiva, minuto a minuto!

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Minuto Zero

20
Out10

Buzzer - Beater

Minuto Zero
Money Ball
O termo designa aquela bola que entra no cesto, muitas vezes no final de um jogo para dar a vitória, e que de certa forma vale dinheiro para a equipa e para o jogador que lá a meteu. Sim, creio que nos tempos que correm faz sentido de falar em economia para tudo e mais alguma coisa, e porque não para a NBA? Contudo, o enfoque do post é diferente do de há duas semanas atrás…
Na NBA existe um tecto salarial (“salary cap” na expressão americana) para cada uma das 30 equipas gerir os ordenados anuais dos seus jogadores. Ora, esta gestão é feita pelo(s) dono(s) de cada equipa, que entram com capital e esperam retorno de outras vertentes (publicidade, ingressos, merchandising, muito como nas equipas de futebol que cá temos). E esse tecto salarial para a época 2010-2011 situa-se aproximadamente nos 58 milhões de dólares. O que acontece às equipas que passam esse valor é que têm de pagar um exorbitante “luxury tax” proporcional ao montante que ultrapassam. Ainda assim, o limite máximo que se pode ultrapassar situa-se algures nos 100 milhões.
Vejamos a saúde das contas desportivas em questão (valores em milhões de dólares – valores com ‘k’ a seguir significam mil, por exemplo 445k = 445 mil dólares) :
Philadelphia 76sixers: 69.40 (-11.40)
                Elton Brand (15.96)
                Andre Iguodala (12.35)
                Andres Nocioni (6.85)

Charlotte Bobcats: 77.38 (-19.38)
                Eric Dampier (13.07)
                Gerald Wallace (9.86)
                Boris Diaw (9)

Milwaukee Bucks: 68.51 (-10.51)
                Michael Redd (18.3)
                Andrew Bogut (11.05)
                Corey Maggette (9.60)

Chicago Bulls: 54.77 (+3.23)
                Carlos Boozer (16)
                Luol Deng (11.36)
                Derrick Rose (5.55)

Cleveland Cavaliers: 50 (-8)
                Antawn Jamison (13.36)
                Mo Williams (9.3)
                Anderson Varejao (7)
 Boston Celtics: 77.52 (-19.52)
                Kevin Garnett (18.8)
                Paul Pierce (13.88)
                Ray Allen (10)

LA Clippers: 49.16 (+8.84)
                Baron Davis (13.05)
                Chris Kaman (11.3)
                Blake Griffin (5.36)

Memphis Grizzlies: 57.56 (+ 445k)
                Zach Randolph (17.33)
                Rudy Gay (14)
                Michael Conley (4.91)

Atlanta Hawks: 67.37 (-9.37)
                Joe Johnson (16.33)
                Josh Smith (11.6)
                Jamal Crawford (10.08)

Miami Heat: 66.14 (-8.14)
                Chris Bosh (14.5)
                Lebron James (14.5)
                Dwayne Wade (14)

New Orleans Hornets: 70.09 (-12.09)
                Peja Stojakovic (15.34)
                Chris Paul (15.2)
                Emeka Okafor (11.54)

Sacramento Kings: 42.6 (+ 15.40)
                Samuel Dalembert (12.2)
                Beno Udrih (6.66)
                Francisco Garcia (5.5)
Utah Jazz: 74.43 (-16.43)
                Andrei Kirilenko (17.82)
                Deron Williams (15.2)
                Al Jefferson (13)             
New York Knicks: 55.89 (+2.11)
                Amare Stoudemire (16.5)
                Eddy Curry (11.28)
                Raymond Felton (7)

LA Lakers: 98.74 (-40.74)
                Kobe Bryant (24.81)
                Pau Gasol (17.82)
                Andrew Bynum (13.84)
Orlando Magic: 92.48 (-34.48)
                Rashard Lewis (20.51)
                Vince Carter (17.3)
                Dwight Howard (15.78)
Dallas Mavericks: 85.78 (-27.78)
                Dirk Nowitzki (17.3)
                Tyson Chandler (12.75)
                Jason Terry (10.65)
New Jersey Nets: 54.56 (+3.44)
                Troy Murphy (11.97)
                Devin Harris (8.98)
                Travis Outlaw (7)
Denver Nuggets: 85.48 (-27.48)
                Carmelo Anthony (17.15)
                Kevin Martin (16.55)
                Chauncey Billups (13.15)
Indiana Pacers: 58.17 (-168k)
                Danny Granger (10.97)
                Mike Dunleavy (10.56)
                T. J. Ford (8.5)
Detroit Pistons: 67.28 (-9.28)
                Richard Hamilton (12.65)
                Tayshaun Prince (11.15)
Toronto Raptors: 60.23 (-2.23)
                Jose Calderon (9)
                Andrea Bargnani (8)
                Leandro Barbosa (7.1)
Houston Rockets: 72.68 (-14.68)
                Yao Ming (17.69)
                Kevin Martin (11.1)
                Luis Scola (7.78)
San Antonio Spurs: 72.38 (-14.38)
                Tim Duncan (18.7)
                Tony Parker (13.5)
                Manu Ginobli (11.85)
Phoenix Suns: 62.27 (-4.27)
                Jason Richardson (14.44)
                Steve Nash (10.31)
                Hedo Turkoglu (9.8)
Oklahoma City Thunder: 50.26 (+7.74)
                Nick Collison (6.75)
                Morris Peterson (6.64)
                Kevin Durant (6.05)
Minnesotta Wolves: 45.52 (+12.48)
                Gilbert Arenas (17.73)
                Kirk Hinrich (9)
                John Wall (5.14)
                Darko Milicic (5)
                Michael Beasley (4.96)
                Martell Webster (4.8)
Portland Trailblazers: 67.79 (-9.9)
                Brandon Roy (13.52)
                Lamarcus Aldridge (10.7)
                Marcus Camby (8.45)
Golden State Warriors: 63.56 (-5.56)
                Monta Ellis (11)
                David Lee (10.8)
                Andris Biedrins (9)
Washington Wizards: 55.83 (+2.17)
                Gilbert Arenas (17.73)
                Kirk Hinrich (9)
                John Wall (5.14)


Descansem que não vou analisar isto caso a caso, aliás, não acredito que toda a gente se tenha dado ao trabalho de ler tudo, portanto, cingir-me-ei aos casos mais flagrantes.
O principal aspecto que quero salientar é a existência ou não entre um padrão de classificações e de salários. Aos campeões Lakers compete também o troféu de equipa com maior afastamento em relação ao tecto salarial: estão muito perto dos 100 milhões de “hard cap”colocados pela liga (têm o jogador mais bem pago em Kobe Bryant e Pau Gasol recebe uns avultados 17 M). Quanto a Boston, segundo classificado da época passada, os seus quase 20 M de excesso também fazem crer que derrapagens financeiras são algo de recorrente nas equipas bem sucedidas (apenas é curioso verificar que, por se encontrar ainda sob um contracto assinado há uns anos, Rajon Rondo, provavelmente aquele que vai ser o melhor jogador da equipa nesta época que vai começar, não figura entre os 3 atletas mais bem remunerados, mas de destacar que é o 4º). Os Magic e os Suns, finalistas das suas conferências mas que foram derrotados pelas equipas já mencionadas, são dois casos diferentes. Os primeiros, com uns escandalosos 20 M a serem pagos a Rashard Lewis (que decresceu na época passada e não é, a meu ver, sequer o 3º jogador desta equipa) a derrapagem de quase 35 M é óbvia. Já os Suns têm um excesso muito menos pronunciado, mas de ressalvar que a saída da sua estrela Amare Stoudemire para os Knicks aliviou muito do peso financeiro sobre a equipa, que esta época parte com muito menos hipóteses de igualar a sua prestação da época passada.
E no geral, verificamos que a grande maioria das equipas tem, ainda de que uma forma pouco pronunciada, derrapagens em relação ao tecto salarial inicial de 58 M. Por princípio, esta regra (e a de equipas menos bem classificadas poderem escolher primeiro os jogadores que desejam no draft de admissão à liga) tem como objectivo manter a competitividade entre as várias equipas. E, apesar de a meu ver a NBA ser uma das competições mais equitativamente disputadas do Mundo, grandes disparidades de resultados se verificam, com equipas que chegam a ganhar mais de 60 partidas numa época e algumas que não chegam às 20. E uma das principais causas que aponto para isto é o facto de as equipas se aproveitarem da possibilidade de pagarem multas (ainda que de proporções astronómicas que chegam a ser de 10x superiores ao valor excedido), pois sabem que com as vitórias irão ter retorno no investimento, porém, prejudicam a competitividade.
Gostava só de apontar os dois exemplos que para mim melhor servem de exemplo a uma gestão honesta desta questão: os Chicago Bulls e os Oklahoma City Thunder. À última há que dar mérito por ser uma equipa que apenas existe há 3 anos (embora tenha substituído os velhos Seattle Supersonics) e que conseguiu chegar ao playoff com jogadores extremamente jovens e mantendo um equilíbrio orçamental positivo. Porém, alguma sorte à mistura deve ser destacada neste caso, pois sem as surpreendentes revelações de jogadores como Kevin Durant, Russell Westbrook e Jeff Green tais resultados não seriam possíveis. E para este ano a equipa promete melhorias. No caso dos Bulls, mesmo com a adição de um super-assalariado como Carlos Boozer, estes mantém as suas contas positivas e preparam-se para se assumir como uma força a temer na NBA este ano. Finalmente esta equipa, após a saída do lendário Michael Jordan, conseguiu recolocar-se no equilíbrio de forças mais intenso da NBA, tendo já na época passada dado uma grande dor de cabeça aos finalistas Boston Celtics, sob o controlo do prodígio Derrick Rose, do experiente Luol Deng e do explosivo Joakhim Noah. E com Boozer a entrar na rotação, este ano promete ainda mais. Assim quero concluir mostrando que de facto, mesmo numa liga dominada por jogadores com salários astronomicamente altos (chocantes para a maioria de nós europeus que já nos espantamos com os grandes futebolistas do continente), é possível construir sólidos projectos desportivos sem passar por cima de importantes regras que apenas visam ao equilíbrio da competitividade e consequentemente aumento de qualidade da modalidade, e fazendo um apelo a uma melhor racionalidade económica no desporto em tempos difíceis como os que atravessamos.

By Óscar Morgado

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